Autor 22362 - Tópico: (actualizado) Memorial Benfica, Glórias  (Lida 125849 vezes)

ednilson

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  • 12 de Abril de 2008, 19:04
Valdo Cândido Filho. Sidéropolis, Brasil. 12 de Janeiro de 1964. Médio.
Épocas no Benfica: 5 (88/91 e 95/97). Jogos: 184. Golos: 28. Títulos: 2 (Campeonato Nacional), 1 (Taça de Portugal) e 1 (Supertaça).
Outros clubes: Cruzeiro, Paris SG, Nagoia Grampus Eight (Japão), Grémio, Santos, Sport Recife e Botafogo. Internacionalizações: Brasil.




Plantel 1996/1997

A gente engalispava-se a vê-lo jogar. A gente salivava de prazer. “Dá ao Valdo que ele resolve”, pedia a gente. E o Valdo satisfazia a gente. “A gente simplesmente sabe, mas não faz a menor ideia disso”, dizia Tostão, também brasileiro e gente artista. Era mesmo assim aquele meio-palmo-de-gente. Gente grande do futebol. Gente com lugar na história de outra gente. A da gente do Benfica.

Deliciava no Grémio de Porto Alegre, quando enveredou pela primeira aventura além-fronteiras. A empreitada conheceu engulhos. Valdo era um ídolo e só a persistência do Benfica lhe aguçou a tentação. Logo na estreia, em Espinho, no inicio da temporada 88/89, a sua classe parecia não caber no campo. O jogo até deu empate, mas deu Valdo, muito Valdo. Estava encontrado o playmaker, como sói dizer-se em inglês, essa quase língua universal. Foi uma temporada deslumbrante. O tridente brasileiro (Valdo, Mozer e Ricardo Gomes) pintava a festa do campeonato a vermelho… verde e amarelo. Foi um triunfo com sotaque. O centrocampista actuou em 28 jogos e marcou cinco golos. No ano seguinte, ainda que não revalidasse o titulo, ao Benfica presença reservada estava no mais desejado palco europeu da especialidade. Em jogo equilibrado, o Milan levou a melhor, mas Valdo haveria de provar quão insubmissa era a sua equipa, perante a melhor formação mundial daquele tempo a nível de clubes. Em 90/91, terminou a época, curtindo de novo o prazer da faixa de campeão, antes de rumar a Paris, com o ego em alta e as finanças em prosperidade.



Regressou em 95/96, já luso-brasileiro, para de novo pautar as operações a meio-campo. Vivia-se o inicio da era horribilis do Benfica. Disfarçou, porque qualidades não havia perdido. Ainda venceu uma Taça de Portugal, última nota do quadro de honra benfiquista até à celebração do Centenário.

De Valdo fica a recordação do operário especializado no jogo das multidões. O perfume dos seus passes. A arte dos seus rendilhados. A música dos seus concertos. Com a magia das suas viagens, Valdo foi um dos melhores jogadores estrangeiros do Benfica. Daqueles para quem a vida só dura hora e meia. Assim incendiou degraus e degraus pejados de fãs do seu futebol. Do seu Benfica.
« Última modificação: 15 de Abril de 2008, 21:33 por ednilson »

VanBasten

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  • Godinho Lopes... vai para o apre gaitinha!
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  • 12 de Abril de 2008, 19:08
A famosa "folha seca" de Valdo...qual Simão, qual Cardozo, qual crl...aquilo sim, eram penaltis fora da area!

Pedro Neto

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  • 13 de Abril de 2008, 15:49
O Valdo foi o melhor #10 que vi no Benfica. Melhor até que Rui Costa.

http://encarnados.blogspot.com/2006/06/dream-team-parte-vii-valdo.html
« Última modificação: 13 de Abril de 2008, 15:50 por Pedro Neto »

ednilson

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  • 13 de Abril de 2008, 18:35
António Augusto Silva Veloso. São João da Madeira. 31 de Janeiro de 1957. Defesa.
Épocas no Benfica: 15 (80/95). Jogos: 536. Golos: 8. Títulos: 7 (Campeonato Nacional), 6 (Taça de Portugal) e 3 (Supertaça).
Outros clubes: Sanjoanense e Beira Mar. Internacionalizações: 40.




Equipa 1987/1988

Se jogador no Benfica houve campeão da polivalência, Veloso foi. Para ele, actuar na retaguarda, à direita, à esquerda, ao meio, era igual. Actuar na intermediária, à direita, à esquerda, ao meio, igual também. Veloso era daqueles que queriam jogar. Jogar no Benfica. Jogar à Benfica. Jogar e receber o aplauso da plateia. Pelo esforço, pelo sacrifício, pelo combate. Pela emoção, pela alegria, pela raça. Com características defensivas, a Veloso como que competia jurisdicionar umas das áreas da batalha. À direita, à esquerda, ao meio, pouco importava. E também mais parecia ser ele a desfraldar a bandeira. Da luta, da garra, da vitória. Do Benfica.

Nasceu em 1957, ano em que se iniciaram as transmissões regulares de televisão em Portugal. Na pacata São João da Madeira, terra de tradições futebolísticas, afamada também por recepcionar uma próspera indústria de calçado. Aos 11 anos, começou a trabalhar numa fábrica desse ramo, ainda que o futebol já lhe despertasse o mais guloso dos apetites. Dois anos depois, inscreveu-se na Associação Desportiva Sanjoanense, que representou durante cinco temporadas, de juvenil a sénior. Nessa altura, na retina tinha ainda um fabuloso golo de Eusébio, que as redes da Sanjoanense havia furado, tão violento saiu o pontapé. Era o benfiquismo a dar sinais. Por isso, após duas temporadas no Beira Mar e a rejeição de propostas do FC Porto e Sporting, Veloso rumava à Luz, no inicio da temporada 80/81, já na condição de internacional das camadas jovens portuguesas.

Com 23 anos, estreou-se de águia ao peito, numa digressão, em Toronto, frente ao Pannellenie, clube canadiano da comunidade grega local. A vitória sorriu, por 4-0, tendo Veloso entrado no reatamento para o último golo marcar, num cirúrgico remate de fora da área. Conquistou o torneio, conquistou também um lugar na equipa.

Era a época de 80/81, com o húngaro Lajos Baroti no comando técnico. O Benfica venceu tudo a nível doméstico, o Campeonato, a Taça de Portugal, a Supertaça Cândido de Oliveira. Nené foi Bola de Prata, símbolo do melhor goleador do Nacional. Com Bento, Pietra, Humberto Coelho, Carlos Manuel, Alves, Shéu e Chalana, entre outros, só falhou uma competição europeia. Foi por um triz, já que às meias-finais da Taça dos Vencedores das Taças haveria de chegar a novel equipa de Veloso.



 A Selecção abriu-lhe as portas. Por 40 vezes haveria de ouvir os acordes do Hino Nacional. Esteve no Euro 84, em França, onde jogou frente à Alemanha, após ter substituído o portista Frasco. Falhou o México 86, por uma daquelas nódoas que deixam marcas para sempre. Acusou positivo num controlo anti-doping, requereu a contra-análise e o resultado foi negativo. Clamou pela sua inocência, mas já não foi a tempo, terminado estava o prazo para a entrega da lista de seleccionados. Anos depois, na Antas, numa jornada deslumbrante, Portugal haveria de bater a mágica Holanda, de Gullit, Rijkaard e Van Basten. Foi com um golo solitário do benfiquista Rui Águas. Veloso actuou a defesa-central, numa altura de crise no sector, saindo-se a contendo, na elegância da veterania.

Pelo Benfica, conquistou sete Campeonatos, seis Taças e três Supertaças. Efectuou 658 jogos, com expressão de grande versatilidade. Na cortina defensiva, 546 a titular (309 à direita, 224 à esquerda, 13 ao meio). No miolo, 69 também de inicio (17 à direita, 18 à esquerda, 34 ao meio). É o recordista de presenças nas competições europeias (77). Como capitão da equipa, actuou 322 vezes. Quedou-se a seis jogos apenas de Mário Coluna, o Monstro Sagrado, aquele que mais vezes colocou a fita no braço esquerdo.

“Acho que fiz uma carreira bonita e só tenho pena que o maldito penálti da final dos Campeões me seja sistematicamente atirado à cara”. Pois é, a cada vez mais actual tendência de ver as coisas pela negativa. Foi a grande hipótese de o Benfica voltar, ao cabo de precisamente uma vintena de anos, ao galarim do futebol europeu. No final do tempo regulamentar, ante o PSV, subsistia a igualdade a zero. Nada se alterou no sofrido prolongamento. Cinco remates certeiros e consecutivos para cada lado. Na sexta tentativa, ele que não tinha sido indigitado para a série inaugural, Veloso desferiu o mais incompetente remate de toda uma vida. O Benfica não era campeão da Europa.

Ainda teve alguns anos para se ressarcir daquela imoralidade. Com novas conquistas, outras glórias. Não tão grandes, mas sempre glórias. E a maior glória de Veloso é ter cativado um lugar à luz da Luz.
« Última modificação: 13 de Abril de 2008, 18:37 por ednilson »

ednilson

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  • 14 de Abril de 2008, 21:27
Vítor Manuel Ferreira Baptista. Setúbal. 18 de Outubro de 1948-1999. Avançado.
Épocas no Benfica: 7 (71/78). Jogos: 150. Golos: 64. Títulos: 5 (Campeonato Nacional) e 1 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Setúbal, Boavista, San Jose, Amora, Montijo, União de Tomar, Monte da Caparica e Estrelas do Faralhão. Internacionalizações: 11.




Equipa 1975/1976

Ele era o maior, no seu desassombrado exercício de auto-avaliação. Ele era Vítor Baptista. Seguramente, o mais controverso jogador do universo benfiquista e nacional.

O pai transportava peixe da lota para a praça de Setúbal. Morreu novo, era o Vítor pouco menos que imberbe. “Eu fazia recados às prostitutas, apanhava moedas que os ‘camones’ atiravam para a água e trabalhava numa mercearia”, enquanto a mãe se viu na contingência de emprego pedir numa fábrica de conservas.

Fervia de paixão por Eusébio, quando principiou a sua odisseia. Entrou num torneio de futebol de sala, 15 anos tinha, segundo melhor marcador foi, atrás de Quinito, esse mesmo, o treinador de futebol. Olheiros do Vitória ficaram desvanecidos perante uma boa fornada, que sinais dava de querer trepar nas lides. Vítor Baptista não foi escolhido, mas tanto insistiu, tanto clamou justiça, que Emídio Graça, irmão do benfiquista Jaime, acabaria por dar anuência.

Meteórico foi o ascenso. Aos 18 anos, venceu a Taça de Portugal, num jogo tremendo com a Académica. Sob a direcção técnica de Pedroto, pedaços de talento distribuiu, no Bonfim e noutros recintos. Chegou a comprometer-se com o Sporting, mais leonina era a proposta, só que o Benfica antecipou-se, cedeu Praia, Torres e Matine ao Vitória. Viu-se compelido a trajar de vermelho. Não houve sinal de lamúria. Afinal, entrava nos píncaros da fama. Até nem desbotou, apesar da concorrência de Nené, Eusébio, Artur Jorge e Jordão. Disse ao que ia, naquele estilo cavalgante, nem sempre a primar pela estética, mas sólido, sólido como uma rocha.

 

O seu traço de exotismo não passava despercebido. Era um desadaptado, indulgente sobretudo fora das quatro linhas. Recorda Shéu, quão perplexo ficou, no dia em que Vítor Baptista prendeu um exemplar da raça canina ao poste de uma baliza, poucos minutos antes de um treino.

E para a posteridade ficou o mais hilariante dos episódios que a Luz conheceu, quando após ter marcado o golo do triunfo do Benfica, em dia de derby, frente ao Sporting, se apercebeu que lhe faltava o brinco na orelha. Parado esteve o jogo quase cinco minutos. Agachado, gatinhando mais e mais, era ver Vítor Baptista a passar a relva a pente fino. Incrédulos ficaram os colegas, os adversários, a multidão que coloria as bancadas. Não mais apareceu o brinco e a vitória, essa, recusou-se a comemorar.

Sempre autista, pôs a cabeça em água a muitos dos seus treinadores. No Benfica e na Selecção, protagonizando falhas graves de indisciplina. Apesar de tanta incontinência, o povo gostava de Vítor Baptista. Apreciava o seu código de jogo, a forma como se recreava com a bola, o apetite insaciável pelo golo.



Esteve sete épocas no Benfica e ganhou cinco Campeonatos. À entrada da última, foi categórico e sustentou que “o melhor futebolista português não pode continuar a jogar se lhe pagarem como até aqui”. Assim falou, talvez ao volante daquele Jaguar, que havia adquirido por 150 contos a um milionário aterrorizado com a Aliança Povo/MFA e o avanço para o socialismo. Contrição fez e regressou ao activo. Para uma das suas conseguidas temporadas.

Ainda que houvesse interesse do Benfica na sua continuidade, muito por força da pressão popular, que os comportamentos desviantes se iam acentuando, Vítor Baptista regressou a Setúbal, no começo de uma deambulação por vários clubes, que culminou no Estrelas do Faralhão, da Distrital setubalense.

Nos últimos anos de vida, ele que morreu num 1º de Janeiro, com meio século de vida, aparecia com frequência no Estádio da Luz. Degradado, infelizmente muito degradado. Mas para Vítor Baptista, aquele que levantou estádios, à custa do perfume do seu futebol, fica a mais portuguesa das palavras, aquela que tradução não tem, a portuguesíssima saudade.
« Última modificação: 14 de Abril de 2008, 21:48 por ednilson »

Elvis the Pelvis

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  • 14 de Abril de 2008, 23:14
Grande Valdo! :bow2:

Quanto ao Veloso, grande capitão, mas aquele penalty falhado em Estugarda. :cry2:

ednilson

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  • 15 de Abril de 2008, 21:22
Vítor Cândido Gonçalves. Lisboa. 12 de Abril de 1896-1965. Avançado.
Épocas no Benfica: 9 (18/27). Jogos: 72. Golos: 5. Títulos: 1 (Campeonato de Lisboa).
Internacionalizações: 2. Treinador do Benfica em 1934/35 (conquistou um Campeonato de Portugal).




Equipa 1919/1920

Se o general Vasco Gonçalves, antigo Primeiro-Ministro, na politica, dividiu opiniões, já o seu pai, Vítor Gonçalves, mas no futebol, granjeou unanimidade. A todos os níveis, fosse como adepto, fosse como praticante, fosse como capitão, fosse como treinador. Um poço de virtudes. Da integridade à honra.

Vítor Gonçalves deixou vestígios inapagáveis no Benfica e no futebol português. Foi companheiro de Ribeiro dos Reis e de Cândido de Oliveira, personalidades respeitadas, como ele credoras do magister dixer. Companheiro foi também, com a divisa da águia, de António Pinho, Alberto Augusto, Homem de Figueiredo, Vítor Hugo, Raul Tamanqueiro.

Actuou quase uma década no Benfica. Era avançado. Futebolista inteligente, na percepção do binómio espaço/tempo. Jogador evoluído, com apreciáveis recursos técnicos. Atleta maduro, de forte sustentáculo emocional. Desportista irrepreensível, admirado até pelos adversários. Benfiquista inveterado, sorvedor da mística do clube. Que tão bem encarnou. Que tão bem transmitiu às gerações vindouras. Desde logo como treinador. Treinador campeão.


 
Na sua trajectória garrida, por uma vez chegou ao titulo regional de Lisboa, a principal prova do velho calendário. Foi em 1919/20, altura em que a equipa viajou por Espanha. Bateu o Atlético de Madrid (2-1) e o Pontevedra (7-3), tendo capitulado perante o Real Madrid (1-4) e o Real Vigo (0-2). Melhor, muito melhor, arrecadou, em dinheiro vivo, duzentos e onze escudos e quarenta centavos. Pasta era naqueles tempos.

Clube popular, talvez por isso mesmo, o Benfica dava sinais de vitalidade. Até na engenharia financeira. Assim foi para erguer o Campo das Amoreiras. O melhor de Lisboa era, também do país, um dos mais completos da Península Ibérica. Foi inaugurado a 13 de Dezembro de 1925, na época de Vítor Gonçalves, presente já no pequeno rol de internacional do futebol indígena.

Foi um homem vertical, um homem de fôlego, de talento. No futebol e na vida. No seu Benfica. O povo dos ideais vermelhos sempre lhe tributou sentido aplauso. Admirava-lhe, louvava-lhe a seriedade, a coragem, a dedicação, a arte. Era assim no Benfica. Era assim o Benfica. Muitos, muitos anos depois, deve ser, pode ser, tem de ser assim o Benfica.
« Última modificação: 15 de Abril de 2008, 21:26 por ednilson »

pcssousa

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  • 16 de Abril de 2008, 10:50
Quem já não ouviu falar do célebre brinco do Vitor Batista? ou de quando apareceu no aeroporto aquando de uma deslocação do Benfica a Moscovo, na altura à URSS, para um jogo para as competições europeias, vestido de ganga toda coçada enquanto todos os outros apareceram de fato deixando o treinador e responsáveis de cabelos em pé? histórias impagáveis daquele que se autointitulava "o maior", pois considerava-se o melhor jogador português a seguir a Eusébio!
Vitor, onde quer que estejas quero que saibas que os benfiquistas não esquecem os anos em que de vermelho trajaste!

ednilson

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  • 16 de Abril de 2008, 22:42
Vítor Manuel Rosa Martins. Alcobaça. 27 de Março de 1950. Médio.
Épocas no Benfica: 9 (69/78). Jogos: 192. Golos: 27. Títulos: 5 (Campeonato Nacional) e 1 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Nazarenos. Internacionalizações: 3.





Equipa 1972/1973

No apogeu da carreira, contava 27 anos apenas, Vítor Martins interrompeu de forma abrupta o melhor ciclo da sua vida. Um cruel acidente vascular quase o inutilizava. Perdeu o Benfica um dos seus mais cotados futebolistas, com matriz de alto rendimento, portentoso na técnica, até parecia bailar em campo, de tão suave na execução.

Recrutado ao Nazarenos, Vítor Martins chegou à Luz para os escalões mais jovens. Esteve no gérmen das melhores castas de sempre do futebol juvenil do clube. Com Humberto Coelho, Nené, João Alves, Shéu, Jordão e Bastos Lopes, toda uma ínclita geração. Ganhou depressa o hábito da vitória, mas também o engenho para lá chegar. E a internacional, já com títulos nacionais no palmarés.

Em Dezembro de 1969, fez a sua aparição na equipa principal. Um golo marcou, no triunfo esclarecedor (6-0) sobre o União de Tomar. Foi nessa tarde que o seu ídolo Eusébio recebeu as Bolas de Prata, referentes ao melhor marcador dos Nacionais de 66/67 e 67/68. Continuou a lutar por um lugar ao sol, com chamadas mais ou menos frequentes ao convívio dos craques. Assim atravessou o rico magistério de Jimmy Hagan, concorrendo, na zona intermediária, com Toni, Jaime Graça, Matine e Simões, nomes fortes da nomenclatura vermelha.



A partir de 72/73, firmou-se em definitivo. Era um jogador do gosto popular. Tinha carradas de talento. Se era bom discípulo da ordem e do rigor, não deixava de cultivar o espaço de liberdade, onde o seu génio limites parecia não ter. Assim foi durante cinco grandes temporadas, com mais de 150 jogos na equipa principal e golos, vários golos à mistura.

Vítor Martins venceu por cinco ocasiões o Campeonato Nacional e por uma vez a Taça de Portugal. Foi três vezes internacional A, com destaque para a presença em Wembley, frente à Inglaterra, num surpreendente empate a zero. O Garoupa, como era conhecido, abateu, nesse dia, a grimpa aos ingleses.

A 13 de Novembro de 1977, em jogo a contar para a Taça de Portugal, ante o Desportivo de Chaves, lesionou-se ao minuto 52. Operado mais tarde, tudo se complicou. Drasticamente. O futebol era passado. “Estava na melhor fase da minha vida”, confessa, de forma comovente. O Dínamo de Moscovo associar-se-ia à festa de homenagem, já o homem havia recuperado. O jogador, esse, morreu. No palco principal. Ficou a mágoa dos benfiquistas. E a nostalgia.

Mestre

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  • 16 de Abril de 2008, 22:51
Grandes Veloso e Valdo, guardo alguns dos melhores momentos do Benfica com eles no 11.
Quanto a Vitor Baptista, não havia palavras para descrever o talento e a irreverência de um dos melhores jogadores portugueses.

E já estamos na letra V.

ednilson

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  • 17 de Abril de 2008, 22:02
Vítor Marcolino da Silva. Lisboa. 20 de Fevereiro de 1909-1982. Avançado.
Épocas no Benfica: 9 (27/36). Jogos: 133. Golos: 113. Títulos: 3 (Campeonato Nacional) e 1 (Iª Liga).
Outros clubes: Hóquei CP e Carcavelinhos. Internacionalizações: 19.




Equipa 1931/1932

Num clube centenário, seria estranho que não existisse uma expressão dinossáurica, corporizada por alguém que houvesse marcado os primórdios da prática competitiva. Somente cinco anos mais novo que o Benfica, em Vítor Silva se descobre tal figura. Ele que nasceu poucos meses antes da implantação da República, responsável foi, nos anos 30, pelo aumento da falange de apoio benfiquista, em virtude da sua reputação como jogador de futebol.

Vítor Marcolino da Silva inventou para o jogo o chamado salto de peixe, uma acrobacia que deleitava o público. Foi mesmo o primeiro atleta português contratado por dinheiro, circunstância que provocou um chorrilho de críticas na nossa sociedade da época.

Tinha apenas dois anos, quando os seus pais se mudaram, de armas e bagagens, para uma casa, em frente do antigo Campo das Laranjeiras, propriedade do CIF, a cujos quadros pertenceu na categoria de infantis. Só que o clube deixou de praticar futebol de competição e Vítor Silva optou pelo Hóquei Clube de Portugal, também sediado em Sete Rios. Jogou mais tarde no Carcavelinhos, chegando a marcar três golos ao Benfica, no início da época 27/28, em jogo a contar para a Taça de Preparação. Quinze contos valeu o seu passe. Parecia uma heresia, só que a vida veio provar quão justa foi a opção dos responsáveis encarnados.

Logo na estreia, com 18 anos, no dia 1 de Janeiro de 1928, Vítor Silva empurrou o Benfica, no campo das Amoreiras, para uma categórica vitória (4-1) sobre o FC Porto, ainda nos posto de interior-direito. Só interveio nesse encontro, porque indiferente não ficou ao apelo dos Jogos Olímpicos de Amesterdão. Fez os três jogos do calendário, marcou outros tantos golos, um em cada partida, ao Chile (4-2), à Jugoslávia (2-1) e ao Egipto (1-2).



Regressou em grande plano na época subsequente, transformando-se na coqueluche da equipa, mas a operação a uma hérnia afastá-lo-ia da competição durante um longo período.

No ano de 1930, foi decisivo na conquista do Campeonato de Portugal, prova que antecedeu a Taça de Portugal, ainda que nova enfermidade tivesse obstaculizado a sua presença na final. Já na época seguinte, guindado foi à condição de líder da equipa, recebendo a braçadeira de João Oliveira. No epílogo da temporada, com dois golos da sua autoria, o Benfica bateu o FC Porto (3-0), em Coimbra, sagrando-se bicampeão de Portugal. Em 1934/35, verificou-se a terceira conquista, a que se soma o Campeonato da I Liga, sempre com a veia goleadora de Vítor Silva a marcar pontos.

Se é certo que o futebol português, nesses tempos, vivia numa espécie de obscurantismo, certo é também que Vítor Silva parecia de outra galáxia. Era mesmo. Nasceu à frente no tempo. Enquanto os outros, quase todos os outros, se imitavam na mediania, dele já se poderiam esperar improvisações, passes de mágica, fintas desconcertantes, remates mortíferos. Era também um jogador tacticamente adiantado em relação aos demais. Já sabia ler o jogo, medir os espaços, executar os tempos. E jogava, fazendo jogar, subordinando o colectivo às suas características, à sua regência.

Após nove épocas ininterruptas no Benfica, onde chegou com o português Ribeiro dos Reis e de onde partiu com o húngaro Lipo Hertczka, despediu-se como jogador a 13 de Setembro de 1936. Tinha Mário Coluna um ano de vida. Faltavam seis anos para nascer Eusébio, catorze para Humberto Coelho, vinte e três para Chalana, quarenta e três para Simão Sabrosa ver também a luz do dia.



A homenagem a Vítor Silva agitou todo o universo benfiquista. Com o Campo das Amoreiras lotado, o Benfica venceu o Sporting, por 2-1. Nesse jogo, marcaria um golo pela última vez. Era o abandono precoce, aos 27 anos de idade, devido a uma inflamação na membrana interna das veias, cientificamente uma flebite. Era a sua saúde que estava em perigo, ele que tantas vezes havia sido cruelmente castigado pelos seus opositores, mercê da superioridade do futebol que praticava.

Vítor Silva, nessa pré-história da bola, atingiu 19 internacionalizações, com oito golos apontados, ainda hoje ocupando um lugar no ranking dos 25 melhores de sempre. Já depois de abandonar a modalidade, retomou a sua actividade profissional de estofador de automóveis. Durante anos, sempre que solicitado, colaborou na secção de futebol do seu Benfica.

Já não pertence ao mundo dos vivos, mas vivos continuam os seus feitos. Por vezes, até enfatizados. Porque Vítor Silva lenda virou no imaginário benfiquista.

ednilson

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  • 18 de Abril de 2008, 22:14
Vítor Manuel da Costa Araújo. Calendário, Vila Nova de Famalicão. 16 de Fevereiro de 1966. Médio.
Épocas no Benfica: 7 (88/95). Jogos: 289. Golos: 44. Títulos: 3 (Campeonato Nacional), 1 (Taça de Portugal) e 1 (Supertaça).
Outros clubes: Famalicão, Vizela, Vitória de Guimarães e Académica. Internacionalizações: 44.




Equipa 1993/1994

Foi um jogador às direita. Na direita. Pelo lado direito das coisas. Descoberto no Norte, em Famalicão, escondido dos principais holofotes. Vítor Paneira chegou ao Benfica e não tardou a impor-se. Era rei do corredor direito, assim numa espécie de monarquia absoluta. Naquela faixa do rectângulo, divertia-se e contagiava. Bem pode a paternidade reivindicar de alguns trechos do melhor futebol que se viu no Benfica dos anos mais recentes.

Cedo integrou um forte conjunto de jogadores. Talvez começasse temeroso, naquele 88/89, no meio de vice-campeões da Europa. Miraculado ou quase, à terceira jornada do Nacional, presença cativaria no onze, para nunca mais perder a confiança dos treinadores. Sagrou-se campeão nacional na primeira temporada em que usou acessórios vermelhos.

Mais dois títulos haveria de obter, em 90/91 e 93/94, com quase meia centena de golos apontados nos jogos oficiais.

Faltou a Vítor Paneira disputar a fase final de um Europeu ou de um Mundial. Mesmo assim, contabilizou 44 internacionalizações, tendo até vencido metade das partidas em que participou. Já a nível do clube, mesmo sem ter levantado uma Taça europeia, interveio na final dos Campeões, em 89/90, frente ao poderoso Milan (0-1), chegando ainda à meia-final da Taça dos Vencedores das Taças, em 93/94, ante o Parma, com uma grande penalidade falhada e porventura decisiva. Já a Taça de Portugal e a Supertaça Cândido de Oliveira foram outros troféus que haveria de conquistar.



Vítor Paneira não era, como se diz na gíria, um goleador. Competia-lhe desbravar, isso sim, os melhores caminhos, encurtando espaço e tempo. Para o efeito, socorria-se de um drible precioso e também desconcertante, de assistências geométricas e também fatais, de cruzamentos preciosos e também eficazes. Convidava ao golo, avolumando sempre o caudal ofensivo da equipa. Formou com Rui Costa, Paulo Sousa e Paulo Futre o último meio-campo do Benfica de dimensão mundial. Mas também marcou o ritmo da intermediária, valorizando, até por emulação, os recortes técnicos de Elzo, Valdo, Jonas Thern, Kulkov ou Izaías. Da mesma forma, muito lhe ficaram a dever finalizadores com o instinto de Vata, Magnusson, César Brito, Rui Águas ou Yuran.

À sagacidade que sempre patenteou ficou-lhe também muito a dever o Benfica. E porque é norma da casa, já lá vão cem anos, respeitar quem a (bem) serviu, Vítor Paneira sabe que o clube lhe reservou um lugar na galeria dos mais brilhantes.

ednilson

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  • 19 de Abril de 2008, 19:44
Rui Manuel César Costa. Lisboa. 29 de Março de 1971. Médio.
Épocas no Benfica: 5 (91/94 e 06/08). Jogos: 176. Golos: 29. Títulos: 1 (Campeonato Nacional) e 1 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Fafe, Fiorentina e Milan. Internacionalizações: 86.




Equipa 1992/1993

Ele é príncipe encantado, que benfiquistas desencanta por um regresso sempre adiado. Ele é Rui Costa, o número 10 dos tempos já não tão românticos da bola. Tempos mais geométricos. Com a etiqueta rigor.

Cedo se revelou fantasista. De início, com seis anos apenas, nos torneios de futebol de salão, era treinador o pai, presença tutelar que não prescinde. Depois, a partir dos nove anos, nas escolinhas do Benfica, para todo um percurso até ao escalão júnior. Quis a vida que o seu primeiro treinador fosse Eusébio, logo “a mais excepcional das pessoas, a minha maior referência, o maior motivo de orgulho”, na sua divida eterna de gratidão.

Já sénior, Rui Costa viajou para o Minho, fixou-se em Fafe. “Não foi uma equipa que me desse currículo nem um grande prestígio, mas, por se tratar de um clube humilde, foi-me possível trabalhar bem, com pessoas que me ajudaram e me ensinaram muito. Consegui sair de lá para o Campeonato do Mundo de Juniores, no qual tive a sorte de as coisas me terem saído bem, e regressei ao Benfica”.

Fez-lhe mesmo bem o tirocínio no distrito de Braga. Por lá começou a dar-se ao respeito. Sempre presente e dinâmico, talentoso e versátil, atlético e útil, era jogador para outras galáxias. Definitivamente.



No Portugal 91, naquela noite mágica de 26 de Junho, na sua Luz, um portento de pontapé colocou a turma lusitana na final da competição, vencendo a resistência teimosa de uma Austrália sempre rija nos movimentos defensivos. Depois foi a maior enchente que os arquivos registam na catedral benfiquista, na final, com o Brasil, vista ao vivo por 240 mil olhos. De esperança, de emoção, de alegria. Venceu Portugal. Rui Costa marcou o penálti conclusivo. Conquistou o titulo, a juventude, o país. E ao Benfica voltou.

Fez a pré-temporada com Sven-Goran Eriksson, um dos treinadores que maior cartel deixaram no clube. O sueco enamorou-se do bálsamo daquele futebol irreverente, quase virginal, mas profundo. Gradativamente, começou a entrar na equipa, até garantir a titularidade. Foram três anos excepcionais. Ganhou um Campeonato e uma Taça de Portugal. Percorreu uma avenida que sucesso poderia chamar-se. À Selecção A chegou, também, com naturalidade. Na retina ficou aquela memorável final do Jamor (5-2, ao Boavista), com Toni ao leme das operações, ao lado de Vítor Paneira, Paulo Sousa, Paulo Futre, João Pinto e Rui Águas, numa manifestação de gala. Como também o magistral desempenho no empate a quatro bolas, frente ao Bayer Leverkusen, no tal jogo impróprio para cardíacos, assim reza o cliché.

Pelas portas que o Benfica abriu, saiu também Rui Costa, em 94/95, com destino à Fiorentina, a troco de um milhão e 200 mil contos, a maior transferência mundial dessa temporada. Foi um balão de oxigénio para o Benfica, com as finanças depauperadas, mas uma baixa dificilmente suprível nos anos subsequentes. Ele que até queria ingressar no Barcelona, rendido ao cantos de sereia do grande Joan Cruyiff, na monumental cidade italiana se estabeleceu. Florença viria a estremecer, amiudadas vezes, com a sua elegância em campo, o seu saber, a sua arte. Até que chegou ao Milan e campeão europeu se fez. Um feito igual, haviam-lhe contado quando criança, àquele de Coluna, de José Augusto, de Eusébio, de Simões. Pena não ter sido com a camisola do Glorioso, o clube que ama, do qual é sócio, tal qual o filho, que também inscreveu, “com apenas um dia de idade”, no vasto rol de massa associativa do Benfica.



No Verão quente de 93, ainda na presidência de Jorge de Brito, o clube viveu uma das crises mais humilhante. Com os cofres vazios e ordenados em atraso, jogadores houve que rescindiram os contratos, rumando até para a mais directa concorrência. Não foi o caso de Rui Costa, sem embargo de ter sido assediado como talvez nenhum outro. Manteve-se irredutível na defesa do et pluribus unum. A sua divisa.

Mais tarde, a 13 de Agosto de 1996, pela Fiorentina jogou frente ao Benfica. Profissionalismo oblige, um golo fez. Assim como quem ficou apoderado pelo complexo de Édipo, não comemorou. Antes, chorou. E, sobre esse episódio enternecedor, também poderia escrever Eusébio de Andrade: “É juventude. Juventude ou claridade. É um azul puríssimo, propagado. Isento de peso e crueldade.”

Na época de 2006/2007 regressou finalmente ao Benfica, cumprindo o desejo de toda uma carreira, o desejo de a terminar no clube do seu coração. Mais duas épocas jogou, envergando a camisola encarnada com enorme classe e dedicação, propiciando momentos à muito ansiados pelos adeptos benfiquistas. Os momentos de Rui Costa! De novo na Luz, Rui Costa é símbolo-vitória.


THE END

Pois é… acabou…

Agradeço a todos quantos me incentivaram a realizar este tópico, não vale a pena referir nomes, agradeço a todos os que diariamente visitaram o tópico, ver o número de visualizações a subir foi também um enorme incentivo. Agradeço à minha patroa, que diariamente me ajudou a escrever os textos.

Como sabem, quem não sabe tem de ficar a saber, os textos que aqui inseri são do livro, Memorial Benfica – 100 Glórias, escrito pelo grande benfiquista João Malheiro, é certamente um livro excelente para que todos os benfiquistas tenham em casa!!!

Como todo este trabalho, de escrita, mas também de pesquisa, arquivei 306 imagens de jogadores e 149 imagens de equipas do Benfica!!!

Quanto ao tópico e como optei por não comentar, aproveito para o fazer agora, e faço-o apenas a algumas coisas que me marcaram. Ângelo, não sabia das suas performances enquanto treinador nas camadas jovens, fantástico trabalho, o responsável pelo lançamento dos maiores craques benfiquistas. Espírito Santo, aquela história do hotel da Madeira, em que por ser negro o queriam colocar num anexo e a equipa em sinal de amizade, respeito e solidariedade a ele se juntou no tal anexo, é isto o Benfica. O José Águas que não gostava de jogar futebol e que por isso mesmo jogar, era como vestir o fato de macaco para ir trabalhar como qualquer outro profissional, dando tudo o tinha para dar em prol da sua profissão e neste caso do seu clube. Enfim foi bom escrever estes textos, pois permitiram-me ficar com mais algumas coisas na cabeça.

Informo que ficaram de fora todos os jogadores ainda no activo, Luisão, Mantorras, Miguel, Nuno Gomes, Petit e Simão.

Gostei tanto de escrever neste tópico, que meus amigos….não vou parar….pois é, vou agora escrever sobre todos os treinadores, os treinadores de trás dos 31 títulos nacionais do Sport Lisboa e Benfica, são 17 caras. Espero sinceramente que adiram da mesma forma que aos jogadores, levará mais tempo, pois o trabalho de pesquisa é bastante maior, não sei até que ponto conseguirei fazê-lo diariamente.

Começo por Lipo Herczka. Amanhã.
« Última modificação: 19 de Abril de 2008, 19:49 por ednilson »

pcssousa

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  • Até sempre!
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  • 19 de Abril de 2008, 21:31
Parabéns Ednilson, por este fantástico trabalho!

46Rossi

  • Eusébio
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  • o Monstro e o Rei, Obrigado!!
  • 19 de Abril de 2008, 21:54
Obrigado pelo empenho e dedicação neste magnífico tópico :bow2: