As Finanças do Benfica

george 20

Citação de: aguia imperial em 09 de Setembro de 2024, 22:32De 17M da transferencia de dois jogadores , recebemos SO 7.8M !!!????? Simplesmente inacreditavel !!!!
Não vi a notícia.
Mas duvido que tenha sido o que recebemos, mas sim as mais valias.
Sao coisas diferentes.

Ludwig van

Citação de: Jotenko em 09 de Setembro de 2024, 23:32A minha pergunta é:

Para onde foi o dinheiro?

Não há rasto?
Rasto há.

Nem eles são tão espertos assim.

É preciso é investigar a sério.

Dezenas e dezenas de pessoas enriqueceram nos últimos anos à custa do Benfica e através de uma ligação ao LFV/Rui Costa.

matadu

Citação de: NN_1984 em 09 de Setembro de 2024, 23:53
Citação de: iKatz em 09 de Setembro de 2024, 23:33
Citação de: Jotenko em 09 de Setembro de 2024, 23:32A minha pergunta é:

Para onde foi o dinheiro?

Não há rasto?


Estão gordos que nem Porcos!

É incrível como têm todos cara de quem não toma banho e fede a sebo.

Todos.

Puta que pariu.

João_Oliveira

Surreal como num estalar de dedos, sob comando da corja desta direção, os lagartos já estão melhor financeiramente que o Benfica e nos aproximamos a passos largos para fazer companhia aos porcos na bancarrota.
Em Out25 vota Bananismo.

MrFire

Citação de: DB4700 em 09 de Setembro de 2024, 16:17O Benfica apresentou o Relatório e Contas de 2023-24. Como o R & C Semestral já tinha indicado, sem uma grande venda até Julho seria um prejuízo avultado, e assim foi: 31.4 milhões de prejuízo. Aqui fica a minha leitura sobre o exercício.

- Foi o segundo ano com maiores receitas operacionais de sempre da SAD do Benfica. Ao todo 179 milhões. Mais 10 milhões que em 21/22 e menos 16.8 milhões que em 22/23. Foi o ano com mais receitas comerciais de sempre, com mais receitas de bilhética de sempre. A diferença foi a prestação na Champions League que foi muito abaixo dos últimos dois anos e trouxemos menos 25 milhões comparativamente ao último ano.

- Como é que se bate recordes nas receitas e temos prejuízos desta magnitude? Gasta-se também valores recordes. O Benfica gastou 86 milhões em FSEs, 110 milhões em Gastos com Pessoal (o que até foi uma diminuição em relação a 22/23) e no total gastámos 207 milhões na nossa operação, apesar das nossas receitas operacionais serem apenas 179 milhões.

- Durante a temporada, houve alguns meses com problemas de liquidez (mais sobre isso daqui a nada), naturais do desequilíbrio entre receitas e custos. Isso obrigou o Benfica a contrair três novos empréstimos bancários de curta duração no valor total de 37.2 milhões, além do empréstimo obrigacionista que faz todos os anos. Num período em que os juros estão muito altos, isto levou a um gasto com juros na ordem dos 21.8 milhões, enquanto as receitas com juros andaram apenas nos 2.3 milhões. Ou seja, mais um desequilíbrio na ordem dos 19.5 milhões.

- Anualmente a operação do Benfica tem um desequilíbrio de 56.5 milhões que depois precisa de financiar com vendas de jogadores ou com a acumulação de mais dívida. Sendo que a venda de jogadores tem ainda que financiar o ataque ao mercado.

- Há ainda mais um factor que agudiza os valores do prejuízo mas que não é um custo real que são as amortizações dos passes dos jogadores. Quando o Benfica contrata um jogador por 20 milhões de euros, por exemplo, esse jogador não entra no apuramento do lucro como uma despesa de 20 milhões. Imaginemos que o Benfica lhe dá um contrato de 5 anos, esse jogador vai amortizar 4 milhões por ano. Fruto do forte investimento que a SAD tem feito desde 2020 no mercado, as amortizações de passes também estão em valores altos. Ao todo foram 44.9 milhões de amortizações. Estes 44.9 milhões não são um custo real. Mas entram no apuramento do lucro e neste caso são até maiores do que o prejuízo que o Benfica teve. Sem amortizações o Benfica até teria dado lucro. Os valores "gastos" com amortizações só vão começar a baixar se mais jogadores vierem da formação ou se mais jogadores que contratamos começarem a ficar no clube mais do 2-3-4 anos.

- Mas apesar das amortizações não serem um custo, elas são o resultado de movimentos que podem apertar a liquidez do Benfica. Quando o Benfica contrata ou vende um jogador, não recebe ou paga o dinheiro todo no dia da venda ou compra. Ficam acordados valores e datas de pagamento. E também aí podem surgir desequilíbrios que apertam ou aliviam a liquidez do Benfica. E foi o caso do ano passado. O Benfica tinha 117.5 milhões a receber de clientes, sobretudo clubes a quem vendeu jogadores e tinha 176.9 a pagar a fornecedores. Sendo que parte do desfasamento era a longo-prazo (mais de um ano) e havia quase 33 milhões de desfasamento que eram a curto-prazo (dentro da época 23/24). Isso terá agudizado a situação da liquidez do Benfica, e terá obrigado a SAD a fazer os tais empréstimos bancários. Estes valores não se devem só a clubes a quem vendemos ou compramos jogadores, mas a todos os clientes e fornecedores da SAD. No entanto a grande fatia destes valores (90%) são clubes de futebol.

- Este ano, a SAD tem a receber 115.5 milhões (entretanto vendeu o Neves, Neres e Marcos Leonardo) e tem a pagar 177.2 milhões (entretanto também comprou muita gente). Há um desfasamento de curto-prazo de 49.5 milhões, ou seja, ainda maior do que no ano passado. Esta é uma outra dimensão do cubo de Rubik que são as finanças de um grande clube. Aqui é mais relevante os valores líquidos que se recebe do que as mais-valias (que é aquilo que importa para o resultado líquido). As vendas do Neres e do Marcos Leonardo não deram grandes mais-valias para o resultado líquido da SAD mas vão ajudar bastante a tapar este desfasamento que se abriu com o reforço do plantel nos últimos anos.

Voltemos aos custos operacionais com maior detalhe.

- Os gastos com pessoal diminuíram 4 milhões de 22/23 para 23/24. Esta diminuição deve-se no entanto à componente variável, fruto do título que conquistámos em 22/23 mas não em 23/24. Em 22/23 pagámos 16.6 milhões em prémios variáveis (um pouco mais alto do que o habitual num ano de título porque também houve o prémio de entrada na Champions League). Em 23/24 foram cerca de 8 milhões. Só daqui foi uma "poupança" de 8 milhões.

- As remunerações fixas subiram 5 milhões. Há no entanto duas boas notícias aqui. A primeira é que no primeiro semestre o Benfica tinha gasto 45 milhões em remunerações fixas e no segundo semestre gastou 37 milhões. Há sempre uma diminuição do primeiro semestre para o segundo, mas a deste ano foi muito mais acentuada, o que sugere que o Benfica fez uma poupança significativa com as saídas que teve no mercado de janeiro. Não esquecer que além do Musa, do Lucas Veríssimo, do João Victor, também saíram o Gonçalo Guedes e o Gabriel Pires. A segunda boa notícia é que as saídas do Rafa, João Mário e David Neres, entre outros, mesmo com as entradas todas que houve, também devem gerar mais uma poupança significativa. Este é o percurso que o Benfica tinha mesmo que fazer.

- os FSEs são elevadíssimos, mas também é preciso desconstruí-los para falarmos das partes que são realmente alarmantes.

- dos 86.5 milhões do Benfica, existem 8 milhões que vão para a BTV e 6.8 milhões que vão para o clube e que no fundo, feitas todas as somas e subtrações, servem como um apoio às modalidades.

- também é relevante mencionar que a NOS pagou ao Benfica 50.4 milhões, um valor acima daquele que foi reportado aquando da assinatura do contrato de 10 anos pelas transmissões televisivas e que a diferença deverá servir para pagar esses 8 milhões que o Benfica gasta na BTV. O grosso desse dinheiro é utilizado para produzir e transmitir os jogos da equipa principal na BTV, o que permite à NOS encaixar todos os anos dezenas de milhões em subscrições por o canal ser fechado e pago.

- ou seja, dos 86.5 milhões, há 71.7 milhões que devem ser mais esmiuçados. E há duas rubricas em especial que saltam à vista.

- a primeira é a gestão operacional do Estádio. O Benfica gastou 29 milhões na gestão operacional do Estádio, e todos os custos estão noutra empresa, a Benfica Estádio, da qual os sócios têm poucas informações. Mas tendo em conta que a bilhética dos estádio e as rendas do estádio geraram cerca de 40 milhões, quase que dá vontade de jogar à porta fechada todas as semanas. É muito dinheiro e muito dinheiro que pouco se sabe o que é que lhe acontece. As poucas notícias que há, não são nada formosas. Em Março de 2023, o Correio da Manhã noticiou que o Miguel Moreira, antigo número 2 das Finanças do Benfica terá utilizado o dinheiro que recebeu da saída do Benfica para comprar a ATM, empresa com quem o próprio Miguel Moreira, enquanto representante do Benfica, tinha fechado o negócio para a gestão operacional do Estádio uns meses antes. É verdade que é o Correio da Manhã, mas isto não cheira nada bem, como é óbvio.

- a segunda é a Vigilância e Segurança, onde o Benfica gasta 3.5 milhões que é mais 4x o que o Sporting gasta. A diferença da dimensão dos clubes não justifica uma diferença de custos tão grande.

- Há outras coisas estranhas nos gastos. Naturalmente que o Benfica tem que contratar os melhores profissionais possíveis para as suas equipas. No entanto, a certa altura parece que há mais profissionais à volta das equipas do que atletas. Por exemplo, ainda agora a equipa feminina foi jogar à Bósnia a Ronda 1 da Qualificação na UWCL e ficou lá quatro-cinco dias para fazer dois jogos. Estavam na Bósnia 16 elementos da equipa técnica para 20 jogadoras. Assumo que como a equipa esteve na Bósnia mais dias, tenham existido elementos de outras equipas a ir para lá dada a importância daquela prova. Mas será que se justifica? Eu não tenho resposta. É um número que me surpreende.

- O número de profissionais na Benfica SAD não pára de crescer. Neste momento são 150. Há quatro anos eram 119. Isto não é necessariamente errado. Mas eu pessoalmente prefiro que o Benfica contrate poucas pessoas muito competentes e mais caras em vez de muitas pessoas, pouco competentes e mais baratas.

Em resumo...

- A ideia da Direção do Rui Costa é gastar mais em salários, mais em condições, e financiar tudo isso com a venda de jogadores, que por outro lado tem ainda que financiar o reforço do plantel.

- O problema do Benfica é que todo este investimento que faz, de gastar mais em salários, mais em condições para os jogadores, não se materializa em títulos, muito menos numa hegemonia. E isso traz aquele que na verdade é o maior problema do Benfica que são as decisões desportivas. Os reforços e a equipa técnica.

- O problema do Benfica não é financeiro. O Benfica gasta um bocadinho a mais em massa salarial, um bocadinho a mais em FSEs, um bocadinho a mais em juros, um bocadinho a mais no reforço do plantel. Estes bocadinhos todos juntos, fazem um bocado demasiado grande. Mas é corrigível porque o Benfica tem receitas em máximos históricos e não há sinal que isso vá mudar em breve - por exemplo: há uma lista de espera de 17 mil pessoas para RedPasses. É uma questão de fechar a torneira num verão e o problema financeiro está corrigido.

- O problema do Benfica são as más decisões e os maus investimentos. Desde dos Juraseks, aos RDTs e aos Rogers Schmidts - que eu também adorei a notícia quando renovou, mas que quem falava com ele todos os dias tinha que ter percebido certas bandeiras vermelhas que já seriam visíveis.

- O Rui Costa arrisca-se a ficar na história do Benfica como o Presidente que mais gastou e mais falhou. É o Presidente do Benfica que mais dinheiro pôs no Futebol e a única coisa que temos aprendido é que ter mais dinheiro não significa ter melhores resultados se os investimentos são mal feitos.

- Neste momento o Benfica parece já num rumo de correção desses desequilíbrios financeiros que se abriram. Houve uma baixa significativa na massa salarial do primeiro semestre para o segundo. O mercado de verão também aponta nesse sentido.

- O Benfica perdeu muito capital humano nos últimos meses: Domingos Soares Oliveira, Pedro Marques, metade do departamento de Scouting (que não estava totalmente isento de culpas de muitas das más decisões que foram tomadas). Há rumores que o novo director técnico do Seixal, o Rodrigo Magalhães, também possa estar de saída. É importante substituir estas pessoas bem e com qualidade. Aqui é que o Benfica não pode ter medo de pagar bem. A chegada do Nuno Catarino, deixa-me a acreditar que vamos finalmente substituir o Domingos Soares Oliveira com qualidade. Mas depois há rumores como o Simão Sabrosa - uma das pessoas mais importantes para eu ser benfiquista - para Director do Seixal que tenho dúvidas que faça sentido.

- O Benfica precisa de ter um Departamento de Scouting que seja uma referência internacional e não um Departamento de Scouting que seja uma ferramenta de análise de jogadores sem qualquer poder executivo. E temos que lhes pagar muito bem, para que os melhores queiram vir para cá e fiquem cá. Somos o clube com maior net-transfers no mundo, mas perdemos staff do Scouting para o Spartak Moscovo em pleno período onde a economia russa está um desastre.

Transferências:
- O Pavlidis custou 18M+2M em variáveis. O AZ ficou com 10% de uma mais-valia.
- O Jurasek foi emprestado ao Hoffenheim que ficou com a opção de o contratar por 10M+1M.
- O Niklas Beste custou 8M+2M e o Heidenheim ficou com direito a receber 15% das mais-valias de uma transferência.
- O João Neves foi vendido por 59,9M+10M.
- O David Neres foi vendido por 28M+2M.
-  O Benfica tem uma opção de compra pelo Renato Sanches de 10 milhões.
- O Casper Tengstedt foi emprestado ao Hellas Verona que tem uma opção de compra por 7M e onde o Benfica ficaria com 30% de uma futura venda.
- O Morato foi vendido por 11M+6M
- O Kokçu vai custar ao Benfica 29.7 milhões se incluirmos os valores variáveis dependentes das métricas acordadas entre Benfica e Feyenoord
- O Gonçalo Ramos gerou uma mais-valia de 58.7 milhões
- O Musa foi vendido por 9M+3M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões (só amortizou ano e meio). A nível de liquidez terá gerado algo nos 7.5-8M. O Benfica ficou com 10% de uma futura mais-valia.
- O Lucas Veríssimo foi vendido por 8M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões. Também só amortizou dois anos e meio. A nível de liquidez terá gerado algo nos 7 milhões.
- O Liverpool pagou mais 5 milhões de uma componente variável do Darwin e gerou uma mais-valia de 3.5 milhões.
- O Benfica não divulgou os detalhes do negócio do João Victor, nem do Chiquinho.

Mais-valias futuras:
- o Santos tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Marcos Leonardo
- o Slavia Praga tem direito a 10% de uma futura transferência do Jurasek
- o Shakhtar tem direito a 40% de uma mais-valia sobre o Trubin
- o Vélez tem direito a 15% de uma futura transferência do Prestianni
- o Estudiantes tem direito a 10% de uma futura transferência do Rollheiser
- o AZ tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Pavlidis
- o Heidenheim tem direito a 15% de uma mais-valia sobre o Beste

Notas Pequenas:
- A Prime vai patrocinar o Benfica até 2027
- A Norauto fez um upgrade na renovação de contrato com o Benfica até 2028
- A HP vai patrocinar o futebol de formação até 2025
- O Benfica está com regularidade em feiras de negócio e turismo para angariar eventos de valor acrescentado para o Estádio, como os concertos da Taylor Swift. A Benfica SAD facturou 4.8 milhões em alugueres de espaços neste ano.
- Bateu-se o recorde de visitas ao Estádio e ao Museu, e a SAD facturou um total de 1.9 milhões. Ao todo 216 703 pessoas visitaram o Estádio e o Museu.
- Os lugares Corporate representam 42,1% das receitas de bilhética mas apenas ocupam 5% dos lugares do Estádio
- Há 320 lugares Corporate novos com a criação de um serviço de catering realizado no Museu Benfica
- O Luís Mendes deixou oficialmente a SAD do Benfica a 31 de Julho de 2024
- O Joshua Wynder assinou um contrato de 5 anos quando veio para o Benfica.


Onde é que posso votar em ti?


DB4700

Citação de: MrFire em 10 de Setembro de 2024, 00:39
Citação de: DB4700 em 09 de Setembro de 2024, 16:17O Benfica apresentou o Relatório e Contas de 2023-24. Como o R & C Semestral já tinha indicado, sem uma grande venda até Julho seria um prejuízo avultado, e assim foi: 31.4 milhões de prejuízo. Aqui fica a minha leitura sobre o exercício.

- Foi o segundo ano com maiores receitas operacionais de sempre da SAD do Benfica. Ao todo 179 milhões. Mais 10 milhões que em 21/22 e menos 16.8 milhões que em 22/23. Foi o ano com mais receitas comerciais de sempre, com mais receitas de bilhética de sempre. A diferença foi a prestação na Champions League que foi muito abaixo dos últimos dois anos e trouxemos menos 25 milhões comparativamente ao último ano.

- Como é que se bate recordes nas receitas e temos prejuízos desta magnitude? Gasta-se também valores recordes. O Benfica gastou 86 milhões em FSEs, 110 milhões em Gastos com Pessoal (o que até foi uma diminuição em relação a 22/23) e no total gastámos 207 milhões na nossa operação, apesar das nossas receitas operacionais serem apenas 179 milhões.

- Durante a temporada, houve alguns meses com problemas de liquidez (mais sobre isso daqui a nada), naturais do desequilíbrio entre receitas e custos. Isso obrigou o Benfica a contrair três novos empréstimos bancários de curta duração no valor total de 37.2 milhões, além do empréstimo obrigacionista que faz todos os anos. Num período em que os juros estão muito altos, isto levou a um gasto com juros na ordem dos 21.8 milhões, enquanto as receitas com juros andaram apenas nos 2.3 milhões. Ou seja, mais um desequilíbrio na ordem dos 19.5 milhões.

- Anualmente a operação do Benfica tem um desequilíbrio de 56.5 milhões que depois precisa de financiar com vendas de jogadores ou com a acumulação de mais dívida. Sendo que a venda de jogadores tem ainda que financiar o ataque ao mercado.

- Há ainda mais um factor que agudiza os valores do prejuízo mas que não é um custo real que são as amortizações dos passes dos jogadores. Quando o Benfica contrata um jogador por 20 milhões de euros, por exemplo, esse jogador não entra no apuramento do lucro como uma despesa de 20 milhões. Imaginemos que o Benfica lhe dá um contrato de 5 anos, esse jogador vai amortizar 4 milhões por ano. Fruto do forte investimento que a SAD tem feito desde 2020 no mercado, as amortizações de passes também estão em valores altos. Ao todo foram 44.9 milhões de amortizações. Estes 44.9 milhões não são um custo real. Mas entram no apuramento do lucro e neste caso são até maiores do que o prejuízo que o Benfica teve. Sem amortizações o Benfica até teria dado lucro. Os valores "gastos" com amortizações só vão começar a baixar se mais jogadores vierem da formação ou se mais jogadores que contratamos começarem a ficar no clube mais do 2-3-4 anos.

- Mas apesar das amortizações não serem um custo, elas são o resultado de movimentos que podem apertar a liquidez do Benfica. Quando o Benfica contrata ou vende um jogador, não recebe ou paga o dinheiro todo no dia da venda ou compra. Ficam acordados valores e datas de pagamento. E também aí podem surgir desequilíbrios que apertam ou aliviam a liquidez do Benfica. E foi o caso do ano passado. O Benfica tinha 117.5 milhões a receber de clientes, sobretudo clubes a quem vendeu jogadores e tinha 176.9 a pagar a fornecedores. Sendo que parte do desfasamento era a longo-prazo (mais de um ano) e havia quase 33 milhões de desfasamento que eram a curto-prazo (dentro da época 23/24). Isso terá agudizado a situação da liquidez do Benfica, e terá obrigado a SAD a fazer os tais empréstimos bancários. Estes valores não se devem só a clubes a quem vendemos ou compramos jogadores, mas a todos os clientes e fornecedores da SAD. No entanto a grande fatia destes valores (90%) são clubes de futebol.

- Este ano, a SAD tem a receber 115.5 milhões (entretanto vendeu o Neves, Neres e Marcos Leonardo) e tem a pagar 177.2 milhões (entretanto também comprou muita gente). Há um desfasamento de curto-prazo de 49.5 milhões, ou seja, ainda maior do que no ano passado. Esta é uma outra dimensão do cubo de Rubik que são as finanças de um grande clube. Aqui é mais relevante os valores líquidos que se recebe do que as mais-valias (que é aquilo que importa para o resultado líquido). As vendas do Neres e do Marcos Leonardo não deram grandes mais-valias para o resultado líquido da SAD mas vão ajudar bastante a tapar este desfasamento que se abriu com o reforço do plantel nos últimos anos.

Voltemos aos custos operacionais com maior detalhe.

- Os gastos com pessoal diminuíram 4 milhões de 22/23 para 23/24. Esta diminuição deve-se no entanto à componente variável, fruto do título que conquistámos em 22/23 mas não em 23/24. Em 22/23 pagámos 16.6 milhões em prémios variáveis (um pouco mais alto do que o habitual num ano de título porque também houve o prémio de entrada na Champions League). Em 23/24 foram cerca de 8 milhões. Só daqui foi uma "poupança" de 8 milhões.

- As remunerações fixas subiram 5 milhões. Há no entanto duas boas notícias aqui. A primeira é que no primeiro semestre o Benfica tinha gasto 45 milhões em remunerações fixas e no segundo semestre gastou 37 milhões. Há sempre uma diminuição do primeiro semestre para o segundo, mas a deste ano foi muito mais acentuada, o que sugere que o Benfica fez uma poupança significativa com as saídas que teve no mercado de janeiro. Não esquecer que além do Musa, do Lucas Veríssimo, do João Victor, também saíram o Gonçalo Guedes e o Gabriel Pires. A segunda boa notícia é que as saídas do Rafa, João Mário e David Neres, entre outros, mesmo com as entradas todas que houve, também devem gerar mais uma poupança significativa. Este é o percurso que o Benfica tinha mesmo que fazer.

- os FSEs são elevadíssimos, mas também é preciso desconstruí-los para falarmos das partes que são realmente alarmantes.

- dos 86.5 milhões do Benfica, existem 8 milhões que vão para a BTV e 6.8 milhões que vão para o clube e que no fundo, feitas todas as somas e subtrações, servem como um apoio às modalidades.

- também é relevante mencionar que a NOS pagou ao Benfica 50.4 milhões, um valor acima daquele que foi reportado aquando da assinatura do contrato de 10 anos pelas transmissões televisivas e que a diferença deverá servir para pagar esses 8 milhões que o Benfica gasta na BTV. O grosso desse dinheiro é utilizado para produzir e transmitir os jogos da equipa principal na BTV, o que permite à NOS encaixar todos os anos dezenas de milhões em subscrições por o canal ser fechado e pago.

- ou seja, dos 86.5 milhões, há 71.7 milhões que devem ser mais esmiuçados. E há duas rubricas em especial que saltam à vista.

- a primeira é a gestão operacional do Estádio. O Benfica gastou 29 milhões na gestão operacional do Estádio, e todos os custos estão noutra empresa, a Benfica Estádio, da qual os sócios têm poucas informações. Mas tendo em conta que a bilhética dos estádio e as rendas do estádio geraram cerca de 40 milhões, quase que dá vontade de jogar à porta fechada todas as semanas. É muito dinheiro e muito dinheiro que pouco se sabe o que é que lhe acontece. As poucas notícias que há, não são nada formosas. Em Março de 2023, o Correio da Manhã noticiou que o Miguel Moreira, antigo número 2 das Finanças do Benfica terá utilizado o dinheiro que recebeu da saída do Benfica para comprar a ATM, empresa com quem o próprio Miguel Moreira, enquanto representante do Benfica, tinha fechado o negócio para a gestão operacional do Estádio uns meses antes. É verdade que é o Correio da Manhã, mas isto não cheira nada bem, como é óbvio.

- a segunda é a Vigilância e Segurança, onde o Benfica gasta 3.5 milhões que é mais 4x o que o Sporting gasta. A diferença da dimensão dos clubes não justifica uma diferença de custos tão grande.

- Há outras coisas estranhas nos gastos. Naturalmente que o Benfica tem que contratar os melhores profissionais possíveis para as suas equipas. No entanto, a certa altura parece que há mais profissionais à volta das equipas do que atletas. Por exemplo, ainda agora a equipa feminina foi jogar à Bósnia a Ronda 1 da Qualificação na UWCL e ficou lá quatro-cinco dias para fazer dois jogos. Estavam na Bósnia 16 elementos da equipa técnica para 20 jogadoras. Assumo que como a equipa esteve na Bósnia mais dias, tenham existido elementos de outras equipas a ir para lá dada a importância daquela prova. Mas será que se justifica? Eu não tenho resposta. É um número que me surpreende.

- O número de profissionais na Benfica SAD não pára de crescer. Neste momento são 150. Há quatro anos eram 119. Isto não é necessariamente errado. Mas eu pessoalmente prefiro que o Benfica contrate poucas pessoas muito competentes e mais caras em vez de muitas pessoas, pouco competentes e mais baratas.

Em resumo...

- A ideia da Direção do Rui Costa é gastar mais em salários, mais em condições, e financiar tudo isso com a venda de jogadores, que por outro lado tem ainda que financiar o reforço do plantel.

- O problema do Benfica é que todo este investimento que faz, de gastar mais em salários, mais em condições para os jogadores, não se materializa em títulos, muito menos numa hegemonia. E isso traz aquele que na verdade é o maior problema do Benfica que são as decisões desportivas. Os reforços e a equipa técnica.

- O problema do Benfica não é financeiro. O Benfica gasta um bocadinho a mais em massa salarial, um bocadinho a mais em FSEs, um bocadinho a mais em juros, um bocadinho a mais no reforço do plantel. Estes bocadinhos todos juntos, fazem um bocado demasiado grande. Mas é corrigível porque o Benfica tem receitas em máximos históricos e não há sinal que isso vá mudar em breve - por exemplo: há uma lista de espera de 17 mil pessoas para RedPasses. É uma questão de fechar a torneira num verão e o problema financeiro está corrigido.

- O problema do Benfica são as más decisões e os maus investimentos. Desde dos Juraseks, aos RDTs e aos Rogers Schmidts - que eu também adorei a notícia quando renovou, mas que quem falava com ele todos os dias tinha que ter percebido certas bandeiras vermelhas que já seriam visíveis.

- O Rui Costa arrisca-se a ficar na história do Benfica como o Presidente que mais gastou e mais falhou. É o Presidente do Benfica que mais dinheiro pôs no Futebol e a única coisa que temos aprendido é que ter mais dinheiro não significa ter melhores resultados se os investimentos são mal feitos.

- Neste momento o Benfica parece já num rumo de correção desses desequilíbrios financeiros que se abriram. Houve uma baixa significativa na massa salarial do primeiro semestre para o segundo. O mercado de verão também aponta nesse sentido.

- O Benfica perdeu muito capital humano nos últimos meses: Domingos Soares Oliveira, Pedro Marques, metade do departamento de Scouting (que não estava totalmente isento de culpas de muitas das más decisões que foram tomadas). Há rumores que o novo director técnico do Seixal, o Rodrigo Magalhães, também possa estar de saída. É importante substituir estas pessoas bem e com qualidade. Aqui é que o Benfica não pode ter medo de pagar bem. A chegada do Nuno Catarino, deixa-me a acreditar que vamos finalmente substituir o Domingos Soares Oliveira com qualidade. Mas depois há rumores como o Simão Sabrosa - uma das pessoas mais importantes para eu ser benfiquista - para Director do Seixal que tenho dúvidas que faça sentido.

- O Benfica precisa de ter um Departamento de Scouting que seja uma referência internacional e não um Departamento de Scouting que seja uma ferramenta de análise de jogadores sem qualquer poder executivo. E temos que lhes pagar muito bem, para que os melhores queiram vir para cá e fiquem cá. Somos o clube com maior net-transfers no mundo, mas perdemos staff do Scouting para o Spartak Moscovo em pleno período onde a economia russa está um desastre.

Transferências:
- O Pavlidis custou 18M+2M em variáveis. O AZ ficou com 10% de uma mais-valia.
- O Jurasek foi emprestado ao Hoffenheim que ficou com a opção de o contratar por 10M+1M.
- O Niklas Beste custou 8M+2M e o Heidenheim ficou com direito a receber 15% das mais-valias de uma transferência.
- O João Neves foi vendido por 59,9M+10M.
- O David Neres foi vendido por 28M+2M.
-  O Benfica tem uma opção de compra pelo Renato Sanches de 10 milhões.
- O Casper Tengstedt foi emprestado ao Hellas Verona que tem uma opção de compra por 7M e onde o Benfica ficaria com 30% de uma futura venda.
- O Morato foi vendido por 11M+6M
- O Kokçu vai custar ao Benfica 29.7 milhões se incluirmos os valores variáveis dependentes das métricas acordadas entre Benfica e Feyenoord
- O Gonçalo Ramos gerou uma mais-valia de 58.7 milhões
- O Musa foi vendido por 9M+3M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões (só amortizou ano e meio). A nível de liquidez terá gerado algo nos 7.5-8M. O Benfica ficou com 10% de uma futura mais-valia.
- O Lucas Veríssimo foi vendido por 8M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões. Também só amortizou dois anos e meio. A nível de liquidez terá gerado algo nos 7 milhões.
- O Liverpool pagou mais 5 milhões de uma componente variável do Darwin e gerou uma mais-valia de 3.5 milhões.
- O Benfica não divulgou os detalhes do negócio do João Victor, nem do Chiquinho.

Mais-valias futuras:
- o Santos tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Marcos Leonardo
- o Slavia Praga tem direito a 10% de uma futura transferência do Jurasek
- o Shakhtar tem direito a 40% de uma mais-valia sobre o Trubin
- o Vélez tem direito a 15% de uma futura transferência do Prestianni
- o Estudiantes tem direito a 10% de uma futura transferência do Rollheiser
- o AZ tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Pavlidis
- o Heidenheim tem direito a 15% de uma mais-valia sobre o Beste

Notas Pequenas:
- A Prime vai patrocinar o Benfica até 2027
- A Norauto fez um upgrade na renovação de contrato com o Benfica até 2028
- A HP vai patrocinar o futebol de formação até 2025
- O Benfica está com regularidade em feiras de negócio e turismo para angariar eventos de valor acrescentado para o Estádio, como os concertos da Taylor Swift. A Benfica SAD facturou 4.8 milhões em alugueres de espaços neste ano.
- Bateu-se o recorde de visitas ao Estádio e ao Museu, e a SAD facturou um total de 1.9 milhões. Ao todo 216 703 pessoas visitaram o Estádio e o Museu.
- Os lugares Corporate representam 42,1% das receitas de bilhética mas apenas ocupam 5% dos lugares do Estádio
- Há 320 lugares Corporate novos com a criação de um serviço de catering realizado no Museu Benfica
- O Luís Mendes deixou oficialmente a SAD do Benfica a 31 de Julho de 2024
- O Joshua Wynder assinou um contrato de 5 anos quando veio para o Benfica.


Onde é que posso votar em ti?

eu sei que é uma brincadeira mas isto também é importante dizer: malta como eu há aos pontapés. o Presidente do Benfica não precisa de perceber de finanças. só precisa mesmo de saber liderar e ser um exemplo de Benfiquismo. o resto há malta de finanças, direito, futebol, marketing aos pontapés para fazer.

maleitao

Vale e Azevedo é expulso por roubar 15M ao Benfica, quantos milhões precisam de ser desviados, quanta alma Benfiquista precisa de ser morta, para expulsarmos estes trastes?

steixeira

Citação de: DB4700 em 09 de Setembro de 2024, 16:17O Benfica apresentou o Relatório e Contas de 2023-24. Como o R & C Semestral já tinha indicado, sem uma grande venda até Julho seria um prejuízo avultado, e assim foi: 31.4 milhões de prejuízo. Aqui fica a minha leitura sobre o exercício.

- Foi o segundo ano com maiores receitas operacionais de sempre da SAD do Benfica. Ao todo 179 milhões. Mais 10 milhões que em 21/22 e menos 16.8 milhões que em 22/23. Foi o ano com mais receitas comerciais de sempre, com mais receitas de bilhética de sempre. A diferença foi a prestação na Champions League que foi muito abaixo dos últimos dois anos e trouxemos menos 25 milhões comparativamente ao último ano.

- Como é que se bate recordes nas receitas e temos prejuízos desta magnitude? Gasta-se também valores recordes. O Benfica gastou 86 milhões em FSEs, 110 milhões em Gastos com Pessoal (o que até foi uma diminuição em relação a 22/23) e no total gastámos 207 milhões na nossa operação, apesar das nossas receitas operacionais serem apenas 179 milhões.

- Durante a temporada, houve alguns meses com problemas de liquidez (mais sobre isso daqui a nada), naturais do desequilíbrio entre receitas e custos. Isso obrigou o Benfica a contrair três novos empréstimos bancários de curta duração no valor total de 37.2 milhões, além do empréstimo obrigacionista que faz todos os anos. Num período em que os juros estão muito altos, isto levou a um gasto com juros na ordem dos 21.8 milhões, enquanto as receitas com juros andaram apenas nos 2.3 milhões. Ou seja, mais um desequilíbrio na ordem dos 19.5 milhões.

- Anualmente a operação do Benfica tem um desequilíbrio de 56.5 milhões que depois precisa de financiar com vendas de jogadores ou com a acumulação de mais dívida. Sendo que a venda de jogadores tem ainda que financiar o ataque ao mercado.

- Há ainda mais um factor que agudiza os valores do prejuízo mas que não é um custo real que são as amortizações dos passes dos jogadores. Quando o Benfica contrata um jogador por 20 milhões de euros, por exemplo, esse jogador não entra no apuramento do lucro como uma despesa de 20 milhões. Imaginemos que o Benfica lhe dá um contrato de 5 anos, esse jogador vai amortizar 4 milhões por ano. Fruto do forte investimento que a SAD tem feito desde 2020 no mercado, as amortizações de passes também estão em valores altos. Ao todo foram 44.9 milhões de amortizações. Estes 44.9 milhões não são um custo real. Mas entram no apuramento do lucro e neste caso são até maiores do que o prejuízo que o Benfica teve. Sem amortizações o Benfica até teria dado lucro. Os valores "gastos" com amortizações só vão começar a baixar se mais jogadores vierem da formação ou se mais jogadores que contratamos começarem a ficar no clube mais do 2-3-4 anos.

- Mas apesar das amortizações não serem um custo, elas são o resultado de movimentos que podem apertar a liquidez do Benfica. Quando o Benfica contrata ou vende um jogador, não recebe ou paga o dinheiro todo no dia da venda ou compra. Ficam acordados valores e datas de pagamento. E também aí podem surgir desequilíbrios que apertam ou aliviam a liquidez do Benfica. E foi o caso do ano passado. O Benfica tinha 117.5 milhões a receber de clientes, sobretudo clubes a quem vendeu jogadores e tinha 176.9 a pagar a fornecedores. Sendo que parte do desfasamento era a longo-prazo (mais de um ano) e havia quase 33 milhões de desfasamento que eram a curto-prazo (dentro da época 23/24). Isso terá agudizado a situação da liquidez do Benfica, e terá obrigado a SAD a fazer os tais empréstimos bancários. Estes valores não se devem só a clubes a quem vendemos ou compramos jogadores, mas a todos os clientes e fornecedores da SAD. No entanto a grande fatia destes valores (90%) são clubes de futebol.

- Este ano, a SAD tem a receber 115.5 milhões (entretanto vendeu o Neves, Neres e Marcos Leonardo) e tem a pagar 177.2 milhões (entretanto também comprou muita gente). Há um desfasamento de curto-prazo de 49.5 milhões, ou seja, ainda maior do que no ano passado. Esta é uma outra dimensão do cubo de Rubik que são as finanças de um grande clube. Aqui é mais relevante os valores líquidos que se recebe do que as mais-valias (que é aquilo que importa para o resultado líquido). As vendas do Neres e do Marcos Leonardo não deram grandes mais-valias para o resultado líquido da SAD mas vão ajudar bastante a tapar este desfasamento que se abriu com o reforço do plantel nos últimos anos.

Voltemos aos custos operacionais com maior detalhe.

- Os gastos com pessoal diminuíram 4 milhões de 22/23 para 23/24. Esta diminuição deve-se no entanto à componente variável, fruto do título que conquistámos em 22/23 mas não em 23/24. Em 22/23 pagámos 16.6 milhões em prémios variáveis (um pouco mais alto do que o habitual num ano de título porque também houve o prémio de entrada na Champions League). Em 23/24 foram cerca de 8 milhões. Só daqui foi uma "poupança" de 8 milhões.

- As remunerações fixas subiram 5 milhões. Há no entanto duas boas notícias aqui. A primeira é que no primeiro semestre o Benfica tinha gasto 45 milhões em remunerações fixas e no segundo semestre gastou 37 milhões. Há sempre uma diminuição do primeiro semestre para o segundo, mas a deste ano foi muito mais acentuada, o que sugere que o Benfica fez uma poupança significativa com as saídas que teve no mercado de janeiro. Não esquecer que além do Musa, do Lucas Veríssimo, do João Victor, também saíram o Gonçalo Guedes e o Gabriel Pires. A segunda boa notícia é que as saídas do Rafa, João Mário e David Neres, entre outros, mesmo com as entradas todas que houve, também devem gerar mais uma poupança significativa. Este é o percurso que o Benfica tinha mesmo que fazer.

- os FSEs são elevadíssimos, mas também é preciso desconstruí-los para falarmos das partes que são realmente alarmantes.

- dos 86.5 milhões do Benfica, existem 8 milhões que vão para a BTV e 6.8 milhões que vão para o clube e que no fundo, feitas todas as somas e subtrações, servem como um apoio às modalidades.

- também é relevante mencionar que a NOS pagou ao Benfica 50.4 milhões, um valor acima daquele que foi reportado aquando da assinatura do contrato de 10 anos pelas transmissões televisivas e que a diferença deverá servir para pagar esses 8 milhões que o Benfica gasta na BTV. O grosso desse dinheiro é utilizado para produzir e transmitir os jogos da equipa principal na BTV, o que permite à NOS encaixar todos os anos dezenas de milhões em subscrições por o canal ser fechado e pago.

- ou seja, dos 86.5 milhões, há 71.7 milhões que devem ser mais esmiuçados. E há duas rubricas em especial que saltam à vista.

- a primeira é a gestão operacional do Estádio. O Benfica gastou 29 milhões na gestão operacional do Estádio, e todos os custos estão noutra empresa, a Benfica Estádio, da qual os sócios têm poucas informações. Mas tendo em conta que a bilhética dos estádio e as rendas do estádio geraram cerca de 40 milhões, quase que dá vontade de jogar à porta fechada todas as semanas. É muito dinheiro e muito dinheiro que pouco se sabe o que é que lhe acontece. As poucas notícias que há, não são nada formosas. Em Março de 2023, o Correio da Manhã noticiou que o Miguel Moreira, antigo número 2 das Finanças do Benfica terá utilizado o dinheiro que recebeu da saída do Benfica para comprar a ATM, empresa com quem o próprio Miguel Moreira, enquanto representante do Benfica, tinha fechado o negócio para a gestão operacional do Estádio uns meses antes. É verdade que é o Correio da Manhã, mas isto não cheira nada bem, como é óbvio.

- a segunda é a Vigilância e Segurança, onde o Benfica gasta 3.5 milhões que é mais 4x o que o Sporting gasta. A diferença da dimensão dos clubes não justifica uma diferença de custos tão grande.

- Há outras coisas estranhas nos gastos. Naturalmente que o Benfica tem que contratar os melhores profissionais possíveis para as suas equipas. No entanto, a certa altura parece que há mais profissionais à volta das equipas do que atletas. Por exemplo, ainda agora a equipa feminina foi jogar à Bósnia a Ronda 1 da Qualificação na UWCL e ficou lá quatro-cinco dias para fazer dois jogos. Estavam na Bósnia 16 elementos da equipa técnica para 20 jogadoras. Assumo que como a equipa esteve na Bósnia mais dias, tenham existido elementos de outras equipas a ir para lá dada a importância daquela prova. Mas será que se justifica? Eu não tenho resposta. É um número que me surpreende.

- O número de profissionais na Benfica SAD não pára de crescer. Neste momento são 150. Há quatro anos eram 119. Isto não é necessariamente errado. Mas eu pessoalmente prefiro que o Benfica contrate poucas pessoas muito competentes e mais caras em vez de muitas pessoas, pouco competentes e mais baratas.

Em resumo...

- A ideia da Direção do Rui Costa é gastar mais em salários, mais em condições, e financiar tudo isso com a venda de jogadores, que por outro lado tem ainda que financiar o reforço do plantel.

- O problema do Benfica é que todo este investimento que faz, de gastar mais em salários, mais em condições para os jogadores, não se materializa em títulos, muito menos numa hegemonia. E isso traz aquele que na verdade é o maior problema do Benfica que são as decisões desportivas. Os reforços e a equipa técnica.

- O problema do Benfica não é financeiro. O Benfica gasta um bocadinho a mais em massa salarial, um bocadinho a mais em FSEs, um bocadinho a mais em juros, um bocadinho a mais no reforço do plantel. Estes bocadinhos todos juntos, fazem um bocado demasiado grande. Mas é corrigível porque o Benfica tem receitas em máximos históricos e não há sinal que isso vá mudar em breve - por exemplo: há uma lista de espera de 17 mil pessoas para RedPasses. É uma questão de fechar a torneira num verão e o problema financeiro está corrigido.

- O problema do Benfica são as más decisões e os maus investimentos. Desde dos Juraseks, aos RDTs e aos Rogers Schmidts - que eu também adorei a notícia quando renovou, mas que quem falava com ele todos os dias tinha que ter percebido certas bandeiras vermelhas que já seriam visíveis.

- O Rui Costa arrisca-se a ficar na história do Benfica como o Presidente que mais gastou e mais falhou. É o Presidente do Benfica que mais dinheiro pôs no Futebol e a única coisa que temos aprendido é que ter mais dinheiro não significa ter melhores resultados se os investimentos são mal feitos.

- Neste momento o Benfica parece já num rumo de correção desses desequilíbrios financeiros que se abriram. Houve uma baixa significativa na massa salarial do primeiro semestre para o segundo. O mercado de verão também aponta nesse sentido.

- O Benfica perdeu muito capital humano nos últimos meses: Domingos Soares Oliveira, Pedro Marques, metade do departamento de Scouting (que não estava totalmente isento de culpas de muitas das más decisões que foram tomadas). Há rumores que o novo director técnico do Seixal, o Rodrigo Magalhães, também possa estar de saída. É importante substituir estas pessoas bem e com qualidade. Aqui é que o Benfica não pode ter medo de pagar bem. A chegada do Nuno Catarino, deixa-me a acreditar que vamos finalmente substituir o Domingos Soares Oliveira com qualidade. Mas depois há rumores como o Simão Sabrosa - uma das pessoas mais importantes para eu ser benfiquista - para Director do Seixal que tenho dúvidas que faça sentido.

- O Benfica precisa de ter um Departamento de Scouting que seja uma referência internacional e não um Departamento de Scouting que seja uma ferramenta de análise de jogadores sem qualquer poder executivo. E temos que lhes pagar muito bem, para que os melhores queiram vir para cá e fiquem cá. Somos o clube com maior net-transfers no mundo, mas perdemos staff do Scouting para o Spartak Moscovo em pleno período onde a economia russa está um desastre.

Transferências:
- O Pavlidis custou 18M+2M em variáveis. O AZ ficou com 10% de uma mais-valia.
- O Jurasek foi emprestado ao Hoffenheim que ficou com a opção de o contratar por 10M+1M.
- O Niklas Beste custou 8M+2M e o Heidenheim ficou com direito a receber 15% das mais-valias de uma transferência.
- O João Neves foi vendido por 59,9M+10M.
- O David Neres foi vendido por 28M+2M.
-  O Benfica tem uma opção de compra pelo Renato Sanches de 10 milhões.
- O Casper Tengstedt foi emprestado ao Hellas Verona que tem uma opção de compra por 7M e onde o Benfica ficaria com 30% de uma futura venda.
- O Morato foi vendido por 11M+6M
- O Kokçu vai custar ao Benfica 29.7 milhões se incluirmos os valores variáveis dependentes das métricas acordadas entre Benfica e Feyenoord
- O Gonçalo Ramos gerou uma mais-valia de 58.7 milhões
- O Musa foi vendido por 9M+3M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões (só amortizou ano e meio). A nível de liquidez terá gerado algo nos 7.5-8M. O Benfica ficou com 10% de uma futura mais-valia.
- O Lucas Veríssimo foi vendido por 8M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões. Também só amortizou dois anos e meio. A nível de liquidez terá gerado algo nos 7 milhões.
- O Liverpool pagou mais 5 milhões de uma componente variável do Darwin e gerou uma mais-valia de 3.5 milhões.
- O Benfica não divulgou os detalhes do negócio do João Victor, nem do Chiquinho.

Mais-valias futuras:
- o Santos tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Marcos Leonardo
- o Slavia Praga tem direito a 10% de uma futura transferência do Jurasek
- o Shakhtar tem direito a 40% de uma mais-valia sobre o Trubin
- o Vélez tem direito a 15% de uma futura transferência do Prestianni
- o Estudiantes tem direito a 10% de uma futura transferência do Rollheiser
- o AZ tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Pavlidis
- o Heidenheim tem direito a 15% de uma mais-valia sobre o Beste

Notas Pequenas:
- A Prime vai patrocinar o Benfica até 2027
- A Norauto fez um upgrade na renovação de contrato com o Benfica até 2028
- A HP vai patrocinar o futebol de formação até 2025
- O Benfica está com regularidade em feiras de negócio e turismo para angariar eventos de valor acrescentado para o Estádio, como os concertos da Taylor Swift. A Benfica SAD facturou 4.8 milhões em alugueres de espaços neste ano.
- Bateu-se o recorde de visitas ao Estádio e ao Museu, e a SAD facturou um total de 1.9 milhões. Ao todo 216 703 pessoas visitaram o Estádio e o Museu.
- Os lugares Corporate representam 42,1% das receitas de bilhética mas apenas ocupam 5% dos lugares do Estádio
- Há 320 lugares Corporate novos com a criação de um serviço de catering realizado no Museu Benfica
- O Luís Mendes deixou oficialmente a SAD do Benfica a 31 de Julho de 2024
- O Joshua Wynder assinou um contrato de 5 anos quando veio para o Benfica.

Sabes muito mais que o presimente. Trabalho muito bom e esclarecido. Parabéns.

rempg

Está um R&C upa upa... sim senhor...

Hungry Alien

Citação de: DB4700 em 09 de Setembro de 2024, 16:17O Benfica apresentou o Relatório e Contas de 2023-24. Como o R & C Semestral já tinha indicado, sem uma grande venda até Julho seria um prejuízo avultado, e assim foi: 31.4 milhões de prejuízo. Aqui fica a minha leitura sobre o exercício.

- Foi o segundo ano com maiores receitas operacionais de sempre da SAD do Benfica. Ao todo 179 milhões. Mais 10 milhões que em 21/22 e menos 16.8 milhões que em 22/23. Foi o ano com mais receitas comerciais de sempre, com mais receitas de bilhética de sempre. A diferença foi a prestação na Champions League que foi muito abaixo dos últimos dois anos e trouxemos menos 25 milhões comparativamente ao último ano.

- Como é que se bate recordes nas receitas e temos prejuízos desta magnitude? Gasta-se também valores recordes. O Benfica gastou 86 milhões em FSEs, 110 milhões em Gastos com Pessoal (o que até foi uma diminuição em relação a 22/23) e no total gastámos 207 milhões na nossa operação, apesar das nossas receitas operacionais serem apenas 179 milhões.

- Durante a temporada, houve alguns meses com problemas de liquidez (mais sobre isso daqui a nada), naturais do desequilíbrio entre receitas e custos. Isso obrigou o Benfica a contrair três novos empréstimos bancários de curta duração no valor total de 37.2 milhões, além do empréstimo obrigacionista que faz todos os anos. Num período em que os juros estão muito altos, isto levou a um gasto com juros na ordem dos 21.8 milhões, enquanto as receitas com juros andaram apenas nos 2.3 milhões. Ou seja, mais um desequilíbrio na ordem dos 19.5 milhões.

- Anualmente a operação do Benfica tem um desequilíbrio de 56.5 milhões que depois precisa de financiar com vendas de jogadores ou com a acumulação de mais dívida. Sendo que a venda de jogadores tem ainda que financiar o ataque ao mercado.

- Há ainda mais um factor que agudiza os valores do prejuízo mas que não é um custo real que são as amortizações dos passes dos jogadores. Quando o Benfica contrata um jogador por 20 milhões de euros, por exemplo, esse jogador não entra no apuramento do lucro como uma despesa de 20 milhões. Imaginemos que o Benfica lhe dá um contrato de 5 anos, esse jogador vai amortizar 4 milhões por ano. Fruto do forte investimento que a SAD tem feito desde 2020 no mercado, as amortizações de passes também estão em valores altos. Ao todo foram 44.9 milhões de amortizações. Estes 44.9 milhões não são um custo real. Mas entram no apuramento do lucro e neste caso são até maiores do que o prejuízo que o Benfica teve. Sem amortizações o Benfica até teria dado lucro. Os valores "gastos" com amortizações só vão começar a baixar se mais jogadores vierem da formação ou se mais jogadores que contratamos começarem a ficar no clube mais do 2-3-4 anos.

- Mas apesar das amortizações não serem um custo, elas são o resultado de movimentos que podem apertar a liquidez do Benfica. Quando o Benfica contrata ou vende um jogador, não recebe ou paga o dinheiro todo no dia da venda ou compra. Ficam acordados valores e datas de pagamento. E também aí podem surgir desequilíbrios que apertam ou aliviam a liquidez do Benfica. E foi o caso do ano passado. O Benfica tinha 117.5 milhões a receber de clientes, sobretudo clubes a quem vendeu jogadores e tinha 176.9 a pagar a fornecedores. Sendo que parte do desfasamento era a longo-prazo (mais de um ano) e havia quase 33 milhões de desfasamento que eram a curto-prazo (dentro da época 23/24). Isso terá agudizado a situação da liquidez do Benfica, e terá obrigado a SAD a fazer os tais empréstimos bancários. Estes valores não se devem só a clubes a quem vendemos ou compramos jogadores, mas a todos os clientes e fornecedores da SAD. No entanto a grande fatia destes valores (90%) são clubes de futebol.

- Este ano, a SAD tem a receber 115.5 milhões (entretanto vendeu o Neves, Neres e Marcos Leonardo) e tem a pagar 177.2 milhões (entretanto também comprou muita gente). Há um desfasamento de curto-prazo de 49.5 milhões, ou seja, ainda maior do que no ano passado. Esta é uma outra dimensão do cubo de Rubik que são as finanças de um grande clube. Aqui é mais relevante os valores líquidos que se recebe do que as mais-valias (que é aquilo que importa para o resultado líquido). As vendas do Neres e do Marcos Leonardo não deram grandes mais-valias para o resultado líquido da SAD mas vão ajudar bastante a tapar este desfasamento que se abriu com o reforço do plantel nos últimos anos.

Voltemos aos custos operacionais com maior detalhe.

- Os gastos com pessoal diminuíram 4 milhões de 22/23 para 23/24. Esta diminuição deve-se no entanto à componente variável, fruto do título que conquistámos em 22/23 mas não em 23/24. Em 22/23 pagámos 16.6 milhões em prémios variáveis (um pouco mais alto do que o habitual num ano de título porque também houve o prémio de entrada na Champions League). Em 23/24 foram cerca de 8 milhões. Só daqui foi uma "poupança" de 8 milhões.

- As remunerações fixas subiram 5 milhões. Há no entanto duas boas notícias aqui. A primeira é que no primeiro semestre o Benfica tinha gasto 45 milhões em remunerações fixas e no segundo semestre gastou 37 milhões. Há sempre uma diminuição do primeiro semestre para o segundo, mas a deste ano foi muito mais acentuada, o que sugere que o Benfica fez uma poupança significativa com as saídas que teve no mercado de janeiro. Não esquecer que além do Musa, do Lucas Veríssimo, do João Victor, também saíram o Gonçalo Guedes e o Gabriel Pires. A segunda boa notícia é que as saídas do Rafa, João Mário e David Neres, entre outros, mesmo com as entradas todas que houve, também devem gerar mais uma poupança significativa. Este é o percurso que o Benfica tinha mesmo que fazer.

- os FSEs são elevadíssimos, mas também é preciso desconstruí-los para falarmos das partes que são realmente alarmantes.

- dos 86.5 milhões do Benfica, existem 8 milhões que vão para a BTV e 6.8 milhões que vão para o clube e que no fundo, feitas todas as somas e subtrações, servem como um apoio às modalidades.

- também é relevante mencionar que a NOS pagou ao Benfica 50.4 milhões, um valor acima daquele que foi reportado aquando da assinatura do contrato de 10 anos pelas transmissões televisivas e que a diferença deverá servir para pagar esses 8 milhões que o Benfica gasta na BTV. O grosso desse dinheiro é utilizado para produzir e transmitir os jogos da equipa principal na BTV, o que permite à NOS encaixar todos os anos dezenas de milhões em subscrições por o canal ser fechado e pago.

- ou seja, dos 86.5 milhões, há 71.7 milhões que devem ser mais esmiuçados. E há duas rubricas em especial que saltam à vista.

- a primeira é a gestão operacional do Estádio. O Benfica gastou 29 milhões na gestão operacional do Estádio, e todos os custos estão noutra empresa, a Benfica Estádio, da qual os sócios têm poucas informações. Mas tendo em conta que a bilhética dos estádio e as rendas do estádio geraram cerca de 40 milhões, quase que dá vontade de jogar à porta fechada todas as semanas. É muito dinheiro e muito dinheiro que pouco se sabe o que é que lhe acontece. As poucas notícias que há, não são nada formosas. Em Março de 2023, o Correio da Manhã noticiou que o Miguel Moreira, antigo número 2 das Finanças do Benfica terá utilizado o dinheiro que recebeu da saída do Benfica para comprar a ATM, empresa com quem o próprio Miguel Moreira, enquanto representante do Benfica, tinha fechado o negócio para a gestão operacional do Estádio uns meses antes. É verdade que é o Correio da Manhã, mas isto não cheira nada bem, como é óbvio.

- a segunda é a Vigilância e Segurança, onde o Benfica gasta 3.5 milhões que é mais 4x o que o Sporting gasta. A diferença da dimensão dos clubes não justifica uma diferença de custos tão grande.

- Há outras coisas estranhas nos gastos. Naturalmente que o Benfica tem que contratar os melhores profissionais possíveis para as suas equipas. No entanto, a certa altura parece que há mais profissionais à volta das equipas do que atletas. Por exemplo, ainda agora a equipa feminina foi jogar à Bósnia a Ronda 1 da Qualificação na UWCL e ficou lá quatro-cinco dias para fazer dois jogos. Estavam na Bósnia 16 elementos da equipa técnica para 20 jogadoras. Assumo que como a equipa esteve na Bósnia mais dias, tenham existido elementos de outras equipas a ir para lá dada a importância daquela prova. Mas será que se justifica? Eu não tenho resposta. É um número que me surpreende.

- O número de profissionais na Benfica SAD não pára de crescer. Neste momento são 150. Há quatro anos eram 119. Isto não é necessariamente errado. Mas eu pessoalmente prefiro que o Benfica contrate poucas pessoas muito competentes e mais caras em vez de muitas pessoas, pouco competentes e mais baratas.

Em resumo...

- A ideia da Direção do Rui Costa é gastar mais em salários, mais em condições, e financiar tudo isso com a venda de jogadores, que por outro lado tem ainda que financiar o reforço do plantel.

- O problema do Benfica é que todo este investimento que faz, de gastar mais em salários, mais em condições para os jogadores, não se materializa em títulos, muito menos numa hegemonia. E isso traz aquele que na verdade é o maior problema do Benfica que são as decisões desportivas. Os reforços e a equipa técnica.

- O problema do Benfica não é financeiro. O Benfica gasta um bocadinho a mais em massa salarial, um bocadinho a mais em FSEs, um bocadinho a mais em juros, um bocadinho a mais no reforço do plantel. Estes bocadinhos todos juntos, fazem um bocado demasiado grande. Mas é corrigível porque o Benfica tem receitas em máximos históricos e não há sinal que isso vá mudar em breve - por exemplo: há uma lista de espera de 17 mil pessoas para RedPasses. É uma questão de fechar a torneira num verão e o problema financeiro está corrigido.

- O problema do Benfica são as más decisões e os maus investimentos. Desde dos Juraseks, aos RDTs e aos Rogers Schmidts - que eu também adorei a notícia quando renovou, mas que quem falava com ele todos os dias tinha que ter percebido certas bandeiras vermelhas que já seriam visíveis.

- O Rui Costa arrisca-se a ficar na história do Benfica como o Presidente que mais gastou e mais falhou. É o Presidente do Benfica que mais dinheiro pôs no Futebol e a única coisa que temos aprendido é que ter mais dinheiro não significa ter melhores resultados se os investimentos são mal feitos.

- Neste momento o Benfica parece já num rumo de correção desses desequilíbrios financeiros que se abriram. Houve uma baixa significativa na massa salarial do primeiro semestre para o segundo. O mercado de verão também aponta nesse sentido.

- O Benfica perdeu muito capital humano nos últimos meses: Domingos Soares Oliveira, Pedro Marques, metade do departamento de Scouting (que não estava totalmente isento de culpas de muitas das más decisões que foram tomadas). Há rumores que o novo director técnico do Seixal, o Rodrigo Magalhães, também possa estar de saída. É importante substituir estas pessoas bem e com qualidade. Aqui é que o Benfica não pode ter medo de pagar bem. A chegada do Nuno Catarino, deixa-me a acreditar que vamos finalmente substituir o Domingos Soares Oliveira com qualidade. Mas depois há rumores como o Simão Sabrosa - uma das pessoas mais importantes para eu ser benfiquista - para Director do Seixal que tenho dúvidas que faça sentido.

- O Benfica precisa de ter um Departamento de Scouting que seja uma referência internacional e não um Departamento de Scouting que seja uma ferramenta de análise de jogadores sem qualquer poder executivo. E temos que lhes pagar muito bem, para que os melhores queiram vir para cá e fiquem cá. Somos o clube com maior net-transfers no mundo, mas perdemos staff do Scouting para o Spartak Moscovo em pleno período onde a economia russa está um desastre.

Transferências:
- O Pavlidis custou 18M+2M em variáveis. O AZ ficou com 10% de uma mais-valia.
- O Jurasek foi emprestado ao Hoffenheim que ficou com a opção de o contratar por 10M+1M.
- O Niklas Beste custou 8M+2M e o Heidenheim ficou com direito a receber 15% das mais-valias de uma transferência.
- O João Neves foi vendido por 59,9M+10M.
- O David Neres foi vendido por 28M+2M.
-  O Benfica tem uma opção de compra pelo Renato Sanches de 10 milhões.
- O Casper Tengstedt foi emprestado ao Hellas Verona que tem uma opção de compra por 7M e onde o Benfica ficaria com 30% de uma futura venda.
- O Morato foi vendido por 11M+6M
- O Kokçu vai custar ao Benfica 29.7 milhões se incluirmos os valores variáveis dependentes das métricas acordadas entre Benfica e Feyenoord
- O Gonçalo Ramos gerou uma mais-valia de 58.7 milhões
- O Musa foi vendido por 9M+3M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões (só amortizou ano e meio). A nível de liquidez terá gerado algo nos 7.5-8M. O Benfica ficou com 10% de uma futura mais-valia.
- O Lucas Veríssimo foi vendido por 8M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões. Também só amortizou dois anos e meio. A nível de liquidez terá gerado algo nos 7 milhões.
- O Liverpool pagou mais 5 milhões de uma componente variável do Darwin e gerou uma mais-valia de 3.5 milhões.
- O Benfica não divulgou os detalhes do negócio do João Victor, nem do Chiquinho.

Mais-valias futuras:
- o Santos tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Marcos Leonardo
- o Slavia Praga tem direito a 10% de uma futura transferência do Jurasek
- o Shakhtar tem direito a 40% de uma mais-valia sobre o Trubin
- o Vélez tem direito a 15% de uma futura transferência do Prestianni
- o Estudiantes tem direito a 10% de uma futura transferência do Rollheiser
- o AZ tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Pavlidis
- o Heidenheim tem direito a 15% de uma mais-valia sobre o Beste

Notas Pequenas:
- A Prime vai patrocinar o Benfica até 2027
- A Norauto fez um upgrade na renovação de contrato com o Benfica até 2028
- A HP vai patrocinar o futebol de formação até 2025
- O Benfica está com regularidade em feiras de negócio e turismo para angariar eventos de valor acrescentado para o Estádio, como os concertos da Taylor Swift. A Benfica SAD facturou 4.8 milhões em alugueres de espaços neste ano.
- Bateu-se o recorde de visitas ao Estádio e ao Museu, e a SAD facturou um total de 1.9 milhões. Ao todo 216 703 pessoas visitaram o Estádio e o Museu.
- Os lugares Corporate representam 42,1% das receitas de bilhética mas apenas ocupam 5% dos lugares do Estádio
- Há 320 lugares Corporate novos com a criação de um serviço de catering realizado no Museu Benfica
- O Luís Mendes deixou oficialmente a SAD do Benfica a 31 de Julho de 2024
- O Joshua Wynder assinou um contrato de 5 anos quando veio para o Benfica.


De uma vez por todas, dizer que as amortizações não são um custo real é pura desonestidade intelectual!

Pensem no caso dos jogadores que terminam a carreira que ou saem a custo zero.

Se o passe do Rafa não tivesse sido amortizado nas contas do clube de forma faseada, ao longo dos anos, então até à última época o seu passe teria ainda um valor contabilístico igual ao valor da compra, de cerca de 16 milhões de euros. No fim da última época, quando ele sai a custo zero, o activo da SAD teria que baixar em 16 milhões de euros, de uma só vez, no momento em que o passe deixa de pertencer ao Benfica!

Ou o caso do Otamendi, sem amortizações, o passe do Otamendi ainda teria um valor contabilistico no ativo da SAD de 15 milhões, algo absolutamente irrealista.

E jã reparaste na contradição entre dizer que as amortizações não são um custo real, mas calcular mais valias na venda de passes de jogadores com base no valor contabilistíco amortizado?  :whistle2:  :2funny:


rempg

#88226
Citação de: iKatz em 09 de Setembro de 2024, 23:33
Citação de: Jotenko em 09 de Setembro de 2024, 23:32A minha pergunta é:

Para onde foi o dinheiro?

Não há rasto?


Até o petisco foram literalmente mamar do Benfica.

Aposto que ficou por conta da "casa".

rempg

#88227
Como previsto após analisar-se o R&C o que aconteceu foi isto...


DB4700

Citação de: Hungry Alien em 10 de Setembro de 2024, 02:16
Citação de: DB4700 em 09 de Setembro de 2024, 16:17O Benfica apresentou o Relatório e Contas de 2023-24. Como o R & C Semestral já tinha indicado, sem uma grande venda até Julho seria um prejuízo avultado, e assim foi: 31.4 milhões de prejuízo. Aqui fica a minha leitura sobre o exercício.

- Foi o segundo ano com maiores receitas operacionais de sempre da SAD do Benfica. Ao todo 179 milhões. Mais 10 milhões que em 21/22 e menos 16.8 milhões que em 22/23. Foi o ano com mais receitas comerciais de sempre, com mais receitas de bilhética de sempre. A diferença foi a prestação na Champions League que foi muito abaixo dos últimos dois anos e trouxemos menos 25 milhões comparativamente ao último ano.

- Como é que se bate recordes nas receitas e temos prejuízos desta magnitude? Gasta-se também valores recordes. O Benfica gastou 86 milhões em FSEs, 110 milhões em Gastos com Pessoal (o que até foi uma diminuição em relação a 22/23) e no total gastámos 207 milhões na nossa operação, apesar das nossas receitas operacionais serem apenas 179 milhões.

- Durante a temporada, houve alguns meses com problemas de liquidez (mais sobre isso daqui a nada), naturais do desequilíbrio entre receitas e custos. Isso obrigou o Benfica a contrair três novos empréstimos bancários de curta duração no valor total de 37.2 milhões, além do empréstimo obrigacionista que faz todos os anos. Num período em que os juros estão muito altos, isto levou a um gasto com juros na ordem dos 21.8 milhões, enquanto as receitas com juros andaram apenas nos 2.3 milhões. Ou seja, mais um desequilíbrio na ordem dos 19.5 milhões.

- Anualmente a operação do Benfica tem um desequilíbrio de 56.5 milhões que depois precisa de financiar com vendas de jogadores ou com a acumulação de mais dívida. Sendo que a venda de jogadores tem ainda que financiar o ataque ao mercado.

- Há ainda mais um factor que agudiza os valores do prejuízo mas que não é um custo real que são as amortizações dos passes dos jogadores. Quando o Benfica contrata um jogador por 20 milhões de euros, por exemplo, esse jogador não entra no apuramento do lucro como uma despesa de 20 milhões. Imaginemos que o Benfica lhe dá um contrato de 5 anos, esse jogador vai amortizar 4 milhões por ano. Fruto do forte investimento que a SAD tem feito desde 2020 no mercado, as amortizações de passes também estão em valores altos. Ao todo foram 44.9 milhões de amortizações. Estes 44.9 milhões não são um custo real. Mas entram no apuramento do lucro e neste caso são até maiores do que o prejuízo que o Benfica teve. Sem amortizações o Benfica até teria dado lucro. Os valores "gastos" com amortizações só vão começar a baixar se mais jogadores vierem da formação ou se mais jogadores que contratamos começarem a ficar no clube mais do 2-3-4 anos.

- Mas apesar das amortizações não serem um custo, elas são o resultado de movimentos que podem apertar a liquidez do Benfica. Quando o Benfica contrata ou vende um jogador, não recebe ou paga o dinheiro todo no dia da venda ou compra. Ficam acordados valores e datas de pagamento. E também aí podem surgir desequilíbrios que apertam ou aliviam a liquidez do Benfica. E foi o caso do ano passado. O Benfica tinha 117.5 milhões a receber de clientes, sobretudo clubes a quem vendeu jogadores e tinha 176.9 a pagar a fornecedores. Sendo que parte do desfasamento era a longo-prazo (mais de um ano) e havia quase 33 milhões de desfasamento que eram a curto-prazo (dentro da época 23/24). Isso terá agudizado a situação da liquidez do Benfica, e terá obrigado a SAD a fazer os tais empréstimos bancários. Estes valores não se devem só a clubes a quem vendemos ou compramos jogadores, mas a todos os clientes e fornecedores da SAD. No entanto a grande fatia destes valores (90%) são clubes de futebol.

- Este ano, a SAD tem a receber 115.5 milhões (entretanto vendeu o Neves, Neres e Marcos Leonardo) e tem a pagar 177.2 milhões (entretanto também comprou muita gente). Há um desfasamento de curto-prazo de 49.5 milhões, ou seja, ainda maior do que no ano passado. Esta é uma outra dimensão do cubo de Rubik que são as finanças de um grande clube. Aqui é mais relevante os valores líquidos que se recebe do que as mais-valias (que é aquilo que importa para o resultado líquido). As vendas do Neres e do Marcos Leonardo não deram grandes mais-valias para o resultado líquido da SAD mas vão ajudar bastante a tapar este desfasamento que se abriu com o reforço do plantel nos últimos anos.

Voltemos aos custos operacionais com maior detalhe.

- Os gastos com pessoal diminuíram 4 milhões de 22/23 para 23/24. Esta diminuição deve-se no entanto à componente variável, fruto do título que conquistámos em 22/23 mas não em 23/24. Em 22/23 pagámos 16.6 milhões em prémios variáveis (um pouco mais alto do que o habitual num ano de título porque também houve o prémio de entrada na Champions League). Em 23/24 foram cerca de 8 milhões. Só daqui foi uma "poupança" de 8 milhões.

- As remunerações fixas subiram 5 milhões. Há no entanto duas boas notícias aqui. A primeira é que no primeiro semestre o Benfica tinha gasto 45 milhões em remunerações fixas e no segundo semestre gastou 37 milhões. Há sempre uma diminuição do primeiro semestre para o segundo, mas a deste ano foi muito mais acentuada, o que sugere que o Benfica fez uma poupança significativa com as saídas que teve no mercado de janeiro. Não esquecer que além do Musa, do Lucas Veríssimo, do João Victor, também saíram o Gonçalo Guedes e o Gabriel Pires. A segunda boa notícia é que as saídas do Rafa, João Mário e David Neres, entre outros, mesmo com as entradas todas que houve, também devem gerar mais uma poupança significativa. Este é o percurso que o Benfica tinha mesmo que fazer.

- os FSEs são elevadíssimos, mas também é preciso desconstruí-los para falarmos das partes que são realmente alarmantes.

- dos 86.5 milhões do Benfica, existem 8 milhões que vão para a BTV e 6.8 milhões que vão para o clube e que no fundo, feitas todas as somas e subtrações, servem como um apoio às modalidades.

- também é relevante mencionar que a NOS pagou ao Benfica 50.4 milhões, um valor acima daquele que foi reportado aquando da assinatura do contrato de 10 anos pelas transmissões televisivas e que a diferença deverá servir para pagar esses 8 milhões que o Benfica gasta na BTV. O grosso desse dinheiro é utilizado para produzir e transmitir os jogos da equipa principal na BTV, o que permite à NOS encaixar todos os anos dezenas de milhões em subscrições por o canal ser fechado e pago.

- ou seja, dos 86.5 milhões, há 71.7 milhões que devem ser mais esmiuçados. E há duas rubricas em especial que saltam à vista.

- a primeira é a gestão operacional do Estádio. O Benfica gastou 29 milhões na gestão operacional do Estádio, e todos os custos estão noutra empresa, a Benfica Estádio, da qual os sócios têm poucas informações. Mas tendo em conta que a bilhética dos estádio e as rendas do estádio geraram cerca de 40 milhões, quase que dá vontade de jogar à porta fechada todas as semanas. É muito dinheiro e muito dinheiro que pouco se sabe o que é que lhe acontece. As poucas notícias que há, não são nada formosas. Em Março de 2023, o Correio da Manhã noticiou que o Miguel Moreira, antigo número 2 das Finanças do Benfica terá utilizado o dinheiro que recebeu da saída do Benfica para comprar a ATM, empresa com quem o próprio Miguel Moreira, enquanto representante do Benfica, tinha fechado o negócio para a gestão operacional do Estádio uns meses antes. É verdade que é o Correio da Manhã, mas isto não cheira nada bem, como é óbvio.

- a segunda é a Vigilância e Segurança, onde o Benfica gasta 3.5 milhões que é mais 4x o que o Sporting gasta. A diferença da dimensão dos clubes não justifica uma diferença de custos tão grande.

- Há outras coisas estranhas nos gastos. Naturalmente que o Benfica tem que contratar os melhores profissionais possíveis para as suas equipas. No entanto, a certa altura parece que há mais profissionais à volta das equipas do que atletas. Por exemplo, ainda agora a equipa feminina foi jogar à Bósnia a Ronda 1 da Qualificação na UWCL e ficou lá quatro-cinco dias para fazer dois jogos. Estavam na Bósnia 16 elementos da equipa técnica para 20 jogadoras. Assumo que como a equipa esteve na Bósnia mais dias, tenham existido elementos de outras equipas a ir para lá dada a importância daquela prova. Mas será que se justifica? Eu não tenho resposta. É um número que me surpreende.

- O número de profissionais na Benfica SAD não pára de crescer. Neste momento são 150. Há quatro anos eram 119. Isto não é necessariamente errado. Mas eu pessoalmente prefiro que o Benfica contrate poucas pessoas muito competentes e mais caras em vez de muitas pessoas, pouco competentes e mais baratas.

Em resumo...

- A ideia da Direção do Rui Costa é gastar mais em salários, mais em condições, e financiar tudo isso com a venda de jogadores, que por outro lado tem ainda que financiar o reforço do plantel.

- O problema do Benfica é que todo este investimento que faz, de gastar mais em salários, mais em condições para os jogadores, não se materializa em títulos, muito menos numa hegemonia. E isso traz aquele que na verdade é o maior problema do Benfica que são as decisões desportivas. Os reforços e a equipa técnica.

- O problema do Benfica não é financeiro. O Benfica gasta um bocadinho a mais em massa salarial, um bocadinho a mais em FSEs, um bocadinho a mais em juros, um bocadinho a mais no reforço do plantel. Estes bocadinhos todos juntos, fazem um bocado demasiado grande. Mas é corrigível porque o Benfica tem receitas em máximos históricos e não há sinal que isso vá mudar em breve - por exemplo: há uma lista de espera de 17 mil pessoas para RedPasses. É uma questão de fechar a torneira num verão e o problema financeiro está corrigido.

- O problema do Benfica são as más decisões e os maus investimentos. Desde dos Juraseks, aos RDTs e aos Rogers Schmidts - que eu também adorei a notícia quando renovou, mas que quem falava com ele todos os dias tinha que ter percebido certas bandeiras vermelhas que já seriam visíveis.

- O Rui Costa arrisca-se a ficar na história do Benfica como o Presidente que mais gastou e mais falhou. É o Presidente do Benfica que mais dinheiro pôs no Futebol e a única coisa que temos aprendido é que ter mais dinheiro não significa ter melhores resultados se os investimentos são mal feitos.

- Neste momento o Benfica parece já num rumo de correção desses desequilíbrios financeiros que se abriram. Houve uma baixa significativa na massa salarial do primeiro semestre para o segundo. O mercado de verão também aponta nesse sentido.

- O Benfica perdeu muito capital humano nos últimos meses: Domingos Soares Oliveira, Pedro Marques, metade do departamento de Scouting (que não estava totalmente isento de culpas de muitas das más decisões que foram tomadas). Há rumores que o novo director técnico do Seixal, o Rodrigo Magalhães, também possa estar de saída. É importante substituir estas pessoas bem e com qualidade. Aqui é que o Benfica não pode ter medo de pagar bem. A chegada do Nuno Catarino, deixa-me a acreditar que vamos finalmente substituir o Domingos Soares Oliveira com qualidade. Mas depois há rumores como o Simão Sabrosa - uma das pessoas mais importantes para eu ser benfiquista - para Director do Seixal que tenho dúvidas que faça sentido.

- O Benfica precisa de ter um Departamento de Scouting que seja uma referência internacional e não um Departamento de Scouting que seja uma ferramenta de análise de jogadores sem qualquer poder executivo. E temos que lhes pagar muito bem, para que os melhores queiram vir para cá e fiquem cá. Somos o clube com maior net-transfers no mundo, mas perdemos staff do Scouting para o Spartak Moscovo em pleno período onde a economia russa está um desastre.

Transferências:
- O Pavlidis custou 18M+2M em variáveis. O AZ ficou com 10% de uma mais-valia.
- O Jurasek foi emprestado ao Hoffenheim que ficou com a opção de o contratar por 10M+1M.
- O Niklas Beste custou 8M+2M e o Heidenheim ficou com direito a receber 15% das mais-valias de uma transferência.
- O João Neves foi vendido por 59,9M+10M.
- O David Neres foi vendido por 28M+2M.
-  O Benfica tem uma opção de compra pelo Renato Sanches de 10 milhões.
- O Casper Tengstedt foi emprestado ao Hellas Verona que tem uma opção de compra por 7M e onde o Benfica ficaria com 30% de uma futura venda.
- O Morato foi vendido por 11M+6M
- O Kokçu vai custar ao Benfica 29.7 milhões se incluirmos os valores variáveis dependentes das métricas acordadas entre Benfica e Feyenoord
- O Gonçalo Ramos gerou uma mais-valia de 58.7 milhões
- O Musa foi vendido por 9M+3M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões (só amortizou ano e meio). A nível de liquidez terá gerado algo nos 7.5-8M. O Benfica ficou com 10% de uma futura mais-valia.
- O Lucas Veríssimo foi vendido por 8M e gerou uma mais-valia de 3.9 milhões. Também só amortizou dois anos e meio. A nível de liquidez terá gerado algo nos 7 milhões.
- O Liverpool pagou mais 5 milhões de uma componente variável do Darwin e gerou uma mais-valia de 3.5 milhões.
- O Benfica não divulgou os detalhes do negócio do João Victor, nem do Chiquinho.

Mais-valias futuras:
- o Santos tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Marcos Leonardo
- o Slavia Praga tem direito a 10% de uma futura transferência do Jurasek
- o Shakhtar tem direito a 40% de uma mais-valia sobre o Trubin
- o Vélez tem direito a 15% de uma futura transferência do Prestianni
- o Estudiantes tem direito a 10% de uma futura transferência do Rollheiser
- o AZ tem direito a 10% de uma mais-valia sobre o Pavlidis
- o Heidenheim tem direito a 15% de uma mais-valia sobre o Beste

Notas Pequenas:
- A Prime vai patrocinar o Benfica até 2027
- A Norauto fez um upgrade na renovação de contrato com o Benfica até 2028
- A HP vai patrocinar o futebol de formação até 2025
- O Benfica está com regularidade em feiras de negócio e turismo para angariar eventos de valor acrescentado para o Estádio, como os concertos da Taylor Swift. A Benfica SAD facturou 4.8 milhões em alugueres de espaços neste ano.
- Bateu-se o recorde de visitas ao Estádio e ao Museu, e a SAD facturou um total de 1.9 milhões. Ao todo 216 703 pessoas visitaram o Estádio e o Museu.
- Os lugares Corporate representam 42,1% das receitas de bilhética mas apenas ocupam 5% dos lugares do Estádio
- Há 320 lugares Corporate novos com a criação de um serviço de catering realizado no Museu Benfica
- O Luís Mendes deixou oficialmente a SAD do Benfica a 31 de Julho de 2024
- O Joshua Wynder assinou um contrato de 5 anos quando veio para o Benfica.


De uma vez por todas, dizer que as amortizações não são um custo real é pura desonestidade intelectual!

Pensem no caso dos jogadores que terminam a carreira que ou saem a custo zero.

Se o passe do Rafa não tivesse sido amortizado nas contas do clube de forma faseada, ao longo dos anos, então até à última época o seu passe teria ainda um valor contabilístico igual ao valor da compra, de cerca de 16 milhões de euros. No fim da última época, quando ele sai a custo zero, o activo da SAD teria que baixar em 16 milhões de euros, de uma só vez, no momento em que o passe deixa de pertencer ao Benfica!

Ou o caso do Otamendi, sem amortizações, o passe do Otamendi ainda teria um valor contabilistico no ativo da SAD de 15 milhões, algo absolutamente irrealista.

E jã reparaste na contradição entre dizer que as amortizações não são um custo real, mas calcular mais valias na venda de passes de jogadores com base no valor contabilistíco amortizado?  :whistle2:  :2funny:


ui...

bem, então: o meu ponto quando digo "as amortizações não são um custo real" é porque elas de facto não são um custo real. não há um movimento de 4 milhões cada ano que passa e o Arthur Cabral ainda está cá. numa análise das necessidades de liquidez do Benfica - que era o que eu estava a fazer - não me interessa as amortizações para nada. interessa-me o gap operacional, o gap financeiro (onde também não me viste a mencionar actualizações de dívida) e interessa-me o gap entre clientes e fornecedores corrente. isso dá-me as necessidades de liquidez do Benfica por ano. o que por sua vez me diz quantos jogadores têm que ser vendidos. quantos empréstimos têm que ser feitos. também deves ter reparado que disse que o Neres e o Marcos Leonardo são duas vendas que para o apuramento do lucro têm um impacto relativamente reduzido mas que a nível de liquidez vão dar uma grande ajuda.

corporate finance são três ou quatro tabuleiros de jogos diferentes ao mesmo tempo e o segredo está na procura do equilibrio nestes jogos todos.

as amortizações são úteis numas coisas, inúteis noutra. numa análise de liquidez são inúteis. as amortizações servem o seu propósito. é um mecanismo financeiro que permite às empresas distribuir os seus investimentos por vários anos e dessa maneira poupar nos impostos sobre o lucro que teriam que pagar. são boas referências em algumas indústrias. são referências algo irrelevantes noutras indústrias. no futebol até acho que é as indústrias onde são menos úteis.

naturalmente que tenho que utilizar as amortizações para calcular mais-valias. é outro tabuleiro. para a liquidez não tenho.

cervi

Com a vantagem financeira que o benfica tinha há 5 anos, devia ter uma hegemonia evidente se tivesse uma gestão razoavel.. foi incrivel o que fizeram nos ultimos anos, era dificil fazer pior que isto.