Comunicação Social

RedJohn

Muito curiosa a censura que houve no Record às declarações do Polga.

De "temos de ter vergonha na cara" passou para "temos de recuperar".

Parabéns ao pasquim verde por mais um exemplo de excelência jornalística!

Mercurio_10

Citação de: RedJohn em 26 de Fevereiro de 2009, 00:17
Muito curiosa a censura que houve no Record às declarações do Polga.

De "temos de ter vergonha na cara" passou para "temos de recuperar".

Parabéns ao pasquim verde por mais um exemplo de excelência jornalística!

Deve ser do acordo ortográfico que adoptaram, passaram a fazer traduções esquisitas.

Redady

Citação de: Strata em 25 de Fevereiro de 2009, 19:57
O que já enjoa é ver os outros na Champions e a caminho de tetras e nós a chuchar no dedo. Isso é que me enjoa. Hulks há muitos, mas só nos calham é Olívias Palitos.
:2funny: :2funny:

Semper_fidelis

Citação de: RedJohn em 26 de Fevereiro de 2009, 00:17
Muito curiosa a censura que houve no Record às declarações do Polga.

De "temos de ter vergonha na cara" passou para "temos de recuperar".

Parabéns ao pasquim verde por mais um exemplo de excelência jornalística!

não inventes, ele primeiro disse vergonha na cara e depois disse que tinham de recuperar

RedJohn

Citação de: Semper_fidelis em 26 de Fevereiro de 2009, 00:31
Citação de: RedJohn em 26 de Fevereiro de 2009, 00:17
Muito curiosa a censura que houve no Record às declarações do Polga.

De "temos de ter vergonha na cara" passou para "temos de recuperar".

Parabéns ao pasquim verde por mais um exemplo de excelência jornalística!

não inventes, ele primeiro disse vergonha na cara e depois disse que tinham de recuperar

Não ouvi as declarações, até pode ter dito isso mas acho engraçado que se tenham "esquecido" da parte da "vergonha na cara".

Tal como se esqueceram de publicar as declarações do técnico e jogadores do Bayern.

Muita azia e censura vai ali naquele pasquim.

O Coiso

Ui, o Rui Santos ficou furibundo com Paulo Bento, e já pede a sua demissão.

KATSO75

é verdade. no maisfutebol colocaram tudo:

Polga: «Temos de ter vergonha na cara»

    Sporting-Bayern, 0-5 (crónica)


Anderson Polga, defesa do Sporting, em declarações à Sport Tv, depois da pesada derrota diante do Bayern (0-5), em jogo da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões:

«É difícil um momento como este. A primeira parte foi bem jogada, mas no primeiro lance que eles tiveram sofremos um golo. Na segunda parte não conseguimos pegar no jogo. É difícil explicar, temos de ter vergonha na cara. No sábado temos um jogo complicadíssimo, temos de levantar a cabeça, Fizemos uma segunda parte fraquíssima, os adeptos encheram o estádio e nós fracassamos. Temos de procurar ver o que se passou, porque no sábado isto não pode acontecer novamente. Um resultado destes abala um pouco o grupo, mas neste momento temos de ver quem é que tem carácter. Temos de ter a responsabilidade de no sábado fazer uma boa prestação para apagar tudo isto».

Didiman

Citação de: Toribas em 26 de Fevereiro de 2009, 00:17
Citação de: cacete em 26 de Fevereiro de 2009, 00:07
Citação de: Toribas em 26 de Fevereiro de 2009, 00:04
Citação de: cacete em 26 de Fevereiro de 2009, 00:01
Citação de: Toribas em 25 de Fevereiro de 2009, 23:59
Citação de: cacete em 25 de Fevereiro de 2009, 23:53
Sim claro. Por isso é que o Jardel e o Cardozo marcavam tantos golos em contra-ataque. Em ataque continuado é que não, porque são lentos...  :estrelas:
O que é que uma coisa tem a ver com a outra??

O quê? Não és tu que dizes que é mais importante os jogadores serem rápidos no ataque continuado do que no contra-ataque?
E reafirmo. Mas tu tás a falar de casos concretos. Uma questão: Quais são os jogadores que causam maiores desequilibrios? Os rápidos ou os lentos?

Em ataque continuado? Os mais inteligentes e com técnica mais apurada. Ou achas que Suazo por exemplo causa desiquilibrios em ataque continuado? Jogadores lentos a causar desiquilibrios tens muitos: Lampard, Deco, Zidane, Rui Costa, Lucho..
E esses cinco jogadores que referiste eram fracos se jogassem em contra-ataque?? Ter jogadores rápidos quando se joga em ataque continuado é essencial, na minha maneira de ver. São estes que causam mais desequilibrios e não é por acaso que de diz que é importante ter extremos rápidos. Messi, Ribery, Robben, CR são disso exemplo. Já agora, e pegando num exemplo do nosso campeonato, quem é que nos porcos faz mais desequilibrios: Lucho ou Hulk?

Desculpem meter o bedelho...


Ambos desequilibram em diferentes zonas do campo :)

Hulk nos últimos 30 metros
Lucho provoca desequilibrios cada vez que cai para a direita, porque Hulk ou Lisandro fazem diagonal para o centro.




A.C.

Alguém consegue colocar aqui a crónica da Leonor Pinhão, gosto de ler as crónicas dela.

XHITA

Citação de: A.C. em 26 de Fevereiro de 2009, 09:10
Alguém consegue colocar aqui a crónica da Leonor Pinhão, gosto de ler as crónicas dela.

5 minutos.

A.C.

Citação de: XHITA em 26 de Fevereiro de 2009, 09:41
Citação de: A.C. em 26 de Fevereiro de 2009, 09:10
Alguém consegue colocar aqui a crónica da Leonor Pinhão, gosto de ler as crónicas dela.

5 minutos.

:drunk:

XHITA



Contra a corrente: Estádios e Estados ou não há fartura que não dê em fome (... de justiça)

Por Leonor Pinhão

No século XX, um certo filósofo francês escreveu um texto notável sobre as receitas culinárias minuciosamente fotografadas no seu apronto e publicadas, nunca em menos de duas páginas, nas revistas femininas e nos suplementos de fim-de-semana da imprensa generalista mundial.

Explicava o filósofo, depois de muito bem filosofar, que quanto mais elaborados são os pratos apresentados, quanto mais exóticos e difíceis de encontrar são os seus ingredientes, quanto mais impraticável é a sua confecção, quanto mais cara sai a refeição sugerida, quanto mais inusitada e esplendorosa à vista é a imagem final do prato de comida mais e melhor se revelam as limitações económicas, sociais e culturais da origem quer dos jornalistas e editores quer dos leitores e consumidores.

Antes dele, houve quem dissesse — e com razão — que o nível e a qualidade de um jornal ou de uma revista se revelava directamente pelo nível dos temas e pela qualidade da exposição na secção de cartas dos seus leitores.

O que não está mal visto de modo algum. Mas este texto do tal filósofo francês sobre a culinária, tal como nos é apresentada nos meios de comunicação, significa um passo em frente, uma revolução na análise e na percepção do mundo que nos rodeia.

Desconfiemos de quem nos quer iludir sobre nós próprios com miragens sofisticadas que não passam de uma forma vistosa de ocultar a realidade pobretana e de projectar uma exibição do falso e do inatingível.

Aspirava a um ideal de civilização o tal filósofo francês. Terminava desejando o impossível: encontrar nas páginas de uma revista ou de um jornal a receita de como bem cozinhar um par de ovos estrelados, miserável refeição e, por isso mesmo, entre todas a mais chique, honesta e descomplexada.

Nós todos, milhões de portugueses, temos um provérbio lapidar sobre o tema: «Não há fome que não dê em fartura». E vice-versa, diria o filósofo francês. «Não há imagem de fartura que não seja explicada pela fome.»

Por muito absurdo que possa parecer, tudo isto vem a propósito do futebol português. E da sua imagem visível de prosperidade, sofisticação e limpeza que nos é apresentada, no prato, pelos seus Estádios novos, todos modernaços, confeccionados, ingrediente a ingrediente, para o Euro 2004. Um regalo para os olhos.

Comparem-nos com os espanhóis, já.

Da vizinha Espanha, chegaram-nos duas notícias ontem.

A primeira: o ministro da Justiça, Mariano Bermejo, foi à caça na Andaluzia e não tinha licença de caça. Imagine-se que os nossos irmãos ibéricos consideraram este pecadilho um escândalo e o ministro da Justiça teve de apresentar a sua demissão que foi prontamente aceite pelo primeiro-ministo Zapatero.

Era, obviamente, uma questão de civilização, de regime, enfim, uma questão de Estado.

A segunda: o FC Porto foi jogar a Madrid, ao Estádio Vicente Calderón, propriedade do Atlético local. O Estádio está uma ruína, ao contrário dos nossos Estádios apetitosos, ricos, lindos de fotografar. Ontem, nas páginas deste jornal, sob o título «Condições Miseráveis» podia-se ler: «Os jornalistas que estiveram ontem no Calderón a trabalhar podem dizer que no que toca a Estádios, Portugal é mesmo um paraíso. Colocados no cume do Estádio Vicente Calderón, os jornalistas tiveram que trepar incontáveis escadas. Não há elevador, os bancos estão orgulhosamente sujos. Enfim, a pré-história parou por aqui...»

Foi, obviamente, uma questão de Estádio. E nessa questão do prazer para a vista em comparação com a espanholada mais civilizada em questões de Estado, como muito bem assinala o jornalista, «Portugal é mesmo um paraíso».

Na verdade, em questões de Estádios damos 10-0 aos espanhóis.

Mesmo com o Helton na baliza.

****

No plano teórico, o tão esperado duelo José Mourinho-Alex Ferguson, de anteontem, em São Siro, Milão, não foi ganho por nenhum dos dois.

Foi ganho por Artur Jorge que não estando lá disse há muitos anos: «Uma equipa que queira ser excepcional tem de ter um guarda-redes excepcional porque um guarda-redes excepcional vale 10 pontos no fim de um campeonato interno e vale milhões numa competição europeia.»

Quando o jogo entre o Inter e o Manchester United terminou a realização pôs uma câmara em cima de Júlio César, o guarda-redes brasileiro dos italianos. E vimo-lo a rir, pudera. No último lance, tinha defendido uma bola tramada em ziguezague rematada por Cristiano Ronaldo na cobrança de um livre directo. Nos 90 minutos anteriores, com as mãos, com o corpo, com as pernas, defendera tudo o que Cristiano Ronaldo, com os pés e com a cabeça, lhe atirara brutalmente para a baliza.

Se Júlio César não fosse excepcional, o Manchester teria saído com um resultado histórico de São Siro. E a crítica teria dito: «O guarda-redes do Inter exibiu-se em bom plano, não foi mal batido em nenhum dos golos porque não teve a mínima hipótese perante a noite fulgurante do avançado português.»

Os guarda-redes excepcionais são os que defendem as situações em que não têm «a mínima hipótese». Os outros, os que defendem todas as bolas com hipótese de defesa, mesmo as muitos difíceis, são apenas os guarda-redes muito bons.

O que também tem o seu valor. Só que, às vezes, não chega.

****

O Benfica tem amanhã, no seu Estádio, um jogo da maior importância. Recebe o Leixões. Nesta temporada, a equipa de José Mota já venceu em Alvalade e no Dragão, ou seja, fez bem melhor do que o Benfica que empatou no Dragão, e merecia melhor, e perdeu em Alvalade, sendo que foi bem melhor o resultado do que a exibição.

A derrota em Alvalade desanimou um bocadinho as nossas hostes, o que é perfeitamente normal. São jogos especiais estes entre os rivais de sempre e um insucesso motiva uma inevitável onda de desânimo. Uma espécie de desacreditar nas nossas capacidades. Nas capacidades do nosso plantel, nas capacidades do nosso treinador que deixa logo de ser um mestre na matéria para passar a ser um tipo que não percebe nada de futebol.

É mentira. Quique Flores percebe imenso de futebol. É esta a notícia, mais do que uma notícia, trata-se de um facto comprovado que é obrigatório partilhar com todos os benfiquistas sem excepção, mesmo com o Pedro Proença.

Quique Flores percebe mesmo imenso de futebol. Na véspera do jogo entre o Atlético de Madrid e o FC Porto, entrevistado em directo pela estação de rádio Cadena Sur, afirmou sem medo de falhar: «Helton é um guarda-redes irregular. Há que pô-lo à prova.»

Ele saber, sabe.

XHITA



Um olhar do Norte: Deriva produtivista

Por Jorge Olímpio Bento

Vem nos livros e é um ensinamento da história: as depressões sociais e económicas são expressão de crises morais.

A situação, que estamos a viver, confirma a tese anterior e quão baixo descemos no abismo da imoralidade. E o pior é que a gravidade desta hora não parece constituir motivo para inverter a regressão ética em que caímos; ao invés, parece que esta se vai acentuar. Basta atentar nas soluções que o economicismo e os seus arautos apregoam, bem como nas espertezas que os oportunistas desenvolvem. Se os deixarmos seguir em frente, passaremos a ter cargas de trabalho que atropelam as mais elementares bases de uma vida com feições humanistas.

O paradigma produtivista preside a todos os sectores. Em vez de meio de humanização e qualificação da vida, o trabalho passou a objectivo. Trabalhar e produzir o mais possível, superar e esmagar os outros em índices quantitativos de produtividade — eis a obsessão demencial que inspira os empreiteiros do mundo neoliberal. É esse o fim das putativas reformas estruturantes e fracturantes. Quem não mostrar flexibilidade para alinhar com isso é despejado pela borda fora ou não tem acesso ao mercado de emprego.

As sequelas daí resultantes são varridas para debaixo do tapete. Vazios existenciais, doenças novas, depressões, conflitos, produção em série de indivíduos neuróticos, escassez de tempo para a família e consequente enfraquecimento e destruição desta, isso não vem ao caso. O que conta é a disponibilidade para desempenhar tarefas que exigem tempo para além do horário normal e invadem o fim-de-semana — ganhando mal e porcamente. O indivíduo é reduzido a uma máquina, semelhante ao super-atleta dopado; deve funcionar como um motor turbo, sempre em altas rotações. Quando a máquina enfraquecer e o combustível acabar, o destino é o caixote do lixo e engrossar a legião dos inadaptados, abandonados e desprezados. Eis o resultado da conjuntura neoliberal: destruição das instituições em que assenta a solidez social, bem como das bitolas da vida alicerçada na dignidade, lucidez e sabedoria.

Deste modo é roubado o tempo para o ócio, o lazer, o jogo e o desporto; ou então estes vêem desvirtuada a sua função primordial. As dimensões lúdicas, oníricas, artísticas, imagéticas, estéticas e sensuais da vida são brutalmente amputadas, estreitando-se as portas de fuga à pressão do quotidiano. Só valem o pragmático e utilitário; o que não encaixar no respectivo figurino é riscado da lista dos produtos aceitáveis e cotados, ignorando que, por não sermos meras coisas, precisamos do alimento que as coisas não têm. O real torna-se irrespirável, insuportável e trágico, trazendo de volta a dura luta pela sobrevivência.

Não procurem mais; se querem encontrar a forma de organização social e política em que a manipulação e alienação, a demência e insanidade atingem o topo, não se dêem a mais buscas. Ela está aí diante de nós, conquanto não nos entreguemos à cegueira. Afinal estamos a sepultar as décadas anteriores, de revalorização do ócio criativo como ideal de configuração da vida e pilar central da arte de viver, de fazer do dia-a-dia um projecto de ética e estética.

Os pregoeiros e tagarelas neoliberais, ao insistirem na solução de cada vez mais horas de trabalho, para combater a crise, visam eliminar o ócio como marca essencial de uma sociedade de matriz cultural e humanista — e obviamente despedir esta. Esquecem que, entre os mandamentos revelados por Moisés como sendo ordens de Deus, o terceiro (Guardarás os dias santificados...) é de pendor hedonista. Ele subentende o dever de trabalhar, mas ordena que se viva também para causas nobres, para os outros e para o próprio indivíduo enquanto ser lúdico, carente de descanso e ócio, para se tornar mais humano e aproveitar as aptidões de fruição de que é dotado. É, por isso, o mandamento do lazer, da recriação, da prática desportiva, do usufruto dos domínios culturais contribuintes para a concretização e elevação do sentido da vida.

PS — Um empresário é condenado por corrupção e recebe a pena de 5000 euros. Eis a justiça no seu melhor! Coimas assim são um incentivo à corrupção e à glorificação dos chicos-espertos.

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Bolas da bancada: Mão na bola na área do Porto

Por Daniel Reis

O decreto inibitório de sanções, por mão na bola na área do FC Porto (se é que ele existe, como eu desconfio...), terá esta semana sido acrescentado numa alínea: a que abre excepções a pretensas faltas desse tipo, se cometidas por outros jogadores.

Esta é uma história antiga e por isso já aqui referida ao pormenor. Cinco vezes, pelo menos, a bola foi nesta Liga desviada do seu curso pela mão, ou o braço de um jogador portista, na sua grande área. Só não esmiúço essas situações porque já o fiz. E, tal como então escrevi, em nenhuma delas alguma vez um árbitro ousou apontar a marca fatídica, contra o FC Porto. Poder-se-ia, em tais situações, abrir lugar a dúvidas e discutir, caso a caso, se havia ou não razões para castigo máximo. Numas vezes haveria, noutras não. O problema é que, face a outros clubes, essas dúvidas ocorrem menos às mentes arbitrais. E mal a bola bate ou resvala na mão, no braço, no antebraço lá estão eles rapidíssimos a marcar penalty.

Se mais ninguém que tivesse razões de queixa, a mim bastar-me-ia anotar o que aconteceu ao Sporting, em situações similares, para tirar conclusões. E já foram cinco — duas delas contra o FC Porto, em competições diferentes — as penas máximas sofridas este ano, tendo valido a argúcia de Rui Patrício para evitar males maiores. A regra tem sido, neste caso, só uma: mexeu, pecou, leva penalty. Mas se for na área do FC Porto, só há lugar a sanção, se o prevaricador (ou quem o árbitro considere como tal) for outro, que não um venerador do dragão. Os rapazes de Paços de Ferreira que o digam, pois ainda na jornada anterior viram assim anulado o golo que daria 1-2, havendo uma dezena de minutos para jogar. E, apesar das repetições do lance na televisão, visto e revisto em múltiplos programas, ainda hoje estará por se perceber o que, de facto, aconteceu.

Relativamente a outros clubes, varia de caso a caso. Quanto ao Benfica, por exemplo, depende do nome do árbitro. Se ele se chamar Pedro Henriques, a bola na mão de uma papoila saltitante vale pesada sanção, ainda que seja impossível determinar se houve intencionalidade, ou não. Foi assim que a mão de Miguel Vítor, mesmo no chão e sem ele ver a bola chegar, impediu o Benfica de ganhar um jogo nos últimos minutos, contra o Nacional. Mas se o árbitro der pelo mimoso nome de Olegário Benquerença, aí os rapazes de camisola encarnada bem podem estender o braço e com ele evitar um golo iminente, que não se passa nada. Veja-se o que fez Maxi Pereira, a remate de Izmailov.

Isto dito, fiquemo-nos com o essencial, que é a consolidação de uma regra, desde o início do campeonato: bola na mão (ou mão na bola) na área do FC Porto só resulta em sanção, se correr por conta dos seus adversários. Os campeões nacionais parecem protegidos por um decreto divino, ou sei lá de quem. Estarei atento no próximo sábado para perceber, de vez, se tudo se resume a coincidências, ainda que sistematicamente repetidas, ou se o tal decreto está mesmo em vigor, como eu venho desconfiando.

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Remate de letra: À imagem de Quique

Por Hugo Vasconcelos

Trinta e dois jogos oficiais do Benfica esta temporada, apenas 16 vitórias. A equipa de Quique Flores ganha apenas metade dos jogos que faz, média muito pobre para quem tanta ilusão criou no início da época. Os encarnados continuam na corrida ao título, porque no campeonato só perderam duas vezes, mas somam-se resultados, somam-se exibições e o que fica é decepção, que só desaparecerá se a 24 de Maio o Benfica terminar a Liga Sagres em primeiro.

Quique Flores tem dito com frequência que as contas só devem ser feitas no fim. É verdade. Mas é também impossível não imaginar que essas contas não vão bater certo atendendo ao que o Benfica joga. À imagem do seu treinador.

Após a vitória sobre o Sporting na primeira volta, à quarta jornada (apenas a segunda vitória oficial da temporada, depois de só dois triunfos em sete particulares), o treinador do Benfica, questionado sobre se já teria a equipa a jogar à sua imagem, respondeu afirmativamente, defendendo que isso acontecia sempre, ganhando ou perdendo. Cinco meses depois, a afirmação de que é preciso jogar mais para vencer o rival suscita uma pergunta: de quem é a culpa? Ou uma volta de campeonato depois o Benfica deixou de jogar à imagem de Quique?

"Quando a equipa perde também se parece comigo."
Quique Flores, após a vitória sobre o Sporting na primeira volta

"Não estou a dizer que os jogadores não correram ou não lutaram, mas é preciso mais para ganhar ao Sporting."
Quique Flores, após a derrota com o Sporting no passado sábado