Decifrando imagens do passado

alfredo

Victor. mais umas reportagens muito boas. grande trabalho. Especialmente a sobre Rui Gageiro, que deu para conhecer mais uma pessoa que merece mais mediatismo.

se me permitires, gostava de corrigir um pequeno erro no resumo 209. günther netzer é alemao, nao holandês.
um forte abraco

RedVC

#766
Citação de: alfredo em 15 de Abril de 2018, 10:34
Victor. mais umas reportagens muito boas. grande trabalho. Especialmente a sobre Rui Gageiro, que deu para conhecer mais uma pessoa que merece mais mediatismo.

se me permitires, gostava de corrigir um pequeno erro no resumo 209. günther netzer é alemao, nao holandês.
um forte abraco

Obrigado Alfredo  O0

As vitórias de 1961 e 1962 estão mal exploradas em termos de espólio fotográfico. Há muita coisa que não foi publicada ou que o foi na altura e não mais apareceu. É pena.

Netzer, claro. Até foi do Mönchengladbach para o Real por essa altura. Vou corrigir esse ponto.  Obrigado.

Abraço!

RedVC

#767
-211-
Cruzamentos para Amesterdão I – os protagonistas


Um Holandês e dois Húngaros. Três figuras da História do Futebol.




Três homens do futebol.


Estes três homens cruzaram-se por diversas vezes durante as respectivas carreiras mas tanto quanto sei apenas na noite de 2 de Maio de 1962 se reuniram num mesmo desafio de futebol. Nessa noite o Sport Lisboa e Benfica viria a sagrar-se bicampeão Europeu. Mas lá iremos.

Béla Guttmann, o nosso feiticeiro. Húngaro de nascimento, cidadão do Mundo por escolha e pelas circunstâncias da vida, Guttmann foi o homem que sublimou a Alma Benfiquista. Foi Guttmann que melhor tirou partido do nosso clube e das suas gentes, que com o seu saber nos levou à Glória Europeia. Lenda. Saudade. Carinho.

Férenc Puskás, o outro Húngaro, foi um dos maiores jogadores da História do Futebol. Puskás era um velho conhecido de Guttmann, e com quem manteve em alguns períodos uma relação profissional muito próxima recheada de extremos.

Leo Horn, um Holandês com uma vida interessante e que arbitrou alguns dos jogos mais importantes do Futebol nas décadas de 50 e 60. Horn era um velho conhecido dos dois Húngaros.

Não encontrei infelizmente nenhuma fotografia em que os três apareçam em simultâneo mas ainda assim a ideia do texto de hoje e do próximo, é falar de alguns dos episódios interessantes em que pelo menos dois deles se cruzaram. E como não poderia deixar de ser num fórum Benfiquista, culminaremos o próximo texto falando da grande final de Amesterdão, nessa mítica noite de 2 de Maio de 1962.



Leo Horn, o mata-gatos Holandês



Leopold Sylvain Horn (Sittard, Holanda, 29-08-1916 - Amstelveen, Holanda, 16-09-1995)



Leopold Silvine Horn ou Leo Horn como ficou conhecido, nasceu em 29-08-1916 em Sittard, Holanda. Terceiro de quatro filhos, o seu pai era comerciante em gado. Em 1928, a família Horn mudou-se para Amsterdão, meio mais cosmopolita e onde Horn sentiu menos os estigmas da sua ascendência judaica.

Leo Horn foi um árbitro prestigiado e um homem com uma vida invulgar, um sobrevivente de um tempo cruel. Holandês de nacionalidade, Horn tinha, tal como Béla Guttmann, ascendência judaica e por isso viria a sofrer duramente nos anos de ocupação nazi, período em que o seu irmão mais velho morreria num campo de concentração. Nesses anos Horn passou à clandestinidade e fez parte da resistência Holandesa, tendo sido conhecido pela alcunha de Dr. Van Dongen.

Findos esses anos de duras lutas pela sobrevivência, Horn regressou à vida civil, acumulando uma actividade profissional de empresário no comércio de têxteis com a arbitragem. Mas Horn foi também uma figura curiosa, excêntrica por vezes e que por circunstâncias assaz curiosas, acabou na parte final da sua carreira de árbitro por ser conhecido pela exótica alcunha de Kattenmepper, ou "Mata-gatos"... Essa curiosa história e muitas outras podem ser lidas em: http://www.maisfutebol.iol.pt/soldados-desconhecidos/rubrica/arbitro-talisma-heroi-da-resistencia-a-historia-do-mata-gatos e também https://beyondthelastman.com/2017/05/19/resistance-fighter-referee-the-life-times-of-leo-horn-part-2/



Fonte: Jac de Nijs / Anefo - Nationaal Archief Fotocollectie Anefo in wikipedia



Vaidoso, autoritário, expansivo, Horn tinha também vertentes bem-humoradas. A sua personalidade tinha no entanto traços dominantes que lhe permitiram destacar-se na arbitragem do futebol de alto nível, conduzindo-se sempre de forma exemplar, rigorosa e afirmativa. Ficaram célebres as suas vigorosas gesticulações quando tinha de impor as suas decisões por cima dos protestos dos jogadores. Usava e físico e a atitude!



Um inesperado disco em que Leo Horn participou mostrando o seu lado mais bem humorado. Lado A - Vamos fazê-los cheirar um "poopie". Lado B – Estás a fazê-lo outra vez.



O primeiro cruzamento entre Horn e Guttmann provavelmente terá ocorrido algures nos anos de 1935 e 1937 quando o Húngaro teve a sua primeira experiência profissional como treinador fora da Austria e da Hungria (ver o texto -208 – Laranja Vintage, pág. 51).

Nesses anos, o jovem Horn (19-21 anos) terá com certeza acompanhado o emocionante campeonato Holandês de 1935-1936 em que o SC Enschede treinado por Guttmann se bateu com galhardia contra os gigantes Ajax e Fejienoord.



HORN X GUTTMANN - Béla Guttman no SC Enchede 1935-1936. O jovem Horn terá provavelmente assistido a jogos onde a equipa de Guttman competiu para esse campeonato. Fonte: youtube


Como árbitro, Leo Horn iniciou a sua actividade em 1938. Depois, de 1951 a 1966, Horn veio a ostentar as insígnias FIFA, tendo arbitrado duas finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus, a primeira em 1957 em Madrid na final em que o Real Madrid venceu a Fiorentina (2-0) e a segunda em 1962 em Amesterdão na final em que o SL Benfica venceu o Real Madrid (5-3).

Horn arbitrou também jogos entre selecções e partidas do Campeonato do Mundo do Chile em 1962. Arbitrou até uma final da Taça Libertadores em Agosto de 1962 em Buenos Aires onde se defrontaram Santos e Penarol. Terminou a sua carreira internacional depois de conflitos com a FIFA que evitaram a sua participação no Mundial de Inglaterra. Ao todo, Horn terá apitado mais de 1500 partidas na Holanda e cerca de 133 partidas internacionais. Fonte: http://worldreferee.com/site/copy.php?linkID=2523&linkType=referee&contextType=stats




Alguns momentos marcantes do árbitro FIFA, Leo Horn.




Uma biografia de Leo Horn dando honras de 1ª página à sua participação no "Jogo do Século".



Mas talvez o seu momento mais alto tenha sido quando arbitrou o chamado "Jogo do Século", um amigável entre as selecções de Inglaterra e da Hungria, disputado no dia 25 de novembro de 1953 no antigo e mítico Estádio de Wembley. Nesse dia, Horn ter-se-á cruzado pela primeira vez com Férenc Puskás.



HORN X PUSKÁS - O Jogo do Século em Wembley no dia 25-11-1953. Arbitrado por Leo Horn, vitória da Hungria por 6-3.



https://www.youtube.com/watch?v=C15lz3U8f_s
Inglaterra 3 – Hungria 6, com relatos da época



Este foi um jogo-chave da História do Futebol em que a Hungria foi a Wembley estraçalhar a Inglaterra por 6-3 (ver: https://www.transfermarkt.com/spielbericht/index/spielbericht/1181783). O jogo marcou o princípio de uma nova era do Futebol Mundial, destruindo para sempre o que restava do mito da superioridade do futebol Inglês.


Para isso, o sagaz técnico Húngaro, Gusztav Szebes fez recuar os seus extremos (Czibor e Budai) e o avançado centro (Hidegkuti), convertendo os seus interiores (Kocsis e Puskás) nos verdadeiros avançados. Essa variante táctica (MM) e o virtuosismo de toda aquela linha ofensiva Húngara dinamitaram por completo o tradicional sistema Inglês (WM). Uns meses mais tarde a humilhação seria completada quando os Ingleses foram a Budapeste para serem arrasados por 7-1.

A nomeação de Horn reflectiu o grande prestígio e a isenção de que este gozava, atendendo ao nacionalismo e ao embate entre blocos políticos rivais que estava inerente a essa partida. Horn falaria pouco deste jogo mas revelou que tinha levado a preparação tão a sério que perdeu 7 kilos nas semanas anteriores para se apresentar na melhor condição física possível. Revelou ainda que em seu entender Psukás era o melhor jogador do Mundo.

Como nota final, pouco tempo antes de Leo Horn encerrar a sua carreira de árbitro internacional ainda teria oportunidade de arbitrar o jogo-chave entre Portugal e a Checoslováquia em 1965, disputado nas Antas e que selaria a qualificação da nossa selecção para o Mundial da Inglaterra. Uma carreira magnífica em que se cruzou de forma feliz com Portugal e com o Benfica!





Puskás, o major galopante




Férenc Puskás nasceu em Budapeste no dia 2 de Abril de 1927. Iniciou-se com 16 anos no Kispest, na altura um pequeno clube da periferia de Budapeste mas que depois da II Guerra Mundial se tornou o clube do regime passando a chamar-se Honvéd...

Fazendo parceria com o seu amigo Boszik, Férenc Puskás conquistou 5 campeonatos Húngaros (1949, 1950, 1952, 1954, 1955) ao serviço dos rubro-negros, marcando muitos golos. Nesses anos, com o seu prodigioso pé esquerdo, incrível habilidade e tremendo controlo de bola, Puskás, estabeleceu um sólido estatuto de estrela maior do prodigioso e técnico futebol Húngaro. Havia muitos e bons jogadores e muitos treinadores Húngaros estavam entre os mais evoluídos e competentes a nível mundial.

Antes dos anos de glória, Férenc Puskás foi ainda treinado por Béla Guttmann no Hónved de 1948-1949, anos que provavelmente marcaram o primeiro cruzamento profissional entre os dois Húngaros. Mas Guttmann, que tinha substituído o pai de Puskás, acabaria por sair de forma conflituosa do clube quando em seu entender Puskás desafiou a sua autoridade dentro de campo. Só alguns anos mais tarde os dois homens fariam as pazes.

Puskás estreou-se na selecção magiar no ano de 1945, equipa onde gradualmente confluiu uma notável constelação de jogadores tais como Czibor, Kocsis, Boszik, Hidegkuti, entre outros. Pelo carácter e pelo rendimento, Puskás era a estrela da companhia. Entre 1950 e 1956, os Mágicos Magiares registaram 43 vitórias, 7 empates e apenas 1 derrota.

Infelizmente para os Mágico Húngaros, todas essas vitórias apenas trouxeram a conquista da medalha de ouro da modalidade de futebol nos Jogos Olímpicos de Helsínquia de 1952. Desgraçadamente, a única derrota dos Mágicos Magiares foi justamente a trágica derrota de Wankdorf, em que os Húngaros perderam o Campeonato do Mundo de 1954 frente à Alemanha...



O mais infeliz jogo da carreira de Puskás. Contra toda a lógica a Hungria saiu derrotada na final do Campeonato do Mundo de 1954.



O fim dessas fabulosas equipas da Selecção Húngara e do Honvéd ficaria selado de forma dramática quando os exércitos soviéticos invadiram a Hungria em 1956. Puskás e os seus companheiros estavam em Espanha e a maioria optou por não regressar, mesmo assumindo anos de errância e nomadismo desportivo e até de castigos impostos pela FIFA.

O ano de 1956 foi assim de grandes indefinições, mas Puskás e muitos dos seus companheiros optaram acertadamente por manter actividade partindo para uma digressão pela América do Sul onde defrontaram adversários de topo a troco de bons "cachets". Para os orientar, Puskás lembrou-se então do seu antigo treinador que estava livre e aceitou prontamente orientar esse excelente grupo de jogadores. Guttmann tinha grande atracção pelo futebol Sul-americano onde aliás tinha estado duas década antes, enquanto jogador do Hakoah Wien. Esta oportunidade permitiu ainda que Guttmann e Puskás ensaiassem algumas inovações tácticas.




PUSKÁS  X GUTTMANN - Janeiro de 1957, jogo entre a antiga equipa do Honvéd treinada por Béla Guttmann defrontou o CR Flamengo. Mais tarde Guttmann ficaria no Brasil onde treinou o São Paulo FC onde pontificava o grande Zizinho.




As principais figuras da antiga equipa do Honvéd que no exílio fez uma digressão pela América do Sul. Foi a oportunidade perfeita para Guttmann e Puskás voltarem a trabalhar juntos.


Apesar de castigos impostos pela FIFA depois de queixas da Federação Húngara, os agora jogadores apátridas conseguiram gradualmente ultrapassar os castigos e ver reconhecidas as suas qualidades futebolísticas, integrando-se por fim em grandes equipas Europeias. foi esse o caso de Kocsis e Czibor que ingressaram no FC Barcelona e Puskás que seria recrutado pelo Real Madrid depois de namorado pela Internazionale de Milan. Foi assim que os primeiros defrontaram o Benfica em 1961 e Puskás em 1962. Felizmente para nós nenhum deles veio a ser feliz.



HORN X PUSKÁS X GUTTMANN - Puskás, um hat-trick não chegou para ganhar a Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1962...



Puskás em particular foi bastante infeliz pois nessa noite de 2 de Maio de 1962, de nada valeram os seus três golos pois o Real Madrid não conseguiu travar o Glorioso Benfica de Coluna, Águas, Eusébio e Costa Pereira, entre outros. Nesse dia Puskás voltou a cruzar-se com Guttmann ms seria o velho feiticeiro a sorrir. Apenas um Húngaro passaria a ter boas recordações do Estádio de Wankdorf. Nunca é demais falar desta noite e por isso será convenientemente ilustrada no próximo texto.

Para lá de Wankdorf, os números de Puskás com a camisola merengue são impressionantes, tendo atingido 512 golos em 528 jogos e conquistado 5 campeonatos de Espanha e 3 Taças dos Clubes Campeões Europeus. Impressionante. No Real Madrid, Puskás, Di Stefano formaram uma dupla extraordinária, mítica, inesquecível.




Nos anos finais da sua vida, Puskás sofreu da doença de Alzheimer, mas veio a falecer na sua cidade de Budapeste no dia 17 de novembro de 2006, em consequência de problemas respiratórios e cardiovasculares.

Ferenc Puskás foi um génio do futebol. Os seus 86 golos em jogos internacionais pela selecção Húngara são ainda hoje um número assombroso. É com todo o merecimento que o prémio para o melhor golo do ano atribuído pela FIFA tem o seu nome.



Puskás, um génio do futebol, recebendo a estima dos seus pares: Eusébio, Di Stefano e Pelé.



Paz à sua Alma, honra à sua memória.




RedVC

#768
Cumprem-se hoje 56 anos  :slb2:


-212-
Cruzamentos para Amesterdão II – a grande final


Dia 2 de Maio de 1962. Estádio Olímpico de Amesterdão. Finalmente o dia em que Guttmann, Puskás e Horn se cruzaram todos num mesmo campo de futebol. Cada um de seu lado. Cada um ao melhor nível. E no final ganhou o Sport Lisboa e Benfica!




Leo Horn comanda a operação de sorteio do meio-campo juntamente com os dois capitães, José Águas pelo Benfica e Paco Gento pelo Real Madrid.



Francisco "Paco" Gento, capitão do poderoso e mítico Real Madrid e José Águas, capitão do Glorioso Benfica, cumprimentam-se. Ladeiam os árbitros da partida sendo Leo Horn o árbitro principal. Procede-se ao sorteio do meio-campo para cada equipa. Preparava-se a mais bela final de sempre da história da UEFA. Oito golos! Oito! Um grande jogo de futebol atacante. E uma vitória à Benfica!

Nos ombros dos dois grandes capitães estava o peso de todo um mundo de esperanças e ambições que os seus adeptos depositavam nessa partida. E o Benfica, diga-se, entrava a ganhar mesmo antes do jogo começar. Minutos antes o árbitro tinha reunido os dois capitães no balneário e feito um primeiro sorteio por lançamento de moeda ao ar. Era o tempo de definir que equipa iria jogar com o equipamento principal. Coisas da UEFA, que achou que a teledifusão do jogo a preto e branco tornaria confusa a distinção entre as duas equipas... Saiu a sorte ao Benfica. O Glorioso jogaria com o seu equipamento principal, obrigando o Real Madrid a vestir de lilás, o equipamento alternativo desse dia.





A final da consagração


Em ano de Mundial, o Sport Lisboa e Benfica apresentava-se em Amesterdão como Campeão Europeu. O nosso Clube estava repleto de ambição embora consciente de que em teórica inferioridade perante um antigo heptacampeão Europeu recheado de jogadores fabulosos. Tudo parecia apontar para que os merengues reconquistassem o ceptro europeu. Puro engano, como se veria.




Os hinos. Os nervos. A ambição. Tudo então era possível.






Muitos de nós, Benfiquistas, conhecemos bem as incidências do jogo. Não vou falar delas de forma exaustiva mas antes ilustrar diversos aspectos com fotografias decifradas que nos aquecem a Alma. As fotografias decifradas falam por si e a sua apresentação neste formato tem apenas o propósito de relembrar o brilho incomparável desses dias de Glória. Deleitem-se!





As equipas












O jogo!




https://youtu.be/MondTrac_PQ
Versão vocalizada por Artur Agostinho










 

Apesar da vitória indiscutível da equipa Benfiquista, Horn teve ainda de decidir um lance difícil com forte contestação dos Espanhóis. Mais tarde Horn faria um comentário bem revelador da sua personalidade:

"Sabe aquele qual foi para mim o momento mais trágico dessa partida? Foi quando o marcador indicava 4-3 para os Portugueses e Di Stefano ficou frente a frente com o guarda-redes Português. Di Stefano tinha ali uma ótima oportunidade para empatar a partida, mas rematou à figura do guarda-redes. Naquele momento, Di Stefano perdeu para si e para os seus dez companheiros de equipa, todas as hipóteses de vencer.

De repente, vejo-o à minha frente, vejo-o [Di Stefano] a enfrentar três portugueses. Se eles o tivessem derrubado eu teria marcado uma grande-penalidade mas os Portugueses não fizeram qualquer falta. Logo depois, os espanhóis atacaram-me de todos os lados. Puskas estava a quarenta metros, mas mesmo assim correu para mim e começou a gritar em alemão. Eles ali até poderiam matar-me, mas nunca lhes daria a grande-penalidade".




Os Golos!









A Festa!


















HONRA E GLÓRIA AOS BICAMPEÕES EUROPEUS!

VIVA, VIVA O SPORT LISBOA E BENFICA






Alexandre1976

A Hungria foi a primeira grande equipa moderna do futebol.Gyula Grosics,Jozef Boszik,Sandor Kocksis,Nandor Hidegkuti,Zoltan Czibor e o genial Ferenck Puskas mostraram ao mundo o futebol moderno que foi o precursor do futebol total da laranja mecanica de Cruyff 20 anos mais tarde.Coluna,Germano,Eusebio e Jose Aguas jorravam classe por todos os poros.

RedVC

#770
Citação de: Alexandre1976 em 03 de Maio de 2018, 23:07
A Hungria foi a primeira grande equipa moderna do futebol.Gyula Grosics,Jozef Boszik,Sandor Kocksis,Nandor Hidegkuti,Zoltan Czibor e o genial Ferenck Puskas mostraram ao mundo o futebol moderno que foi o precursor do futebol total da laranja mecanica de Cruyff 20 anos mais tarde.Coluna,Germano,Eusebio e Jose Aguas jorravam classe por todos os poros.

É verdade. E ainda falta a essa lista Lázslo Kubala que muito cedo se auto-exilou e que teria certamente ocupado a direita do ataque da selecção no lugar de Budai II. Seria: Kubala, Boszik, Kocsis, Hidegkuti, Puskás e Czibor. Aterrador.

Tenho nos últimos meses ficado mais conhecedor acerca do futebol Húngaro. É uma história fascinante de altos e baixos sendo que de 1949 a 1956 foram indiscutivelmente os melhores do Mundo. Foi a política e a guerra que destruíram aquela selecção e provavelmente cercearam as hipóteses de evolução. Isto apesar de ainda terem estado presentes com no Mundial de 66 com uma boa equipa que aliás, connosco, eliminou o Brasil de Pelé.

Deviam ter sido campeões do Mundo em 1954 mas talvez o futebol tenha mesmo de ser assim. Talvez o futebol tenha de ter essas infelicidades, essas vítimas perfeitas. Brasil em 1950, Hungria em 1954, Portugal em 1966, Holanda em 1974 e em 1978, Brasil em 1982...

O Futebol Húngaro é uma das maiores influências do Futebol Português. Foram muitos e muito bons os treinadores que contribuíram para a evolução da modalidade no nosso país. No SLB foram tremendamente influentes e vitoriosas as contribuições Hertzka, Biri, Guttmann, Baroti. O SLB não seria o mesmo sem eles. E poderiam ter sido mais. Foi pena que Orth e principalmente Szebes não tenham também chegado a treinar o SLB.

Mas a linhagem do Futebol Austro-Húngaro foi ainda mais ilustre e decisiva para a evolução do Futebol Mundial. Hugo Meisl (Austriaco) e Jimmy Hogan (Escocês mas que trabalhou na Austria) foram os grandes semeadores, os que estiveram por trás de muito do que veio depois. Foram muitos e muito bons os treinadores e jogadores que se formaram naquele caldo de futebol. A Hungria de 1949-1956 foi um produto de grandes jogadores com um modelo táctico e métodos de trabalho inovadores. Deram muito ao Futebol e claro deram muito ao SLB.


Alexandre1976

Também houve o Mestre Josef Szabo que fez carreira no Porto e no Sporting.E também Lajos Czeizler que nos treinou em 1963-64.Essa selecçao hungara juntamente com a Holanda de Michels foram as duas equipas que mais revolucionaram tacticamente o futebol e foram as duas vitimas da R.F.A. quando parecia que a consagraçao mundial estava a um curto espaço.E tambem foram vitimas especialmente Puskas e Cruyff de durissimas e violentas marcaçoes individuais de dois autenticos caça canelas,Liebrich em 1954 e Vogts em 1974.

Alexandre1976

A escola de treinadores do Leste Europeu estagnou muito nos ultimos anos,mas ofereçeram ao futebol grandes tecnicos onde destaco o romeno Kovacs e o ucraniano Lobanovsky.

fudim flan

Citação de: Alexandre1976 em 04 de Maio de 2018, 12:43
Também houve o Mestre Josef Szabo que fez carreira no Porto e no Sporting.E também Lajos Czeizler que nos treinou em 1963-64.Essa selecçao hungara juntamente com a Holanda de Michels foram as duas equipas que mais revolucionaram tacticamente o futebol e foram as duas vitimas da R.F.A. quando parecia que a consagraçao mundial estava a um curto espaço.E tambem foram vitimas especialmente Puskas e Cruyff de durissimas e violentas marcaçoes individuais de dois autenticos caça canelas,Liebrich em 1954 e Vogts em 1974.
não esquecer a itália de 1982 de enzo bearzot,onde revolucionou a defesa e mostrou ao mundo o cinismo das equipas italianas,onde o milan uns anos mais tarde foi o seu apogeu.

Alexandre1976

Concordo plenamente,e esse cinismo se calhar já vem mais de trás e nós bem o sofremos na pele com as derrotas nas finais da Taça dos Campeoes de 1963 contra o Milan de Rocco e em 1965 com o Inter de Herrera.Em 82 a Italia de Bearzot era magnifica a defender onde o Libero Scirea era a personificaçao da elegancia seguida mais tarde pelo magistral Baresi.

RedVC

#775
Tenho ideia que o primeiro sistema ultra-defensivo foi o "Ferrolho" penso que idealizado por Karl Rappan e usado pela selecção Suiça nos mundiais de 1938 e depois 1954 e 1962. Praticamente só se preocupava com a defesa assumindo a superioridade do adversário. Previa marcações individuais apertadas aos adversários em particular aos extremos e depois entalar o avançado-centro opositor com uma dupla de defesas. Para ajudar à festa os médios quase só tinham preocupações de defender. Era um sistema desprezado pelos adversários pois nesse tempo privilegiava-se quase só os modelos ofensivos.

Só mais tarde viria o tristemente célebre "catenaccio", com Helenio Herrera entre outros. Parece que foi um italiano chamado Alfredo Foni que o "inventou" mas foi Herrera (que ainda passou pelo Belenenses) que o desenvolveu.  As ideias base eram as mesmas e o cinismo era ainda maior. Previa a figura de um libero para além de uma cortina defensiva densa. O problema é que aí o sistema era praticado por jogadores com muito mais categoria. Os italianos refinaram-no até à perfeição com muita disciplina e qualidade. Foi muito complicado combater esse sistema.

Talvez só o Futebol Total da Holanda e depois o frenesim ofensivo dos Ingleses na década de 70 é que combateram apropriadamente esse sistema ultra-defensivo. Mas de vez em quando ainda se vê uns catenaccios de algibeira.

O Milan era uma grande equipa. Era outro campeonato. Foi pena que não tivessemos uma equipa um pouco mais poderosa ofensivamente quando com eles jogamos a final de Viena.

Ah... e em relação a Bearzot, eu até gostei que a Itália ganhasse a final com os Alemães mas aquelas marcações individuais do Gentile foram crimes lesa-futebol. Era pancadaria e nao futebol. Um árbitro decente teria posto aquele animal na rua. Tal como (não) aconteceu com o facínora Nobby Stiles no Mundial de 1966. Foi uma vergonha o que lhe permitiram fazer a Eusébio. Os Brasileiros queixam-se do que Morais fez a Pelé (mas na verdade já o tinham lesionado nos jogos anteriores) mas ninguém dos nossos se queixou do animal Inglês. Aquilo era tudo menos um jogador de futebol.



alfredo

quem podia ser, se nao tu, Victor, nao esquecer o leo horn. um dos mais conhecidos e respeitados árbitros do seu tempo. o collina dos anos 50 e 60...
recentemente li algo sobre ele, mas agora nao me recordo onde foi. mesmo assim, o que escreveste, ja da uma boa ideia quem foi.
obrigado

Alexandre1976

Gentile ainda detem o record de faltas num só jogo e sobre um unico jogador.Fez 28 faltas sobre o melhor do mundo de sempre Diego Maradona.E esse Stiles tambem era um sarrafeiro do pior que já apareceu.Eusebio bem sofreu á conta desse lenhador.

RedVC

Citação de: alfredo em 04 de Maio de 2018, 18:35
quem podia ser, se nao tu, Victor, nao esquecer o leo horn. um dos mais conhecidos e respeitados árbitros do seu tempo. o collina dos anos 50 e 60...
recentemente li algo sobre ele, mas agora nao me recordo onde foi. mesmo assim, o que escreveste, ja da uma boa ideia quem foi.
obrigado

Obrigado eu Alfredo, pelas tuas palavras que são sempre de agrado e incentivo  O0

alfredo

Citação de: Alexandre1976 em 04 de Maio de 2018, 19:27
Gentile ainda detem o record de faltas num só jogo e sobre um unico jogador.Fez 28 faltas sobre o melhor do mundo de sempre Diego Maradona.E esse Stiles tambem era um sarrafeiro do pior que já apareceu.Eusebio bem sofreu á conta desse lenhador.
basta ver a face dele....
piadas à parte, essa dos dentes diz se que aconteceu durante um jogo em que "defendeu" as cores do clube. mas tb ha pessoal que diz que isso é uma lenda para suportar o estatuto dele...
o que é certo é que via e vê muito mal. teve que utilizar lentes fortes, o que nesses tempos de certeza nao era doce...