João Carvalho

Médio, 28 anos,
Portugal
Equipa Principal: 1 época (2017-2018), 10 jogos (360 minutos), 0 golos

Equipa B: 4 épocas, 80 jogos, 9 golos

JMG1904

Citação de: André Sousa em 27 de Agosto de 2015, 21:33
Citação de: CarlosMarinhoSlb em 27 de Agosto de 2015, 20:57
Sim, eu digo sem qualquer pudor que vejo poucos jogadores no mundo a fazer o que o Martial faz. De dentro para fora, partindo da zona do PL, a cair na ala é tremendo. Depois a bola vai sempre coladinha no pé, decide mesmo em cima do adversário e quando muda de velocidade não dá hipótese nos primeiros 10/15 metros.

Caso de estudo isto, e até consegue decidir bem. Porque é que os rápidos decidem pior que os lentos? Será por crescerem a viver com a ideia de que a velocidade resolve tudo e tornam isso um vício? Aí entra o papel do formador que tem de dar estímulos ao jogador para aprender a decidir e a colocar a velocidade em 2º plano, a limitar o número de toques etc. Parece que os barcos de africanos que vão para França são diferentes dos nossos, mas acredito que é por aqui. O Dino ou o Romário não podiam estar parecidos? Fica o desabafo  O0

Às vezes dava-me jeito uma espécie de blog, para guardar algumas opiniões mais fundamentas sobre determinados assuntos. Isto porque já fiz um post extenso sobre a questão dos canhotos vs. destros, e sobre os jogadores com ascendência africana a jogar em Portugal.

A questão é simples. Se assistires a um jogo de formação em França, a maior parte dos jogadores serão descendentes de africanos. Como é sabido, um jogador com estes "genes" tem um desenvolvimento físico muito mais precoce que os caucasianos. Ou seja, acaba por se equiparar, pois quase que podem jogar entre si. A vantagem da velocidade diminui, pois são, na sua maioria, muito rápidos.

Em Portugal não é bem assim. A maioria dos jogadores é de origem caucasiana, pelo que é natural que quando surgem três ou quatro indivíduos mais dotados fisicamente, se destaquem dos restantes. Se não são retirados da sua zona de conforto, vão decidir através da arma onde são mais fortes. Pela velocidade. Isto acontece de forma inconsciente.

O Dino e o Romário, principalmente o primeiro, são jogadores que podiam perfeitamente ter sido enquadrados noutros contextos e hoje serem muito mais do que aquilo que são. E quem diz estes dois, diz outros jogadores com um perfil semelhante. Lembro-me do Toni Sá, que também tinha qualidade.

O problema é quando não se faz nada para se precaver o futuro em relação a estes. Dão sucesso através das suas ações individuais, e tudo corre sobre rodas. Estes jogadores têm de ser colocados a defrontar adversários de um nível físico semelhante/inferior ao seu, de forma a estimular outras áreas do seu jogo. Fisicamente sempre serão portentosos, por isso...

O Dino, quando aqui chegou, jogava muito. Estava num estado muito selvagem, mas tinha muita qualidade para ser trabalhada. Tecnicamente muito forte, muito ágil, rápido, forte em espaços curtos... agora, quando é colocado três anos a competir nos juvenis A... é esperar o quê? Que evolua? Um jogador com aquele perfil? Está bem...

O Romário nunca jogou acima do seu escalão, por isso nem vale a pena falar. O mais próximo disso, foi fazer o campeonato nacional de juvenis com a geração de 95. Ele e o Guedes. E só o fizeram porque a nossa geração de 95 sempre teve défice de extremos. Nessa época eles foram os titulares e a alternativa era o Delman, que tinha vindo do Sporting. Nos iniciados, o Rony jogava muitas vezes sobre um corredor, o que disfarçava isso. E o Tigana, que foi importante na fase final, e foi dispensado na transição para juvenil.

Fantástico  O0. Obrigado e faz todo o sentido. Quanto ao blog, não é difícil abrir e fazer disso um espaço de partilha e quem sabe algo mais. Temos vários users com esse gosto. :bandeiraslb2:

André Sousa

E atenção à limitação de toques, que pode ser perigosa.

E até faz mais sentido para um jogador com dificuldades técnicas, do que para um jogador que defina mal. Definir simples não é, necessariamente, definir bem. E para jogadores deste tipo, o melhor é indicar o caminho, fazê-los perceber o jogo, fazer com que faça sentido para eles, mas dando sempre a margem devida para que errem e se recriem com a bola. Fará sempre parte deles.

JMG1904

Citação de: André Sousa em 27 de Agosto de 2015, 21:36
E atenção à limitação de toques, que pode ser perigosa.

E até faz mais sentido para um jogador com dificuldades técnicas, do que para um jogador que defina mal. Definir simples não é, necessariamente, definir bem. E para jogadores deste tipo, o melhor é indicar o caminho, fazê-los perceber o jogo, fazer com que faça sentido para eles, mas dando sempre a margem devida para que errem e se recriem com a bola. Fará sempre parte deles.

Mas não é fácil encontrar e operacionalizar algo que os faça seguir esse caminho. Estar constantemente a interromper o treino para interferir na decisão é complicado.

André Sousa

É fazer tudo de uma maneira crescente.

Situação de 2x1. Dar-lhe a bola e ver como decide. Deixá-lo errar. Parar o treino, corrigir, e explicar aquele contexto. Nada muito extenso. Repetir. E claro, colocá-lo a jogar no corredor central. Ou para lá.

Por isso é que sempre defendi que o Buta devia jogar na esquerda mais vezes. E o Tiago Dias na direita.

O Tiago, por exemplo, quando joga na esquerda, opta quase sempre pelo mesmo movimento. Bola até à linha e cruzamento.

O Capel, por exemplo, quando surgiu jogava à bola que era uma coisa parva. Grande pé esquerdo, super potente... hoje é o que se vê. Banal.

JMG1904

Citação de: André Sousa em 27 de Agosto de 2015, 21:41
É fazer tudo de uma maneira crescente.

Situação de 2x1. Dar-lhe a bola e ver como decide. Deixá-lo errar. Parar o treino, corrigir, e explicar aquele contexto. Nada muito extenso. Repetir. E claro, colocá-lo a jogar no corredor central. Ou para lá.

Por isso é que sempre defendi que o Buta devia jogar na esquerda mais vezes. E o Tiago Dias na direita.

O Tiago, por exemplo, quando joga na esquerda, opta quase sempre pelo mesmo movimento. Bola até à linha e cruzamento.

O Capel, por exemplo, quando surgiu jogava à bola que era uma coisa parva. Grande pé esquerdo, super potente... hoje é o que se vê. Banal.

O0 Sim, mas eu não gosto de usar exercícios iguais para todos, como dizes. Tento ver os vícios de cada um e onde há espaço para mudar algo. E aí está a dificuldade. Perceber o que cada um entende do jogo. Cada cabeça é um mundo

André Sousa

Depende sempre da faixa etária, também.

Se forem relativamente novos, o melhor é mesmo não encher com muita informação e dar muita bola. Mas ter sempre noção da forma como se orienta essa mesma bola.

O.Guerreiro.Da.Luz

O Capel quando apareceu... vinha com a mala às costas...

:2funny:

JMG1904

Citação de: André Sousa em 27 de Agosto de 2015, 21:44
Depende sempre da faixa etária, também.

Se forem relativamente novos, o melhor é mesmo não encher com muita informação e dar muita bola. Mas ter sempre noção da forma como se orienta essa mesma bola.

Exacto. Liberdade com responsabilidade. Gosto de empenhamento motor, de contacto com a bola, de alegria e de decisão facilitada. Jogar em apoios, com vários homens perto do portador, mas a decisão a dar ao jogo é sempre do atleta.
Sub13.

Manpaz1904

João Carvalho será melhor que o Bernardo.  :)

O.Guerreiro.Da.Luz

Citação de: Manpaz1904 em 27 de Agosto de 2015, 22:03
João Carvalho será melhor que o Bernardo.  :)

Shiuuuu! Não mimes demais o menino que pode dar merda...

:cool2:

GlennStrombergh


RedEagleNN

O Romario até os juvenis era rei e senhor, os adversários eram pinos. Depois tentaram ver o que dava na B, no primeiro ano de junior e não correu bem, não se adaptou a algo que nunca tinha experimentado: adversários num patamar físico superior.
E claro, era algo que deviam ter feito mais cedo, tenho de concordar com o que foi dito acima.

André Sousa

Citação de: RedEagleNN em 28 de Agosto de 2015, 00:50
O Romario até os juvenis era rei e senhor, os adversários eram pinos. Depois tentaram ver o que dava na B, no primeiro ano de junior e não correu bem, não se adaptou a algo que nunca tinha experimentado: adversários num patamar físico superior.
E claro, era algo que deviam ter feito mais cedo, tenho de concordar com o que foi dito acima.

O Romário era rei e senhor como eram outros tantos.

E foi no segundo ano de júnior que foi para a equipa B. Pouco jogou, também.

O seu primeiro ano de júnior foi o melhor. Até mostrou qualidades que podiam fazer ver que ainda ia a tempo.

nightcrowler

categoria, a forma como acelera o jogo é inebriante. tem muita pinta e apenas 18 anos!
abençoada equipa B.

o João Carvalho e o Diogo Gonçalves têm pinta de quem, em bicos de pés, vão muito longe. sim senhor.

têm imenso para evoluir e aprender, mas quem viu os primeiros jogos deles e vê a forma como assumem o jogo agora, como conseguem acelerar o jogo, como pausam o jogo se necessário, é motivador ver esta evolução!

RedEagleNN

Citação de: André Sousa em 28 de Agosto de 2015, 02:36
Citação de: RedEagleNN em 28 de Agosto de 2015, 00:50
O Romario até os juvenis era rei e senhor, os adversários eram pinos. Depois tentaram ver o que dava na B, no primeiro ano de junior e não correu bem, não se adaptou a algo que nunca tinha experimentado: adversários num patamar físico superior.
E claro, era algo que deviam ter feito mais cedo, tenho de concordar com o que foi dito acima.

O Romário era rei e senhor como eram outros tantos.

E foi no segundo ano de júnior que foi para a equipa B. Pouco jogou, também.

O seu primeiro ano de júnior foi o melhor. Até mostrou qualidades que podiam fazer ver que ainda ia a tempo.

Foi no segundo sim, tens razão  é depois acabou por ir de novo para os juniores. Outros eram reis, mas não tão dependentes do físico como o Romario.