Rui Costa, Presidente do Sport Lisboa e Benfica

Presidente, 54 anos,
Portugal

Cob92

Citação de: Slbstriker em 27 de Janeiro de 2026, 21:20
Citação de: nunofpais em 27 de Janeiro de 2026, 19:41
Citação de: menta em 27 de Janeiro de 2026, 18:55https://observador.pt/opiniao/o-downfall-lento-de-um-clube-que-vivia-para-ganhar/

Simples.o Benfica actual é o espelho do seu presidente.
Não há versão grátis? Ou só para subscritores?

O downfall lento de um clube que vivia para ganhar

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. Isso talvez seja o mais trágico de tudo. O SLB não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória.

Nasci em 1994, em pleno 'Vietname' Benfiquista. Isso não é apenas um dado biográfico, é uma condição.

Nunca vi o Benfica grandioso. Nunca vivi um Benfica que entrava em campo e cuja única certeza era ganhar, tornando-se, ao longo da história, o mínimo aceitável. É que antes, no Benfica, não se negociava a vitória e não se relativizavam derrotas.

No entanto, o Benfica que me foi dado a conhecer já estava de rastos. Financeiramente fragilizado, desportivamente diminuído, culturalmente órfão. Um clube gigantesco a comportar-se como quem tenta sobreviver, não como quem nasceu para dominar. E, desde então, apesar de ciclos melhores, nunca mais voltou verdadeiramente a ser esse Benfica.

Foi fora do campo, curiosamente, onde fui percebendo a dimensão do que perdi.

Ao longo dos anos tive a oportunidade de conviver com lendas e ex-jogadores do Benfica e ouvi, na primeira pessoa, os relatos dos tempos de glória – sem esquecer a exigência quase brutal dos adeptos. Um Benfica cujas vitórias não eram garantia de aplauso, principalmente se a equipa não tivesse honrado o peso da camisola. Um clube vitorioso, mas igualmente vaiado quando o nível exibicional ou a atitude não correspondiam à sua grandeza.

É por isso que a realidade de hoje me é tão difícil de compreender. Como é possível um clube, moldado nesta cultura de exigência absoluta, resvalar para o conforto, para a complacência e para este aburguesamento coletivo – sobretudo entre muitos dos que viveram esse Benfica grandioso?

Neste momento o clube vive anestesiado e confortável na narrativa da inevitabilidade, cultivando uma ideia nos seus adeptos onde se transmite que competir é suficiente, que perder faz parte do processo e onde exigir algo além do contexto atual é ser injusto. A exigência passou a ser confundida com ingratidão e a ambição com impaciência. Houve, ainda assim, um parêntesis que importa recordar.

A chegada de Jorge Jesus mudou o paradigma. Pela primeira vez, desde que tenho memória, vi um Benfica a jogar à Benfica. Uma equipa dominadora, intensa e arrogante, mas num bom sentido. Um Benfica que entrava para esmagar, não para gerir: um Benfica que devolveu aos adeptos a sensação de superioridade moral e futebolística.

E atenção ao contexto, pois Jesus apanhou um FC Porto no auge da sua hegemonia, herdeiro direto de Mourinho e com uma máquina montada para ganhar. Ainda assim, o Benfica voltou a impor-se. Voltou a exigir. Voltou a acreditar que ganhar campeonatos não era exceção — era obrigação.

Mas falhar a conquista do 'penta' não foi apenas um desaire desportivo, foi o gatilho para o regresso ao velho estado mental. É claro que, desde esse momento, o clube recuou culturalmente. Voltou o discurso do equilíbrio, da compreensão, do "não se pode ganhar sempre". Voltou a normalização do insucesso relativo. Voltou o Benfica pequeno dentro de um corpo gigante.

Hoje, na véspera de um encontro frente o Real Madrid — outro histórico, um clube que vive da exigência e da pressão dos seus adeptos – é fácil constatar o contraste entre ambas as equipas.

No Real Madrid o adepto não vai ao estádio para apoiar, vai para fiscalizar. Fiscaliza o nível de empenho, a intensidade e a seriedade com que se honra a camisola. Ganhar não é motivo de celebração especial, é o cumprimento de uma obrigação mínima. A derrota, essa, abre imediatamente uma crise: tudo é questionado e tudo posto em causa, mesmo após longas séries de vitórias. E é precisamente essa brutalidade cultural que mantém o clube no topo há décadas.

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. E isso talvez seja o mais trágico de tudo.

O Benfica não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória. Perdeu a intolerância à mediocridade. Perdeu o medo de falhar que o colocou tantas vezes mais perto de vencer. E, aos poucos, tornou-se um clube que reage, em vez de impor. Que justifica, em vez de exigir. Que aceita, em vez de dominar.

Eu nunca vi o Benfica grandioso. Mas sei que ele existiu.

E, enquanto continuar a existir esta distância entre o que o Benfica foi e o que aceita ser, o seu downfall continuará — lento, silencioso e perigosamente confortável.

Podiam Era fazer um documentario sobre o Benfica e o seu trajeto

Feito por pessoas neutras, sem qualquer tipo de interesses externos.


Chicobento

Citação de: Slbstriker em 27 de Janeiro de 2026, 21:20
Citação de: nunofpais em 27 de Janeiro de 2026, 19:41
Citação de: menta em 27 de Janeiro de 2026, 18:55https://observador.pt/opiniao/o-downfall-lento-de-um-clube-que-vivia-para-ganhar/

Simples.o Benfica actual é o espelho do seu presidente.
Não há versão grátis? Ou só para subscritores?

O downfall lento de um clube que vivia para ganhar

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. Isso talvez seja o mais trágico de tudo. O SLB não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória.

Nasci em 1994, em pleno 'Vietname' Benfiquista. Isso não é apenas um dado biográfico, é uma condição.

Nunca vi o Benfica grandioso. Nunca vivi um Benfica que entrava em campo e cuja única certeza era ganhar, tornando-se, ao longo da história, o mínimo aceitável. É que antes, no Benfica, não se negociava a vitória e não se relativizavam derrotas.

No entanto, o Benfica que me foi dado a conhecer já estava de rastos. Financeiramente fragilizado, desportivamente diminuído, culturalmente órfão. Um clube gigantesco a comportar-se como quem tenta sobreviver, não como quem nasceu para dominar. E, desde então, apesar de ciclos melhores, nunca mais voltou verdadeiramente a ser esse Benfica.

Foi fora do campo, curiosamente, onde fui percebendo a dimensão do que perdi.

Ao longo dos anos tive a oportunidade de conviver com lendas e ex-jogadores do Benfica e ouvi, na primeira pessoa, os relatos dos tempos de glória – sem esquecer a exigência quase brutal dos adeptos. Um Benfica cujas vitórias não eram garantia de aplauso, principalmente se a equipa não tivesse honrado o peso da camisola. Um clube vitorioso, mas igualmente vaiado quando o nível exibicional ou a atitude não correspondiam à sua grandeza.

É por isso que a realidade de hoje me é tão difícil de compreender. Como é possível um clube, moldado nesta cultura de exigência absoluta, resvalar para o conforto, para a complacência e para este aburguesamento coletivo – sobretudo entre muitos dos que viveram esse Benfica grandioso?

Neste momento o clube vive anestesiado e confortável na narrativa da inevitabilidade, cultivando uma ideia nos seus adeptos onde se transmite que competir é suficiente, que perder faz parte do processo e onde exigir algo além do contexto atual é ser injusto. A exigência passou a ser confundida com ingratidão e a ambição com impaciência. Houve, ainda assim, um parêntesis que importa recordar.

A chegada de Jorge Jesus mudou o paradigma. Pela primeira vez, desde que tenho memória, vi um Benfica a jogar à Benfica. Uma equipa dominadora, intensa e arrogante, mas num bom sentido. Um Benfica que entrava para esmagar, não para gerir: um Benfica que devolveu aos adeptos a sensação de superioridade moral e futebolística.

E atenção ao contexto, pois Jesus apanhou um FC Porto no auge da sua hegemonia, herdeiro direto de Mourinho e com uma máquina montada para ganhar. Ainda assim, o Benfica voltou a impor-se. Voltou a exigir. Voltou a acreditar que ganhar campeonatos não era exceção — era obrigação.

Mas falhar a conquista do 'penta' não foi apenas um desaire desportivo, foi o gatilho para o regresso ao velho estado mental. É claro que, desde esse momento, o clube recuou culturalmente. Voltou o discurso do equilíbrio, da compreensão, do "não se pode ganhar sempre". Voltou a normalização do insucesso relativo. Voltou o Benfica pequeno dentro de um corpo gigante.

Hoje, na véspera de um encontro frente o Real Madrid — outro histórico, um clube que vive da exigência e da pressão dos seus adeptos – é fácil constatar o contraste entre ambas as equipas.

No Real Madrid o adepto não vai ao estádio para apoiar, vai para fiscalizar. Fiscaliza o nível de empenho, a intensidade e a seriedade com que se honra a camisola. Ganhar não é motivo de celebração especial, é o cumprimento de uma obrigação mínima. A derrota, essa, abre imediatamente uma crise: tudo é questionado e tudo posto em causa, mesmo após longas séries de vitórias. E é precisamente essa brutalidade cultural que mantém o clube no topo há décadas.

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. E isso talvez seja o mais trágico de tudo.

O Benfica não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória. Perdeu a intolerância à mediocridade. Perdeu o medo de falhar que o colocou tantas vezes mais perto de vencer. E, aos poucos, tornou-se um clube que reage, em vez de impor. Que justifica, em vez de exigir. Que aceita, em vez de dominar.

Eu nunca vi o Benfica grandioso. Mas sei que ele existiu.

E, enquanto continuar a existir esta distância entre o que o Benfica foi e o que aceita ser, o seu downfall continuará — lento, silencioso e perigosamente confortável.

Isto era algo que deva começar a ser esfregado na fronha dos 65%. Mas como muitos nem vão querer ler, era logo mandar a boca em direção ao ego: "só lê quem é mesmo benfiquista".

sergio19azb

Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 22:06
Citação de: Redfield73 em 27 de Janeiro de 2026, 21:59
Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 21:52Lá vai este Banana todo pomposo para Madrid com o seu Armani e pensar agarrar e comer churros como se fossem Marlboros e pensar que o chocolate para o churros é o cinzeiro...
Calma, o jogo é cá...:D
Pois reparei há pouco.

Eu a pensar em só ver o jogo por ser uma rara oportunidade de ver o Benfica a jogar no mítico Bernabeu e afinal vai ser na Catedral, com os chalupas todos a filmarem jogadores adversário e a pedirem-lhes autógrafos e selfies :estrelas:
É cá e preço de ir à opera.
Bilhetes a 150 euros 🤓🤓🤓🤓🤓

Villaridis

Citação de: Diferreira em 27 de Janeiro de 2026, 19:56
Citação de: Villaridis em 26 de Janeiro de 2026, 15:26
Citação de: cwally em 24 de Janeiro de 2026, 22:45200 adeptos, sem um único cachecol ou camisola do Benfica, tudo vestido de escuro e maioria cara tapada. Calados, sem um único cantigo ou apupo, cabisbaixos e a passo normal, entra no seixal, sai do seixal... e é isto.

Pouco depois o clube lança comunicado a explicar que foi um protesto pacifico e construtivo.

Fdx, que merda é esta? Reunião dos mercenários pessoais do Rui Costa?







se calhar vamos acabar com esta trampa de conversa, não?

sim, houve cânticos, sim, havia cachecóis, sim, foi orgânico e genuíno.

o problema é qual, não terem avisado os voluntários do Noronha? não terem anunciado aqui no fórum para que os activistas da internet pudessem ir?

nem tudo é sobre vocês. metam isso na cabeça.

Sei bem o que tu merecias.

um Benfica ganhador e com cultura de vitória, que só se consegue com:

a) eleições
b) em caso de derrota, pondo a direcção actual em xeque

desculpem lá se vir chorar para um fórum todo o santo dia NÃO CONTA como mudança.

Pedraços


Carton de Wiart

Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 22:06
Citação de: Redfield73 em 27 de Janeiro de 2026, 21:59
Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 21:52Lá vai este Banana todo pomposo para Madrid com o seu Armani e pensar agarrar e comer churros como se fossem Marlboros e pensar que o chocolate para o churros é o cinzeiro...
Calma, o jogo é cá...:D
Pois reparei há pouco.

Eu a pensar em só ver o jogo por ser uma rara oportunidade de ver o Benfica a jogar no mítico Bernabeu e afinal vai ser na Catedral, com os chalupas todos a filmarem jogadores adversário e a pedirem-lhes autógrafos e selfies :estrelas:

O Rui Costa mandar-se para Madrid para assistir ao "partido", quando o jogo era no Estádio da Luz, nem sequer entraria nas 10 decisões mais estúpidas que tomou enquanto presidente do clube.

Consigo imaginá-lo, todo descabelado e a transpirar, aos microfones da CMTV: "Não estou feliz por me ter enganado e estar em Madrid, enquanto a equipa jogava na Luz. Mas, a enganar-me, que seja assim: pelo menos acertei no adversário. É o que é."

E, perante este "equívoco", 65% dos sócios diriam: "até parece que é o Rui Costa que joga".

Elniño 1996

Citação de: Carton de Wiart em 28 de Janeiro de 2026, 01:52
Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 22:06
Citação de: Redfield73 em 27 de Janeiro de 2026, 21:59
Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 21:52Lá vai este Banana todo pomposo para Madrid com o seu Armani e pensar agarrar e comer churros como se fossem Marlboros e pensar que o chocolate para o churros é o cinzeiro...
Calma, o jogo é cá...:D
Pois reparei há pouco.

Eu a pensar em só ver o jogo por ser uma rara oportunidade de ver o Benfica a jogar no mítico Bernabeu e afinal vai ser na Catedral, com os chalupas todos a filmarem jogadores adversário e a pedirem-lhes autógrafos e selfies :estrelas:

O Rui Costa mandar-se para Madrid para assistir ao "partido", quando o jogo era no Estádio da Luz, nem sequer entraria nas 10 decisões mais estúpidas que tomou enquanto presidente do clube.

Consigo imaginá-lo, todo descabelado e a transpirar, aos microfones da CMTV: "Não estou feliz por me ter enganado e estar em Madrid, enquanto a equipa jogava na Luz. Mas, a enganar-me, que seja assim: pelo menos acertei no adversário. É o que é."

E, perante este "equívoco", 65% dos sócios diriam: "até parece que é o Rui Costa que joga".
Parece-me uma frase do senhor rui costa,que neste momento tudo diz é palha, e ainda há muito burro que a come !

joaom86


Albertini

Citação de: areal em 26 de Janeiro de 2026, 16:20
Citação de: Villaridis em 26 de Janeiro de 2026, 15:26
Citação de: cwally em 24 de Janeiro de 2026, 22:45200 adeptos, sem um único cachecol ou camisola do Benfica, tudo vestido de escuro e maioria cara tapada. Calados, sem um único cantigo ou apupo, cabisbaixos e a passo normal, entra no seixal, sai do seixal... e é isto.

Pouco depois o clube lança comunicado a explicar que foi um protesto pacifico e construtivo.

Fdx, que merda é esta? Reunião dos mercenários pessoais do Rui Costa?







se calhar vamos acabar com esta trampa de conversa, não?

sim, houve cânticos, sim, havia cachecóis, sim, foi orgânico e genuíno.

o problema é qual, não terem avisado os voluntários do Noronha? não terem anunciado aqui no fórum para que os activistas da internet pudessem ir?

nem tudo é sobre vocês. metam isso na cabeça.

Já estava a demorar,
A culpa é do Noronha.





Sparrow

Citação de: areal em 26 de Janeiro de 2026, 16:20
Citação de: Villaridis em 26 de Janeiro de 2026, 15:26
Citação de: cwally em 24 de Janeiro de 2026, 22:45200 adeptos, sem um único cachecol ou camisola do Benfica, tudo vestido de escuro e maioria cara tapada. Calados, sem um único cantigo ou apupo, cabisbaixos e a passo normal, entra no seixal, sai do seixal... e é isto.

Pouco depois o clube lança comunicado a explicar que foi um protesto pacifico e construtivo.

Fdx, que merda é esta? Reunião dos mercenários pessoais do Rui Costa?







se calhar vamos acabar com esta trampa de conversa, não?

sim, houve cânticos, sim, havia cachecóis, sim, foi orgânico e genuíno.

o problema é qual, não terem avisado os voluntários do Noronha? não terem anunciado aqui no fórum para que os activistas da internet pudessem ir?

nem tudo é sobre vocês. metam isso na cabeça.

Já estava a demorar,
A culpa é do Noronha.
Ele não disse isso.

Lellominsk

Citação de: cwally em 24 de Janeiro de 2026, 22:45200 adeptos, sem um único cachecol ou camisola do Benfica, tudo vestido de escuro e maioria cara tapada. Calados, sem um único cantigo ou apupo, cabisbaixos e a passo normal, entra no seixal, sai do seixal... e é isto.
Pouco depois o clube lança comunicado a explicar que foi um protesto pacifico e construtivo.
Fdx, que merda é esta? Reunião dos mercenários pessoais do Rui Costa?

O Mourinho (ou o Branco) tinham cabeça para organizar isto para apertar (mentalmente) com os atletas. Já a estrutura nem de perto nem de longe!

pexim

Citação de: Cob92 em 27 de Janeiro de 2026, 22:09
Citação de: Slbstriker em 27 de Janeiro de 2026, 21:20
Citação de: nunofpais em 27 de Janeiro de 2026, 19:41
Citação de: menta em 27 de Janeiro de 2026, 18:55https://observador.pt/opiniao/o-downfall-lento-de-um-clube-que-vivia-para-ganhar/

Simples.o Benfica actual é o espelho do seu presidente.
Não há versão grátis? Ou só para subscritores?

O downfall lento de um clube que vivia para ganhar

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. Isso talvez seja o mais trágico de tudo. O SLB não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória.

Nasci em 1994, em pleno 'Vietname' Benfiquista. Isso não é apenas um dado biográfico, é uma condição.

Nunca vi o Benfica grandioso. Nunca vivi um Benfica que entrava em campo e cuja única certeza era ganhar, tornando-se, ao longo da história, o mínimo aceitável. É que antes, no Benfica, não se negociava a vitória e não se relativizavam derrotas.

No entanto, o Benfica que me foi dado a conhecer já estava de rastos. Financeiramente fragilizado, desportivamente diminuído, culturalmente órfão. Um clube gigantesco a comportar-se como quem tenta sobreviver, não como quem nasceu para dominar. E, desde então, apesar de ciclos melhores, nunca mais voltou verdadeiramente a ser esse Benfica.

Foi fora do campo, curiosamente, onde fui percebendo a dimensão do que perdi.

Ao longo dos anos tive a oportunidade de conviver com lendas e ex-jogadores do Benfica e ouvi, na primeira pessoa, os relatos dos tempos de glória – sem esquecer a exigência quase brutal dos adeptos. Um Benfica cujas vitórias não eram garantia de aplauso, principalmente se a equipa não tivesse honrado o peso da camisola. Um clube vitorioso, mas igualmente vaiado quando o nível exibicional ou a atitude não correspondiam à sua grandeza.

É por isso que a realidade de hoje me é tão difícil de compreender. Como é possível um clube, moldado nesta cultura de exigência absoluta, resvalar para o conforto, para a complacência e para este aburguesamento coletivo – sobretudo entre muitos dos que viveram esse Benfica grandioso?

Neste momento o clube vive anestesiado e confortável na narrativa da inevitabilidade, cultivando uma ideia nos seus adeptos onde se transmite que competir é suficiente, que perder faz parte do processo e onde exigir algo além do contexto atual é ser injusto. A exigência passou a ser confundida com ingratidão e a ambição com impaciência. Houve, ainda assim, um parêntesis que importa recordar.

A chegada de Jorge Jesus mudou o paradigma. Pela primeira vez, desde que tenho memória, vi um Benfica a jogar à Benfica. Uma equipa dominadora, intensa e arrogante, mas num bom sentido. Um Benfica que entrava para esmagar, não para gerir: um Benfica que devolveu aos adeptos a sensação de superioridade moral e futebolística.

E atenção ao contexto, pois Jesus apanhou um FC Porto no auge da sua hegemonia, herdeiro direto de Mourinho e com uma máquina montada para ganhar. Ainda assim, o Benfica voltou a impor-se. Voltou a exigir. Voltou a acreditar que ganhar campeonatos não era exceção — era obrigação.

Mas falhar a conquista do 'penta' não foi apenas um desaire desportivo, foi o gatilho para o regresso ao velho estado mental. É claro que, desde esse momento, o clube recuou culturalmente. Voltou o discurso do equilíbrio, da compreensão, do "não se pode ganhar sempre". Voltou a normalização do insucesso relativo. Voltou o Benfica pequeno dentro de um corpo gigante.

Hoje, na véspera de um encontro frente o Real Madrid — outro histórico, um clube que vive da exigência e da pressão dos seus adeptos – é fácil constatar o contraste entre ambas as equipas.

No Real Madrid o adepto não vai ao estádio para apoiar, vai para fiscalizar. Fiscaliza o nível de empenho, a intensidade e a seriedade com que se honra a camisola. Ganhar não é motivo de celebração especial, é o cumprimento de uma obrigação mínima. A derrota, essa, abre imediatamente uma crise: tudo é questionado e tudo posto em causa, mesmo após longas séries de vitórias. E é precisamente essa brutalidade cultural que mantém o clube no topo há décadas.

No Benfica a exigência tornou-se suspeita. Inconveniente. Quase um incómodo político. E isso talvez seja o mais trágico de tudo.

O Benfica não perdeu apenas títulos; perdeu também a sua cultura de vitória. Perdeu a intolerância à mediocridade. Perdeu o medo de falhar que o colocou tantas vezes mais perto de vencer. E, aos poucos, tornou-se um clube que reage, em vez de impor. Que justifica, em vez de exigir. Que aceita, em vez de dominar.

Eu nunca vi o Benfica grandioso. Mas sei que ele existiu.

E, enquanto continuar a existir esta distância entre o que o Benfica foi e o que aceita ser, o seu downfall continuará — lento, silencioso e perigosamente confortável.

Podiam Era fazer um documentario sobre o Benfica e o seu trajeto

Feito por pessoas neutras, sem qualquer tipo de interesses externos.


https://www.benficaindependente.com/a-historia-gloriosa


Isto é um bom ponto de partida.

imightbewrong

Se Deus quiser hoje vais ter o estádio vazio seu borrego do caralho.


|KOHAKU|

Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 22:06
Citação de: Redfield73 em 27 de Janeiro de 2026, 21:59
Citação de: Faroleiro em 27 de Janeiro de 2026, 21:52Lá vai este Banana todo pomposo para Madrid com o seu Armani e pensar agarrar e comer churros como se fossem Marlboros e pensar que o chocolate para o churros é o cinzeiro...
Calma, o jogo é cá...:D
Pois reparei há pouco.

Eu a pensar em só ver o jogo por ser uma rara oportunidade de ver o Benfica a jogar no mítico Bernabeu e afinal vai ser na Catedral, com os chalupas todos a filmarem jogadores adversário e a pedirem-lhes autógrafos e selfies :estrelas:

A Catedral foi demolida já faz algum tempo...