Antiga Sede do Benfica Restauradores

Eagle_Royal

Citação de: Aloutre em 21 de Janeiro de 2013, 18:09
Património histórico a ser tratado desta maneira
eu acho que esta direcção, pese os defeitos, tem feito um esforço para requalificar o nosso património historico, acredito que esta sede não esteja esquecida

Carlos_Manuel

Citação de: Eagle_Royal em 25 de Janeiro de 2013, 02:38
Citação de: Aloutre em 21 de Janeiro de 2013, 18:09
Património histórico a ser tratado desta maneira
eu acho que esta direcção, pese os defeitos, tem feito um esforço para requalificar o nosso património historico, acredito que esta sede não esteja esquecida
Também acho que não. A capa da Mística é uma fotografia do Lima na entrada da Sede.
Pena é as histéricas que saíram por trás mas isso é outra história...  :disgust:

cachecolglorioso

Naquela zona, e para rentabilizar o edifício, fazia um Hotel temático...

HOTEL BENFICA *****

Seria um negócio altamente lucrativo.

Mazzola

Ao ver este tópico lembrei-me de um texto.
Decidi partilhar:



" Em noites destas, cheias de água a cair das estrelas, ou no calor do sol de Lisboa, acontecia sempre o momento "vai lá fazer compras que eu vou com o puto ao Benfica". A minha mãe baralhava-se muito com estes momentos porque lhe parecia que, para o meu Pai, o Benfica era em todo o lado, e, apesar de imaginar com agrado umas horas de libertação feminina - sem homens ao redor, com ar de enfado, enquanto ela experimentava aquelas peças de roupa extraordinárias que obviamente lhe faltavam no armário; feitos para ela, como recusar? -, sentia com preocupação aquela coisa de estar em todo o lado o Benfica.

No meio da estrada entre Borba e Vila Viçosa, entre as montanhas de mármore, ou nas profundezas das serras minhotas; nos largos canaviais do Oeste, debruados a pinhais e ondas a bater nas rochas, ou no frio de Trás-os-Montes, onde era possível - pensava ela - que ali, naquele sítio agreste, não havia Benfica, sempre aparecia o momento em que o meu Pai dizia: "vai lá olhar as pedras ou cheirar o verde lacrimejante do Minho ou ver o horizonte do mar que, se for corrido em frente, vai dar ao fundo dos astros... que eu vou com o puto ao Benfica". Não havia segunda escolha, o Benfica estava mesmo em todo o lado.

Eram noites como as de hoje, em que a água se estatelava nas pedras do chão, ou então eram dias que reflectiam o Sol nas paredes das casas de Lisboa e nos inundavam os olhos com uma cegueira momentânea e que sabia bem a beber cerveja, que abandonávamos a minha mãe ao desafio da faina em centros comerciais em caves bafientas onde se juntavam as melhores modas mundiais com tabacarias a cheirar a cigarrilhas. Não sei se ia feliz, mas aceitava a omnipresença do Benfica como um facto a que não podia recorrer em tribunal - "Consegue provar que não há Benfica em todo o recanto do mundo?". Talvez fosse mais fácil aceitar os desígnios divinos e absorver-se, ela, nos requisitos humanos. E era assim que nós - eu, o puto, e o meu Pai - iamos passar mais uma tarde, ou noite talvez, à sede do Benfica.

A sede do Benfica tinha aquele orgasmo especial de se anunciar ao mundo sem medos - um enorme símbolo inundando duas ruas, encostando-se tranquilo no "v" que as esquinas fazem. Era logo uma alegria ver o Benfica escarrapachado nas paredes, a águia tanto mirando os que subiam como os que desciam, embora esta segunda versão não fosse aceite em todos os debates mais acesos. Havia quem dissesse que a águia só olhava para um lado, com medo do futuro, mas eu nessa altura não sabia que viria 1994 e portanto mantinha-me fiel à primeira imagem: os olhos aquilinos rodavam e rodopiavam entre ruas e cheiros, provavelmente atraídos pelos odores e sons que, de lá do lugar dos homens, chegavam com fumo e fartas fomes.

Era para mim estranho que aquilo não fosse o Estádio da Luz, visto que, ao entrar, o benfiquismo era o mesmo e em doses peculiares - havia quem jogasse bilhar com o cachecol vestido; camisolas da adidas postas nas paredes; gente bebendo cerveja e uísques gritando Benfica. Os sócios tinham um ar compenetrado de associativismo sério e responsável: só bebiam até cair; vomitar não, que era de paneleiragem - assumi desde novo que a paneleiragem fosse o Sporting, mas depois percebi que se referiam a umas drag-queen que eles viam da varanda em noites em que a emoção do jogo era tanta que o piso vermelho da mesa de bilhar se rasgava na diagonal, mirrando perante os olhares atentos dos atletas. Quando era assim, desta forma, sem solução aparente, alguém podia gritar "VIVÓ BENFICA!", que as almas se enchiam de um brio orgulhoso e esqueciam de que amanhã era dia de ir ver dos panos da mesa.

Fumavam muito, os consócios, enchiam os pulmões de fumo e soltavam pelo ar pequenos símbolos do Benfica que iam voando por cima dos matraquilhos até esbararrarem, menos nítidos, nas fotos do Rogério Pipi ou do Santana ou do Bermudes. As fotos pregadas na parede mas sem serem fixas - acontecia-me beber o meu Trina de Laranja e, já alcoolizado, ver um jogo de cabeçadas entre os atletas da parede junto à varanda e dos jogadores que ficavam de cara a preto e branco junto ao bar. O meu Pai ia ali como se fosse a uma igreja, ia despedir-se ao mesmo tempo que ia matar a sede da alma: chegávamos e pedíamos bebidas, mostrava-me as fotografias na parede, apontava para os troféus, dizia coisas de que não me lembro mas eram parecidas, tenho a certeza que eram parecidas, com uma reza e depois jogávamos com os benfiquistas enquanto o pano não rasgava naquelas noites - dias? - em que drag-queens ou então mulheres às compras iam para ali para a vida dos humanos.

Eu ia à varanda tentar tocar no símbolo. O meu Pai punha-me ao colo e deixava-me tocar no símbolo. Bastava um toque com o dedo mindinho para sentir o Benfica nas suas profundezas de clube de afectos. A noite caía sobre Lisboa e as luzes acendiam-se avisando o mundo de que era necessária visão, os humanos preenchiam as ruas, falando e gesticulando como humanos, sem saberem a alegria de ficar junto à águia, compondo-lhe as patas sobre o cachecol que anuncia "De todos, um", mesmo que a águia estivesse a voar por cima de nós, irrepetível no voo. O meu Pai dizia-me "isto é o Benfica" e é possível que na emoção da infância eu tenha deixado cair uma lágrima paneleira sobre os paneleiros que passavam na rua - do Sporting ou não.

Hoje deixo lágrimas paneleiras sempre que ali vou encher o bandulho à Casa do Alentejo ou ver um concerto ou beber ginja ou outra coisa qualquer como ficar deitado numa rua à espera dos humanos - experimentem, é bom, ninguém quer saber. Com uma morcela nos beiços e três litros de vinho depois, então, é dramático. O Benfica está ali mas já não está ali - a minha mãe regozija-se neste momento. Aquilo é um lugar de peregrinação transformado em ninho de ratos e ruínas de um Benfica que um dia existiu. Se não for pedir muito, quero voltar a tocar no símbolo e estragar com o meu puto o pano vermelho da mesa de bilhar."

http://ontemvi-tenoestadiodaluz.blogspot.pt/2012/09/restaura-me-o-benfica.html

Manel dos Anzois


slb2me

#140
lembro-me de bater ums bolas nas mesas grandes de snooker, saudade é positiva mas o tempo segue...

hotel não digo, bailes já existem na Casa do Alentejo, mas uns belos apartamentos - era venda pela certa, com Red Pass. av está com 19 hoteis neste momento, bom sinal, só se fosse Hotel Benfica depois de ganharmos a proxima taça europeia

Se poderem manter com algum objetivo muito bem, a história não desaparece com a alienação da antiga sede...

e com isto digo Viva o Benfica

Lisboa é estádio da Luz, ponham lá tudo meseu, lojas, actividades desportivas e culturais, you name it, o resto é paisagem, se calhar falam - embora respeite a idea - de algo onde nunca entraram... em Lisboa não são precisas casas do Benfica, já existe uma, é enorme e gloriosa....



Mazzola

Citação de: slb2me em 27 de Janeiro de 2013, 01:28
lembro-me de bater ums bolas nas mesas grandes de snooker, saudade é positiva mas o tempo segue...

hotel não digo, bailes já existem na Casa do Alentejo, mas uns belos apartamentos - era venda pela certa, com Red Pass. av está com 19 hoteis neste momento, bom sinal, só se fosse Hotel Benfica depois de ganharmos a proxima taça europeia

Se poderem manter com algum objetivo muito bem, a história não desaparece com a alienação da antiga sede...

e com isto digo Viva o Benfica

Lisboa é estádio da Luz, ponham lá tudo meseu, lojas, actividades desportivas e culturais, you name it, o resto é paisagem, se calhar falam - embora respeite a idea - de algo onde nunca entraram... em Lisboa não são precisas casas do Benfica, já existe uma, é enorme e gloriosa....
Passou-te ao lado.

Mazzola



Inaugurada em 14.1.1934. No mesmo ano foi inaugurado o cinema sonoro e, em 1939, a biblioteca, com centenas de títulos nacionais e estrangeiros

A sede do Benfica, edifício emblemático ao longo de mais de sessenta anos e ainda hoje um ex-libris do clube, foi inaugurada na presidência de Vasco Ribeiro, numa cerimonia especial em que esteve presente o governador civil de Lisboa, tenente-coronel Luís de Moura, a quem coube içar a bandeira. Seguindo uma estratégia de desenvolvimento clubístico, há muito que as actividades culturais ocupavam um importante lugar: a promoção da música, do teatro e do cinema, a realização de cursos de instrução para sócios ou a simples organização de uma biblioteca eram objectivos claramente definidos e foram levados à prática. Neste sentido, viria até a ceder a sede para que ai tivesse lugar um curso de instrução primária, dirigido pela Universidade Livre e com apoio do "Diário de Noticias".

O_Glorioso

Interessante ver que o edifício tem, pelo menos, duas ampliações, sendo estas bastante contrastantes. Até gostava de saber porquê, até porque a primeira ampliação tem um estilo diferente...

hugo1904

Obrigado pela partilha Mazzola.

Texto à BENFICA!

Mazzola

Serviu com Secretaria do clube durante 52 anos (1934-1986)

"A 14 de Janeiro de 1934, o Benfica inaugurou a sua quinta secretaria na baixa de Lisboa, a primeira com dois pisos, nos segundo e terceiro andares do prédio nº5 da Rua Jardim do Regedor. Mais tarde, o Benfica arrendou todo o edifício, vindo a adquiri-lo a 26 de Janeiro de 1983. Em 1987, os últimos serviços ali instalados passaram para o estádio. A secretaria da Rua Jardim do Regedor foi ao longe de vários anos, o coração do Clube. Ali funcionavam a Direcção, as várias secções desportivas, todos os serviços administrativos. Ali se instalou a primeira Sala das Taças. Ali chegaram a realizar-se aulas de ginástica e o Gabinete Médico do Clube. Ficaram célebres as Assembleias Gerais ali realizadas, com as filas de sócios a prolongarem-se até à esquina do Cinema Condes, actual Hard Rock Café, nos Restauradores. A última, a 27 de Março de 1987, foi a da vitória de João Santos sobre Fernando Martins. Todo o edifício continua na posse do clube, mas provisoriamente sem utilização".

Texto de Janeiro de 2005.


Uma foto do interior (julgo eu), não sei a data.

hugo1904

Obrigado Mazzola.

O texto é de 2005,mas infelizmente estamos em 2013 e "Todo o edifício continua na posse do clube, mas provisoriamente sem utilização."


Denim

Hoje passei com o meu pai pela rua Jardim do Regedor. Ele já não passava ali há uma data de anos (30 anos?), e queria ver como estava a nossa emblemática e antiga sede. Quando lá chegámos dei logo pela falta d'algo: o emblema! Só depois reparei que estava lá uma grua, e o emblema estava na traseira de uma carrinha de caixa aberta.

Alguém sabe o que se está a passar na sede? Obras de remodelação?

Obrigado.

4ever Red Devil

Citação de: Denim em 04 de Maio de 2013, 18:37
Hoje passei com o meu pai pela rua Jardim do Regedor. Ele já não passava ali há uma data de anos (30 anos?), e queria ver como estava a nossa emblemática e antiga sede. Quando lá chegámos dei logo pela falta d'algo: o emblema! Só depois reparei que estava lá uma grua, e o emblema estava na traseira de uma carrinha de caixa aberta.

Alguém sabe o que se está a passar na sede? Obras de remodelação?

Obrigado.

Medo...