As Finanças do Benfica

BenficaSetsFire

Citação de: BlankFile em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Citação de: BenficaSetsFire em 09 de Agosto de 2014, 14:23
Citação de: BlankFile em 09 de Agosto de 2014, 14:20

Eu não acredito que isso irá acontecer. Cortar o crédito a uma empresa que tem cumprido com as suas obrigações? Mas que sentido é que isso faz? Acho que é abrir um precedente muito grave.

Não é abrir precedente nenhum nem é nada grave, é até natural. Os bancos avaliam os riscos dos clientes, e os clubes de futebol são negócios de altíssimo risco, é natural que algum dia alguém não quisesse renovar tais empréstimos, ou fazendo-o, só a uma taxa altíssima. Isso de "não ter falhado nenhum compromisso" também não quer dizer muito, ninguém falha até falhar a primeira vez.

Mas não faz sentido pelo menos renegociar os prazos para o pagamento dos empréstimos? E como fica a situação de um clube como o sporting por exemplo, com capitais próprios negativos de mais de 200 milhões de euros? Não envolve um risco muito maior do que a situação financeira do Benfica? Porque não lhes cortam o financiamento também? Isto para mim não faz sentido algum.

É minimizar perdas. Nem sei se o Benfica propôs tal cenário, mas tendo capacidade para o fazer, é natural que o faça. Já o sporting não tem a mínima capacidade de pagar a sua dívida, e a bom tempo a renegociaram, para o BES é uma questão de irem recebendo aos poucos e perder os juros ou não receber de todo. Mas acho que se o Benfica tivesse interesse em renegociar a dívida antes de rebentar este caso o conseguiria ter feito, agora esquece. Ainda por cima crédito de curto prazo como uma conta caucionada, que a qualquer momento pode ser liquidada.

Churchill

Citação de: tecoteco em 09 de Agosto de 2014, 14:18
Citação de: Recrut@zer0 em 09 de Agosto de 2014, 13:58
É preciso ter a noção do que está em jogo... falam aqui que o que está em causa por parte do Benfica são 200 Milhões de empréstimos a curto prazo, é preciso levar em conta que os depósitos do Novo Banco ascendem a 35000 Milhões, qual a percentagem desses depósitos se encontra nas mãos dos adeptos benfiquistas???


No meu ponto de vista estas "notícias" foram plantadas no Expresso com um de dois propósitos:

1 - Pressionar o Novo Banco a clarificar a situação em Relação ao financiamento aos clubes de futebol.

A ser verdade a notícia do Expresso, nesta altura de grande fragilidade, trata-se de uma medida de alto risco para o Novo Banco, sendo que a verificarem-se situações de privilégio (sporting???), o suposto "ultimato" ao Benfica em ultima análise poderá desencadear uma reacção em cadeia com a mais que prevísivel sugestão à fuga de clientes/depositantes (+/- 50% de Benfiquistas) o banco torna-se inviável e vai tudo para a falência.

2 - Justificar as vendas...
Não quero acreditar nesta hipótese.


Quinta-feira temos a resposta...

É ÓBVIO que se o NovoBanco cortar o crédito ao Benfica vai levar com uma campanha negativa sem precedentes... o levantamento de depósitos dos benfiquistas vai ser considerável e lá vamos ter um 2º resgate ao "mesmo" banco :)

Antes de mais, tal nunca aconteceu e duvido que alguma vez aconteça, tal a irresponsabilidade de quem o promovesse.

Para além disso, desde que a situação no BES/GES começou, o levantamento de depósitos tem sido astronómico. A recapitalização do "Novo Banco" serviu também ela para combater a hipótese de futuros problemas de liquidez.

Como tal, a tua tese, para além de especulativa, é irreal.

T1n0_SLB

Citação de: Churchill em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Se for verdade que na última emissão obrigacionista a procura correspondeu a cerca de 300% da oferta, de que modo é que o BES nos irá afectar neste caso?

Quando se começa a repetir muitas vezes uma mentira, arrisca-se a que a mesma se torne verdade.

Mas esse foi uma operação aberta ao público, á dois que não foram abertos ao público, o de 35M e o de 50M.

BenficaSetsFire

Citação de: tecoteco em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Citação de: BenficaSetsFire em 09 de Agosto de 2014, 14:20
Citação de: tecoteco em 09 de Agosto de 2014, 14:18
Citação de: Recrut@zer0 em 09 de Agosto de 2014, 13:58
É preciso ter a noção do que está em jogo... falam aqui que o que está em causa por parte do Benfica são 200 Milhões de empréstimos a curto prazo, é preciso levar em conta que os depósitos do Novo Banco ascendem a 35000 Milhões, qual a percentagem desses depósitos se encontra nas mãos dos adeptos benfiquistas???


No meu ponto de vista estas "notícias" foram plantadas no Expresso com um de dois propósitos:

1 - Pressionar o Novo Banco a clarificar a situação em Relação ao financiamento aos clubes de futebol.

A ser verdade a notícia do Expresso, nesta altura de grande fragilidade, trata-se de uma medida de alto risco para o Novo Banco, sendo que a verificarem-se situações de privilégio (sporting???), o suposto "ultimato" ao Benfica em ultima análise poderá desencadear uma reacção em cadeia com a mais que prevísivel sugestão à fuga de clientes/depositantes (+/- 50% de Benfiquistas) o banco torna-se inviável e vai tudo para a falência.

2 - Justificar as vendas...
Não quero acreditar nesta hipótese.


Quinta-feira temos a resposta...

É ÓBVIO que se o NovoBanco cortar o crédito ao Benfica vai levar com uma campanha negativa sem precedentes... o levantamento de depósitos dos benfiquistas vai ser considerável e lá vamos ter um 2º resgate ao "mesmo" banco :)

E depois acordas do mundo da fantasia.

depois não digas que não "avisei" ;)

Sim, pois claro. Os benfiquistas não conseguem exigir coisa nenhuma da sua própria direcção, mas vão provocar um novo resgate a um banco como forma de protesto. Acreditam mesmo nestas fantasias ou dizem porque parece bem?

xungaria

Citação de: Churchill em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Se for verdade que na última emissão obrigacionista a procura correspondeu a cerca de 300% da oferta, de que modo é que o BES nos irá afectar neste caso?

Quando se começa a repetir muitas vezes uma mentira, arrisca-se a que a mesma se torne verdade.

esta também é uma solução bastante interessante... estando nós neste momento a pagar 7 e tal% à banca, emitindo obrigações a 5% ao público julgo que conseguiriamos ter bastante procura

BlankFile

É bom que o presidente do Benfica esclareça devidamente este assunto na próxima semana. É uma situação demasiado grave que não pode continuar na obscuridão.

Churchill

Citação de: T1n0_SLB em 09 de Agosto de 2014, 14:32
Citação de: Churchill em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Se for verdade que na última emissão obrigacionista a procura correspondeu a cerca de 300% da oferta, de que modo é que o BES nos irá afectar neste caso?

Quando se começa a repetir muitas vezes uma mentira, arrisca-se a que a mesma se torne verdade.

Mas esse foi uma operação aberta ao público, á dois que não foram abertos ao público, o de 35M e o de 50M.

O que, em nada, impede que o passem a ser.

E atenção que não defendo tal hipótese, mas parece-me inevitável. Achar que as vendas realizadas até aqui já cobrem esses montantes é irrealista.

lonstrup

O BES chegou aquilo que chegou devido a empréstimos de dinheiro e favores todos baseados em cunhas e favores politicos/empresários, e não nos critérios que normalmente orientam as decisões sobre a concessão de empréstimos.

esse é o cerne do problema. e os empréstimos ao futebol estavam todos dentro deste pacote.

obviamente que a nova direcção não poderá continuar a fazer o mesmo tipo de empréstimos baseados na palavra e amizade dos intervenientes.

pilz-e

Citação de: BlankFile em 09 de Agosto de 2014, 14:35
É bom que o presidente do Benfica esclareça devidamente este assunto na próxima semana. É uma situação demasiado grave que não pode continuar na obscuridão.

Então não, olha como ele se safou contra um tripeiro na rtp:

http://youtu.be/7gHnSUKnYaM

Achas que vai ser no canal do clube com um assalariado seu que vai esclarecer o que quer que seja? o discurso já está mais que ensaiado, até aposto que já tem dois discursos prontos, um para se ganharmos a Supertaça e outro para se a perdermos.


booggie

#40254
Citação de: LMFPC em 08 de Agosto de 2014, 19:25
Citação de: booggie em 08 de Agosto de 2014, 19:18
Citação de: T1n0_SLB em 05 de Agosto de 2014, 18:40
Meter qualquer link do guachos aqui devia dar direito a amarelo, passarei a denunciar.

Ainda não percebi, nós é que somos os talibans?

Os talibãs são os talibãs. :2funny:

Já sei quem é o anticristo.




Querem ver que depois de 11 anos de associado sou corrido do serBenfiquista.



tecoteco

Citação de: fmocorreia em 09 de Agosto de 2014, 14:29
Citação de: BlankFile em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Citação de: BenficaSetsFire em 09 de Agosto de 2014, 14:23
Citação de: BlankFile em 09 de Agosto de 2014, 14:20

Eu não acredito que isso irá acontecer. Cortar o crédito a uma empresa que tem cumprido com as suas obrigações? Mas que sentido é que isso faz? Acho que é abrir um precedente muito grave.

Não é abrir precedente nenhum nem é nada grave, é até natural. Os bancos avaliam os riscos dos clientes, e os clubes de futebol são negócios de altíssimo risco, é natural que algum dia alguém não quisesse renovar tais empréstimos, ou fazendo-o, só a uma taxa altíssima. Isso de "não ter falhado nenhum compromisso" também não quer dizer muito, ninguém falha até falhar a primeira vez.

Mas não faz sentido pelo menos renegociar os prazos para o pagamento dos empréstimos? E como fica a situação de um clube como o sporting por exemplo, com capitais próprios negativos de mais de 200 milhões de euros? Não envolve um risco muito maior do que a situação financeira do Benfica? Porque não lhes cortam o financiamento também? Isto para mim não faz sentido algum.


O Sporting está sobre gestão controlada tem os investimentos controlados, se quiserem isso para o Benfica sim é possível re-estruturar. Aí sim só odiamos apostar na formação

Ao NOVOBANCO vai acontecer o que aconteceu à Controlinveste após ter deixado de ser parceira do Benfica (foi reestruturada pela banca).

Guarda o que escrevo.

Se o NOVOBANCO falir, azar, incompetência da "nova gestão" ao abdicar da parceria com o Benfica, tal como foi incompetência de Joaquim oliveira em ter abdicado da parceria com o Benfica.

saab9573


Citação de: CPA em 09 de Agosto de 2014, 14:03
O que não falta é aqui gente que avisou para o que aí vinha. Lembro-me bem de debater aqui com o Theroux e de como ele (e outros, como MALU15) defendia esta política.

Olha....um que sabia que o BES ia rebentar.... Pena os accionistas não te ouviram...

tecoteco

Citação de: T1n0_SLB em 09 de Agosto de 2014, 14:32
Citação de: Churchill em 09 de Agosto de 2014, 14:25
Se for verdade que na última emissão obrigacionista a procura correspondeu a cerca de 300% da oferta, de que modo é que o BES nos irá afectar neste caso?

Quando se começa a repetir muitas vezes uma mentira, arrisca-se a que a mesma se torne verdade.

Mas esse foi uma operação aberta ao público, á dois que não foram abertos ao público, o de 35M e o de 50M.

porque foi subscrita em 90% pelo BES. Não queriam que mais ninguém ganhasse juros a 7% :P

Que voltem a lançar empréstimos obrigacionistas abertos ao "público" com novos parceiros institucionais, bancos e fundos de investimentos.

saab9573


Citação de: tecoteco em 09 de Agosto de 2014, 14:13
Citação de: saab9573 em 09 de Agosto de 2014, 13:39
Os blogues tripeiros deviam tb perguntar pelos mais de 30 milhões de prejuízo que tiveram no último período

Sei que a CS mal tocou no assunto como é habitual nas notícias daquele clube

esse blog abordou isso. Li isso algures.


A corda não rompeu mas ninguém a largou

Terminou, oficialmente, a época 2013-14. Depois dos maus resultados desportivos, surge hoje a garantia de que a SAD poderá repetir, rondar ou até superar os números de 2011-12, quando fechou a temporada com 35,7 milhões de euros de prejuízo.

O FC Porto teve prejuízos de 12,4 milhões no 1º trimestre, 29,2 milhões após o segundo e 38,7 milhões no final do terceiro. As previsões apontavam para a necessidade de um encaixe com mais-valias nunca inferiores a 40 milhões de euros com transferências e Angelino Ferreira, antes de sair da SAD, confirmou ao JN que a má prestação na Champions também ia abrir um buraco de 8 milhões de euros no orçamento.

Tomemos como ponto de referência o 3º trimestre, onde se registava um prejuízo recorde de 38,7 milhões de euros. As únicas transferências incluídas até aqui foram as de Atsu, por 3 milhões (o FC Porto ficou reduzido a 75% do passe antes da transferência, que esteve a cargo de Alexandre Pinto da Costa), com mais-valia de praticamente 2 milhões, e Otamendi, vendido ao Valência por 12 milhões e a gerar uma mais-valia de 7,9 milhões de euros. O caso de Walter, pela particularidade do negócio (obrigado a renovar devido ao empréstimo ao Fluminense e às obrigações com a terceira parte), não entra na equação e não vai gerar uma mais-valia significativa pelos 25% alienados (a SAD ficou com 15%). Acrescenta-se a venda de Iturbe, por cerca de 6,75 milhões de euros, com a mais-valia ainda por calcular, e Castro, por cerca de dois milhões de euros.

Fernando foi a única venda a entrar no último trimestre e, por si só, não vai reduzir os 38,7 milhões de euros de prejuízo nos primeiros nove meses, na medida em que as actividades correntes do clube não asseguram a auto-sustentabilidade da SAD. O negócio já aqui foi tema de destaque, mas só vai ser esclarecido em outubro. O Tribunal do Dragão ouviu que a SAD iria declarar e pagar impostos sobre os 15 milhões de euros, já anunciados, mas que após o acordo revelado por Pinto da Costa com Fernando e António Araújo a parte que caberia ao FC Porto seria de apenas sensivelmente 7 milhões de euros (à partida a SAD só teria direito a 12 milhões, por ter 80% do passe). Desconhece-se como a SAD irá distribuir as parcelas (alienação antecipada do passe ou distribuição mediante o acordo para a transferência para o City) e é algo que só será esclarecido em outubro, sendo certo que tudo será melhor do que a saída a custo zero.

A venda de Mangala não seria suficiente para tapar o buraco, enquanto para Jackson Martínez virtualmente só o pagamento da cláusula de rescisão de 40 milhões salvaria o exercício. Mas afinal Pinto da Costa não fez bluff quando afirmou que não estava com disposição imediata para vender, tal como Mangala não fez bluff quando afirmou que só quer ver propostas depois do Mundial. E falamos em Pinto da Costa por estar no topo na hierarquia, pois o mercado de transferências obedece essencialmente aos empresários e representantes destacados para cada jogador e por cada clube e o dia-a-dia da SAD está cada vez mais sob gestão da dupla Antero Henrique e Adelino Caldeira, com Pinto da Costa a limitar-se a um processo de supervisão e decisão - a última e mais importante parte.

O FC Porto vai fechar 2013-14 com um prejuízo que dificilmente não será o maior da história da SAD. Em sentido inverso, e embora as obrigações correntes se mantenham e continuem a ter que ser cumpridas, surge a possibilidade de começar a inverter o rumo em 2014-15, com as futuras vendas a entrar já na nova época. Agora sem deadline que não o do fecho de mercado de transferências, mas exactamente com o mesmo princípio: vender para comprar.

Pinto da Costa continua a insistir que entre Mangala e Jackson Martínez só sairá um (e deve ser o único a acreditar que é possível manter um), e o facto de para isso ter «sacrificado» as contas de 2013-14 mostram que não era bluff. Para Mangala já há sucessor (Martins Indi, com quem há acordo com Feyenoord e jogador, embora a oficialização só deva ser concretizada depois do Mundial - e é bom que o seja o quanto antes, pois a palavra vale cada vez menos no futebol), apesar do francês não estar convencido quanto ao convite do City (que paga 40 milhões pelo total da operação), enquanto que para o lugar de Jackson Martínez não há nenhum nome apontado pela imprensa que de facto esteja a ser negociado pelo FC Porto. Pode ser um sinal da intransigência e decisão de Pinto da Costa, mas apesar da equipa sombra ser um mito importa estar precavido para uma eventual loucura de Peter Lim.

Porque importa esclarecer: apesar de na imprensa portuguesa se ler quase todos os dias que Peter Lim é dono do Valência, isso não é verdade. Pelo contrário, as negociações com a Fundação Valência arrastam-se há semanas e têm causado grande celeuma em Espanha, basta ler a imprensa local. Jorge Mendes vai fazendo a sua parte, e entretanto até conseguiu que Carlos Carneiro, do Paços de Ferreira, assumi-se o cargo directivo do histórico Rufete (pausa para rir), mas sem acordo com a Fundação Peter Lim não pode investir na condição de dono do Valência.

E o Atlético de Madrid, que já apresentou uma proposta concreta por Jackson, tem a seu lado o facto do colombiano preferir jogar no campeão espanhol do que num clube que não vai à UEFA. E segundo conta a imprensa espanhola, pode tentar tirar Keylor Navas do radar do Dragão. O FC Porto já tem acordo com o jogador, mas a valorização no Mundial pode levar o Levante a encaminhá-lo para quem pague mais. E hoje em dia, nenhum jogador abdica do vice-campeão europeu pela Liga ZON Sagres (ou Liga NOS Sagres?). É de uma ingenuidade que só o clubismo pode disfarçar pensar o contrário.

A transição de 30 de junho para 1 de julho faz reset na vertente contabilística das épocas, mas as obrigações continuam a ter que ser cumpridas à margem do exercício em questão. A época 2013-14 confirma-se, nos dois campos, desportivo e financeiro, a pior da história do clube desde a criação da SAD. A Pinto da Costa, Antero Henrique, Adelino Caldeira e restante SAD cabe a missão de restaurar a força do clube em todos os campos.

http://otribunaldodragao.blogspot.pt/2014/07/a-corda-nao-rompeu-mas-ninguem-largou.html








O FC Porto está a cumprir o fair play financeiro? Fizemos as contas. E já foram mais animadoras

O fair play financeiro (FPF) da UEFA, criado em 2009 e implementado a partir da época 2011-12 para o primeiro período de avaliação, promete combater e acabar com os envidamentos crescentes dos clubes, as falências técnicas e encurtar o grande fosso entre os clubes ricos e os demais. Michel Platini não é um nome querido para o FC Porto, mas o seu trabalho na UEFA tem tido vários pontos positivos, não só a implementação do FPF como o combate à falta de transparência dos fundos de investimento - que não têm que ser eliminados, mas têm que ser esmiuçados e reformulados quanto ao seu papel no mundo do futebol. Um tema para outra altura.

Aperto no cinto começa a urgir

O FPF tem sido consideravelmente desvalorizado. Em Portugal, é um tema que passa à margem da imprensa desportiva e a que nem a especializada (Diário Económico e Jornal de Negócios) tem dado grande atenção. O jornal Público tem sido o único a dar alguma relevância periódica a este tema, mas sem responder: o FC Porto está mesmo a cumprir o FPF? N'O Tribunal do Dragão fizemos as contas... e os resultados não são animadores.

Como funciona e o que está em causa

Na prática, o FPF pretende que os custos operacionais dos clubes sejam sustentados pelas receitas operacionais. Para a primeira parte são contabilizadas as receitas com transferências, patrocínios, direitos de transmissão e comercialização de produtos com marca dos clubes. Quanto aos custos operacionais, incluem todos os salários, transferências e custos correntes. Mas nas transferências há um dado a ter em conta.

Por exemplo. O primeiro período em análise para o FPF foi de 2011-12 a 2012-13. Jackson Martínez custou 8,88 milhões de euros. Como o período em análise é de 2 anos e Jackson chegou apenas em 2012, não vão ser contabilizados os 8,88 milhões de euros. O valor total da transferência vai ser dividido pelo número de anos de contrato. Isto é, a despesa com a transferência de Jackson para o primeiro período em análise foi de 2,22 milhões de euros. Com os salários, também é feita a contabilização anual. Posto isto, vamos às contas.

Para o período inicial, entre 2011-12 e 2012-13, o FC Porto não podia apresentar um défice negativo que fosse além dos 5 a 45 milhões de euros. Em 2011-12 a SAD acabou com um prejuízo de 35,7 milhões de euros, enquanto em 2012-13 houve um lucro de 20,3 milhões. Assim, o FC Porto passou no primeiro período de análise com um prejuízo de 15,4 milhões de euros, dentro do admitido. Mas...

FC Porto arrisca punição para a próxima análise

Tecnicamente, a UEFA só admite prejuízos até 5 milhões de euros por exercício em análise. O resultado negativo pode esticar-se até 45 milhões de euros, mas neste caso o valor negativo acima dos 5 milhões tem que ser suportado pelos proprietários do clube, ou através do lançamento de novas acções que sejam subscritas na íntegra pelos accionistas. O défice pode ainda ser justificado com operações realizadas até junho de 2010, com investimentos nas infraestruturas ou na formação (nenhuma despesa na formação é contabilizada para o FPF, que também pretende incentivar à aposta nas camadas jovens).

Risco já na próxima análise

O FC Porto não fez parte da lista de clubes punidos para 2014-15, ao contrário do Manchester City e do PSG. A punição a estes 2 clubes foi o alerta que faltava: a UEFA não terá problemas em atacar os ditos tubarões controlados por magnatas.  Segundo os regulamentos do FPF, qualquer clube tem obrigatoriamente de ser punido caso registe perdas superiores a 45 milhões de euros. O segundo período em análise vai desde 2011-12 a 2013-14, de 3 anos. E aqui as coisas podem complicar-se para o FC Porto.

Há uma forte (diria mesmo inevitável) possibilidade do FC Porto ultrapassar os 45 milhões de euros de prejuízo nos últimos 3 anos. Para já, sabemos que as duas primeiras épocas deram um prejuízo de 15,4 milhões. Signfica que para o limite não ser excedido, a época 2013-14 não poderia fechar com um prejuízo superior a 29,6 milhões de euros. Algo que é quase inevitável que vá acontecer. Surgem, desde já, duas consequências e dois desafios para a SAD: justificar pelo menos em parte o défice operacional e perceber em que medida a direcção e/ou accionistas poderão ter que avançar com a cobertura de parte do montante negativo.

Para o 3º período em análise, de 2012 a 2015, o desafio cresce, pois só pode ser apresentado um resultado negativo de 30 milhões de euros (embora aqui já não entre o enorme buraco de 2011-12). Mas para o 4º período, de 2013 a 2016, também já não entrarão os 20,3 milhões de euros de lucro em 2012-13 e o limite continuará a estar nos 30 milhões de euros negativos.

O FC Porto não vai correr, pelo menos para já, o risco de ser excluído da UEFA (o Sporting leva um registo negativo de quase 90 milhões de euros na avaliação do PFP e não foi punido, enquanto o Benfica, que em 2012-13 estava pior que o FC Porto, passa a uma situação mais controlada no final de 2013-14), mas há outro tipo de sanções, que podem passar pela retenção de prémios da UEFA, limite de inscrição de jogadores, criação de tecto salarial e/ou investimento em transferências, dedução de pontos e até a necessidade da UEFA passar a controlar trimestralmente as contas dos clubes.

Se ainda há quem não leve o fair play financeiro a sério, é bom que o comece a fazer.


http://otribunaldodragao.blogspot.pt/2014/07/o-fc-porto-esta-cumprir-o-fair-play.html

Estás bem inteirado sobre os blogues do Porto

;-)

pilz-e

Blogs dos andrades e dos tipos do outro lado da 2ª circular dizem-me 0, aliás mal leio "dizem num blog porkista/zbordinguista que.." paro logo de ler.