Decifrando imagens do passado

RedVC

#1095
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Rio de paixões (parte I).


Dia 9 abril de 1916, Campo de Sete Rios. Dia de dérbi lisboeta



Nesta fotografia identifica-se Alberto Rio, extremo-esquerdo do Benfica, jogador rápido e virtuoso, a investir sobre a defesa contrária. Jorge Vieira, o defesa sportinguista, tenta o desarme. À esquerda vemos o Benfiquista Silvestre Rosmaninho e à direita, expectante, está o sportinguista Francisco Stromp. Lá atrás, provavelmente estaria o médio-esquerdo Benfiquista, Cândido de Oliveira.

Nesse dia 9 de abril, jogou-se um jogo de desforra, pedido pelo SCP, depois de no dia 2 de abril, o Benfica ter vencido o SCP por 3-2, com golos do extremo-direito Herculano Santos, do avançado Manuel Veloso e do extremo-esquerdo Alberto Rio (https://serbenfiquista.com/jogo/futebol/seniores/19151916/amigavel/1916-04-02/sl-benfica-x-sporting-cp).




Nesse dia 9 de abril, o Benfica voltou a vencer, desta vez por concludentes 3-0. Golos de Alberto Rio, Manuel Veloso e Francisco Pereira... o mano de Artur! (https://serbenfiquista.com/jogo/futebol/seniores/19151916/amigavel/1916-04-09/sl-benfica-x-sporting-cp) ! Era a confirmação da superioridade Benfiquista que, até 1918, se traduziria na conquista de mais um tricampeonato.



Lá tiveram de dar o braço a torcer... Fonte: Hemeroteca Lx



Em 1916, com o inexorável definhamento do CIF, vivia-se já um contexto de acesa rivalidade entre Benfica e Sporting. Dois anos antes, Artur José Pereira, jogador virtuoso dos quadros do Benfica e a grande estrela das primeiras décadas do futebol português, tinha desertado para o SCP, a troco de um bom salário e mordomias diversas. Depois disso os dois clubes tinham estabelecido um pacto de cavalheiros de forma a não contratar jogadores entre si, sem confirmar o desinteresse da outra parte. O Benfica respeitou sempre esse acordo...

Em termos desportivos, o Benfica era campeão regional, título arrebatado ao SCP depois de, em 1914-1915, nos terem impedido, pela primeira vez na nossa história, de conquistarmos um tetracampeonato!

Nesses primeiros dias de abril, o campeão Benfica venceu o Sporting por duas vezes, dando o aviso que continuava a ter acesa a chama da conquista e que a nova temporada continuaria a marcar a superioridade vermelha. Assim foi!



1916: procuram-se novas estrelas!

No início da temporada 1916-1917, o Benfica tinha o grande desafio de substituir Cosme Damião, que tinha deixado de jogar, passando em exclusivo para a coordenação de todo o futebol Benfiquista. Álvaro Gaspar tinha morrido no ano anterior e Artur José Pereira tinha desertado para o Sporting fazia já duas temporadas.

Quer isto dizer que o Benfica tinha perdido as suas três grandes estrelas do futebol. Novas estrelas estavam na forja e a mais cintilante, o preferido das massas adeptas, era o extremo-esquerdo, Alberto Rio!

Alberto Rio teve uma carreira longa, repleta de golos, de grandes exibições, mas, como veremos, também de polémicas e roturas. Era um jogador franzino, de baixa estatura, mas de fino recorte técnico, rápido e contumaz. Tinha golo, tinha talento e tinha nervo. Antes como agora, os adeptos dedicam o seu carinho a estes jogadores que contrastam dos restantes.

Assim, não admira que, num tempo, o jogo que se praticava era geralmente pouco técnico e muito violento, jogador adversário que magoasse Alberto Rio fosse alvo da fúria dos adeptos Benfiquistas. E, em alguns dias a contestação acabou mesmo em invasões de campo! Alberto Rio era idolatrado e protegido pelos Benfiquistas.



Alberto Rio numa investida ao seu estilo num jogo contra o SC Império. Também visível na foto, reconhece-se Álvaro Gaspar. Os dois fizeram uma asa esquerda demolidora para os adversários. Fonte: História SLB 1904-1954.



Das praias de Belém, veio o Rio de paixões


Alberto Sousa Rio nasceu em Belém, na Rua das Freiras às Salésias, nº 45, no dia 9 de janeiro de 1892. Era filho de Eugénio de Sousa Rio, cordoeiro de profissão, também natural de Belém e de Palmira da Conceição, doméstica, natural de Benfica.

Era primo, pelo lado materno, de Francisco Belas, outro belenense que era 4 anos mais velho e que também pertenceu aos quadros do Benfica, entre 1910 e 1919. Alberto teve ainda um irmão, Joaquim, nascido em 20 de fevereiro de 1897 ou seja, 5 anos mais novo, e que também chegou a jogar em equipas juvenis e nas categorias inferiores do Benfica.

Foi na praia e nos descampados de Belém, que Alberto Rio teve os primeiros contactos com a bola, vendo jogar os categorizados pioneiros das primeiras equipas de futebol da nossa História.

Era um tempo de existência precária para múltiplos clubes, que se formavam e desfaziam, vergados às contas e à incapacidade de montar infraestruturas e equipas estáveis. Foram exemplo disso, o Sport Lisboa, o SU Belenense, o Sport de Belém, o Club Vasco da Gama, o Restelo FC, o FC Cruz Negra, e o Ajudense FC, etc.

Quando o Sport Lisboa foi fundado, em Belém, Alberto Rio tinha 12 anos, ou seja, era novo demais para estar envolvido nessa aventura. No entanto, terá sido testemunha desses tempos em que se deram os primeiros treinos nos descampados de Belém e da Ajuda.

Era o tempo em que a criançada emulava os ídolos da bola, pontapeando bolas de trapos, papeis velhos, o que quer que fosse que pudesse comportar-se como uma bola de futebol. Era o tempo de fugir de casa e de ir para trás das balizas dos ídolos, de esperar uma bola transviada e fugir com ela, evitando se possível levar uns taponas pela ousadia! Era o tempo de ficar com o vício entranhado no corpo de tal forma que duraria até ao fim das suas vidas. Era o tempo do futebol puro e apaixonado. Foram esses os tempos da infância de Alberto Rio.



Os jogos e os treinos em Belém, no início do século XX, tinham sempre multidões a assistir. É perfeitamente visível a presença de crianças.


Para piorar, em casa, o pai Eugénio nem queria ouvir falar de futebol, mas pela insistência ou pela incapacidade de torcer o miúdo e ainda pela intervenção do primo Francisco Belas, o pequeno Alberto lá conseguiu que lhe comprassem umas botas de futebol e lhe dessem a autorização para que entrar no "team" infantil do Sport União Belenense (SUB).



Equipa do Sport União Belenense, talvez de 1907. Clube efémero de Belém, onde se revelaram Francisco Belas e Artur José Pereira.


O SUB, que se vestia de azul, teria existência efémera apesar de ter alguns feitos desportivos nos campeonatos regionais. Os seus futebolistas mais destacados vieram a ser Francisco Belas, Artur José Pereira, Salvador Ângelo e Francisco Viegas. Todos eles vieram a integrar os quadros do Benfica.

Em 1907, Alberto Rio rondava os 15 anos e ainda estava na equipa juvenil do SUB mas por volta de 1909 acabaria por também se juntar aos quadros do Sport Lisboa e Benfica, atraído pela sua popularidade e crescente grandeza.



Equipa da 1ª categoria do Benfica de 1912-1913, onde jogaram ao mesmo tempo os 4 futebolistas vindos do Sport União Belenense.


Curiosamente, a primeira ligação da família Rio ao nosso Clube, deu-se ainda nos tempos do Sport Lisboa, quando em janeiro de 1906, Manuel Gourlade emitiu uma fatura, atestando que o Clube tinha pago 900 reis a Eugénio do Rio, pela reparação de uma rede de baliza!



Fonte: História SLB 1904-1954


Em 1909, quando Alberto Rio entrou para o Benfica, já tinham passado os tempos do Sport Lisboa, clube sediado em Belém, mas ainda assim mantinham-se intactas as ligações do clube vermelho ao universo belenense. Aliás, Belém continuava a ser o grande viveiro de novos jogadores para o Clube.



Uma estreia em grande!

Espantosamente, Alberto Rio faria a primeira partida pela 1ª categoria do Benfica logo no dia 28 de fevereiro de 1909, ou seja, num dia em que o Clube completava 5 anos e em que Alberto tinha pouco mais de 17 anos de idade. Nessa precoce estreia, que provavelmente apenas aconteceu por uma rara conjugação de circunstâncias, o Benfica defrontou justamente o SUB. Vencemos por concludentes 5-0 e com a marca distintiva de Alberto Rio ter marcado o último golo!

Apesar dessa ascensão meteórica à primeira equipa, nas suas três primeiras temporadas Benfiquistas, Alberto não se fixou como titular, tendo sido inscrito e disputado muitos jogos pelas categorias inferiores, em particular pela 2ª categoria. Viveu então tardes vitoriosas em que o perfume do seu futebol valeu golos e títulos, deixando claro que o seu destino era a primeira categoria.



Alberto Rio na 2ª categoria do SLB. Fonte: História SLB 1904-1954



Aliás, é muito provável que a sua ascensão à primeira categoria não tenha sido mais rápida pelo facto de Cosme Damião dar muita importância à competitividade e aos títulos conquistados, em todas as categorias. De forma coerente, o Clube tinha um modelo desportivo em que mobilizava pontualmente alguns elementos da primeira equipa para as categorias inferiores assegurando a transmissão de experiência competitiva aos mais novos, e também a exemplificação do comportamento desportivo que era exigido aos atletas do Clube. Os veteranos Carlos França, Félix Bermudes, António Costa e David da Fonseca foram exemplos dessa transmissão da Mística!



Fonte: História SLB 1904-1954



Vitórias, golos e títulos!

A partir de janeiro de 1913, Alberto Rio fixar-se-ia definitivamente na 1ª categoria, jogando ao lado de Cosme Damião, Álvaro Gaspar e Artur José Pereira, entre outros. Foi um tempo de grandes equipas e grandes vitórias.



Os campeões regionais de Lisboa em 1913-1914. Alberto Rio, sentado na extrema esquerda, integrado numa das mais famosas equipas da História do Sport Lisboa e Benfica.


Na primeira categoria, ao longo das 10 temporadas em que jogou no Benfica, Alberto Rio foi titular em 6, disputando 121 jogos, marcando 78 golos e conquistando 7 títulos regionais de Lisboa, em futebol. Estes números, impressionantes para a época, são conclusivos acerca da qualidade e da importância da contribuição de Alberto Rio para os triunfos Benfiquistas.



Em 1913, com 25 anos de idade, Alberto Rio já tinha algum destaque mediático, como um dos elementos da equipa do Benfica que venceu um misto inglês durante umas festas organizadas por José de Alvalade e o seu avô visconde... Fonte: Hemeroteca Lx



Em termos internacionais, Alberto Rio falhou a digressão de uma seleção de Lisboa ao Brasil, apesar de estar em esplêndida forma. Foi preterido por João Bentes do SCP..., talvez uma questão de estatuto, talvez pela impossibilidade de deixar o trabalho e ausentar-se do país. Não integrou também a digressão do Benfica a Bilbau e a Madrid, na transição entre 1914 e 1915, mas esteve presente nas digressões do Benfica pela Corunha em 1912 e por Madrid em 1913.



Fotografia colorida a partir de original publicado em História SLB 1904-1954


O último jogo de Alberto Rio no Benfica, foi disputado no dia 3 de Fevereiro de 1918, uma vez mais contra o Império, numa vitória Benfiquista por 2-1, com golos de Manuel Veloso e Artur Augusto (https://serbenfiquista.com/jogo/futebol/seniores/19171918/campeonato-de-lisboa/1918-02-03/imperio-lisboa-clube-1-x-2-sl).



Apesar de datada de 2 de novembro de 1913, a imagem colorida dá uma ideia do que terá sido o último jogo de Alberto Rio com a camisola vermelha. Pelo Império reconhece-se Robert de Matos, jogador que anos antes também passou pelos nossos quadros. Fonte: História do SLB 1904-1954 e Hemeroteca Lx



Em fevereiro de 1918, quando abandonou o Benfica, Alberto Rio era o melhor marcador de sempre do Clube, com 78 golos marcados. Somente 3 anos depois, Herculano Santos ultrapassaria esta marca.

No próximo texto falaremos dos litígios e das polémicas que rodearam a saída e o possível regresso de Alberto Rio ao Sport Lisboa e Benfica.




Alexandre1976

Estas aulas de Benfiquismo enchem a alma.
Obrigado enorme Red VC.

RedVC

Citação de: Alexandre1976 em 10 de Outubro de 2021, 20:05
Estas aulas de Benfiquismo enchem a alma.
Obrigado enorme Red VC.

Muito obrigado, Alexandre  O0

RedVC

#1098
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Rio de paixões (parte II)


Turbulência no Campo Grande



As circunstâncias que levaram à saída de Alberto Rio do Benfica foram rocambolescas e nem tudo está esclarecido. Em fevereiro de 1918, após algum tempo de insatisfação pessoal por motivos não conhecidos, Alberto Rio faltou a um jogo da 1ª categoria. Deixou também de comparecer aos treinos e, apesar de questionado, não justificou as ausências.

Em coordenação com o Conselho Técnico do Clube, a Direção do Benfica, então liderada por Bento Mântua, esperou até ao dia 12 de junho de 1918, altura em que puniu o jogador com 6 meses de suspensão de atividade. Apesar do jogador continuar ausente, e das polémicas então verificadas, em outubro de 1918, o Benfica ainda procedeu à renovação da inscrição do jogador na Associação de Futebol de Lisboa.

Só que, para surpresa geral, no dia 2 de junho de 1918, em dia de jogo no Campo Grande, Alberto Rio aparece vestido com as cores do SCP num jogo em que os leões defrontavam o Sevilha FC. A surpresa e a reação do público acabaram por aconselhar a que o jogador não jogasse essa partida.

No dia 19 de junho, a comissão diretiva do SCP enviou à Direção do Benfica, um pedido de informação sobre a situação de Alberto Rio. Com este pedido, comprovava-se que os leões tinham tentado utilizar um jogador que ainda não tinha sido proposto para associado do SCP, um requisito indispensável para a época. E, muito menos, tinham verificado se o jogador estava efetivamente desligado do anterior clube....

A resposta da Direção do Benfica esclareceu que o jogador continuava a ser associado do Benfica embora estivesse suspenso de atividades desportivas. O SCP enviou então a incrível resposta de que, depois de analisar os estatutos do Benfica, considerava que esse castigo era extemporâneo e que não era aplicável ao dito jogador!



Actores maiores das turbulências em torno de Alberto Rio


Interessa dizer que à época, dois anos passados desde a deserção de Artur José Pereira, vigorava um acordo de cavalheiros entre os dois clubes. Ambos se comprometiam a consultar o clube rival para evitar contratações de jogadores ainda com vínculo associativo à outra parte. Esse acordo tinha aliás sido respeitado pelo Benfica nesse mesmo ano, quando, em abril de 1918, o jogador sportinguista Jaime Gonçalves se ofereceu para ingressar no Benfica. Essa inscrição foi rejeitada pela Direção de Bento Mântua, depois de falar com a comissão administrativa do SCP.

Pouco tempo depois, no dia 7 de julho de 1918, Alberto Rio lá se estreou com as cores do Sporting, enfrentando o Império LC, na meia-final da "Taça mutilados de guerra"! Foi um escândalo! As bancadas do Campo Grande estavam ainda repletas de adeptos Benfiquistas, uma vez que ali mesmo tinha acabado de se disputar a primeira meia-final dessa competição, em que o Benfica venceu o Vitória de Setúbal (3-2)!

À visão de Alberto Rio com as cores do Sporting, respondeu o público com uma enorme contestação, pouco se importando com a presença do presidente da República, Sidónio Pais! Foi um daqueles momentos de esvaziamento de um ídolo das multidões. E, o facto é que, o jogador jogou pouco no SCP e nunca mais se mostrou ao nível que se tinha exibido no Benfica. Alberto Rio tinha 26 anos de idade.

A situação de Alberto Rio causou também enormes tensões internas no Sporting, com alguns dirigentes a revoltarem-se perante tão grosseiro desrespeito do pacto de cavalheiros que existia com o Benfica. E assim, no dia seguinte à estreia de Alberto Rio no SCP, dois diretores sportinguistas, Mário Pistachini e Manuel Cárabe, demitiram-se da comissão administrativa do clube, que então geria o clube, na sequência de uma crise diretiva que tinha levado à saída de José Alvalade. Pistachini, foi ainda mais longe, e por uma questão de honra pessoal, escreveu uma carta à Direção do Benfica, apresentando as suas desculpas.



Carta de demissão do dirigente sportinguista Mário Pistachini, na sequência do caso Alberto Rio. Fonte: adaptado de História SLB 1904-1954



No final dessa temporada, apesar do SCP ter vencido o campeonato regional, Alberto Rio abandonou o SCP, percebendo que não tinha condições para permanecer no Campo Grande. Aparentemente, o seu ingresso no SCP ter-se-á ficado a dever a uma sugestão feita pelo seu amigo Artur José Pereira, mas nem este o terá convencido a ficar. Foi tão curta e tão apagada essa experiência sportinguista, que nem sequer encontrei uma fotografia de Alberto Rio com a camisola Stromp...



Turbulência em Belém



Depois do SCP e sem destino definido, Alberto Rio esteve uma temporada sem jogar, treinando no Sport Clube Bom Sucesso, popular coletividade da zona de Belém. Ali aguardou uma oportunidade que chegaria apenas em agosto de 1919.

Em finais de 1918, Alberto Rio ter-se-á até mostrado disponível a regressar ao Benfica, mas essa intenção gerou polémica entre a massa associativa e não foram tomadas decisões. Ao mesmo tempo existiam conflitos internos entre Carlos Sobral, elemento preponderante de equipa de futebol e membro da Comissão Técnica do Clube (juntamente com Cosme Damião). Todas estas situações agudizavam tensões internas nunca resolvidas desde os tempos da mudança de Belém para Benfica.

Ora, os quadros de futebolistas tinham ainda diversos jogadores veteranos, naturais de Belém: Henrique Costa, Romualdo Bogalho, Francisco Pereira, Aníbal dos Santos e Manuel Veloso. Todos sentiam a nostalgia do passado e a crescente falta de identificação com os novos tempos, num Clube cada vez com maior dimensão e quase desligado de Belém. Todos estavam também contra as punições disciplinares de Alberto Rio e a favor da posição de Carlos Sobral. Crescia e aglutinava-se o descontentamento....

Mas as sementes de insatisfação belenense germinavam também no Campo Grande. Apesar de ser a estrela do SCP, também Artur José Pereira estava insatisfeito, sentindo cada vez mais premente a necessidade de sair para por fim fundar um clube na sua terra. Verdade ou fantasia, diz-se que o nascimento do CF "os Belenenses, foi decidido em finais de agosto de 1919, no jardim Afonso Albuquerque, num banco de pedra, que ainda hoje lá está identificado.



Fonte: CFB


A esse propósito, Henrique Costa lembrou muitos anos depois, os eventos desse dia;

(...) O Artur era o defensor acérrimo da fundação de um grande grupo em Belém. Dois anos antes do aparecimento dos 'Belenenses' havia acabado o 'União Sport Belenense', pequeno agrupamento onde jogavam [jogaram], além do Artur, Francisco Belas, Amadeu Cruz e outros que não me recordo.

Porém, o Artur não desistia e, uma noite em fins de Agosto de 1919, num banco do jardim Afonso de Albuquerque aproveitou a presença de um numeroso grupo de amigos para debater a sua idéia de sempre. Estavam presentes Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes e os futebolistas Francisco Pereira, Manuel Veloso, Romualdo Bogalho, Artur José Pereira e eu.

O seu pretexto que, aliás, veio a vingar era o de responder à atitude do Benfica que castigava Alberto Rio, formando um grupo que reunisse todos os jogadores do bairro espalhados pelos principais clubes da cidade.

Eu fui o único que se opôs à fundação do grupo, mas por unanimidade fui designado para me avistar com a Direcção do Benfica, fazendo-lhe sentir a mágoa provocada pela saída do Alberto Rio que no caso de não ser readmitido levaria os rapazes de Belém a constituírem um grupo de futebol. A Direcção do Benfica não fez caso e eu, a partir desse momento, emparceirei com os restantes."
Fonte: blogue "Canto Azul ao Sul"


Pelo que atrás se disse, importa ressalvar a figura Henrique Costa, então capitão de equipa e talvez o mais notável defesa das primeiras duas décadas do nosso futebol. Em 1919, Henrique continuava a ser um leal companheiro de Cosme Damião, um veterano de muitas batalhas. Tinha um trajeto ilustre no nosso Clube, mesmo quando nos lembramos que, em maio de 1907, desertou para o SCP, pensando que o Sport Lisboa estava condenado à extinção. Um ano depois regressou, logo que se certificou que o Clube continuava vivo.

Durante os conflitos de 1918 e 1919, Henrique Costa tentou fazer pontes entre as duas partes, mas sem qualquer sucesso. Perante a cisão, acabou por falar mais alto o seu amor por Belém e decidiu abandonar o Sport Lisboa e Benfica e ajudar a fundar o CF "os Belenenses". E seria dele a proposta de adotar a cor azul para os equipamentos do FCB.

O abandono de Henrique Costa foi uma perda significativa, mas em nada faz desmerecer a nobre e inestimável contribuição que deu ao Sport Lisboa e Benfica.



Quatro figuras chave na fundação do CF "os Belenenses"


A proposta de fundação do novo clube foi então apresentada a duas figuras ilustres de Belém, dirigentes respeitados do futebol lisboeta: Virgílio Paula e Francisco Reis Gonçalves. O primeiro foi jogador do Benfica entre 1908 e 1913. O segundo foi fundador do... Sport Lisboa! Ambos apoiaram a proposta e deram consistência ao projeto. O CFB nasceria em 23 de setembro de 1919.

Do Benfica, vieram: Henrique Costa, Carlos Sobral, Francisco Pereira, Romualdo Bogalho, Joaquim Rio, Francisco Belas, Aníbal dos Santos e Eduardo de Azevedo. Do Sporting veio: Artur José Pereira. De notar que outros elementos antigos do Benfica estiveram presentes quer na fundação quer nos órgãos sociais do clube nesses primeiros anos: António Bernardino Costa e Luís Vieira são dois exemplos desse envolvimento de membros dos tempos do Sport Lisboa.



Os 28 fundadores do CFB


A estes juntou-se... Alberto Rio!



A primeira equipa da história do CF "os Belenenses". Alinhou contra o Vitória FC no dia 30 de novembro de 1919. Dos 11 jogadores, 6 vieram do Benfica e 2 do Sporting. Todos esses 8 jogadores passaram pelos quadros do Benfica.


De zangas recentes e nostalgias persistentes, assim se fundou o CFB!

Os manos Rio puderam enfim jogar juntos.



Os manos Rio.


Alberto Rio ainda conseguiu recuperar alguma da sua forma antiga, tendo sido selecionado por duas vezes para representar a seleção nacional portuguesa, no segundo e no terceiro jogos da história da FPF.



Os dois jogos internacionais de Alberto Rio. Fonte: FPF



Antes, no primeiro jogo, o seu nome foi falado assim como o de Artur José Pereira, e uma vez mais com polémica, mas isso são outras histórias.



Segunda edição do DL de 17-12-1923 sobre o segundo jogo da selecção nacional. De notar o destaque dado a Alberto Rio.




Cumprimentos antes do Portugal – Espanha de 16-12-1923, vencido pelos espanhois por 2-0. Alberto Rio cumprimenta o capitão espanhol, Alcantara. Fonte DL


Jogou no CFB até à temporada 1925. Nas décadas seguintes tornou-se uma figura respeitável do clube do Restelo, sendo homenageado em diversas ocasiões. Em particular, depois de 1945, data da morte de Artur José PEreira, tornou-se na elemento ainda vivo, celebrado dos tempos da fundação do Clube.


Alberto Rio homenageado no Estádio do Restelo na década de 60. Fonte: Belenenses Ilustrado


Alberto de Sousa Rio faleceu em Belém, no dia 15 de dezembro de 1978. Tinha 86 anos de idade.

Joaquim de Sousa Rio veio a falecer no dia 11 de agosto de 1981. Tinha 84 anos de idade.

Paz à memória dos manos Alberto e Joaquim Rio.



luckyluke

#1099


Esta grande equipa do Benfica e com Mortimore a treinador que fez parte de do recorde da europa de 56 jogos consecutivos sem perder (entre 1976/77 e 1978/79), recorde que ainda hoje vigora em Portugal, foi na antepenúltima jornada  assaltada em Maio de 1978 em pleno dia nas Antas acabando por perder o tetra e o campeonato nacional sem derrotas e em igualdade de pontos com os corruptos que já na altura começavam com a podridão do futebol português sendo o Pinto da Costa o chefe de departamento de futebol.

Em cima da esquerda para a direita: Eurico-Nené-Bastos Lopes-Toni-José Luis e Fidalgo.
Em baixo pela mesma ordem: Chalana-Pietra-Humberto Coelho-Alberto e Shéu.

https://em-defesa-do-benfica.blogspot.com/2019/05/como-se-impediu-um-tetra-do-benfica-em.html

Ned Kelly


Alexandre1976

O Bento não jogou nesse jogo porque tinha sido expulso em Setubal 2 jornadas antes. E tinhamos perdido durante a época 2 jogadores extraordinarios,Os 2 Vitores,o Martins e o Baptista.

RedVC

#1102
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Um Príncipe e um Marquês

Tóquio, Japão, dia 29 de agosto de 1970



Um momento excepcional da dimensão universal do Sport Lisboa e Benfica. (foto colorida a partir de original sportshows


Um príncipe do império do sol nascente!

Masahito, o príncipe Hitachi do Japão, segundo na linha de sucessão do trono imperial e a sua esposa, a princesa Hanako, descem ao relvado do Estádio de Osaka, para tirar uma fotografia com a equipa principal e futebol do Sport Lisboa e Benfica.

Este gesto de um membro da Casa Imperial do Japão foi encarado como uma distinção que o Japão desejou fazer a Portugal e no caso particular ao grande Benfica. Não foi por acaso ou capricho.

O nosso Clube chegava a Tóquio, simbolizando na vertente social a excelência da Alma Lusitana, e na vertente desportiva a excelência competitiva traduzida nas muitas vitórias conquistadas na década anterior.

Embora a década de 50 tenha marcado um significativo aumento das digressões ao estrangeiro do Sport Lisboa ao Benfica, foi na década de 60, com as conquistas europeias, que se deu a universalização do Benfica. Em sucessivas digressões, o nosso Clube adquiriu notoriedade planetária, sempre honrada pela distinção social e desportiva com que se apresentava.

Interessa também lembrar que as relações entre japoneses e portugueses são especiais pela sua antiguidade e pela sua natureza, distinta relativamente aos restantes ocidentais.

Os primeiros marinheiros das naus portuguesas, vindos de Macau, desembarcaram nas praias da ilha de Tanegashima em 1543, um tempo em que o Japão se encontrava relativamente isolado do mundo exterior.



"Chegada de uma nau portuguesa". Biombo de Arte Nanbam, (1620-1640). Fonte: Google Arts & Culture



Portugal e o país do sol nascente

Portugal foi a primeira nação europeia a chegar e a estabelecer relações diplomáticas e comerciais com o Japão. A sua chegada, aparentemente por caprichos de uma violenta tempestade, acabaria por originar um intercâmbio comercial e cultural inédito para os japoneses.

Acerca dos portugueses, para lá de alguns costumes e modos considerados bárbaros pela sua sofisticada cultura, os japoneses mostraram-se curiosos e ávidos de conhecimento. Foi também uma oportunidade de ganhar consciência da configuração do planeta, dos seus continentes, povos e oceanos.

Em 1606, Teppo Ki, na sua "Crónica da Espingarda", descrevia as impressões do chinês que atuou como intérprete entre o Senhor de Tanegashima e os primeiros portugueses a chegar ao Japão:

"Estes homens bárbaros do Sudeste são comerciantes. Compreendem até certo ponto a distinção entre superior e inferior, mas não sei se existe entre eles um sistema próprio de etiqueta. Bebem em copo sem o oferecerem aos outros; comem com os dedos, e não com pauzinhos como nós. Mostram os seus sentimentos sem nenhum rebuço. Não compreendem os caracteres escritos. São gente sem morada certa, que troca as coisas que possuem pelas que não têm, mas no fundo são gente que não faz mal". Fonte: http://www.culturajaponesa.com.br/


Do lado dos portugueses, a imagem de civilidade em que, de modo implícito, os japoneses se reviam é posteriormente relatada pela Companhia de Jesus que salientaram a polidez no trato, a afabilidade, o respeito pelas precedências, o horror ao furto ou a frugalidade na alimentação... (fonte: Expresso)

A influência portuguesa no Japão estabeleceu-se em quatro grandes áreas: religiosa, política, cultural e económica. Os portugueses deram aos japoneses contacto inédito com produtos e técnicas até então desconhecidas. Influenciaram a dieta alimentar; as técnicas metalúrgicas, a construção naval e os meios de navegação. Levaram um novo tipo de farmacêutica e medicina, deram a conhecer novas línguas, como o português e o latim; transmitiram novas noções estéticas e diferentes estilos artísticos, roupas e armaduras ocidentais, a pintura a óleo, a matemática, a geografia, a engenharia, e a música. Deram também a conhecer o uso do relógio, do vidro, dos óculos, dos espelhos e da lã. (adaptado de https://www.vortexmag.net/a-influencia-portuguesa-na-cultura-do-japao/)

Igualmente importante é a introdução das armas de fogo e o uso da pólvora no arquipélago japonês, que terá ocorrido de modo espontâneo pelos primeiros mercadores portugueses. O senhor de Tanegashima terá comprado de imediato dois arcabuzes, sem discutir sequer o preço, para logo de seguida, ordenar a um dos seus vassalos o estudo do método de fabrico dos arcabuzes. O estudo foi bem-sucedido e a fama das armas de fogo espalhou-se de Kyushu a Kyoto (fonte: Expresso). Essa introdução terá permitido que o Japão se armasse e organizasse de forma a dissuadir o expansionismo do império asiático espanhol para o arquipélago nipónico, garantindo um destino bem diferente do das Filipinas.

Os fluxos comerciais geridos pelos portugueses no Japão prosperaram até cerca de 1641. Nessa altura os portugueses foram banidos e substituídos pelos holandeses, que não tinham quaisquer propósitos missionários cristãos. A fascinante e diversificada influência portuguesa no Japão ainda hoje é reconhecível.




Os japoneses conhecem e valorizam o impacto e o significado histórico que Portugal teve na história do seu país.

Ora, em 1970, o Japão organizava a Exposição Mundial de Osaka, evento marcante para os nipónicos, e no qual os portugueses participaram com um pavilhão e com eventos culturais e desportivos. Deu-se plena importância à secular relação entre os dois povos organizando espetáculos por figuras relevantes da Cultura nacional tais como Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Duo Ouro Negro e... num outro registo, o "Benfica de Eusébio"!


https://www.youtube.com/watch?v=wup7srQ2wRo
A Expo Mundial de Osaka, 1970


O Benfica foi convidado no contexto dessa Expo 1970, mas também no âmbito do programa das celebrações do jubileu (50 anos) da "Associação de Futebol do Japão", ou seja, a federação japonesa de futebol. O convite e a forma como o Benfica foi recebido no Japão, mostraram bem a importância que o Sport Lisboa e Benfica mereceu das autoridades nipónicas. As expectativas ficaram bem expressas nos bilhetes.



Bilhetes relativos aos dois jogos de Tóquio, onde se associavam símbolos nacionais e desportivos, identificando Benfica e Eusébio.



Um marquês... da Praia e Monforte!

Ao lado do príncipe Masahito, e comandando a comitiva Benfiquista, identifica-se o Dr. Duarte António Borges Coutinho. Não que no Benfica isso fizesse qualquer diferença e muito menos que o Dr. Borges Coutinho fizesse a mais alusão ao facto, mas na verdade era detentor do título nobiliárquico de 4º Marquês da Praia e de Monforte. Nobre, sim, mas de sangue vermelho, à Benfica!



O 26º presidente da História do Sport Lisboa e Benfica.


O melhor texto que conheço sobre o Dr. Borges Coutinho, Águia de Ouro em 1973, é da autoria de Alberto Miguéns e pode e deve ser lido, aqui:



Uma longa digressão

A chegada da comitiva Benfiquista a Osaka aconteceu no dia 23 de agosto de 1970, embora tivessem saído de Portugal quase um mês antes. Aliás, saíram em 27 de julho de 1970, no dia em que morreu Salazar! Antes de chegar ao Japão, o Benfica iniciou a digressão em Luanda, passando depois por Lourenço Marques e, entrando na Ásia, esteve em Macau e Hong Kong.

Com escala na Ilha Formosa, os Benfiquistas chegaram finalmente a Osaka, num dia chuvoso, instalando-se em Kobe, onde a 25 de agosto disputaram o primeiro de três jogos contra a seleção do o Japão.



Eusébio e Matine na chegada a Osaka.


Os dois restantes jogos foram disputados em Tóquio. Foram três vitórias, com um acumulado de 13-2, em golos (3-0; 4-1 e 6-1). A digressão depois seguiria para Seul, Coreia do Sul, tendo ali o Benfica disputado dois jogos contra duas seleções coreanas (vitória 5-0 e empate 1-1).



O plantel


Não são precisos muitos adjetivos, pois não?



Parte da comitiva Benfiquista na digressão "Africa-Ásia" de agosto-setembro de 1970.


Há uma elevada probabilidade de a comitiva ter integrado mais alguns membros do apoio técnico e tenho dúvidas sobre quem efetivamente foi por parte da equipa médica.

Apesar da superlativa qualidade do plantel, a nova temporada era iniciada num contexto marcado pela desastrosa temporada anterior, por sinal a primeira em que o Dr. Borges Coutinho tinha preparado. E não se podia dizer que tivesse tomado más opções pois manteve Otto Glória, treinador campeão e tinha contratado Fonseca, Messias e principalmente Artur Jorge. Assim, nessa desastrosa temporada de 1969-1970, o Benfica apresentava-se com tricampeão e com o plantel reforçado, tudo apontando que fosse finalmente conquistado o tetracampeonato. Ao invés, tudo correu mal ou até extremamente mal.



A catastrófica temporada de 1969-1970 foi a base com que o Dr. Borges Coutinho e Jimmy Hagan prepararam a temporada de 1970-1971...


O único consolo acabou por ser a conquista da Taça de Portugal, vencendo o Sporting CP por claros 3-1. Foi a confirmação da maior classe do nosso plantel, mas também a demonstração de que era necessária outra orientação e acima de tudo outra disciplina.

No balanço dessa temporada desastrosa, e com apenas um ano de presidência, o Dr. Borges Coutinho tinha a dura tarefa de preparar a época de 1970-1971. O desafio passava não apenas por rejuvenescer a equipa, mas também por disciplinar e rentabilizar o grande talento que ainda existia no plantel, isto apesar das saídas de jogadores marcantes como Coluna, José Augusto, Cruz, Humberto Fernandes e Abel. No sentido oposto, tinha sido feita apenas uma aquisição com algum impacto no plantel: Barros.... Ou seja, ficou claro que as mudanças não passavam por contratações.



O plantel de 1970-1971.


E, para um homem educado na disciplina inglesa, a lógica ditou a entrada de um novo treinador, o duro e fleumático Jimmy Hagan. Assim, o segundo treinador britânico dava os primeiros passos ao leme do nosso futebol, tendo-se estreado num jogo em Luanda em que vencemos o Vitória FC por 2-1.



Jimmy Hagan ladeado por José Augusto (adjunto) e Francisco Calado (chefe do departamento de futebol). (Fotografia colorida a partir de original Sportsphoto)


Hagan seria uma aposta ganha, mas teve um início muito mais complicado do que hoje as pessoas recordam. Foram as queixas dos jogadores por via dos inusitados treinos e do rigor disciplinar do inglês e foram também os resultados desportivos e o atraso pontual para o Sporting durante a primeira volta. No final seríamos campeões com classe, iniciando a conquista de mais um tricampeonato.


Eusébio 4 - Japão 1!


Voltando ao jogo de Tóquio, com uma assistência de cerca de 50.000 pessoas e com transmissão televisiva A CORES, o que significa que milhões de pessoas viram a partida, o Benfica alinhou de inicio com o seguinte onze:



(Fotografia colorida a partir de original Sportsphoto). Jogariam ainda Barros, Vítor Martins, Praia e Raul Águas.


Ainda antes do jogo se iniciar foi captada uma outra imagem que mostra a comemoração entre as 3 equipas em campo. Uma celebração da amizade entre os povos, com a linguagem comum do futebol. Também um reconhecimento à excelência do Benfica e de Eusébio.



As três equipas em confraternização. (Fotografia colorida a partir de original Sportsphoto)


E quanto ao jogo, sendo preciso lembrar que era um jogo de pré-temporada, temos a sorte de ter disponíveis quer um resumo quer o jogo integral. É só é pena que as imagens a cores não estejam disponíveis:






Uma vez mais Eusébio deu plena expressão à sua classe, reforçando a dimensão planetária do Benfica. Foram quatro golos, mas poderiam ter sido mais outros tantos, entre bolas ao poste e defesas apertadas do guarda-redes adversário. O quarto golo de Eusébio foi uma obra-prima e foi saudado por uma estrondosa ovação por parte do público nipónico.



Eusébio na plena expressão das suas faculdades, arrasou no país do sol nascente!


Valha a verdade, foi mais um Eusébio 4 – Japão 1!



Fonte: sportshow e DL



No jogo seguinte Eusébio marcaria mais dois golos, na vitória sobre a seleção japonesa por conclusivos 6-1.


Uma lenda!




Eterno Eusébio, eterno Benfica!




Ned Kelly


RedVC

Citação de: Ned Kelly em 13 de Outubro de 2021, 22:20
RedVC,
Lenda do SB!

:ashamed:



Obrigado, Ned. O0

Este foi bem esgalhado e deu algum trabalho


Ned Kelly

Foi desta digressão que trouxemos a vénia que a equipa fazia aos sócios na Luz.

Baron_Davis


RedVC

Citação de: Baron_Davis em 14 de Outubro de 2021, 12:02


17 de Março de 1976. Estádio Olímpico de Munique. Dia de temporal de golos bávaros...

Benfica com uma grande equipa mas que deu de frente contra um colosso.

https://serbenfiquista.com/jogo/futebol/seniores/19751976/taca-dos-campeoes-europeus/1976-03-17/bayern-munchen-5-x-1-sl





O meu falecido pai dizia que o Benfica quando jogava de branco a coisa corria para o torto. É claro que era enfatizar algumas experiências pontuais mas que lhe deixaram mossa como a final de Wembley, em 1968 e este jogo.

Eu, já me lembrava do fabuloso Roma 1-2 Benfica e por isso não ligava muito a esta suposição do meu pai. Depois fiqeui alérgico ao amarelo com que o Liverpool se apresentou alguns anos depois na Luz...


RedVC

Citação de: Ned Kelly em 14 de Outubro de 2021, 11:32
Foi desta digressão que trouxemos a vénia que a equipa fazia aos sócios na Luz.

Sim, penso que foi António Simões que lançou a ideia.

Para um miúdo que eu era, ver aquilo na década de 80 dava-me uma boa ideia do que era ter classe. Havia respeito pelos sócios, e receio pelo tribunal da Luz no 3º anel, como se dizia.

O meu Clube de infância tinha demasiada democracia. Mantinha a honrava a tradição, garantida em tempos bem mais exigentes e duros do que os que hoje vivemos. Foi assim que se fez gigante e é assim que tem de voltar a ser, para ser amado, para ter futuro e para continuar a honrar os Ases que lhe honraram o passado.

Alexandre1976

Essa equipa que perdeu em 76 em Munique já estava algo enfraquecida em relação ao dream team do inicio da decada de 70.A revolução e a consequente perda do poder em recrutar em África grandes jogadores aliada á politica de vetar o ingresso de estrangeiros no nosso plantel também ajudou.