INICIADOS A - SL Benfica 5 x Real SC 0

Jorginho

Sport Lisboa e Benfica X Real Sport Clube

1 Bruno Varela
2 Marcelo Féria
3 Flávio Luz
4 Fábio Cardoso
5 Fábio Rebelo
6 João Teixeira
7 David Indum 35'
8 Estrela
9 Carlos Daniel 52'
10 Guilherme Matos
11 Hélder Costa 49'


12 João Guedes
13 João Cancelo
14 Pedro Torrado
15 Bernardo Silva
16 André Gomes 35'
17 Pedro Oliveira 49'
18 Ricardo Horta 52'
Tr. Bruno Lage


1 Miguel Azinheira
18 Bernardo
7 Sousa
6 Elton
10 Pires
9 Avito
13 Sumaila
11 Ricardo 52'
17 Saído 52'
8 Fábio
2 Aldaír

12 João Neves
16 Aércio
4 Braima 52'
15 Tiago
5 João Martinho 52'
Tr. Pedro Saraiva



Manhã de chuva no Seixal, com um terreno muito desgastado, quer pelas condições climatéricas, quer pelo número de partidas que lá se têm jogado, mas que não impediu o Benfica de voltar a vencer e por números claros.

O Benfica entra em campo com algumas alterações no onze base. Um onze composto pelo estreante Bruno Varela, na baliza, Féria e Rebelo nas laterais, Luz e Cardoso no centro da defesa. Teixeira, hoje mais recuado, jogando como trinco, Estrela, de volta ao centro de terreno, e Gui, como médios mais adiantados do triângulo, Indum na ala direita, Hélder Costa na esquerda, Carlos Daniel no centro do ataque. O habitual 4-3-3.
O Real apresentava-se em campo sob a forma de um 4-2-3-1. O meio campo com dois pivots defensivos e três médios mais ofensivos bem coordenados. De realçar a coragem do treinador do Real, pois de todas as equipas, com excepção do Sporting, que passaram pelo nosso terreno, foi a que mais quis jogar futebol.

O estado do terreno, muito empapado, favorecia as características dos jogadores de Massamá, todos eles muito fortes fisicamente, com especial destaque para os dois centrais. O Benfica tentava atacar, mas a defesa do Real ia limpando os lances de perigo. O primeiro lance de perigo surge aos 7 minutos. Estrela ganha a bola no meio campo e faz um passe por alto para as costas da defesa adversária. Gui desmarca-se muito bem, mas atira ao lado de pé esquerdo. Estava feito o aviso, Gui estava a aquecer para um desempenho fabuloso.

Aos 9' os mesmos protagonistas, mas no lado esquerdo do ataque. Estrela vai à linha final e, de trivela, arranca um excelente cruzamento. Gui antecipa-se ao central e remata, sem preparação, à barra. Segundo aviso!



Começa a chover intensamente e o terreno começa a degradar-se ainda mais. Baixa também a qualidade de jogo. O Benfica consegue boas triangulações no lado esquerdo, com destaque para Hélder Costa, que ganhava todos os lances individuais ao seu opositor, mas na hora de chegar perto da área, os gigantes centrais do Real cortavam o perigo, impondo a sua capacidade física no terreno pesado.
O Real tenta responder ao ataque do Benfica, mas só o consegue de bola parada. Aos 19', num livre da quina da área, faz o primeiro remate à baliza encarnada. Bruno Varela agarra a bola sem dificuldades, já que esta foi batida com pouca força.

O Benfica vê o tempo passar e lança-se em busca do golo. O meio campo sobe muito e começa a pressionar a defesa do Real. Num desses lances de pressão, a defesa do Real alivia mal a bola, que vai parar aos pés do omnipresente Gui. Com uma leitura fantástica da jogada, o médio do Benfica vê o guarda-redes opositor adiantado e tenta surpreende-lo com um chapéu, mas a bola sai perto do poste da baliza.

Gui enchia o campo. Estava em todo o lado. Correndo, passando, cortando. Como tal, não podia deixar de estar na jogada do golo. Aos 22' Gui arranca em velocidade para a área contrária, passa por dois defesas e entrega para João Teixeira, muito inteligente ao acompanhar o movimento de Gui. O trinco encarnado entra na área, faz uma finta sobre o adversário, puxa a bola para o pé esquerdo e coloca com classe, rasteiro e junto ao poste, a bola no fundo da baliza. Grande jogada do Benfica, com Gui mais uma vez presente.

Até ao final da primeira parte, registo para mais um lance de...Gui. Após uma boa combinação entre Indum e Féria, o lateral do Benfica faz um passe de ruptura para centro do terreno, deixando Gui em boa posição para marcar, mas o remate do jogador do Benfica não acerta na baliza.

Tempo de intervalo. Bakary na bancada é o centro das atenções. O jogador senegalês encontra-se lesionado, mas o seu regresso estará para breve.

Bruno Lage mexe na equipa ao intervalo. Retira o apagado David Indum e coloca em campo André Gomes. Este vai ocupar o lugar deixado por Indum, a ala direita do ataque.

Ora, passados apenas três minutos André Gomes marca um canto que dá golo. Canto batido da esquerda por Gomes, a bola vai forte para a baliza e o guarda-redes do Real, surpreendido pela colocação da bola deixa-se bater, defendendo para lá da linha de golo. Canto directo, grande entrada do extremo Benfiquista. Estava feito o 2-0.

O terceiro não demoraria muito mais a surgir. Gui, em mais uma transição ofensiva bem temporizada, faz um passe brilhante para o ponta-de-lança Carlos Daniel, que pela primeira vez no encontro consegue fugir aos gigantes centrais do Real, que o deixa isolado. O avançado do Benfica só tem de desviar a bola do guarda-redes e é isso que faz, rematando de pé direito, com a bola ainda a bater no poste antes de entrar. 3-0!

O Benfica galvaniza-se e procura ampliar a vantagem. Gui, quem mais?, pica a bola por cima de um defesa, à entrada da área e deixa para Hélder Costa. O extremo benfiquista lança uma bomba de pé esquerdo, sem preparação, mas a bola passa ao lado do poste da equipa de Massamá.
Repete-se a magia de Gui. Outro passe fabuloso a isolar Hélder Costa. Este, na passada remata forte, mas o guarda-redes do Real faz a defesa do jogo, voando para o seu lado direito e com uma sapatada impede o golo do esquerdino Benfiquista.

E o Benfica volta a carregar, sempre pela esquerda, mais uma vez por Gui, que vai a linha de fundo cruzar rasteiro. Carlos Daniel antecipa-se ao seu marcador e remata frouxo à malha lateral.



Surge então um dos melhores lances da partida. O Real ganha um livre no meio campo ofensivo, mas muito longe da área benfiquista. O número 10 do Real, Pires, ajeita a bola com a intenção de a bater directamente para a baliza. Devido à distância, nas bancadas comenta-se que "o tipo é maluco!". Contudo, quem ficou mais surpreendido foi quem o disse. Pires remata fortíssimo ao ângulo esquerdo da baliza do Benfica. Só um grande voo de Varela impede Pires de marcar um golo notável.

O Benfica responde por Gui. Com um domínio de bola exemplar, o 10 benfiquista arranca em grande velocidade para a área contrária. Só é travado devido a um puxão na camisola, já dentro da área adversária. O árbitro, sem dúvidas, marca penalty.
Gui é chamado a converter o castigo máximo e não falha. Bola para um lado, guarda-redes para o outro. Finalmente, o melhor em campo marcava. Juntando o golo às duas assistências que tinha feito.

Substituição no Benfica; sai Hélder Costa e entra Pedro Oliveira. André Gomes troca de flanco, ficando Oliveira no flanco direito.

O Real volta a causar perigo. Como? De livre, obviamente! Por quem? Pelo inspirado Pires! Desta vez, o remate sai mais fraco, mas extremamente bem colocado. Varela tem de defender a dois tempos, pois largou a primeira bola.

Nova substituição no Benfica. Troca de pontas-de-lança. Sai o exausto Carlos Daniel, entra o pequenino Ricardo Horta. Quando o avançado do Benfica se aproxima da área, o central do Real aproxima-se deste para efectuar a marcação. Nas bancadas explode uma risada geral, a cabeça de Ricardo Horta tocava o peito do central do Real.

Aos 58' o Benfica fecha a contagem. Após uma bola bombeada para a entrada da área, o guarda-redes da equipa da linha de Sintra, sai a soco e defende para a frente. Pedro Oliveira, muito bem colocado, não hesita. Com o guarda-redes adiantado, faz-lhe um chapéu cheio de classe, com a bola a entrar ao centro da baliza. 5-0!

Até ao final, o Real tentou atacar, mas foi sempre inconsequente. Com a excepção das bolas paradas, cobradas por Pires, o Benfica nunca correu grandes riscos e soube controlar o jogo.

Vitória justa, por cinco golos sem resposta, acaba com o mito de que a equipa depende de Bakary. A equipa precisa de Bakary, mas não depende dele.


Análise Individual:

Bruno Varela – Sem grandes ocasiões para brilhar, fê-lo quando teve de o fazer. Correspondeu com uma defesa fabulosa ao magnífico livre de Pires, voando até ao ângulo da baliza para impedir que o Real marcasse. Fez mais duas defesas tranquilas, a outros tantos livres, e sempre que teve de jogar com os pés, soube fazê-lo. (7)

Marcelo Féria – Impecável a defender, não deu espaços nem descanso aos atacantes contrários. Porém, continua muito tímido em termos atacantes. (6)

Flávio Luz – Nas poucas vezes em que foi chamado a intervir esteve sereno. Soube simplificar os lances e anular os intentos dos avançados do Real. Muito forte no um para um. (6)

Fábio Cardoso – O capitão teve uma manhã tranquila. Como não tinha grande trabalho na defesa, tentou ser ele o primeiro atacante, fazendo passes longos para o ataque benfiquista. (6)

Fábio Rebelo – Menos afoito do que habitualmente, pois o estado do terreno não era propício às suas características físicas. Preferiu ficar-se pela defesa e neste aspecto continua a mostrar uma grande evolução. Tem uma qualidade fantástica: está sempre disposto a ouvir o treinador e preocupa-se em corrigir o que faz mal. É o jogador que mais tem evoluído desde o início da época. (6)


João Teixeira – Hoje foi o elemento mais defensivo do meio-campo. Correu muito e nunca virou a cara à luta, mesmo enfrentando jogadores fisicamente impressionantes. Inaugurou um marcador, depois de ter trabalhado muito bem sobre o adversário. Acabou esgotado e enlameado, tal a luta que travou no meio-campo. Grande jogo! (8)

Estrela – Sinceramente, gosto de o ver jogar a interior direito. Põe toda a sua força e talento ao serviço da equipa. Nunca temeu o choque com os adversários e soube impulsionar a equipa, pressionando muito alto a defesa contrária. Está um jogador mais maduro e cada vez mais influente, apesar de não ter o brilho que tinha na época passada. Vai no bom caminho. (7)

Guilherme Matos – O Benfica criou doze oportunidades de golo. Guilherme Matos esteve dez (10!) dessas oportunidades. Marcou um golo de penalty, mas foi ele que ganhou o penalty. Fez duas assistências, a segunda é meio-golo. Nunca se cansou de vir atrás defender. Um jogo de magia e trabalho. Que continue assim até ao fim da temporada, é o que todos desejamos. Está num momento de forma explosivo. (9)

David Indum – Está irreconhecível! Depois de um início de época brilhante, tem vindo a perder gás. Inconsequente, passa grandes períodos ausente do jogo. Saiu ao intervalo. Esperamos que volte em breve com o talento que nos mostrou nos primeiros jogos. (5)

Hélder Costa – Está formidável no um para um. Ganhou quase todos os lances individuais e combinou muito bem com Gui, permitindo que a equipa furasse a defesa do Real pelo seu flanco. Continua a subir de produção. (7)

Carlos Daniel – Os centrais do Real eram enormes e não davam espaço de manobra ao avançado benfiquista. Conseguiu libertar-se deles apenas uma vez e marcou. Pormenores interessantes quando joga de costas para a baliza. Tem de correr mais na frente, para conseguir entrar mais no jogo. (6)

André Gomes – Que grande começo! Três minutos depois de entrar, o extremo benfiquista marcou um golo de canto directo. Revelou boa técnica, mas tem de ser mais batalhador se quer mais oportunidades. (6)

Pedro Oliveira – Grande visão de jogo e classe técnica no golo. Soube manter a calma e fazer a bola sobrevoar o guarda-redes. (6)

Ricardo Horta – A diferença para o seu marcador directo era superior a vinte centímetros, mas o pequeno Horta não desistiu e batalhou por todas as bolas, mostrado ainda bons pormenores técnicos. (5)

Declarações:


Bruno Lage (Treinador do Benfica)

" Foi uma boa exibição. Estávamos em dívida para com os nossos adeptos. Queríamos fazer uma exibição à imagem daquilo que têm sido os treinos e a evolução deste grupo e hoje conseguimos. E aliámos a essa boa exibição um bom resultado.
A primeira parte foi muito boa, talvez uma das melhores da época, apesar de não termos traduzido isso em golos. Contudo, ficámos muito satisfeitos porque dominámos todos os momentos do jogo, tivemos sempre a posse de bola, fomos a melhor equipa. Faltou-nos apenas um pouco mais de eficácia.
Na segunda parte, os golos surgiram naturalmente, pois continuámos com o mesmo fulgor ofensivo e conseguimos finalizar melhor."



Guilherme Matos (Jogador do Benfica)

" O jogo correu bem. Na primeira parte começámos bem, mas pecámos na finalização, especialmente eu. Falhámos muitos golos à frente da baliza. Estávamos um pouco nervosos, porque o chão estava muito molhado e escorregávamos bastante. A segunda parte correu melhor, marcámos mais golos, inclusive eu, e conseguimos ganhar."

Texto: Jorge Almeida

Jorginho

As fotos, da autoria de André Rodrigues, estão na reportagem da página principal.

Na foto que abre o texto pode-se ver a envergadura fisica dos jogadores do Real: impressionante.

Red skin

 O0 Jorginho! Parece que a equipa evolui de jogo para jogo! É um regalo!

Marreke

O Gui ta um senhor jogador, a continuar assim vai dar muitas alegrias aos adeptos benfiquistas. Força miudo e parabens jorginho pela report, ta excelente! O0

pedroslb78