Comunicação Social

Preacher

Parece que os homens do Leixões estão indignados. Também eu fiquei com a azelhice deles contra o Porto.

E ao que parece o presidente do Leixões louvou as medidas contra os salários em atraso impostas pela Liga, dias depois de ter regularizado a sua situação..

Francescoli

A minha namorada que nao percebe nada de bola e detesta futebol (ainda por cima tem uma "simpatia" por razoes familiares pelo porto) diz-me o seguinte este fds:

"Fogo, é so penalties a favor do porto!! Isto é sempre assim?? E estes comentadores sao um bocado portistas, nao sao??" - durante a transmissao do Leixoes-porto...

::bater::

unum

#27887
Citação de: Special_Red em 10 de Março de 2009, 07:12
Jogadores do Leixões apresentam queixa-crime contra Rui Santos

Os jogadores do Leixões Beto, Hugo Morais e Laranjeiro vão apresentar uma queixa-crime contra Rui Santos, com o fundamento de que o jornalista ofendeu «a honra e a dignidade» destes profissionais de futebol ao sugerir viciação de resultados

Beto, Hugo Morais e Laranjeiro consideraram atentatórios «da dignidade pessoal e profissional» os comentários de Rui Santos, no programa Tempo Extra da SIC, exibido no domingo, sobre uma alegada viciação de resultados desportivos.

Os três jogadores do Leixões vão ter o patrocínio do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), que hoje, em comunicado assinado pelo presidente, Joaquim Evangelista, repudia «opiniões difamatórias» da honra e dignidade de Beto, Hugo Morais e Laranjeiro.

«Lamentavelmente, Rui Santos levantou uma suspeita grave sobre os referidos jogadores, enquanto intervenientes em lances menos felizes para a sua equipa no jogo com o FC Porto», sábado, da 21ª jornada da Liga portuguesa de futebol, que terminou com um resultado favorável aos tricampeões nacionais (4-1).

Joaquim Evangelista sublinha que «uma coisa é a análise crítica em abstracto de um determinado assunto, coisa diferente será a associação de um comportamento incorrecto a uma determinada pessoa».
O dirigente acentua ainda que, «sendo óbvia a legitimidade de o comentador abordar as questões que julgue pertinentes, não menos inquestionável é o dever que lhe incumbe de respeitar a honra dos destinatários das suas observações».

A Agência Lusa tentou obter uma reacção de Rui Santos, mas o contacto telefónico com o jornalista não foi possível.
Lusa / SOL
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=128463

É assim que se gosta do futebolinho português: em abstracto. Vocês sabem do que estou a falar...

Mal se chamam os bois pelos nomes, é ver as virgens da transparência ofendidas.

fffernas

Citação de: unum em 10 de Março de 2009, 10:35
Citação de: Special_Red em 10 de Março de 2009, 07:12
Jogadores do Leixões apresentam queixa-crime contra Rui Santos

Os jogadores do Leixões Beto, Hugo Morais e Laranjeiro vão apresentar uma queixa-crime contra Rui Santos, com o fundamento de que o jornalista ofendeu «a honra e a dignidade» destes profissionais de futebol ao sugerir viciação de resultados

Beto, Hugo Morais e Laranjeiro consideraram atentatórios «da dignidade pessoal e profissional» os comentários de Rui Santos, no programa Tempo Extra da SIC, exibido no domingo, sobre uma alegada viciação de resultados desportivos.

Os três jogadores do Leixões vão ter o patrocínio do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), que hoje, em comunicado assinado pelo presidente, Joaquim Evangelista, repudia «opiniões difamatórias» da honra e dignidade de Beto, Hugo Morais e Laranjeiro.

«Lamentavelmente, Rui Santos levantou uma suspeita grave sobre os referidos jogadores, enquanto intervenientes em lances menos felizes para a sua equipa no jogo com o FC Porto», sábado, da 21ª jornada da Liga portuguesa de futebol, que terminou com um resultado favorável aos tricampeões nacionais (4-1).

Joaquim Evangelista sublinha que «uma coisa é a análise crítica em abstracto de um determinado assunto, coisa diferente será a associação de um comportamento incorrecto a uma determinada pessoa».
O dirigente acentua ainda que, «sendo óbvia a legitimidade de o comentador abordar as questões que julgue pertinentes, não menos inquestionável é o dever que lhe incumbe de respeitar a honra dos destinatários das suas observações».

A Agência Lusa tentou obter uma reacção de Rui Santos, mas o contacto telefónico com o jornalista não foi possível.
Lusa / SOL
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Desporto/Interior.aspx?content_id=128463

É assim que se gosta do futebolinho português: em abstracto. Vocês sabem do que estou a falar...

Mal se chamam os bois pelos nomes, é ver as virgens da transparência ofendidas.
Podes crer!...é o diz-se..diz-se mas dar nome ás coisas poucos fazem e tb ao "sistema" não interessa.
Basta ver que uma pessoa com responsabilidades disse aquilo que disse com o pormenor de que x dinheiro nem dava para aquecer e portanto com total conhecimento de causa e pelos vistos nada se passou nem interessa investigar...as instituições primaram pelo silêncio e os média tratam do resto.
É o pais que temos.

XHITA



Liga não quer incumpridores

Salários em atraso em Maio deste ano podem valer exclusão nos campeonatos de 2009/10.
Hermínio Loureiro acredita que uma maioria de clubes vai aprovar requisitos mais rigorosos.

Por Paulo Horta

A Direcção da Liga aprovou ontem duas propostas para a alteração dos requisitos de acesso aos campeonatos profissionais da próxima temporada. Certidões da Administração Fiscal e Segurança Social e salários em dia em Maio deste ano são as principais medidas anunciadas e que aguardam, agora, a votação dos clubes, em Assembleia Geral.

«Se as propostas não forem aprovadas, será uma derrota», assumiu Hermínio Loureiro, no final da reunião de Direcção que decorreu à tarde na sede da Liga, no Porto. Mas a sensibilidade do presidente do organismo profissional e a auscultação a vários emblemas dizem-lhe que «uma maioria de clubes» estará de acordo com a introdução de um regime de acesso mais apertado às provas da Liga. «A nossa intenção passa por exigir certidões que atestem o cumprimento do PEC a quem recorreu ao IAPMEI. Por outro lado, os clubes que em Maio deste ano apresentarem salários em atraso, não poderão disputar os campeonatos profissionais de 2009/10», anunciou o dirigente.

Em tempos de crise económica profunda, Loureiro reconhece o risco destes pressupostos, mas assume: «Este rigor é importante para credibilizar o futebol. Notícias de incumprimentos deixam o futebol vulnerável.» A Direcção da Liga volta a reunir-se este mês e, depois, pedirá a marcação da AG.

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Sorteio dos jogos condicionado

Calendário de 2009/10 cheio de novidades.
Liga e Liga de Honra começam a 12/13 de Agosto.

O calendário de 2009/10 está definido, com várias novidades. O sorteio da Liga será condicionado e não haverá nem clássicos nem derbies (incluindo Minho e Madeira) nas quatro primeiras jornadas. Os campeonatos profissionais iniciam-se no fim-de-semana de 13 e 14 de Agosto e terminam a 9 de Maio de 2010.

A distribuição dos jogos foi elaborada com uma comissão de clubes (FC Porto, Benfica e Sporting integraram um painel de nove emblemas) e na grelha só Maio de 2010 é excepção à regra: três jornadas/mês. A primeira paragem terá lugar ao cabo das três primeiras rondas e não haverá interrupções nas últimas seis jornadas. Os clubes de Lisboa, da Madeira, bem como FC Porto e Leixões não jogarão em casa na mesma ronda.

A Liga de Honra sofre paragem a 13 de Setembro. Em Novembro, no dia 15, pára a Liga mas disputam o segundo escalão. Em Dezembro, estarão disputadas 14 jornadas dos dois campeonatos.

A Taça da Liga abre a época, com jogos a 1 e 2 de Agosto. A final será jogada a 21 de Março.

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Um provedor para os adeptos

Prof. Jorge Silvério convidado a ocupar cargo novo na estrutura do organismo profissional.

A Liga manifesta-se sensível às preocupações do público que assiste aos jogos dos principais campeonatos do futebol nacional e, nessa medida, estendeu um convite ao professor Jorge Silvério para assumir funções de Provedor do Adepto no organismo profissional. «É alguém que nos dá garantias de poder realizar um trabalho de análise e acompanhamento, com o rigor e a independência que se deseja para a função em causa», justificou o presidente da Liga, Hermínio Loureiro.

Francescoli

Adoro estes fait divers da Liga... Bem ao estilo do sr. herminio, que ainda nao se esqueceu que é politico!!

insatisfeito

Estão muito ofendidos os meninos do leixões.... esquecem-se é que o rui santos não falou directamente em premeditação, falou em erros incompreensiveis... Coisa que já por tanta vez se fez em relação a arbitros e até jogadores...

Isto tem um pormenor interessante... até ao fim do campeonato vai andar toda a gente (comentadores) com a boca fechada em relação a fenómenos estranhos nos jogos do porto...  :whistle2:

CelsoMedeiros

que futebol manhoso..ainda dizem que estão a nivel EUROPEU...

Preacher

Uma palhaçada os condicionamentos do sorteio, uma grande palhaçada. Um campeonato é um campeonato e ponto final. Porra, mania de brincarem com o futebol.

XHITA

Pelo amor de Deus não se esqueçam de passar o desinfectante no ecrã depois de lerem esta m*rda...  :buck2:



Nortada: As más companhias

Por Miguel Sousa Tavares

Aquilo que passará à história sob o nome de Apito Dourado foi uma operação sabiamente planea- da e montada, visando um objectivo principal: quebrar os rins ao FC Porto, pôr um ponto final na sua hegemonia futebolística longamente exercida. Não o conseguindo no terreno de jogo, tentou-se então consegui-lo fora de campo, no terreno da justiça. O Apito Dourado, à revelia de tudo o que o senso comum e a simples boa-fé sabiam, pretendeu e pretende ainda demonstrar que, como dizia há dias o presidente do Benfica, esta longa sequência de sucessos desportivos do FC Porto se deve a «batota» e nada mais. Incluindo os dois títulos de campeão europeu e os dois títulos de campeão mundial de clubes.

Por isso mesmo, desde o início, o Apito Dourado teve apenas dois alvos declarados: o presidente do FC Porto e o presidente da Liga, Valentim Loureiro. O objectivo único era provar que, com o apoio do segundo, o primeiro construíra um sistema de corrupção e tráfico de influências, que era a única justificação para o domínio desportivo exercido — apenas isso, nem sequer a gritante incompetência da gestão desportiva dos rivais. À época, curiosamente, Valentim estava de costas voltadas com Pinto da Costa, tendo-se associado com o presidente do Benfica para dominar a Liga — que Luís Filipe Vieira afirmou ser mais importante do que ter uma boa equipe de futebol. Mas pouco importou: para atingir Pinto da Costa e demonstrar o seu poder «mafioso» era essencial demonstrar que ele dominava a Liga, mesmo que tal não fosse verdade. E uma das coisas eticamente mais eloquentes neste processo foi a forma como Filipe Viera deixou cair e abandonou o seu aliado Valentim Loureiro, assim que percebeu que ele era mais útil no papel ficcionado de cúmplice de Pinto da Costa.

A primeira consequência do Apito Dourado foi, assim, a execução de Valentim Loureiro: ele foi condenado por tráfico de influências em benefício do Gondomar, num processo que aos seus mentores deixou a amarga sensação de estarem apenas a perseguir a arraia miúda como forma de tentar chegar ao «peixe graúdo». E o Boavista viria a comer por tabela, sendo relegado pela Comissão Disciplinar da Liga para a segunda divisão — num caminho inelutável rumo ao desaparecimento, sem que ninguém consiga dizer ao certo porque foi um dos históricos do futebol português condenado à morte.

Quanto a Pinto da Costa e ao FC Porto — o verdadeiro e único alvo do Apito Dourado — a situação não se afigura brilhante para os seus mentores, mas ainda restam algumas esperanças. Recordemos: houve três processos, correspondentes a outros tantos jogos da época 2004/05, em que se ancoraram as acusações: o primeiro, relativo a um Nacional-Benfica, acabou com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, em que o juiz chegou a escrever que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; o segundo, relativo a um FC Porto-Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — a suposta «escritora» Carolina Salgado; resta o terceiro, relativo a um Beira-Mar-FC Porto, que já havia sido também arquivado, mas que a insistência da Drª Morgado conseguiu levar a julgamento. E é esse que agora decorre no Tribunal de Gaia.

Este simples enunciado factual dos resultados judiciais produzidos até agora no âmbito do Apito Dourado (e após milhares ou milhões de euros investidos em «investigação» por parte do Ministério Público) seriam suficientes para que o Procurador-Geral da República tivesse alguma contenção a falar do assunto — pelo menos, até ver o que sucede no tribunal de Gaia e após o depoiamento da sua tão acarinhada e protegida testemunha. Mas não: Pinto Monteiro entendeu antecipar-se e debitar a sua sentença, antes que a Justiça reduza a pó o seu voluntarismo justiceiro. Disse o Dr. Pinto Monteiro que, após o Apito Dourado, «mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português». E isto, porque «a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados». Falso, Sr. Procurador: o que o Apito Dourado mostrou é que o presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita e, eventualmente, sob investigação; quanto aos outros «agentes», não vimos nada... Na tese dos mentores do Apito Dourado, os árbitros vendem-se, sim, mas só ao FC Porto; o tráfico de influências existe, sim, mas só a favor do FC Porto; as batotas fazem-se, sim, mas apenas em benefício do FC Porto. O Sr. Procurador pode-nos indicar alguma diligência de investigação que, nem que fosse por mera rotina ou cautela, tenha incidido sobre os presidentes do Benfica, do Sporting, do Braga, do Guimarães? É sem dúvida uma coincidência infeliz que todos aqueles que intervieram a vários níveis no Apito Dourado para acusar o FC Porto sejam simpatizantes do Benfica. Uma coincidência infeliz mas que, por isso mesmo, deveria ter acautelado a forma como o fizeram.

Mas o Dr. Pinto Monteiro vai ainda mais longe quando, sem um estremecimento de pudor, afirma que «pode não se provar que sejam culpados, mas já se provou que houve indícios para terem de responder perante a justiça». Depois de ver que, em dois dos três casos em que o seu Ministério Público quis acusar, a justiça reduziu os seus «indícios» a meras intenções sem fundamento algum e a sua querida testemunha a alguém desprovido de qualquer credibilidade, sentindo que o único processo que conseguiu levar a julgamento nada mais tem a sustentá-lo do que a credibilidade dessa mesma testemunha, o Procurador-Geral dá-se por muito satisfeito por achar que conseguiu recolher «indícios» que não servem para condenar ninguém, mas apenas para o acusar sem fundamento. Ou seja: não conseguindo convencer a Justiça, resta a sentença popular. Se alguém ainda não tinha percebido o estado a que chegou o Ministério Público, leia o retrato da situação nestas extraordinárias declarações de quem manda nele. Entre o raciocínio «jurídico» do Procurador e o do presidente do Benfica, não vejo a mais pequena diferença de substância...E, caramba, se devia havê-la!

Isto posto, mantenho-me coerente com o que sempre disse desde o início desta história. Lamento muito que o presidente do meu clube esteja sentado no banco dos réus (e, com ele, o próprio clube) a responder pela acusação de corrupção desportiva. Não ignoro a forma como se chegou a tal e, obviamente, basta-me saber que tudo depende de querer acreditar no que diz Carolina Salgado, para concluir que só pode haver um desfecho, que é a absolvição. Claro que não acredito que fosse preciso comprar o árbitro de um jogo já sem importância alguma e em que, segundo os relatos da época, o FC Porto até acabou prejudicado pela arbitragem. E claro que, como toda a gente que percebe alguma coisa de futebol e não está de má-fé, sei muito bem que não foi graças a «batota» que o FC Porto ganhou o que ganhou cá dentro e foi duas vezes campeão da Europa e do mundo. Foi, entre outras coisas, porque Pinto da Costa é, de longe, o presidente que mais percebe de futebol e um dos raros que não chegou ao futebol por acaso e para se promover socialmente. Porque enquanto ele era presidente do FC Porto e tratava de reunir os melhores, Vale e Azevedo era presidente do Benfica e os benfiquistas adoravam-no mesmo percebendo que ele roubava e era um absoluto incompetente, mas atacava Pinto da Costa — e, hoje ainda, há quem ache que tal é suficiente para ser campeão. E, por isso, enquanto o Benfica desprezava jogadores como Jardel, Zahovic, Deco, Maniche, ou treinadores como Mourinho e Jesualdo Ferreira, Pinto da Costa aproveitava-os e era com eles que ganhava.

Não é por isso, pois, que Pinto da Costa está sentado no banco dos réus. Ele está sentado no banco dos réus devido à sua fatal tendência para as más companhias. O que eu, como portista, não consigo aceitar é que o presidente do meu clube receba um árbitro em casa para tomar café. Que o receba acompanhado do «empresário» António Araújo e com a Dª Carolina Salgado a fazer de dona-da-casa, Primeira Dama e tudo o resto cujas consequências estão à vista. É inacreditável que, mesmo acossado pela justiça, Pinto da Costa não tenha ninguém minimamente prestigiado para apresentar como testemunha abonatória no tribunal, para além do tristíssimo juiz Conselheiro Mortágua. É lamentável que o homem que conseguiu transformar um clube de província num campeão do mundo e num motivo de orgulho para Portugal, ainda não tenha conseguido, ao fim de tantos anos, despir a capa do provincianismo e transformar-se num homem do mundo. E que tenha preferido, como qualquer cacique de província, viver rodeado de gente pequenina, que lhe satisfaz o culto pessoal e desprestigia o clube.

XHITA



Vamos conversar: Ninguém se acusa...

Por Fernando Guerra

O juiz Mortágua, antigo presidente do Conselho de Justiça da FPF, afirmou em tribunal, na qualidade de testemunha de Pinto da Costa, que na temporada da 2003/2004, a mesma do caso do envelope do jogo Beira Mar-FC Porto, falar-se em 500 contos para subornar um árbitro é ridículo pela razão simples de na altura a «bitola para os árbitros» ser «muito maior». Disse mais: «E como referi, acho o valor de 500 contos simplesmente ridículo» e «em função dos valores que se falavam na época, isso só dava para o aquecimento».

O procurador, naturalmente, interveio: «Está a dizer, então que nessa época havia árbitros corruptos?»

«Alguns eram», respondeu o juiz Mortágua.

O que aqui fica escrito já nada oferece de novidade. A cena ocorreu na última sexta-feira, durante a segunda sessão do julgamento que decorre no Tribunal Judicial de Gaia, em que o presidente do FC Porto é um dos arguidos. Excepção feita à associação de classe, grata a estes fenómenos para captar apoios e reforçar a sua influência junto da comunidade do apito, o que surpreende é o manto de silêncio que se lançou sobre o caso, como se mais ninguém tivesse a ver com a questão. Reacções? Zero. Parece estar tudo à espera que a tempestade passe e as memórias, geralmente tão ligeiras, se debrucem sobre outro tema menos incomodativo e atirem revelações tão graves para o baú das insignificâncias, como é pratica corrente no nosso país, não só no futebol, em todas as áreas da sociedade civil. Apesar do juiz Mortágua ter sido suficientemente explícito ao declarar que alguns árbitros são corruptos nada aconteceu entretanto. Nada, absolutamente nada! Do presidente da FPF e do presidente da Liga, nem uma palavra. Do presidente da Comissão de Arbitragem, como mandam as regras da boa educação, a mesmíssima coisa. Nada também da parte dos árbitros apanhados na rede corrompida.

Posso entender a ponderação de Gilberto Madail e de Hermínio Loureiro, expectantes, atentos, mas pouco interessados em intrometerem-se numa corrente de ar ameaçadora de ventos mais fortes. A mesma leitura já me custa fazer em relação a idêntico procedimento por parte de Vítor Pereira, agora tão comedido na oralidade, depois de um início de reinado consumido em ambiente de extravagâncias, ao nível das ideias, das promessas, dos foguetes... Inaceitável, pelas conjecturas que suscita, é o frustrante comportamento dos próprios visados, a sua incapacidade para se indignarem, para dizerem que estão fartos. Admito que o pecado já não more ali; por isso ninguém se acusa. Isto é, os que estão, ao aparentemente não se sentirem alvejados pelos disparos do antigo presidente do CJ, pretenderão transmitir que o mal se extinguiu, que a doença apenas atacou os que estavam, e que durante os últimos cinco anos, por circunstâncias várias, foram abandonando o palco. Talvez, mas convém recordar que dos árbitros do quadro da primeira categoria em 2003/2004, 14 mantêm-se no activo, a saber: Jorge Sousa, Pedro Proença, Lucílio Baptista, João Ferreira, Elmano Santos, Olegário Benquerença, Bruno Paixão, Rui Costa, Paulo Costa, Carlos Xistra, Duarte Gomes, Pedro Henriques, André Gralha e Paulo Baptista. É muita gente...

Senhores árbitros, decidam-se. Se querem continuar a ser ofendidos a toda a hora, é com vocês. É uma estranha forma de vida, mas gostos... são gostos.

Miguel Veloso explodiu no aeroporto, à partida para Munique. O local é irrelevante, mas a atitude do jogador não. Era esperada, depois da sucessão de conflitos que caracterizaram o sai-não-sai durante o período de transferências de Inverno. Dispensável braço-de-ferro sobre o qual me pronunciei em devido tempo, considerando ter sido um acto de má gestão a forma como a administração leonina conduziu o processo. Não se trata de medir as intensidades das razões de cada uma das partes, mas sim verificar a ausência de sensibilidade na descoberta de soluções para um problema que foi crescendo, crescendo, até rebentar. Com prejuízos para o praticante e para o clube.

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Vivò árbitro: Até nos erros há sorte e azar

Por Cruz dos Santos

Fim-de-semana tranquilo, pouca ou nenhuma contestação às arbitragens, coisa rara no futebol português. Razão para saudar? Creio que sim, até porque falhas na análise não faltaram. E bom seria que se tratasse de uma atitude consciente e deliberada (não só resultante de os três maiores terem ganho os seus jogos com justiça), porque a verdade é que há erros e erros — todos sempre lamentáveis, mas só alguns merecedores de condenação pura e simples.

Muito bem Rui Costa no Leixões-FC Porto, onde o penalty que deu o 0-1 não teve contestação possível (tão evidente foi a mão na bola de Hugo Morais) e, mais tarde, não houve rasteira de Roberto Sousa a Raul Meireles, houve tropeção deste no adversário, que estava estático. Também sem dúvida muito positivas as actuações de Artur Soares Dias no Sporting-Paços de Ferreira e de João Ferreira no Naval-Benfica, porque foi aqui, nestes dois jogos, que se registaram erros dos tais que não podem entrar no grupo dos grosseiros.

Em Alvalade, Artur Soares Dias fez bem ao não assinalar penalty de Dedé, porque ele não meteu braço à bola, a bola bateu-lhe num braço e os braços estavam em posição normal. E no primeiro golo do Sporting, o árbitro respeitou a opinião do auxiliar, certíssimo ao aperceber-se de que Liedson não estava fora-de-jogo, partiu de posição legal. Só que, mais tarde, não houve indicação do auxiliar quando Ferreira, de pé em riste, atingiu Vukcevic, justificando expulsão directa. Sem essa indicação, o árbitro decidiu como viu, sem se aperceber da agressão, por estar atrás de Ferreira.

Na Figueira da Foz, João Ferreira analisou bem a queda de Di María, correndo em despique com Carlitos. Tocaram-se, ambos tentaram agarrar, acabou por não haver falta, nem simulação de Di María, que caiu por perda de equilíbrio. Antes disso, ficara por assinalar derrube de Maxi Pereira a Davide, dentro ou fora (única dúvida) da grande área do Benfica. Talvez penalty, talvez livre, mas creio que uma leitura (do árbitro) evidente: convicção de que Maxi Pereira, antes de atingir os pés do adversário, tocara na bola. Aceitável, mesmo para quem viu o lance na TV. E é óbvio que, no livre de que resultou o golo da vitória do Benfica, não houve infracção, houve bola na cara de Davide, mas este tinha um braço erguido e o árbitro, colocado nas suas costas, agiu convicto de que houvera braço na bola. Alguém falava se não desse golo? Ninguém. Até nos erros há sorte e azar.

PS - Curvo-me perante a memória do dr. juiz Adriano Afonso, com quem lidei em termos profissionais e, apesar da sua enorme paixão pelo Benfica, sempre me pareceu um defensor do futebol.

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Com bola ou talvez não: Rui, a medalha

Por António Simões

Quando deixaram ambos o frenesim dos repórteres em seu redor lá em Turim e ficaram a sós com as suas emoções, Rui Silva tirou do bolso a medalha de ouro que acabara de ganhar nos 1500 metros e pô-la nas mãos de João Campos embrulhada num murmúrio:

– Professor, tome, esta é sua!...

Sem perder toque à felicidade que lhe alagava nos olhos o brilho, o treinador respondeu-lhe comovido:

– Não, o herói és tu, correndo como correste, depois do que passaste...

Nasceu em lugarejo a três quilómetros do Cartaxo. Era família pobre de agricultores. A morte do pai, aos 13 anos, deu-lhe volta à vida. Ele e a mãe deixaram Santarém, onde andara, como extremo, a jogar no União, foram para casa dos avós, em Ourique. Ficou sem clube para o futebol, amigos que faziam atletismo desafiaram-no a ir vê-los numa estafeta. Faltou um. O treinador pediu-lhe que corresse – e, com sapatos gastos de andar pela rua e as calças de ganga a esfanicarem-se, correu e quem viu, percebeu, deslumbrado, que o futuro era ele, alma imensa pintada no fundo do corpo que voava... Muito foi ganhando depressa – e depois quatro anos andou penando, massacrado por lesões, sem nunca aceitar que cada dia que passava era uma esperança condenada a morrer. Escapou do embaraço dos espinhos, dos descaminhos dos caminhos – e domingo voltou a ser o que fora, fantástico. Em JO, Campeonatos do Mundo e da Europa, no país de Carlos Lopes e Rosa Mota, só Fernanda Ribeiro conquistou mais medalhas do que ele: 16-12. É, no atletismo ninguém ganha sozinho, apenas com o seu talento, o seu coração, o seu carácter. Ah! E no país de Moniz Pereira nenhum treinador conquistou mais medalhas que João Campos. Noutro lugar talvez já tivesse nome em rua ou avenida, estátua ou alta comenda, por cá é o que se sabe, estranho mistério. E se calhar foi por isso que, lá em Turim, Rui Silva, sentimental, lhe pôs nas mãos a medalha, embrulhada no murmúrio:

– Professor, tome, esta é sua!...

Preacher

Ninguém dá crédito ao lixo que escreve MST.

A sorte do senhor MST, do senhor PC e dos outros corruptos, é que a PJ fez um miserável trabalho de investigação, as bufadas de orgãos da magistratura e o resto todos nos conhecemos.

Uma investigação bem conduzida pela PJ e devidamente sustentada pelo MP, teria acabado de vez com a grande corrupção, e colocaria em verdadeiros maus lençois os corruptos.

VALEBEM

 Muito sinceramente, não acredito em premeditação por parte dos jogadores do Leixões... Acho que andaram 2/3 da época a jogar acima das suas possibilidades, e agora que as coisas começaram a correr mal, acho que vai ser sempre a descer... Já tinham defrontado os porcos 2 vezes esta época, e foram sempre uma equipa digna...
Achei muito mais «estranho» o caso protagonizado pelo Fellipe Lopes do Nacional...

Quanto ao Miguel Sousa Tavares, os disparates do costume...

Elvis the Pelvis

O MST sabe bem que o que escreve não é verdade.
Ele diz que querem acabar com a hegemonia do fcp fora do campo, mas omite o facto dessa mesma hegemonia ter sido ganha também ela, fora do campo.
Um verdadeiro artista português!

VALEBEM