Defender os Benfiquistas

WHERO

Na antecâmara da publicação de nova legislação sobre os grupos organizados de adeptos e a segurança nos recintos desportivos este assunto não pode continuar a ser tabu no seio dos benfiquistas.

Dizemos que o Benfica não tem claques, e até pode não ter em face do que a Lei e as instâncias competentes definem, mas continua a ser o clube que, por larga margem, mais adeptos move de Norte a Sul e Ilhas. Adeptos estes constantemente maltratados e reprimidos pelas forças segurança, ARD e clubes visitados, com conivência da Liga e, a pior de todas, do próprio Sport Lisboa e Benfica, cujos dirigentes falham escandalosamente numa das primordiais missões de que estão incumbidos: defender o Benfica e os seus adeptos.

Também eu, à imagem de muitos de vós, gosto de reproduzir aquelas declarações do Bella Guutmann ao jornal A Bola. Também eu faço parte dessa extraordinária massa associativa, também eu lá vou nem que o jogo seja entre as neves da serra ou no meio das chamas do inferno. E muitos de vós vão ainda mais vezes e mais longe do que eu. Mas ter orgulho nisto não chega. É, até, francamente insuficiente dado o actual estado de coisas.

É, acima de tudo, uma questão de amor próprio discutir a forma como os adeptos do Benfica são tratados. Como tendo de pagar valores absurdos por bilhetes não podem sequer ter consigo uma bandeira com o emblema do seu clube, têm de passar pela censura dos cachecóis e são muitas vezes tratados em claro atropelo das regras do estado de direito, assim, gratuitamente, só porque são do Benfica.

Esta questão vai muito para além dos grupos e dos símbolos dos grupos. É um problema de todos os benfiquistas, nomeadamente dos que fazem questão de levar o Benfica ao colo pelo país fora.

Estou certo de que é um assunto que merece um reflexão séria da nossa parte, para além da já costumeira legalização dos grupos porque já não é apenas disso que se trata.

Deixando-vos já a minha opinião, é incompreensível a inaptidão dos órgãos de gestão do Benfica: ou tentam fazer esta defesa da instituição e dos sócios nos corredores do poder e são incompetentes; ou não querem saber, desde que continue a dar para ter umas fotos de bancadas cheias, e são indignos do lugar que ocupam e das pessoas que representam.
Num outro plano, sou contra tudo o que possa restringir as liberdades individuais dos cidadãos, nomeadamente a possibilidade de assistir a um espetáculo desportivo sem fazer parte de um cadastro. Mais, a tentativa de contornar o problema da violência deste modo falhou com estrondo mas ninguém assume. Resultado: apertar ainda mais para que a culpa seja sempre dos adeptos.

Digam de vossa justiça, mostrem bons exemplos de outros países e, acima de tudo, ajudem a pressionar o Benfica a defender os benfiquistas. É uma vergonha, mas infelizmente é necessário.

Ru10

A questão dos bilhetes tem de partir da Liga.
Neste momento o bilhete mais caro para um setor visitante (5% da lotação) de categoria 1 são 31€, que foi o que se pagou para o Dragão e Alvalade. De resto tem rondado sempre os 15-25€.
O "problema" é que os Benfiquistas depois vão comprar a casa dos visitados que aproveitam-se sempre para meter os bilhetes ao nível máximo também. É sobretudo aí que a Liga devia impor uma redução de preços.

Em relação aos adereços, isso é tema em Portugal porque os visitados não enchem os seus estádios, exceto os 3 grandes e o Guimarães. Por exemplo para Frankfurt estive a ler no site deles uma página de informação aos adeptos visitantes que proíbia igualmente adereços de outros clubes fora do setor visitante por questões de segurança...
O Boavista vendeu-nos o estádio em 2005 inclusive a bancada dos Pantera Negra, e houve revolta. Daí o Boavista ter começado com isto, na sua bancada de sócios. Eu aceito.

Quanto a respeitar a liberdade...quando nem os Benfiquistas se unem entre si nisto fica complicado.