36677 - Tópico: Memórias Europeias  (Lida 22581 vezes)

alfredo

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  • 29 de Maio de 2017, 14:55






   Primeiro clube a derrotar o Real Madrid numa final da Taça dos Campeões Europeus.

   Eterno Orgulho.






quando se separaram os caminhos destes dois gigantes dos anos 60?




   Sinceramente, em muitos aspectos, creio que nunca chegaram a cruzar-se verdadeiramente.

   Basta dizer, por exemplo, que o prémio de jogo destinado a cada jogador do Real Madrid, na final de 1962, era equivalente (ou superior, até) ao prémio que recebeu toda a equipa do Benfica.

   Ou seja, já nessa altura, realidades económicas muito díspares.





bem acredito. basicamente é como hoje.
a diferenca é que hoje todos podem ir a portugal e levar o que anda por lá, se for de agrado.

KamikazeSLB

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  • 29 de Maio de 2017, 19:51
Faz esta quarta-feira 56 anos da primeira Taça dos Campeões Europeus conquistada pelo Benfica.

KamikazeSLB

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  • 29 de Maio de 2017, 19:59
Pelo menos deveríamos ter 3 Taças dos Campeões Europeus e uma Taça Uefa. Pelo menos. Isto se os deuses do futebol tivessem sido justos com o Benfica.

Com isso, também não haveria comparações com Fóculs e Nottingham Forest's, como por vezes vejo em fóruns internacionais.




   O Benfica foi a melhor equipa de TODA a década de 60.

   TODA.

   São as estatísticas e os números que o dizem ... não sou eu. Dois campeonatos europeus de clubes e três vice-campeonatos, em 10 anos, nenhum outro clube fez melhor de 1959-60 a 1968-69.

   Não há qualquer comparação possível entre a melhor equipa de TODA a década de 60 e o fogo-fátuo de que desfrutaram, legitimamente, Nottingham e Porco.

É a meu ver a grande diferença entre os triunfos europeus do Benfica para os do Porco.

Enquanto eles ganharam duas vezes um pouco por acaso, embora tivessem bons planteis... nós eramos a MELHOR equipa na altura em que ganhámos as 2 Taças dos Campeões. Tal como o Liverpool dos anos 70/80, o Ajax e o Bayern dos 70's, o Milan dos 90's. Podiamos e deviamos ter ganho mais uma ou duas taças e respeitariam-nos muito mais por essa Europa fora.
« Última modificação: 29 de Maio de 2017, 20:05 por KamikazeSLB »

StarWars

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  • 20 de Novembro de 2017, 23:38
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Barcelona-Benfica. A Desforra de Berna não existiu!

22 de novembro de 1961. Os catalães convidam os portugueses para, em Camp Nou, repetirem a final da Taça dos Campeões Europeus. Desta vez dá empate (1-1)

“A Desforra de Berna!”

Foi assim que lhe chamaram: eles, os de Barcelona.

Desforra de um jogo mal digerido, o de Berna, a 31 de maio de 1961, final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como na altura se dizia. Barcelona-Benfica: Estádio de Wankdorf. “La final de los palos cuadrados”, escreveram os jornais da Catalunha. Quatro bolas nos postes da equipa portuguesa: Kocsis, Kubala (duas vezes no mesmo remate) e Czibor. Três húngaros, a mesma sorte. Ou falta dela.

Os espanhóis agarram-se aos postes. Parecia que, com eles, explicavam tudo: a derrota e a fuga da Taça dos Campeões, que demoraria mais de 30 anos até arranjar lugar em Camp Nou.

Em 1961 faltava dinheiro ao Barcelona. O clube vivia momentos complicados. Um défice de muitos e muitos milhões, asseguravam os correspondentes dos jornais portugueses em Espanha.

No dia 22 de novembro de 1961, praticamente seis meses após a final de Berna, o Benfica está em Barcelona. O cachê é de 30 mil dólares. Os dirigentes do Barcelona esperam fazer muito mais para pagar ao Benfica e ainda reforçar os cofres depauperados do clube que vive à sombra do Real Madrid, cinco vezes campeão europeu.

Aposta-se na especulação: transforma-se um encontro particular numa vingança. Numa revanche. Os meios de comunicação ajudam: espalham aos quatro ventos a repetição da grande final de Berna, agora sem “palos”. Parece que a taça que o Benfica levou para Lisboa está de novo em disputa. Não está. Mas o prestígio está em jogo. E Béla Guttmann sabe-o bem.

Três dias antes do encontro, a crise do Barcelona agudizara-se. Na deslocação a Valência, a derrota fora bruta: 2-6.

O Benfica, por seu lado, batera o Lusitano de Évora por 3-1.

Luís Miró, treinador do Barça, está com a cabeça a prémio: não tardaria a ser demitido. Ladislao Kubala assume o cargo de treinador interino.

Mas isso é mais daqui a pouco: primeiro, o Benfica joga em Camp Nou.

Novembro terrível! É um novembro terrível em Barcelona. E não, não tem nada que ver com futebol. É um novembro terrível de frio e chuva. Segunda e terça-feira, o tempo agrava-se. A água cai do céu continuadamente. Bem podem os jornalistas catalães acenar com o jogo do século, com a definitiva reposição da verdade dos factos, com o confronto que ditará, desta vez é que sim!, qual a melhor equipa da Europa, como se a final de Berna não tivesse passado de um ensaio.

Em Lisboa discute-se: valerá a pena pôr em causa a vitória do Benfica? Há motivos que justifiquem aceitar um convite deste género, jogando em casa do adversário, dando-lhe de mão beijada todas as vantagens?

Há: 30 mil dólares!

O futebol já é um universo de dinheiro, um mundo de compra e venda.

A intempérie frustra o Barcelona: só 40 mil adeptos num estádio com capacidade para 100 mil.

O Benfica frustra o Barcelona: nem em sua casa, perante o seu público, os catalães conseguem a vitória.

A primeira parte do Benfica é brilhante de classe e de clareza no seu futebol ofensivo. O Barça vê-se dominado, controlado, incapaz.

Santana e Coluna enchem o campo: um é fino, recortado, requintado até; o outro é forte, possante, avassalador.

As pérolas negras do Benfica.

Eusébio é outra: rapidamente vai conquistando o seu lugar.

Santana faz 1-0; Eusébio, jogando como ponta esquerda, quase faz o segundo.

Evaristo fez o 1-1; por muito pouco está à beira do 2-1. A bola bate no poste. “Malditos palos!”

Na segunda parte, Guttmann defende. Lança jogadores novos: Simões, Torres, Mário João.

O Benfica bate-se, é valente. Aguenta a precipitação adversária e sustém os seus intentos. Controla o jogo porque é imperioso que assim seja. Tem uma aura de campeão da Europa a conservar e sai com ela intacta do terreno do seu maior rival.

Os catalães baixam os braços. Mais uma vez, a vitória não lhes sorri.

A Desforra de Berna não existiu.

Béla Guttmann sorri: “Para a próxima cobraremos 35 mil dólares.”

Parece justo!

"

https://sol.sapo.pt/artigo/589791


KamikazeSLB

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  • 24 de Dezembro de 2017, 12:24

A edição de 3 de maio de 1962 do Diário de Macau dava destaque à vitória do Benfica na Taça dos Campeões Europeus daquele ano.

Petrov_Carmovich

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  • 12 de Janeiro de 2018, 20:02
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Barcelona-Benfica. A Desforra de Berna não existiu!

22 de novembro de 1961. Os catalães convidam os portugueses para, em Camp Nou, repetirem a final da Taça dos Campeões Europeus. Desta vez dá empate (1-1)

“A Desforra de Berna!”

Foi assim que lhe chamaram: eles, os de Barcelona.

Desforra de um jogo mal digerido, o de Berna, a 31 de maio de 1961, final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como na altura se dizia. Barcelona-Benfica: Estádio de Wankdorf. “La final de los palos cuadrados”, escreveram os jornais da Catalunha. Quatro bolas nos postes da equipa portuguesa: Kocsis, Kubala (duas vezes no mesmo remate) e Czibor. Três húngaros, a mesma sorte. Ou falta dela.

Os espanhóis agarram-se aos postes. Parecia que, com eles, explicavam tudo: a derrota e a fuga da Taça dos Campeões, que demoraria mais de 30 anos até arranjar lugar em Camp Nou.

Em 1961 faltava dinheiro ao Barcelona. O clube vivia momentos complicados. Um défice de muitos e muitos milhões, asseguravam os correspondentes dos jornais portugueses em Espanha.

No dia 22 de novembro de 1961, praticamente seis meses após a final de Berna, o Benfica está em Barcelona. O cachê é de 30 mil dólares. Os dirigentes do Barcelona esperam fazer muito mais para pagar ao Benfica e ainda reforçar os cofres depauperados do clube que vive à sombra do Real Madrid, cinco vezes campeão europeu.

Aposta-se na especulação: transforma-se um encontro particular numa vingança. Numa revanche. Os meios de comunicação ajudam: espalham aos quatro ventos a repetição da grande final de Berna, agora sem “palos”. Parece que a taça que o Benfica levou para Lisboa está de novo em disputa. Não está. Mas o prestígio está em jogo. E Béla Guttmann sabe-o bem.

Três dias antes do encontro, a crise do Barcelona agudizara-se. Na deslocação a Valência, a derrota fora bruta: 2-6.

O Benfica, por seu lado, batera o Lusitano de Évora por 3-1.

Luís Miró, treinador do Barça, está com a cabeça a prémio: não tardaria a ser demitido. Ladislao Kubala assume o cargo de treinador interino.

Mas isso é mais daqui a pouco: primeiro, o Benfica joga em Camp Nou.

Novembro terrível! É um novembro terrível em Barcelona. E não, não tem nada que ver com futebol. É um novembro terrível de frio e chuva. Segunda e terça-feira, o tempo agrava-se. A água cai do céu continuadamente. Bem podem os jornalistas catalães acenar com o jogo do século, com a definitiva reposição da verdade dos factos, com o confronto que ditará, desta vez é que sim!, qual a melhor equipa da Europa, como se a final de Berna não tivesse passado de um ensaio.

Em Lisboa discute-se: valerá a pena pôr em causa a vitória do Benfica? Há motivos que justifiquem aceitar um convite deste género, jogando em casa do adversário, dando-lhe de mão beijada todas as vantagens?

Há: 30 mil dólares!

O futebol já é um universo de dinheiro, um mundo de compra e venda.

A intempérie frustra o Barcelona: só 40 mil adeptos num estádio com capacidade para 100 mil.

O Benfica frustra o Barcelona: nem em sua casa, perante o seu público, os catalães conseguem a vitória.

A primeira parte do Benfica é brilhante de classe e de clareza no seu futebol ofensivo. O Barça vê-se dominado, controlado, incapaz.

Santana e Coluna enchem o campo: um é fino, recortado, requintado até; o outro é forte, possante, avassalador.

As pérolas negras do Benfica.

Eusébio é outra: rapidamente vai conquistando o seu lugar.

Santana faz 1-0; Eusébio, jogando como ponta esquerda, quase faz o segundo.

Evaristo fez o 1-1; por muito pouco está à beira do 2-1. A bola bate no poste. “Malditos palos!”

Na segunda parte, Guttmann defende. Lança jogadores novos: Simões, Torres, Mário João.

O Benfica bate-se, é valente. Aguenta a precipitação adversária e sustém os seus intentos. Controla o jogo porque é imperioso que assim seja. Tem uma aura de campeão da Europa a conservar e sai com ela intacta do terreno do seu maior rival.

Os catalães baixam os braços. Mais uma vez, a vitória não lhes sorri.

A Desforra de Berna não existiu.

Béla Guttmann sorri: “Para a próxima cobraremos 35 mil dólares.”

Parece justo!

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https://sol.sapo.pt/artigo/589791



É a primeira vez que vejo tal história :) Gostei muito de ler.

StarWars

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  • 12 de Janeiro de 2018, 21:47
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Barcelona-Benfica. A Desforra de Berna não existiu!

22 de novembro de 1961. Os catalães convidam os portugueses para, em Camp Nou, repetirem a final da Taça dos Campeões Europeus. Desta vez dá empate (1-1)

“A Desforra de Berna!”

Foi assim que lhe chamaram: eles, os de Barcelona.

Desforra de um jogo mal digerido, o de Berna, a 31 de maio de 1961, final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como na altura se dizia. Barcelona-Benfica: Estádio de Wankdorf. “La final de los palos cuadrados”, escreveram os jornais da Catalunha. Quatro bolas nos postes da equipa portuguesa: Kocsis, Kubala (duas vezes no mesmo remate) e Czibor. Três húngaros, a mesma sorte. Ou falta dela.

Os espanhóis agarram-se aos postes. Parecia que, com eles, explicavam tudo: a derrota e a fuga da Taça dos Campeões, que demoraria mais de 30 anos até arranjar lugar em Camp Nou.

Em 1961 faltava dinheiro ao Barcelona. O clube vivia momentos complicados. Um défice de muitos e muitos milhões, asseguravam os correspondentes dos jornais portugueses em Espanha.

No dia 22 de novembro de 1961, praticamente seis meses após a final de Berna, o Benfica está em Barcelona. O cachê é de 30 mil dólares. Os dirigentes do Barcelona esperam fazer muito mais para pagar ao Benfica e ainda reforçar os cofres depauperados do clube que vive à sombra do Real Madrid, cinco vezes campeão europeu.

Aposta-se na especulação: transforma-se um encontro particular numa vingança. Numa revanche. Os meios de comunicação ajudam: espalham aos quatro ventos a repetição da grande final de Berna, agora sem “palos”. Parece que a taça que o Benfica levou para Lisboa está de novo em disputa. Não está. Mas o prestígio está em jogo. E Béla Guttmann sabe-o bem.

Três dias antes do encontro, a crise do Barcelona agudizara-se. Na deslocação a Valência, a derrota fora bruta: 2-6.

O Benfica, por seu lado, batera o Lusitano de Évora por 3-1.

Luís Miró, treinador do Barça, está com a cabeça a prémio: não tardaria a ser demitido. Ladislao Kubala assume o cargo de treinador interino.

Mas isso é mais daqui a pouco: primeiro, o Benfica joga em Camp Nou.

Novembro terrível! É um novembro terrível em Barcelona. E não, não tem nada que ver com futebol. É um novembro terrível de frio e chuva. Segunda e terça-feira, o tempo agrava-se. A água cai do céu continuadamente. Bem podem os jornalistas catalães acenar com o jogo do século, com a definitiva reposição da verdade dos factos, com o confronto que ditará, desta vez é que sim!, qual a melhor equipa da Europa, como se a final de Berna não tivesse passado de um ensaio.

Em Lisboa discute-se: valerá a pena pôr em causa a vitória do Benfica? Há motivos que justifiquem aceitar um convite deste género, jogando em casa do adversário, dando-lhe de mão beijada todas as vantagens?

Há: 30 mil dólares!

O futebol já é um universo de dinheiro, um mundo de compra e venda.

A intempérie frustra o Barcelona: só 40 mil adeptos num estádio com capacidade para 100 mil.

O Benfica frustra o Barcelona: nem em sua casa, perante o seu público, os catalães conseguem a vitória.

A primeira parte do Benfica é brilhante de classe e de clareza no seu futebol ofensivo. O Barça vê-se dominado, controlado, incapaz.

Santana e Coluna enchem o campo: um é fino, recortado, requintado até; o outro é forte, possante, avassalador.

As pérolas negras do Benfica.

Eusébio é outra: rapidamente vai conquistando o seu lugar.

Santana faz 1-0; Eusébio, jogando como ponta esquerda, quase faz o segundo.

Evaristo fez o 1-1; por muito pouco está à beira do 2-1. A bola bate no poste. “Malditos palos!”

Na segunda parte, Guttmann defende. Lança jogadores novos: Simões, Torres, Mário João.

O Benfica bate-se, é valente. Aguenta a precipitação adversária e sustém os seus intentos. Controla o jogo porque é imperioso que assim seja. Tem uma aura de campeão da Europa a conservar e sai com ela intacta do terreno do seu maior rival.

Os catalães baixam os braços. Mais uma vez, a vitória não lhes sorri.

A Desforra de Berna não existiu.

Béla Guttmann sorri: “Para a próxima cobraremos 35 mil dólares.”

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É a primeira vez que vejo tal história :) Gostei muito de ler.

Também não me lembro de ler antes.

Alexandre1976

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  • 13 de Janeiro de 2018, 16:29
O Benfica da década de 60 merecia muito mais do que 2 taças dos Campeoes.Fomos o unico clube que nessa década nos mantivemos sempre num nivel elevado.Eusébio,Coluna ,Águas,Torres,Germano,Santana,Cávem,Simoes,Angelo,J.Augusto,J.Graça,C.Pereira e muitos outros mereciam ter a carreira mais composta com mais uns titulos europeus.