Country
Portugal

Germano

Nome completo
Germano de Figueiredo
Número
6
Naturalidade
Lisboa
Data de nascimento
1932-12-23
Data de morte
2005-07-15
Periodo no Benfica

1960 - 1967

Quando Vinicius de Moraes escreveu “tristeza não tem fim, felicidade sim”, não consta que se inspirasse em Germano. Talvez até jamais o tivesse conhecido. Mas aquele olhar melancólico, cheio de humanidade; aquele rosto austero, anunciando à vida inclemência; aquele porte rígido, transporte de aflições ou até raivas, era Germano, personalidade singular.

Nos seus tempos, infanto-juvenis, logo recebeu golpes pungentes. Perdeu o pai, três anos depois a mãe, entregue aos carinhos de uma irmã mais velha ficou. Talvez por essa altura só o futebol, embrionária paixão, lhe resgatasse a alma.

Nasceu no pitoresco bairro de Alcântara, de raízes populares, em 1932, por coincidência ano em que Salazar iniciou funções como Presidente do Conselho. O Atlético Clube de Portugal, por quem veio a suspirar, ainda não existia, era Carcavelinhos e União de Lisboa, mais tarde sim, deu-se a fusão, nascendo uma das mais emblemáticas agremiações desportivas. Era também Carlos Baptista, o seu ídolo, de Alcântara, é claro, nele encontrou o apelo pela bola, pelo jogo, pelo futebol.

Em 1947, Germano começou a militar nos infantis do Atlético. Optou pela baliza, guarda-redes seduzia-o, mas o treinador, esse mesmo, Carlos Baptista, referência maior do ainda miúdo, nele achou redutor a defesa das redes e metamorfoseou-o avançado-centro. O ciclo estava, porém, incompleto. A defesa-central se quedaria. Conclusivamente.

Quis o destino que se estreasse na equipa de honra do Atlético e logo frente ao Benfica. Ocupou o lugar de Armindo, defesa duro e experimentado, cuja lesão obrigou Janos Biri a chamar o jovem Germano. Venceu o Benfica, por 4-3. No rescaldo, nada em desabono do debutante. Mesmo assim, foi relegado para as reservas, que a idade não ajudava. Só que na segunda volta, ainda no Campo Grande, em grande jogou, titular se afirmou, logo Salvador do Carmo o fez internacional, frente à Áustria, quando substituiu o magoado Cabrita, marcou a estrela Orkwie e, naquele empate, se afirmou em definitivo.



A desdita não lhe dava tréguas. Em novo suplicio mergulhou. O pré-aviso foi uma constipação. Coisa pouca parecia. Em Braga, jogou debaixo dos rigores do Inverno minhoto e sentiu-se mal no fim da contenda. Como arribou um pouco, não se demitiu de fazer a digressão pela Turquia e pela Egipto, ao serviço da equipa nacional. Seguiu-se Madrid, com a farda da Selecção de Lisboa, em jogo organizado por um tal Carmen Franco, mulher do ditador espanhol. A virose que há muito transportava revelar-se-ia, sobretudo nas horas infindas, no aeroporto da capital espanhola, com a comitiva a desesperar por um avião de regresso.

Já em Lisboa, enfermo, deu entrada no Santa Maria. Acusou pleurisia líquida, que curou mal, para o Sanatório do Caramulo haveria de ir, gorando-se a já acertada transferência, por 400 contos para o Atlético e 100 para Germano, a caminho de Alvalade. Ultrapassado o infortúnio, com a resposta afirmativa dos revigorados pulmões, ainda chegou a tempo de comemorar, na Tapadinha, o titulo nacional da II Divisão. E de rumar ao Benfica. Coluna, Águas, Costa Pereira, Cavém e tantos outros receberam o novel recruta sem parcimónia. Estávamos em 60/61. Campeão nacional, o Benfica preparava-se para revalidar o titulo e flores tentar fazer na Taça dos Campeões. Béla Guttmann, nesse particular, era o mais optimista.

Sabia-se que, um ano antes, pedira para que fosse exarado no novo contrato 200 contos de prémio em caso de triunfo na prova máxima dos clubes europeus. “Oh homem, ponha até mais 100!”, terá dito um incrédulo dirigente. Guttmann não se fez rogado. E pôs.

Provavelmente, terá sido essa, a de 60/61, a melhor temporada do centenário Benfica. A primeira das sete de Germano. Ao Campeonato juntou-se o maior dos desideratos, o titulo europeu. Só que a Taça falhou, porque naquele jogo com o Vitória de Setúbal, apesar de haver já Eusébio, não havia mais titulares, de partida estavam para Berna, onde o Barcelona os esperava, tudo devido a um ridículo regulamento. E ainda hoje se fala da protecção das instâncias do futebol ao Benfica. Balelas, isso sim!

Com um Costa Pereira seguro, um Germano imperial, um Coluna autoritário, um José Augusto estonteante, um Águas concretizador, mais os outros, todos os outros companheiros de jornadas épicas, lá foi o Benfica, para conforto nacional, ultrapassando, sucessivamente, opositores como o Hearts, o Ujpest, o Aarhus, o Rapid e o Barcelona. No Estádio Warkdorf, na Suiça, no último dia de Março de 1961, pela primeira vez uma equipa lusa arrebatava o titulo europeu. Na manhã seguinte, o Mundo acordava muito mais… português.



Foi uma final comovente e sortuda para o Benfica. Kubala, Kocsis e Czibor eram do melhor que até então a Europa havia visto. Germano e seus pares da defensiva, não poucas vezes, viram-se em bolandas para os travarem. Valeu a solidariedade, valeu a mística. E Germano foi dos primeiros a fazer profissão de fé.

No ano imediato, igual cometimento. Frente ao Real Madrid, o Benfica bisava, transformando-se na mais famosa equipa do Velho Continente. Com o inevitável concurso de Germano, com Eusébio e Simões ainda na flor da juventude. Tudo eram rosas para o central encarnado, cujo futebol, de tão perfumado, aromava todas as veredas que atravessavam a aldeia da bola.

Germano manteve-se imperturbável. A fama e os louvores não buliram com aquela postura característica. Continuava a cultivar a diferença. Até nos estágios, por essa altura saturantes, porque muito prolongados. Conta Eusébio que “o Germano andava quase sempre com um livro debaixo do braço, enquanto nós, nas concentrações, só líamos jornais e revista”. De tal sorte, que a língua viperina, mas carregada de humor, de Mário João, não tardou a alcunhá-lo de “Mister Book”, para insatisfação do visado. “Ainda por cima eram sempre livros com mais de 500 páginas”, completa Ângelo, sem muito puxar pela memória. Do álbum de recordações, lugar destacado para Germano. Tão igual no apego à bola, tão diferente nas (outras) opções de vida. Mas sempre simpático, que introvertido não é sinonimo de arrogante.

Perdida a terceira final consecutiva, frente ao AC Milan, sem Germano, sempre a padecer de lesões, afastado por Riera, a 27 de Maio de 1965 abria-se ao Benfica a hipótese de garantir o tricampeonato da Europa. Um temporal diluviano abatera-se sobre Milão, chegando a temer-se a realização do embate. O árbitro foi o suíço Gottfrield Dieusf que, um ano depois, estaria envolvido naquela controvérsia que até hoje dura, a da validação do terceiro golo da Inglaterra à Alemanha, no Mundial de 66.

O Inter abriu o activo, por intermédio do brasileiro Jair. Costa Pereira aprendeu talvez a dizer frango em italiano, tão mal batido foi. Abalado, macambúzio, lesionou-se e o frágil alicerce anímico insusceptibilizou também a recuperação. Foi assim que, aos 12 minutos da metade complementar, na impossibilidade de proceder a substituições, Germano calçou a luvas, ocupou lugar entre os postes e… defendeu tudo. Porém, não chegou, que a linha avançada, essa, demasiado abúlica, não conseguiu desfeitear o guardião transalpino.



Perdia-se assim aquela que o Benfica apelidou de taça da vergonha, disputada no terreno do adversário, coisa engendrada no silêncio dos bastidores, de nada valendo a justa contestação encarnada.

Durante um ano mais, Germano continuou a exibir-se ao melhor nível. Para trás ficava o calvário das lesões, que lhe havia tolhido a alma. Estávamos na antecâmara do Mundial de Inglaterra. Convocado foi e, mais importante ainda, era o capitão da equipa, sinal de incontestável liderança. Contudo, na mais brilhante operação do futebol português a nível de selecções, apenas se mostrou num jogo, o da vitória, por 3-0, com a turma nacional búlgara.

Quando regressou de Inglaterra, soube que estava na lista de dispensas de Fernando Riera. Apopléctico ficou, confrontada com a (má) nova. Poderia ter retaliado. Nessa altura ou mesmo pela vida fora. Mas não. Muitos anos depois, foi possível recolher-lhe uma das raras declarações, justamente sobre o homem que da Luz lhe deu guia de marcha: “Fernando Riera foi um grande treinador, uma pessoa amável, profundo conhecedor do futebol, incapaz de cometer injustiças no relacionamento com os jogadores”. Também por aqui se explica esse traço incomum do seu temperamento.

Ao Benfica regressaria, a meio da época 67/68, quando Otto Glória reassumiu a liderança do futebol, substituindo Riera. Integrou como adjunto a equipa técnica da final europeia, de Wembley, ante o Manchester United. Mergulhou, depois, Germano, num silêncio quase permanente. E numa ausência dolorosa até à sua morte, ocorrida, por sardonismo, no ano do Centenário. Dele ficou rico legado.



Épocas no Benfica: 7 (60/67)

Jogos: 131
Golos: 6

Títulos: 4CN, 2 TP, 2 TCE

Texto: Memorial Benfica, 100 Glórias
Copiado de Ednilson



 

Estatísticas

Primeiro jogo

Último jogo

SL Benfica 8 x 0 Lusit. Évora

Quarta, Janeiro 18, 1967 - 00:00

Estádio da Luz ,

SL Benfica: Costa Pereira, Paula, Germano, Cruz, Cavém, Jaime Graça, Coluna, Simões, José Torres, José Augusto, Eusébio
Coach: Fernando Riera
Golos: José Torres (13), José Torres (66), José Torres (40), Eusébio (29), Eusébio (47), Eusébio (52), Eusébio (64), Eusébio (83)

30542 - Tópico: Germano  (Lida 18308 vezes)

Red skin

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  • 23 de Agosto de 2008, 22:44

 

Nome Completo: GERMANO de Figueiredo
Posição: Defesa Central
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 23-12-1932
Data de Falecimento: 14-07-2004

Número da Camisola: 6
Pé Preferido: Direito


Épocas ao serviço do Benfica: 7
Total de Jogos pelo Benfica: 131
Total de Golos pelo Benfica: 6
Títulos pelo Benfica:

2 Taças dos Campeões Europeus (1960/61, 1961/62)
4 Campeonatos Nacionais (1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65)
2 Taças de Portugal (1961/62, 1963/64)


1960/1961
Jogos: 34

Golos: 3 (2 na Liga)

1961/1962
Jogos: 24

Golos: 3 (2 na Liga)

1962/1963
Jogos: 4

Golos: 0

1963/1964
Jogos: 13

Golos: 0


1964/1965
Jogos: 32
Golos: 0

1965/1966
Jogos: 23
Golos: 0

1966/1967
Jogos: 1
Golos: 0
« Última modificação: 02 de Novembro de 2013, 15:58 por Shoky »

Andy

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  • 23 de Agosto de 2008, 22:52
« Última modificação: 02 de Novembro de 2013, 23:03 por Shoky »

dias_vld

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  • 23 de Agosto de 2008, 22:54
Germano de Figueiredo. Lisboa. 23 de Dezembro de 1932-2004. Defesa.
Épocas no Benfica: 7 (60/67). Jogos: 131. Golos: 6. Títulos: 4 (Campeonato Nacional), 2 (Taça de Portugal) e 2 (Taça dos Campeões).
Outros clubes: Atlético e Salgueiros. Internacionalizações: 24.



Quando Vinicius de Moraes escreveu “tristeza não tem fim, felicidade sim”, não consta que se inspirasse em Germano. Talvez até jamais o tivesse conhecido. Mas aquele olhar melancólico, cheio de humanidade; aquele rosto austero, anunciando à vida inclemência; aquele porte rígido, transporte de aflições ou até raivas, era Germano, personalidade singular.

Nos seus tempos, infanto-juvenis, logo recebeu golpes pungentes. Perdeu o pai, três anos depois a mãe, entregue aos carinhos de uma irmã mais velha ficou. Talvez por essa altura só o futebol, embrionária paixão, lhe resgatasse a alma.

Nasceu no pitoresco bairro de Alcântara, de raízes populares, em 1932, por coincidência ano em que Salazar iniciou funções como Presidente do Conselho. O Atlético Clube de Portugal, por quem veio a suspirar, ainda não existia, era Carcavelinhos e União de Lisboa, mais tarde sim, deu-se a fusão, nascendo uma das mais emblemáticas agremiações desportivas. Era também Carlos Baptista, o seu ídolo, de Alcântara, é claro, nele encontrou o apelo pela bola, pelo jogo, pelo futebol.

Em 1947, Germano começou a militar nos infantis do Atlético. Optou pela baliza, guarda-redes seduzia-o, mas o treinador, esse mesmo, Carlos Baptista, referência maior do ainda miúdo, nele achou redutor a defesa das redes e metamorfoseou-o avançado-centro. O ciclo estava, porém, incompleto. A defesa-central se quedaria. Conclusivamente.

Quis o destino que se estreasse na equipa de honra do Atlético e logo frente ao Benfica. Ocupou o lugar de Armindo, defesa duro e experimentado, cuja lesão obrigou Janos Biri a chamar o jovem Germano. Venceu o Benfica, por 4-3. No rescaldo, nada em desabono do debutante. Mesmo assim, foi relegado para as reservas, que a idade não ajudava. Só que na segunda volta, ainda no Campo Grande, em grande jogou, titular se afirmou, logo Salvador do Carmo o fez internacional, frente à Áustria, quando substituiu o magoado Cabrita, marcou a estrela Orkwie e, naquele empate, se afirmou em definitivo.



A desdita não lhe dava tréguas. Em novo suplicio mergulhou. O pré-aviso foi uma constipação. Coisa pouca parecia. Em Braga, jogou debaixo dos rigores do Inverno minhoto e sentiu-se mal no fim da contenda. Como arribou um pouco, não se demitiu de fazer a digressão pela Turquia e pela Egipto, ao serviço da equipa nacional. Seguiu-se Madrid, com a farda da Selecção de Lisboa, em jogo organizado por um tal Carmen Franco, mulher do ditador espanhol. A virose que há muito transportava revelar-se-ia, sobretudo nas horas infindas, no aeroporto da capital espanhola, com a comitiva a desesperar por um avião de regresso.

Já em Lisboa, enfermo, deu entrada no Santa Maria. Acusou pleurisia líquida, que curou mal, para o Sanatório do Caramulo haveria de ir, gorando-se a já acertada transferência, por 400 contos para o Atlético e 100 para Germano, a caminho de Alvalade. Ultrapassado o infortúnio, com a resposta afirmativa dos revigorados pulmões, ainda chegou a tempo de comemorar, na Tapadinha, o titulo nacional da II Divisão. E de rumar ao Benfica. Coluna, Águas, Costa Pereira, Cavém e tantos outros receberam o novel recruta sem parcimónia. Estávamos em 60/61. Campeão nacional, o Benfica preparava-se para revalidar o titulo e flores tentar fazer na Taça dos Campeões. Béla Guttmann, nesse particular, era o mais optimista.

Sabia-se que, um ano antes, pedira para que fosse exarado no novo contrato 200 contos de prémio em caso de triunfo na prova máxima dos clubes europeus. “Oh homem, ponha até mais 100!”, terá dito um incrédulo dirigente. Guttmann não se fez rogado. E pôs.

Provavelmente, terá sido essa, a de 60/61, a melhor temporada do centenário Benfica. A primeira das sete de Germano. Ao Campeonato juntou-se o maior dos desideratos, o titulo europeu. Só que a Taça falhou, porque naquele jogo com o Vitória de Setúbal, apesar de haver já Eusébio, não havia mais titulares, de partida estavam para Berna, onde o Barcelona os esperava, tudo devido a um ridículo regulamento. E ainda hoje se fala da protecção das instâncias do futebol ao Benfica. Balelas, isso sim!

Com um Costa Pereira seguro, um Germano imperial, um Coluna autoritário, um José Augusto estonteante, um Águas concretizador, mais os outros, todos os outros companheiros de jornadas épicas, lá foi o Benfica, para conforto nacional, ultrapassando, sucessivamente, opositores como o Hearts, o Ujpest, o Aarhus, o Rapid e o Barcelona. No Estádio Warkdorf, na Suiça, no último dia de Março de 1961, pela primeira vez uma equipa lusa arrebatava o titulo europeu. Na manhã seguinte, o Mundo acordava muito mais… português.



Foi uma final comovente e sortuda para o Benfica. Kubala, Kocsis e Czibor eram do melhor que até então a Europa havia visto. Germano e seus pares da defensiva, não poucas vezes, viram-se em bolandas para os travarem. Valeu a solidariedade, valeu a mística. E Germano foi dos primeiros a fazer profissão de fé.

No ano imediato, igual cometimento. Frente ao Real Madrid, o Benfica bisava, transformando-se na mais famosa equipa do Velho Continente. Com o inevitável concurso de Germano, com Eusébio e Simões ainda na flor da juventude. Tudo eram rosas para o central encarnado, cujo futebol, de tão perfumado, aromava todas as veredas que atravessavam a aldeia da bola.

Germano manteve-se imperturbável. A fama e os louvores não buliram com aquela postura característica. Continuava a cultivar a diferença. Até nos estágios, por essa altura saturantes, porque muito prolongados. Conta Eusébio que “o Germano andava quase sempre com um livro debaixo do braço, enquanto nós, nas concentrações, só líamos jornais e revista”. De tal sorte, que a língua viperina, mas carregada de humor, de Mário João, não tardou a alcunhá-lo de “Mister Book”, para insatisfação do visado. “Ainda por cima eram sempre livros com mais de 500 páginas”, completa Ângelo, sem muito puxar pela memória. Do álbum de recordações, lugar destacado para Germano. Tão igual no apego à bola, tão diferente nas (outras) opções de vida. Mas sempre simpático, que introvertido não é sinonimo de arrogante.

Perdida a terceira final consecutiva, frente ao AC Milan, sem Germano, sempre a padecer de lesões, afastado por Riera, a 27 de Maio de 1965 abria-se ao Benfica a hipótese de garantir o tricampeonato da Europa. Um temporal diluviano abatera-se sobre Milão, chegando a temer-se a realização do embate. O árbitro foi o suíço Gottfrield Dieusf que, um ano depois, estaria envolvido naquela controvérsia que até hoje dura, a da validação do terceiro golo da Inglaterra à Alemanha, no Mundial de 66.

O Inter abriu o activo, por intermédio do brasileiro Jair. Costa Pereira aprendeu talvez a dizer frango em italiano, tão mal batido foi. Abalado, macambúzio, lesionou-se e o frágil alicerce anímico insusceptibilizou também a recuperação. Foi assim que, aos 12 minutos da metade complementar, na impossibilidade de proceder a substituições, Germano calçou a luvas, ocupou lugar entre os postes e… defendeu tudo. Porém, não chegou, que a linha avançada, essa, demasiado abúlica, não conseguiu desfeitear o guardião transalpino.



Perdia-se assim aquela que o Benfica apelidou de taça da vergonha, disputada no terreno do adversário, coisa engendrada no silêncio dos bastidores, de nada valendo a justa contestação encarnada.

Durante um ano mais, Germano continuou a exibir-se ao melhor nível. Para trás ficava o calvário das lesões, que lhe havia tolhido a alma. Estávamos na antecâmara do Mundial de Inglaterra. Convocado foi e, mais importante ainda, era o capitão da equipa, sinal de incontestável liderança. Contudo, na mais brilhante operação do futebol português a nível de selecções, apenas se mostrou num jogo, o da vitória, por 3-0, com a turma nacional búlgara.

Quando regressou de Inglaterra, soube que estava na lista de dispensas de Fernando Riera. Apopléctico ficou, confrontada com a (má) nova. Poderia ter retaliado. Nessa altura ou mesmo pela vida fora. Mas não. Muitos anos depois, foi possível recolher-lhe uma das raras declarações, justamente sobre o homem que da Luz lhe deu guia de marcha: “Fernando Riera foi um grande treinador, uma pessoa amável, profundo conhecedor do futebol, incapaz de cometer injustiças no relacionamento com os jogadores”. Também por aqui se explica esse traço incomum do seu temperamento.

Ao Benfica regressaria, a meio da época 67/68, quando Otto Glória reassumiu a liderança do futebol, substituindo Riera. Integrou como adjunto a equipa técnica da final europeia, de Wembley, ante o Manchester United. Mergulhou, depois, Germano, num silêncio quase permanente. E numa ausência dolorosa até à sua morte, ocorrida, por sardonismo, no ano do Centenário. Dele ficou rico legado.


Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.75;start=%1$d
« Última modificação: 20 de Abril de 2013, 18:08 por Shoky »

Bola7

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  • 18 de Setembro de 2008, 15:04
o unico que fez somra ao Humberto Coelho...

ednilson

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  • 18 de Setembro de 2008, 15:08
o unico que fez somra ao Humberto Coelho...

Este Bola7......então e o Félix.....

Ainda hoje, alguns especialista e praticantes mais antigos do culto da águia convergem no julgamento, segundo o qual Félix terá sido o melhor defesa-central de sempre do Benfica. Mesmo que à colação venham os nomes de Germano ou Humberto Coelho, de Mozer ou Ricardo Gomes.

Não é do teu tempo..... ;D

Bola7

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  • 18 de Setembro de 2008, 16:07
o unico que fez somra ao Humberto Coelho...

Este Bola7......então e o Félix.....

Ainda hoje, alguns especialista e praticantes mais antigos do culto da águia convergem no julgamento, segundo o qual Félix terá sido o melhor defesa-central de sempre do Benfica. Mesmo que à colação venham os nomes de Germano ou Humberto Coelho, de Mozer ou Ricardo Gomes.

Não é do teu tempo..... ;D
pois... :coolsmiley:

Corrosivo

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  • 21 de Setembro de 2008, 09:31
Para o meu pai o Germano era mesmo ligeiramente superior ao Humberto

nunogoni

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  • 21 de Setembro de 2008, 09:32
Um dos maiores de sempre e para sempre! GERMANO!! :bandeiraslb:

Dixi

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  • 21 de Setembro de 2008, 09:49
Parece que perguntaram ao Pinto da Costa qual era o melhor onze de sempre do futebol Português e ele incluiu Germano, Coluna e Eusébio do Benfica.

Bola7

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  • Perdido no limbo do serbenf
  • 23 de Setembro de 2008, 09:49
Para o meu pai o Germano era mesmo ligeiramente superior ao Humberto
defendia melhor..mas o Humberto era mais completo...

lcferreira

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  • 12 de Agosto de 2009, 00:20
O futebol do Germano transpirava magia, além de estar sempre no sítio certo para um desarme ou um corte de bola, com os pés fazia passes a 60 metros que chegavam redondinhos aos pés dos avançados.

Não o vi jogar, mas viu o meu Pai que passava os dias na luz com um casqueiro que dava para o dia todo a ver Juniores, Aspirantes, Reservas e Seniores.
vi-o muitas vezes e falei muitas vezes com ele na Tapadinha.

Um verdadeiro SENHOR com a bola e com as palavras.

Obrigado pelas belas tardes na Tapada e por tudo o que ofereceu ao Benfica.

pcssousa

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  • 01 de Setembro de 2009, 18:34
o unico que fez somra ao Humberto Coelho...

Este Bola7......então e o Félix.....

Ainda hoje, alguns especialista e praticantes mais antigos do culto da águia convergem no julgamento, segundo o qual Félix terá sido o melhor defesa-central de sempre do Benfica. Mesmo que à colação venham os nomes de Germano ou Humberto Coelho, de Mozer ou Ricardo Gomes.

Não é do teu tempo..... ;D
O próprio clube irradiou-o como praticante, após este ter pisado a gloriosa camisola do Benfica... na altura o clube era o dono e senhor do passe do jogador e este só saia mediante autorização do clube! resumindo o Benfica nunca mais deixou o Félix jogar, apesar deste ser talvez o melhor jogador português da altura e talvez ainda hoje um dos melhores centrais de sempre e ele acabou por ir treinar o Lusitano de Vila Real de santo antónio, acabando por deixar marcas no clube e na Vila ( na altura, agora cidade). De referir que o Lusitano teve muitos anos na 1ª divisão embora agora ande no sobe e desce entre a 3ª nacional e os regionais e que o clube é a delegação nº1 do sport Lisboa e Benfica!


Félix Antunes


Lusitano Futebol Clube

Shoky

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  • 22 de Janeiro de 2010, 18:35

 
Nome Completo: GERMANO de Figueiredo
Posição: Defesa Central
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 23-12-1932

Número da Camisola: ?
Pé Preferido: Direito


Épocas completas no Benfica: 14
Total de Jogos pelo Benfica: 131
Total de Golos pelo Benfica: 6
Títulos pelo Benfica:

2 Taças dos Campeões Europeus (1960/1961; 1961/1962)
4 Campeonatos Nacionais (1960/1961; 1962/1963; 1963/1964; 1964/1965)
2 Taças de Portugal (1961/1962; 1963/1964)


1960/1961
Jogos: 34

Golos: 3 (2 na Liga)

1961/1962
Jogos: 24

Golos: 3 (2 na Liga)

1962/1963
Jogos: 4

Golos: 0

1963/1964
Jogos: 13

Golos: 0


1964/1965
Jogos: 32
Golos: 0

1965/1966
Jogos: 23
Golos: 0

1966/1967
Jogos: 1
Golos: 0

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Dados actualizados!

t_rex

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  • 02 de Novembro de 2010, 18:24


Félix, Germano, Humberto Coelho (e tantos outros) farão para sempre parte da Mística Benfiquista.

Discutir qual foi o melhor será sempre complicado. Existem argumentos válidos para cada um deles.

Fake Blood

  • Eusébio
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  • 02 de Novembro de 2010, 18:39
Mitico...aquela farripa de cabelo na careca dava-lhe um estilo inconfundivel.
Vi uma vez o Eusebio e o José Augusto a contarem na tv, que durante um jogo no estrangeiro a noite foram ao quarto dele mais o Torres e lhe cortaram a farripa, que era o seu orgulho.
No outro dia de manha apareceu a chorar a dizer q lhe tinha caido o resto do cabelo..
Mas os outros nunca se descoseram.

Enorme central.
Esse Jose Augusto era um malandro. Na altura em que o Torres faleceu ele veio contar historias dos dois, e era com cada coisa que eles faziam ;D