Robert Enke

Guarda-redes, (1977-08-24 - 2009-11-10),
Alemanha
Equipa Principal: 3 épocas (1999-2002), 93 jogos (8304 minutos), 0 golos

dwid

#2610
Citação de: Pedro Neto em 12 de Novembro de 2009, 10:00
Eu também não percebo, sinceramente. Custa-me ver a teoria do suícidio como algo aceitável, mesmo com a tragédia de perder uma filha. Todos temos problemas e angústias, eu próprio tenho imensas, mas nunca seria capaz de fazer isto aos meus pais. Não julgo ninguém, mas não percebo.

Ainda por cima o Enke era um tipo milionário e adorado por milhões de pessoas.
Difícil entender.
Cada um lida com as coisas à sua maneira. Há pessoas que pura e simplesmente não conseguem olhar para as coisas boas ou de maneira positiva para elas. Enquanto só pensam nas más e a sua cabeça vai cada vez ficando mais absorvida até chegar a depressões. Quando chegam a esse ponto nem se quer conseguem ouvir os que o rodeiam, depois a dor emocional é tão grande, à qual a dor física muitas vezes nem se compara, por isso há alguns que se automutilam. Há pessoas que se torna insustentável o aperto no coração e deixam de conseguir ver o que há de bom, e para se libertarem disso preferem-se suícidar. Não é bom julgar, porque todos nós somos diferentes e lidamos de maneira diferente com as situações.

Zetuga

Felizes aqueles que nao compreendem.

fish

Citação de: Pedro Neto em 12 de Novembro de 2009, 10:00
Eu também não percebo, sinceramente. Custa-me ver a teoria do suícidio como algo aceitável, mesmo com a tragédia de perder uma filha. Todos temos problemas e angústias, eu próprio tenho imensas, mas nunca seria capaz de fazer isto aos meus pais. Não julgo ninguém, mas não percebo.

Ainda por cima o Enke era um tipo milionário e adorado por milhões de pessoas.
Difícil entender.

É como eu.
É-me completamente impossível entender estas pessoas e daí não partilho o sentimento da maioria de que ele é o maior e isto e aquilo.

Alguém que quer ser o exemplo para outros tem de o ser em todos os aspectos incluindo na morte.

diabinho_in_love

Perdoem-me que vos diga, mas jamais compreenderei a arrogancia com que julgam as outras pessoas

Possivelmente ainda não pensaram que esta morte representa a prova mais que evidente que a vida material é supérfula onde existe algo bem mais importante

Por isso, muito me apraz quando vou na rua e vejo um sorriso de um pobre monetariamente...pois pode ser pobre materailmente mas tem uma riqueza que não se compra...a felicidade

Interactivo

Citação de: diabinho_in_love em 12 de Novembro de 2009, 10:14
Perdoem-me que vos diga, mas jamais compreenderei a arrogancia com que julgam as outras pessoas

Possivelmente ainda não pensaram que esta morte representa a prova mais que evidente que a vida material é supérfula onde existe algo bem mais importante

Por isso, muito me apraz quando vou na rua e vejo um sorriso de um pobre monetariamente...pois pode ser pobre materailmente mas tem uma riqueza que não se compra...a felicidade

:bow2:

dwid

Citação de: diabinho_in_love em 12 de Novembro de 2009, 10:14
Perdoem-me que vos diga, mas jamais compreenderei a arrogancia com que julgam as outras pessoas

Possivelmente ainda não pensaram que esta morte representa a prova mais que evidente que a vida material é supérfula onde existe algo bem mais importante

Por isso, muito me apraz quando vou na rua e vejo um sorriso de um pobre monetariamente...pois pode ser pobre materailmente mas tem uma riqueza que não se compra...a felicidade
E o mais curioso nisso é que as taxas de suícidio são maiores na classe alta.

XHITA



História de uma morte pensada

Psicólogo divulgou pormenor da carta de despedida de Robert Enke revelador de que ele preparou o suicídio.
Internacional alemão receava perder filha adoptiva se se soubesse que padecia de depressão.
Adorava Portugal e devia passar o Natal com um amigo em Vila das Aves.

Por Martins Morim

«Na carta de despedida, ele pede desculpa à família e ao médico por tê-los enganado conscientemente, alegando que precisava disso para poder concretizar o seu plano». A frase ecoou assim, no silêncio da sala, de forma tão brutal como foi o desaparecimento de Robert Enke. Foi proferida por Valentin Markser, psicoterapeuta de Robert Enke desde 2003, e revela, de forma cruel, que a morte do malogrado futebolista tinha sido pensada.

Pela voz do psicólogo se ficou a saber também que, no próprio dia do suicídio, Enke tinha telefonado para ao médico-chefe da clínica onde Markser trabalha, a dizer que ia interromper a terapia, porque já se sentia melhor. O internacional alemão padecia há muito de depressão crónica, talvez irreversível. «Desde 2003, do tempo do Barcelona», explicou Teresa, a viúva, voz embargada pela dor, ela que foi sempre a companheira de todas as horas, boas e más, a mãe da filha que ambos sabiam ter dias contados desde a nascença.

Robert Enke não queria que a doença caísse no domínio público. Entre outras obsessões que o atormentavam, estava o receio de que, se se soubesse do que padecia, as autoridades pudessem retirar-lhe a bebé que adoptaram em Agosto de 2008, Leila. Mas Teresa é uma mulher forte, de coragem. E o clube agradeceu a presença dela na conferência de imprensa, ao lado do psicólogo, ainda não tinham passado 24 horas sobre a tragédia. «A morte de Lara [a filha] fez-nos ainda mais unidos e nós pensávamos que, com amor, conseguiríamos superar tudo», confessou.

Outra obsessão de Enke era a do perfeccionismo. «Procurei sempre fazer-lhe ver que o futebol não era tudo na vida», lembrou. Mas, para ele, era a bóia a que se agarrava. De nada valeu. Ninguém se apercebera da gravidade da situação, mulher, médicos, amigos mais próximos. Um deles, português, com quem Enke combinara, se as folgas permitissem, passar com ele e família o Natal em Vila das Aves. Ele adorava Portugal.

Robert Enke não era um jogador qualquer. Prova disso, a missa ecuménica de ontem à noite, que reuniu cerca 3000 pessoas, dentro e fora da igreja, e a manifestação de pesar em Hannover que juntou 35000.

Robert Enke não foi só um grande desportista. Foi rosto de campanhas em defesa dos animais, o primeiro em todas as acções de carácter social e humanitário, o leitor compulsivo, apreciador de cinema e de ópera, amante da vida recatada, apaixonado pela mulher e as filhas - a que partiu antes dele e a que adoptou. Foi desportista de méritos reconhecidos, cidadão respeitado, um ídolo.



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Mourinho: «O meu primeiro guarda-redes!»

Mourinho estreou-se como treinador principal, no Benfica.
A sua escolha para a baliza foi Enke...

Na primeira experiência a solo de José Mourinho, Robert Enke foi o seu guarda-redes. Corria o ano de 2000, Vale e Azevedo acabara de rescindir contrato com Jupp Heynckes, — que conhecia Enke de Moenchengladbach e o trouxera, em 1998, para a Luz — e Mourinho, que, depois de aprender à sombra de Bobby Robson, decidira abandonar a sombra de outro «professor», Van Gaal, não teve dúvidas em dar-lhe a titularidade nos nove jogos do Campeonato Nacional em que orientou o Benfica. No primeiro desses encontros, a 23 de Setembro de 2000, Mourinho perdeu no Bessa; já a despedida teve um sabor diferente. A 3 de Dezembro de 2000, na Luz, o último Benfica de Mourinho venceu o Sporting por 3--0 (Van Hooijdonk e João Tomás, 2) e o Special One apresentou os seguintes jogadores em campo: Enke; Dudic, Marchena, Meira e Diogo Luís; Chano e Calado; Carlitos (Poborsky, 73), Maniche e Miguel (Geraldo, 84); Van Hooijdonk (João Tomás, 60).

Ontem, ao falar com A BOLA sobre Robert Enke a reacção de Mourinho foi espontânea: «O meu primeiro guarda-redes!!!» Depois, o técnico do Inter fez questão de recordar «a tranquilidade, a vida serena, os cães, o profissionalismo, a educação...»

A terminar, José Mourinho declarou-se, perante esta tragédia, «tremendamente chocado.»

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Moreira: «Queria tudo perfeito, nada menos que isso»

Moreira contou a A BOLA como era o malogrado guarda-redes no Benfica.
Episódios de cães vadios e de sopas de alho francês...

Quando Enke chegou ao Benfica tinha 21 anos, Moreira 17. A primeira impressão do português foi um preconceito.

«A ideia é de que os alemães são frios. Quando vi Enke pela primeira vez, foi o que achei: frio. Mas com os dias, vi que não, que era conversador, e a atenção que dispensava ao que fazia era a mesma que dispensava ao que os outros faziam e diziam», recorda Moreira.

Ao fim de três meses, o alemão surpreendeu o balneário do Benfica.

«Quase de um dia para o outro começou a falar português correctamente. Foi a uma conferência de imprensa e falou em português! Eu só lhe corrigia a pronúncia. Era inteligente, queria tudo perfeito, nada menos que isso», analisa o guarda-redes do Benfica. Mas ainda que os tempos de Benfica tenham sido felizes, ainda que Enke tenha adorado a quinta que comprou em Sintra, havia hábitos portugueses que o incomodavam.

«Ficava chocado quando via cães abandonados, levava-os para casa. Era comum vê-lo chegar ao treino danado e explicar-se: tenho um cão que me deu cabo do jardim!», acrescenta Moreira. Enke era companheiro de quarto do português nos estágios.

«Nos treinos trabalhava para o grupo, não só para ele. No quarto era certinho: a roupa arrumada, os livros empilhados. A única chatice era no que respeitava à televisão: ele ligava um canal alemão, com um filme alemão e eu pedia-lhe para escolher um em inglês que compreenderíamos os dois. Ele dizia-me que o filme alemão era melhor...», conta Moreira. A morte do Enke foi para o guarda-redes encarnado um choque.

«Fiquei devastado. Já não falava com ele desde Barcelona, mas seguia a carreira. Nunca no Benfica deu sinais de ser alguém deprimido», recorda Moreira.

«Posso dizer-lhe para terminar, porque acho importante: Enke era alérgico a alho francês; sempre a chatear os cozinheiros, desconfiado de que metiam, às vezes, alho francês na sopa. Acho que quando se sabe este pormenor de alguém é porque se gosta dessa pessoa, acho eu».

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Breves

Angela Merkel escreveu à viúva
A chanceler alemã, Angela Merkel, escreveu uma carta pessoal a Teresa Enke, viúva do malogrado jogador, na qual expressa o seu pesar. O teor da carta não foi divulgado.

Benfica homenageia memória de Enke
O Benfica vai honrar a memória do seu antigo jogador, Robert Enke, antes do jogo com o V. Guimarães, para a Taça de Portugal, no próximo dia 22. Entretanto, o site do clube apresenta uma faixa preta em sinal de luto junto ao emblema.

Cerimónia fúnebre no domingo
O funeral de Robert Enke no domingo, às 11 horas, no AWD Arena. A cerimónia religiosa será aberta a todos, mas já a presença no cemitério será reservada aos familiares e aos amigos mais próximos.

Fumo e minuto de silêncio
Os jogadores das I e II Bundesliga vão entrar em campo, no reatamento do campeonato (13.ª jornada, dias 21 e 22), com fumo nas camisolas. Antes do apito do árbitro para início dos jogos, será respeitado um minuto de silêncio e, ao lado, a mensagem de pesar do presidente, Luis Filipe Vieira.

Jogo com o Chile foi anulado
A Federação Alemã de Futebol anulou o jogo com o Chile de preparação para o Mundial-2010, que estava marcado para o próximo sábado. «Perdemos um amigo. Neste momento, temos de saber também dar conteúdo ao futebol», declarou o presidente Theo Zwanziger, justificando a decisão. «Um jogo de futebol tem de ser disputado com alegria», acrescentou o manager, Oliver Bierhoff, com os olhos em lágrimas.

Internacionais dispensados
Os jogadores que haviam sido convocados para o jogo com o Chile regressaram ontem aos seus clubes e concentram-se novamente no domingo, para participarem na cerimónia fúnebre. Voltam depois para estágio, tendo em vista a preparação para a partida de quarta- -feira, com a Costa do Marfim, de preparação para o Mundial-2010.

Condolências no 'site' de Enke
O site de Robert Enke deixou de existir como era e passou a ser painel aberto ao mundo, para quem quiser expressar condolências e pesar. O endereço http://www.robertenke.de

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Manifestação de pesar

Cerca de 35 mil pessoas saíram à rua, ontem, à noite, em Hannover, numa impressionante e comovente manifestação de dor e de pesar pela trágica morte do antigo guarda-redes do Benfica, do Hannover e da selecção da Alemanha, Robert Enke. Antes, porém, a Marktkirche foi pequena para albergar todos quantos quiseram participar num serviço religioso ecuménico. Local de romagem tem sido também o AWD Arena.



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Pedro Neto

Gosto demasiado dos meus pais para compreender este tipo de coisas.
Um suícidio destrói uma família.

Não estou a julgar, porque nunca o faço, mas não compreendo.

Ritinha

Citação de: Bella Gutman em 12 de Novembro de 2009, 10:00
Citação de: Ritinha em 12 de Novembro de 2009, 09:55
Citação de: RicardoBenfica em 12 de Novembro de 2009, 09:44
Citação de: Pedro em 12 de Novembro de 2009, 09:21
Que vida tão ruim e injusta  :disgust:

Eu perdi um familiar com Alzheimer, Parkinson, e Diabetes, isso é que é injustiça, pois não teve escolha, o Enke teve, e optou pela mais facil.

Como guarda-redes foi grande, como homem foi fraco.

Tinha bons ordenados , boas vidas, sem ter que acordar de manha desempregado  e desesperado por não ter que dar de comer à familia.

Temos um país com 10% de desemprego, para eles é que a vida é injusta.

Enke = fraco
Eu em parte concordo contigo.
Morrer de uma doença incurável é uma injustiça. Não podes é deixar de pensar que, pessoas com depressão e com ideação suicida, fazem-no e fazem mesmo. E não é na altura da depressão, é na altura da recuperação. Porque na altura da depressão não têm forças para tal. Mas se ele fez plano e deixou tudo "arrumadinho", é porque tinha intenção de o fazer e não era de agora.
Só quem passa por uma depressão sabe o quanto isso é auto-destrutível.
Só quem tem o azar de perder um filho sabe o que é essa dor.

Penso que é injusto da nossa parte julgarmos quem quer que seja face a isto.
Eu não julguei. Antes pelo contrário. Não acho um acto condenável. Já passei por um Serviço de Psiquiatria e lidei com pessoas com depressão e ideação suicida. Torna-se muito difícil abordá-las porque têm sempre esse pensamento em mente. É um trabalho árduo e contínuo que não se consegue de um momento pro outro e deixa-nos frustrados.

XHITA



História de uma morte pensada

Psicólogo divulgou pormenor da carta de despedida de Robert Enke revelador de que ele preparou o suicídio.
Internacional alemão receava perder filha adoptiva se se soubesse que padecia de depressão.
Adorava Portugal e devia passar o Natal com um amigo em Vila das Aves.

Por Martins Morim

«Na carta de despedida, ele pede desculpa à família e ao médico por tê-los enganado conscientemente, alegando que precisava disso para poder concretizar o seu plano». A frase ecoou assim, no silêncio da sala, de forma tão brutal como foi o desaparecimento de Robert Enke. Foi proferida por Valentin Markser, psicoterapeuta de Robert Enke desde 2003, e revela, de forma cruel, que a morte do malogrado futebolista tinha sido pensada.

Pela voz do psicólogo se ficou a saber também que, no próprio dia do suicídio, Enke tinha telefonado para ao médico-chefe da clínica onde Markser trabalha, a dizer que ia interromper a terapia, porque já se sentia melhor. O internacional alemão padecia há muito de depressão crónica, talvez irreversível. «Desde 2003, do tempo do Barcelona», explicou Teresa, a viúva, voz embargada pela dor, ela que foi sempre a companheira de todas as horas, boas e más, a mãe da filha que ambos sabiam ter dias contados desde a nascença.

Robert Enke não queria que a doença caísse no domínio público. Entre outras obsessões que o atormentavam, estava o receio de que, se se soubesse do que padecia, as autoridades pudessem retirar-lhe a bebé que adoptaram em Agosto de 2008, Leila. Mas Teresa é uma mulher forte, de coragem. E o clube agradeceu a presença dela na conferência de imprensa, ao lado do psicólogo, ainda não tinham passado 24 horas sobre a tragédia. «A morte de Lara [a filha] fez-nos ainda mais unidos e nós pensávamos que, com amor, conseguiríamos superar tudo», confessou.

Outra obsessão de Enke era a do perfeccionismo. «Procurei sempre fazer-lhe ver que o futebol não era tudo na vida», lembrou. Mas, para ele, era a bóia a que se agarrava. De nada valeu. Ninguém se apercebera da gravidade da situação, mulher, médicos, amigos mais próximos. Um deles, português, com quem Enke combinara, se as folgas permitissem, passar com ele e família o Natal em Vila das Aves. Ele adorava Portugal.

Robert Enke não era um jogador qualquer. Prova disso, a missa ecuménica de ontem à noite, que reuniu cerca 3000 pessoas, dentro e fora da igreja, e a manifestação de pesar em Hannover que juntou 35000.

Robert Enke não foi só um grande desportista. Foi rosto de campanhas em defesa dos animais, o primeiro em todas as acções de carácter social e humanitário, o leitor compulsivo, apreciador de cinema e de ópera, amante da vida recatada, apaixonado pela mulher e as filhas - a que partiu antes dele e a que adoptou. Foi desportista de méritos reconhecidos, cidadão respeitado, um ídolo.



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Mourinho: «O meu primeiro guarda-redes!»

Mourinho estreou-se como treinador principal, no Benfica.
A sua escolha para a baliza foi Enke...

Na primeira experiência a solo de José Mourinho, Robert Enke foi o seu guarda-redes. Corria o ano de 2000, Vale e Azevedo acabara de rescindir contrato com Jupp Heynckes, — que conhecia Enke de Moenchengladbach e o trouxera, em 1998, para a Luz — e Mourinho, que, depois de aprender à sombra de Bobby Robson, decidira abandonar a sombra de outro «professor», Van Gaal, não teve dúvidas em dar-lhe a titularidade nos nove jogos do Campeonato Nacional em que orientou o Benfica. No primeiro desses encontros, a 23 de Setembro de 2000, Mourinho perdeu no Bessa; já a despedida teve um sabor diferente. A 3 de Dezembro de 2000, na Luz, o último Benfica de Mourinho venceu o Sporting por 3--0 (Van Hooijdonk e João Tomás, 2) e o Special One apresentou os seguintes jogadores em campo: Enke; Dudic, Marchena, Meira e Diogo Luís; Chano e Calado; Carlitos (Poborsky, 73), Maniche e Miguel (Geraldo, 84); Van Hooijdonk (João Tomás, 60).

Ontem, ao falar com A BOLA sobre Robert Enke a reacção de Mourinho foi espontânea: «O meu primeiro guarda-redes!!!» Depois, o técnico do Inter fez questão de recordar «a tranquilidade, a vida serena, os cães, o profissionalismo, a educação...»

A terminar, José Mourinho declarou-se, perante esta tragédia, «tremendamente chocado.»

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Moreira: «Queria tudo perfeito, nada menos que isso»

Moreira contou a A BOLA como era o malogrado guarda-redes no Benfica.
Episódios de cães vadios e de sopas de alho francês...

Quando Enke chegou ao Benfica tinha 21 anos, Moreira 17. A primeira impressão do português foi um preconceito.

«A ideia é de que os alemães são frios. Quando vi Enke pela primeira vez, foi o que achei: frio. Mas com os dias, vi que não, que era conversador, e a atenção que dispensava ao que fazia era a mesma que dispensava ao que os outros faziam e diziam», recorda Moreira.

Ao fim de três meses, o alemão surpreendeu o balneário do Benfica.

«Quase de um dia para o outro começou a falar português correctamente. Foi a uma conferência de imprensa e falou em português! Eu só lhe corrigia a pronúncia. Era inteligente, queria tudo perfeito, nada menos que isso», analisa o guarda-redes do Benfica. Mas ainda que os tempos de Benfica tenham sido felizes, ainda que Enke tenha adorado a quinta que comprou em Sintra, havia hábitos portugueses que o incomodavam.

«Ficava chocado quando via cães abandonados, levava-os para casa. Era comum vê-lo chegar ao treino danado e explicar-se: tenho um cão que me deu cabo do jardim!», acrescenta Moreira. Enke era companheiro de quarto do português nos estágios.

«Nos treinos trabalhava para o grupo, não só para ele. No quarto era certinho: a roupa arrumada, os livros empilhados. A única chatice era no que respeitava à televisão: ele ligava um canal alemão, com um filme alemão e eu pedia-lhe para escolher um em inglês que compreenderíamos os dois. Ele dizia-me que o filme alemão era melhor...», conta Moreira. A morte do Enke foi para o guarda-redes encarnado um choque.

«Fiquei devastado. Já não falava com ele desde Barcelona, mas seguia a carreira. Nunca no Benfica deu sinais de ser alguém deprimido», recorda Moreira.

«Posso dizer-lhe para terminar, porque acho importante: Enke era alérgico a alho francês; sempre a chatear os cozinheiros, desconfiado de que metiam, às vezes, alho francês na sopa. Acho que quando se sabe este pormenor de alguém é porque se gosta dessa pessoa, acho eu».

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Breves

Angela Merkel escreveu à viúva
A chanceler alemã, Angela Merkel, escreveu uma carta pessoal a Teresa Enke, viúva do malogrado jogador, na qual expressa o seu pesar. O teor da carta não foi divulgado.

Benfica homenageia memória de Enke
O Benfica vai honrar a memória do seu antigo jogador, Robert Enke, antes do jogo com o V. Guimarães, para a Taça de Portugal, no próximo dia 22. Entretanto, o site do clube apresenta uma faixa preta em sinal de luto junto ao emblema.

Cerimónia fúnebre no domingo
O funeral de Robert Enke no domingo, às 11 horas, no AWD Arena. A cerimónia religiosa será aberta a todos, mas já a presença no cemitério será reservada aos familiares e aos amigos mais próximos.

Fumo e minuto de silêncio
Os jogadores das I e II Bundesliga vão entrar em campo, no reatamento do campeonato (13.ª jornada, dias 21 e 22), com fumo nas camisolas. Antes do apito do árbitro para início dos jogos, será respeitado um minuto de silêncio e, ao lado, a mensagem de pesar do presidente, Luis Filipe Vieira.

Jogo com o Chile foi anulado
A Federação Alemã de Futebol anulou o jogo com o Chile de preparação para o Mundial-2010, que estava marcado para o próximo sábado. «Perdemos um amigo. Neste momento, temos de saber também dar conteúdo ao futebol», declarou o presidente Theo Zwanziger, justificando a decisão. «Um jogo de futebol tem de ser disputado com alegria», acrescentou o manager, Oliver Bierhoff, com os olhos em lágrimas.

Internacionais dispensados
Os jogadores que haviam sido convocados para o jogo com o Chile regressaram ontem aos seus clubes e concentram-se novamente no domingo, para participarem na cerimónia fúnebre. Voltam depois para estágio, tendo em vista a preparação para a partida de quarta- -feira, com a Costa do Marfim, de preparação para o Mundial-2010.

Condolências no 'site' de Enke
O site de Robert Enke deixou de existir como era e passou a ser painel aberto ao mundo, para quem quiser expressar condolências e pesar. O endereço http://www.robertenke.de

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Manifestação de pesar

Cerca de 35 mil pessoas saíram à rua, ontem, à noite, em Hannover, numa impressionante e comovente manifestação de dor e de pesar pela trágica morte do antigo guarda-redes do Benfica, do Hannover e da selecção da Alemanha, Robert Enke. Antes, porém, a Marktkirche foi pequena para albergar todos quantos quiseram participar num serviço religioso ecuménico. Local de romagem tem sido também o AWD Arena.



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Strata

Quanto às razões da sua morte, por mais que póssamos pensar isto e aquilo, jamais me pronunciarei pois não sou capaz de julgar algo que não faço a mínima ideia do que se estava a passar e da sua gravidade. As coisas não são assim tão lineares quanto possam parecer. O Enke amava mais do que ninguém a sua família. Restará à mulher e à família ter as forças que, infelizmente, o Enke não conseguiu ter e que nenhum de nós sabe se teríamos se passássemos pela mesma situação.

Bela Guttmann

Citação de: Ritinha em 12 de Novembro de 2009, 10:20

Eu não julguei. Antes pelo contrário. Não acho um acto condenável. Já passei por um Serviço de Psiquiatria e lidei com pessoas com depressão e ideação suicida. Torna-se muito difícil abordá-las porque têm sempre esse pensamento em mente. É um trabalho árduo e contínuo que não se consegue de um momento pro outro e deixa-nos frustrados.
Sim, eu apenas reforcei a tua ideia ;)
Compreendo, por vezes é frustrante ver que nada podemos fazer... mas é um gesto nobre da tua parte :)

LuigiSLB83

Citação de: Strata em 12 de Novembro de 2009, 10:25
Quanto às razões da sua morte, por mais que póssamos pensar isto e aquilo, jamais me pronunciarei pois não sou capaz de julgar algo que não faço a mínima ideia do que se estava a passar e da sua gravidade. As coisas não são assim tão lineares quanto possam parecer. O Enke amava mais do que ninguém a sua família. Restará à mulher e à família ter as forças que, infelizmente, o Enke não conseguiu ter e que nenhum de nós sabe se teríamos se passássemos pela mesma situação.

É tão óbvio quanto isto.

diabinho_in_love

Quando uma depressão se transforma em obcessão, não há nada nem ninguem que possa fazer algo....não julguem, apenas peçam a Deus que nunca caiam numa situação dessas

m@gui

ainda estou em choque. hoje na faculdade chegou la pessoal com a bola e quando eu olho para a capa e leio que tinha morrido fiquei parva!!!

sao situaçoes sempre tao complicadas e nem sempre temos forças para ir à luta. lembro-me bem do Enke dos tempos em que estava no Benfica e sinceramente sempre simpatizei bastante com ele. nos nao somos ninguem para julgar!!!

Descança em paz ENKE!