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Palmarés do Futebol do SL Benfica

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Ruud:


Palmarés do Futebol do Sport Lisboa e Benfica


Taça dos Campeões Europeus / Liga dos Campeões - 2 Títulos
1960/61 | 1961/62 |



Taça Latina - 1 Título
1949/50 |



Taça Ibérica - 1 Título
1983/84 |



Campeonato Nacional da I Divisão / I Liga - 37 Títulos
1935/36 | 1936/37 | 1937/38 | 1941/42 | 1942/43 | 1944/45 | 1949/50 | 1954/55 | 1956/57 | 1959/60 | 1960/61 | 1962/63 | 1963/64 | 1964/65 | 1966/67 | 1967/68 | 1968/69 | 1970/71 | 1971/72 | 1972/73 | 1974/75 | 1975/76 | 1976/77 | 1980/81 | 1982/83 | 1983/84 | 1986/87 | 1988/89 | 1990/91 | 1993/94 | 2004/05 | 2009/10 | 2013/14 | 2014/15 | 2015/16 | 2016/17 | 2018/19



Taça de Portugal - 26 Títulos
1939/40 | 1942/43 | 1943/44 | 1948/49 | 1950/51 | 1951/52 | 1952/53 | 1954/55 | 1956/57 | 1958/59 | 1961/62 | 1963/64 | 1968/69 | 1969/70 | 1971/72 | 1979/80 | 1980/81 | 1982/83 | 1984/85 | 1985/86 | 1986/87 | 1992/93 | 1995/96 | 2003/04 | 2013/14 | 2016/17



Taça da Liga - 7 Títulos
2008/09 | 2009/10 | 2010/11 | 2011/12 | 2013/14 | 2014/15 | 2015/16 |



Supertaça "Cândido de Oliveira" - 8 Títulos
1980 | 1985 | 1989 | 2005| 2014 | 2016 | 2017 | 2019



Campeonato de Portugal (Entre 1921/22 e 1937/38) - 3 Títulos
1929/30 | 1930/31 | 1934/35 |



Campeonato de Lisboa (Entre 1906/07 e 1946/47 - 41 Edições) - 10 Títulos
1909/10 | 1911/12 | 1912/13 | 1913/14 | 1915/16 | 1916/17 | 1917/18 | 1919/20 | 1932/33 | 1939/40 |



Taça de Honra da AFL - 18 Títulos
1919/20 | 1921/22 | 1962/63 | 1964/65 | 1966/67 | 1967/68 | 1968/69 | 1971/72 | 1972/73 | 1973/74 | 1974/75 | 1977/78 | 1978/79 | 1979/80 | 1981/82 | 1983/84 | 1985/86 | 1987/88 |



Taça da Associação AFL - 1 Título
1921/22 |



Taça "Ribeiro dos Reis" (Entre 1961/62 e 1970/71 - 10 Edições) - 3 Títulos
1963/64 | 1965/66 | 1970/71 |

Imagens adquiridas por pcssousa e tomorcego

Ruud:
O Benfica Rei de Europa 1960-61

O Benfica Rei de Europa
Taça dos Campeões Europeus 1960/61



Benfica e Barcelona jogaram a final da Taça dos Campeões Europeus de 1961. O Barcelona tinha chegado à final depois de eliminar o Real Madrid, SK Hradec Králové e o Hamburger SV. Ainda devemos ressaltar que o Real Madrid eliminado em 1961 pelo Barcelona, era detentor de todos os títulos da Taça dos Campeões Europeus desde que ela tinha sido criada em 1955/56. Ou seja que até ser eliminado nesse ano de 1961, o Real Madrid já tinha vencido 5 Taças seguidas (1955/56 - 1956/57 - 1957/58 - 1958/59 e 1959/60).

Com a eliminação dos "merengues" o Barcelona chegava à final como equipa imparável, após vencer todas as partidas. Alguns davam como favorito a equipa espanhola, que contava com o brasileiro Evaristo de Macedo e os húngaros Sándor Kocsis e Zoltán Czibor no ataque.

Porém o Benfica não era uma equipa desconhecida, tinha grandes jogadores como José Águas e Mário Coluna. As "águias" foram deixando no caminho Újpesti TE, AGF Århus, e SK Rapid Wien.

A final de Berna no dia 31 de Março de 1961 foi um jogo muito equilibrado, mas quem abriu o marcard foi o Barcelona, aos 20' com um golo de Kocsis. O Benfica não se intimidou e dez minutos depois empatou marcando o seu capitão, José Águas, ampliando com mais um golo (auto-golo) de Vergés. Já no segundo tempo veio o terceiro golo do Benfica com um remate forte e rasteiro de Coluna. Esse golo de Coluna definiu a partida, porém o Barcelona ainda reduziu com um grande golo de Czibor, aos 75'.

Veja as melhores imagens da partida e todos os golos da primeira Taça dos Campeões Europeus conquistada pelo SL Benfica:

SL Benfica 3 - 2 Barcelona

Data    Estádio
31/04/1961 | Wankdorf (em Berna)

Equipas Titulares:

Benfica: Pereira, Joao, Germano, Angelo, Neto, Cruz, Jose Augusto, Santana, Aguas, Coluna, Cavém

Barcelona: Ramallets, Foncho, Garay, Gracia, Verges, Gensana, Kubala, Suarez, Evaristo, Kocsis, Czibor



Traduzido inOsClássicos

Ruud:
Taça dos Campeões Europeus 1961-62: o bicampeonato do Benfica



Vinte e nove clubes participaram na edição de 1961/62 da Taça dos Campeões Europeus. Apesar da maior competitividade, dois nomes famosos chegaram à final em Amesterdão: Benfica e Real Madrid. Os "encarnados" contavam com um reforço de peso, Eusébio, tendo sido em grande parte devido à inspiração do atacante nascido em Moçambique que o Tottenham Hotspur (ING) foi eliminado nas semifinais da competição.

O Tottenham, que havia eliminado Górnik Zabrze (POL), Feyenoord (HOL) e Dukla Praga (TCH), tinha conquistado o Campeonato Inglês e a Taça de Inglaterra, sendo apontado como um dos grandes favoritos à conquista do troféu. Outra equipa favorita era a Juventus, que contava com os reforços John Charles e Omar Sivori. Os italianos revelaram ser uma equipa difícil de ser batida no confronto com o Real Madrid nos quartos-de-final, com Alfredo Di Stéfano marcando o único golo do jogo da 2ª mão, disputado em Turim. No entanto, a Juventus venceu em Madrid, naquela que foi a primeira derrota em casa dos espanhóis em competições europeias. O jogo-desempate foi disputado em Paris, onde o Real Madrid levou a melhor por 3x1.

Com Di Stéfano, Ferenc Puskás e Luis Del Sol no auge, os "merengues" eram um adversário poderosíssimo para o Benfica, que muitos acreditavam ter tido sorte ao derrotar o Barcelona na final em 1961. Na final desta temporada, disputada no Estádio Olímpico de Amesterdão, um "hat-trick" de Puskás colocou o Real Madrid na frente no intervalo: 3x2. Contudo, a reacção dos "encarnados" na etapa complementar revelou-se implacável. Mário Coluna restabeleceu a igualdade antes de dois golos da nova estrela, Eusébio, resolverem a partida e darem o bicampeonato ao Benfica.

Oitavos-de-Final
31/10/61, Austria Viena (AUT) 1x1 Benfica
08/11/61, Benfica 5x1 Austria Viena (AUT)

Quartos-de-Final
01/02/62, Nuremberg (AL.OC.) 3x1 Benfica
22/02/62, Benfica 6x0 Nuremberg (AL.OC.)

Semifinais
21/03/62, Benfica 3x1 Tottenham (ING)
05/04/62, Tottenham (ING) 2x1 Benfica

Final
02/05/62, Benfica 5x3 Real Madrid (ESP)

SL Benfica 5 - 3 Real Madrid

Estádio: Olímpico (Amsterdã, Holanda)
Data: 2 de Maio de 1962

Benfica: Costa Pereira; João, Germano, Angelo; Cavem, Cruz; Augusto, Eusébio, Aguas, Coluna, Simões – Técnico: Bela Guttmann

Real Madrid: Araquistain; Casado, Santamaría, Miera; Felo, Pachin; Tejada, Del Sol, Di Stéfano, Puskás, Gento – Técnico: Miguel Muñoz



Traduzido inColunasports

Ruud:
A Taça Latina de 1950




Durante anos o tenente-coronel Ribeiro dos Reis, que durante muito tempo iria presidir à Mesa da Assembleia Geral do Benfica, bateu-se pela realização da Taça Latina, a disputar pelos clubes campeões nacionais do Portugal, Espanha, França e Itália, assegurando assim contactos internacionais muito difíceis na altura para os futebolistas portugueses, afastada que estava ainda a criação da UEFA e por inerência das suas competições de selecções e clubes. A ideia original, de 1925, até era criar-se uma competição com as selecções nacionais desses países. Quase um quarto de século depois, Jules Rimet, mítico presidente da FIFA, Armando Muñoz Calero, presidente da Federação Espanhola de Futebol, entre outros apoiaram e apadrinharam a ideia e a competição. E nasceu a competição de clubes que acabaria por ser um ponto de arranque para a futura Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Aquando da 1ªa edição da prova, em 1949, logo ficou estabelecido que a sua edição seguinte seria disputada em solo luso.
A organização do evento entusiasmou a FPF, que tanto trabalhou na mesma, que abdicou de organizar Taça de Portugal nesse ano.

O Benfica foi campeão nacional 1949/1950, face a um Sporting nos seus tempos áureos num campeonato em que apenas perderia um único jogo, precisamente em casa contra o sportinguistas quando faltavam 3 jogos para a conclusão do mesmo e depois de na 1º volta  já ter ganho no campo do rival, e, portanto, foi o clube convidado pela FPF para representar o país.
Os restantes participantes seriam os campeões de Espanha e França, Atlético de Madrid e Bordéus, e o 4º classificado do campeonato de Itália, Lázio, uma vez que o campeão Juventus, por razões burocráticas, já debatidas, não participou.
O sorteio acabaria por ditar os jogos Benfica - Lázio e Atlético Madrid – Girondins Bordéus.

E no dia 10 de Junho, dia de Portugal, as equipas do Benfica e da Lázio de Roma subiram ao bem tratado relvado do Estádio Nacional, para dar o pontapé de saída da 2ª edição da competição. Nesse dia, e mercê de uma magnífica exibição, os benfiquistas batem os italianos por expressivos 3-0, com golos de Rosário aos 7 minutos (há literatura que aponta erradamente para Corona), Rogério “Pipi”  aos 27 e Arsénio aos 76 marcaram os golos deste jogo sem grande história. Uma vitória indiscutível, facilitada pelo surto de anginas que acometeu vários jogadores romanos.
O Benfica, treinado pelo inglês Ted Smith, alinhou com José Bastos, Jacinto Marques, Joaquim Fernandes, Francisco Moreira, Félix Antunes, José da Costa, Corona, Arsénio, Julinho, Rogério Carvalho e José Rosário.
Uma curiosidade que envolveu este jogo é o facto de Rogério “Pipi”, ter pedido expressamente a Ted Smith, para jogar a interior em vez de extremo, posição que actualmente ocupava, o inglês experimentou, Rogério marcou e não mais voltaria a jogar na extrema direita.
A final, seria disputada no dia seguinte, ante os campeões franceses, que tinham batido o Atlético Madrid por 4-2. Indiscutível seria também o triunfo dos franceses do Bordéus ante os espanhóis do Atlético de Madrid. Ao contrário do que hoje em dia acontece as grandes competições da altura eram jogadas num curto espaço de tempo, pelo que a decisão da Taça Latina de 1950 foi agendada para o dia seguinte às meias-finais.
Aparentemente o Benfica sentir-se-ia beneficiado com estes resultados, pois o encontro final com os franceses de Bordéus, criava nos portugueses um certo optimismo, já que teoricamente espanhóis e italianos constituiriam obstáculos de maior apreensão face à velocidade e dureza típicas dos primeiros e a maior experiência e pendor técnico dos segundos.
Era certo, também, que o Benfica, não dispunha ainda, na sua maioria de nomes sonantes no Mundo do futebol.  Mas não nos podemos esquecer que tinha uma equipa recheada de jogadores de grande qualidade com Félix, Moreira, Arsénio, Julinho ou Rogério Carvalho, e mesmo entre os restantes, Bastos era um guarda-redes muito pendular apesar de jovem e de até certo ponto ter sido algo surpreendente que jogasse em detrimento de Contreiras; o pendular Jacinto e Fernandes, constituíam com Félix uma defesa bem segura; enquanto que aqueles três atacantes, tinham em Corona, Rosário e Pascoal, companheiros bem rápidos e perigosos, constituindo todos um conjunto “à Benfica” daqueles com um espírito guerreiro ilimitado.

E eis que é chegada a grande final. Sob o olhar atento do árbitro espanhol Fonbana, os benfiquistas imprimem uma velocidade estonteante à partida e uma grande desenvoltura atacante que permite a Arsénio, logo aos 3 minutos, marcar o primeiro golo da partida. 17 minutos depois Corona, eleva para 2-0 e a confiança instala-se nas hostes encarnadas.
O Bordéus nunca desiste. Faz das fraquezas forças, reagem com firmeza e em 4 investidas fazem 3 golos, aos 23, 37 e 43 minutos. O Benfica vai para o intervalo na condição de derrotado.
No balneário, os jogadores portugueses prometem entre si que lutarão até á exaustão para vencerem o troféu. E, é com este espírito que o Benfica entra em campo e domina os segundo 45 min a seu bel-prazer. Empata, logo aos 56 min por intermédio do extremo Pascoal e continua a pressionar.
Contra a expectativa geral, os franceses apresentam um conjunto sólido que aguenta até ao final do tempo regulamentar.
Jogar-se-ia mais meia-hora, sem que qualquer dos conjunto conseguisse marcar.
Sem o desempate através da marcação de pontapés da marca de grande penalidade previsto no regulamento, seria marcado jogo de desempate para daí a uma semana, Domingo, 18 de Junho.
O Benfica alinhou, nesta final que acabou empatada, com José Bastos, Jacinto Marques, Joaquim Fernandes, Francisco Moreira, Félix Antunes, José da Costa, Corona, Arsénio, Julinho, Rogério Carvalho e Pascoal; e os de Bordéus com: Astress, Garriga, Marignac, Barek, Swiatek, Gallice, Persillon, Mustapha, Kargu e Doye

Nesse abençoado 18 de Junho de 1950, entraram as duas equipas em campo e deparam-se com uma moldura humana de 20 mil espectadores, bem mais do que era hábito nos grandes jogos por cá disputados.
A equipa do Bordéus não apresentou alterações no 11 e o Benfica faria entrar o veloz extremo José Rosário para o lugar de Pascoal. O árbitro era desta vez o italiano Bertollo.
O Benfica entrou melhor em campo, talvez entusiasmado com o massivo apoio popular. Rápidamente falha 2 soberanas ocasiões de golo e são mesmo os franceses quem inaugura o marcador logo aos 8 minutos por intermédio de Kargou.
A perder os pupilos de Ted Smith partiram para cima do Bordéus com todas as suas forças e a imensa alma benfiquista, valendo ao emblema gaulês uma soberba exibição do guardião do seu templo, o guarda-redes Astresse. O Benfica ia tentando sem êxito chegar ao golo, o relógio continua sem parar, a angústia instala-se, os adeptos vão abandonado as bancadas, cabisbaixos… De repente, 20 segundos para o fim, Arsénio,  faz o golo do empate provocando uma imediata explosão de alegria nos que teimaram em ficar sentados nas bancadas de pedra do Jamor até ao apito final.
No relvado, jdo lado de fora das quatro linhas, o capitão Francisco Ferreira, ausente da competição por, apesar de já estar recuperado de uma lesão ter entendido não jogar para “não prejudicar a equipa” em virtude de entender não estar na sua melhor forma, dirige-se ao barreirense que, caído no relvado ficou a olhar o horizonte, e abraçou-o.
Aqueles que tinham saído reentram a correr e reocupam o seu lugar nas lajes do Jamor, ao ouvirem a tremenda explosão de alegria vinada das bancadas do estádio
Mais um prolongamento, 30 minutos onde nada se alterou, sendo que segundo os regulamentos da prova teria de ser jogado em seguida mais um pequeno prolongamento de 10 minutos para se encontrar o vencedor. O golo, apesar da pressão o Benfica continua sem aparecer... mais 10 minutos!  Estes passam a correr e logo o árbitro manda jogar outros 10. Estes seriam os últimos, uma vez que já escasseava a luz natural e a iluminação artificial era ainda uma miragem e só seria instalada no Estádio Nacional várias décadas mais tarde.
Os jogadores dos dois conjuntos denotavam já há muito um tremendo desgaste, acusando a falta de força.
De repente, aos 5 minutos deste 4º prolongamento canto, Rosário vai marcar, a bola sobra para o centro da área e o guarda-redes francês, Astress choca com os seus colegas que também saltaram à bola, toca ainda com a mão, mas a redondinha sobra para Julinho, que também se tinha elevado nos ares e quando todos olham a bola beijava as redes da baliza do Bordéus… Morte súbita, o jogo terminara e o Benfica era campeão latino, o público invadiu o relvado para abraçar os jogadores que já não tinham forças para erguer os braços em sinal de vitória.

Assim que soou o apito, Corona, desmaiou no campo. Foi levado para os balneários de charola. Os colegas despiram-no, descalçaram-no, puseram-no no duche e nada: a insensibilidade manteve-se, oferecendo uma imagem bizarra, debaixo do chuveiro, com a água tépida a salpicar-lhe o corpo ainda desfalecido. Quando deu cobro de si só foi capaz de dizer que soubera, finalmente, o que era o Paraíso. Os outros benfiquistas também.

Entretanto, um pouco a custo Rogério Carvalho  subiu a longa escadaria até à tribuna do Jamor para receber a Taça Latina de 1950. Jacinto, que tinha sido o capitão em campo tinha jogado os últimos 30 minutos com o pulso partido e encontrava-se impossibilitado de ir receber o troféu, cedendo a honra ao “Pipi”. Recebeu-a das mãos de Guilherme Pinto Basto, introdutor do futebol em Portugal e ergueu-a aos céus, com o sol a pôr-se e uma aura de vermelho a envolvê-lo.
A festa estender-se-ia do Jamor para as ruas de Lisboa e daí para todo o país e império português…

Um pequeno resumo do jogo pode ser visto .



Rogério "Pipi", com o troféu, junto de Guilherme Pinto Basto, um dos introdutores do futebol em Portugal.
Estádio Nacional do Jamor, 18 de Junho de 1950
Benfica: 2
José Bastos, Jacinto Marques, Joaquim Fernandes, Francisco Moreira, Félix Antunes, José da Costa, Corona, Arsénio, Julinho, Rogério Carvalho e José Rosário
Treinador: Ted Smith

Girondins Bordéus: 1
Astress, Garriga, Marignac, Barek, Swiatek,, Gallice, Persillon, Mustapha, Kargu e Doye

Árbitro: Bertollo (Ita)

Golos: Kargu aos 9’ (0-1), Arsénio aos 90’ (1-1), Julinho aos 145’ (2-1)



Em Baixo (da esq. para dir.): Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário
Em cima (da esq. para dir.): Moreira, Félix, Fernandes, Contreiras, José da Costa, Jacinto e Bastos

No Lobito, um jovem iria guardar e colocar na parede do seu quarto este poster dos campeões Latinos que sairia no jornal do dia seguinte, mal imaginando que em breve iria ser companheiro dos seus heróis.
Esse jovem viria a capitanear o Benfica, e a tornar-se o maior marcador da história do clube. Viria a levantar o mais cobiçado dos troféus de clubes… o imortal José Águas,!
O clube viria a mudar completamente com este triunfo. Se já era o mais popular de Portugal, depois desta vitória isso seria ainda mais notório e dos 17.791 sócios que tinha á data, passaria, daí a 5 anos, em Setembro de 1955, para os 30 mil.
Foi o primeiro triunfo de uma equipa portuguesa num troféu oficial internacional, e a primeira vez é aquela que nunca se esquece!

Texto feito por pcssousa

Ruud:
Taça Ibérica 1983/84



No final da época de 1982/83, os dois clubes campeões de Portugal e Espanha, Sport Lisboa e Benfica e Athletic Club, de Bilbau, entenderam por bem preencher o seu calendário competitivo e solicitaram a ambas as Federações nacionais, FPF e RFEF, ambas acederam a fazê-lo, e foi decidido então disputá-la a duas mão, a primeira em solo espanhol e a segunda em solo português, com a particularidade de ser possível fazerem-se até 4 substituições por equipa.
Na primeira mão, a 17 de Agosto de o Benfica deslocou-se a Bilbao, defrontando o forte e combativo campeão espanhol, orientado superiormente por Javier Clemente e que nessa mesma época se sagraria não só bi-campeão nacional como conquistaria ainda a Copa do Rei.
 Clemente, tinha montado uma equipa extremamente consistente com muitos jovens canteranos como Santiago Urquiaga, Miguel De Andres, Ismael Urtubi, Estanislao Argote eAndoni Zubizarreta, que se juntaram aos veteranos Dani e Goikoetxea, o homem que personificava o estilo agressivo de jogo desta equipa. Era olhada como uma equipa defensiva, mais de contenção, pois recorria já a dois médios defensivos que eram colocados no terreno à frente de dois defesas centrais de marcação e um libero.
Do outro lado, um Benfica fortíssimo, superiormente orientado pelo jovem sueco Sven-Göran Eriksson, treinador que revolucionaria o futebol português, até a nível de mentalidade, no acreditar que é possível ganhar. Na época anterior tinha ganho o campeonato categoricamente, tinha atingido a final da Taça UEFA com um punhado de exibições fantásticas, como a de Roma, onde bateria o futuro campeão italiano, recheado de craques, ou a de Sevilla, onde bateria o Bétis. Era uma equipa repleta de grandes figuras, a começar por Bentona baliza, Pietra, António Bastos Lopes, Álvaro, Carlos Manuel, Stromberg, Shéu, Diamantino, Veloso, o elegante Nené ou o gracioso Filipovic, indiscutivelmente uma das melhores da história do clube.
O Athletic, entrou forte, logo aos 16 minutos inaugurou o marcador, por Sola. O Benfica não desarmou e o inevitável Nené  empataria à meia hora de jogo.
O jogo entrou numa fase incaracterística normal para a fase da época e também porque o Benfica sabia que 3 dias depois teria mais uma final importante. O Bilbau usava ainda de alguma dureza, tão típica do seu estilo de jogo e tão comum no futebol espanhol da altura
Aos 86 minutos de jogo, De Andrés, consegue o 2-1 para os da casa, deixando adiada a decisão acerca da conquista do troféu para a Luz, daí a uma semana.
17-8-1983, San Mamés, Bilbao
 
Athletic Club: 2
Zubizarreta; Urkiaga, Liceranzu, A.Goikoetxea(50 Salinas), J.Núñez (cap.), (57’ De La Fuente); Sola, De Andrés, Argote; Endika, Sarabia (57 Júlio Salinas), Urtubi (24 Gallego);

Treinador: Javier Clemente

Golos: Sola 16’, De Andrés 86’

SL Benfica: 1
Bento; Pietra, António Bastos Lopes, Oliveira,Álvaro; José Luis (82’ Padinha), Carlos Manuel, Stromberg(72’ Shéu), Diamantino (50’ Veloso); Nené (cap.), Filipovic
Treinador: Sven-Göran Eriksson

Golo:Nené  30’


A 2ª mão foi jogada na Luz a 24 de Agosto de 83.
Ainda se vivia a euforia da vitória alcançada quatro dias antes. No dia 21 de Agosto, o Sport Lisboa e Benfica tinha conquistado a 18ª Taça de Portugal da sua história em pleno Estádio das Antas.
Assim que se apurou para a final da Taça e soube que o seu adversário seria o Benfica, o FC Porto recusou de imediato deslocar-se ao Jamor para disputar a partida. Após muita polémica, que levou a decisão da competição para o início da época seguinte, o jogo seria marcado para o Estádio das Antas. O Benfica não se atemorizou e, um golaço decorrente de um pontapé do meio da rua de Carlos Manuel, decidiria a contenda.

Assim que o jogo ante o Bilbao começou, imediatamente os bascos recuaram no relvado ante a intensa pressão Benfiquista. Mantendo sempre uma toada nitidamente ofensiva, mostrando já uma invejável frescura física em especial atendendo ao facto de se estar em início de temporada, o Benfica à passagem do meio da 1ª parte inaugura o marcador por intermédio do montenegrino Zoran Filipovic. Mas o Benfica não estava satisfeito, queria mais e mais.Nené  aos 30 e 44 minutos ampliaria para 3-0.
Na 2ª metade, o Benfica jogaria um pouco mais em contenção, não deixando de criar boas oportunidades, mas foi o Athletic que reduziu e estabeleceu o resultado final em 3-1 aos 70 minutos de jogo.
Estava feito. O Benfica era o primeiro campeão ibérico de futebol de forma oficial.


24-8-1983, Estádio da Luz em Lisboa
 
SL Benfica: 3
Bento; Pietra, António Bastos Lopes, Oliveira,Álvaro; José Luis, Carlos Manuel, Stromberg(71’ Shéu), Veloso (71’Diamantino) Nené (cap.), Filipovic(80’Michael Manniche
Treinador: Sven-Göran Eriksson

Golos: Filipovic23’, Nené 30’ e 44’


Athletic Club: 1
Zubizarreta; Urkiaga, Liceranzu, A.Goikoetxea(56 P.Salinas), J.Núñez (cap.) (56 De La Fuente); Sola, De Andrés,Argote; Endika, Sarabia (56 Júlio Salinas), Urtubi;
Treinador: Javier Clemente
Marcadores: Sola 70’



Os primórdios desta competição remontam aos anos 30, quando o FC Porto e o Bétis de Sevilha disputaram, no Porto, um jogo que decidiria qual a melhor equipa ibérica. Venceu o Porto, clube que organizou esse jogo particular.
A ideia foi retomada portanto, em 1983 e infelizmente, acabou por não singrar, embora anos mais tarde, já nos anos 90, Benfica e Atlético de Madrid tenham disputado igualmente um troféu a duas mãos e mais uns quantos anos depois em alvalade disputou-se um Sporting – Real Madrid  alegadamente também para uma taça Ibérica. Nenhum destes troféus foi oficializado por qualquer Federação nacional.
Aquando da sua eleição para presidente da Liga de Clubes, Hermínio Loureiro, manifestou intenção de reactivar esta competição, mas no panorama competitivo actual, em que a Liga Espanhola é bem mais mediática que a Portuguesa, e em que a sobrecarga de jogos é maior, é natural que o projecto não tenha seguido.
Não é ainda de estranhar que após esta edição, em 1983, a competição não tenha prosseguido. Na realidade, basta ver que a organização do futebol espanhol na altura era tão diferente que ao longo dos anos 80 chegaram a não se realizar supertaças espanholas por divergências de datas. Mas para a história ficou aquele que é até à data o último troféu internacional oficial do futebol sénior benfiquista. Aguardemos o que o futuro nos reserva.
Uma ressalva final, para acrescentar que ficou estabelecido que seria a federação nacional que organizaria a segunda mão a fornecer o troféu ao vencedor, razão pela qual vemos na imagem em baixo o vice-presidente da FPF, Amândio Carvalho, a entregar a Nené um troféu igual ao da Supertaça Cândido de Oliveira, apenas mudando a sua inscrição. É possível ver as iniciais FPF no topo do troféu, assim como um apanha-bolas chamado Rui Costa, que um dia seria destacado profissional do clube, a observar esta mesma entrega.


Texto feito por pcssousa

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