João Vieira Pinto

Avançado, 54 anos,
Portugal
Equipa Principal: 8 épocas (1992-2000), 302 jogos (25669 minutos), 89 golos

Títulos: Campeonato Nacional (1), Taça de Portugal (2)

Pembridge

https://tribuna.expresso.pt/odeio-futebol-moderno/2025-12-03-joao-vieira-pinto-demasiado-humano-5f6bed5a

João Vieira Pinto, demasiado humano

A notícia saiu na semana passada no Público e vale a pena ser lida (até porque não vos quero aborrecer com detalhes). Nela, ficámos a saber que João Vieira Pinto foi constituído assistente na Operação Lex — o processo que tem o juiz Rui Rangel como principal arguido e que investiga a alegada manipulação da distribuição de processos por magistrados —; e que, ali mesmo em tribunal, explicou finalmente e em voz alta o que esteve na origem do caso da fuga ao fisco que o condenou em 2012: o esquema montado por José Veiga (ex-presidente da Casa do Porto do Luxemburgo, então seu agente) e Luís Duque (antigo dirigente do Sporting e da Liga), para evitar o pagamento de impostos na sua transferência do Benfica para Alvalade.

Foram eles que lhe garantiram que a manobra era segura e que todos seriam absolvidos em segunda instância.

E foram.

Todos menos ele.

Para o João Pinto ficou o seguinte borrego: uma condenação com pena suspensa, o pagamento dos tais impostos, a humilhação pública, e um processo que, segundo o próprio, até os filhos irão herdar.

Soube-se agora que o juiz que o condenou recebeu o processo três meses antes do sorteio. É extraordinário; só mesmo um miúdo ingénuo como o João Pinto de então — que "não falava inglês nem francês", que "não conseguia falar com bancos estrangeiros.", que "não [fez] aquilo sozinho" —, entraria, sem se dar conta, na noite escura de uma engrenagem com estas características. Foi assim que percebeu — tarde demais — esta regra inflexível: quando a máquina precisa de um culpado, a máquina arranja-o: quase sempre o mais humano, o mais inocente entre os que estão por perto. Tal como ele tinha sido, naquele tempo em que, sobre as suas costas, carregou um Benfica ligado a soro, nos anos formativos do Vietname encarnado.

Bem sei que há quem não pense assim. Sei bem do estatuto de divergência doutrinal que a figura de João Pinto protagoniza no seio benfiquista. É, aliás, essa tensão entre homem e símbolo, realidade e mito, fragilidade e divino, o coração do que aqui vos trago hoje.

Permitam-me, por isso, que prossiga e passe num instante por Friedrich Nietzsche.

Em Humano, Demasiado Humano, o alemão formula esta ideia: "Na moral o homem não trata a si mesmo como individuum, mas como dividuum" — um ser dividido, fraccionado, repartido pelos desejos, expectativas e projecções alheias. Ora, que melhor exemplo desse dividuum do que João Vieira Pinto, a quem chamavam "o Menino de Ouro"? Foi bode expiatório e foi símbolo, quando era apenas um homem de carne e osso, apanhado no vórtice de uma engrenagem assassina.

Para nós, que nascemos nos anos 80 e testemunhámos todo o esplendor das suas capacidades, a tensão entre mistificação e humanidade, que palpita em qualquer dos deuses do esférico, foi particularmente intensa com João Pinto. Não há metáfora mais perfeita para o compreender do que o penso que usava na cana do nariz e que, num ápice, se tornou obrigatório nos ringues e pátios de toda a escola de Norte a Sul de Portugal. Aquela espécie de auréola invertida parecia concentrar tudo: a fragilidade do rapaz rejeitado pelo Futebol Clube do Porto em criança; a efemeridade do adolescente preterido em Madrid; a vulnerabilidade do homem que nunca se fez ao estrangeiro, preferindo sempre permanecer na segurança daquilo que entendia ser sua casa.

João Pinto tornou-se, assim, numa ambivalência, essa palavra proibida nos dicionários benfiquistas. O adepto encarnado precisa de símbolos para amar sem falhas e odiar sem senãos. João Pinto não permite nenhuma dessas facilidades. É um ferimento.

Mesmo agora, passado um quarto de século da sua ida para o Sporting, continua a dividir famílias. Nunca houve transferência mais absurda. João Pinto com listas verdes era um paradoxo, uma serigrafia do impossível. E basta que dois ou três de nós se reúnam em nome do glorioso, para se alinharem os opostos: para uns, foi todo o Benfica dos anos 90, o ídolo da adolescência, o capitão que segurou o Benfica nos dentes; para outros, foi a ruptura, o herege que saiu da forma errada, para o sítio errado, o símbolo de um clube em curto-circuito existencial. Sabem que mais? Ambos têm razão.

E, apesar de tudo, aquele absurdo fazia sentido. Por muito paradoxal que fosse imaginá-lo de riscas verdes e brancas, não se deu o caso de uma traição. Foi antes uma saturação, ou o exílio do último ser humano num clube de fantasmas. E assim, João Pinto nunca terá abandonado o Benfica, mas a assombração que assumia o seu lugar.

É por isso que a sua figura continua a inquietar; como um quisto sebáceo: ali, estático, sem se resolver. Não é bem a saída. Não é bem o clube rival. Nem o contrato vitalício que o transformou em escudo do Damásio; ou os rumores de balneários difíceis que teriam empurrado Paulo Nunes ou Donizete para fora do Benfica. O Diabo que os carregue a todos! O que pesa é que João Vieira Pinto foi o sintoma máximo da falência do Benfica nos anos 90.

Por isso escrevo, para que não se esqueça e se saiba que João Pinto não foi traidor nem foi mártir. Foi os dois. Como em qualquer homem cabe sempre tudo e o seu contrário.

Os consensos benfiquistas costumam ser absolutos, mas este caso desconfirma a regra. O que é bom. É que consenso não passa apenas de uma maneira civilizada de mentira. E o João Pinto, humano demasiado humano, dividuum por nossa causa, individuum em causa própria, foi um homem de verdade.

Manuel Fúria in Tribuna Expresso.

O Fura-Redes

Os jovens de hoje em dia nunca vão saber aquilo que jogava João Vieira Pinto ⚡ (vs. Alemanha 1996)

O melhor quase-golo da história


Benfiquismo

Anos e anos a levar o Benfica às costas.

fdpdc666


ESPECIAL João V. Pinto: «Senti na pele a degradação do Benfica» | T4, Ep. 19

O Menino de Ouro dos anos 90 chama-se João Vieira Pinto e é especialíssimo convidado do DESTINO: SAUDADE. Há a noite de 14 de maio de 1994 em Alvalade, prova metafísica da perfeição num relvado de futebol, mas o génio não se esgota aí. JVP é bicampeão mundial de sub20 e o homem que atravessa o Vietname benfiquista com a equipa ao colo. Na primeira parte da conversa, o menino do Bairro do Falcão fala do aparecimento no Boavista, do falhanço em Madrid ao lado de Paulo Futre e da relação eterna com os seus antigos colegas da geração de Riade-89 e Lisboa-91.


eduq

um grande jogador, simples,
mas que sempre foi usado por outros

fdpdc666


T4, Ep. 20 | João V. Pinto: «Falei com o FC Porto antes de assinar pelo Sporting em 2000»

As brincadeiras de Neno e Amaral, a tragédia do Benfica em Vigo, a glória eterna no 3-6 em Alvalade e as dúvidas criadas no Euro2000: a PARTE II da conversa com João Vieira Pinto continua a dissecar uma carreira absolutamente brilhante. Nesta semana, JVP admite que teve o FC Porto e o Sporting a lutarem por si quando saiu surpreendentemente do Benfica e que a opção pelos leões se deveu, essencialmente, à possibilidade de continuar a viver em Lisboa. Obrigatória também a passagem pelo Mundial de 2002, onde correu «tudo mal» e JVP se despediu da seleção com uma expulsão e um gesto sobre o árbitro que o suspendeu por dois meses - seriam seis numa primeira decisão.


SLBenfica1904

O nosso menino de ouro claramento nervoso e a sofrer antes do 4º golo, quem viu? Lenda eterna!

SonecaSLB

Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube

Uforia


Andre8

Citação de: SonecaSLB em 29 de Janeiro de 2026, 22:12Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube

Traidor porque? com um presidente a serio nunca tinha era saido!!

KKK24

Citação de: SonecaSLB em 29 de Janeiro de 2026, 22:12Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube
Traidor? Quem?

Bailey

Citação de: SonecaSLB em 29 de Janeiro de 2026, 22:12Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube
Bom troll
A única coisa que falta e mesmo a mais que justa e muito atrasada homenagem em pleno relvado

Giorgos Karagounis

O próprio assume que foi para o Sporting porque não queria sair de Portugal e era entre Sporting e Porto.

Eu só critico o afastamento nestas décadas relativamente ao Benfica. Ter ido para o Sporting, não me faz confusão. O Benfica correu com ele, era suposto fazer-nos algum favor?

Isai@sReis

Citação de: Bailey em 30 de Janeiro de 2026, 13:42
Citação de: SonecaSLB em 29 de Janeiro de 2026, 22:12Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube
Bom troll
A única coisa que falta e mesmo a mais que justa e muito atrasada homenagem em pleno relvado
Ora bem!

merlin

Citação de: Bailey em 30 de Janeiro de 2026, 13:42
Citação de: SonecaSLB em 29 de Janeiro de 2026, 22:12Com um Presidente a sério, este não entrava num camarote do clube.

Pior que qualquer derrota, é ver o clube humilhar-se para com traidores como este e o outro que morreu.

Com jeitinho, ainda lhe irão arranjar um tacho no clube
Bom troll
A única coisa que falta e mesmo a mais que justa e muito atrasada homenagem em pleno relvado
Muito atrasada mesmo!!! já há muito tempo que deveríamos de ter tentado emendar este erro.