As Finanças do Benfica

MALU15

#61005
Citação de: pmpereira11 em 28 de Setembro de 2017, 11:54
Patético ainda não ter saído o R&C, no ano passado alguém se lembra com que antecedência é que saiu?
Mas patético porquê? Nos termos da legislação que regula esta matéria, os R&C quando referentes a contas consolidadas, só está obrigada a sua divulgação até ao fim do 4º mês posterior à data de referência do relatório, logo fim de Outubro, e em todos os anos a sua divulgação só tem ocorrido na última semana do período.

É conveniente ter presente que antes da sua divulgação é necessário proceder à sua execução, assim como de todos os R&C que integram o perímetro de consolidação quer da SAD quer do Grupo, e tudo isso não se faz num abrir e fechar de olhos, para além de ser trabalho de pessoal qualificado. E tudo isto envolvendo outras entidades (conselho fiscal e Auditores Externos para os respectivos trabalhos de auditoria e elaboração dos respectivos pareceres).

pmpereira11

Citação de: MALU15 em 28 de Setembro de 2017, 12:05
Citação de: pmpereira11 em 28 de Setembro de 2017, 11:54
Patético ainda não ter saído o R&C, no ano passado alguém se lembra com que antecedência é que saiu?
Mas patético porquê? Nos termos da legislação que regula esta matéria, os R&C quando referentes a contas consolidadas, só está obrigada a sua divulgação até ao fim do 4º mês posterior à data de referência do relatório, logo fim de Outubro, e em todos os anos a sua divulgação só tem ocorrido na última semana do período.

É conveniente ter presente que antes da sua divulgação é necessário proceder à sua execução, assim como de todos os R&C que integram o perímetro de consolidação quer da SAD quer do Grupo, e tudo isso não se faz num abrir e fechar de olhos, para além de ser trabalho de pessoal qualificado. E tudo isto envolvendo outras entidades (conselho fiscal e Auditores Externos para os respectivos trabalhos de auditoria e elaboração dos respectivos pareceres).
Eu sei muito bem o tempo que demora a elaborar os vários documentos que compõem o R&C.
Tinha ideia que, apesar da AG de amanhã serem referentes às contas do Clube, tb seriam divulgadas as contas da SAD esta semana. Pelo menos foi o que me disseram e pelos vistos fui enganado, I stand corrected  O0 O0

cervi

Fazendo uma introdução para o que vou dizer, as condições dadas para a haver uma boa formação tem sido excelentes e esse merito tem que ser dado a esta SAD.

Dito isto, tivemos muita sorte nos últimos anos com a quantidade de jogadores que de lá sairam e acho que não é razoável pensar que vão continuar a sair de lá craques como sairam nos ultimos.

E a questão é que enquanto se aumentou e muito os custos com pessoal e nas contratações os miudos que vieram da formação foram tapando esse buraco e ainda deu para sair com lucro, mas e agora quando olhamos para o plantel o que é que vemos, um plantel cada vez com menos potencial e valor financeiro, mas com os custos mais altos de sempre.

Do 11 inical, na baliza e defesa não temos ninguem que renda a nivel desportivo e que possa render numa transferencia. (Grimaldo é top quando joga mas está muito no estaleiro mas pode ser a excepção)

No meio campo temos o Fejsa que é excelente quando joga mas lá está passa muito tempo no estaleiro e dificilmente tambem vai gerar receita.

O Pizzi é muito bom jogador pode gerar um bom encaixe mas faz 28 anos e potencialmente terá que ser vendido no final desta epoca ou na proxima para render e não me acredito que se possa tirar mais que 20M com ele.

No ataque Jonas é para acabar aqui a carreira, Seferovic e Jimenez são incognitas.

Resta os extremos onde temos os maiores valores com o Cervi, Zivko que são craques e podem render muito.

E há Salvio que é a eterna venda de verão, e temos o Talisca que pode render bem.

De mencionar que acredito que o Krajinovic pode dar craque tambem.

Theroux

Citação de: Schuldiner em 28 de Setembro de 2017, 05:02
AS CONTAS DA BENFICA SAD por Bagão Félix.

Alguém consegue disponibilizar esta crónica? Creio que é da edição de dia 27.

As contas da Benfica SAD

"Devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

1. Peço desculpa pelo (único) assunto de hoje que - reconheço - é indigesto e não é compatível com o monopólio das emoções sentidas e ampliadas. Contas. Prestação. Responsabilidades financeiras. Para alguns, meros palavrões tecnocráticos do 'Futebol-Alice no país das maravilhas'. Para outros, coisas incompreensíveis e sempre em situação de fora-de-jogo. Para alguns ainda, uma abstracção superada pelo concretismo aparvalhado de programinhas e redes sociais ao serviço de.

Não, não vou falar das contas de entidades intervencionadas. Nem de sociedades que, à beira do precipício, dão um passo em frente, ou seja, que depois de gastar o que têm, atiram-se às da frente (receitas futuras em via directa ou dadas como garantia). Também não sigo pela via de remoques ou vmoques... Pena não haver rating no futebol, para assim ficar mais claro o que seria lixo ou investimento!

Falo, antes, da Benfica SAD e do comunicado-resumo entregue à CMVM sobre a situação económica e financeira consolidada relativa ao exercício terminado em 30 de Junho deste ano.

Faço-o com a percepção de que a situação da Sociedade não tem comparação no panorama futebolístico português. Como já se disse, somos tetracampeões nos relvados e tetracampeões na melhoria das contas. Aliás, com um notória evolução já quase desde o princípio do século. Faço-o, também, para realçar alguns dos desafios que o Benfica enfrenta, do ponto de vista estratégico.

2. Ao que julgo, a Benfica SAD é, agora, a única SAD de futebol que respeita o artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, a exigência de ter capitais próprios não inferiores a 50% do capital social. Importa também relevar alguns aspectos sobre o sempre tão invocado passivo que, finalmente, está a diminuir. Bom sinal, ainda que se deva dizer que o passivo não é só por si um indicador da solvabilidade de uma sociedade comercial. Há que, obviamente, compará-lo com o activo e, também, com o volume de proveitos, tal e qual a nível nacional, o valor nominal da dívida pública deve ser relacionado com a riqueza nacional (PIB). Neste exercício podemos ver na demonstração de resultados que as transferências renderam o fantástico valor €123 M (ainda sem Nélson e Mitroglou) e os gastos inerentes atingiram €20,3 M (16,5%). Tais movimentos foram reflectidos, embora apenas parcialmente, na diminuição do passivo (-17 M), no acréscimo da rubrica 'Clientes' no Activo do balanço e correspondente à parte ainda não recebida daquelas transacções (+43 M) e no valor dos direitos dos atletas do plantel (+9 M). Seria bom haver uma informação completa destes movimentos e da parte dos proveitos com as transferências que, a seguir, se transformam em custos de diversa ordem, designadamente comissões e 'encargos com aquisições e custo zero'.

Um dos pontos críticos, aliás assinalado na apresentação das contas, é a necessidade de, sustentadamente, se encontrar um equilíbrio entre as receitas correntes (sem transferências) e as despesas correntes. Sem dúvida o calcanhar de Aquiles do futebol em Portugal. A evolução no Benfica continua a ser a adequada, não só no acréscimo de receitas de bilheteira, como de direitos de televisão. Já do lado da despesa, verifica-se um aumento de 21,5% nos gastos com pessoal (mais €13,2 M), que se deverá na grande maioria ao aumento da folha salarial dos atletas. Domingos Soares de Oliveira apontou, por isso, a necessidade de criar fontes de receita que permitam, em termos correntes e estáveis, corresponder às exigências financeiras do mercado global de futebol e, assim, garantir a atractividade de atletas de eleição. Neste contexto se enquadra a correctíssima estratégia de formação e da infraestruturas e ela associadas.

3. Volto ao passivo para sintetizar alguns pontos importantes:

1) A importante alteração da estrutura dos empréstimos obtidos, aumentando a parte não corrente (+€95 M) e diminuindo o seu valor corrente (-125 M), o que é importante, mormente do ponto de vista do serviço da dívida;

2) a diminuição da dívida aos bancos (-139 M neste e no anterior exercício) cujo concessão ou renovação de empréstimos já não é o que era, ainda que compensada - e bem - pela alternativa de dívida obrigacionista (+€59,3 M);

3) a diminuição dos encargos com juros que já se reflectiu este ano (-€2 M) e que terá uma expressão maior no futuro. De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais. Daí a decisiva importância da redução e reestruturação do passivo;

4) se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 254).

Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?

4. Dois pontos, para concluir. O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). Por aqui se pode ver a sua importância directa (nem sequer falo dos efeitos positivamente colaterais de montra de jogadores), pelo que - e assim concluo com o segundo ponto - é necessário um equilíbrio entre a redução do passivo e a criação de condições desportiva e financeiramente compensadoras. Bem sei quão complexo, discutível e arriscado é encontrar este ponto de equilíbrio, mas de duas coisas estou seguro. A de que pensando só no objectivo financeiro se pode perder no core business (vitórias) e, consequentemente, com efeito boomerang, perder a seguir nas contas, e não esquecendo que a procura no mercado obrigacionista é muito sensível aos resultados desportivos e às expectativas criadas. E a de que acabou o tempo de altas cavalarias e de ilusões vendidas aos adeptos incautos, até que um dia rebenta a bolha e quem vier a seguir...

Evidentemente que nada disto é ciência exacta. Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

- Bagão Felix

Schuldiner

Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:13
Citação de: Schuldiner em 28 de Setembro de 2017, 05:02
AS CONTAS DA BENFICA SAD por Bagão Félix.

Alguém consegue disponibilizar esta crónica? Creio que é da edição de dia 27.

As contas da Benfica SAD

"Devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

1. Peço desculpa pelo (único) assunto de hoje que - reconheço - é indigesto e não é compatível com o monopólio das emoções sentidas e ampliadas. Contas. Prestação. Responsabilidades financeiras. Para alguns, meros palavrões tecnocráticos do 'Futebol-Alice no país das maravilhas'. Para outros, coisas incompreensíveis e sempre em situação de fora-de-jogo. Para alguns ainda, uma abstracção superada pelo concretismo aparvalhado de programinhas e redes sociais ao serviço de.

Não, não vou falar das contas de entidades intervencionadas. Nem de sociedades que, à beira do precipício, dão um passo em frente, ou seja, que depois de gastar o que têm, atiram-se às da frente (receitas futuras em via directa ou dadas como garantia). Também não sigo pela via de remoques ou vmoques... Pena não haver rating no futebol, para assim ficar mais claro o que seria lixo ou investimento!

Falo, antes, da Benfica SAD e do comunicado-resumo entregue à CMVM sobre a situação económica e financeira consolidada relativa ao exercício terminado em 30 de Junho deste ano.

Faço-o com a percepção de que a situação da Sociedade não tem comparação no panorama futebolístico português. Como já se disse, somos tetracampeões nos relvados e tetracampeões na melhoria das contas. Aliás, com um notória evolução já quase desde o princípio do século. Faço-o, também, para realçar alguns dos desafios que o Benfica enfrenta, do ponto de vista estratégico.

2. Ao que julgo, a Benfica SAD é, agora, a única SAD de futebol que respeita o artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, a exigência de ter capitais próprios não inferiores a 50% do capital social. Importa também relevar alguns aspectos sobre o sempre tão invocado passivo que, finalmente, está a diminuir. Bom sinal, ainda que se deva dizer que o passivo não é só por si um indicador da solvabilidade de uma sociedade comercial. Há que, obviamente, compará-lo com o activo e, também, com o volume de proveitos, tal e qual a nível nacional, o valor nominal da dívida pública deve ser relacionado com a riqueza nacional (PIB). Neste exercício podemos ver na demonstração de resultados que as transferências renderam o fantástico valor €123 M (ainda sem Nélson e Mitroglou) e os gastos inerentes atingiram €20,3 M (16,5%). Tais movimentos foram reflectidos, embora apenas parcialmente, na diminuição do passivo (-17 M), no acréscimo da rubrica 'Clientes' no Activo do balanço e correspondente à parte ainda não recebida daquelas transacções (+43 M) e no valor dos direitos dos atletas do plantel (+9 M). Seria bom haver uma informação completa destes movimentos e da parte dos proveitos com as transferências que, a seguir, se transformam em custos de diversa ordem, designadamente comissões e 'encargos com aquisições e custo zero'.

Um dos pontos críticos, aliás assinalado na apresentação das contas, é a necessidade de, sustentadamente, se encontrar um equilíbrio entre as receitas correntes (sem transferências) e as despesas correntes. Sem dúvida o calcanhar de Aquiles do futebol em Portugal. A evolução no Benfica continua a ser a adequada, não só no acréscimo de receitas de bilheteira, como de direitos de televisão. Já do lado da despesa, verifica-se um aumento de 21,5% nos gastos com pessoal (mais €13,2 M), que se deverá na grande maioria ao aumento da folha salarial dos atletas. Domingos Soares de Oliveira apontou, por isso, a necessidade de criar fontes de receita que permitam, em termos correntes e estáveis, corresponder às exigências financeiras do mercado global de futebol e, assim, garantir a atractividade de atletas de eleição. Neste contexto se enquadra a correctíssima estratégia de formação e da infraestruturas e ela associadas.

3. Volto ao passivo para sintetizar alguns pontos importantes:

1) A importante alteração da estrutura dos empréstimos obtidos, aumentando a parte não corrente (+€95 M) e diminuindo o seu valor corrente (-125 M), o que é importante, mormente do ponto de vista do serviço da dívida;

2) a diminuição da dívida aos bancos (-139 M neste e no anterior exercício) cujo concessão ou renovação de empréstimos já não é o que era, ainda que compensada - e bem - pela alternativa de dívida obrigacionista (+€59,3 M);

3) a diminuição dos encargos com juros que já se reflectiu este ano (-€2 M) e que terá uma expressão maior no futuro. De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais. Daí a decisiva importância da redução e reestruturação do passivo;

4) se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 254).

Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?

4. Dois pontos, para concluir. O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). Por aqui se pode ver a sua importância directa (nem sequer falo dos efeitos positivamente colaterais de montra de jogadores), pelo que - e assim concluo com o segundo ponto - é necessário um equilíbrio entre a redução do passivo e a criação de condições desportiva e financeiramente compensadoras. Bem sei quão complexo, discutível e arriscado é encontrar este ponto de equilíbrio, mas de duas coisas estou seguro. A de que pensando só no objectivo financeiro se pode perder no core business (vitórias) e, consequentemente, com efeito boomerang, perder a seguir nas contas, e não esquecendo que a procura no mercado obrigacionista é muito sensível aos resultados desportivos e às expectativas criadas. E a de que acabou o tempo de altas cavalarias e de ilusões vendidas aos adeptos incautos, até que um dia rebenta a bolha e quem vier a seguir...

Evidentemente que nada disto é ciência exacta. Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

- Bagão Felix
Entretanto já a consegui ler, obrigado na mesma! Apesar de ser um homem de um quadrante político que não me encanta, é um homem que respeito e prezo o seu pensamento.

ricmarkes

#61010
Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:13
Citação de: Schuldiner em 28 de Setembro de 2017, 05:02
AS CONTAS DA BENFICA SAD por Bagão Félix.

Alguém consegue disponibilizar esta crónica? Creio que é da edição de dia 27.

As contas da Benfica SAD

"Devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

1. Peço desculpa pelo (único) assunto de hoje que - reconheço - é indigesto e não é compatível com o monopólio das emoções sentidas e ampliadas. Contas. Prestação. Responsabilidades financeiras. Para alguns, meros palavrões tecnocráticos do 'Futebol-Alice no país das maravilhas'. Para outros, coisas incompreensíveis e sempre em situação de fora-de-jogo. Para alguns ainda, uma abstracção superada pelo concretismo aparvalhado de programinhas e redes sociais ao serviço de.

Não, não vou falar das contas de entidades intervencionadas. Nem de sociedades que, à beira do precipício, dão um passo em frente, ou seja, que depois de gastar o que têm, atiram-se às da frente (receitas futuras em via directa ou dadas como garantia). Também não sigo pela via de remoques ou vmoques... Pena não haver rating no futebol, para assim ficar mais claro o que seria lixo ou investimento!

Falo, antes, da Benfica SAD e do comunicado-resumo entregue à CMVM sobre a situação económica e financeira consolidada relativa ao exercício terminado em 30 de Junho deste ano.

Faço-o com a percepção de que a situação da Sociedade não tem comparação no panorama futebolístico português. Como já se disse, somos tetracampeões nos relvados e tetracampeões na melhoria das contas. Aliás, com um notória evolução já quase desde o princípio do século. Faço-o, também, para realçar alguns dos desafios que o Benfica enfrenta, do ponto de vista estratégico.

2. Ao que julgo, a Benfica SAD é, agora, a única SAD de futebol que respeita o artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, a exigência de ter capitais próprios não inferiores a 50% do capital social. Importa também relevar alguns aspectos sobre o sempre tão invocado passivo que, finalmente, está a diminuir. Bom sinal, ainda que se deva dizer que o passivo não é só por si um indicador da solvabilidade de uma sociedade comercial. Há que, obviamente, compará-lo com o activo e, também, com o volume de proveitos, tal e qual a nível nacional, o valor nominal da dívida pública deve ser relacionado com a riqueza nacional (PIB). Neste exercício podemos ver na demonstração de resultados que as transferências renderam o fantástico valor €123 M (ainda sem Nélson e Mitroglou) e os gastos inerentes atingiram €20,3 M (16,5%). Tais movimentos foram reflectidos, embora apenas parcialmente, na diminuição do passivo (-17 M), no acréscimo da rubrica 'Clientes' no Activo do balanço e correspondente à parte ainda não recebida daquelas transacções (+43 M) e no valor dos direitos dos atletas do plantel (+9 M). Seria bom haver uma informação completa destes movimentos e da parte dos proveitos com as transferências que, a seguir, se transformam em custos de diversa ordem, designadamente comissões e 'encargos com aquisições e custo zero'.

Um dos pontos críticos, aliás assinalado na apresentação das contas, é a necessidade de, sustentadamente, se encontrar um equilíbrio entre as receitas correntes (sem transferências) e as despesas correntes. Sem dúvida o calcanhar de Aquiles do futebol em Portugal. A evolução no Benfica continua a ser a adequada, não só no acréscimo de receitas de bilheteira, como de direitos de televisão. Já do lado da despesa, verifica-se um aumento de 21,5% nos gastos com pessoal (mais €13,2 M), que se deverá na grande maioria ao aumento da folha salarial dos atletas. Domingos Soares de Oliveira apontou, por isso, a necessidade de criar fontes de receita que permitam, em termos correntes e estáveis, corresponder às exigências financeiras do mercado global de futebol e, assim, garantir a atractividade de atletas de eleição. Neste contexto se enquadra a correctíssima estratégia de formação e da infraestruturas e ela associadas.

3. Volto ao passivo para sintetizar alguns pontos importantes:

1) A importante alteração da estrutura dos empréstimos obtidos, aumentando a parte não corrente (+€95 M) e diminuindo o seu valor corrente (-125 M), o que é importante, mormente do ponto de vista do serviço da dívida;

2) a diminuição da dívida aos bancos (-139 M neste e no anterior exercício) cujo concessão ou renovação de empréstimos já não é o que era, ainda que compensada - e bem - pela alternativa de dívida obrigacionista (+€59,3 M);

3) a diminuição dos encargos com juros que já se reflectiu este ano (-€2 M) e que terá uma expressão maior no futuro. De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais. Daí a decisiva importância da redução e reestruturação do passivo;

4) se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 254).

Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?

4. Dois pontos, para concluir. O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). Por aqui se pode ver a sua importância directa (nem sequer falo dos efeitos positivamente colaterais de montra de jogadores), pelo que - e assim concluo com o segundo ponto - é necessário um equilíbrio entre a redução do passivo e a criação de condições desportiva e financeiramente compensadoras. Bem sei quão complexo, discutível e arriscado é encontrar este ponto de equilíbrio, mas de duas coisas estou seguro. A de que pensando só no objectivo financeiro se pode perder no core business (vitórias) e, consequentemente, com efeito boomerang, perder a seguir nas contas, e não esquecendo que a procura no mercado obrigacionista é muito sensível aos resultados desportivos e às expectativas criadas. E a de que acabou o tempo de altas cavalarias e de ilusões vendidas aos adeptos incautos, até que um dia rebenta a bolha e quem vier a seguir...

Evidentemente que nada disto é ciência exacta. Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

- Bagão Felix

"De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais."

"...4).se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 25
Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?
"

Duas questões que têm sido bastante discutidas por aqui e que são validadas pelo sr Bagão Félix.

Continuamos a ter encargos financeiros perto dos 20M€/anuais e não dá para perceber para onde vão as fabulosas receitas das vendas dos últimos anos. Nem o Bagão Félix consegue perceber.

Por último, uma parte que merece destaque, ainda para mais pelo que aconteceu ontem:

"O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). "

Houve evolução das contas? Como é que poderia ser de outra maneira se, só em receitas extraordinárias, realizámos mais de 120M€, sem que houvesse investimento que se visse  na equipa principal de futebol?

E para o ano, como vamos fazer sem Champions e sem jogadores valorizados?


Flavius


Theroux

#61012
Citação de: ricmarkes em 28 de Setembro de 2017, 15:25
Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:13
Citação de: Schuldiner em 28 de Setembro de 2017, 05:02
AS CONTAS DA BENFICA SAD por Bagão Félix.

Alguém consegue disponibilizar esta crónica? Creio que é da edição de dia 27.

As contas da Benfica SAD

"Devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

1. Peço desculpa pelo (único) assunto de hoje que - reconheço - é indigesto e não é compatível com o monopólio das emoções sentidas e ampliadas. Contas. Prestação. Responsabilidades financeiras. Para alguns, meros palavrões tecnocráticos do 'Futebol-Alice no país das maravilhas'. Para outros, coisas incompreensíveis e sempre em situação de fora-de-jogo. Para alguns ainda, uma abstracção superada pelo concretismo aparvalhado de programinhas e redes sociais ao serviço de.

Não, não vou falar das contas de entidades intervencionadas. Nem de sociedades que, à beira do precipício, dão um passo em frente, ou seja, que depois de gastar o que têm, atiram-se às da frente (receitas futuras em via directa ou dadas como garantia). Também não sigo pela via de remoques ou vmoques... Pena não haver rating no futebol, para assim ficar mais claro o que seria lixo ou investimento!

Falo, antes, da Benfica SAD e do comunicado-resumo entregue à CMVM sobre a situação económica e financeira consolidada relativa ao exercício terminado em 30 de Junho deste ano.

Faço-o com a percepção de que a situação da Sociedade não tem comparação no panorama futebolístico português. Como já se disse, somos tetracampeões nos relvados e tetracampeões na melhoria das contas. Aliás, com um notória evolução já quase desde o princípio do século. Faço-o, também, para realçar alguns dos desafios que o Benfica enfrenta, do ponto de vista estratégico.

2. Ao que julgo, a Benfica SAD é, agora, a única SAD de futebol que respeita o artigo 35.º do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, a exigência de ter capitais próprios não inferiores a 50% do capital social. Importa também relevar alguns aspectos sobre o sempre tão invocado passivo que, finalmente, está a diminuir. Bom sinal, ainda que se deva dizer que o passivo não é só por si um indicador da solvabilidade de uma sociedade comercial. Há que, obviamente, compará-lo com o activo e, também, com o volume de proveitos, tal e qual a nível nacional, o valor nominal da dívida pública deve ser relacionado com a riqueza nacional (PIB). Neste exercício podemos ver na demonstração de resultados que as transferências renderam o fantástico valor €123 M (ainda sem Nélson e Mitroglou) e os gastos inerentes atingiram €20,3 M (16,5%). Tais movimentos foram reflectidos, embora apenas parcialmente, na diminuição do passivo (-17 M), no acréscimo da rubrica 'Clientes' no Activo do balanço e correspondente à parte ainda não recebida daquelas transacções (+43 M) e no valor dos direitos dos atletas do plantel (+9 M). Seria bom haver uma informação completa destes movimentos e da parte dos proveitos com as transferências que, a seguir, se transformam em custos de diversa ordem, designadamente comissões e 'encargos com aquisições e custo zero'.

Um dos pontos críticos, aliás assinalado na apresentação das contas, é a necessidade de, sustentadamente, se encontrar um equilíbrio entre as receitas correntes (sem transferências) e as despesas correntes. Sem dúvida o calcanhar de Aquiles do futebol em Portugal. A evolução no Benfica continua a ser a adequada, não só no acréscimo de receitas de bilheteira, como de direitos de televisão. Já do lado da despesa, verifica-se um aumento de 21,5% nos gastos com pessoal (mais €13,2 M), que se deverá na grande maioria ao aumento da folha salarial dos atletas. Domingos Soares de Oliveira apontou, por isso, a necessidade de criar fontes de receita que permitam, em termos correntes e estáveis, corresponder às exigências financeiras do mercado global de futebol e, assim, garantir a atractividade de atletas de eleição. Neste contexto se enquadra a correctíssima estratégia de formação e da infraestruturas e ela associadas.

3. Volto ao passivo para sintetizar alguns pontos importantes:

1) A importante alteração da estrutura dos empréstimos obtidos, aumentando a parte não corrente (+€95 M) e diminuindo o seu valor corrente (-125 M), o que é importante, mormente do ponto de vista do serviço da dívida;

2) a diminuição da dívida aos bancos (-139 M neste e no anterior exercício) cujo concessão ou renovação de empréstimos já não é o que era, ainda que compensada - e bem - pela alternativa de dívida obrigacionista (+€59,3 M);

3) a diminuição dos encargos com juros que já se reflectiu este ano (-€2 M) e que terá uma expressão maior no futuro. De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais. Daí a decisiva importância da redução e reestruturação do passivo;

4) se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 254).

Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?

4. Dois pontos, para concluir. O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). Por aqui se pode ver a sua importância directa (nem sequer falo dos efeitos positivamente colaterais de montra de jogadores), pelo que - e assim concluo com o segundo ponto - é necessário um equilíbrio entre a redução do passivo e a criação de condições desportiva e financeiramente compensadoras. Bem sei quão complexo, discutível e arriscado é encontrar este ponto de equilíbrio, mas de duas coisas estou seguro. A de que pensando só no objectivo financeiro se pode perder no core business (vitórias) e, consequentemente, com efeito boomerang, perder a seguir nas contas, e não esquecendo que a procura no mercado obrigacionista é muito sensível aos resultados desportivos e às expectativas criadas. E a de que acabou o tempo de altas cavalarias e de ilusões vendidas aos adeptos incautos, até que um dia rebenta a bolha e quem vier a seguir...

Evidentemente que nada disto é ciência exacta. Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício. Mesmo que eu próprio me contradiga, algumas vezes, no itinerário entre a razão (de estudioso) e o coração (de sofredor).

- Bagão Felix

"De notar que a rubrica 'gastos e perdas financeiras' ainda assim chega quase aos €20 M, ou seja 15,5% dos rendimentos operacionais."

"...4).se tivermos em conta o encaixe de transferências (entre 2011 e agora, à volta de 500 milhões!), importará que haja mais informação sobre o aparente paradoxo de, face a este valor, e no mesmo período, o passivo ter mesmo assim aumentando 12 milhões (de 426 para 438), ainda que o activo total tenha subido 94 milhões (de 411 para 506) e os rendimentos totais tenham notavelmente duplicado (de 127 para 25
Como não foi apresentada informação consolidada do lado da despesa nem da avaliação do plantel com as aquisições realizadas nesse mesmo intervalo de tempo, pergunta-se: onde pára a diferença para os tais 500 milhões de vendas?
"

Duas questões que têm sido bastante discutidas por aqui e que são validadas pelo sr Bagão Félix.

Continuamos a ter encargos financeiros perto dos 20M€/anuais e não dá para perceber para onde vão as fabulosas receitas das vendas dos últimos anos. Nem o Bagão Félix consegue perceber.

Por último, uma parte que merece destaque, ainda para mais pelo que aconteceu ontem:

"O primeiro, relacionado com a importância das receitas da Champions. Partindo do princípio que esta competição traz receitas não inferiores a €30 M (contas muito por alto, supondo a passagem aos oitavos de final e não considerando a bilhética), estaremos a falar, no caso do Benfica, em 28% das receitas correntes (€128 M). Ora, a partir desta época, só o campeão tem acesso directo e o terceiro classificado fica a ver navios (Liga Europa). "

Houve evolução das contas? Como é que poderia ser de outra maneira se, só em receitas extraordinárias, realizámos mais de 120M€, sem que houvesse investimento que se visse  na equipa principal de futebol?

E para o ano, como vamos fazer sem Champions e sem jogadores valorizados?



O Bagão Felix não diz que houve evolução, mas sim que "aplaude a evolução" das contas deste exercício...

E como é óbvio o que dizes sobre o investimento é completamente falso, pois foi de longe a época mais cara da história do clube, entre salários e amortizações (ou seja, investimento em jogadores). Algo a que o próprio BF faz referência quando fala no investimento na equipa, que se traduziu numa grande subida da massa salarial.

ricmarkes

Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:32

O Bagão Felix não diz que houve evolução, mas sim que "aplaude" as contas deste exercício...

E como é óbvio o que dizes sobre o investimento é completamente falso, pois foi de longe a época mais cara da história do clube, entre salários e amortizações (ou seja, investimento em jogadores). Algo a que o próprio BF faz referência quando fala no investimento da equipa, que se traduziu numa grande subida da massa salarial.

"Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício."

Tens de dizer isso ao homem, porque ou alteraste o texto, ou ele aplaudiu "a evolução neste exercício".

Mas fica uma questão importantíssima por responder e que permanece um mistério, inclusive para alguém tão informado como ele:

onde pára o dinheiro das vendas dos últimos anos?

Theroux

Citação de: ricmarkes em 28 de Setembro de 2017, 15:37
Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:32

O Bagão Felix não diz que houve evolução, mas sim que "aplaude" as contas deste exercício...

E como é óbvio o que dizes sobre o investimento é completamente falso, pois foi de longe a época mais cara da história do clube, entre salários e amortizações (ou seja, investimento em jogadores). Algo a que o próprio BF faz referência quando fala no investimento da equipa, que se traduziu numa grande subida da massa salarial.

"Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício."

Tens de dizer isso ao homem, porque ou alteraste o texto, ou ele aplaudiu "a evolução neste exercício".

Mas fica uma questão importantíssima por responder e que permanece um mistério, inclusive para alguém tão informado como ele:

onde pára o dinheiro das vendas dos últimos anos?

Não consigo encontrar um post muito recente que fazia precisamente essas contas. Se o user que o escreveu ler isto, que o volte a colocar.

Mas ainda me lembro de parte do que escreveu, que passava por ir aos R&C e somar todo o investimento em jogadores, os custos financeiros, etc. É uma questão de ir ao R&C (individual) e ir somando os valores. Depois no final vê-se o que sobra, e voltasse a colocar a questão do BF.

ricmarkes

Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 16:07
Citação de: ricmarkes em 28 de Setembro de 2017, 15:37
Citação de: Theroux em 28 de Setembro de 2017, 15:32

O Bagão Felix não diz que houve evolução, mas sim que "aplaude" as contas deste exercício...

E como é óbvio o que dizes sobre o investimento é completamente falso, pois foi de longe a época mais cara da história do clube, entre salários e amortizações (ou seja, investimento em jogadores). Algo a que o próprio BF faz referência quando fala no investimento da equipa, que se traduziu numa grande subida da massa salarial.

"Mas, tudo visto, devo aplaudir a evolução neste exercício."

Tens de dizer isso ao homem, porque ou alteraste o texto, ou ele aplaudiu "a evolução neste exercício".

Mas fica uma questão importantíssima por responder e que permanece um mistério, inclusive para alguém tão informado como ele:

onde pára o dinheiro das vendas dos últimos anos?

Não consigo encontrar um post muito recente que fazia precisamente essas contas. Se o user que o escreveu ler isto, que o volte a colocar.

Mas ainda me lembro de parte do que escreveu, que passava por ir aos R&C e somar todo o investimento em jogadores, os custos financeiros, etc. É uma questão de ir ao R&C (individual) e ir somando os valores. Depois no final vê-se o que sobra, e voltasse a colocar a questão do BF.

Gostava de ver esse post, de facto. A concluir-se que não há desvio de dinheiro ou falcatrua nas contas, teremos de nos resignar a uma realidade em que será preciso faturar milhares de milhões para conseguir baixar o passivo para valores razoáveis, o que não me parece viável.

Concluindo: o Benfica está num beco sem saída.

Buba JS

Citação de: Buba JS em 10 de Fevereiro de 2017, 14:06
Fiz a pergunta no tópico da BTV, mas talvez este seja o local mais adequado: a mensalidade que pagamos da BTV é para o SLB ou para a NOS? Esses valores não aparecem nas contas do clube?

Caríssimos, já há resposta a esta pergunta? A mensalidade da BTV vai para o Benfica ou para a nos? E, já agora, os custos da BTV (pessoal, etc) são suportados pelo Benfica?

pmpereira11

Citação de: cervi em 28 de Setembro de 2017, 14:59
Fazendo uma introdução para o que vou dizer, as condições dadas para a haver uma boa formação tem sido excelentes e esse merito tem que ser dado a esta SAD.

Dito isto, tivemos muita sorte nos últimos anos com a quantidade de jogadores que de lá sairam e acho que não é razoável pensar que vão continuar a sair de lá craques como sairam nos ultimos.

E a questão é que enquanto se aumentou e muito os custos com pessoal e nas contratações os miudos que vieram da formação foram tapando esse buraco e ainda deu para sair com lucro, mas e agora quando olhamos para o plantel o que é que vemos, um plantel cada vez com menos potencial e valor financeiro, mas com os custos mais altos de sempre.

Do 11 inical, na baliza e defesa não temos ninguem que renda a nivel desportivo e que possa render numa transferencia. (Grimaldo é top quando joga mas está muito no estaleiro mas pode ser a excepção)

No meio campo temos o Fejsa que é excelente quando joga mas lá está passa muito tempo no estaleiro e dificilmente tambem vai gerar receita.

O Pizzi é muito bom jogador pode gerar um bom encaixe mas faz 28 anos e potencialmente terá que ser vendido no final desta epoca ou na proxima para render e não me acredito que se possa tirar mais que 20M com ele.

No ataque Jonas é para acabar aqui a carreira, Seferovic e Jimenez são incognitas.

Resta os extremos onde temos os maiores valores com o Cervi, Zivko que são craques e podem render muito.

E há Salvio que é a eterna venda de verão, e temos o Talisca que pode render bem.

De mencionar que acredito que o Krajinovic pode dar craque tambem.

Em termos de formação tens as duas melhores gerações de sempre do Benfica e diria até das melhores gerações dos últimos largos ano em Portugal para aproveitar, falo da geração do Renato do ano de 1997 (com Rúben Dias, Ferro, Yuri, Buta, Pêpê, Guga, Joãozinho e Diogo Gonçalves) e da geração do Gedson do ano de 1999 (com Florentino, Filipe Soares, João Félix, João Filipe e José Gomes). Ou seja tens duas gerações absolutamente top e bastante completas que podem já a partir da próxima época (para alguns jogadores deveria ser já esta época) fazer parte do plantel principal do Sport Lisboa e Benfica. Por isso é razoável que deste lote de jogadores, ao qual ainda se podem acrescentar outros como Pedro Álvaro, Kalaica, Pedro Pereira, Willock e Heriberto, possam sair verdadeiros craques, ao contrário do que dizes, tornando-se em mais-valias desportivas mas tb posteriormente em mais-valias financeiras, falta apenas o espaço e não ter planteis com 30 jogadores para que alguns destes jogadores possam aparecer.

O Benfica no final da época passada, com as vendas de Ederson, Lindelof e Nelson Semedo, fechou um ciclo e como tu o referes não tem neste momento jogadores jovens que possam ser facilmente vendidos por bateladas de dinheiro no próximo Verão. Svilar é uma incógnita, Grimaldo tem muitas lesões, Krovi tb é uma incógnita, Rafa está a flopar e Cervi não me parece ter mercado significativo (para já). O maior activo neste momento será Raul Jimenez, mais pelo historial que tem em termos  de selecção mexicana do que propriamente pelo que tem feito no Benfica.

Se pelo lado de vendermos jogadores jovens por valores elevados será difícil fazer algum tipo de mais-valia, o Benfica tem de mudar e tentar conjugar 2 estratégias distintas:

- Jogadores relativamente valorizados que não tenham tido um grande desempenho desportivo ou que não se perspective que tenham uma melhoria em termos exibicionais, neste caso temos jogadores como Samaris, Carrillo, Talisca ou Salvio num primeiro grupo e Lisandro Lopez, Filipe Augusto e André Almeida noutro grupo.
- Jogadores que não valem desportivamente o que recebem em termos de salários, como Júlio César, Luisão e Eliseu.

Conjugando estas duas estratégias ao maior aproveitamento das camadas jovens e à contratação de jogadores para alguma posições carenciadas deixando de uma vez por todas o entreposto de lado (GR, DD e DC titulares à cabeça), o Benfica pode ter grandes resultados não só financeiros como também desportivos.

Obviamente que de fora é muito mais fácil mandar um bitaite, mas como o ano passado disse que o Benfica deveria aproveitar este Verão para pagar uma fatia importante do passivo remunerado ( o que foi mais ou menos conseguido), acho que a estratégia para o futuro tem de passar pelo que articulei acima.

CitriC

Citação de: Buba JS em 28 de Setembro de 2017, 17:35
Citação de: Buba JS em 10 de Fevereiro de 2017, 14:06
Fiz a pergunta no tópico da BTV, mas talvez este seja o local mais adequado: a mensalidade que pagamos da BTV é para o SLB ou para a NOS? Esses valores não aparecem nas contas do clube?

Caríssimos, já há resposta a esta pergunta? A mensalidade da BTV vai para o Benfica ou para a nos? E, já agora, os custos da BTV (pessoal, etc) são suportados pelo Benfica?

A resposta existe desde o momento em que a BTV continuou premium e o Benfica ficou a receber cerca de 40M por época da NOS.

Quer a BTV tenha 10mil assinantes quer a BTV tenha 1 milhão de assinantes o Benfica receberá durante 10 anos 400Milhoes pelos seus direitos televisivos +direitos de transmissão e divulgação da BTV.


Nuno_SLB

Citação de: CitriC em 28 de Setembro de 2017, 19:44
Citação de: Buba JS em 28 de Setembro de 2017, 17:35
Citação de: Buba JS em 10 de Fevereiro de 2017, 14:06
Fiz a pergunta no tópico da BTV, mas talvez este seja o local mais adequado: a mensalidade que pagamos da BTV é para o SLB ou para a NOS? Esses valores não aparecem nas contas do clube?

Caríssimos, já há resposta a esta pergunta? A mensalidade da BTV vai para o Benfica ou para a nos? E, já agora, os custos da BTV (pessoal, etc) são suportados pelo Benfica?

A resposta existe desde o momento em que a BTV continuou premium e o Benfica ficou a receber cerca de 40M por época da NOS.

Quer a BTV tenha 10mil assinantes quer a BTV tenha 1 milhão de assinantes o Benfica receberá durante 10 anos 400Milhoes pelos seus direitos televisivos +direitos de transmissão e divulgação da BTV.



Por isso já retirei a BTV, não dou "ainda" mais lucro à nos. Vou ver os jogos ao estádio.