Eusébio, o Pantera Negra

Avançado, (1942-01-25 - 2014-01-05),
Portugal
Equipa Principal: 15 épocas (1961-1975), 450 jogos (38623 minutos), 480 golos

Títulos: Campeonato Nacional (11), Taça de Portugal (5), Taça dos Campeões Europeus (1), AF Lisboa Taça de Honra 1ª Divisão (5)

Darko



"A Federação de Futebol de Timor-Leste sente-se triste. Perdemos um dos melhores jogadores do mundo", afirmou à agência Lusa Filomento Fernandes, vice-presidente daquela federação.






Dark_nc

Nem consigo fazer mais nada senão pensar nisto. É gratificante ver o reconhecimento que Eusébio tem em todo o mundo, só não gostei de ler alguns comentários de alguns brasileiros.

Schleich

Foda-se, só soube agora, caiu-me tudo. Não esperava de todo isto, sabia que a sua saúde estava algo fragilizada, mas não tanto.

Que descanse em paz, e que seja homenageado, não só por ter sido um símbolo do nosso clube, mas por ter sido um símbolo mundial.

É o reconhecimento que ele merece, por ter sido um dos melhores de sempre.

Até sempre Pantera Negra.

Aloutre


fyure

MENSAGEM DE SOLIDARIEDADE


O Boavista Futebol Clube e a Boavista Futebol Clube Futebol SAD, perante a triste notícia da morte de Eusébio, um dos maiores jogadores de sempre do futebol internacional, não podem deixar de se solidarizar com a sua família, e com o Sport Lisboa e Benfica, seu clube, aos quais endereçamos os nossos sentimentos profundos, tal como à Federação Portuguesa de Futebol, casa da Seleção Nacional que Eusébio tanto honrou com as suas fantásticas exibições.

O Presidente do Boavista Futebol Clube, Dr João Loureiro, enviou a ambos mensagens pessoais partilhando tais sentimentos, de respeito e gratidão, em memória de um enorme desportista e de um homem de grande caráter e simplicidade.

mWo

Vão ao site da Marca. Excelentes homenagens ao Rei.

Toque de calcanhar


Zlatan


Saviolafication

Citação de: Partouze em 05 de Janeiro de 2014, 15:34
o próxmo fim de semana as osgas vao desrespeitar o minuto de silencio e os porcos na luz vão fazer o mesmo... vai ser uma autentica palhçada...
nao se admite que nao haja goleada em cima deles!!!

Duvido muito que os adeptos sporting não respeite o minuto de silêncio, tirando os atrasados mentais das claques. Já foi assim com o Feher.


francisco

Partiu Eusébio.

Partiu o maior entre os maiores, símbolo do Sport Lisboa e Benfica, símbolo de Portugal, Deus negro do mundo. Os mitos e os heróis não deviam partir. Partem fisicamente, sim, mas no coração de quem ama o maravilhoso futebol, perduram para a eternidade. Eusébio deixa-nos 733 golos para sempre e tantos outros sonhos benfiquistas por ele tornados realidade. Uma estátua em vida mostra bem a grandeza do melhor futebolista português de sempre. Não escolhe países nem clubes, Eusébio é de todos nós. Do pé descalço em Moçambique ao topo do mundo. Dos 5-3 à Coreia ao rejeitar marcar um livre directo pelo Beira-Mar num jogo frente ao Benfica porque sabia que seria golo.
De Eusébio guardamos o diabo no corpo, os golos em série, o amor pela baliza e pela bola de cabedal, a pequenez que sentimos ao estar perto ou falar de tal monstro. As palavras trazem-nos a amargura de nunca conseguirem expressar os sentimentos na sua plenitude. Tentamos e experimentamos, mas sentimo-nos sempre esmagados pela imponência de ver os vídeos de um Deus negro na busca apaixonada pelo golo. À equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica, peço apenas que saiba honrar a memória do nosso maior símbolo com a conquista do campeonato. Ao Benfica, obrigado por o ter homenageado em vida. Hoje partiu um pedaço do nosso país, mas morrer é só deixar de ser visto.




Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

Luís Vaz de Camões

OmarLittle

Citação de: Zlatan em 05 de Janeiro de 2014, 15:33
Hoje deixa-nos a maior figura do futebol português e o símbolo máximo do Sport Lisboa e Benfica.

Já éramos enormes antes de Eusébio e continuámos a ser depois dele, mas ele foi o responsável por elevar o nome de Portugal e do Benfica por todo o Mundo. Não deixa de ser curioso, que mesmo vivendo num país pequeno e fechado, é reconhecido, homenageado e valorizado por muitas figuras estrangeiras. Eusébio foi um embaixador de Portugal.

Não conheço Eusébio. Nunca o vi jogar nem nunca estive com ele. Tudo o que sei sobre Eusébio absorvi através de histórias, relatos, vídeos e imagens. Ouvi histórias infindáveis do meu avô sobre Eusébio. Como ele pegava na bola, como levava tudo à frente, como intimidava os adversários com o seu remate, como era um monstro em campo e, por outro lado, uma flor por dentro.

Contou-me como privou com ele várias vezes. Que foi, como tantos, receber os campeões europeus ao aeroporto e que, até hoje, Eusébio lhe deve dinheiro eheh.

Vi centenas de vídeos sobre Eusébio. Milhares de fotografias sobre ele. Por tudo isso, sinto, como todos vocês, que conheço Eusébio há muitos anos. Hoje todos perdemos alguém próximo. Demasiado próximo. Hoje perdemos parte de nós.

Jogadores, treinadores e presidentes passam, mas os adeptos ficam sempre. Eusébio é, como poucos, uma excepção. Ele fez grande parte do Benfica. Ele é o Benfica e leva consigo parte do clube. Resta saber quem deve mais a quem - se Eusébio ao Benfica ou se o Benfica a Eusébio.

Eusébio é demasiado bom para ser verdade. A história de Eusébio é quase como um conto de fadas.

Mereceu as infinitas homenagens que o Benfica lhe prestou e nunca será esquecido. Daqui a 20 anos falaremos dele, mas já de outra maneira. Se actualmente a história do Benfica de Eusébio parece utópica e longínqua, daqui a duas décadas ou mais, será uma fantasia.

Prometer-lhe títulos e tamanhas façanhas parece ridículo e desmedido, para os dias de hoje. Acho que mais importante que isso, será recordar, para sempre, a figura de Eusébio. O que ele significou para o Benfica.

Foi o maior. Tudo o resto me parece repetitivo.


Essa foto, e Benfica!


Aloutre

Eusébio da Silva Ferreira, meu Deus
Publicado em Janeiro 5, 2014 por Manuel S. Fonseca

Se Eusé­bio mor­reu hoje, como dizem as infa­ti­gá­veis notí­cias, mor­reu hoje o que res­tava dos meus anos 60 e o que res­tava de Por­tu­gal ter sido um império.

E embora mor­rendo hoje, como dizem as indes­men­tí­veis notí­cias, as cores do mito – esse belo negro da sua pele, esse ver­me­lho vivo da sua cami­sola – não dei­xa­rão nunca mor­rer Eusé­bio. E nem é pre­ciso dizer aqui a pala­vra Ben­fica, por­que a pala­vra Eusé­bio e a pala­vra Ben­fica beijam-se, fundem-se, são uma com­bi­na­ção amo­rosa de que a gra­má­tica tem ciúmes.

Eusé­bio era feito da mesma terra ver­me­lha dos heróis. A força de per­nas de um Hér­cu­les, veloz como Ulis­ses, o joe­lho onde Aqui­les tinha o cal­ca­nhar. Há romance, mis­té­rio e aven­tura em toda a sua vida. Vejam como, da cidade colo­nial de Lou­renço Mar­ques o tra­zem para Lisboa.

Numa noite de tró­pi­cos, um jipe leva-o à porta do avião. Clan­des­tino quase. E em Lis­boa escondem-no da bruxa má. Tudo por­que Eusé­bio, per­so­ni­fi­ca­ção da bon­dade, fez o que um filho deve fazer, a von­tade à sua mãe. O clube onde jogava que­ria mandá-lo à expe­ri­ên­cia para outro clube. Mas a mãe, como todas as mães, deci­diu pela von­tade do filho: recu­sar vir à expe­ri­ên­cia por­que, como todos os ver­da­dei­ros humil­des, Eusé­bio sabia o que valia.

E o que valia Eusé­bio? Outros dirão muito melhor do que eu. Eu conto-vos só as minhas per­ple­xi­da­des. Eu nunca con­se­guia saber se era o seu pé esquerdo, se o seu pé direito que chu­tava. Por­que, em boa ver­dade, não era ele que chu­tava. A velo­ci­dade rema­tava por ele. E já estou a men­tir ou a enganar-me, por­que, em boa ver­dade, foi com Eusé­bio que a velo­ci­dade apren­deu a jogar à bola. Num tempo em que os car­ros tinham qua­tro velo­ci­da­des, Eusé­bio já tinha a sexta.

Dei­xem deliciar-me ver­go­nho­sa­mente no vício das minhas recor­da­ções. Estou a vê-lo, em Ams­ter­dão, ali­nhado com Águas, Coluna, Simões, antes da final com o Real Madrid come­çar. Está per­fi­lado, a cara­pi­nha cor­tada quase rente, a cabeça redonda de menino, pre­ci­o­sa­mente dese­nhada e bonita, a pele negra bri­lhante, nobre, afri­cana. E era, menino de Moçam­bi­que, o melhor joga­dor por­tu­guês. E eu tenho muito orgu­lho em que o melhor joga­dor por­tu­guês seja um afri­cano, raio de um ex-império que nem um depu­tado negro con­se­gue ter.

Nesse jogo, mar­cou dois golos, os dois, juram-me, e eu não teria tan­tas cer­te­zas, com o pé direito. Pus­kas, Gento e o semi-deus que era Di Ste­fano caí­ram aos seus pés. Eusé­bio, herói com­pas­sivo, foi ao chão bus­car a cami­sola de Di Ste­fano. Pediu-lha, a esse semi-deus aba­tido. Di Ste­fano deu-lha, con­so­lado por aquele pedido de menino, e Eusé­bio guardou-a, por­que Eusé­bio é o guar­dião de todos os símbolos.

Eusé­bio foi o pri­meiro fute­bo­lista a jus­ti­fi­car os 110 metros de com­pri­mento de um campo de fute­bol. Se não fos­sem já essas as medi­das, o campo teria de ser esti­cado. Eusé­bio comia com ale­gria metros de relva. Eusé­bio era um bicho dos gran­des espa­ços, uma pan­tera que que­ria savana. Foi com ele que o fute­bol des­co­briu que a África existia.

Cor­ria em linha recta ou em elipse, fazendo meias-luas, rápi­das mudan­ças de direc­ção, rein­ven­tando a velo­ci­dade, baixando-a, subindo-a. Percebia-se assim, final­mente, por que razão um campo de fute­bol deve ter 75 metros de lar­gura, uma área de 8250 metros qua­dra­dos. Cor­ria e nas per­nas dele cor­ria a pala­vra Ben­fica. Mas tam­bém a pala­vra Portugal.

Foi em 1966, não dou novi­dade nenhuma a nin­guém. Mas vejam outra vez as cores do mito a pin­tar Eusé­bio. Houve um sor­teio dos núme­ros das cami­so­las. Saiu-lhe o 11, ao peque­nino e mara­vi­lhoso Simões o 13. Simões que­ria jogar com o seu habi­tual 11 e, com a ver­dade, deu a volta a Eusé­bio: "Já viste o que é, se joga­res com o 13 e fores, como vais ser, o melhor mar­ca­dor e o melhor joga­dor do mundo?" E foi, com esse número que devia ser fatí­dico, com esse número da fei­ti­ceira Circe, o melhor mar­ca­dor, o melhor joga­dor, o Melhor. As cores do mito, os núme­ros do mito, escolhem-no, querem-no como filho dilecto.

Vi o segundo golo dele ao Bra­sil num filme exi­bido no cinema Impé­rio, em Luanda. Uma obra de arte gigan­tesca em que potên­cia e explo­são se enla­çam. Um golo que ajo­e­lhou o Bra­sil, esse impé­rio romano do fute­bol. De novo e sem­pre as cores do mito, com esse golo, aos pés ala­dos de Eusé­bio, caía Pelé, uma lança espe­tada no flanco.

No jogo com a Coreia do Norte, Eusé­bio car­re­gou, como Hér­cu­les, o mundo aos ombros. Ainda nem a meio da pri­meira parte íamos e a Coreia, aba­lando a ordem do céu e terra, de mares e ares, ganhava por três a zero. Eusé­bio recons­ti­tuiu minu­ci­o­sa­mente a ordem do mundo, todo o uni­verso. Agar­rou nos des­tro­ços e com per­se­ve­rança jun­tou as par­tes. Cor­reu, dri­blou, foi atin­gido vio­len­ta­mente, mas triun­fou. Qua­tro golos foram os tra­ba­lhos de Eusé­bio nessa tarde de gló­ria que aca­ba­ria, dias depois, nas lágri­mas de Wem­bley, momento mais bonito, mais lírico ou ele­gíaco do que qual­quer vitó­ria. Lágri­mas de Eusé­bio que a cami­sola de Por­tu­gal reco­lhe e esconde. Nenhum outro gesto, outras lágri­mas, pode­rão ser tes­te­mu­nho de mais amor.

Mor­reu hoje Eusé­bio da Silva Fer­reira, meu Deus.

http://www.escreveretriste.com/?p=59575

Messi87