As Finanças do Benfica

Biscai@

Citação de: iKatz em 21 de Março de 2014, 19:31
A CMVM pediu, ontem, esclarecimentos à Benfica SAD por as ações terem disparado nos últimos três dias. O valor subiu mais de 80 por cento e cada ação superou os 3 euros. O Benfica respondeu que não tem explicação para a subida, justificando com movimentações do mercado. Ontem, e no que diz respeito a clubes, as ações de Benfica, FC Porto e Sporting foram as que mais subiram na Europa.
Essa pergunta devia ter sido feita ao Sporting!

MALU15

#33001
Citação de: Aguia_Rea1 em 22 de Março de 2014, 08:14
Citação de: flsb em 21 de Março de 2014, 19:46
Hoje mudaram de dono 293 523 acções da Benfica SAD enquanto que no último ano a média diária não chegava ás 10 000 acções .  :huh:

curiosamente no ultimo relatório já haviam "desaparecido" 300.000 acções da SAD para "outros"

vai saindo em pacotes  :-X
Essa informação não é verdadeira, basta ver os R&C, para se ver que as variações são mínimas, e devem resultar de intervenções pontuais no mercado.
30.06.11:   5.435.626 ações
30.06.12:   5.437.246    "      (+ 1620)
30.06.13:   5.435.836    "      (- 1 410)
31.12.13:   5.437.776    "      (+1 940)

Cá para mim, quem poderá estar a vender poderá ser o BES ... mas é apenas um palpite.

Theroux

Citação de: Aguia_Rea1 em 22 de Março de 2014, 08:14
Citação de: flsb em 21 de Março de 2014, 19:46
Hoje mudaram de dono 293 523 acções da Benfica SAD enquanto que no último ano a média diária não chegava ás 10 000 acções .  :huh:

curiosamente no ultimo relatório já haviam "desaparecido" 300.000 acções da SAD para "outros"

vai saindo em pacotes  :-X

Em que página do R&C está essa informação?

BenficaCampeão!

Citação de: flsb em 21 de Março de 2014, 19:46
Hoje mudaram de dono 293 523 acções da Benfica SAD enquanto que no último ano a média diária não chegava ás 10 000 acções .  :huh:
Onde posso ver essa informação? Obrigado.

MALU15

Citação de: BenficaCampeão! em 22 de Março de 2014, 09:34
Citação de: flsb em 21 de Março de 2014, 19:46
Hoje mudaram de dono 293 523 acções da Benfica SAD enquanto que no último ano a média diária não chegava ás 10 000 acções .  :huh:
Onde posso ver essa informação? Obrigado.
Só nos sites de informação financeira (bancos, ...) Tens aqui uma síntese de ontem:

BENFICA   
  [Lisboa   Moeda: EUR   Mar 21 16:29:56] 
   
 
  Último          Dif. Var.%     Qtd. Tot     Ab     Min      Max       Ant
 
  2.2900 -0.7300 -24.17% 293,523 3.0000 2.2400 3.0000 3.0200   

Valor de transações: 723.084 Euros  PMédio 2,45E

BenficaCampeão!

Citação de: MALU15 em 22 de Março de 2014, 09:50
Citação de: BenficaCampeão! em 22 de Março de 2014, 09:34
Citação de: flsb em 21 de Março de 2014, 19:46
Hoje mudaram de dono 293 523 acções da Benfica SAD enquanto que no último ano a média diária não chegava ás 10 000 acções .  :huh:
Onde posso ver essa informação? Obrigado.
Só nos sites de informação financeira (bancos, ...) Tens aqui uma síntese de ontem:

BENFICA   
  [Lisboa   Moeda: EUR   Mar 21 16:29:56] 
   
 
  Último          Dif. Var.%     Qtd. Tot     Ab     Min      Max       Ant
 
  2.2900 -0.7300 -24.17% 293,523 3.0000 2.2400 3.0000 3.0200   

Valor de transações: 723.084 Euros  PMédio 2,45E
Obrigado

bootscity

É realmente muito estranha a quantidade de transacoes. Alguma coisa se terá passado.

Paspalho

Citação de: bootscity em 22 de Março de 2014, 10:20
É realmente muito estranha a quantidade de transacoes. Alguma coisa se terá passado.

Naturalmente que se trata dum "negócio" combinado.
Alguém que precisa de dinheiro e alguém que não se importa de comprar algo abaixo do valor nominal.

Valdocostamarkovic

Citação de: odistraido em 21 de Março de 2014, 20:17
Essa CMVM são uns patetas do crl. Então as ações valorizam e os idiotas vão perguntar pq? Fdx... mas só fazem indagações ao Benfica? Ainda por cima perguntas estupidas?

São mesmo. Se calhar foi o tio Joe que vendeu algumas ou o Vilarinho :whistle2:
Quando á alguns anos uma certa empresa do PSI20 transaccionava 200 acções por dia ou nem isso, os idiotas não indagaram nada

MALU15

As ações da BSAD continuam com muita liquidez.
Hoje tambem já se negociaram mais de 240mil.


Theroux

A título de curiosidade aqui é possível seguir a SAD na bolsa: http://www.marketwatch.com/investing/Stock/SLBEN?countrycode=PT

Benfica SAD 1.91€/acção
Capitalização de mercado 52.67M€

Sporting SAD 0.90€/acção
Capitalização de mercado 34.71M€

Porto SAD 0.54
Capitalização de mercado 7.95M€

Manchester United Ltd. 11.27€/acção
Capitalização de mercado 1.87 mil milhões de €

SLB É O REI DO MUNDO

a 1.91  :o

há umas semanitas andava nos 0.60, 0.70

quem comprou nessa altura à espera que valorizassem com o final de época deve fazer agora uma boa quantia  ^-^

e com as do sporting também, que esta época chegaram a bater nos 0.20.

MALU15

Citação de: SLB É O REI DO MUNDO em 24 de Março de 2014, 16:07
a 1.91  :o

há umas semanitas andava nos 0.60, 0.70

quem comprou nessa altura à espera que valorizassem com o final de época deve fazer agora uma boa quantia  ^-^

e com as do sporting também, que esta época chegaram a bater nos 0.20.
E a semana passada já atingiram o máximo de 3,05 E

MAGICAL ONE

#33013
Vamos a "Contas" (dezembro de 2013) ?

Como foi amplamente divulgado, a Nossa SAD publicou, em 28 de fevereiro, o seu "R&C" relativo ao primeiro semestre (julho a dezembro) do corrente exercício, anunciando um resultado negativo em quase 16 milhões de euro, um pouco pior do que o que eu esperava.

Antes de entrar na análise dos números, permitam-me dois reparos prévios e as necessárias notas introdutórias:. O documento tornou público o que o mercado já' conhecia desde 2 dias após o anúncio da saída da KPMG e do seu ROC, que foram substituídos pela PWC (Price Waterhouse Coopers); sinceramente, eu continuo a não perceber porque raio de razão essa substituição não foi anunciada em simultâneo;. A publicação deste "R&C" na mesma data em que a osgasad e a cracsad publicaram os seus, sugere que houve um entendimento a 3 nesse sentido e, apesar de se tratar de um assunto pouco relevante, confesso que me não agradam nada estes sinais de "acordos sobre questões de lana caprina" quando subsistem problemas que, esses sim, deveriam unir os 3 concorrentes num debate sério e urgente; como nota positiva deste "acordo", registo que foi significativamente encurtado o prazo de publicação dos "R&C".

Notas introdutórias.

. Acima de tudo o resto, o CA assumiu, pela primeira vez formalmente, que colocou de lado qualquer hipótese de promover uma reestruturação financeira que pudesse visar um "salto" dos Capitais Próprios da SAD (e/ou do Grupo), com natural impacto numa redução da "sangria" provocada pelos Custos Financeiros; inversamente, o CA compromete-se a aproveitar o aumento dos proveitos decorrente do novo modelo de exploração dos Nossos direitos de televisão (BTV) e conseguir garantir, com uma "gestão orçamental equilibrada", a recuperação sustentada dos Capitais Próprios a prazo (o CA reporta para a próxima AG de Accionistas a discussão desta opção) ; mesmo discordando desta opção (considero que pelo menos dois dos principais Bancos – o Millennium e o BES, deveriam ser negocialmente "obrigados" a apoiar a Nossa SAD numa tal reestruturação), deduzo desta decisão que o CA se encontra, agora, muito confortado com as previsões para a evolução do negócio BTV e, ainda, com as expectativas de progressão e valorização  de cada vez mais Atletas da "Fábrica" (Equipa B incluída); 

. Este semestre foi marcado por uma série de acontecimentos relevantes, nomeadamente: a "nova" BTV, a inauguração do Museu e do Lisboa VIP Lounge, o alargamento do Campus e a alteração da partilha da Quotização entre o Clube e a SAD, passando esta a receber apenas 25% do montante global;

. O enquadramento económico depressivo provocou uma quebra dramática (para menos de metade) das receitas de bilheteira;

. Num semestre em que a SAD entendeu, por motivos desportivos, não "vender" nenhum dos Atletas mais valiosos do Plantel, estas operações resumiram-se a renovações (Ruben Amorim, Jan Oblak, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, Hélder Costa, João Cancelo, Ruben Pinto e vários Atletas sub 19), 5 aquisições (Fejsa, Funes Mori, Pizzi, Lisandro Lopéz e Luís Farina) e 2 "vendas" (Melgarejo por 5M e Mora por 3,5M); persistem as regulares operações com o BSF, que adquiriu 25% do "passe" do Sulejmani por 1,25M, subentendendo-se que o fundo perdurará além da data inicialmente prevista (setembro de 2014);

. Pela primeira vez, este "R&C" (ainda não li os publicados por outras sad) inclui dois pontos ("Risco Desportivo" e "Risco Regulatório – Fair Play Financeiro", páginas 70 e 71) cuja importância é tal que terei de os abordar num próximo "post"; confirma-se que o Benfica já conseguiu a "licença", no quadro do FPF, para poder participar nas provas da UEFA da época desportiva 2014/15; nomeadamente, o "R&C" sublinha o facto de o volume total dos Custos com Pessoal ser apenas de 56,2% dos Rendimentos Operacionais;

. No decorrer deste semestre o quadro de Pessoal do Grupo aumentou em 97 (!) Empregados, sobretudo por via da integração da BTV; o número de Atletas sob contrato passou de 60 para 64; os Custos com Pessoal cresceram 3,7M;

. O impacto da "nova" BTV nas "contas" consolidadas ainda não é fácil de avaliar integralmente, especialmente do lado dos Proveitos, que devem ter aumentado muito ao longo do semestre (acompanhando o crescimento das assinaturas); do lado dos custos, o "R&C" refere um acréscimo global de 5M, o que deverá representar cerca de 10M anualizados;

. Finalmente, claro que este "R&C" ainda não inclui as "vendas" realizadas em janeiro (Matic à 25M, Rodrigo à 30M + 10M por eventuais prémios e André G. à 15M + 25% da eventual mais valia numa futura "venda"), tal como não reflecte o eventual impacto dos empréstimos entretanto concretizados (Djaló, John e Mitrovic);

. A titulo de mera curiosidade, recordo-vos os valores pelos quais aqueles 3 Atletas foram "avaliados", aqui no GUACHOS, quando foi publicado o "post" sobre o valor do Nosso Plantel



As "contas" propriamente ditas.

Se consultarem o anexo, além de ficarem com uma informação sintética sobre os principais números, poderão confirmar que podemos não andar muito longe do que eu tinha admitido como provável no texto intitulado "Vamos a Contas ... hipotéticas?" (aqui) publicado há uns meses e no qual discutimos o que poderiam vir a ser os Nossos resultados económicos no final do corrente exercício e procurávamos determinar o valor que a SAD devia obter com "vendas" de Atletas, se quisesse manter a normal capacidade de investimento (e/ou um exercício contabilisticamente "equilibrado").Esse anexo divide-se em dois quadros diferentes: Demonstrações de Resultados e Balanços: no primeiro quadro podem comparar os resultados deste semestre com o semestre homólogo do exercício anterior (de julho a dezembro de 2012) e, depois, comparar estes dois grupos com o conjunto dos resultados de 2012/2013 (3ª coluna), com a "previsão" acima citada (4ª coluna) e , finalmente, uma "nova previsão" que arrisco para o final deste exercício (5ª coluna); no segundo quadro podem observar a evolução dos Balanços nos 4 semestres mais recentes.

Demonstração de Resultados.

Ao nível dos Proveitos Operacionais, os destaques vão para o espectacular impacto da Nossa BTV e, em sentido inverso, com alguma surpresa, o tremendo afundamento das receitas com bilheteira (incluindo os red pass), que caíram mais de metade (quase 60% nos 3 desafios da Champions). Uma vez que não se verificam "surpresas" nos grupos dos Custos Operacionais, os Resultados Operacionais "sem Atletas" foram ligeiramente positivos e sem surpresa.

Uma vez que a SAD não fez nenhuma "venda" importante no semestre, necessariamente os Resultados com Operações sobre "passes" de Atletas foram fortemente negativos (quase 7M) e implicaram o aumento do endividamento bancário, com o consequente agravamento daquilo a que aqui chamamos "factura bancária".

Previsões.

Como sabem todos os Leitores assíduos do GUACHOS, eu rejeito o rótulo de "previsão" para as estimativas grosseiras que venho fazendo sobre a possível evolução dos Nossos resultados económicos, mas, ainda assim, uma vez que não quero perder o efeito pedagógico que esses raciocínios podem ter junto dos Companheiros menos "especialistas" nestes temas, vou continuar a correr o risco de ser alvo de alguns "talibãs" mais ignorantes e, na última coluna do primeiro quadro anexo, apresento-vos uma estimativa grosseira para o que podem vir a ser os Nossos resultados económicos no final de junho próximo.

Essa estimativa pressupõe as "vendas" já efectuadas (e mais nenhuma de primeira grandeza) e a presença da Equipa na final em Turim, no próximo mês de maio.Caso essa presença não seja conseguida, creio que a simples concretização de "vendas" de excedentários (fala-se do Kardec e do Jara) com ligeiro lucro, permitirão obter um resultado final equilibrado, tal como parece ser o objetivo mínimo do CA.Caso o CA entenda começar, já neste exercício, a prosseguir o objectivo de recrudescimento dos Capitais Próprios, então admito que vamos assistir, em maio/junho, a uma ou duas "vendas" de Atletas com mais impacto económico, viabilizando um Resultado do Exercício positivo e com o mesmo significado da mais valia resultante dessa(s) "venda(s)".

Balanços.

No segundo quadro do anexo, podem verificar como tem evoluído (contabilisticamente) a Nossa SAD nestes últimos quatro semestres (são como 4 "fotografias" tiradas naquelas datas) e comprovar o continuo aumento do Activo não corrente, quer no seu "tangível" (edifícios, equipamentos, etc.), quer nas rubricas do "intangível" (marca Benfica, direitos de TV adquiridos, valor do Plantel, etc.).Recordem-se que, caso a SAD não mantivesse politicas activas de investimento, estes dois grupos do Activo deveriam "encolher" todos os anos (o tangível por cerca de 10M e o intangível em próximo de 30M) pela simples acção das amortizações contabilísticas.

Olhar para o Balanço nestes 4 semestres consecutivos também serve para compreender o que significa a expressão "Passivo controlado", face a uma clara estabilidade dos seus montantes. Aliás, creio que há 10 semestres consecutivos que o Passivo total (integrando a antiga Benfica Estádio S.A.) oscila entre os 400 e os 450 milhões de euro.

Conclusão.

No semestre histórico da integração da BTV e da exploração directa dos Nossos direitos televisivos, não sobrevieram surpresas "enormes" e/ou "graves", apesar de já todos sabermos do fenomenal sucesso que conseguimos com a Nossa BTV (espero que no final de junho, então sim, se concretize a "enorme" surpresa contabilística), pelo que os dados mais relevantes foram: (1) um impacto já positivo nas contas consolidadas por via da BTV, (2) a surpreendente quebra das receitas de bilheteira e (3) o preço "pago" (custos financeiros) pela recusa em vender Atletas importantes.

Acima de tudo e, neste caso com grande surpresa (e lamento) da minha parte, vemos o CA a assumir formalmente que abandona os projectos de reestruturação financeira, apostando num compromisso de obter resultados positivos estáveis nos próximos exercícios e, por essa via, assegurar a "reconstituição" dos Capitais Próprios da SAD (e do Grupo).

Uma vez mais, repito o que sempre, sempre afirmei: . O Benfica não é Nosso, apenas O temos nas Nossas mãos como que "por empréstimo" das gerações vindouras;. Mas o Benfica somos Nós e somos Nós que continuaremos a determinar o Nosso futuro colectivo, em todas as suas vertentes e ... também nos resultados económicos e financeiros.

Viva o Benfica!





P.S.: ultrapassada a brutal indisponibilidade que explica o atraso na elaboração deste texto, fica o meu compromisso de escrever mais dois: o primeiro, já acima anunciado, sobre Fair Play Financeiro e um outro para comparar estas Nossas "contas" com as da osgasad e da andruptosad.



Por José Albuquerque





comentários pertinentes ao post:


VeRMeLHoVZKy: Boa análise e queria adicionar uns pontitos:

1) A mudança do ROC está relacionada com algumas fugas de informação dentro da KPMG. Estas fugas eram relacionadas ao projecto BenficaTV.

2) Nos últimos 4 anos, a Benfica SAD tem publicado os R&Cs semestrais sempre no último dia de Fevereiro. E o Anual, no último de Outubro. E pelo que me disseram essa é a data limite para apresentar as contas.

3) O decréscimo das receitas de bilheteira tem vários factores. O terrível final da época passada, o mau começo da época, a crise económica e a falta de jogos grandes no 1º Semestre. Mas o 2º semestre ira por certo ser diferente. A média de espectadores já subiu espetacularmente e poderá ser 10% superior à época passada (nos jogos do campeonato).

4) O crescimento do pessoal. O grupo empresarial Benfica é cada vez maior e não é só futebol. É hoje também uma empresa de comunicação (com TV, Jornal e Revista, e no futuro, uma rádio também) e isso implica mais empregados... mas também muito mais receitas.

5) Existe uma mudança de estratégia, que também tem a ver com a quebra de certas parcerias. O principal parceiro financeiro do benfica era o grupo BES. E depois do que se passou com os direitos televisivos, as relações entre Benfica e BES ficaram bastante afectadas.
Joaquim Oliveira é homem de mão de Ricardo Salgado e nos meses iniciais da época houve imensas polémicas entre LFV, DSOliveira e as gentes do BES, algumas delas Benfiquistas dos 7 costados.
Existiam planos de renegociação da dívida do Benfica que foram boicotados. E após se perceber que o Benfica não iria continuar na champions, os responsáveis financeiros optaram por um plano B.

6) O plano B consiste em vender jogadores e usar os recursos para abater na dívida do grupo BES. Especialmente nos empréstimos com maior taxa de juro. A SAD deu preferência a vendas com pagamentos imediatos. A entrada de um valor muito significativo de capital, implica uma redução importante na dívida bancária e também no valor dos juros a pagar.

7) Previsões: não as gosto de fazer. Mas o certo é que os resultados da BenficaTV e o possível decréscimo dos valor dos juros (tanto pela redução do passivo como do valor médio da taxa de juro paga) levam a um equilibrio de contas muito interessantes.

E uma segunda metade da época de alto nível, reacendeu o interesse em vários dos nossos jogadores. O Benfica poderá ainda realizar algumas vendas importantes no Verão e continuará por certo a investir em jogadores interessantes. Mas têm agora uma outra alternativa, que são os miudos do Seixal que são cada vez mais opção!



Mathayus: Caríssimo e estimado amigo José Albuquerque,

Obrigado, por mais este excelente Post... e pelo esclarecimento que trazes ciclicamente a todos os Benfiquistas sobre as contas e a « vida » económica do nosso amado e glorioso clube!

Registo, que também partilho a tua decepção pela não opção pela reestruturação financeira... a qual, espero apenas e só adiada para melhor ocasião.

Como positivo destaco, o facto da Benfica TV seguir « formosa e segura », adensando - se assim as expectativas sobre o seu impacte financeiro futuro nas contas.

De resto, tudo parece « controlado », as contas não foram « Rangel(izadas), nem foram alvo de nenhuma
« Bruno(degradação)!!!

VeRMeLHoVZKy: A restruturação financeira só é possível se tiveres uma boa relação com os teus parceiros financeiros. E isso não acontece, neste momento, com aquele que era o nosso principal parceiro, o BES.


Mathayus: Caro VeRMeLHoVZKy,

Aparte o facto de não perceber realmente « patavina » de economia...

Depreendo, que a estratégia seja amortizar a dívida ao BES, diminuir a sua importância na vida económica do clube e... tentar angariar um novo parceiro que possa viabilizar futuramente... a reestruturação financeira.

Será algo parecido ao que explanei? Ou estou bem longe?


Jose Albuquerque: Enormerrimos Mathayus e V,

Infelizmente o tema de uma eventual operacao (ou conjunto de operacoes) de reestruturacao financeira nao so' e' demasiado tecnico, como, sobretudo, e' demasiado sensivel para poder ser objeto de um debate "publico" entre nos.

Confesso-vos que eu me preparava para, logo que o Nosso CA anunciasse a sua estrategia nessa area, escrever o que fosse necessario para tentar "explicar" essas opcoes (concordasse eu com elas, ou nao), traduzindo-as numa linguagem o mais acessivel possivel a todos os Companheiros.

Uma vez que, ao que parece, o CA da SAD ja' decidiu nao ir por nenhum dos caminhos alternativos possiveis nessa area, eu vou esperar pelo debate do tema na anunciada AG de Acionistas e, depois, em resultado dos argumentos que o CA apresentar, decidirei se devo, ou nao, escrever sobre o assunto.

Entretanto, ha' (pelo menos) 3 coisas que eu tenho de recordar a todos os Benfiquistas que por aqui passam:
1. O Benfica e' um Grande e Excelente Cliente dos Bancos com os quais trabalha;
2. Uma boa parte dos contratos de mutuo que mantemos em vigor, foram negociados quando o "credit scoring" do Grupo Benfica era bem pior do que e' atualmente e outra boa parte desses contratos foram negociados ja' depois da crise financeira (pela ruptura do Lehman Brothers) e, por isso, em termos tao gravosos que Nos sugeriram a complementacao com contratos de "swap"; e, finalmente
3. Dois dos principais Bancos que trabalham habitualmente com o Grupo Benfica (o BES e o Millennium), aceitaram um diferimento (por 12 anos) de 80ME, com perdao "integral" de juros, junto de um Nosso concorrente.

Acresce que se me fosse pedido montar uma operacao de refinanciamento (por consolidacao de parte do Passivo Bancario) de, digamos, 200ME para o Grupo Benfica e com uma "fatura bancaria" significativamente inferior (pouco mais de 60% do atual), eu nao demoraria mais de 5 dias uteis a apresentar um primeiro "draft" (para MoU) com financiadores alternativos.

Isto basta para podermos afirmar que seria esse o caminho ideal?
Nao, nao basta!

Por isso eu vou esperar pelas informacoes (e argumentos) que me faltam.

Viva o Benfica!



MAGICAL ONE

Fair Play Financeiro e Gestão de Riscos (parte I)

Um dos capítulos que distingue os melhores "R&C", é aquele em que eles versam sobre os diversos riscos que a sociedade enfrenta e as politicas de Gestão adoptadas para os controlar. Desde há anos que os "R&C" da Nossa SAD são particularmente completos nestes aspectos, abordando com bastante detalhe riscos como os operacionais, os institucionais, os de mercado e os de financiamento ou refinanciamento, só para dar alguns exemplos.
No entanto, neste mais recente "R&C", a páginas 70 e 71, o CA refere cuidadosamente dois "novos" tipos de risco que nunca tinham sido antes apresentados como tal, a saber: "Risco desportivo" (antiga Lei Webster) e "Risco regulatório – Fair Play Financeiro".


Confesso que, embora conhecesse por alto a chamada "Lei Webster", nunca me tinha apercebido do seu real potencial de impacto, sobretudo quando ela determinou uma profunda revisão dos regulamentos de transferências. Já quanto aos detalhes do chamado Fair Play Financeiro, um processo relativamente ao qual sabemos que o Glorioso tem sido um dos parceiros escolhidos pela UEFA para colaborar na preparação deste novo grupo de regulamentos, abunda uma desinformação geral, muito por culpa da incompetência da mérdia nacional sempre que se trate de assuntos das esferas económicas e financeiras, outro tanto por culpa da própria UEFA que parece querer tratar este tema "com pinças" e dentro do maior sigilo possível (por exemplo, nunca respondendo aos correios que já lhes remeti a propósito).


Por todos estes motivos, parece-me que seria indesculpável não dar o devido destaque a estes dois pontos verdadeiramente inovadores deste mais recente "R&C* da Benfica SAD. Para o efeito, começo por reproduzir integralmente (e sublinhar) o que neles vem escrito.


" Risco desportivo


A Benfica SAD tem a sua actividade principal ligada á participação em competições nacionais e internacionais de futebol profissional. A Benfica SAD depende assim da existência dessas competições, da manutenção dos seus direitos de participação e do valor dos prémios pagos, da performance desportiva alcançada nas mesmas, nomeadamente da possibilidade de apuramento para as competições europeias. Por sua vez, a performance desportiva poderá ser afectada pela venda ou compra dos direitos desportivos de jogadores considerados essenciais para o rendimento da equipa principal de futebol.


A performance desportiva tem um impacto considerável nos rendimentos e ganhos de exploração da Benfica SAD, designadamente os que estão dependentes das receitas resultantes das alienações de passes de atletas, da participação da sua equipa de futebol nas competições europeias, designadamente na Liga dos Campeões, e os provenientes de receitas de bilheteira, cativos, bilhetes de época, entre outros.


Adicionalmente, as receitas de contratos publicitários dependem da projecção mediática e desportiva da equipa principal de futebol, bem como da capacidade negocial da Benfica SAD face a essas entidades.


Os custos relativos ao conjunto de jogadores de futebol da Benfica SAD assumem um peso determinante nas respectivas contas de exploração. A rentabilidade e o equilíbrio económico-financeiro da Sociedade estão, por isso, significativamente dependentes da capacidade da Administração da Benfica SAD para assegurar uma evolução moderada dos custos médios por jogador e a racionalização do número de jogadores, especialmente tendo em conta os critérios do Fair Play Financeiro.


Os rendimentos e ganhos resultantes de transferências de jogadores por parte da Benfica SAD assumem um peso significativo nas respectivas contas. Esses valores estão dependentes da evolução do mercado de transferências de jogadores, da performance desportiva e disciplinar dos jogadores, bem como da ocorrência de lesões nos mesmos, da capacidade da Benfica SAD formar e desenvolver jogadores que consiga transferir e da manutenção de um enquadramento legal que permita a continuidade deste tipo de receitas nos níveis esperados. Quanto a este último ponto, importa referir que a rescisão sem invocação de justa causa promovida por um jogador fora de um determinado período contratual protegido (3 anos quando o jogador, ao assinar o contrato, tinha menos de 28 anos; 2 anos nos outros casos) pode corresponder, para a Benfica SAD, ao recebimento de uma indemnização de valor significativamente inferior ao originalmente contratualizado entre a Benfica SAD e esse jogador (i.e., o valor por vezes referido como "cláusula de rescisão"). (fim de citação)


Sem dúvida nenhuma, um texto para ser lido (e relido) com todo o cuidado e atenção!


Especialmente aquelas seis últimas linhas, que invocam as regras antes conhecidas como "Lei Webster", tanto mais que, aparentemente, essa norma passou a ser aplicável em mais casos e não apenas (como eu ainda acreditava) quando um Atleta, com 30 ou mais anos e 2 anos de contrato, rescinde o seu contrato para regressar ao seu pais de origem. Todos estamos recordados do exemplo do Katsouranis e de como a "Lei Webster" condicionou a capacidade negocial da Nossa SAD; antes, eu admitia ter-se tratado de um caso absolutamente excepcional.


Após a leitura deste texto, fui, obviamente, ler o "Regulamento de Transferências", especialmente o seu ponto 17, no sitio da FIFA e, mesmo sendo fluente em inglês e francês, continuo cheio de interrogações!
Das leituras que fiz (e li até quase enfartar, hahaha), resultaram as seguintes conclusões que apresento com a humildade de quem não é Jurista e não conhece a vasta jurisprudência já produzida:
. Já "desapariu" aquela antiga limitação de "para regressar ao seu pais de origem";
. Já "desapariu" aquela limitação etária (mais de 30 anos) e não existe nenhuma outra, ou seja, qualquer jogador, de qualquer idade, pode rescindir o seu contrato sem justa causa; e
. A única restrição que consegui identificar prende-se com o chamado "período de protecção" (do contrato) que é de 2 ou 3 anos, consoante o jogador o tenha assinado com mais, ou menos, de 28 anos, respectivamente.


Para além destas "novidades", registei uma outra, que vem explicar parte do que discutimos a propósito do "caso Matic": enquanto os antigos regulamentos exigiam que um clube que quisesse contactar um jogador sob contrato, obtivesse um acordo prévio e formal do clube detentor do "passe" desse futebolista, o regulamento actual já só exige que o clube que pretende contratar o atleta informe o outro clube, por escrito, dessa vontade e sem necessitar de nenhuma espécie de "autorização".


Ou seja e na minha humilde opinião, a FIFA pretende proteger os clubes com maior poder económico e contribui para o crescimento dos salários dos futebolistas.


É neste quadro que eu interpreto o cuidado com que o Nosso CA quis clarificar este grupo de riscos no presente "R&C".
Tal como é neste quadro que interpreto o aprofundamento da atual politica de renovação de contratos com frequência bienal (parto do principio que cada renovação contratual implica um novo "período de protecção") e o "nervoso miudinho" que parece instalar-se sempre que (podem ser os exemplos do Gaitan e do Garay) há algum "atraso".


Porque razão?
Ora, porque qualquer Atleta pode, fora desse "período de protecção" rescindir o seu contrato sem justa causa, sem penalização disciplinar e devendo pagar (solidariamente com o futuro clube) apenas uma compensação em função do seu salário mensal!
Ironicamente, os regulamentos já' nem sequer referem explicitamente que essa indemnização tem de cobrir todos os salários vincendos do contrato que se pretende denunciar (o que, ainda assim, seria manifestamente inferior ao normal valor de mercado do futebolista) e admitem que ele também será função da legislação laboral do pais em que o contrato foi celebrado.
Depois da limitação aplicada á duração máxima dos contratos (5 épocas, ou 3 anos, caso o jogador tenha menos de 18 anos), esta "generalização" da antiga "Lei Webster" vai, necessariamente, determinar um novo enquadramento da chamada "Gestão de Activos" quando aplicada aos planteis das sad.


Conclusão.


Que se desenganem aqueles que, como eu, acreditavam que seria possível ao Nosso CA "controlar" (no sentido de impedir um forte crescimento) os Custos Salariais do Plantel!
Que se desenganem aqueles (eu não) que acreditavam que a Nossa "Fábrica" poderia ser a panaceia sobre a qual o Benfica poderia construir um "novo paradigma económico" baseado em salários relativamente baixos!


Sejam os Atletas mais ou menos jovens, nacionais ou estrangeiros, a forma de manter um Plantel estável e tentar "segurar" os Atletas mais importantes para a Equipa, ou conseguir algum poder negocial perante potenciais interessados, é ... manter os seus contratos no "período de protecção" (uma espécie de "período fértil", ou ... "menstrual", que me perdoem as eventuais Leitoras).
Para manter todos os contratos dos Atletas mais valiosos dentro desse "período de protecção", haverá que proceder a renovações sistemáticas (a cada 2 ou 3 anos), mantendo a competitividade da Equipa (a qualificação para a Liga dos Campeões vai crescer de importância) e correspondendo aos desejos salariais dos Atletas.


Companheiros,


O nível de crescimento e desenvolvimento que conseguimos atingir nestes anos mais recentes, um nível que Nos custou sacrifícios tremendos e Nos obrigou a ter a coragem e a determinação para superarmos limites (económicos, financeiros, estruturais e institucionais), ainda Nos vai exigir mais no futuro próximo.
Por isso, eu já tinha escrito que nenhuma candidatura aos Nossos Corpos Sociais se poderia apresentar sem divulgar que seria o seu CFO (Chief Financial Officer).
Mas hoje, perante este quadro crescentemente exigente, creio que a bitola tem de ser colocada bem mais alto e teremos de exigir a qualquer Companheiro(a) que pretenda a confiança eleitoral dos Sócios para gerir o Grupo Benfica, que apresente, ab initio, quem serão os seus Director Desportivo e Técnico principal.


Na mesma medida em que o Glorioso se vai tornando mais atractivo para os "gulosos" do costume, também se transformou num desafio só ao alcance de muito poucos.


No próximo "post" (parte II) vamos articular este tema com o famigerado Fair Play Financeiro.


Viva o Benfica!   




Por José Albuquerque