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15598 - Tópico: Manuel Bento  (Lida 34862 vezes)

Starblade

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  • 01 de Março de 2007, 17:32

 
   
Nome Completo: MANUEL Galrinho BENTO
Posição: Guarda-Redes
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 25-06-1948
Data de Falecimento: 01-03-2007
Número da Camisola: 1
Pé Preferido: Direito


Épocas ao serviço do Benfica: 18
Total de Jogos pelo Benfica: 465
Total de Golos Sofridos pelo Benfica: 305
Títulos pelo Benfica:
8 Campeonatos Nacionais (1972/73, 1974/75, 1975/76, 1976/77, 1980/81, 1982/83, 1983/84, 1986/87)
5 Taças de Portugal (1979/80, 1980/81, 1982/83, 1984/85, 1985/86)
2 Supertaças (1980/81, 1985/86)


1972/1973
Jogos: 1
Golos Sofridos: 0

1973/1974
Jogos: 15
Golos Sofridos: 8 (6 na Liga)

1974/1975
Jogos: 21
Golos Sofridos: 11 (7 na Liga)

1975/1976
Jogos: 18
Golos Sofridos: 16 (13 na Liga)


1976/1977
Jogos: 33
Golos Sofridos: 26 (20 na Liga)


1977/1978
Jogos:
37
Golos Sofridos: 20 (9 na Liga)

1978/1979
Jogos:
36
Golos Sofridos: 24 (20
na Liga)

1979/1980
Jogos:
39
Golos Sofridos: 27 (21 na Liga)

1980/1981
Jogos: 46

Golos Sofridos: 23 (15 na Liga)

1981/1982
Jogos: 40
Golos Sofridos: 29 (18 na Liga)

1982/1983
Jogos:
46
Golos Sofridos: 23 (12 na Liga)

1983/1984
Jogos: 41
Golos Sofridos: 34 (22 na Liga)

1984/1985
Jogos: 44
Golos Sofridos: 41 (28 na Liga)

1985/1986
Jogos: 43
Golos Sofridos: 18 (13 na Liga)

1986/1987
Jogos: 1
Golos Sofridos: 1 (1 na Liga)

1987/1988
Jogos: 2
Golos Sofridos: 3 (0 na Liga)

1988/1989
Jogos: 1
Golos Sofridos: 1 (0 na Liga)

1989/1990
Jogos: 1
Golos Sofridos: 0
« Última modificação: 30 de Outubro de 2013, 04:48 por Shoky »

SevenStars

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  • 24 de Agosto de 2008, 14:49
Manuel Galrinho Bento. Golegã. 25 de Junho de 1948. Guarda-redes.
Épocas no Benfica: 18 (72/90). Jogos: 466. Títulos: 8 (Campeonato Nacional) 6 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros Clubes: Riachense e Barreirense. Internacionalizações: 63.




Equipa 1980/1981

De pedreiro a rei. Assim foi a vida do popular Manuel Galrinho Bento. Começou por aprendiz de uma arte que o poderia remir à pobreza. Desenvolveu outra arte que boleia lhe deu para o galarim dos famosos. Da primeira não consta que sublinhasse a diferença. Da segunda, a de guarda-redes, nela imperou, com o estatuto de intocável, durante mais de uma década.

Os espírito de sacrifício estava-lhe na massa do sangue. Quando aos 15 anos começou nas lides, ao serviço do Riachense, após longas e violentas jornas, mais de cinco quilómetros por dia de bicicleta faria, até Riachos, onde participava nos treinos, que de breu pareciam, tão tímida era a luz artificial. Passou para o Goleganense, um ano depois, formada que estava a equipa júnior da terra onde nascera.

As acrobacias na defesa das redes não causaram indiferença. O Torres Novas e o União de Tomar candidataram-se aos seus préstimos. Só que o nome Bento havia já ultrapassado as fronteiras regionais. De Lisboa, do Sporting, lançaram-lhe o repto. Durante três meses, treinou-se intensamente. Um responsável leonino mandou-o ir à Golegã, proceder à desvinculação. Possesso ficou. Essa não era maneira de tratar o clubezinho lá da terra. Mala feita, viagem de camioneta, voltava o Manel para casa, com a firme convicção de que no Sporting jamais jogaria, nem por salário superior ao do britânico Gordon Banks.

Sem que se saiba muito bem como, a noticia chegou à margem sul do Tejo. Por 15 contos apenas, corria o ano de 66, compromisso assinou pelo Barreirense, baluarte de um inesgotável viveiro de grandes promessas futebolísticas.

Em terra de guarda-redes, guarda-redes é rei. Na esteira de Azevedo e de Carlos Gomes, logo Bento se destacou. E seria memorável, para vingança consumar, a exibição que fez em Alvalade. Estávamos em 68, quando o Barreirense derrotou um Sporting, cheio de ganância do titulo conquistar. Estrondearam palmas na Luz, ganhava o Benfica esse Campeonato. Um ano volvido, mercê do quarto posto, o Barreirense habilitou-se à Taça UEFA, proclamando inegociável aquele guarda-redes de físico atípico para a função, já muito exposto às investidas benfiquistas. Na festa de homenagem a Mário Coluna, Bento teve o privilégio de substituir a Aranha Negra, o eterno Lev Yashin, num misto mundial. Desvaneceu a Luz e as juras de amor foram um ror delas. Em Agosto de 71, finalmente, preparava-se para discutir a defesa das balizas com José Henrique. No Benfica, pois então.

Ao longo de 18 temporadas, Manuel Galrinho Bento carimbou de qualidade a sua passagem. Com agilidade felina, contumácia, praguejou adversários e sossegou companheiros. Chegou aos 16 títulos, distribuídos por oito Campeonatos, seis Taças e duas Supertaças. Num determinado período, manteve as redes invioladas durante 1290 minutos consecutivos. E marcou golos de penálti. Como aquele que garantiu a eliminação do Torpedo de Moscovo, na gélida capital russa. Um outro falhou, certo dia, ante o Sporting, na Luz, mas logo a seguir redimiu-se, retendo o remate de Jordão, disparado da marca dos 11 metros.

Na Selecção Nacional, também Bento não deixou de emprestar toda a sua galhardia. Ainda hoje está no top dos mais utilizados de sempre. “Homem de borracha”, chamaram-lhe os jornalistas britânicos, após um empate a zero, com a Escócia, em Glasgow. E no Europeu de 84, se Chalana justifica todas as mordomias, não dá para esquecer a competência de Bento, negando, amiudadas vezes, o iminente golo da turma gaulesa.

Já com idade para ser avô, Manuel Bento despediu-se. Mas para sempre ficará património do Sport Lisboa e Benfica.



Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.30
« Última modificação: 21 de Novembro de 2012, 18:08 por Shoky »

raztilho

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  • There's no school like old school.
  • 17 de Setembro de 2008, 16:00
Opinião: Bento, simplesmente o maior de todos
[ 2008/09/17 | 15:50 ] Luis Mateus

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«Era capaz de viver na Bombonera»   «Era capaz de viver na Bombonera»

Punhos e dentes cerrados. Levanta-se decidido, depois de ter dedicado aos deuses a batalha que se aproxima. Grita para si em surdina: aguentar ou morte! Cabelos desgrenhados, bigode farto, torna-se feroz para crescer em centímetros e defender o último pedaço de território. A baliza fica mais pequena, em investidas tão perto de território inimigo, de braços esticados e pensamento suicida. Com cada defesa chegava a sensação de algo impossível que se tinha passado, contranatura, que o elevava ao pedestal dos heróis. Bento não tinha semelhante, era maior do que ele mesmo, quase sempre maior do que todos.

O 0-0 milagroso em Glasgow frente à Escócia numa das maiores exibições de um guarda-redes português, as espantosas defesas perante a França, apesar dos três golos sofridos, e tantos outros jogos ficaram seguros naquele jeito louco de sair dos postes entre o galope das pernas adversárias e no voar como se não houvesse chão lá em baixo. Esse orgulho contido, apertado num colete-de-forças de apenas 1,73 metros, e o desdenhar da gravidade de um gato de rua, com bem mais do que sete vidas, tornou-o um dos melhores da sua geração. A Bento faltava-lhe muita coisa, sobretudo o tamanho e a elegância felina dos rivais de raça apurada, mas tinha em excesso o rigor no trabalho, a vontade e o acreditar em si próprio.

Hoje que se discute Quim ou Ricardo, olha-se para trás e vemos Bento, imperturbável perante um Vítor Damas nado e criado na baliza. Sempre ao mesmo ritmo, sempre com a mesma qualidade, que lhe garantiram o número 1 na Selecção durante dez anos, até o perónio o trair em Saltillo, nesse Mundial do nosso descontentamento. Há quem coloque o recordista Vítor Baía uns degraus acima de todos, pelo currículo, elegância e talento. Por 12 anos de quinas ao peito, por grandes momentos no F.C. Porto. Mas poucas vezes lhe vimos o impossível, essa capacidade de ir sempre mais além. A Bento não.

Bento parecia um gladiador a sair da pequena área, feroz e pronto para tudo. Combatia por cada bola com um mártir e conseguia a bênção dos deuses. Fosse Six, Platini ou Giresse a aparecer-lhe à frente o mais certo era a bola sair pela linha de fundo, sem destino e perdida, ou acabar junto ao seu corpo perto de uma cicatriz ainda fresca.

Os guarda-redes mudaram. Refinaram-se, deixaram de ter tão mau feitio, perderam grande parte da dose de loucura. Deixaram de berrar tantas atrocidades, culpar o mundo inteiro por um «frango», uma saída em falso. Tirando um ou outro exemplo, falta-lhes personalidade. Com personalidade tem-se confiança. É-se melhor.

Quim e Ricardo não são Baía nem Bento. Falta-lhes a naturalidade de um e capacidade de martírio do outro. Serão nomes que entram para a história por fazerem parte de um capítulo. Vão ser discutidos vezes sem conta no futuro, parece que um não vive nem irá viver sem o outro. Manuel Gualrinho Bento tinha essa capacidade. Cada vez que se lembravam de um fantástico Damas em grande forma, o homem da Golegã respondia em campo. E acabava com a questão.

BEKAMBOL

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  • 17 de Setembro de 2008, 16:09
A SAÚDADE, DE UM GRANDE GUARDA-REDES.UM GRANDE SÍMBOLO DO GRANDE BENFICA...

Bola7

  • Eusébio
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  • San Sebastian
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  • Perdido no limbo do serbenf
  • 17 de Setembro de 2008, 17:51
 :metal:

Manel dos Anzois

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  • 17 de Setembro de 2008, 22:06
Bento em pleno Estádio do Jamor erguendo perante o seu Povo Benfiquista mais um troféu conquistado.

« Última modificação: 17 de Setembro de 2008, 23:45 por Manel dos Anzois »

pedriouf

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  • Chega de incompetencia ..
  • Mensagens: 25113
  • 26 de Setembro de 2008, 18:13
Festa do Bento na Golegã no Domingo ... dito pelo Carlos Manuel ! Pois espero q alguém do Benfica esteja por lá presente ...

Corrosivo

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  • 26 de Setembro de 2008, 18:16
GRANDE BENTO!!!

Elvis the Pelvis

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  • This thorn in my side is also from a tree i've planted, it tears me and i bleed...
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  • 30 de Setembro de 2008, 17:07
Grande Guarda Redes, enorme Benfiquista.

Eterna Saudade do grande Bento!

quinas1139

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  • 26 de Janeiro de 2009, 17:52
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Source - FPF.pt
Pequeno de estatura, Bento era um guarda-redes de agilidade rara e coragem a toda a prova. Em Portugal sempre se apreciou a distinção entre os postes e a elegância nas defesas, por vezes, até, em detrimento da eficácia. Bento não foi um guarda-redes bonito, plástico. O seu estilo era, sobretudo, voluntarioso.

Da sua infância na Golegã, do seu primeiro emprego como ajudante de pedreiro, da sua passagem pelo Barreirense – ao serviço do qual disputou três épocas na I Divisão e conseguiu jogar na Taça UEFA -, à sua entrada no Benfica, em 1972, o tempo pareceu passar num ápice. Na primeira época de encarnado, ainda com José Henrique como dono da baliza, foi campeão nacional mas só com um jogo jogado. Ficaria mais dezassete anos no Benfica, catorze dos quais como titular absoluto, lugar que só deixava escapar por entre as mãos devido às lesões que foi acumulando por causa das suas defesas temerárias.

Como sucedeu no Benfica, Bento conquistou a pulso o seu lugar na Selecção Nacional. Antes dele, Damas fora o personagem principal de um ciclo. A partir de Outubro de 1976, Manuel Galrinho Bento tomou posição entre os postes para só sair quase dez anos depois, empurrado por uma gravíssima lesão que precipitou o final da sua carreira. Tinha 38 anos, mas não perdera nenhuma das suas enormes qualidades. Ainda ficaria mais três épocas no Benfica, embora sem recuperar a titularidade.

Há exibições de Bento que ficaram, definitivamente, para a história da Selecção Nacional. Uma em Glasgow, por exemplo, em Outubro de 1980, contra uma Escócia terrível, que tinha uma linha avançada comandada por Kenny Dalglish. O empate (0-0) ficou a dever-se-lhe em percentagens altíssimas e a imprensa britânica, sempre pronta a louvar os grande heróis, dedicou-lhe prosas laudatórias e chamou-lhe «Rubber Man», o «Homem de Borracha». Mas aquela célebre vitória sobre a RFA (1-0), em Estugarda, que apurou Portugal para o Mundial 86, ou a frenética meia-final contra a França (2-3), em Marselha, são de tal forma marcantes no imaginário dos adeptos de futebol portugueses que, só por elas, Bento se tornaria um nome mágico da «equipa de todos nós».

As presenças nas fases finais de um Campeonato da Europa e de um Campeonato do Mundo puseram Bento no mapa do futebol internacional, bem como a participação na final da Taça UEFA, com o Benfica, em 1983. Mas seria também o Mundial 86, no México, a testemunhar o final dramático da sua carreira. Depois da vitória sobre a Inglaterra (1-0), no primeiro jogo da fase de grupos, Bento sofre uma fractura na perna esquerda num treino. As épocas seguintes são de sofrimento: por mais que lute pela recuperação, as recaídas são constantes. O tempo passa e, aos 40 anos, Bento já não consegue vencer a juventude dos que vêm aí para tomar o seu lugar.

quinas1139

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  • 26 de Janeiro de 2009, 18:03
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Source - SLBENFICA.pt
 
Bento (25/06/1948 - 01/03/2007) - Arrojado, rápido e eficiente

Jogou 20 épocas no Benfica, entre 72/73 e 91/92. Fez 611 jogos, sofrendo 447 golos. Estreou-se pela mão de Jimmy Hagan, a 01/09/72, em Jacarta, num jogo de carácter particular, frente à selecção da Indonésia.

Titular indiscutível da baliza encarnada durante 11 épocas, entre 75/76 e 85/86, Bento é, de todos os guarda-redes que já passaram pelo Benfica, o que detém as melhores performances, com destaque para a série de 11 jogos consecutivos que esteve sem sofrer golos, de 10/11/85 a 05/01/86.

Arrojado, dotado de excelentes reflexos e possuidor de um sentido posicional invulgar, Bento primava pela sua acção entre os postes e fora destes. Era rápido a pensar e a agir, em voo, em mergulho ou a sair a pontapé.

Ficou famoso pelo arremesso da bola à mão para o meio campo, proporcionando rápidos contra-ataques à equipa.
Era, também, para além de bom defensor de grandes penalidades, um bom executante deste castigo, característica que lhe permitiu evidenciar-se no desempate de alguns jogos ou eliminatórias. Mas não só. Marcou mesmo um golo ao Sporting, a 23/06/76. Durante a sua carreira, somou 63 internacionalizações pela Selecção Nacional, que capitaneou em 26 ocasiões. Pelo Benfica, conquistou 8 Campeonatos Nacionais e 5 Taças de Portugal.
 
 
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  • 11 de Agosto de 2009, 16:24
Precisamos de um como tu  :metal:

lcferreira

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  • 11 de Agosto de 2009, 16:43
Precisamos de um como tu  :metal:

O meu 1º herói da Luz, a 1ª vez que fui à bola fora da Luz com 4 anos foi para ver um Sporting-Benfica, na mesma época dos 5-0 da Luz à 1ª parte.
O Benfica ganhou 1-0 mas o Bento defendeu tudo o que havia para defender, foi mesmo o meu 1º herói.

Até sempre campeão.

Sinan

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  • 11 de Agosto de 2009, 17:54
Requiescat in pace.


O_Glorioso

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  • 11 de Agosto de 2009, 23:29
O saudoso Manuel Galrinho Bento.  :bow2: