Médio, 75 anos
Portugal
Stats: 14 épocas, 447 jogos (39018 minutos), 72 golos
Títulos: Campeonato Nacional (10), Taça de Portugal (4), Taça dos Campeões Europeus (1)

29459 - Tópico: António Simões  (Lida 80042 vezes)

LuigiSLB83

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  • 21 de Maio de 2009, 08:17
António Simões: «Gostava de ter sido esquerdino»

Um 11 eterno

Associando o número 11 ao extremo-esquerdo, António Simões permanece como a referência maior do jogo em Portugal e um dos mais extraordinários no Mundo, trono que só o violino Albano poderá discutir com armas iguais - Rogério de Carvalho foi um eterno exilado nas linhas; Chalana e Futre mascararam a função com o número 10; Jordão e Diamantino distinguiram-se com o 11 nas costas mas não como extremos-esquerdos.  António Simões nasceu com a bola colada aos pés e, vistas imagens do seu auge como jogador, fácil será reconhecer que viveu adiantado no tempo. Foi um génio assente em repertório individual assombroso, sentido coletivo absoluto e visão extraordinária de todo o espaço ofensivo. Filho de uma época de ouro dominada pela gigantesca figura de Eusébio, Simões conquistou também o direito à eternidade. Como ele não houve muitos na história do futebol.

RECORD - Como reage sempre que é considerado um dos melhores jogadores portugueses de sempre?
ANTÓNIO SIMÕES - Fugindo ao discurso politicamente correto, todo o ser humano gosta que se lembrem dele. Não vivo preocupado com isso mas, porque odeio hipocrisias, gosto de ser reconhecido como alguém que fez alguma coisa pelo futebol. Não passo por crises de ego, até porque tenho uma parede lá em casa com parte
do meu passado que, se fosse preciso, me alimentaria por muitos anos. A questão está na consciência de que contribuí, como elemento de uma grande geração de jogadores, para a divulgação do país. Estou orgulhoso por ter tido essa oportunidade.

R - Foi um extremo-esquerdo ideal?
AS - Agradeço a Deus tudo aquilo que me proporcionou mas, por vezes, tenho vontade de dizer que gostava de ter sido esquerdino. Em boa verdade isso não me fez muita falta e, bem vistas as coisas, até me tornou um bocadinho diferente dos canhotos a sério.

R - Não fazia ideia de que era destro...
AS - Em miúdo, na rua, nunca me preocupei com essas coisas. Quando entrava em contacto com a bola não tinha preferência, jogava indiferentemente com qualquer dos pés. Com o tempo e a chegada ao futebol mais a sério, a diferença desapareceu. Mas nunca fui esquerdino. Essa particularidade deu-me algumas vantagens, permitiu-me variar o repertório e criar problemas aos adversários diretos. Seja como for, ainda hoje fico deliciado quando vejo um bom canhoto.

R - Ao olhar para trás, que tipo de sensações lhe desperta o talento que expressou e os títulos que conseguiu?
AS - Sinto que foi fantástico. Quando passo em revista toda a carreira acho que fui um privilegiado. Mas em relação a isso o melhor seria dar a palavra aos adversários. Eles terão uma opinião mais abalizada em relação ao que fui e fiz.

R - Os extremos, principalmente os esquerdos, são uma espécie em vias de extinção?
AS - Já foi pior, mas o facto é que aparecem cada vez menos jogadores com esse perfil. Os esquerdinos são cada vez menos, pelo que, quando aparece um Messi ou um Robben, são muito valorizados em termos de mercado. O espaço nas alas tem sido preenchido com defesas-laterais muito subidos. Não é a mesma coisa.

R - Falta talento, magia, arte...
AS - Exatamente. Mas eu acredito que o extremo, tal como o concebemos, vai ser recuperado. O futebol é de modas e há-de chegar a altura em que tudo será feito para tê-los de volta. O problema é também social e até cultural: falta rua aos miúdos, como lhes falta liberdade para criar e dar largas ao talento. Ora o extremo é, por definição, um espírito livre, um amante do improviso que tem o dom da imaginação. O que está por resolver é simples: cada vez mais se tenta fabricar um jogador, em vez de deixá-lo crescer livremente.

R - Mesmo sem esquerdinos, Portugal não se pode queixar da falta de extremos...
AS - Pois não. Não é por acaso que os grandes reis do jogo, os astros ligados à arte, à fantasia, ao talento puro, são oriundos de países com recursos económico-financeiros inferiores. Apetece dizer que há uma história porque há uma escola ligada à rua e às dificuldades, que gerou uma cultura e um modo de ver o futebol. Espero que o adepto português não perca o gosto pelos grandes artistas das faixas laterais como Albano, Rogério de Carvalho, Hernâni, Seminário, José Augusto, Chalana, Futre, Figo, Simão, Cristiano Ronaldo entre outros.

R - Antes de chegar ao Benfica tinha algum ídolo?
AS - A minha maior referência era o Albano. Uma vez, era ainda miúdo, fui ver um Barreirense-Sporting e adorei vê-lo jogar. Desde esse dia nunca o perdi de vista. Em termos internacionais impressionaram-me Zagallo, Seminário (o peruano que atuou no Sporting), Gento e Djazic (o jugoslavo do Estrela Vermelha), a quem vi gestos e movimentos inesquecíveis. Depois de ter acabado a carreira quem mais me encantou foi o Chalana. Simplesmente um génio.

R - No seu tempo de jogador qual foi o extremo-esquerdo que mais o impressionou?
AS - O incrível Jacinto João. Era um canhoto com qualidades de outro Mundo.
 
R - Nos últimos anos têm escasseado as referências...
AS - Em número sim, mas há um por quem tenho grande admiração: Ryan Giggs, do Manchester United. O Abel, do Sporting, disse uma coisa notável sobre ele: "Giggs sabe sempre o que o jogo precisa." E eu acrescento que o jogo e o adepto em geral nunca se desiludem em relação ao que esperam dele.

O 11 COM MAIS CLASSE

BENFICA 1961/62


Costa Pereira

Mário João Germano Cruz Ângelo

Cavem Coluna

José Augusto Simões

José Águas Eusébio


O 11 COM MAIS SOLUÇÕES

BENFICA ANOS 70


José Henrique

Malta da Silva Humberto Coelho Rui Rodrigues Adolfo

Jaime Graça Eusébio Simões

Nené Vítor Baptista/Artur Jorge Jordão

«Esta equipa tinha muita qualidade em quantidade. Aos nomes aqui referenciados devemos acrescentar Artur Correia, Messias, Toni, Vítor Martins, Diamantino Costa, entre outros. Mesmo sem Germano, Coluna e José Águas, era um conjunto fabuloso.»

O GRANDE CÚMPLICE
Eusébio da Silva Ferreira


«Deus Nosso Senhor deu-me o privilégio de entender a cultura futebolística do Eusébio. E esse foi dos bens mais valiosos da minha carreira: não desperdiçar o génio único de um fenómeno irrepetível. Jogámos juntos 14 anos (chegámos e partimos do Benfica ao mesmo tempo) e nesse período estabelecemos uma relação de cumplicidade técnica, profissional e pessoal que explica o sucesso. Em campo, não precisávamos de abrir a boca. Falávamos antes, durante e depois, porque sempre fomos amigos, mas no calor da luta não era preciso. Eu sabia por antecipação o que ele ia fazer, que movimentos efetuava e como gostava de receber a bola; ele tinha noção de que eu sabia exatamente o que ele pensava.»


O ADVERSÁRIO MAIS DIFÍCIL
Polido (Lusitano de Évora/V. Setúbal)

«Joguei até 1975 e defrontei alguns dos melhores laterais-direitos do Mundo. Mas o Polido foi sempre uma carga de trabalhos para mim. Quando jogava contra ele parecia que desaprendia tudo, de tal forma que transformei esses despiques numa questão pessoal, o que só me atrapalhou. Tirando este caso particular, os duelos que mais se repetiram foram com Pedro Gomes, Hilário (Sporting), Festa, Gualter (FC Porto) e Rodrigues (Belenenses).

Os 11 de sempre

ANTES:
Português: Albano (Sporting)
Mundial: Zagallo (Brasil)

DURANTE
Português: Jacinto João (V. Setúbal)
Mundial: Gento (Real Madrid)

DEPOIS
Português: Chalana (Benfica)
Mundial: Giggs (Man. United)

Camisola com história

R - Guardou muitos objetos ao longo da carreira?
AS - Tenho alguns. Esta camisola, por exemplo, faz parte de uma história fantástica. Um dia contaram-me que o lateral-direito da Inglaterra em 1966, George Cohen, tinha lutado 14 anos contra um cancro e que, para ganhar essa luta, fora obrigado a vender todo o espólio, incluindo a camisola que tínhamos trocado no final desse Inglaterra-Portugal.

R - Como é que a camisola lhe voltou às mãos?
AC - Porque um português arrebatou-a num leilão, pelo equivalente a 7 ou 8 mil euros, e ofereceu-ma. O curioso disto é que, para comemorar a vitória sobre o cancro, um grupo de amigos do Cohen decidiu organizar um jantar de homenagem, para o qual fui convidado. Decidi levar-lhe a camisola que me dera em 1966. O momento foi muito intenso e deixou-me tão feliz quanto a ele. Para quem tanto lutou, limitei-me a dar-lhe um pouco de felicidade.

Autor: RUI DIAS
Data: Quinta-Feira, 21 Maio de 2009 - 8:04

http://www.record.pt/noticia.aspx?id=92ea3093-f78d-4bbc-9a53-ac1aabc1474e&idCanal=bb5a5596-b866-43cb-b46c-f354bc9e67b8

Corrosivo

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  • 21 de Maio de 2009, 10:09
um senhor

Joga Bonito

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  • 08 de Setembro de 2009, 17:01
Já vi que era dextro de "origem". Vou colocar os dados..

Joga Bonito

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Nome Completo: António SIMÕES Costa
Posição: Extremo Esquerdo
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 14-12-1943
Número da Camisola: 11
Pé Preferido: Direito


Épocas completas no Benfica: 14
Total de Jogos pelo Benfica: 447
Total de Golos pelo Benfica: 72
Títulos pelo Benfica:
10 Campeonatos Nacionais (1962/1963; 1963/1964; 1964/1965; 1966/1967; 1967/1968; 1968/1969; 1970/1971; 1971/1972; 1972/1973; 1974/1975)
5 Taças de Portugal (1961/1962; 1963/1964; 1968/1969; 1969/1970; 1971/1972)
1 Taça dos Clubes Campeões Europeus(1961/1962)


1961/1962
Jogos: 24
Golos: 8 (3 na Liga)

1962/1963
Jogos: 37
Golos: 10 (10 na Liga)

1963/1964
Jogos: 38
Golos: 9 (5 na Liga)

1964/1965
Jogos: 32
Golos: 5 (0 na Liga)


1965/1966
Jogos: 29
Golos: 7 (7 na Liga)

1966/1967
Jogos: 28
Golos: 4 (3 na Liga)
 
1967/1968
Jogos: 31
Golos: 1 (1 na Liga)

1968/1969
Jogos: 36
Golos: 5 (2 na Liga)

1969/1970
Jogos: 34
Golos: 8 (3 na Liga)

1970/1971
Jogos: 26
Golos: 1 (0 na Liga)

1971/1972
Jogos: 28
Golos: 6 (5 na Liga)

1972/1973
Jogos: 36
Golos: 2 (2 na Liga)
 
1973/1974
Jogos: 35
Golos: 6 (5 na Liga)

1974/1975
Jogos: 33
Golos: 0
« Última modificação: 08 de Setembro de 2009, 17:36 por Joga.Bonito »

Joga Bonito

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  • 08 de Setembro de 2009, 17:21
Contabilizei os jogos da Taça Intercontinental nas duas primeiras temporadas. Fiz bem?

lcferreira

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  • 08 de Setembro de 2009, 18:43
Claro que sim Tiago, são jogos oficiais.

Shoky

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  • 08 de Setembro de 2009, 19:37
Fizeste...são jogos oficiais...apesar de eu não dar valor nenhum à competição...mas isso é a minha opinião...e não o que conta!

Já agora...que grande trabalho me poupas...um muito obrigado sentido! O0

Joga Bonito

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  • 08 de Setembro de 2009, 19:39
Eh pah, o almanaque é mel para fazer isto. Só se tem de conferir se o total de jogos bate certo com o que eles apresentam. É comparar os números da tabela ao total. Só tive de mudar 2 jogos num, e 1 golo noutro ;)

Shoky

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  • 08 de Setembro de 2009, 19:44
Actualizado, também graças a Joga.Bonito...neste caso fiz uma pequena mudança...a Taça dos Campeões Europeus está em cima dos campeonatos e taças nacionais...O0

Joga Bonito

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  • 08 de Setembro de 2009, 19:46
Recuperar os dados deste e do José Augusto foi algo que me deixou embasbacado...

Shoky

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  • 08 de Setembro de 2009, 19:53
Se tivesses feito todas as outras glórias...o sentimento seria igual...nostalgia e espanto!

Todos eles...:)

Só uma coisa...no saudade...estão todos actualizados...e ex-funcionários também...só alguns dos Imortais é que faltam...;)

Shoky

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  • 09 de Setembro de 2009, 17:40
10 campeonatos em 14 épocas...impressionante!

carlutchi

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  • Com saudades do Benfica á Benfica.
  • 17 de Setembro de 2009, 23:21
Segundo oiço dizer, era um extremo à imagem do Chalana e do Simão, uma gazua.
Tb vi alguns videos dele, fiquei deliciado.

Pena ter chulado já tanto guito ao Benfica como treinado adjunto :S

pmmp20

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  • 24 de Setembro de 2009, 16:37
10 campeonatos em 14 épocas...impressionante!

espero q esses tempos voltem depressa!!

Dana_Skully

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  • 03 de Fevereiro de 2010, 00:17
Enorme! Pena pouca gente se lembre dele..