Apitos Dourado e Final

Jarnac

...laurentino...oh laurentino onde estás?

Redady

O Miguel está puto da vida! :2funny:

Nortada
Futebol no tribunal
Por MIGUEL sOUSA TAVARES
1Este campeonato já está decidido e é do FC Porto, como sempre foi fácil de prever. O próximo, ou o de 2009/10, começa a jogar-se brevemente no Tribunal de Aveiro — onde o presidente do FC Porto vai ser julgado por crime de corrupção activa e o árbitro Augusto Duarte por crime de corrupção passiva. A este campeonato não há Apito Dourado que lhe possa valer: se alguém se atrevesse sequer a insinuar que os 16 pontos de avanço do FC Porto se devem a favores de arbitragem ou outras manobras de bastidores, morria instantaneamente de rídiculo na praça pública. Mas para o próximo, as almas pequeninas estão esperançadas em que o tribunal consiga dar como provado o crime de corrupção, o que logo habilitará a Liga de Clubes a decidir em cascata:

— a irradiação de Pinto da Costa e de Augusto Duarte;

— a descida compulsiva do FC Porto à Liga Vitalis;

— a retirada retroactiva do título de 2003/2004 ao FC Forto e sua atribuição ao Benfica (que, se a memória me não falha, ficou para aí a uns 11 pontos de atraso).

Daqui, por sua vez, retirar-se-ão outros corolários de «moral» e «verdade desportiva», a saber:

— que, se o árbitro do Beira-Mar-FC Porto de 2003/2004 — um jogo que já nada interessava a qualquer dos contendores — foi comprado, é de presumir, por maioria de razão, que foram comprados ou abordados em vão todos os outros árbitros dos jogos do FC Porto que, esses sim, contaram para o título dos portistas;

— que, se isto foi assim nessa época e por iniciativa de Pinto da Costa, é de presumir que assim tenha sido ao longo dos 25 anos que ele leva de presidência. Fica assim esclarecida a razão para os êxitos recorrentes do FC Porto, nas últimas duas décadas;

— o Tribunal de Aveiro e a Liga irão certamente notificar a UEFA e a FIFA para que elas investiguem as condições, a partir de agora suspeitas, em que o FC Porto conseguiu ser duas vezes campeão da Europa e do mundo, sob a presidência de Pinto da Costa;

— de caminho, cai por terra um outro mito, o da excelência de José Mourinho. Se se conseguir provar que Pinto da Costa pagou 2.500 euros ao árbitro de um jogo que já não contava para nada, como jura Carolina Salgado, quem pode atribuir a José Mourinho, aos jogadores ou à equipa qualquer espécie de mérito em terem conquistado nesse ano Portugal e a Europa? Afinal, era o presidente quem tratava de resolver a coisa, antes de o desfecho se decidir no relvado...

Aqui há umas semanas, na festa do Benfica, no Casino Estoril, Luís Filipe Vieira indignou-se porque ainda «não tinha acontecido nada» no processo Apito Dourado. Por acaso, já tinha, mas não o que ele queria: Valentim Loureiro, Pinto de Sousa e o presidente do Gondomar já tinham começado a ser julgados no Tribunal de Gondomar. Mas o que interessava a Vieira que o seu ex-sócio na direcção da Liga, o presidente dos árbitros por ele votado e o Gondomar FC estivessem a ser julgados? Vieira, como três quartos do país dito desportivo, entendia e entende que só se fará justiça se Pinto da Costa for condenado e irradiado e o FC Porto afastado por uns tempos da concorrência.

Pois, aí tem a vontade satisfeita. Enfim, um primeiro desejo. Um ano de esforços, de investigações, de muito dinheiro gasto aos contribuintes, permitiu a Maria José Morgado e à sua equipa convencer uma juíza a desarquivar um processo arquivado por uma outra colega e levar a julgamento quem se pretendia. Para tal, contaram apenas com um único facto novo: a radiosa testemunha Carolina Salgado, essa Joana d'Arc do futebol português, como lhe passaram a chamar os benfiquistas, depois de no passado lhe terem chamado coisas mais alternativas e menos grandiosas. A juíza aceitou a acusação, mas agora o Ministério Público não vai ter tarefa fácil em tribunal. Como coisas menores, vai ter de provar, por exemplo, que Pinto da Costa mente quando diz que não esperava e ficou incomodado com a visita a sua casa de Augusto Duarte. Mas isso é o menos. O essencial vai ser conseguir fazer prova:

— de que o FC Porto tinha um interesse justificado no resultado daquele jogo, ao ponto de subornar o árbitro;

— de que, de facto, o suborno aconteceu e o árbitro o aceitou;

— de que, tendo o corruptor pago para obter um resultado, o corruptor fez também a sua parte.

Ou seja, em tribunal, o Ministério Público vai ter de fazer prova de factos que integrem os três elementos essenciais do crime de corrupção: o móbil, a consumação e o nexo de causalidade (por favor, não confundir com casualidade).

O segundo elemento, a consumação do crime, assenta exclusivamente no testemunho de Carolina Salgado, o que faz antever grossas dificuldades e desilusões para o Ministério Público. Primeiro que tudo, porque, e se a defesa de Pinto da Costa fizer o que se espera, o mais provável é que a testemunha seja contraditada antes mesmo de depor e que a contradita seja aceite: entra pelos olhos adentro de qualquer pessoa de boa-fé que a testemunha se move por vingança pessoal e que a sua credibilidade merece zero de tolerância (não se trata aqui de um filme, feito por benfiquistas e em que se produz acusação e sentença, com base apenas no testemunho da senhora e sem lugar à defesa). Em segundo lugar, a senhora Carolina Salgado é talvez adequada para impressionar fotógrafos de revista do jet-seis, mas, como já se viu com a sua prestação no Tribunal de Gondomar, é propensa a atrapalhar-se fora de cenas pré-montadas e a cair em contradições, esquecimentos e declarações inverosímeis. Pior ainda vai ser fazer prova do móbil do crime: com o campeonato resolvido e todas as atenções na final da Liga dos Campeões, que interessava ao FC Porto gastar 2.5000 euros a subornar o árbitro do jogo com o Beira-Mar? E, quanto ao tal nexo de causalidade, que tanto parece aborrecer alguns «facilitistas», como provar que a corrupção se consumou se não houve afinal casos de arbitragem, conforme unanimemente reconhecido pela crítica da época, e se, no final, o FC Porto nem sequer ganhou o jogo? Ou será que o digníssimo representante do Ministério Público vai sustentar em tribunal que o FC Porto pagou 2.500 euros para garantir um empate com o Beira-Mar, num jogo a feijões? Ou vai sustentar a tese peregrina, inventada em estado de necessidade e que para aí circula, de que o FC Porto tinha o hábito de manter cautelarmente os árbitros comprados em todos os jogos, com base no princípio «se hoje não interessa, amanhã pode interessar»?

A coisa promete. É verdade que o estádio de Aveiro é mais um elefante branco construído para o Euro-200 e em que já nem o relvado se aproveita. Mas, se o estádio não tem préstimo, o tribunal pode ter. E Aveiro volta assim ao mapa futebolístico português.

EM TEMPO: Já depois de escrito este texto, fui surpreendido com a notícia de que a Liga de Clubes, com base nos mesmos factos e na decisão instrutória do Tribunal de Gondomar, decidiu instaurar um processo disciplinar ao FC Porto e ao seu presidente, com fundamento em corrupção desportiva. E digo surpreendido, porque não vejo com que meios investigatórios é que a Liga vai conseguir fazer prova daquilo que o M.º Público não conseguiu e que só o tribunal poderá apurar. Imagine-se que a Liga, tão espicaçada pelo Benfica, condena o FC Porto a descer de divisão e depois o tribunal o absolve: como é, pedem desculpas retroactivas e pagam os milhões de contos de prejuízos causados? Não seria mais curial, por exemplo, investigar para já o caso (arquivado pelo Ministério Público) da escuta telefónica em que Valentim Loureiro e Luís Filipe Vieira combinam o árbitro que o Benfica queria para um jogo da meia-final da Taça de Portugal, contra o Belenenses?

2O «Senador» benfiquista Silvio Cervan, cujas crónicas não serão propriamente um modelo de isenção clubística (como pode, aliás, um dirigente de clube ser isento?), afirmou aqui, no sábado, que é injusto atribuir apenas a favores de arbitragem o segundo lugar ocupado pelo Vitória de Guimarães, e que tanto preocupa e humilha o S. L. Benfica. De facto, é injusto. Mas quem, senão ele é que se lembrou de afirmar tal coisa? Estaria a falar com a própria consciência?

Batistuta

#6467
Tal como alguém disse, só os últimos dois roubos de igreja (Leixões e Belém) dão para "pagar" o castigo.

Castigos destes? Não me façam rir!

nandao

Citação de: Redady em 01 de Abril de 2008, 09:59
A pena poderá ser só aplicada a partir do início da próxima época, ou seja, começam com 6 pontos negativos!

Agora disseste tudo  :disgust:

heroisdomar

Citação de: nandao em 01 de Abril de 2008, 10:08
Citação de: Redady em 01 de Abril de 2008, 09:59
A pena poderá ser só aplicada a partir do início da próxima época, ou seja, começam com 6 pontos negativos!

Agora disseste tudo  :disgust:

6 pontos por engano e corrupcao do fenomeno desportivo?? pah puta que os pariu!! :disgust: :disgust: :disgust: :disgust: :disgust:

Redady

REGULAMENTO DISCIPLINAR DA LIGA
O caderno dos horrores
O Regulamento Disciplinar da Liga é uma a espécie de lista de horrores para todos quantos prevaricam e ficam sob a alçada da justiça daquele organismo que gere o futebol profissional.

Num exercício meramente especulativo, e no tocante às acusações que pendem sobre o FC Porto na sequência do processo Apito Dourado, que correrá a partir de agora nos tribunais civis, chega-se rapidamente à conclusão de que o respectivo caderno de penalizações é um autêntico... pesadelo.

Para todos os gostos

É que, segundo consta no artigo 51.º do respectivo Regulamento Disciplinar da Liga, «o clube que, através de presentes, empréstimos, promessas de recompensa ou de, em geral, qualquer outra vantagem patrimonial ou não patrimonial para qualquer elemento da equipa de arbitragem ou terceiros, directa ou indirectamente, solicitar e obtiver daqueles agentes uma actuação parcial por norma a que o jogo decorra em condições anormais com consequências no seu resultado ou seja falseado o boletim do encontro, será punido com as seguintes penas: a) baixa de divisão; b) multa de 50 a 200 mil euros».

Ainda neste enquadramento jurídico, mas num processo penal mais ligeiro, que é ficar provada tão-somente a tentativa de corrupção, o clube em causa será castigado «com uma subtracção de três pontos na classificação geral e derrota no jogo tentado viciar», enquanto a multa pecuniária baixará de 25 para 100 mil euros.

Não estarão propriamente em causa os desfechos do jogos FC Porto-Estrela da Amadora e Beira-Mar FC Porto, assim como a classificação final dessa temporada (homologados que são os desafios 30 dias depois, o mesmo sucedendo com a tabela classificativa), mas a ficar provado que os dragões praticaram actos ilícitos está previsto, no artigo 65º, que se debruça sobre estímulos ou aliciamentos, que as sanções serão aplicadas «na época em curso do trânsito em julgado do acordo sancionatório».

Manuel_apt

Esta MERDA é uma PALHAÇADA. :tickedoff:

Redady

depois de os tribunais civis terem decidido julgar pinto da costa é agora a vez da justiça desportiva
Liga intima presidente e clube
Por

José carlos de sousa

pINTO DA COSTA vai ser julgado nos tribunais civis, no âmbito do processo Apito Dourado, e, agora, juntamente com o clube, também está sob a alçada disciplinar da Liga (LPFP). Ontem mesmo, ambos receberam as respectivas notas de culpa [ver páginas 2 e 3] e de imediato também já accionaram as necessárias medidas de defesa. Na melhor das hipóteses os portistas são absolvidos, na pior podem vir a ser penalizados, esta temporada ou não, com a perda de pontos. A descida de divisão será cenário apocalíptico.

A verdade é que, neste momento, todos os cenários são possíveis. Os azuis-e-brancos estão sob fogo cruzado, agora que a justiça desportiva também entrou em cena, depois de o Tribunal de Instrução Criminal (TIC) ter já determinado levar a julgamento Pinto da Costa, e não se adivinha nada fácil a batalha jurídica que se segue nas salas de audiências.

Ontem, a Liga fez chegar ao Dragão as respectivas notas de culpa endereçadas para o clube azul e branco e para o seu presidente. No mesmo dia os dragões reagiram, tomando as medidas que se impunham, e também em comunicado no seu site oficial:

«1 — A FC Porto — Futebol, SAD e o presidente do seu Conselho de Administração foram notificados, esta segunda-feira, pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), das notas de culpa emitidas relativas aos processos disciplinares decorrentes dos jogos FC Porto-Estrela da Amadora e Beira-Mar-FC Porto, da época desportiva de 2003/2004;

«2 — O Conselho de Administração da FC Porto — Futebol, SAD entregou de imediato o processo ao Departamento Jurídico desta sociedade para análise, tendo o seu Presidente do Conselho de Administração encaminhado o mesmo para os seus advogados.»

A justiça divina...

Cinco dias úteis é o tempo que os portistas dispõem a partir deste momento para responder às acusações de que são alvo.

Como se explica noutra peça, onde é apresentado o quadro jurídico referente a estes processos, as penalizações são duríssimas e em casos extremos podem determinar a descida de divisão. No dragão, onde não se admite outro desfecho que não seja a declaração da prova da sua inocência, quer nos tribunais civis como desportivos, nem por isso deixa de haver alguma preocupação com a precipitação e coincidência dos acontecimentos.

Pinto da Costa, embora tenha reputado as acusações de pura ficção e mesmo confiando na justiça divina, nem por isso está tão certo da sua vitória, e do clube, nos respectivos tribunais: «Espero tudo deste julgamento», disse, na semana passada, ao Rádio Clube. O que demonstra bem as desconfianças do presidente, mesmo considerando-se inocente nas matérias em questão e dispondo de armas de recurso que podem prolongar este processo e adiar por tempo indeterminado — uma época, duas?... — a sua resolução ou até a aplicação de um eventual castigo. Sanção que a ser decidida nunca irá além da perda de pontos.

Tudo isto é triste
Pôncio MOnteiro
Tudo isto é triste. Estou admirado por saber que se continua a manter toda esta expectativa à volta deste assunto. Por aquilo que me é dado a saber, estou tranquilo. Pelas indicações que tenho o FC Porto nada tem a ver com as acusações de que é alvo

Estou tranquilo
Rui Moreira
Se nos tribunais nada ficar provado, e eu acredito que é isso que vai acontecer, porque por aquilo que observei nos vídeos desses jogos não há uma relação causa efeito, a justiça desportiva também se esgota nesse momento. Portanto, estou tranquilo

Eu confio
Silva Peneda
As instâncias desportivas fazem o que lhes compete. Seguem apenas e só as pisadas dos tribunais civis. Eu confio na gestão do FC Porto e os dados que tenho não me deixam preocupado. O que me preocupa mesmo é a lentidão da justiça

Batistuta

#6473
Rui Moreira: "Não há uma relação causa efeito...Estou tranquilo"

:2funny: :2funny: :2funny: :2funny: :2funny: :2funny: :2funny: :2funny:

Oh Augusto, se tivermos a perder dás uma ajudinha, mas se não for preciso deixa estar, fica para o próxima"  :crazy2:

IISTO NÃO É CORRUPÇÃO CAR@LHO ?!


nandao

Citação de: heroisdomar em 01 de Abril de 2008, 10:10
Citação de: nandao em 01 de Abril de 2008, 10:08
Citação de: Redady em 01 de Abril de 2008, 09:59
A pena poderá ser só aplicada a partir do início da próxima época, ou seja, começam com 6 pontos negativos!

Agora disseste tudo  :disgust:

6 pontos por engano e corrupcao do fenomeno desportivo?? pah puta que os pariu!! :disgust: :disgust: :disgust: :disgust: :disgust:

E mais, no final do campeonato caso lhes retirassem os tais 6 pontos, iriam vir com a cantiga do apito encarnado!!!
Enfim, justiça de conveniência, até porque o FCP está a 16 pontos do Benfica, portanto, mais que seguros, ficariam a 10, mas mesmo assim o título já não lhes foge.

CelsoMedeiros

Não se vai passar NADA metam isso nas vossas cabecinhas...eles ainda se vão RIR disso tudo

Redady

Os perigos da radicalização
Por vítor serpa
ALiga, através da sua Comissão Disciplinar, acaba de avançar com diversas notificações de processos disciplinares como consequência do inquérito desenvolvido com base nas certidões recebidas no âmbito do Apito Dourado. Entre os clubes e dirigentes envolvidos, estão o FC Porto e o seu presidente, Pinto da Costa, o que levou a FC Porto - Futebol SAD a emitir um comunicado oficial, dando conta da recepção das respectivas notas de culpa. Trata-se, para todos os efeitos, de uma situação inédita. Nunca, antes, em tempo algum, a Liga (ou a Federação) avançou com um processo disciplinar a um grande clube e a um presidente de um grande clube, que os obrigasse à defesa de uma acusação tão grave quanto a de corrupção, ou tentativa de corrupção. A consequência desportiva imediata será a de deixar em suspenso o título que o FC Porto, muito provavelmente, garantiria, já no próximo sábado. Não será por isso que os adeptos portistas, caso o seu clube vença, no próximo sábado, deixarão de sair à rua para festejar o tri, mas fácil será de prever que a situação é perturbadora e encerra os perigos óbvios de não ser bem entendida e aceite. Entre a ideia de coragem da justiça desportiva e o conceito de uma inaceitável discriminação nascerá uma mais que provável radicalização da vida desportiva nacional, a merecer especial atenção e cuidado.

Nuno Eiras

Será que o Merdel Sousa Tavares anda triste?

iloy

acho que o Benfica devia pedir a UEFA de ser muito atento a este caso para meter mais pressao na justiça portuguesa.

Batistuta

Ainda vão acabar como uns herois do género:

"Contra tudo e contra todos"

"Pinto da Costa és o maior!"