60738 - Tópico: Pedro Pablo Pichardo  (Lida 74880 vezes)

André Sousa

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  • 08 de Janeiro de 2019, 14:44
De acordo.

Mas creio que isso ainda não existe embora se esteja a caminhar para lá na minha opinião. No entanto nos desportos colectivos isso não irá acontecer...

E é uma pena que assim aconteça. Influenciaria ainda mais ao desenvolvimento daquilo que existe cá dentro. Como é natural, há barreiras genéticas que dificilmente serão ultrapassadas mas também é preciso respeitar isso.

A nível de desportos coletivos, Cabo Verde, por exemplo, podia ter tido jogadores como Rolando, Gelson, Nani, Nélson (que veio do Boavista para o Benfica), Oceano, Angola podia ter jogadores como o Buta, Hélder Costa, a Guiné podia ter Bruma, o próprio Umaro, Éder, Danilo, Zé Gomes, Djaló, os irmãos Ié, Quina...

Não mudaria tudo a nível social, mas seria uma bela ajuda.

Basta ver as palavras do Mané sobre a hipótese de representar a Guiné.

"Acredito que um dia poderei jogar pela seleção principal de Portugal, mas, quem sabe, se houver boas condições de trabalho para mim e para os meus colegas, ainda posso vir a jogar pela Guiné-Bissau. Nunca se sabe", observou Carlos Mané.

As in, se Portugal não me chamar não terei outra solução se não for jogar pela Guiné.

André Sousa

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  • 08 de Janeiro de 2019, 14:47
Federação tem um atleta de classe mundial, que pode ganhar medalhas em europeus mundiais e olímpicas.
Potencial recordista do mundo.
Agora sacam um contrato com Puma para os equipamentos.

Tinha todo o interesse em avançar com a naturalização.

Benfica podia usar o Pichardo com estrangeiro nas provas.

Entre Federação e Benfica qual deles tem mais benéficos??

Que Portugal vai ganhar medalhas, toda a gente sabe.

Que tinham todo o interesse em avançar com a naturalização, idem.

Não é isso que está em discussão.

@cris

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  • 08 de Janeiro de 2019, 18:48
entao o pichardo, um dos maiores candidatos ao record do mundo, deveria ter acabado a carreira? é que sendo assim ficava proibido de competir pq por cuba é para esquecer e por ti nao podia naturalizar-se por outro pais.
mesmo considerando que poderia competir o resto da carreira como neutro, competia onde? nos europeus? que pais é que iria integrar no projecto olimpico um apatrida? as coisas nao sao assim tao simples..

O Pichardo podia perfeitamente naturalizar-se por outro país. Não poderia era competir por ele.

Qual é que é a ligação que o Pichardo tem a Portugal? Isto foi uma contratação para ganhar medalhas, única e exclusivamente.

Para mim competiria como neutro. Nem que se criasse uma bolsa para atletas na sua situação terem a oportunidade de treinar.

As competições, para mim, seriam as mesmas caso competisse pelo país onde nasceu.

a questao é mais vasta do que pareçe. certo, há um oportunismo claro mas temos de considerar a questao a nível global; devem ou nao exilados e refugiados ter o direito de competir por um determinado país? se fosse alguem a fugir da síria e cuja unica hipotese fosse competir por outro país ninguem levantava a questao, em relaçao ao pichardo a partir do momento em que o país lhe concedeu esse estatuto nao se pode abrir uma excepçao e dizer "este nao" só porque sim

a cidadania é um direito com prerrogativas no quadro das liberdades e garantias constitucionais; a lei é o que é, nao é para se gostar é para se cumprir. eu até posso estar de acordo que alguem que obtenha a cidadania nacional só deveria poder competir por esse país se tivesse um historico de residencia efectiva de pelo menos tres anos mas enquanto assim nao for nao se podem abrir excepçoes porque à vista da lei é indiferente se nasceu em cuba do alentejo ou nas antilhas. e a propria lei prevê excepçoes para certos casos, por ex. o pichardo nao se pode candidadtar à presidencia da republica

o que me causa alguma estranheza nestas questoes é que por via da notoriedade do desporto se ponham em causa certas coisas que noutras situaçoes sao ignoradas. por ex: portugal andou a formar doutorados e profissionais de excelencia que depois emigram para países mais ricos e vao contribuir para a riqueza nacional já de si maior desses países em relaçao ao nosso sem terem gasto um tusto e recebem profissionais já formados de elevado perfil academico. injusto? evidentemente, mas a alternativa seria condicionar as pessoas à liberdade de circulaçao e poderem escolher livremente onde trabalhar, como foi o caso do pichardo, a nao ser que queiramos transformar isto na coreia do norte e impedir as pessoas do usufruto dessa liberdade

dizer que alguem pode ter o estatuto da nacionalidade mas depois nao pode usufruir do mesmo seria a mesma coisa que dizer que as pessoas podem emigrar e obter nacionalidade mas nao podem trabalhar lá, e o trabalho do pichardo é saltar e competir
« Última modificação: 08 de Janeiro de 2019, 18:52 por @cris »

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  • 08 de Janeiro de 2019, 21:29
Está a dar-se ao trabalho de dizer palavras portuguesas.
Ao contrário dos Argentinos que temos no clube aos anos.

Flavius1996

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  • 08 de Janeiro de 2019, 21:30
Pichardo na RTP1

Flavius1996

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  • 08 de Janeiro de 2019, 21:31
Acabou de dizer que um treinador lesionou-o propositadamente.

Carlsberg87

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  • 08 de Janeiro de 2019, 21:40
Muito fraco documentário.
Duração e conteúdo.

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  • 08 de Janeiro de 2019, 21:52
Muito fraco documentário.
Duração e conteúdo.
A RTP não tem a responsabilidade para fazer mais do que já fez.
Já foi bastante bom a perspectiva que deram da vida dele e da família.

JPE

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  • 08 de Janeiro de 2019, 23:29
Gostei.

André Sousa

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  • 08 de Janeiro de 2019, 23:37
a questao é mais vasta do que pareçe. certo, há um oportunismo claro mas temos de considerar a questao a nível global; devem ou nao exilados e refugiados ter o direito de competir por um determinado país? se fosse alguem a fugir da síria e cuja unica hipotese fosse competir por outro país ninguem levantava a questao, em relaçao ao pichardo a partir do momento em que o país lhe concedeu esse estatuto nao se pode abrir uma excepçao e dizer "este nao" só porque sim

a cidadania é um direito com prerrogativas no quadro das liberdades e garantias constitucionais; a lei é o que é, nao é para se gostar é para se cumprir. eu até posso estar de acordo que alguem que obtenha a cidadania nacional só deveria poder competir por esse país se tivesse um historico de residencia efectiva de pelo menos tres anos mas enquanto assim nao for nao se podem abrir excepçoes porque à vista da lei é indiferente se nasceu em cuba do alentejo ou nas antilhas. e a propria lei prevê excepçoes para certos casos, por ex. o pichardo nao se pode candidadtar à presidencia da republica

o que me causa alguma estranheza nestas questoes é que por via da notoriedade do desporto se ponham em causa certas coisas que noutras situaçoes sao ignoradas. por ex: portugal andou a formar doutorados e profissionais de excelencia que depois emigram para países mais ricos e vao contribuir para a riqueza nacional já de si maior desses países em relaçao ao nosso sem terem gasto um tusto e recebem profissionais já formados de elevado perfil academico. injusto? evidentemente, mas a alternativa seria condicionar as pessoas à liberdade de circulaçao e poderem escolher livremente onde trabalhar, como foi o caso do pichardo, a nao ser que queiramos transformar isto na coreia do norte e impedir as pessoas do usufruto dessa liberdade

dizer que alguem pode ter o estatuto da nacionalidade mas depois nao pode usufruir do mesmo seria a mesma coisa que dizer que as pessoas podem emigrar e obter nacionalidade mas nao podem trabalhar lá, e o trabalho do pichardo é saltar e competir

Estás a misturar tudo.

O Pichardo, no meu entender, devia ter todo o direito a residir em Portugal e a trabalhar no país. Participar nos Campeonatos Nacionais e demais provas pelo Benfica. Agora, não podia representar a seleção. Onde é que a analogia com um emigrante ser impossibilitado de exercer a sua profissão faz sentido?

Não foi Portugal que os formou. Eles é que se formaram em Portugal e, dentro dos seus direitos, emigraram para exercer a sua profissão. Repito, foram exercer a sua profissão, não foram representar o país para onde emigraram. Coisas completamente diferentes.

rosmani

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  • 09 de Janeiro de 2019, 04:50
a questao é mais vasta do que pareçe. certo, há um oportunismo claro mas temos de considerar a questao a nível global; devem ou nao exilados e refugiados ter o direito de competir por um determinado país? se fosse alguem a fugir da síria e cuja unica hipotese fosse competir por outro país ninguem levantava a questao, em relaçao ao pichardo a partir do momento em que o país lhe concedeu esse estatuto nao se pode abrir uma excepçao e dizer "este nao" só porque sim

a cidadania é um direito com prerrogativas no quadro das liberdades e garantias constitucionais; a lei é o que é, nao é para se gostar é para se cumprir. eu até posso estar de acordo que alguem que obtenha a cidadania nacional só deveria poder competir por esse país se tivesse um historico de residencia efectiva de pelo menos tres anos mas enquanto assim nao for nao se podem abrir excepçoes porque à vista da lei é indiferente se nasceu em cuba do alentejo ou nas antilhas. e a propria lei prevê excepçoes para certos casos, por ex. o pichardo nao se pode candidadtar à presidencia da republica

o que me causa alguma estranheza nestas questoes é que por via da notoriedade do desporto se ponham em causa certas coisas que noutras situaçoes sao ignoradas. por ex: portugal andou a formar doutorados e profissionais de excelencia que depois emigram para países mais ricos e vao contribuir para a riqueza nacional já de si maior desses países em relaçao ao nosso sem terem gasto um tusto e recebem profissionais já formados de elevado perfil academico. injusto? evidentemente, mas a alternativa seria condicionar as pessoas à liberdade de circulaçao e poderem escolher livremente onde trabalhar, como foi o caso do pichardo, a nao ser que queiramos transformar isto na coreia do norte e impedir as pessoas do usufruto dessa liberdade

dizer que alguem pode ter o estatuto da nacionalidade mas depois nao pode usufruir do mesmo seria a mesma coisa que dizer que as pessoas podem emigrar e obter nacionalidade mas nao podem trabalhar lá, e o trabalho do pichardo é saltar e competir

Estás a misturar tudo.

O Pichardo, no meu entender, devia ter todo o direito a residir em Portugal e a trabalhar no país. Participar nos Campeonatos Nacionais e demais provas pelo Benfica. Agora, não podia representar a seleção. Onde é que a analogia com um emigrante ser impossibilitado de exercer a sua profissão faz sentido?

Não foi Portugal que os formou. Eles é que se formaram em Portugal e, dentro dos seus direitos, emigraram para exercer a sua profissão. Repito, foram exercer a sua profissão, não foram representar o país para onde emigraram. Coisas completamente diferentes.

A questão do atletismo é bastante diferente daquilo que estás a dizer. Quais são as provas mais importantes? Jogos olímpicos, campeonatos do mundo e campeonatos da Europa. E aí só se compete por países. Depois há os meetings da golden league e outros onde não competem nem por países  né m por clubes e só por fim surgem os campeonatos por clubes que ninguém liga grande coisa. Por isso é que a questão da nacionalidade é tão relevante para os profissionais do atletismo. Era impensável um atleta de topo como o PPP vir para Portugal e adquirir a nacionalidade para depois não competir nas grandes provas internacionais por países que são as mais importantes.

pedr0

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  • 09 de Janeiro de 2019, 10:13
a questao é mais vasta do que pareçe. certo, há um oportunismo claro mas temos de considerar a questao a nível global; devem ou nao exilados e refugiados ter o direito de competir por um determinado país? se fosse alguem a fugir da síria e cuja unica hipotese fosse competir por outro país ninguem levantava a questao, em relaçao ao pichardo a partir do momento em que o país lhe concedeu esse estatuto nao se pode abrir uma excepçao e dizer "este nao" só porque sim

a cidadania é um direito com prerrogativas no quadro das liberdades e garantias constitucionais; a lei é o que é, nao é para se gostar é para se cumprir. eu até posso estar de acordo que alguem que obtenha a cidadania nacional só deveria poder competir por esse país se tivesse um historico de residencia efectiva de pelo menos tres anos mas enquanto assim nao for nao se podem abrir excepçoes porque à vista da lei é indiferente se nasceu em cuba do alentejo ou nas antilhas. e a propria lei prevê excepçoes para certos casos, por ex. o pichardo nao se pode candidadtar à presidencia da republica

o que me causa alguma estranheza nestas questoes é que por via da notoriedade do desporto se ponham em causa certas coisas que noutras situaçoes sao ignoradas. por ex: portugal andou a formar doutorados e profissionais de excelencia que depois emigram para países mais ricos e vao contribuir para a riqueza nacional já de si maior desses países em relaçao ao nosso sem terem gasto um tusto e recebem profissionais já formados de elevado perfil academico. injusto? evidentemente, mas a alternativa seria condicionar as pessoas à liberdade de circulaçao e poderem escolher livremente onde trabalhar, como foi o caso do pichardo, a nao ser que queiramos transformar isto na coreia do norte e impedir as pessoas do usufruto dessa liberdade

dizer que alguem pode ter o estatuto da nacionalidade mas depois nao pode usufruir do mesmo seria a mesma coisa que dizer que as pessoas podem emigrar e obter nacionalidade mas nao podem trabalhar lá, e o trabalho do pichardo é saltar e competir

Estás a misturar tudo.

O Pichardo, no meu entender, devia ter todo o direito a residir em Portugal e a trabalhar no país. Participar nos Campeonatos Nacionais e demais provas pelo Benfica. Agora, não podia representar a seleção. Onde é que a analogia com um emigrante ser impossibilitado de exercer a sua profissão faz sentido?

Não foi Portugal que os formou. Eles é que se formaram em Portugal e, dentro dos seus direitos, emigraram para exercer a sua profissão. Repito, foram exercer a sua profissão, não foram representar o país para onde emigraram. Coisas completamente diferentes.

No caso do pichardo exercer a profissao dele nao e so treinar, e competir! E nas competicoes internacionais que ele ganha a vida e sendo que no atletismo so se pode competir representando um pais (a excepção da liga diamante), nao podes dissociar uma coisa da outra

Messi87

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  • 09 de Janeiro de 2019, 13:48

pica_foices

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  • 11 de Janeiro de 2019, 22:51
reportagem de 8 minutos

https://www.rtp.pt/noticias/pais/outras-histrias-salto-para-a-vitria_v1120686

Tem nome castelhano, nasceu em Cuba e é agora português. Pedro Pablo Pichardo, um dos maiores talentos do triplo salto mundial, aproveitou uma passagem pela Alemanha para fugir às amarras do regime cubano. Em Lisboa reencontrou-se com a família e promete agora títulos e recordes para o Benfica e para Portugal.