País
Portugal

“Vértice de Água” escreveu. Vértice da controvérsia foi. Não como jogador, exímio da finalização, mas como técnico, daqueles que chegam com aura sebastiânica e se despedem sem glória. Incontornável é e será Artur Jorge. Filho adoptivo da família benfiquista.

Nasceu em Fevereiros de 1946, na Clínica da Lapa, no Porto. Poucos meses antes de ter sido testado com êxito um dispositivo que iria mudar as nossas vidas, o transístor, anos mais tarde responsável também pela projecção de um dos mais fies discípulos da doutrina do golo. Cedo nele se revelou insaciável o apetite pelo jogo. Que o pai, empregado comercial, até viria a estimular. Comprou-lhe mesmo uma bola de borracha, obrigando-o a exercitar o pé esquerdo, pois dextro apenas não poderia ser.

Vanguardista, Artur Jorge fundou o Centro Académico Futebol Clube, resolvendo o bicudo problema dos equipamentos com o socorro da Mocidade Portuguesa. Para trás ficavam as disciplinas de vólei e do basquetebol. Depois do Torneio Popular Juvenil do Porto, melhor jogador foi, perfilhou as insígnias do Académico, popular agremiação da Carvalhosa. Num ápice, às Antas chegou, pela mão de José Maria Pedroto. Foi campeão nacional júnior e, na Holanda, ajudou ao terceiro lugar da selecção no Torneio Internacional da UEFA.

À equipa de honra do FC Porto chegou, já com Otto Glória. Havia nele proficiência, não fosse o anátema das lesões e outro galo cantaria. Estudava à noite, com explicadores pagos pela conta-corrente azul e branca, ele que não relaxava no propósito de se licenciar. Com o ingresso de Manuel António nas Antas, Artur Jorge transferiu-se para a Lusa Atenas, fazia-se jogador da Académica, que “mais do que um clube é uma causa”, haveria de escrever José Afonso.

Com livros de Descartes, Nietzsche, Kant e Sartre, debaixo do braço, outros vultos começou a estudar, aqueles que ao domingo atenuavam a perversidade do regime, dando alegria ao provo. Foi no que se tornou também. Marcou golos, muitos golos. Mais do que ele, por essa altura, só no Benfica Eusébio e Torres. Deixou a Académica em segundo lugar no Campeonato, palmo a palmo disputado, em 66/67, com o gigante da Luz. No auge da crise académica de 69, sopravam os ventos do Maio francês, Artur Jorge foi impedido de participar na final da Taça, com o argumento pateta de que  primeiro estava o serviço militar. Nesse jogo, que só politicamente preparou, por ironia o poder era…..vermelho. Ganhou o Benfica (2-1), com camadas de estudantes nas bancadas do Jamor, destemidamente exibindo cartazes contra a guerra colonial e pelas liberdades cívicas e democráticas.

Artur Jorge assinou de vermelho no inicio da temporada seguinte, após ter estabelecido um acordo informal com o Sporting. Perdeu dinheiro, mas jogar ao lado de Eusébio estimulava-lhe a alma. No primeiro ano, sentiu dificuldades para se afirmar no ninho da águia. Já históricas foram as duas temporadas seguintes (70/71 e 71/72), as da equipa-maravilha, conquistando outras tantas Bolas de Prata, troféus atribuídos por “A Bola”, ao melhor artilheiro do campeonato. Tinha um jogo inteligente, de recorte elevado, talvez percursor do “pontapé de moinho”, feliz classificativo para aquele seu gesto mais característico. Não raras vezes, escapava ao senso comum e aparecia numa nesga a farejar o golo. Era glamoroso.



No final de 72, integrou a Selecção Nacional, que embaixada benfiquista mas parecia, na Minicopa, por terras brasileiras disputada. Conquistada a titularidade, protagonizou grande campanha, ao serviço de um colectivo que só morreu, mas de pé, no desafio final, perante o país organizador. “O Eusébio vai recuperar; ele não é um homem com os outros, por isso…..”. Por  isso jogou, frente ao Brasil, ao lado do Pantera Negra, inferiorizado devido a uma lesão. Por isso também, se calhar não ganhou Artur Jorge importante troféu.

Atravessou o 25 de Abril no Benfica. Degenerava um tanto, futebolisticamente, porque as lesões o apoquentavam. Só a um dos joelhos foi operado cinco vezes. Um calvário que o subalternizou até à despedida da Luz. Ainda jogou no Belenenses, com o revolucionário estatuto de trabalhador-futebolista. Durante o dia, sentava-se na secretária da Direcção-Geral dos Desportos; à noite, exercitava-se no Restelo. Eram os tempos das lutas sindicais. Presidente do órgão representativo dos jogadores seria. Ouros golos marcou, em defesa da classe, da sua honradez e dignidade.





Épocas no Benfica: 6 (69/75)

Jogos: 130
Golos: 103

Títulos: 4 CN e 2 TP


Texto: Memorial Benfica, 100 Glórias
Copiado de Ednilson

Estatísticas

First match

SL Benfica 3 x 0 Académica

Sábado, Setembro 27, 1969 - 00:00

Estádio da Luz ,

SL Benfica: José Henrique, Malta da Silva, Adolfo, Zeca, Humberto Coelho, Simões, Coluna, Toni, Diamantino Costa, José Torres (José Augusto [75m]), Eusébio (Artur Jorge [66m])
Treinador: Otto Glória
Golos: José Torres (22), José Torres (68), Eusébio (28)

Último jogo

Atlético CP 0 x 3 SL Benfica

Domingo, Abril 13, 1975 - 00:00

Estádio da Tapadinha ,

SL Benfica: Bento, Humberto Coelho, António Bastos Lopes, Barros, Messias, Diamantino Costa (Ibraim [69m]) (Ibraim [69m]), Simões, Toni, Artur Jorge, Vitor Baptista, Moinhos
Treinador: Milorad Pavic
Golos: Diamantino Costa (21), Artur Jorge (38), Artur Jorge (62)

41808 - Tópico: Artur Jorge (Jogador)  (Lida 26537 vezes)

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  • 28 de Outubro de 2010, 19:10


Nome Completo: ARTUR JORGE Braga de Melo Teixeira
Posição: Ponta de Lança
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 13-02-1946
Número da Camisola: 9
Pé Preferido: Direito



Épocas ao serviço do Benfica: 6
Total de Jogos pelo Benfica: 130
Total de Golos pelo Benfica: 105
Títulos pelo Benfica:
4 Campeonatos Nacionais (1970/71, 1971/72, 1972/73, 1974/75)
2 Taças de Portugal (1969/70, 1971/72)


1969/1970
Jogos: 31
Golos: 18 (8 na Liga)

1970/1971
Jogos: 37
Golos: 37 (24 na Liga)

1971/1972
Jogos: 36
Golos: 33 (27 na Liga)

1972/1973
Jogos: 18
Golos: 13 (11 na Liga)

1973/1974
Jogos: 4
Golos: 1 (1 na Liga)

1974/1975
Jogos: 4
Golos: 3 (2 na Liga)
« Última modificação: 01 de Março de 2013, 02:38 por Shoky »

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  • 28 de Outubro de 2010, 19:40
Artur Jorge Braga Melo Teixeira. Porto. 13 de Fevereiro de 1946. Avançado.
Épocas no Benfica: 6 (69/75). Jogos: 130. Golos: 103. Títulos: 4 (Campeonato Nacional) e 2 (Taça de Portugal).
Outros Clubes: FC Porto, Académica, Belenenses e Ronchester Lancers. Internacionalizações: 16. Treinador do Benfica em 1994/95 e 1995/96.




Equipa 1972/1973 – Artur Jorge, entre Eusébio e Jordão

“Vértice de Água” escreveu. Vértice da controvérsia foi. Não como jogador, exímio da finalização, mas como técnico, daqueles que chegam com aura sebastiânica e se despedem sem glória. Incontornável é e será Artur Jorge. Filho adoptivo da família benfiquista.

Nasceu em Fevereiros de 1946, na Clínica da Lapa, no Porto. Poucos meses antes de ter sido testado com êxito um dispositivo que iria mudar as nossas vidas, o transístor, anos mais tarde responsável também pela projecção de um dos mais fies discípulos da doutrina do golo. Cedo nele se revelou insaciável o apetite pelo jogo. Que o pai, empregado comercial, até viria a estimular. Comprou-lhe mesmo uma bola de borracha, obrigando-o a exercitar o pé esquerdo, pois dextro apenas não poderia ser.

Vanguardista, Artur Jorge fundou o Centro Académico Futebol Clube, resolvendo o bicudo problema dos equipamentos com o socorro da Mocidade Portuguesa. Para trás ficavam as disciplinas de vólei e do basquetebol. Depois do Torneio Popular Juvenil do Porto, melhor jogador foi, perfilhou as insígnias do Académico, popular agremiação da Carvalhosa. Num ápice, às Antas chegou, pela mão de José Maria Pedroto. Foi campeão nacional júnior e, na Holanda, ajudou ao terceiro lugar da selecção no Torneio Internacional da UEFA.

À equipa de honra do FC Porto chegou, já com Otto Glória. Havia nele proficiência, não fosse o anátema das lesões e outro galo cantaria. Estudava à noite, com explicadores pagos pela conta-corrente azul e branca, ele que não relaxava no propósito de se licenciar. Com o ingresso de Manuel António nas Antas, Artur Jorge transferiu-se para a Lusa Atenas, fazia-se jogador da Académica, que “mais do que um clube é uma causa”, haveria de escrever José Afonso.

Com livros de Descartes, Nietzsche, Kant e Sartre, debaixo do braço, outros vultos começou a estudar, aqueles que ao domingo atenuavam a perversidade do regime, dando alegria ao provo. Foi no que se tornou também. Marcou golos, muitos golos. Mais do que ele, por essa altura, só no Benfica Eusébio e Torres. Deixou a Académica em segundo lugar no Campeonato, palmo a palmo disputado, em 66/67, com o gigante da Luz. No auge da crise académica de 69, sopravam os ventos do Maio francês, Artur Jorge foi impedido de participar na final da Taça, com o argumento pateta de que  primeiro estava o serviço militar. Nesse jogo, que só politicamente preparou, por ironia o poder era…..vermelho. Ganhou o Benfica (2-1), com camadas de estudantes nas bancadas do Jamor, destemidamente exibindo cartazes contra a guerra colonial e pelas liberdades cívicas e democráticas.

Artur Jorge assinou de vermelho no inicio da temporada seguinte, após ter estabelecido um acordo informal com o Sporting. Perdeu dinheiro, mas jogar ao lado de Eusébio estimulava-lhe a alma. No primeiro ano, sentiu dificuldades para se afirmar no ninho da águia. Já históricas foram as duas temporadas seguintes (70/71 e 71/72), as da equipa-maravilha, conquistando outras tantas Bolas de Prata, troféus atribuídos por “A Bola”, ao melhor artilheiro do campeonato. Tinha um jogo inteligente, de recorte elevado, talvez percursor do “pontapé de moinho”, feliz classificativo para aquele seu gesto mais característico. Não raras vezes, escapava ao senso comum e aparecia numa nesga a farejar o golo. Era glamoroso.



No final de 72, integrou a Selecção Nacional, que embaixada benfiquista mas parecia, na Minicopa, por terras brasileiras disputada. Conquistada a titularidade, protagonizou grande campanha, ao serviço de um colectivo que só morreu, mas de pé, no desafio final, perante o país organizador. “O Eusébio vai recuperar; ele não é um homem com os outros, por isso…..”. Por  isso jogou, frente ao Brasil, ao lado do Pantera Negra, inferiorizado devido a uma lesão. Por isso também, se calhar não ganhou Artur Jorge importante troféu.

Atravessou o 25 de Abril no Benfica. Degenerava um tanto, futebolisticamente, porque as lesões o apoquentavam. Só a um dos joelhos foi operado cinco vezes. Um calvário que o subalternizou até à despedida da Luz. Ainda jogou no Belenenses, com o revolucionário estatuto de trabalhador-futebolista. Durante o dia, sentava-se na secretária da Direcção-Geral dos Desportos; à noite, exercitava-se no Restelo. Eram os tempos das lutas sindicais. Presidente do órgão representativo dos jogadores seria. Ouros golos marcou, em defesa da classe, da sua honradez e dignidade.

Já campeão europeu pelo FC Porto, de resto o único treinador português a garantir esse desiderato – até ser imitado por José Mourinho, quase 20 anos depois -, voltou ao Benfica, substituindo o campeão Toni, no dealbar de 94/95. A herança pesou-lhe como chumbo, erros terá cometido, ingratidões várias vitimaram-no. Não foi, longe disso, como técnico o que havia sido como atleta. Daí que o dr. Artur Jorge, grande senhor da bola, entre na história centenária pelo lado mais genial do seu poema: o golo.


Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.30
« Última modificação: 19 de Abril de 2013, 23:10 por Shoky »

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  • 28 de Outubro de 2010, 19:43
http://terceiroanel.weblog.com.pt/arquivo/011841.html

A época de 1994/1995 começou agitada. O treinador campeão Toni é afastado e sai da Luz com os olhos chorosos, "traído" pelo grande amigo Artur Jorge, que cumpria o "sonho" de treinar o Benfica, presidido por Manuel Damásio. O sonho, no entanto, rapidamente se tornou num pesadelo, pela doença que o afastou dos bancos durante alguns meses, e também, por um conjunto de aquisições, no minimo duvidosas, assim como algumas dispensas ridiculas e jogadores de qualidade afastados, vá lá perceber-se porquê. O FC Porto também não esteve melhor... com Bobby Robson a descobrir algumas "perólas": Ettiene N'Tsunda, Mandla Zwane, Roberto Arturo Mogrovejo, Walter Paz e Ronald Pablo Baroni foram contratados, através da sua "ligação perigosa" ao empresário argentino Marcelo Housemann. Rapidamente se percebeu, que não passavam de pouco mais do que jogadores medíocres, que nada adicionavam à estrutura já criada e que foi a base do êxito portista desse ano, aos quais se juntou o "poderoso" Emerson, contratado ao Belenenses, e que realizou uma época notável, e os russos... pois Kulkov e Yuran foram contratados já com a época em andamento, depois de dispensados por Artur Jorge do Benfica, na sequência do acidente que roubou a vida a Rui Filipe, o "símbolo" da época portista, e que levou ao afastamento de Kostadinov, que desejoso de partir, desrespeitou as "regras da casa".

Apesar de um inicio de época fraco, o Benfica em Janeiro e Fevereiro, com uma série vitoriosa, recuperou terreno em relação ao FC Porto, chegando às Antas, apenas a 4 pontos do líder FC Porto. Sabia-se que o futuro do campeonato decidia-se nesse jogo, que surgia na sequência do regresso das competições europeias, com ambas as equipas a deslocarem-se a Itália. O Benfica, na quarta feira anterior ao "clássico", perdeu em Milão, frente ao AC Milan, por 0-2, realizando uma partida fraca, o que motivou as mais celebres declarações da passagem de Artur Jorge na Luz: "Quero um Benfica à FC Porto", depois dos "dragões" vencerem, no dia seguinte, a Sampdória, no Luigi Ferraris, com golo de Yuran, um jogador que dispensara. Essas declarações cairam como uma bomba junto dos adeptos do Benfica e no balneário encarnado, onde, a sexta feira anterior ao clássico, terá sido marcada por graves desentendimentos. E foi assim que se lançou o "clássico", com Artur Jorge, pela primeira vez como treinador, do outro lado da barricada.

Artur Jorge apresenta-se com um 4x1x4x1, sem Caniggia, perfeitamente desajustado, com Paulo Madeira a lateral direito, William e Paulo Pereira - que na época anterior marcara dois golos ao Benfica - a centrais, e um disparatado Nelo, a médio ala esquerdo. João Pinto era o ponta de lança inventado, contando com o apoio de Edilson e Isaías. Robson, por sua vez, apresentava o seu tradicional 4x2x3x1, com Yuran a titular, e Domingos na esquerda, preterindo Drulovic e deixando de fora Vassili Kulkov, a contas com uma luxação num ombro. O FC Porto entra, como era habitual, a matar, e José Carlos, aos 7 minutos, abre o activo, num golo comemorado com gestos obscenos do central brasilero e de Yuran, em direcção ao banco "encarnado", onde estavam Artur Jorge e Gaspar Ramos. Com o relvado muito encharcado e escorregadio, José Pratas não conseguia segurar o jogo, e os cartões iam-se acumulando. O Benfica, aos poucos e poucos, foi crescendo, e João Pinto, aos 38 minutos, fez o golo do empate, pouco antes de Secretário, muito exaltado, ser expulso, por acumulação de amarelos.

O intervalo chegou, com o Benfica a empatar e com mais um jogador, o que criava grandes expectativas junto dos encarnados em relação ao jogo. Mas o que se terá passado ao intervalo no túnel das Antas foi alvo de muita polémica, com Gaspar Ramos a acusar dirigentes portistas e elementos da equipa técnica de terem agredido Pratas, pressionando e intimidando o árbitro de Évora. E, na verdade, Pratas realizou uma segunda parte medíocre, prejudicando claramente o Benfica, deixando por marcar uma grande penalidade nítida sobre César Brito, o homem que deu a última vitória benfiquistas nas Antas, e que Artur Jorge lançou, de forma corajosa, nas Antas. Porque, em abono da verdade, Artur Jorge foi um técnico sem medo na segunda parte. Com o FC Porto com menos uma unidade, o técnico benfiquista abdicou do lateral direito improvisado Paulo Madeira e lançou César Brito para ponta de lança, alargando a frente de ataque. E, Brito, podia ter morto o jogo, mas falhou, claramente, na finalização. Só que Robson, como sempre ágil mentalmente, abdicou de Yuran e lançou Drulovic... para a esquerda. As contas defensivas encarnadas ficaram baralhadas, e Drulovic, numa jogada mágica, quatro minutos depois de ter entrado, fez o golo da vitória portista, bem segura por Robson ao lançar Jorge "Bicho" Costa logo a seguir ao golo, fechando-se num esquema ultra defensivo, que procurava espreitar o contra ataque. O Benfica acabou por caír na "ratoeira" de Robson, e não conseguiu a igualdade, apesar de ter estado perto de o fazer. Mas, ainda antes do final do jogo, Dimas acabou por ser expulso, traindo as últimas hipóteses encarnadas.

No final do jogo, trocas de palavras agressivas de parte a parte, com Gaspar Ramos a queixar-se da "vergonhosa pressão portista feita sobre o árbitro" e das agressões feitas a José Pratas ao intervalo. Robson, por sua vez, glorificou a "aposta decisiva em Drulovic", enquanto o central José Carlos atacava Artur Jorge: "Foi um golo e uma vitória contra o 'cara' que me trouxe para Portugal, mas que nunca apostou em mim. Deu um gozo muito grande quando fiz o golo e extravasei a minha alegria daquela maneira, indo para cima do banco do Benfica, coisa que nunca fiz na vida".

As portas do primeiro título do "penta" estavam definitivamente abertas e viriam a ser confirmadas numa vitória em Alvalade com sabor especial para Robson. E também estava dado o mote para o princípio da "queda" de Artur Jorge no Benfica e a continuidade de "desatinos" da direcção liderada por Manuel Damásio.

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  • 28 de Outubro de 2010, 19:48
Clubes:
CARREIRA DE FUTEBOLISTA
1977/78 - Belenenses - 4 Jogos / 1 Golo
1977 - Rochester Lancers - 7 Jogos / 2 Golos
1976/77 - Belenenses - 19 Jogos / 6 Golos
1975/76 - Belenenses - 28 Jogos / 7 Golos
1974/75 - S.L.Benfica - 3 Jogos / 2 Golos
1973/74 - S.L.Benfica - 4 Jogos / 1 Golo
1972/73 - S.L.Benfica - 15 Jogos / 11 Golos
1971/72 - S.L.Benfica - 26 Jogos / 28 Golos
1970/71 - S.L.Benfica - 26 Jogos / 24 Golos
1969/70 - S.L.Benfica - 21 Jogos / 9 Golos
1968/69 - Académica - 18 Jogos / 5 Golos
1967/68 - Académica - 26 Jogos / 28 Golos
1966/67 - Académica - 26 Jogos / 25 Golos
1965/66 - Académica - 26 Jogos / 13 Golos
1964/65 - FC Porto - 4 Jogos / 1 Golo

FORMAÇÃO
Clube Académico do Porto e FC Porto


Competições Europeias: 16 Jogos / 5 Golos

Estreia: 12 de Novembro de 1969, em Glasgow
(Celtic 3 - S.L.Benfica 0) - Com Otto Glória

Último jogo: 8 de Novembro de 1972, na Luz
(S.L.Benfica 0 - Derby County 0) - Com Jimmy Hagan

Primeiro golo: 30 de Setembro de 1970, na Luz
(S.L.Benfica 8 - Olimpija 1) - Marcou o 5-1 aos 67'

Último golo: 20 de Outubro de 1971, na Luz
(S.L.Benfica 2 - CSKA Sofia 1) - Marcou o 2-0 aos 62'

Selecção: 16 Jogos / 1 Golo

Estreia: 27 de Março de 1967, em Roma
(Itália 1 - Portugal 1) - Particular - Com José Gomes da Silva

Último jogo: 30 de Março de 1977, no Funchal
(Portugal 1 - Suiça 0) - Particular - Com "Juca"

Primeiro golo: 29 de Março de 1972, no Jamor
(Portugal 4 - Chipre 0) - Marcou o 3-0'

Último golo: 29 de Março de 1972, no Jamor
(Portugal 4 - Chipre 0) - Marcou o 3-0'


Curiosidades:
- Aos 14 anos fundou o seu próprio clube: Centro Académico Futebol Clube lhe chamou, escolhendo para equipamento as camisolas da Mocidade e os calções da ginástica. Entraram no Torneio Popular Juvenil do Porto, Artur Jorge foi considerado o melhor jogador, mas, por zangas várias, pouco depois desactivou o clube que fundara, para se dedicar ao Clube Académico do Porto, que era outro dos muitos clubes da Carvalhosa.
- Entre 1973 e 1975 foi operado cinco (5!!!) vezes ao joelho. Este calvário de lesões afasta-o da Luz e, após mais 3 temporadas em que representou o Belenenses e o Rochester Lancers, abandona o futebol após partir uma perna num treino realizado no Estádio Nacional. Contava "apenas" 32 anos...
- Foi fundador e o primeiro presidente do Sindicato de Jogadores, sempre com voz activa contra o "sistema", lutando sempre pela melhoria das condições dos futebolistas.
- Terminada a carreira de futebolista enveredou pelo treino. Foi feliz nas Antas mas desceu ao inferno na Luz: A revolução no plantel acabaria por resultar num rotundo fracasso e iniciar-se-ia um dos ciclos mais negros da história do clube encarnado.

http://vedetaoumarreta.blogspot.com/2008/05/n115-artur-jorge-braga-de-melo-teixeira.html

pcssousa

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:04
Já há (ou havia) um tópico para o Artur Jorge nos ex-funcionários, onde até salvo erro, lhe adulteraram o nome. Na altura até pedi para separar as águas entre Artur Jorge jogador e Artur Jorge Treinador. É muito bem lembrado!

flip69

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:07
Artur Jorge foi melhor marcador nacional pelo Benfica em 70/71 com 23 golos e em 71/72 com 27 golos.

VALEBEM

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  • Charneca de Caparica
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  • 28 de Outubro de 2010, 20:12
O Artur Jorge, enquanto jogador do Benfica, é obviamente Imortal! 130 jogos, com 103 golos marcados, e numa equipa onde havia ainda Eusébio, Nené, Jordão, etc..., para marcarem... Esteve no tri de Jimmy Hagan!

slbenfica_croft

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:14
como jogador sim, mas a verdade é k a sua carreira enquanto treinador marca mto negativamente o BENFICA.

Não consigo ter o minimo de respeito por ele. Não consigo.

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:27
Fui à procura... e n encontrei tópico dele... deu-me bastante trabalho fazer esta pesquisa... espero q n tenha sido em vão...

Já quase 20 anos passaram desde q o Artur Jorge treinou o Benfica, penso q as coisas estão mais serenas e podemos julgar o homem e perceber q foi um grande jogador ao nosso serviço... com o seu famoso pontapé de moinho!

Aqui... exalta-se Artur Jorge, o jogador... q é um Imortal do Benfica... mas se analisarmos o q fez como treinador do Benfica percebemos q ele, apesar de ter errado, foi utilizado como bode expiatório... no fundo era o sonho dele treinar o Benfica! Mas correu mal...

Shoky

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:29
Artur Jorge jogador é Imortal.
Artur Jorge treinador é monte de merda. E tem tópico nos ex-funcionários.
Neste caso tem mesmo de haver separação.

Nos próximos dias actualizo os dados.

PS: O trojan horse já se assumiu adepto do focul.

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:32
O Artur Jorge, enquanto jogador do Benfica, é obviamente Imortal! 130 jogos, com 103 golos marcados, e numa equipa onde havia ainda Eusébio, Nené, Jordão, etc..., para marcarem... Esteve no tri de Jimmy Hagan!
Lembrei-me de fazer este tópico qd vi o programa Vitórias e Património e fiquei babado com aquela equipa... a invencível! Eusébio, Simões, Artur Jorge, Jordão, Nené, Toni, Humberto, Adolfo, Messias, José Henriques...

nsalta

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:36
Eu tenho a teoria que este Artur Jorge foi raptado por extra-terrestres, em conluio com o bimbo, e foi substituído por uma cópia física.

_JonasThern_

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:39
Epah, o que é isto? Agora uma pessoa divide-se em 2? Um dos principais responsáveis por, ainda hoje, andarmos a apanhar papéis! Dispensou Yuran, Kulkov e, principalmente, Paneira e Isaías...

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:44
Epah, o que é isto? Agora uma pessoa divide-se em 2? Um dos principais responsáveis por, ainda hoje, andarmos a apanhar papéis! Dispensou Yuran, Kulkov e, principalmente, Paneira e Isaías...
N se pretende analisar aqui o Artur Jorge, treinador do Benfica, apesar de ser quase inevitável... mas n se pode assacar responsabilidades só a ele... n teve tantos anos assim como treinador, especialmente qd teve na altura um tumor na cabeça e o Benfica estava numa crise económica e teve de vender jogadores. Damásio é q despediu o Toni e anuiu às suas dispensas... no fundo ele tb tinha feito uma limpeza de balneário do Porto, com sucesso e tentou fazer o mesmo! Os russos eram indisciplinados... basta ler o q se dizia na altura e o próprio Pacheco confirmou! Pena pelo Isaias e Paneira...

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  • 28 de Outubro de 2010, 20:46
Sinal de maturidade, muito bem. Coisa rara, às vezes, no Fórum.