Vítor Baptista

Avançado, (1948-10-18 - 1999-01-01),
Portugal
Equipa Principal: 7 épocas (1971-1978), 150 jogos (11945 minutos), 64 golos

Títulos: Campeonato Nacional (5), Taça de Portugal (1)

rambo

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Era já um rebelde. Ainda com causa.
Por isso, em finais de 1976 desafiou a Direcção do Benfica para braço-de-ferro:
«Sou o melhor futebolista português e pelo dinheiro que me pagam não jogo mais no Benfica.»
Mortimore chegara à Luz para substituir Mário Wilson e foi com espanto que se apercebeu do jogador que aparecia aos treinos de quando em vez, em fato de ganga, conduzindo um Jaguar, que comprara por 150 contos a um capitalista assustado com os ventos do PREC.
Aparecia, desaparecia. Hibernava. Pressionava. Só em Outubro se acertaram as contas. Por isso, aceitou voltar a jogar.
Brilhou e Pedroto convocou-o para a Selecção Nacional, sem sequer pestanejar.
Mas em Limassol, na véspera de um jogo com o Chipre, caldo entornado. Vítor Baptista recusou-se a fazer um treino ligeiro na relva do hotel, dizendo que não era jogador de... jardim, sendo, por isso, recambiado para Lisboa.
 
Apesar dos sinais de que era já um ensarilhado nas teias da droga, os dirigentes do Benfica não conseguiram convencê-lo a sujeitar-se a tratamento psiquiátrico.
Quando lhe falavam nisso, Vítor retorquia, sorrindo, que não estava maluco... Corria já o ano de 1977.
 
O Benfica deslocara-se a Moscovo para defrontar o Torpedo. Outra vez mosquitos por cordas...

«Vestia calças de ganga, os meus colegas levavam fatos e calças de fazenda. Os directores e o treinador disseram-me que era feio estar assim vestido e mandaram-me mudar de roupa. Não mudei e é mentira pura que me tenham metido no avião à força. Já em Moscovo senti dores ao sprintar e disse ao sr. Mortimore que só jogaria se, no caso de se agravar a lesão, o Benfica me pagasse o ordenado por inteiro durante a inactividade. Que não, disseram os directores. Perante isso, para pena minha, disse que não me sentia em condições, que era preciso colocar outro jogador no meu lugar.»

rambo

O lado triste ...

A droga e as metralhadoras

Vítor Baptista começou a ilaquear-se nas teias da droga em 1972, durante uma digressão do Benfica a África.

«A primeira vez foi em Moçambique, escondido numa casa de banho. Charrei-me com liamba, espetei-me. Fiquei num estado tal que fui direito a um espelho, parti-o todo, pensava que era a porta de saída!»

No ano seguinte, no Brasil, mais uma sessão dramática, que então se tomou de... acidente. Uma garrafa partida no quarto durante a noite, um pé completamente esfacelado, o regresso a Lisboa numa cadeira de rodas...

E uma rocambolesca história para contar por que passara no Aeroporto do Galeão.

«Foi um assalto a uma ourivesaria, uma barafunda de todo o tamanho. Como nos filmes. As balas faziam ricochete nas paredes, larguei a cadeira de rodas e, de rabo no chão e perna esquerda no ar, avancei com auxílio do traseiro, se fosse ao pé-coxinho talvez levasse um tiro na cabeça. Era a única hipótese de me safar. Andei assim uns dez metros e enfiei-me num buraco. E, depois de terem rebentado com a barriga de um polícia, de desfazerem a perna de uma senhora, de terem roubado uma série de jóias, os três ladrões conseguiram fugir num Volkswagen encarnado, armados até aos dentes. Por causa disso demorei mais um dia a chegar a Lisboa, por cá já se dizia que eu tinha fugido, que estava preso, enfim...»

Do Benfica saltaria para o Vitória. Dois anos lá esteve.
Depois passou para o Boavista, em meados de 1979. Poucos meses lá esteve. Rescindiu contrato e sonhou com outros voos.
Em Abril de 1980 aterrou na Califórnia, camisa em desalinho, um anel em cada dedo, pulseira no pé esquerdo. Fora convidado por António Simões, treinador do Earth Ouakes de San José.
O presidente, um bilionário deslumbrado por jogadores exóticos e que, por isso, já contratara George Best, ofereceu-lhe 250 contos por mês e correu Seca e Meca à procura de um Corvette descapotável que o jogador lhe pedira...
Foi canseira desnecessária, já que, duas semanas depois, recambiou-o para Portugal.
Foi para o Amora...

Era o princípio do fim. Montijo, União de Tomar, Estrelas do Faralhão, droga, cada vez mais droga, roubos, prisão, uma barraca em Setúbal, o trabalho no cemitério. Ou a queda de um anjo... na noite da passagem do ano.

REST IN PEACE MAIOR :bow2:

d.blow

Tenho pena de não haver uns vídeos dele. É dos jogadores antigos do Benfica que mais me fascina.

Shoky

Nas Aves estava lá um pano dele...

Joga Bonito

Citação de: Shoky em 31 de Janeiro de 2011, 14:52
Nas Aves estava lá um pano dele...

Tem estado presente esta época.

Shoky


Joga Bonito

Citação de: Shoky em 31 de Janeiro de 2011, 17:51
algum motivo especial?

Não Shoky. Uma homenagem a um dos nossos apenas! Infelizmente não o podemos fazer a todos :(

Shoky


nnpandora

Ouços as histórias que o meu pai me contava, e se não me engano, aquela que ficou na memória foi a procura do brinco em pleno relvado.

Quem o viu jogar,  dizi que era fantástico.

Fernando Bras

O Ibraim, aqui citado era um puto a quem se augurava um bom futuro, era extremo esquerdo e veio do Vitoria de Guimarães. Fez poucos jogos...

Fake Blood

Hoje falam dele no JN...
Foi coveiro dps de jogador....

RED TIFFO

Porque é que eu não te vi jogar com o Manto Sagrado MAIOR?!?!?

Rodolfo Dias

As diversas faces dum James Dean à portuguesa.


Fonte: O Mundo que nos Rodeia

Rodolfo Dias

O Maior a ser perseguido pelo Toni na final de 1967...



... e a encontrar-se com o Toni novamente, trinta anos depois.



Fonte: jornal "A Bola" de 9 de Julho de 1997.