As Finanças do Benfica

flsb

Citação de: fdpdc666 em 10 de Setembro de 2026, 13:40
Citação de: flsb em 10 de Setembro de 2026, 10:35Era desejável que a SAD conseguisse comprar as ações do  Rei dos Frangos .

Quer 15€ por ação quando essas ações estão cotadas a 6,50€ aprox.
Como parece que os 16,38% que detém representam 3.767.400 ações estaríamos a falar de um investimento na ordem dos 56,5M€.

Não creio que seja viável.


Aos americanos há uns meses atrás tinha acordado vender por 11€ .

ff77

Citação de: fdpdc666 em 10 de Setembro de 2026, 13:40
Citação de: flsb em 10 de Setembro de 2026, 10:35Era desejável que a SAD conseguisse comprar as ações do  Rei dos Frangos .

Quer 15€ por ação quando essas ações estão cotadas a 6,50€ aprox.
Como parece que os 16,38% que detém representam 3.767.400 ações estaríamos a falar de um investimento na ordem dos 56,5M€.

Não creio que seja viável.

Nem por metade do preço seria viável.

DB4700

#90137
Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.

aquaris

Qual a diferença nos direitos televisivos?

IloveSLB2014

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

Der Kaiser

Citação de: aquaris em 10 de Setembro de 2026, 17:18Qual a diferença nos direitos televisivos?
Contrato novo para 2026-27 e 2027-28, salvo erro recebiamos coisa de 40M e vamos passar a receber 50-55M. Não tenho certeza parte do valor do contrato anterior não tinha sido adiantada, por isso a diferença pode ser maior.

DB4700

Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 17:35
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...

IloveSLB2014

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 21:26
Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 17:35
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...
Eu vi o Jorge Ribeiro, que tb é especialista na área financeira e que costuma estar em vários podcasts do Benfica na internet, dizer há tempos que provavelmente ainda seria preciso uns 50M em mais valias.

O Tomás sendo da formação, é mt apetecivel para vender e até diria que a renovação feita foi para ganhar margem negocial para ser vendido. Depois há a questão Andreas, se n renovar, dificilmente será vendido por um valor que gere uma mais valia assim tão considerável

Jone

Como é obvio, não é o que se queria, mas se o bacalhauzinho não renovar, adivinhem quem vai ser vendido?

Rei

Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 22:06
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 21:26
Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 17:35
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...
Eu vi o Jorge Ribeiro, que tb é especialista na área financeira e que costuma estar em vários podcasts do Benfica na internet, dizer há tempos que provavelmente ainda seria preciso uns 50M em mais valias.

O Tomás sendo da formação, é mt apetecivel para vender e até diria que a renovação feita foi para ganhar margem negocial para ser vendido. Depois há a questão Andreas, se n renovar, dificilmente será vendido por um valor que gere uma mais valia assim tão considerável

O Benfica tem de se focar em ganhar títulos e em fazer uma boa época. Se o fizer tudo se torna mais simples, mesmo se tivermos de fazer esses 50 milhões em mais valias, o Benfica consegue encaixar esse valor com dois jogadores e com um bocadinho de sorte até só com um. Basta o Tomás fazer uma grande época por exemplo.

Madiria

Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 22:06
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 21:26
Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 17:35
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...
Eu vi o Jorge Ribeiro, que tb é especialista na área financeira e que costuma estar em vários podcasts do Benfica na internet, dizer há tempos que provavelmente ainda seria preciso uns 50M em mais valias.

O Tomás sendo da formação, é mt apetecivel para vender e até diria que a renovação feita foi para ganhar margem negocial para ser vendido. Depois há a questão Andreas, se n renovar, dificilmente será vendido por um valor que gere uma mais valia assim tão considerável

Grande trabalho neste resumo do @DB4700 do R&C.

Em relação ao teu comentário a parte do Tomás, concordo contigo, penso que será o primeiro na linha para sair.

Uma pequena correção em relação ao Schejlderup. O Schejlderup, se for vendido no próximo verão irá gerar sempre uma mais valia considerável.
Vejamos, foi comprado por cerca de 10M€ (mais coisa menos coisa, não sei o valor ao certo).
No próximo verão cumpriu 4 dos 5 anos do contrato. Ou seja, 10M€/5anos, são 2M€/ano que deprecia.
Assim, ao fim de 4 anos, depreciou cerca de 8M€ (4anos * 2M€).
Como tal, a mais valia gerada pela venda será, o valor da venda - (cerca de) 2M€.

DB4700

Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 22:06
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 21:26
Citação de: IloveSLB2014 em 10 de Setembro de 2026, 17:35
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.
obrigado pelo resumo alargado ao Relatório.

Tendo em conta que estamos na Liga Europa e por isso, o dinheiro recebido da UEFA irá baixar bastante neste exercicio, quanto estimas que o Benfica precisará de fazer em mais valias ate 30 Junho 2027 para ter lucro neste ano?

O Braga chegou as meias finais da LE na ultima epoca e creio que recebeu no total 20/23 milhoes da UEFA. O Benfica fazendo uma campanha semelhante receberá dentro desses valores, que é menos de metade da CL do ano passado

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...
Eu vi o Jorge Ribeiro, que tb é especialista na área financeira e que costuma estar em vários podcasts do Benfica na internet, dizer há tempos que provavelmente ainda seria preciso uns 50M em mais valias.

O Tomás sendo da formação, é mt apetecivel para vender e até diria que a renovação feita foi para ganhar margem negocial para ser vendido. Depois há a questão Andreas, se n renovar, dificilmente será vendido por um valor que gere uma mais valia assim tão considerável

imagino que o Jorge se estivesse a referir só à Champions League. porque 60-80 em mais-valias é o que o Benfica já faz num ano normal.

mas como o ano passado a Champions até rendeu pouco, 53 milhões, se fizermos uma Liga Europa igual ao Braga, a diferença são 28 milhões.

Dandy






   Finanças? ...

   Este clube vive é de títulos! ...

   Mas quais finanças? ...




fdpdc666


Quatro pontos sobre as contas do Benfica | TEMA DO DIA

O Benfica apresentou as suas contas, referentes à última época desportiva.
No Tema do Dia desta sexta-feira, Humberto Ferreira, jornalista do zerozero, detalha os principais pontos do documento.

00:00 Introdução
00:18 Qual o grande número deste relatório?
02:45 O aumento do passivo é preocupante?
05:08 Como foram os rendimentos operacionais?
08:27 Como podem melhorar os números?


Mariachi

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36
Spoiler
Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
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Muito obrigado por te dares ao trabalho.