Defesa, 1950-04-18 - 2016-07-25)
Portugal
Stats: 7 épocas, 0 jogos ( minutos), 0 golos
Títulos: Campeonato Nacional (5), Taça de Portugal (1)

19195 - Tópico: Artur Correia, o Ruço  (Lida 29066 vezes)

rambo

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  • Um amigo é uma só alma morando em dois corpos.
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  • 09 de Julho de 2010, 20:19

«penso que foi o Happel que o considerou como sendo o melhor lateral direito da europa.»

A propósito do Hapel há uma história engraçada e que tem a ver com esta geração de jogadores do Benfica dos anos 70.
O tipo era treinador do Feyenoord e saiu-lhes o Benfica, salvo erro em 1971. Começou logo armado em papagaio a dar entrevistas a vários jornais Europeus (incluindo Portugueses), onde afirmava que o Benfica era uma equipa banal, que não o assustava. De lembrar que o Feyenoord nessa época era a par com o Ajax a melhor equipa da Europa. Um bocado ao estilo do Manchester United e o Chelsea, hoje em dia. Os dois do mesmo País e dois dos melhores Europeus.
Na época só Benfica e Bayern de Munique tinham andamento para jogar de igual para igual com eles, mas o Hapel dizia que não, que o Benfica era fraquito. Vem a 1ª mão lá na Holanda e o Benfica empata 0-0, o Hapel veio logo dizer que foi um golpe de sorte nosso, que um bom jogo sai a qualquer equipa e rebéubéu, pardais ao ninho. 15 dias depois, Estádio da Luz cheio, um ambiente de grande noite Europeia. Alta assobiadela para o Hapel quando veio fazer o aquecimento com os jogadores.
Começa ao jogo. O Benfica em furia para cima deles. Nem respiravam, defendiam de qualquer maneira e lá acaba por surgir o nosso golo. Até ao intervalo nada de novo. Na 2ª parte caímos novamente em cima dos Holandeses à procura do 2º e os gajos num contra ataque marádo, empatam! O Hapel aplaude de pé a equipa dele. O golo fora apurava-os! Na Luz estava tudo apreensivo, era muito injusto depois do que tinhamos feito.
De certeza que muitos daqui já ouviram falar de «20 minutos à Benfica»! Pois é, vem daí, desse dia. O Benfica sofreu o golo a meio da 2ª parte e partiu na mesma para cima deles. Faz o 2-1, o 3-1, o 4-1 e o 5-1, resultado final. 4 golos de Néné, que era então um jovem muito promissor. O ultimo golo festejou-o em frente ao Hapel, que nem sabia onde havia de se meter. O Estádio explodia em euforia e só se ouvia Benfica, Benfica, Benfica! Chorava-se...muito.

Desde esse dia Hapel passou a dizer que o Benfica era uma grande equipa e tinha os melhores jogadores da Europa! Mudou de opinião depois de 20 MINUTOS À BENFICA.


PS: Já me caíu uma lágrima ou duas enquanto escrevia isto. porra!

Também me cai sempre uma lágrima sempre que me lembro desses tempos sobretudo pela maneira extraordinaria em que "pões no papel" esses acontecimentos. :clap1:

Uma pequena rectificação: O resultado na Holanda foi 1-0 para o Feyenoord.
Fui com um amigo ver o jogo e sai de la por milagre ...

Quanto ao jogo cá dos 5-1 foi um verdadeiro festival ...


rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 20:29
Mas ... falando um pouco do Artur, tive e tenho a honra de ser seu amigo.
Alias, digo sem falsas modestas, que o "grupo" de amigos que jantava semanalmente em minha casa, constituído pelo ruço, Toni e Humberto Coelho era maravilhoso.
Discutia-se obviamente futebol; o Toni era o mais exuberante, o Humberto o mais ponderado e o Artur o mais calado ... mas sempre com aquele sorriso trocista.
Qualquer deles (eu incluído) tinhamos (temos) o verdadeiro sangue Benfiquista nas veias.
Enfim ... tempos saudosamente inesqueciveis ... :cry2:
« Última modificação: 09 de Julho de 2010, 21:00 por rambo »

MB_caniggia

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  • 09 de Julho de 2010, 20:35
Mas ... falando um pouco do Artur, tive e tenho a honra de ser seu amigo.
Alias, digo sem falsas modestas, que o "grupo" de amigos que jantava semanalmente em minha casa, constituído pelo ruço, Toni e Humberto Coelho era maravilhoso.
Discutia-se obviamente futebol; o Toni era o mais exuberante, o Humberto o mais ponderado e o Artur o mais calado ... mas sempre com aquele sorriso trocista.
Qualquer deles (eu incluído) tinhamos o verdadeiro sangue Benfiquista nas veias.
Enfim ... tempos saudosamente inesqueciveis ... :cry2:
ui...grandes companhias Rambo O0


Eagle Fly Free

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  • 09 de Julho de 2010, 20:42
Tínhamos ?
 
 :huh:       :whistle2:   
 
 
 
 :victory:

rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 20:56
Tínhamos ?
 
 :huh:       :whistle2:   
 
 
 
 :victory:

hehe ... tens razão - TEMOS! :slb2:

leonardo

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  • 09 de Julho de 2010, 20:58
tinha 9 anos ouvi o relato deste memoravel jogo

rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 20:59
Mas ... falando um pouco do Artur, tive e tenho a honra de ser seu amigo.
Alias, digo sem falsas modestas, que o "grupo" de amigos que jantava semanalmente em minha casa, constituído pelo ruço, Toni e Humberto Coelho era maravilhoso.
Discutia-se obviamente futebol; o Toni era o mais exuberante, o Humberto o mais ponderado e o Artur o mais calado ... mas sempre com aquele sorriso trocista.
Qualquer deles (eu incluído) tinhamos o verdadeiro sangue Benfiquista nas veias.
Enfim ... tempos saudosamente inesqueciveis ... :cry2:
ui...grandes companhias Rambo O0



Sem duvida meu caro ... sem duvida.
E sabes quem por vezes ia tomar um café connosco? Nada mais nada menos que o saudoso Carlos Pinhão (pai da Leonor e meu vizinho de vivenda)

leonardo

  • Juvenil
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  • 09 de Julho de 2010, 21:02
tinha 9 anos ouvi o relato deste memoravel jogo

«penso que foi o Happel que o considerou como sendo o melhor lateral direito da europa.»

A propósito do Hapel há uma história engraçada e que tem a ver com esta geração de jogadores do Benfica dos anos 70.
O tipo era treinador do Feyenoord e saiu-lhes o Benfica, salvo erro em 1971. Começou logo armado em papagaio a dar entrevistas a vários jornais Europeus (incluindo Portugueses), onde afirmava que o Benfica era uma equipa banal, que não o assustava. De lembrar que o Feyenoord nessa época era a par com o Ajax a melhor equipa da Europa. Um bocado ao estilo do Manchester United e o Chelsea, hoje em dia. Os dois do mesmo País e dois dos melhores Europeus.
Na época só Benfica e Bayern de Munique tinham andamento para jogar de igual para igual com eles, mas o Hapel dizia que não, que o Benfica era fraquito. Vem a 1ª mão lá na Holanda e o Benfica empata 0-0, o Hapel veio logo dizer que foi um golpe de sorte nosso, que um bom jogo sai a qualquer equipa e rebéubéu, pardais ao ninho. 15 dias depois, Estádio da Luz cheio, um ambiente de grande noite Europeia. Alta assobiadela para o Hapel quando veio fazer o aquecimento com os jogadores.
Começa ao jogo. O Benfica em furia para cima deles. Nem respiravam, defendiam de qualquer maneira e lá acaba por surgir o nosso golo. Até ao intervalo nada de novo. Na 2ª parte caímos novamente em cima dos Holandeses à procura do 2º e os gajos num contra ataque marádo, empatam! O Hapel aplaude de pé a equipa dele. O golo fora apurava-os! Na Luz estava tudo apreensivo, era muito injusto depois do que tinhamos feito.
De certeza que muitos daqui já ouviram falar de «20 minutos à Benfica»! Pois é, vem daí, desse dia. O Benfica sofreu o golo a meio da 2ª parte e partiu na mesma para cima deles. Faz o 2-1, o 3-1, o 4-1 e o 5-1, resultado final. 4 golos de Néné, que era então um jovem muito promissor. O ultimo golo festejou-o em frente ao Hapel, que nem sabia onde havia de se meter. O Estádio explodia em euforia e só se ouvia Benfica, Benfica, Benfica! Chorava-se...muito.

Desde esse dia Hapel passou a dizer que o Benfica era uma grande equipa e tinha os melhores jogadores da Europa! Mudou de opinião depois de 20 MINUTOS À BENFICA.


PS: Já me caíu uma lágrima ou duas enquanto escrevia isto. porra!

Também me cai sempre uma lágrima sempre que me lembro desses tempos sobretudo pela maneira extraordinaria em que "pões no papel" esses acontecimentos. :clap1:

Uma pequena rectificação: O resultado na Holanda foi 1-0 para o Feyenoord.
Fui com um amigo ver o jogo e sai de la por milagre ...

Quanto ao jogo cá dos 5-1 foi um verdadeiro festival ...



«penso que foi o Happel que o considerou como sendo o melhor lateral direito da europa.»

A propósito do Hapel há uma história engraçada e que tem a ver com esta geração de jogadores do Benfica dos anos 70.
O tipo era treinador do Feyenoord e saiu-lhes o Benfica, salvo erro em 1971. Começou logo armado em papagaio a dar entrevistas a vários jornais Europeus (incluindo Portugueses), onde afirmava que o Benfica era uma equipa banal, que não o assustava. De lembrar que o Feyenoord nessa época era a par com o Ajax a melhor equipa da Europa. Um bocado ao estilo do Manchester United e o Chelsea, hoje em dia. Os dois do mesmo País e dois dos melhores Europeus.
Na época só Benfica e Bayern de Munique tinham andamento para jogar de igual para igual com eles, mas o Hapel dizia que não, que o Benfica era fraquito. Vem a 1ª mão lá na Holanda e o Benfica empata 0-0, o Hapel veio logo dizer que foi um golpe de sorte nosso, que um bom jogo sai a qualquer equipa e rebéubéu, pardais ao ninho. 15 dias depois, Estádio da Luz cheio, um ambiente de grande noite Europeia. Alta assobiadela para o Hapel quando veio fazer o aquecimento com os jogadores.
Começa ao jogo. O Benfica em furia para cima deles. Nem respiravam, defendiam de qualquer maneira e lá acaba por surgir o nosso golo. Até ao intervalo nada de novo. Na 2ª parte caímos novamente em cima dos Holandeses à procura do 2º e os gajos num contra ataque marádo, empatam! O Hapel aplaude de pé a equipa dele. O golo fora apurava-os! Na Luz estava tudo apreensivo, era muito injusto depois do que tinhamos feito.
De certeza que muitos daqui já ouviram falar de «20 minutos à Benfica»! Pois é, vem daí, desse dia. O Benfica sofreu o golo a meio da 2ª parte e partiu na mesma para cima deles. Faz o 2-1, o 3-1, o 4-1 e o 5-1, resultado final. 4 golos de Néné, que era então um jovem muito promissor. O ultimo golo festejou-o em frente ao Hapel, que nem sabia onde havia de se meter. O Estádio explodia em euforia e só se ouvia Benfica, Benfica, Benfica! Chorava-se...muito.

Desde esse dia Hapel passou a dizer que o Benfica era uma grande equipa e tinha os melhores jogadores da Europa! Mudou de opinião depois de 20 MINUTOS À BENFICA.


PS: Já me caíu uma lágrima ou duas enquanto escrevia isto. porra!

Também me cai sempre uma lágrima sempre que me lembro desses tempos sobretudo pela maneira extraordinaria em que "pões no papel" esses acontecimentos. :clap1:

Uma pequena rectificação: O resultado na Holanda foi 1-0 para o Feyenoord.
Fui com um amigo ver o jogo e sai de la por milagre ...

Quanto ao jogo cá dos 5-1 foi um verdadeiro festival ...



«penso que foi o Happel que o considerou como sendo o melhor lateral direito da europa.»

A propósito do Hapel há uma história engraçada e que tem a ver com esta geração de jogadores do Benfica dos anos 70.
O tipo era treinador do Feyenoord e saiu-lhes o Benfica, salvo erro em 1971. Começou logo armado em papagaio a dar entrevistas a vários jornais Europeus (incluindo Portugueses), onde afirmava que o Benfica era uma equipa banal, que não o assustava. De lembrar que o Feyenoord nessa época era a par com o Ajax a melhor equipa da Europa. Um bocado ao estilo do Manchester United e o Chelsea, hoje em dia. Os dois do mesmo País e dois dos melhores Europeus.
Na época só Benfica e Bayern de Munique tinham andamento para jogar de igual para igual com eles, mas o Hapel dizia que não, que o Benfica era fraquito. Vem a 1ª mão lá na Holanda e o Benfica empata 0-0, o Hapel veio logo dizer que foi um golpe de sorte nosso, que um bom jogo sai a qualquer equipa e rebéubéu, pardais ao ninho. 15 dias depois, Estádio da Luz cheio, um ambiente de grande noite Europeia. Alta assobiadela para o Hapel quando veio fazer o aquecimento com os jogadores.
Começa ao jogo. O Benfica em furia para cima deles. Nem respiravam, defendiam de qualquer maneira e lá acaba por surgir o nosso golo. Até ao intervalo nada de novo. Na 2ª parte caímos novamente em cima dos Holandeses à procura do 2º e os gajos num contra ataque marádo, empatam! O Hapel aplaude de pé a equipa dele. O golo fora apurava-os! Na Luz estava tudo apreensivo, era muito injusto depois do que tinhamos feito.
De certeza que muitos daqui já ouviram falar de «20 minutos à Benfica»! Pois é, vem daí, desse dia. O Benfica sofreu o golo a meio da 2ª parte e partiu na mesma para cima deles. Faz o 2-1, o 3-1, o 4-1 e o 5-1, resultado final. 4 golos de Néné, que era então um jovem muito promissor. O ultimo golo festejou-o em frente ao Hapel, que nem sabia onde havia de se meter. O Estádio explodia em euforia e só se ouvia Benfica, Benfica, Benfica! Chorava-se...muito.

Desde esse dia Hapel passou a dizer que o Benfica era uma grande equipa e tinha os melhores jogadores da Europa! Mudou de opinião depois de 20 MINUTOS À BENFICA.


PS: Já me caíu uma lágrima ou duas enquanto escrevia isto. porra!

Também me cai sempre uma lágrima sempre que me lembro desses tempos sobretudo pela maneira extraordinaria em que "pões no papel" esses acontecimentos. :clap1:

Uma pequena rectificação: O resultado na Holanda foi 1-0 para o Feyenoord.
Fui com um amigo ver o jogo e sai de la por milagre ...

Quanto ao jogo cá dos 5-1 foi um verdadeiro festival ...



leonardo

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  • 09 de Julho de 2010, 21:06
tinha nove anos quando ouvi o relato desse jogo memoravel.

rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 21:08
Ei-lo aqui com o Cruz dos Santos (A Bola)


rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 21:15
Interessantíssima esta analise feita no blog do Bola ...



Artur Manuel Soares Correia. Lisboa. 18 de Abril de 1950. Defesa.Épocas no Benfica: 6 (71/77). Jogos: 160. Golos: 3. Títulos: 5 (Campeonato Nacional), 1 (Taças de Portugal).Outros Clubes: Académica, Sporting e Tea Men (EUA). Internacionalizações: 35.Tinha por código o principio sagrado mesmo, não torcer, antes quebrar. Dai que fosse alegria vê-lo em acção. O Artur, o Ruço, era fulgente. Aos confins de si próprio ia buscar sempre um fôlego mais, um fôlego derradeiro, que poderia valer o desarme providencial, a recuperação da bola, o passe decisivo, o golo. Para ele, só valia jogar nos limites, assim como quem desafia, em permanência, as leis da natureza.Foi sempre um inconformado. Começou a ponta-de-lança e virou lateral-direito, com curtas passagens pelo meio-campo. Talvez por isso, gostava de se estender, de subir na relva, ao encontro porventura da origem. Quis sempre provar que por mais encostado que estivesse na linha, nem por isso deixava de ser um construtor, sem embargo das dominantes preocupações defensivas. Ao seu tempo, os críticos teciam loas ao “lateral moderno”.Assim foi Artur. “Provavelmente, o melhor da Europa”, sentenciou Kovacs, mais que reputado técnico, vivia-se em 1972.Ainda garoto e sem cabelo à beatle, começou a carreira no Futebol Benfica. Principiante e juvenil foi. Para o outro Benfica, o seu Benfica, logo se transferiu. Num ano de júnior, um Campeonato Nacional, com Humberto Coelho, Vítor Martins e Nené. O apelo da medicina fê-lo ingressar, depois, na Académica. Três grandes anos em Coimbra, não nos livros, mas na bola. Futebolista profissional seria, médico nunca mais. E Coimbra foi mesmo uma lição. Com Rui Rodrigues, Alhinho, Gervásio, os irmãos Campos, Manuel António, com bons treinadores, Artur continuou a progredir.Estranho seria o Benfica não tentar o retorno. Foi o que fez. No verão de 71, triunfante, irrompeu pelo átrio principal da Luz. Sentia-se um jogador a valer, nos quadros estava de uma das melhores formações da Europa. Logo se impôs. Sem surpresa. Era, segundo Vítor Santos, “Artur, a alegria do jogo. Artur, o nervo do jogo. Artur, a classe do jogo. Artur, a serenidade do jogo. Artur, o símbolo do antimarcenarismo do jogo”.No Benfica, durante seis anos, só deixou fugir um Campeonato. Eram os tempos em que a gigantesca mancha vermelha, intensa também, reluzia em todos os parques da bola. Na conta pessoal de Artur, em 124 partidas para o Nacional, apenas dez vezes perdeu. Notável!
Artur, à direita carregando o troféu do Torneio Ramon Carranza ganho pelo Benfica em 1971/72[/size]
A nível externo, da mesma forma, não deixou créditos por…..pés alheios. Interpretou algumas exibições memoráveis. Por um triz não jogou uma final do Campeões. Responsabilidade do Ajax, por essa altura comummente considerada a melhor esquadra europeia.Na Selecção Nacional, pontificou no seu posto, desde Maio de 1972, mês da estreia, frente ao Chipre. Marcou presença na Minicopa do Brasil, justificando gabos da exigente e algo sobranceira imprensa brasileira. Por cá, o escritor Mário Zambujal confessava que “o que sempre mais admirei no Artur foi justamente essa personalidade do espírito de júnior. A experiência refinou as suas técnicas, aprimorou-lhe o sentido do lugar, da intercepção, do desarme, do passe. Mas no seu retrato de jogador prevalece sempre a imagem do rapaz encantado por jogar à bola”.Na última época em que serviu o Benfica, Artur carregou a cruz de uma lesão. Pleurisia era. Estava em final de contrato e nada lestos foram os responsáveis benfiquista. Esperou com impaciência. De peito aberto, esperou…..sentado. Mudou-se para o outro lado da avenida, decerto com amargura. A mesma amargura com que, incrédulos, ficaram os adeptos encarnados. Tal como Pinhão poderiam dizer nesse momento que ele “jogava-dava-e-levava, quem vai à guerra, já sabe, e era mesmo um jogador de briga, à moda antiga, ai que saudades, ai, ai!….”.Fizeram-no sócio do Benfica, tinha apenas um ano de idade, ainda não sabia quem era. “O emblema de ouro não fui receber, porque à coisas com que não concordo”. E quem lhe poderá levar a mal? Foi sempre assim o Artur. Irreverente, inconformado.Extra, Artur e o Benfiquismo:[/font]
[/color]Artur, tem histórias deliciosas como aquela de em Alvalade, ao intervalo perguntar sempre ao policia de serviço qual o resultado do Benfica, ou numa das suas raras visitas à Luz, de verde, chamar de “malandro benfiquista” ao árbitro que marcou 1 penalty sobre Chalana e este responder “não sou mais do que tu”, e ele ” é verdade mas eu ao menos tento disfarçar”.O Artur sempre assumiu o benfiquismo por todos os clubes em que passou. Quando estava no Sporting, chegava ao intervalo e a pergunta era, invariavelmente, “Olha lá, pá, como é que está o Benfica?”. Ninguém no Sporting o levava a mal.No meio de muitas histórias do Mundialito, algumas irreproduzíveis, o Artur lembrou um episódio em particular: o seu encontro com o Rivelino na final da Mini-Copa.Segundo o Artur, o Rivelino tinha o hábito de fazer a chamada “finta do elástico”, e fazia-a muito bem. O Maracanã estava cheio e aquilo era “uma loucura”. Logo na primeira jogada do desafio, o Rivelino fintou-o com essa famosa finta. Foi à linha, cruzou e o Tostão atirou à barra. O Rivelino, com ar de gozo, virou-se para o Artur e disse-lhe “Ei, cara, gostou?”. O Artur não era rapaz para levar e calar. Assim, diz o Artur, «Comecei a dar-lhe a linha lateral e a deixá-lo ir, com confiança, até à linha de fundo. Quando o apanhei a jeito, num cruzamento, fiz-lhe um carrinho no pé direito (pé de apoio, pois ele era canhoto) e até fez impressão o barulho do choque. Já estava o Rivelino no chão, agarrado à perna, quando lhe perguntei: “Ei, cara, gostou?”»«De todos os adversários, o mais difícil de marcar foi o Jacinto João, aquele malandro fazia-me com cada finta… Um dia, num jogo com a Académica, disse-me “ó russo, hoje tenho duas fintas novas que não conheces, já vais ver.” Eu só lhe disse “ó pá, deixa-te de coisas”. Foi impressionante, veio direito a mim e disse-me “esta é uma das novas”, ele passou o pé por baixo da bola, tipo colher de pedreiro, levantou a bola, cruzou e o Torres, de cabeça, marcou. Nesse dia, levámos 5, e eu fiquei tantas vezes no chão… eu só já lhe dizia “ó pá, já chega”.»«Outro jogador muito difícil de parar era o Chalana. No Benfica só tinha que o defrontar nos treinos, mas quando fui para o Sporting, por ironia do destino, o primeiro jogo da época foi contra o Benfica, em Alvalade, e o Chalana era o meu opositor directo.Quando o jogo começou, voltei-me para o Chalana (de quem era, e sou, amigo) e disse-lhe “ó miúdo, não te ponhas para aí com coisas, que eu perco a cabeça e levas uma paulada”, e ele diz-me “ó russo, não há problema, estamos em família”. Logo na primeira jogada, passou-me a bola por entre as pernas. Era a pior coisa que me podiam fazer. Depois há um canto e… golo do Benfica, foi o Chalana de cabeça. Voltei-me para ele e disse-lhe “ó miúdo, agora já não há misericórdia”, e o Chalana só me dizia “ó russo, foi sem querer, a bola bateu-me na cabeça…” E, por acaso, tinha sido. Na segunda parte, o Fraguito empatou. Ainda hoje me dou bem com o Chalana, é ‘cinco estrelas’.»

Bola7 falou…

slbenfica_croft

  • Eusébio
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  • 09 de Julho de 2010, 21:58
o meu velho recorda-se bem desse jogo contra o Feyenoord.
 
era um BENFICA k nada temia, k tinha apenas jogadores portugueses e k jogava nos olhos com toda a gente, na Luz então acredito k fosse como o meu velho me diz, quem entrasse vestido de encarnado na luz, sentia-se o melhor jogador do mundo na sua posição...do outro lado podia vir quem viesse, qualquer jogador do BENFICA na Luz sentia-se capaz de engolir o mundo numa dentada apenas. Era um BENFICA k já não era o principal dominador na europa, mas k mantinha a mesma insolência com k anos antes tinha tomado de assalto a europa do futebol...
 
É tal e qual como o ruço dizia, tinham uma grande equipa, um excelente treinador e partilhavam com o Ajax a mitica escolha holandesa, embora não fossem tão espectaculares e a categoria europeia com Ajax, Bayern e Borussia Monchengladbach...
 
Olhando às circunstancias dessa época, ver k as melhores equipas europeias eram duas holandesas e duas alemãs era natural e o reflexo das duas melhores selecções da época.
 
De um lado a Holanda, toda ela formatada num estilo de jogo invulgar e fabuloso, exigente fisicamente, tecnicamente e tacticamente. O bloco do Ajax composto por: Johan Cruyff, Neeskens, Krol, Haan, Surbier, mais tarde, Rep e Resembrink)
era a base da selecção, mas o Feyenoord tb tinha algum peso, ainda k fosse mais notorio no banco (Rinus Israel, Van Hanegam o grande simbolo da historia do Feyenoord e um dos poucos titulares do Feye na selecção, Jansen, Risjbergen e um Gr k não me recordo o nome).
 
Do lado da Alemanha acontecia exactamente o mesmo, sendo k aí era o blodo do Bayern a fazer a base da selecção e os jogadores de Borussia Monchengladbach a ocuparem a primazia no banco de suplentes...
 
Bayern:Sepp Maier, Breitner, Gerd Muller, Uli Hoeness, Schwarzenbeck e Beckembauer
Borussia:Netzer(acabaria afastado por Beckembauer, k tinha um poder absoluto no balneario, os lideres são assim..), Berti Vogts, Stielike, Wolfgang Overath, Heynches, Wimmer e mais tarde Bonhof. Destes apenas Overath(o unico simbolo do Borussia k o Kaiser apreciava) e Vogts eram titulares com regularidade.
 
em ambos os casos havia enorme rivalidade, levada ao extremo, não só nos adeptos como nos jogadores, de ambas as equipas (Ajax vs Feyenoord; Bayern vs Borussia)
 
é preciso ter em conta k as 4 equipas eram fantasticas e lutavam taco a taco as competições internas e eram rivais igualmente entre elas, nas competições europeias. Essa rivalidade foi levada para a selecção onde a primazia de ambos os seleccionadores (Rinus Michels e Helmut Schoon) acabou por recair nos blocos das equipas mais ganhadoras e k com mais jogadores seleccionaveis e k tinham o maior simbolo futebolistico do país (Cruyff na Holanda e Beckembauer na Alemanha)...
 
foi preciso mta inteligencia, bom senso e tb alguma dose de coragem de ambos os seleccionadores para construir grandes selecções, visto k o balneario estava em ambos os casos, completamente dividido...ainda k o peso em numero, fosse sempre maior quer para Bayern quer para Ajax. Tanto Netzer e Van Hanegam reagiam  mal à liderança absoluta quer de Beckembauer, quer de Cruyff, respectivamente, o k era natural, tendo em conta k eles eram os lideres incontestados de Borussia e Feyenoord, rivais nos respctivos paises dos outros dois colossos...
 
e com isto tudo perdi-me...lol. Sorry.
 
É sempre um prazer ouvir o nosso ARTUR RUÇO CORREIA.
 
peço desculpa por me ter entusiasmado
« Última modificação: 09 de Julho de 2010, 22:00 por slbenfica_croft »

rambo

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  • 09 de Julho de 2010, 22:15
o meu velho recorda-se bem desse jogo contra o Feyenoord.
 
era um BENFICA k nada temia, k tinha apenas jogadores portugueses e k jogava nos olhos com toda a gente, na Luz então acredito k fosse como o meu velho me diz, quem entrasse vestido de encarnado na luz, sentia-se o melhor jogador do mundo na sua posição...do outro lado podia vir quem viesse, qualquer jogador do BENFICA na Luz sentia-se capaz de engolir o mundo numa dentada apenas. Era um BENFICA k já não era o principal dominador na europa, mas k mantinha a mesma insolência com k anos antes tinha tomado de assalto a europa do futebol...
 
É tal e qual como o ruço dizia, tinham uma grande equipa, um excelente treinador e partilhavam com o Ajax a mitica escolha holandesa, embora não fossem tão espectaculares e a categoria europeia com Ajax, Bayern e Borussia Monchengladbach...
 
Olhando às circunstancias dessa época, ver k as melhores equipas europeias eram duas holandesas e duas alemãs era natural e o reflexo das duas melhores selecções da época.
 
De um lado a Holanda, toda ela formatada num estilo de jogo invulgar e fabuloso, exigente fisicamente, tecnicamente e tacticamente. O bloco do Ajax composto por: Johan Cruyff, Neeskens, Krol, Haan, Surbier, mais tarde, Rep e Resembrink)
era a base da selecção, mas o Feyenoord tb tinha algum peso, ainda k fosse mais notorio no banco (Rinus Israel, Van Hanegam o grande simbolo da historia do Feyenoord e um dos poucos titulares do Feye na selecção, Jansen, Risjbergen e um Gr k não me recordo o nome).
 
Do lado da Alemanha acontecia exactamente o mesmo, sendo k aí era o blodo do Bayern a fazer a base da selecção e os jogadores de Borussia Monchengladbach a ocuparem a primazia no banco de suplentes...
 
Bayern:Sepp Maier, Breitner, Gerd Muller, Uli Hoeness, Schwarzenbeck e Beckembauer
Borussia:Netzer(acabaria afastado por Beckembauer, k tinha um poder absoluto no balneario, os lideres são assim..), Berti Vogts, Stielike, Wolfgang Overath, Heynches, Wimmer e mais tarde Bonhof. Destes apenas Overath(o unico simbolo do Borussia k o Kaiser apreciava) e Vogts eram titulares com regularidade.
 
em ambos os casos havia enorme rivalidade, levada ao extremo, não só nos adeptos como nos jogadores, de ambas as equipas (Ajax vs Feyenoord; Bayern vs Borussia)
 
é preciso ter em conta k as 4 equipas eram fantasticas e lutavam taco a taco as competições internas e eram rivais igualmente entre elas, nas competições europeias. Essa rivalidade foi levada para a selecção onde a primazia de ambos os seleccionadores (Rinus Michels e Helmut Schoon) acabou por recair nos blocos das equipas mais ganhadoras e k com mais jogadores seleccionaveis e k tinham o maior simbolo futebolistico do país (Cruyff na Holanda e Beckembauer na Alemanha)...
 
foi preciso mta inteligencia, bom senso e tb alguma dose de coragem de ambos os seleccionadores para construir grandes selecções, visto k o balneario estava em ambos os casos, completamente dividido...ainda k o peso em numero, fosse sempre maior quer para Bayern quer para Ajax. Tanto Netzer e Van Hanegam reagiam  mal à liderança absoluta quer de Beckembauer, quer de Cruyff, respectivamente, o k era natural, tendo em conta k eles eram os lideres incontestados de Borussia e Feyenoord, rivais nos respctivos paises dos outros dois colossos...
 
e com isto tudo perdi-me...lol. Sorry.
 
É sempre um prazer ouvir o nosso ARTUR RUÇO CORREIA.
 
peço desculpa por me ter entusiasmado

Gostei de ler, sobretudo a parte em bold.
O teu Pai tinha razão o Benfica era temível nessa altura...
Alguns amigos, jogadores noutros clubes, confessavam-me que quando jogavam no Estádio da Luz entravam completamente borrados de medo, não só pela categoria dos nossos jogadores mas também pela imponência dos nossos adeptos, sobretudo os do celebre 3º anel.

Era o famoso "INFERNO DA LUZ" ...

André Sousa

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  • 10 de Novembro de 2011, 00:07
Setúbal, 25 de Setembro de 1977:

A impetuosidade era a sua imagem de marca. Constantemente insatisfeito, através de gestos e atitudes, o ruço tem uma carreira ímpar no futebol português. Foi o lateral-direito da selecção durante a década 70 (Maio-72 a Novembro-79), totalizando 35 jogos, e de três clubes com grande tradição: Académica, Benfica e Sporting.
A sua história, porém, não é como outras. Campeão nacional de juniores no Benfica, com Humberto Coelho, Toni, Vítor Martins e Nené, quis tirar o curso de Medicina, o que o obrigou a uma transferência para a Académica. Lá passou três boas épocas até perceber que era impossível conciliar estudos e futebol. Optou pela bola e voltou ao Benfica, em 1971. Seis anos depois, o primeiro grande susto, vítima de uma pleurisia. Afastado dos relvados e com o Benfica em digressão, não lhe renovaram o contrato. Sensível a este episódio, João Rocha estendeu-lhe a mão e Artur passou para o outro lado da Segunda Circular.
Em 1980, no início da terceira época pelos leões (24 de Setembro), sofreu um acidente cardiovascular que lhe acabou com a carreira desportiva. No jogo de homenagem entre Benfica e Sporting, em 1981, Toni definiu-o da melhor forma: "No Sporting, era o único jogador à Benfica."

“Sou sócio do Benfica desde que nasci. Nunca pensei jogar naquela equipa [Sporting], mas o Benfica mandou-me embora. Na prática, foi assim. Durante seis anos [de 1971 a 1977] estive sempre a ganhar o mesmo: 34 contos por mês. Em 1974, o presidente Borges Coutinho prometeu-me 500 contos e uma festa de homenagem quando renovasse o contrato, em 1977. Ora em 1977 fomos campeões, com o Mortimore, e o Romão Martins [director-desportivo do Benfica] ofereceu-me uma festa de homenagem de 200 contos e 27 contos de ordenado. Onde é que já se viu passar de 34 para 27 contos? Como é possível baixar de ordenado? Ameacei com a saída e disseram-me que, como eu era benfiquista, nunca sairia. Mas estavam a empurrar-me para fora do meu clube e saí. O João Rocha apanhou-me descontente e fui parar ao outro lado da Segunda Circular.”

“[O primeiro jogo pelo Sporting foi com o Benfica], em Alvalade. Primeira jornada do campeonato nacional. Na altura a equipa visitante entrava primeiro em campo, depois os árbitros e no fim a equipa da casa. Quando entrei e vi aquelas camisolas vermelhas do outro lado fiquei confuso. E triste.”

“Quando o jogo começou voltei-me para [Chalana] e disse-lhe "não te ponhas para aí com coisas, que eu perco a cabeça e levas uma paulada", e ele responde-me "ó ruço, não há problema, estamos em família". Logo na primeira jogada passou-me a bola entre as pernas. Era a pior coisa que me podiam fazer. Depois [aos 8''] há um canto e... golo do Benfica, foi o Chalana de cabeça. Voltei-me para ele e disse-lhe "agora estás tramado" e o Chalana só me dizia "ó ruço, foi sem querer, a bola bateu-me na cabeça..." E por acaso tinha sido. Mas o Fraguito empatou [aos 20''] e ninguém perdeu.”

“Nessa primeira época [1977-1978], ganhámos a Taça de Portugal ao FC Porto. No campeonato ficámos em terceiro. Quando cheguei ao Sporting o treinador era um brasileiro que apareceu por aí e saiu logo em Dezembro. Chamava-se Paulo Emílio. Certo dia [20 de Novembro de 1977], fomos jogar ao Norte, estava o Riopele [de Pousada de Saramagos, no concelho de Famalicão] na I Divisão, e ele, o treinador, quis levar a mulher a conhecer o Minho. Na manhã do jogo o treinador não apareceu. Almoçámos e nada do treinador. Fomos para o jogo e ele continua desaparecido em combate. O Manuel Marques, chefe do Departamento de Futebol, lá me disse para orientar a equipa. Ao intervalo estávamos a perder 2-1. Fiz uma substituição [entrada de Baltasar e saída de Cerdeira] e ganhámos 3-2. No final do jogo apareceu o treinador com uma conversa do género: "Não há problema, eu sabia que vocês ganhavam." Fez uma brincadeira igual na Madeira [4-0 ao Marítimo, na semana seguinte, a 27 de Novembro]. Acabou por sair no Natal.”

“[Em 1979-1980], foi um campeonato tramado, resolvido por um autogolo do Manaca, em Guimarães. Falou-se muito desse golo porque Manaca tinha sido do Sporting, mas foi um autogolo. Meteu mal a cabeça à bola, pronto. Se não fosse ele, estava lá o Manuel Fernandes atrás dele para marcar. Nessa época, Sporting e FC Porto andaram pegados o tempo todo e aquilo eram finais todas as semanas. Dessa vez o Benfica andava longe do poder. A três jornadas do fim fomos jogar às Antas e empatámos 1-1, mas o António Garrido fez das suas. Marcou um penálti inexistente. Disse-lhe logo que tinha arranjado um emprego para toda a vida. Depois mandou repetir esse penálti duas vezes até a bola entrar. Foi um abuso.”

“Sabes o que eu fazia sempre que chegava o intervalo do Sporting? Perguntava ao roupeiro: "Olha lá, pá, como é que está o Benfica?" Ninguém no Sporting me levava a mal. Nem na Académica [1969-71]. Eu sou do Benfica, e eles sabiam.”

“[Jimmy Hagan] era tramado. Mas bom treinador. Naquele tempo os jogadores só ganhavam o prémio de jogo na totalidade se jogassem. Ora podíamos estar a ganhar por 6-0, com duas substituições por fazer, o pessoal no banco a pedir "Ó mister, dá para entrar?", e ele nada. No balneário nem ai nem ui. E era terrível nos treinos. Já com a idade que tinha, fazia todos os exercícios que nos mandava fazer. Fartava-se de puxar por nós, a correr à volta do relvado.”

“Em Março de 1974, no último dérbi pré-revolucionário, ganhámos 5-3 em Alvalade, mas nem imaginas a arbitragem do Raul Nazaré nesse dia! Marcou-nos dois penáltis. Ao primeiro, a castigar falta inexistente minha sobre o Dé, que se atirou para dentro da área, disse-lhe logo: não faças isso, Raúl, que nós vamos lá abaixo e marcamos dois golos. Dito e feito: de 2-3 para 2-5 foi num piscar de olhos.”

“[Em 1974-75, na Luz, apostei com o Yazalde um lanche. (…) Foi um jogo esquisito. O Móia, que nunca marcou um golo na vida, deu-nos avanço e foi o Yazalde quem empatou. No final, eu e o Chirola [alcunha de Yazalde] saímos juntos do estádio e levei-o a uma marisqueira em Benfica. Pelo caminho, uma série de adeptos: "Ó Artur, mas estás com esse porquê?'' E eu respondia: ''O jogo já acabou. Agora somos amigos."”

“Ou passava a bola ou o jogador, nunca os dois. Mas nunca aleijei ninguém. O maior problema eram os árbitros. Eu fazia “tackles”, roubava a bola e o árbitro não só assinalava falta defensiva como ainda me mostrava o cartão amarelo. E eu dizia-lhes: "Porra, mas tu não vês a final da Taça de Inglaterra?" Era dos poucos jogos que dava na televisão, a par da final da Taça dos Campeões. Mas a Taça de Inglaterra era um espectáculo e um encanto que só visto. Os mais fracos da III Divisão ganhavam aos da I e o jogo era sempre a correr, com muitos “tackles”, nunca punidos pelo árbitro. Só em Portugal é que aquilo era falta...”


Enorme homem, enorme profissional e enorme benfiquista.

Shoky

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  • 10 de Novembro de 2011, 15:07
“Sabes o que eu fazia sempre que chegava o intervalo do Sporting? Perguntava ao roupeiro: "Olha lá, pá, como é que está o Benfica?" Ninguém no Sporting me levava a mal. Nem na Académica [1969-71]. Eu sou do Benfica, e eles sabiam.”


Mito vivo.