Conquistas gloriosas - Futebol - Taça de Portugal

pcssousa

O Rogério 31, a caminho dos 32. Passaria pelo Oriental e continuaria a carreira, até há poucos anos, como vendedor de automóveis, na Ford.
O Arsénio tinha 29 anos, a caminho dos 30. Ingressaria na CUF da sua terra natal. Quando ingressou no Benfica, vindo do Barreirense, já era aprendiz de serralheiro na CUF e acabou por conjugar a vida de futebolista com a de trabalhador fabril, sempre num vaivém Lisboa-Barreiro.
Em 1954, Otto Glória chegou ao Benfica, e foi estipulado que os jogadores se deveriam dedicar em exclusivo ao futebol. Arsénio não o cumpriu e na época seguinte foi despedido. Por querer continuar a ser jogador-trabalhador ingressou na Cuf, com tempo ainda para ganhar uma Bola de Prata em 57/58. É conhecida a história que Travaços e Vasques, que, nessa temporada de 1957/58, se sagraram, pela última vez, campeões nacionais de futebol, logo após a festa leonina correram à estação de correios dos Restauradores para enviarem para o Barreiro um telegrama carregado de sentimentalismo, que dizia mais ou menos assim: «Parabéns dos velhinhos como tu, que ainda são capazes de fazer coisas tão bonitas...».
Tanto Arsénio como Rogério conquistaram todas as finais da Taça de Portugal que disputaram... 6 cada um... bem como a final da Taça Latina, verdadeiros especialistas em finais... que jeito dariam nas fianis europeias.

Acerca de Otto Glória uma coisa ficou por dizer, o brasileiro no Benfica não foi apenas treinador de futebol mas também o foi de basquetebol, em parte da época de 55/56 (cerca de metade), ele que já no Brasil tinha sido igualmente jogador e treinador de basquetebol... curioso, não?

PS: Eu sei que os posts são longos, mas assim fica tudo contado e dá para fazer uma perspectiva histórica, falar não só das finais mas acompanhar um pouco da história do clube... As minhas desculpas se vos maço.
Façam ainda o favor de abrir as hiperligações para verem os curriculos dos jogadores. Este último post tem ainda uma hiperligação para um curto filme de apresentação das equipas presentes na final.

PS2: sei que este tópico não tem suscitado grande interesse, fácilmente constactável pelo escasso nº de leituras, mas vão ter que me aturar um pouco mais pois vou concuir ainda assim a tarefa.

Cumprimentos.

MarceloSilva@92

Grande cavalheirismo que havia no futebol na altura. Um obrigado por estes grandes posts  :amigo:

Eddie_

Dá-lhe, sousa!
Não desanimes que há quem queira saber sempre mais sobre a NOSSA história.

dfernandes

Amigo pcssousa, queria enviar-te pm mas tens a caixa cheia. Quando puderes apaga uma ou duas.

Abraço.

Shoky

Na "TAÇA PORTUGAL 1952/1953" acrescentei os hiperlinks para Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira, treinadores do Benfica e Porto.

Dá gozo ler este tópico. Está fabuloso.

pcssousa

Citação de: Shoky em 06 de Setembro de 2012, 15:31
Na "TAÇA PORTUGAL 1952/1953" acrescentei os hiperlinks para Ribeiro dos Reis e Cândido de Oliveira, treinadores do Benfica e Porto.

Dá gozo ler este tópico. Está fabuloso.
Obrigado, fizeste muitíssimo bem. Era já para te ter pedido para fazeres isso em situações ue me tivessem passado, mass não te quis estar a chatear.

Citação de: dfernandes em 06 de Setembro de 2012, 15:15
Amigo pcssousa, queria enviar-te pm mas tens a caixa cheia. Quando puderes apaga uma ou duas.

Abraço.
Já apaguei. Vou dizer a verdade, deixei propositadamente a caixa cheia uma vez que no decurso do que escrevi esta semana no tópico das competições nacionais, voltei a receber PM's ameaçadoras. Algo burro de quem as escreveu pois podia fazer print screen e denunciar. Não o vou fazer, mas também para evitar receber trampa dessa resolvi deixar aquilo cheio. De todas as formas, já era tempo de apagar umas quantas.

Abraço.

Shoky

Mal posso esperar para ler os próximos capitulos. ;D
Estes tópicos são fantásticos.

O_Glorioso

Bom tópico! Obrigado pelas resenhas históricas da participação do Clube nesta grande competição, que o Benfica de hoje deu para desprezar, juntamente com muitos benfiquistas. E não só neste desporto!

Vitor84

Citação de: pcssousa em 06 de Setembro de 2012, 00:46
Acerca de Otto Glória uma coisa ficou por dizer, o brasileiro no Benfica não foi apenas treinador de futebol mas também o foi de basquetebol, em parte da época de 55/56 (cerca de metade), ele que já no Brasil tinha sido igualmente jogador e treinador de basquetebol... curioso, não?
Mais uma coisa que desconhecia.

Pcssousa peço-te encarecidamente que não pares com estes posts. É com enorme prazer que leio estes tópicos, e que descubro pormenores que ainda desconhecia.

manager2013


pcssousa

Mais uma vez obrigado pelos elogios.
Claro que, tal como já prometi, isto é para continuar e a sério... acabar com as Taças de Portugal, apontar baterias para a Taça Latina e Taça dos Campeões Europeus, fazer uma abordagem às principais datas do clube, desde a fundação até aos dias de hoje detendo-me um pouco a descrever cada uma delas, com curiosidades como o primeiro jogo, o primeiro jogo internacional ou o 1º jogo com um colosso como o Real Madrid, que é uma data que até está a fazer 100 anos... 13 de Janeiro de 1913, vitória nossa... 7-0. Inaugurações, desde os Estádios, à extinta pista de tartan ou às piscinas da Luz... ou datas importantes para as modalidades. É preciso é tempo para tudo isto.

Entretanto, só para o inicio da próxima semana, em principio retomarei a Taça de Portugal. Entretanto e, porque me apetece, penso este fim-de-semana fazer um post sobre uma conquista gloriosa, ou melhor, uma ano glorioso, mas de outra modalidade do clube, isto porque o nosso amado Benfica não é só o "pontapé na bola".
Espero no futuro, a médio prazo, abordar outras conquistas de mais modalidades. Isto desde qua haja interesse do pessoal, claro.


Bola7

tópico sem interesse..bom mesmo é um sobre a taça da liga.. :bah2:

johnny supernova

Que grande trabalho que aqui está.   :bow2:

Obrigado por estas "páginas" da nossa Enorme história pcssousa.

RedVC

É um grande prazer ler este tópico. Neste caso não existe nenhuma mensagem longa. Quantos mais detalhes melhor. Muito obrigado!

pcssousa

Taça de Portugal 1956/57


Depois de uma época em branco, o Benfica de Otto Glória voltava às dobradinhas.

Num campeonato disputado taco-a-taco, o Benfica acabaria por se sagrar campeão, na última jornada, mercê de uma vitória caseira frente à Académica de Coimbra no dia 31 de Março de 1957. A um escasso ponto ficaria o FC Porto que, nesse mesmo dia, enviaria um telegrama de felicitações pelo título conquistado pelos Benfiquistas.

Numa altura em que a Taça de Portugal já não se disputava integralmente após o términus do campeonato, o trajecto do Benfica na prova, com eliminatórias a duas mãos, não foi particularmente fácil ou livre de sustos.
Logo no primeiro jogo, um pouco auspicioso empate caseiro a zero ante o Caldas da Rainha. Nas Caldas venceríamos por 0-3 e seguiríamos para os quartos-de-final.
Na ronda seguinte novo susto. Depois de um empate a 1 na deslocação a Torres Vedras, um empate na Luz por 2-2. Como no regulamento não estava previsto o desempate por golos marcados fora ou sequer pela marcação de pontapés da marca de grande penalidade, foi marcado novo jogo, para a Tapadinha, onde o Benfica ganharia confortavelmente, por 4-0.
Nas meias-finais, a já clássica deslocação ao Barreiro. Vitória por 1-0 na Margem Sul e uma confortável vitória caseira por 4-0 selaram a passagem à final.

A final da Taça teve duas particularidades, juntou o campeão com o penúltimo classificado do campeonato, que, apesar disso, tinha afastado nos quartos o vice-campeão FC Porto com duas vitórias (1-2 e 1-0). Mas, esta não era a única particularidade... esta final iria juntar dois irmãos que alinhariam com camisolas diferentes. De um lado, Cavém, defesa central do Covilhã, do outro, Cavém., extremo-esquerdo internacional Benfiquista, que tinha chegado à Luz proveniente precisamente do Covilhã no defeso de 1955, isto depois de passagem pelo Celeiro e Lusitano de VRSA ambos da terra natal e onde tinha sido treinado pelo seu pai. Amílcar contra Domiciano.

Domiciano, estrear-se-ia com a camisola da 1ª equipa do Benfica, no jogo de comemoração do 1º aniversário do antigo Estádio da Luz, uma vitória ante o Valência por 2-1, no dia 1 de Dezembro de 1955 e conquistaria o seu lugar na equipa. Jogador forte e voluntarioso, seria um dia bi-campeão europeu pelo Benfica e em três finais seguidas da TCE alinharia sucessivamente a avançado, médio e defesa e só não foi para a baliza ante o Inter, porque, apesar de se ter oferecido para tal aquando da saída de campo de Costa Pereira, optou-se por Germano em virtude de estar também ele tocado numa perna e de por vezes nos treinos experimentar aquela posição.

O natural favoritismo do Benfica à conquista do troféu, acabou por vir ao de cima, mesmo tendo em atenção que defrontava um adversário com vários internacionais.
Pouco antes dos 10 minutos de jogo, este teve que ser interrompido, pois a bola, insolitamente, ficou completamente vazia.
Não se deixando distrair por isto, logo aos 12 minutos, passe longo de Pegado, ao qual Salvador  deu seguimento vitorioso com um toque subtil a bater Rita. Estava feito o 1-0 para o Benfica. Três minutos volvidos, José Águas, depois de um passe milimétrico de Salvador, faz a bola passar por cima da cabeça do guarda-redes covilhanense, concluindo assim rápida e vistosa jogada colectiva de ataque.
A equipa serrana valorizou sempre a vitória benfiquista, mercê de uma resposta firme e muito aplicada, assim, inconformada, reagiu de imediato, com as bandeiras benfiquistas ainda erguidas no ar em sinal de festejo, Manteigueiro serviria o extremo esquerdo Pires, que se tinha desmarcado com propriedade, que atiraria em arco para a baliza benfiquista, surpreendendo José Bastos, que, nem esboçaria sinal de defesa. Quatro minutos depois do segundo golo Benfiquista, o Covilhã tinha reduzido o marcador para a diferença mínima.
No segundo tempo, o jogo seria ainda mais vivo. Animados pela perspectiva de conseguirem um feito que poderia tornar-se histórico, os jogadores do Sporting da Covilhã entregaram-se ao jogo com ânimo renovado e surgiram então na área benfiquista algumas situações de empate à vista, enquanto o guardião Rita protagonizava defesas de grande valor, contendo as ofensivas do Benfica que, apesar de tudo, não deixava de tentar.
O clima de incerteza prolongou-se até muito perto do termo do encontro que, entretanto, se enriquecia ao ritmo do golpe e contra-golpe, mantendo cada vez mais vivo o entusiasmo da assistência. E, só a escassos 3 minutos do fim, a questão ficou resolvida, quando, a um centro perfeito de Palmeiro,  respondeu Mário Coluna,  com um cabeceamento vigoroso para o fundo das redes.
Assim que soou o apito final, o Benfica arrecadou a sua 6ª taça de Portugal nas últimas oito edições e José Bastos, era agraciado com uma baliza em ouro, atribuída pelo programa de rádio "Magazine Desportivo" destinado a premiar o guardião vencedor da Taça de Portugal. Estaria avaliada naquela época em 7.500$00...

O Benfica rapidamente entraria na melhor fase da sua história futebolística até aos dias de hoje. Nesse mesmo ano de 1957, duas semanas volvidas da final desta Taça de Portugal, participaria na Taça Latina, onde em pleno Santiago Bernabéu eliminaria o fortíssimo Saint Etiénne, ganhando por 1-0, baqueando na final também por 1-0 frente a um Real Madrid já bi-campeão europeu e a jogar perante o seu público, que se viria em grandes dificuldades para bater os bravos benfiquistas.
Para Setembro desse ano estariam marcados dois momentos históricos, logo no dia 5, o Benfica defrontaria o FC Barcelona (na altura CF Barcelona) no estádio do Restelo, obtendo uma vitória por 4-0, a mais volumosa ante o clube catalão até aos dias de hoje. No dia 19, em Sevilha, estrear-se-ia em provas da UEFA, na Taça dos Clubes Campeões Europeus. Perderia por 3-1, marcando Palmeiro o primeiro golo europeu do clube, ele que já tinha marcado noutra ocasião especial, tinha sido o 1º jogador do Benfica a marcar no antigo Estádio da Luz. Uma semana depois um empate a zero selaria a eliminação do clube, mas a próxima participação traria a glória suprema... Para aqueles que se questionam o porquê da participação do Sevilha na TCE 1957/58, a resposta é simples, segundo os regulamentos vigentes na época, se o campeão europeu fosse também campeão nacional do seu país, então o 2º classificado desse campeonato nacional também participaria, razão pela qual o SCP igualmente participaria em 1961/62.

Como se pode ver, o grande Benfica europeu dos anos 60 não nasceu do dia para a noite e muito menos do acaso. Foi, isso sim, fruto de muito trabalho de qualidade.

Estádio Nacional do Jamor, 2 de Junho de 1957

Benfica: 3
José Bastos, Jacinto, Ângelo, Pegado, Serra, Zezinho, Palmeiro, Coluna, José Águas, Salvador e Cavém.
Treinador: Otto Glória
Marcadores: Salvador, José Águas, Coluna

Sp. Covilhã: 1
José Rita, Hélder Toledo, Jorge Nicolau, Fernando Cabrita, Amilcar Barrocal Cavém, António Lourenço, Francisco Manteigueiro, Pedro Martin, Vitoriano Suarez, Carlos Ferreira, e Fernando Pires.
Treinadores: Tavares da Silva, e Fernando Cabrita
Marcador: Fernando Pires

Árbitro: Francisco Guerra (Porto)