22362 - Tópico: (actualizado) Memorial Benfica, Glórias  (Lida 165097 vezes)

ednilson

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  • 22 de Janeiro de 2008, 21:47
António José Bastos Lopes. Lisboa. 19 de Novembro de 1953. Defesa
Épocas no Benfica: 15 (72/87). Jogos: 390. Golos: 4. Titulos: 7 (Campeonato Nacional), 5 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Internacionalizações: 10.




Equipa 1982/1983

A primeira vez que António Bastos Lopes concedeu uma entrevista de página inteira ao jornal “A Bola” caminhava, inexoravelmente, para a veterania. Ele que tantas vezes poderia ter sido noticia, enquanto filha da actualidade. Era daqueles que não davam muito nas vistas. Era, afinal, um cultor da sobriedade. Tal como no campo, também aos media passava um tanto despercebido. Só que ninguém lhe tira o mérito da eficácia, em quase vinte anos de afeição à mesma camisola, à mesma divisa.

Foi descoberto em Odivelas, pelo então seleccionador do futebol juvenil, David Sequerra, que o convocou para a equipa nacional. O Tó Lopes, como era conhecido nessa altura, não perdeu o merecimento, suscitando mesmo a cobiça dos maiores do burgo. Meses depois, estacionava na Luz, ainda na década de 60. Assim foi até1986!


António Bastos Lopes à direita, com o seu irmão Alberto

Com tudo de verdade, surgiu na Antas, no dia dos enganos, corria a temporada de 72/73. Eram outras as portas que Abril abriu. As da equipa principal. Numa época que aos anais passaria. Um Benfica invicto, apenas com dois empates (FC Porto e Atlético) cedidos, no melhor registo de que há memória. Era a equipa maravilha de Hagan, na qual Bastos Lopes se foi paulatinamente integrando.


Só a partir de 75/76, começou a jogar com regularidade. Nessa época, com Mário Wilson no comando técnico, foi quase sempre utilizado a lateral-esquerdo, ocupando Artur o lado oposto da cortina defensiva. Ele que havia sido avançado e médio nos escalões juvenis, recuava em termos tácticos, passando a lateral-direito, sobretudo a partir da saída de Artur para o Sporting. Em 81/82, com Baroti, depois com Eriksson e nos consulados técnicos posteriores, estabeleceu-se a central, formando dupla de prestigio com o capitão Humberto Coelho.

Jogou 14 anos consecutivos na equipa sénior. Disputou quase 400 jogos oficiais, tornando-se 11º futebolista mais utilizado de sempre no Benfica. Conquistou sete Nacionais, cinco Taças e duas Supertaças. Por uma dezena de vezes vestiu a camisola nacional, numa altura em que gigante era a concorrência para o seu posto.

Impassível na função, seguro a intervir, corajoso a lutar, sempre mentalmente forte, António Bastos Lopes marcou uma época no Benfica. De ouro e de prata foi.
« Última modificação: 23 de Janeiro de 2008, 11:09 por ednilson »

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  • 23 de Janeiro de 2008, 10:02
ednilson Não tenho palavras

 :bow2: :bow2: :bow2:

Administração do Forum, de que é que estão à espera para colocar no Inamovível? :tickedoff:
e no geral...

ednilson

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  • 23 de Janeiro de 2008, 22:23
Ângelo Gaspar Martins. Porto. 19 de Abril de 1930. Defesa.
Épocas no Benfica: 13 (52/65). Jogos: 284. Golos: 4. Títulos: 7 (Campeonato Nacional), 5 (Taças de Portugal) e 2 (Taças dos Campeões).
Outros Clubes: Académico do Porto. Internacionalizações: 20.




Equipa 1959/1960

Do prelo de Ângelo Martins saíram algumas das melhores criações do Benfica. Ele era um burilador de diamantes, criador de craques. Mostrou sempre cartão vermelho à incompetência. As suas impressões digitais podiam ver-se em Humberto Coelho ou Nené, Alves ou Jordão, Artur ou Shéu, Vítor Martins ou Chalana. E tantos, tantos outros. Se benficómetro houvesse, atingiria o limite dessa ardência que vida fora o acompanhou. Ele foi também jogador brioso, na combinação da técnica com a velocidade, da força com a resistência. Ele que ganhou todas as competições possíveis a nível de clubes. Todas? “Excepção feita à Taça Intercontinental, que se me escapou, para mal dos meus pecados”, confessa, assim como quem pede remissão.

O pai era sapateiro, numa travessa das Antas. Ângelo caracterizava-se por uma irrequietude sem limites e pelo apego à trapeira. Já exibia dotes apreciáveis, quando gritava “sou do Benfica”, sempre que o confrontavam com a hipótese de fazer carreira no FC Porto. Ainda garoto, jogou no Académico. Três anos depois do debute seria irradiado. Funcionou a cruel justiça federativa, já que havia assinado duas fichas, uma pelo Académico e outra pelo FC Porto. “Foi um dirigente portista que me enganou, dizendo que tinha tudo tratado com o meu clube”. Ingénuo foi.

Já não sonhava com os terraços da bola, quando cumpria serviço militar em Santarém. Tinha 20 anos, mas dele se falava ainda. O Benfica manifestou interesse em recrutá-lo, comprometendo-se a diligenciar o levantamento da irradiação. Demorou alguns meses, mas as instâncias superiores condescenderam. Era jogador do Benfica, do clube da sua devoção.

Na época de 52/53, provou que jamais poderia ser um dissidente dos jogo, ao lado de Artur, Moreira, Caiado, Rogério, Félix, Arsénio, Águas e Corona. Com esse e outros companheiros muito contribuiu para por termo ao reinado dos Cinco Violinos do Sporting. A tarefa foi árdua, mas a soma de onze indómitas vontades, domingo a domingo, a tanto conduziu. E esse Benfica, o Benfica dos anos 50, lançavam as sementes que germinariam na década seguinte, a década da glória, do mítico clube da águia.

“Como espero jogar ainda muitos anos, é possível que possa enriquecer bastante o meu álbum”, dizia Ângelo, em 1957. Premonitoriamente. Aprendeu muito com Otto Glória, mas com Bela Guttmann chegaria ao cume. Era já lateral, sobretudo na faixa canhota, ele que havia começado a médio, quase indistintamente à direita ou à esquerda. “Rompe-se todo e morde a relva em sinal de alegria ou de desespero”, retratavam-no à época.

Foi bicampeão da Europa, venceu sete Campeonatos e cinco Taças de Portugal. Despediu-se em Guimarães, frente ao Vitória local, em Maio de 1965, após 13 temporadas consecutivas no Benfica.


Final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1961 frente ao FC Barcelona, Ângelo tira uma bola da linha de golo

A dedicação ao clube, o irreplicável profissionalismo e os conhecimentos adquiridos conduziram-no à estrutura técnica do futebol juvenil. Montou a sua oficina com o jeito dos predestinados, deu-lhe o cunho dos dotados, o prazer dos apaixonados e a glória dos jubilados. Venceu sete Campeonatos Nacionais de juniores, seis de juvenis e dois de iniciados.

A loja do mestre Ângelo fabricou talentos em série, passe o contraditório. “Claro que sinto um enorme orgulho por ter trabalhado com muitos miúdos que garantiram um lugar ao sol no panorama do futebol português e até internacional. Não se pense, porém, que o mérito foi meu. Muitos contribuíram, desde logo eles próprios, mas é o Benfica e só o Benfica a justificar os louros”.

As camisolas berrantes das últimas gerações devem muito a Ângelo. Ao seu exemplo. Ao seu esforço. À sua competência. Por isso também garantiu um lugar cativo, lugar destacado, na historiografia benfiquista.

 :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:  :bow2:
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Bola7

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  • 24 de Janeiro de 2008, 09:30
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46Rossi

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  • o Monstro e o Rei, Obrigado!!
  • 24 de Janeiro de 2008, 11:35
Fantástico trabalho ednilson :bow2: :bow2: :bow2:

Fico deliciado a ler estas estórias...

ednilson

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  • 24 de Janeiro de 2008, 22:15
Arsénio Trindade Duarte. Barreiro. 16 de Outubro de 1925-1986. Avançado.
Épocas no Benfica: 12 (43/55). Jogos: 298. Golos: 220. Títulos: 3 (Campeonato Nacional), 6 (Taças de Portugal) e 1 (Taça Latina).
Outros Clubes: Barreirense, CUF, Montijo e Cova da Piedade. Internacionalizações: 2.




Equipa vencedora da Taça Latina 18.08.1950

Deu-se Arsénio a descobrir com a inocência comparável aos pés desnudados gozando com a bola de trapos. Era o brinquedo dos pobres. Também no Barreiro. Sobretudo no Barreiro, terra de operários, de gente laboriosa, mas com vida inclemente. A dos pais dos “homens que nunca foram meninos”, no retrato de Soeiro Pereira Gomes.

Menino não foi Arsénio, o Pinga para os amigos das traquinices e das pelejas nos areais. Na década de 30, Pinga (que era o seu ídolo) era o mais cobiçado dos elogios, já que o jogador do FC Porto, nascido no Funchal resplandecia nos primitivos recintos da bola lusitana.

No inicio da adolescência deu-se o sortilégio. Ofereceram-lhe o palco. No Barreirense se estreou. Foi perante o Sporting, na festa do adeus a Francisco Câmara. “Ainda não tinha 16 anos e quem me marcou foi o Aníbal Paciência. Ao principio estava um pouco enervado, mas, depois, serenei e perdi o respeito ao valoroso jogador do Sporting”. Arsénio viria a sagrar-se esse ano, campeão nacional da II Divisão, consumado o triunfo (6-1) sobre a Sanjoanense, nas Amoreiras, com gente ilustre do Benfica atenta ao desenrolar do encontro.

Na companhia de Moreira, o conhecido Pai Natal, Arsénio ainda tentou a sorte no mais reputado Vitória de Setúbal, mas do reputadíssimo Benfica chegou a proposta. Recebeu seis contos pela assinatura e 750 escudos mensais daí para a frente. Mas continuou a trabalhar como aprendiz de serralheiro, mais tarde oficial, na CUF. De cacilheiro viajava, com toque madrugador, às 5.45 horas. Era assim três vezes por semana. Treinava-se pela manhã, trabalhava à tarde. Foi assim durante anos. In illo tempore.

Com apenas 18 anos, a 19 de Dezembro de 1943, Arsénio envergou pela primeira vez a camisola do Benfica. Logo aos cinco minutos, disse ao que ia, apontando o primeiro golo. Foi no Campo Grande, nesse triunfo (5-1), ante o Vitória de Guimarães. Titularidade garantida, a ouro fechou a temporada, através da conquista da Taça de Portugal, na maior goleada (8-0) de sempre, com o Estoril Praia.

Actualmente, Arsénio seria número 10. Nesses tempos, actuava como interior-direito. De baixa estatura, era rápido, driblava bem e tinha apurado instinto de golo. Em 446 jogos pelo Benfica marcou 350 golos. Trezentos e cinquenta que a imponência merece escrita por extenso. Até aos nossos dias, só Eusébio, José Águas e Nené mais golos fizeram. Sempre a dissertar na sua linguagem favorita, ganhou a idolatria das massas, o carinho dos companheiros, o respeito dos antagonistas. Um dia, frente ao Estoril Praia, na vitória (7-0), fez seis golos. Melhor ainda, em plena festa de inauguração do Estádio das Antas, marcou cinco, fazendo os nortenhos……perder o Norte!



Numa dúzia de temporadas, venceu três Campeonatos e seis Taças de Portugal, quatro delas consecutivas. Mentalmente forte, adepto dos grandes ambientes e decisões, nunca perdeu uma Taça. Que o digam o Sporting (duas vezes), o Estoril, o Atlético, a Académica e o FC Porto. E quase sempre com golos probatórios dos seus amplos recursos de finalizador. Como aquele, memorável e decisivo, que marcou ao Bordéus, na final da Taça Latina. Os franceses estavam em vantagem, por 1-0, desesperavam as hostes encarnadas, quando, a 15 segundo do fim, Arsénio restabeleceu a igualdade. Jogaram-se dois prolongamentos, até que Julinho haveria de selar o primeiro grande triunfo europeu do Benfica.

Na Selecção Nacional, por ironia, não fez mais que dois golos, ambos com a Espanha. O talentoso Manuel Vasques, grande amigo de infância no Barreiro, barrou-lhe também o lugar, numa altura em que a maleabilidade táctica vinha ainda distante. Quando o brasileiro Otto Glória ingressou no Benfica, outros ventos sopraram, os ventos do profissionalismo. Já na casa dos trinta, Arsénio optou por abandonar o clube e aderir ao projecto da CUF, empresa onde mantinha o seu posto de trabalho. Com 33 anos, para mal dos pecados dos benfiquistas, seria ainda o melhor goleador do Nacional.

Exibiu o requinte dos predestinados, naquela relação apaixonada pelo golo. Arsénio marcou mais, muito mais, que uma geração do Benfica. Arsénio marcou o Benfica.

ednilson

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  • 25 de Janeiro de 2008, 22:25
Artur Manuel Soares Correia. Lisboa. 18 de Abril de 1950. Defesa.
Épocas no Benfica: 6 (71/77). Jogos: 160. Golos: 3. Títulos: 5 (Campeonato Nacional), 1 (Taças de Portugal).
Outros Clubes: Académica, Sporting e Tea Men (EUA). Internacionalizações: 35.




Equipa 1972/1973

Tinha por código o principio sagrado mesmo, não torcer, antes quebrar. Dai que fosse alegria vê-lo em acção. O Artur, o Ruço, era fulgente. Aos confins de si próprio ia buscar sempre um fôlego mais, um fôlego derradeiro, que poderia valer o desarme providencial, a recuperação da bola, o passe decisivo, o golo. Para ele, só valia jogar nos limites, assim como quem desafia, em permanência, as leis da natureza.

Foi sempre um inconformado. Começou a ponta-de-lança e virou lateral-direito, com curtas passagens pelo meio-campo. Talvez por isso, gostava de se estender, de subir na relva, ao encontro porventura da origem. Quis sempre provar que por mais encostado que estivesse na linha, nem por isso deixava de ser um construtor, sem embargo das dominantes preocupações defensivas. Ao seu tempo, os críticos teciam loas ao “lateral moderno”.

Assim foi Artur. “Provavelmente, o melhor da Europa”, sentenciou Kovacs, mais que reputado técnico, vivia-se em 1972.

Ainda garoto e sem cabelo à beatle, começou a carreira no Futebol Benfica. Principiante e juvenil foi. Para o outro Benfica, o seu Benfica, logo se transferiu. Num ano de júnior, um Campeonato Nacional, com Humberto Coelho, Vítor Martins e Nené. O apelo da medicina fê-lo ingressar, depois, na Académica. Três grandes anos em Coimbra, não nos livros, mas na bola. Futebolista profissional seria, médico nunca mais. E Coimbra foi mesmo uma lição. Com Rui Rodrigues, Alhinho, Gervásio, os irmãos Campos, Manuel António, com bons treinadores, Artur continuou a progredir.

Estranho seria o Benfica não tentar o retorno. Foi o que fez. No verão de 71, triunfante, irrompeu pelo átrio principal da Luz. Sentia-se um jogador a valer, nos quadros estava de uma das melhores formações da Europa. Logo se impôs. Sem surpresa. Era, segundo Vítor Santos, “Artur, a alegria do jogo. Artur, o nervo do jogo. Artur, a classe do jogo. Artur, a serenidade do jogo. Artur, o símbolo do antimarcenarismo do jogo”.

No Benfica, durante seis anos, só deixou fugir um Campeonato. Eram os tempos em que a gigantesca mancha vermelha, intensa também, reluzia em todos os parques da bola. Na conta pessoal de Artur, em 124 partidas para o Nacional, apenas dez vezes perdeu. Notável!


Artur, à direita carregando o troféu do Torneio Ramon Carranza ganho pelo Benfica em 1971/72

A nível externo, da mesma forma, não deixou créditos por…..pés alheios. Interpretou algumas exibições memoráveis. Por um triz não jogou uma final do Campeões. Responsabilidade do Ajax, por essa altura comummente considerada a melhor esquadra europeia.

Na Selecção Nacional, pontificou no seu posto, desde Maio de 1972, mês da estreia, frente ao Chipre. Marcou presença na Minicopa do Brasil, justificando gabos da exigente e algo sobranceira imprensa brasileira. Por cá, o escritor Mário Zambujal confessava que “o que sempre mais admirei no Artur foi justamente essa personalidade do espírito de júnior. A experiência refinou as suas técnicas, aprimorou-lhe o sentido do lugar, da intercepção, do desarme, do passe. Mas no seu retrato de jogador prevalece sempre a imagem do rapaz encantado por jogar à bola”.

Na última época em que serviu o Benfica, Artur carregou a cruz de uma lesão. Pleurisia era. Estava em final de contrato e nada lestos foram os responsáveis benfiquista. Esperou com impaciência. De peito aberto, esperou…..sentado. Mudou-se para o outro lado da avenida, decerto com amargura. A mesma amargura com que, incrédulos, ficaram os adeptos encarnados. Tal como Pinhão poderiam dizer nesse momento que ele “jogava-dava-e-levava, quem vai à guerra, já sabe, e era mesmo um jogador de briga, à moda antiga, ai que saudades, ai, ai!....”.

Fizeram-no sócio do Benfica, tinha apenas um ano de idade, ainda não sabia quem era. “O emblema de ouro não fui receber, porque à coisas com que não concordo”. E quem lhe poderá levar a mal? Foi sempre assim o Artur. Irreverente, inconformado.

Extra, Artur e o Benfiquismo:

Artur, tem histórias deliciosas como aquela de em Alvalade, ao intervalo perguntar sempre ao policia de serviço qual o resultado do Benfica, ou numa das suas raras visitas à Luz, de verde, chamar de "malandro benfiquista" ao árbitro que marcou 1 penalty sobre Chalana e este responder "não sou mais do que tu", e ele " é verdade mas eu ao menos tento disfarçar". Artur o Ruço.

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  • 26 de Janeiro de 2008, 09:56
Ednílson :bow2: :bow2: :clap1:

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ednilson

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  • 26 de Janeiro de 2008, 18:00
Artur José Pereira. Lisboa. 25 de Dezembro de 1889-1943. Médio.
Épocas no Benfica: 7 (07/14). Jogos: 48. Golos: 21. Títulos: 4 (Campeonato de Lisboa).
Outros Clubes: Sporting e Belenenses.




Equipa 1908/1909 - Equipa do Benfica que, a 25 de Outubro de 1908, alcançou a primeira vitória sobre o Sporting. Artur José Pereira é o primeiro jogador a contar da esquerda, de pé.

Foi ainda o século XIX que viu nascer Artur José Pereira, considerado o primeiro grande jogador do futebol português. Pouco antes do Regicídio, no qual pereceram o rei D. Carlos e o príncipe D. Luís, estreou-se no Benfica, três anos após a fundação do clube. Grupo Sport Lisboa era. Para o jornalista e seleccionador nacional, Tavares da Silva, “ele que nunca estudou o jogo pelos livros ou pelo ensino do treinador, conhecia o futebol como ninguém. Foi o percursor do futebol moderno, adivinhando por intuição e instinto tudo o que dizia respeito à táctica e sua execução”.

Artur José Pereira viveu na Idade da Pedra do futebol nacional. É suposto que a prática da modalidade tenha sido iniciada no ano de 1888. De acordo com Ricardo Ornelas, “em Portugal metropolitano tomou-se o ano de 1888 como o da inauguração do jogo. Guilherme e Eduardo Pinto Basto, irmãos de família ilustre, idos a educar em Inglaterra, voltaram, então, ao país e trouxeram na sua bagagem uma bola para um jogo que lá se estava a praticar muito”. Era o jogo de futebol.

Quando Artur José Pereira entrou na competição, os defesas só defendiam, os avançados só atacavam e os médios, esses, quase só corriam. Emergiu, sublinhando as diferenças, segundo o grande Cândido de Oliveira: “Possuía em que nenhum outro jogador o igualou, a maior de todas definida pela atitude artística (…). Era completíssimo, perfeitamente ambidextro e com potente remate com os dois pés; jogava primorosamente de cabeça, era um driblador estupendo e tudo isto valorizado por uma combatividade e uma coragem sem limites”.

Jogou sete temporadas no Benfica (de 07/08 a 13/14), arrebatando quatro Campeonatos de Lisboa. Em termos oficiais, realizou 41 partidas e apontou seis golos. “Foi um autêntico revolucionário do jogo, imaginando soluções, criando conceitos e sistemas que mais tarde haviam de chegar até nós trazidos pelos técnicos e livros estrangeiros”, garantiu ainda Cândido de Oliveira, na retrospectiva da carreira do jogador.

Em 1913, com as cores da Associação de Futebol Lisboa, integrou uma digressão por terras brasileira. Dizem os jornais da época que houve quem lhe pedisse para não regressar a Portugal. À selecção não chegaria, pediu escusa, a todos contristando, com excepção daqueles, seguramente poucos, que haviam verberado a sua chamada, ao que parece por se ter estabelecido em Belém.

Artur José Pereira foi, no mínimo, um jogador indicioso. Actuou no Benfica, representou o Sporting e fundou o Belenenses. Do Glorioso, que no seu tempo ainda não era, fica a sentida divida de gratidão.

JM21

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  • 26 de Janeiro de 2008, 19:52
Grande Tópico!!!   :bow2:   :bow2:   :bow2:           

Mastercard

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  • 26 de Janeiro de 2008, 20:08
Grande Tópico!!!   :bow2:   :bow2:   :bow2:           

 O0 O0

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é sempre bom para nós os mais novos aprender tudo o que ainda não sabemos sobre a "rica" história do BENFICA.

Elvio

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  • 26 de Janeiro de 2008, 20:34
Grande trabalho Ednilson  :)

ednilson

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  • 27 de Janeiro de 2008, 18:06
Artur Lopes do Santos. Paço de Arcos. 27 de Março de 1931. Defesa
Épocas no Benfica: 11 (50/61). Jogos: 284. Títulos: 1 (Taça dos Campeões), 4 (Campeonato Nacional) e 6 (Taça de Portugal).
Internacionalizações: 2.




Equipa 1960/1961

Em Paço de Arcos nasceu, a trocar o passo aos atacantes contrários se destacou. Artur Santos, integérrimo jogador, marcou a retaguarda benfiquista ao longo da década de 50. Com estilo vigoroso, eficiente, disciplinado, impositivo, à direita ou ao centro, atravessou várias sensibilidades técnicas sem infamar. Ao percorrer a maratona da dedicação, sucessivamente avalizado foi por Ted Smith, Cândido Tavares, Alberto Zozaya, Ribeiro dos Reis, José Valdivieso, Otto Glória e Bélla Guttmann.

Começou nos Onze Unidos, ao pé da casa, mas o chamamento do Benfica não o deixou indiferente. Treinou-se à experiência no Campo Grande e logo veio a integrar a equipa júnior, orientada pelo antigo guardião Cândido Tavares. Na época subsequente à conquista da Taça Latina, subiu a sénior, estreando-se em Novembro de 50, devido à lesão de Jacinto. O Benfica venceu (7-1) o Boavista, tendo Félix, Francisco Ferreira, Rogério, Águas e Rosário, entre outros, alinhado no debute.

Em 1954, Artur Santos passou ao eixo da defensiva, com o propósito de substituir Félix Antunes, que havia sido suspenso pelo clube por provada indisciplina. A tarefa era intricada, mas a resposta afirmativa foi. Apesar do carisma de vários jogadores da época, Artur, mais do que garantir o seu espaço, transformou-se numa referência incontornável no reino da águia.

Em 11 temporadas ao serviço do Benfica, quatro Campeonatos e seis Taças de Portugal. Já no dealbar da década de 60, com o estatuto de internacional, associou o seu nome à conquista da Taça dos Campeões Europeus. Plasmava com chave de ouro uma carreira caracterizada pelo regularidade.


Artur Santos, o primeiro central da equipa que ganharia a TCE de 1960/61

Ostentou várias vezes a braçadeira de capitão, em quase três centenas de jogos na turma principal do Benfica, prova inequívoca da sua faceta de líder e do seu comportamento exemplar. “Nunca marquei um golo, é verdade, mas os tempos, esses, eram outros, sendo que o mais importante era cumprir no plano defensivo e, nesse aspecto, acho que não desmereci”. Não desmereceu mesmo. E bem mereceu também aquela festa de homenagem, a 8 de Outubro de 1961, com o Chaux-de-Fonds, da Suiça, na despedia oficial.

Com uma comovente e militante atitude benfiquista, Artur Santos, na actualidade, é das presenças mais assíduas e notadas nas múltiplas jornadas de confraternização, que amiúde ocorrem pelo país e até pelo estrangeiro. Tudo porque vive e viverá sempre para o seu Benfica.

Bola7

  • Eusébio
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  • 28 de Janeiro de 2008, 09:24
Inamovivel finalmente... O0

Corrosivo

  • Eusébio
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  • 28 de Janeiro de 2008, 09:48
Este tópico é um verdadeiro santuário  :bow2: