Robert Enke

Guarda-redes, (1977-08-24 - 2009-11-10),
Alemanha
Equipa Principal: 3 épocas (1999-2002), 93 jogos (8304 minutos), 0 golos

XHITA




Lágrimas e aplausos no adeus a ROBERT ENKE

40 mil pessoas despediram-se ontem do guarda-redes.
O futebol está de luto.

Reportagem de Martins Morim

Hannover — Admiradores e amigos despediram-se ontem de Robert Enke numa invulgar cerimónia fúnebre, pelo local (um estádio com cerca de 40 mil pessoas), a dimensão (só comparável à do antigo chanceler alemão, Konrad Adenauer, em 1967), pelo silêncio e pelo mais profundo sentido do pesar. Duas horas depois, a família e os amigos mais próximos, entre os quais se encontravam os representantes do Benfica — vice-presidente, Rui Gomes da Silva e o guarda-redes Moreira — disseram o último adeus ao malogrado futebolista em ambiente de intimidade, sem holofotes nem objectivas de repórteres fotográficos ou de câmaras de televisão. Primeiro, na Klosterkirche, em Mariensee, bem perto de Empeda, nos arredores de Hannover, em cujo cemitério Robert Enke foi sepultado, ao lado da filha Lara, falecida em 2006 em consequência de deformação cardíaca incurável.

No centro do terreno, o caixão. Em redor, seis coroas e dozes ramos de rosas brancas. Em redor do relvado e nos dois ecrãs gigantes, uma frase: «wir trauen Robert Enke», em português: fazemos luto por Robert Enke. Os primeiros entraram às oito e meia, quando foram abertas as portas do AWD Arena. O espaço destinado aos bancos de suplentes foi reservado para a família e alguns amigos mais próximos, de um lado; do outro, os oradores. E, de súbito, o silêncio é cortado por aplausos. Faltavam 15 minutos para as 11 horas de uma manhã soalheira, antes de a televisão dar início à transmissão em directo para a Alemanha e para o Mundo. Era a selecção nacional que vinha despedir-se do seu guarda-redes n.º 1. Dois a dois, do presidente ao roupeiro, curvaram-se perante os restos mortais de Robert Enke, o primeiro de muitos momentos de comoção.

Ironia da vida

Mas a emoção foi crescendo, até entre os jornalistas, que numa roda de amigos recordavam vivências com o antigo guarda-redes do Benfica. Um deles, não conseguiu conter as lágrimas, quando lembrou que foi naquele estádio que deu início a sua carreira profissional, então ao serviço do Carl Zeiss Jena. Imagine-se, também em Novembro, dia 11, corria o ano de 1995. Há semanas, lá estava ele de novo entre os postes, defendendo as balizas do Hannover em jogo com o Hamburgo que terminou 2-2, graças a ele também. Era o regresso após nove semanas de ausência, por doença. Sabe-se hoje que muito mais grave do que o vírus que o atingira no estômago. Depressão grave, desvendou a viúva, um dia depois do suicídio, numa atitude que todos elogiaram — ontem, uma vez mais, pela boca de todos os oradores. E os presentes tributaram a coragem de Teresa Enke com aplausos. «O futebol não é tudo na vida», disse-lhe ela muitas vezes. Nas últimas semanas mais do que noutra altura qualquer. Em vão. Robert Enke não volta mais àquele estádio, onde «granjeou respeito e simpatia», como salientou o presidente do clube, Martin Kind, enaltecendo o «carácter e a personalidade» de Robert Enke, como «jogador e como homem». Ali, disse Kind, referindo-se ao AWD Arena, «alcançou o ponto mais alto da sua carreira, chegou a n.º 1 da selecção nacional», posição que, na quarta-feira, vai ser entregue a Manuel Neuer, do Schalke, no jogo com a Costa do Marfim, em que a Nationalmannschaft se apresentará de fumo negro em memória do companheiro, que deixou o mundo dos vivos de forma tão surpreendente quanto brutal.

Futebol não é tudo

«O futebol não é tudo na vida», repetiu o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Theo Zwanziger, num discurso de improviso carregado de sentimento e emoção. Viu-se nos rostos dos presentes. A tragédia de Robert Enke deu-lhe razão. Está ligada à sociedade de hoje, competitiva e submetida aos mais diversos tipos de pressão. O futebol tem a sua importância nesta sociedade. «Mas o futebol não pode ser tudo. A vida que nos foi oferecida é interessante, mas podemos realizá-la na multiplicidade da personalidade humana e em sociedade», frisou Zwanziger, exortando depois os presentes, especialmente os pais, à reflexão sobre a tragédia de Robert Enke. «Por mais que os vossos filhos tenham ídolos e aspirem até a chegar à selecção nacional, pensem também em tudo na vida, nas forças e nas fraquezas. Não pensem só nos holofotes, na projecção através dos media, pensem nas pessoas, nas certezas e nas dúvidas».

Mas o futebol é também uma forte expressão de vida, lembrou mais à frente o presidente da DFB, fazendo alusão à homilia do bispo Huber da Igreja Evangélica da Alemanha, no serviço religioso de inauguração do Mundial-2006, em Munique. «E pode-o ser, se não pensarmos obcecadamente nos resultados a qualquer preço, antes se pensarmos um pouco mais na dignidade humana, na sua multiplicidade, nas forças e nas fraquezas. Se não procurarmos dar sentido e grandeza à vida através da ambição desmedida».

O futebol, disse, por seu turno, o 1.º ministro da Baixa Saxónia, «pode ser a coisa secundária mais vida, mas não é a mais importante», tão pouco o êxito desportivo. Robert Enke foi guarda-redes de excepção, o melhor da Alemanha em duas épocas seguidas, foi «grande na baliza, mas também no seu relacionamento com os outros, aberto, sensível, sempre disponível, lutou contra os seus próprios medos, mas não os venceu», salientou Stephan Weil. A tragédia do guarda-redes alemão mostrou ao mundo que é melhor mostrar o medo do que escondê-lo. «Quem o fizer, não é fraco, mas forte!», concluiu. Talvez por isso também, a promessa: «Hannover nunca esquecerá Robert Enke».

Para já, a Câmara Municipal pensa atribuir o nome dele a uma rua ou a uma praça. Será mais lá para frente. Entretanto, aumenta o coro dos adeptos que pedem o nome de Robert Enke para o estádio. Até lá, onde quer que a memória de Robert Enke seja honrada vai continuar a chover sobre Hannover, como na hora de descer o caixão à cova, como se as lágrimas não quisessem secar.









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Mulher de Enke emocionou-se, chorou e abraçou-se a Moreira

Guarda-redes e o vice-presidente Rui Gomes da Silva representaram o Benfica.

Hannover — O vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, deixou Hannover com a convicção de que o clube da Luz deve «sentir orgulho em ter tido nas suas fileiras um jogador com a dimensão humana de Robert Enke». E «profundamente impressionado» com o que viu: «um estádio quase cheio, não para festejar golos, mas para prestar homenagem um desportista de eleição e um grande homem». E isto mesmo tendo consciência de que a força mediática do futebol «transformou um drama pessoal em grande acontecimento», até porque dramas e tragédias há em todos os domínios da sociedade. «Mas nem toda a gente tem a exposição pública amplificada como aqueles que contribuem para as vitórias e que, como se viu, são também seres humanos. Os media esquecem-no, nem sempre pensando que, por trás do desportista, há uma pessoa que vive e também sofre».

Rui Gomes da Silva salientou que regressa «muito sensibilizado», tanto com o lugar que foi destinado no estádio à delegação do Benfica, logo atrás dos familiares de Robert Enke, como com a «honra de ter podido participar na cerimónia privada». No momento de apresentação de condolências, já no cemitério, quando Teresa Enke viu Moreira na frente dela, agarrou-se a ele, abraçou-o e chorou.

Recordar Fehér

Para o guarda-redes, o que se viu em Hannover desde a trágica noite de terça-feira e especialmente ontem, no estádio, «só valoriza o que era o jogador, enquanto homem». «O que vi trouxe-me à memória o que aconteceu no jogo a seguir à morte de Fehér, com a Académica, na Luz. Arrepiante», confessou Moreira. «Começámos juntos na equipa principal e acabámos por ser companheiros de quarto durante três anos. Mas depois separámo-nos. Fui apanhado de surpresa. Um choque. Não queria acreditar e até fui para a Internet à procura de mais informação. Afinal, era verdade. Uma verdade trágica. Infelizmente!», concluiu o guarda-redes, emocionado.


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Hoje jogo eu: Doeu vê-lo partir

Por Martins Morim

Hannover — Conheci Robert Enke em serviço. Entrevistei-o duas vezes, quando representou o Benfica e percebi que era uma pessoa diferente. Do desportista fui imaginando, jogo após jogo, até onde podia chegar. O direito à camisola N.º 1 da selecção alemã era a confirmação das suas qualidades de excepção. Se só chegou a ela aos 29 anos, já como capitão do Hannover, como também no Benfica — e até com menos idade — foi porque à frente dele teve nomes como os de Oliver Kahn e Jens Lehmann. Conheci-o melhor mais tarde, através de Paulo Azevedo, português nascido em Freiburgo, na Alemanha, antigo futebolista que terminou a carreira no meu Varzim. Iniciativa conjunta do Instituto Alemão e de A BOLA trouxe o Paulo até à Travessa da Queimada e com o Paulo, que ontem transportou a urna no trajecto final, tão próximo era ele de Robert Enke, conheci melhor o homem por trás do futebolista: simpático, alegre, de humor fino, negação da estrela à procura de holofotes, antes cidadão atento ao que o envolvia, sensível ao ponto de sentir que um cão abandonado também precisa de carinho, sem nunca esquecer nem olhar para o lado ante as tragédias e os dramas humanos... sentidos na própria família. E, mesmo assim, sempre disponível para os outros. Não sabia, nem era capaz de imaginar, que sofria de depressão. Disse-me o Paulo no dia da morte. Já noite, voz embargada, do outro lado da linha. Mas pediu-me segredo. Respeitei-o. Por ele e por Robert. Pela Teresa também, que, corajosamente, desvendou o mal ao mundo em jeito de alerta, para que o mal não volte a vitimar mais ninguém. Graças também ao Paulo, fui honrado com a autorização de poder estar na cerimónia privada — eu e o jornal A BOLA, como percebi da importância que lhe dá Jorg Neblung, representante do jogador e amigo íntimo da família. E, de forma mais intensa, senti o que custa ver alguém partir assim. Também correram lágrimas pelo meu rosto. Afinal, um homem também pode chorar. Ontem foram muitos, mesmo muitos.

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Ao lado da filha

Robert Enke foi sepultado no Cemitério de Empede, perto de Hannover. Descansa ao lado de Lara, a filha do casal que morreu com apenas dois anos, em 2006, vítima duma deformação cardíaca incurável. Os dois nomes foram gravados numa única cruz.



XHITA




Lágrimas e aplausos no adeus a ROBERT ENKE

40 mil pessoas despediram-se ontem do guarda-redes.
O futebol está de luto.

Reportagem de Martins Morim

Hannover — Admiradores e amigos despediram-se ontem de Robert Enke numa invulgar cerimónia fúnebre, pelo local (um estádio com cerca de 40 mil pessoas), a dimensão (só comparável à do antigo chanceler alemão, Konrad Adenauer, em 1967), pelo silêncio e pelo mais profundo sentido do pesar. Duas horas depois, a família e os amigos mais próximos, entre os quais se encontravam os representantes do Benfica — vice-presidente, Rui Gomes da Silva e o guarda-redes Moreira — disseram o último adeus ao malogrado futebolista em ambiente de intimidade, sem holofotes nem objectivas de repórteres fotográficos ou de câmaras de televisão. Primeiro, na Klosterkirche, em Mariensee, bem perto de Empeda, nos arredores de Hannover, em cujo cemitério Robert Enke foi sepultado, ao lado da filha Lara, falecida em 2006 em consequência de deformação cardíaca incurável.

No centro do terreno, o caixão. Em redor, seis coroas e dozes ramos de rosas brancas. Em redor do relvado e nos dois ecrãs gigantes, uma frase: «wir trauen Robert Enke», em português: fazemos luto por Robert Enke. Os primeiros entraram às oito e meia, quando foram abertas as portas do AWD Arena. O espaço destinado aos bancos de suplentes foi reservado para a família e alguns amigos mais próximos, de um lado; do outro, os oradores. E, de súbito, o silêncio é cortado por aplausos. Faltavam 15 minutos para as 11 horas de uma manhã soalheira, antes de a televisão dar início à transmissão em directo para a Alemanha e para o Mundo. Era a selecção nacional que vinha despedir-se do seu guarda-redes n.º 1. Dois a dois, do presidente ao roupeiro, curvaram-se perante os restos mortais de Robert Enke, o primeiro de muitos momentos de comoção.

Ironia da vida

Mas a emoção foi crescendo, até entre os jornalistas, que numa roda de amigos recordavam vivências com o antigo guarda-redes do Benfica. Um deles, não conseguiu conter as lágrimas, quando lembrou que foi naquele estádio que deu início a sua carreira profissional, então ao serviço do Carl Zeiss Jena. Imagine-se, também em Novembro, dia 11, corria o ano de 1995. Há semanas, lá estava ele de novo entre os postes, defendendo as balizas do Hannover em jogo com o Hamburgo que terminou 2-2, graças a ele também. Era o regresso após nove semanas de ausência, por doença. Sabe-se hoje que muito mais grave do que o vírus que o atingira no estômago. Depressão grave, desvendou a viúva, um dia depois do suicídio, numa atitude que todos elogiaram — ontem, uma vez mais, pela boca de todos os oradores. E os presentes tributaram a coragem de Teresa Enke com aplausos. «O futebol não é tudo na vida», disse-lhe ela muitas vezes. Nas últimas semanas mais do que noutra altura qualquer. Em vão. Robert Enke não volta mais àquele estádio, onde «granjeou respeito e simpatia», como salientou o presidente do clube, Martin Kind, enaltecendo o «carácter e a personalidade» de Robert Enke, como «jogador e como homem». Ali, disse Kind, referindo-se ao AWD Arena, «alcançou o ponto mais alto da sua carreira, chegou a n.º 1 da selecção nacional», posição que, na quarta-feira, vai ser entregue a Manuel Neuer, do Schalke, no jogo com a Costa do Marfim, em que a Nationalmannschaft se apresentará de fumo negro em memória do companheiro, que deixou o mundo dos vivos de forma tão surpreendente quanto brutal.

Futebol não é tudo

«O futebol não é tudo na vida», repetiu o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Theo Zwanziger, num discurso de improviso carregado de sentimento e emoção. Viu-se nos rostos dos presentes. A tragédia de Robert Enke deu-lhe razão. Está ligada à sociedade de hoje, competitiva e submetida aos mais diversos tipos de pressão. O futebol tem a sua importância nesta sociedade. «Mas o futebol não pode ser tudo. A vida que nos foi oferecida é interessante, mas podemos realizá-la na multiplicidade da personalidade humana e em sociedade», frisou Zwanziger, exortando depois os presentes, especialmente os pais, à reflexão sobre a tragédia de Robert Enke. «Por mais que os vossos filhos tenham ídolos e aspirem até a chegar à selecção nacional, pensem também em tudo na vida, nas forças e nas fraquezas. Não pensem só nos holofotes, na projecção através dos media, pensem nas pessoas, nas certezas e nas dúvidas».

Mas o futebol é também uma forte expressão de vida, lembrou mais à frente o presidente da DFB, fazendo alusão à homilia do bispo Huber da Igreja Evangélica da Alemanha, no serviço religioso de inauguração do Mundial-2006, em Munique. «E pode-o ser, se não pensarmos obcecadamente nos resultados a qualquer preço, antes se pensarmos um pouco mais na dignidade humana, na sua multiplicidade, nas forças e nas fraquezas. Se não procurarmos dar sentido e grandeza à vida através da ambição desmedida».

O futebol, disse, por seu turno, o 1.º ministro da Baixa Saxónia, «pode ser a coisa secundária mais vida, mas não é a mais importante», tão pouco o êxito desportivo. Robert Enke foi guarda-redes de excepção, o melhor da Alemanha em duas épocas seguidas, foi «grande na baliza, mas também no seu relacionamento com os outros, aberto, sensível, sempre disponível, lutou contra os seus próprios medos, mas não os venceu», salientou Stephan Weil. A tragédia do guarda-redes alemão mostrou ao mundo que é melhor mostrar o medo do que escondê-lo. «Quem o fizer, não é fraco, mas forte!», concluiu. Talvez por isso também, a promessa: «Hannover nunca esquecerá Robert Enke».

Para já, a Câmara Municipal pensa atribuir o nome dele a uma rua ou a uma praça. Será mais lá para frente. Entretanto, aumenta o coro dos adeptos que pedem o nome de Robert Enke para o estádio. Até lá, onde quer que a memória de Robert Enke seja honrada vai continuar a chover sobre Hannover, como na hora de descer o caixão à cova, como se as lágrimas não quisessem secar.









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Mulher de Enke emocionou-se, chorou e abraçou-se a Moreira

Guarda-redes e o vice-presidente Rui Gomes da Silva representaram o Benfica.

Hannover — O vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, deixou Hannover com a convicção de que o clube da Luz deve «sentir orgulho em ter tido nas suas fileiras um jogador com a dimensão humana de Robert Enke». E «profundamente impressionado» com o que viu: «um estádio quase cheio, não para festejar golos, mas para prestar homenagem um desportista de eleição e um grande homem». E isto mesmo tendo consciência de que a força mediática do futebol «transformou um drama pessoal em grande acontecimento», até porque dramas e tragédias há em todos os domínios da sociedade. «Mas nem toda a gente tem a exposição pública amplificada como aqueles que contribuem para as vitórias e que, como se viu, são também seres humanos. Os media esquecem-no, nem sempre pensando que, por trás do desportista, há uma pessoa que vive e também sofre».

Rui Gomes da Silva salientou que regressa «muito sensibilizado», tanto com o lugar que foi destinado no estádio à delegação do Benfica, logo atrás dos familiares de Robert Enke, como com a «honra de ter podido participar na cerimónia privada». No momento de apresentação de condolências, já no cemitério, quando Teresa Enke viu Moreira na frente dela, agarrou-se a ele, abraçou-o e chorou.

Recordar Fehér

Para o guarda-redes, o que se viu em Hannover desde a trágica noite de terça-feira e especialmente ontem, no estádio, «só valoriza o que era o jogador, enquanto homem». «O que vi trouxe-me à memória o que aconteceu no jogo a seguir à morte de Fehér, com a Académica, na Luz. Arrepiante», confessou Moreira. «Começámos juntos na equipa principal e acabámos por ser companheiros de quarto durante três anos. Mas depois separámo-nos. Fui apanhado de surpresa. Um choque. Não queria acreditar e até fui para a Internet à procura de mais informação. Afinal, era verdade. Uma verdade trágica. Infelizmente!», concluiu o guarda-redes, emocionado.


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Hoje jogo eu: Doeu vê-lo partir

Por Martins Morim

Hannover — Conheci Robert Enke em serviço. Entrevistei-o duas vezes, quando representou o Benfica e percebi que era uma pessoa diferente. Do desportista fui imaginando, jogo após jogo, até onde podia chegar. O direito à camisola N.º 1 da selecção alemã era a confirmação das suas qualidades de excepção. Se só chegou a ela aos 29 anos, já como capitão do Hannover, como também no Benfica — e até com menos idade — foi porque à frente dele teve nomes como os de Oliver Kahn e Jens Lehmann. Conheci-o melhor mais tarde, através de Paulo Azevedo, português nascido em Freiburgo, na Alemanha, antigo futebolista que terminou a carreira no meu Varzim. Iniciativa conjunta do Instituto Alemão e de A BOLA trouxe o Paulo até à Travessa da Queimada e com o Paulo, que ontem transportou a urna no trajecto final, tão próximo era ele de Robert Enke, conheci melhor o homem por trás do futebolista: simpático, alegre, de humor fino, negação da estrela à procura de holofotes, antes cidadão atento ao que o envolvia, sensível ao ponto de sentir que um cão abandonado também precisa de carinho, sem nunca esquecer nem olhar para o lado ante as tragédias e os dramas humanos... sentidos na própria família. E, mesmo assim, sempre disponível para os outros. Não sabia, nem era capaz de imaginar, que sofria de depressão. Disse-me o Paulo no dia da morte. Já noite, voz embargada, do outro lado da linha. Mas pediu-me segredo. Respeitei-o. Por ele e por Robert. Pela Teresa também, que, corajosamente, desvendou o mal ao mundo em jeito de alerta, para que o mal não volte a vitimar mais ninguém. Graças também ao Paulo, fui honrado com a autorização de poder estar na cerimónia privada — eu e o jornal A BOLA, como percebi da importância que lhe dá Jorg Neblung, representante do jogador e amigo íntimo da família. E, de forma mais intensa, senti o que custa ver alguém partir assim. Também correram lágrimas pelo meu rosto. Afinal, um homem também pode chorar. Ontem foram muitos, mesmo muitos.

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Ao lado da filha

Robert Enke foi sepultado no Cemitério de Empede, perto de Hannover. Descansa ao lado de Lara, a filha do casal que morreu com apenas dois anos, em 2006, vítima duma deformação cardíaca incurável. Os dois nomes foram gravados numa única cruz.



L3GEND

Ainda não me consigo acreditar. Não dá!

È inacreditável que todas as tragédias a nivel futebolistico que aconteceram recentemente estão sempre ligadas ao Glorioso. Foi o Miki, o Bruno Baião, agora o Enke..  :cry2: :cry2:

Ainda tinha esperanças de te voltar a ver na baliza do Benfica, infelizmente isso não voltará a acontecer...

Descansa em paz Campeão! Robert Enke Nummer 1!  :pray:

fdst1983

Quem perceber um bocado de alemão, tem aqui muitos vídeos, relacionados com o Enke.
Muito emocionante!

http://www.bild.de/BILD/video/clip/sport/fussball/enke/startseite/sport-enke.html

m@gui

thanks XHITA. já esta guardado na capa!

Toribas

Uma coisa que reparei durante os dias seguintes à sua morte é que pouco ou nada falaram dos pais. Alguém sabe se já não são vivos?

ziabloO

Citação de: KRF em 15 de Novembro de 2009, 23:04
Fiquei chocado com os trechos da cerimónia que a SIC mostrou.

Foi sepultado ao lado da sua filhota que morreu com apenas 2 anos.

Esta vida terrena por vezes é demasiado cruel para algumas pessoas e ROBERT ENKE não merecia ter passado por esta agonia.

Que descanse em paz.

:cry2: :cry2: :cry2:

passei a respeitar mais um pouco o jornalista que fez essa peça. Estava mesmo muito boa, além de ter sido a única que realmente conseguiu mostrar a intensiadade dos sentimentos que estavam envolvidos naquela cerimónia fúnebre.
se não estou em erro até foi o mesmo que fez aquela análise aos acontecimentos do túnel em Braga,

bruno_

Citação de: ziabloO em 16 de Novembro de 2009, 18:53
Citação de: KRF em 15 de Novembro de 2009, 23:04
Fiquei chocado com os trechos da cerimónia que a SIC mostrou.

Foi sepultado ao lado da sua filhota que morreu com apenas 2 anos.

Esta vida terrena por vezes é demasiado cruel para algumas pessoas e ROBERT ENKE não merecia ter passado por esta agonia.

Que descanse em paz.

:cry2: :cry2: :cry2:

passei a respeitar mais um pouco o jornalista que fez essa peça. Estava mesmo muito boa, além de ter sido a única que realmente conseguiu mostrar a intensiadade dos sentimentos que estavam envolvidos naquela cerimónia fúnebre.
se não estou em erro até foi o mesmo que fez aquela análise aos acontecimentos do túnel em Braga,


Nuno pereira, (???) tenho a certeza absoluta que ele e benfiquista ;)

Achor81

Citação de: Lost_88 em 15 de Novembro de 2009, 22:13
Citação de: m@gui em 15 de Novembro de 2009, 22:11
Citação de: Lost_88 em 15 de Novembro de 2009, 22:06
Citação de: ladybug em 15 de Novembro de 2009, 22:05
Citação de: Lost_88 em 15 de Novembro de 2009, 22:03
Citação de: ladybug em 15 de Novembro de 2009, 22:02
alguém q saiba alemão q faça (sff) e dp escreva aqui para copiarmos todos e enviarmos.
Que faça o que?

o email para o clube a sugerir o jogo amigavel entre as duas equipas.
Eu posso escrever..

lost_88 se quiseres ajuda conta comigo! agora alemao ja nao é comigo!
Isso é juntar alguns daqui do Forum,e escrevem a carta em Portugues,eu faço a tradução para Alemão,e depois é arranjar o mail do Hannover 96,fui agora la,mas ta encerrado devido a morte do Enke,aparece uma imagen preta com o nome dele..

O que for enviado para o Hannover devia ser também enviado ao Benfica.

flip69

Citação de: Toribas em 16 de Novembro de 2009, 17:29
Uma coisa que reparei durante os dias seguintes à sua morte é que pouco ou nada falaram dos pais. Alguém sabe se já não são vivos?

Estavam sentados ao lado da viúva, para quem viu a cerimonia a viúva estava sentada a direita tinha a sua esquerda Jorg Neblung o empresário e amigo de Robert Enke, seguido depois da família Enke mãe, pai e irmã.



Descansa em paz Robert Enke

Joga Bonito

Não é que interesse para o caso mas na SIC, tanto o Nuno Pereira, como o Nuno Figueiredo como o Pedro Freitas são adeptos do Benfica.

tugafabio90

#3251
Citação de: Lost_88 em 15 de Novembro de 2009, 22:37
Citação de: cosmedam em 15 de Novembro de 2009, 22:32
Datos básicosEstadio
Dirección:
Clausewitzstraße 2
30175 Hannover  ALEMANIA

Teléfono: 0511-7601995
Fax: 0511-7601994

web: www.hannover96.de
e-mail: [email protected]

Fundado en:  1896
AWD Arena (Niedersachsen-stadion)

Se isto estiver correcto, está aqui o mail do Hannover96
Avancem com isso e depois falem comigo que eu faço a tradução,mas acham que o Hannover iria dar alguma importancia ao E-Mail ?

tb. posso traduzir para alemao....se der muito trabalho podemos fazer juntos...

Andreas

Citação de: flip69 em 16 de Novembro de 2009, 19:02
Citação de: Toribas em 16 de Novembro de 2009, 17:29
Uma coisa que reparei durante os dias seguintes à sua morte é que pouco ou nada falaram dos pais. Alguém sabe se já não são vivos?

Estavam sentados ao lado da viúva, para quem viu a cerimonia a viúva estava sentada a direita tinha a sua esquerda Jorg Neblung o empresário e amigo de Robert Enke, seguido depois da família Enke mãe, pai e irmã.



Descansa em paz Robert Enke


Obrigado pela foto. Assim distante, eu sabia que ele ainda.
Quando as coisas mais silenciosos são, eu vou visitá-lo e rezar para ele novamente.
Nosso site está de volta .... http://www.hannover96.de/CDA/top-stories/robert-enke-trauermarsch.html

O

Lost_88

Citação de: Andreas em 16 de Novembro de 2009, 20:43
Citação de: flip69 em 16 de Novembro de 2009, 19:02
Citação de: Toribas em 16 de Novembro de 2009, 17:29
Uma coisa que reparei durante os dias seguintes à sua morte é que pouco ou nada falaram dos pais. Alguém sabe se já não são vivos?

Estavam sentados ao lado da viúva, para quem viu a cerimonia a viúva estava sentada a direita tinha a sua esquerda Jorg Neblung o empresário e amigo de Robert Enke, seguido depois da família Enke mãe, pai e irmã.



Descansa em paz Robert Enke


Obrigado pela foto. Assim distante, eu sabia que ele ainda.
Quando as coisas mais silenciosos são, eu vou visitá-lo e rezar para ele novamente.
Nosso site está de volta .... http://www.hannover96.de/CDA/top-stories/robert-enke-trauermarsch.html

O
Andreas,wenn du wast brauchst ,kanns mit mir in Deutsch reden ;)

Andreas

@ Lost-88 Du sprichst gut Deutsch. Schon in Deutschland gelebt oder gewohnt?
Es wäre schön wenn beide Vereine vielleicht im Namen von Robert Enke ein Freundschaftsspiel
austragen könnten. Was haltet ihr davon? Wäre ne feine Sache.
Ciao
Fan from Hannover 96