As Finanças do Benfica

chama.ardente

Deixo a minha análise ao último R&C. Foi escrito para leigos, portanto pode ser demasiado simples para quem participa neste tópico :)

1ª nota – Aprendi na cadeira de Análise de Demonstrações Financeiras do ISEG que a análise às contas de uma empresa tem que ser inserida no seu contexto. Ou seja, não faz sentido dissociar a SAD do Benfica da difícil situação que vive a grande maioria das empresas em Portugal. Por outro lado, a avaliação qualitativa da gestão do Benfica só faz sentido quando relativizadas no seu sector, ou seja, comparadas com as dos nossos rivais. Eu sei que muitos olham para o Benfica de uma forma lírica (eu também), comparam o Benfica com a perfeição, mas em Finanças é assim que se faz. De qualquer forma, não sou eu que vou olhar detalhadamente para essas contas. Chega-me saber que uns apresentaram 38 M€ de prejuízo sem ganhar um único título e os outros têm um passivo impagável.

2ª nota – Justo valor é um critério de mensuração contabilística dos activos. É o valor pelo qual um activo pode ser trocado entre partes conhecedoras, dispostas a isso e sem relacionamento entre elas. Acontece que no caso do futebol, o critério usado é o custo de aquisição. Não sei porquê, uma vez que existe um mercado (muito) activo (é o critério normalmente mais restritivo na aplicação do justo valor). O meu palpite é: tratam-se de pessoas. Ora bem, isto significa que activos intangíveis como o Enzo Perez, o Gaitán, o Salvio, etc., aquando da aquisição, foram valorizados no balanço da Benfica SAD por uns 5,5 M€, 8 M€ e 13€. A isto há que acrescentar as amortizações. Amortização é o registo contabilístico do desgaste temporal natural de um activo, consoante a duração da sua vida útil. Algo que na contabilidade do futebol tem muito que se lhe diga, já que todos sabemos que em grande parte dos casos os jogadores não só não desvalorizam como até se valorizam.

Esta conversa toda quer dizer o quê? Que estes grandes jogadores em termos de contabilidade estão avaliados em tostões. Não arrisco valores, não sei quais foram as taxas de amortização usadas (decorrem do tempo de vida útil que talvez tenham a ver com a duração dos contratos), mas tenho a certeza que estão muito longe daquele que é o seu valor de mercado. Ou seja, só estes 3 casos já seriam suficientes para "tirar" a Benfica SAD da situação de falência técnica em que, na verdade, não se encontra.

A isto poderia-se juntar ainda a questão da marca, que não está contabilizada e que tem, efectivamente, um grande valor. Valor que se traduz em receitas avultadíssimas, sobretudo quando considerada a pequenez do nosso mercado. Caso a Benfica SAD se fundisse com outra sociedade, a marca seria contabilizada, na ordem das centenas de milhões, como goodwill, conceito que, para simplificar, me vou abster de explicar.

O que interessa reter é isto: ter capital próprio negativo, no caso do futebol, significa ZERO.

Agora uns breves comentários sobre este R&C. Que, convém não esquecer, se refere aos três primeiros trimestres da época:

- Resultado líquido de 31,6 M€. É bom, indiscutivelmente. Li algures que ignorava os encargos financeiros anuais (que penso andarem na ordem dos 22/23 M€), não é verdade. É verdade que não inclui a sua maioria, mas inclui já uma parte. Nestas contas também não está ainda incluido o aumento de receitas ordinárias (bilheteira, merchandising, quotização) decorrente do sucesso desportivo, nem as receitas da participação europeia.

- Redução do passivo em 17 M€. Lucro significativo e ainda uma redução de passivo... muito bom.
3ª nota: Princípio da especialização. Os gastos e as receitas são contabilizados no período a que dizem respeito. No entanto, os  pagamentos ou recebimentos associados podem alongar-se por vários períodos. E os prazos de recebimento podem diferir dos prazos de pagamento.

- 3,3 M€ de fluxos de caixa positivos. Fluxo de caixa é tesouraria, é cash, é a diferença entre a quantidade de dinheiro que saiu das contas bancárias e aquilo que entrou nas contas bancárias e nas caixas registadoras das bilheteiras/lojas. Acho curioso o facto de a rubrica de "pagamentos ao pessoal" assumir um valor inferior à de "pagamentos respeitantes a activos intangíveis".
Ou seja, o Benfica não precisou de vender em Janeiro para pagar salários, mas sim para pagar o grande investimento que foi feito no plantel. Alguns desses jogadores  provavelmente contratados ainda no verão de 2012, outros no verão de 2013.

Assim,

Foram as vendas de Janeiro que permitiram ao Benfica não entrar numa situação de ruptura de tesouraria. Quer isto dizer que estamos dependentes da venda de jogadores?

Sim e não. Estamos dependentes da venda de jogadores para poder contratar outros jogadores e manter ou aumentar a qualidade do plantel. Mas não estamos dependentes da venda de jogadores para ser sustentáveis, temos a Formação.

Mas nós queremos ganhar, portanto o elemento investimento nunca poderá deixar de fazer parte da gestão do Benfica. A Formação nunca poderá ser a única opção, mas tenho a certeza que fará parte da solução para o futuro sucesso.

Principal conclusão:

O Benfica está numa situação financeira segura. Tem jogadores que valem muito dinheiro e tem capacidade para os substituir com qualidade. Seja com opções internas, seja através da prospecção e valorização pelo treinador.

Uma equipa portuguesa nunca poderá competir com os grandes clubes europeus sem realizar mais-valias financeiras. Para isto é necessário investir e correr riscos.

slb2me

#35656
New Balance é uma gigante americano que ainda nem sequer se dispersou em bolsa, tipo Ascis, Skechers, Under Armor, Vans, Converse, Rebbok (adidas)etc.


Éstá abaixo da Puma (PPR) e nem um 1/10 da Adidas ou 1/20 Nike (tem 24B de receitas por ano)


smp a malhar


Foi mostrado um ao utilizador em questão por ter excedido o nº de amarelos permitidos.
O utilizador estará banido durante 7 dias.

Conky

Citação de: Nó Cego em 02 de Junho de 2014, 01:19
Se eles fizeram um contrato de 7 milhões então o nosso é certamente um fracasso. Não se pode comparar a dimensão de um clube e do outro a nível de merchandising, adeptos, exposição da marca...

Porquê?

T1n0_SLB

Malu, previste 20M de lucro no final da época, parece que isso não irá acontecer sem vendas, aliás o mais provável é terminar a época com prejuízo novamente.

miniMilk

#35660
Citação de: T1n0_SLB em 02 de Junho de 2014, 07:02
Malu, previste 20M de lucro no final da época, parece que isso não irá acontecer sem vendas, aliás o mais provável é terminar a época com prejuízo novamente.
a 31de marco tínhamos 55M em lucro de transferências e com 30M lucro no total.
Não sei se este último trimestre vamos ter mais ou menos receitas que os restantes, mas prejuízo parece pouco provável..

peter_slb

Citação de: cardosox em 02 de Junho de 2014, 09:19
Citação de: T1n0_SLB em 02 de Junho de 2014, 07:02
Malu, previste 20M de lucro no final da época, parece que isso não irá acontecer sem vendas, aliás o mais provável é terminar a época com prejuízo novamente.
a 31de marco tínhamos 55M em lucro de transferências e com 30M lucro no total.
Não sei se este último trimestre vamos ter mais ou menos receitas que os restantes, mas prejuízo parece pouco provável..

tinhamos 15 milhões de lucro no total. Podemos não ter prejuízo, mas sem mais mais-valias, o resultado andará próximo de 0 e muito dependente, para ser positivo, dos montantes em prémios pagos a jogadores/equipa técnica.

218219

 Acerca dos RO dos 3 grandes deixo este texto do sitio Guachos Vermelhos para ser comentado...
"...Tentando colocar a gestão do Benfica em perspectiva e em contraste com os nossos mais directos competidores, aproveitando a sugestão do Vermelhovsky, apresento a seguinte tabela:


"A Qualidade da gestão dos 3 grandes nos últimos 15 trimestres:

Resultados operacionais (RO) trimestrais, sem vendas de atletas, em M€, acumulados ao longo de 3 anos + 3 Trimestres 2010/11-2013/14 (15 trimestres=45 meses).

De todos os rácios, os RO são os que mostram melhor a qualidade, a competência e a eficiência da gestão na capacidade de criar receitas e de controlar os custos operacionais.



Res.Oper.Acum......Benfica..............Porto...............Sporting

2010/11-T1-...........+5,1..................-3,2..................-1,8
2010/11-T2-...........+7,2..................-7,5...................-4,6
2010/11-T3-...........+3,2..................-8,4...................-7,3
2010/11-T4-...........-0,6...................-5,4..................-17,4
2011/12-T1-...........+4,6..................-9,6..................-21,2
2011/12-T2-...........+6,9..................-14...................-27,4
2011/12-T3-...........+8,7..................-18,2................-35,1
2011/12-T4-...........+7,9..................-24,6................-42,8
2012/13-T1-...........+5,8..................-32,2.................-49,7
2012/13-T2-...........+12,3................-30,0.................-59,1
2012/13-T3-...........+7,5..................-37,4.................-65,4
2012/12-T4-...........+5,0..................-43,0.................-77,0
2013/14-T1-...........-0,2...................-48,0.................-83,5
2013/14-T2-...........+5,7..................-51,3.................-85,5
2013/14-T3-...........+2,1..................-61,2.................-86,6


O Benfica é o único clube que consegue manter os seus resultados operacionais equilibrados ao longo deste período de 15 trimestres. Não se verificam grandes oscilações nos resultados acumulados. É o clube que tem a gestão mais competente, isto sem deixar de aumentar os proveitos ao longo do período. Significa também que para além de fazer orçamentos anuais, sabem-nos fazer, fazem-nos equilibrados e são seguidos com rigor e disciplina.
Em 45 meses, o Benfica teve 334,2M€ de RO e 332,1M€ milhões de custos operacionais (CO). Tem um ligeiro proveito acumulado 2,1M€ no fim dos 45 meses.

O descontrolo e a incompetência da gestão no Porto é notório, sempre numa curva descendente (a soma dos RO negativos sempre a aumentar, ano após ano) quando no fim do período apresentam um RO acumulado (sem vendas de atletas) um prejuízo de -61,2M€. Média de -1,4M€/mês. A Porto SAD no mesmo período teve 282,3M€ de RO e 343,5M€ de CO.

Se o Porto está descontrolado, a gestão do Sporting então foi caótica, um desastre, como se fosse possível acabar com uma soma acumulada dos RO negativos ao fim de 45 meses de -86,6M€, média de -1,92M€/mês sem que ninguém tivesse feito alguma coisa para travar a situação.
Nota-se que no último ano com a nova administração já há um controlo maior dos RO com a curva descendente, embora ainda negativa, a nivelar. O Sporting teve 218,8M€ de CO e apenas 132,2M€ (!!) de RO nestes 15 trimestres.

Olhando para esta tabela, baseado apenas no que os clubes mostram, percebe-se melhor o caminho que os 3 clubes têm trilhado nestes quase 4 anos, a incompetência da gestão nos nossos rivais FCP e SCP, cegos pela tentativa vã de acompanhar o Benfica. E não se mostra tudo pois não consolidam todas as empresas. Não admira que SCP e FCP não consolidem totalmente as contas, há muito para esconder.

Como já disse variadas vezes o Porto tem de fazer o mesmo que o Sporting, um forte downsizing!
Embora no caso do Sporting, e como eu já venho a dizer há anos, já devia ter fechado as portas!..."

Transformer

Bom post 218219.

Haja alguém que não venha para aqui dizer merda e tentar fazer os outros de parvos.

sazuke

ui, se vem dos guachos deve ser leitura de alto calibre

chama.ardente

Citação de: 218219 em 02 de Junho de 2014, 10:06
Acerca dos RO dos 3 grandes deixo este texto do sitio Guachos Vermelhos para ser comentado...
"...Tentando colocar a gestão do Benfica em perspectiva e em contraste com os nossos mais directos competidores, aproveitando a sugestão do Vermelhovsky, apresento a seguinte tabela:


"A Qualidade da gestão dos 3 grandes nos últimos 15 trimestres:

Resultados operacionais (RO) trimestrais, sem vendas de atletas, em M€, acumulados ao longo de 3 anos + 3 Trimestres 2010/11-2013/14 (15 trimestres=45 meses).

De todos os rácios, os RO são os que mostram melhor a qualidade, a competência e a eficiência da gestão na capacidade de criar receitas e de controlar os custos operacionais.



Res.Oper.Acum......Benfica..............Porto...............Sporting

2010/11-T1-...........+5,1..................-3,2..................-1,8
2010/11-T2-...........+7,2..................-7,5...................-4,6
2010/11-T3-...........+3,2..................-8,4...................-7,3
2010/11-T4-...........-0,6...................-5,4..................-17,4
2011/12-T1-...........+4,6..................-9,6..................-21,2
2011/12-T2-...........+6,9..................-14...................-27,4
2011/12-T3-...........+8,7..................-18,2................-35,1
2011/12-T4-...........+7,9..................-24,6................-42,8
2012/13-T1-...........+5,8..................-32,2.................-49,7
2012/13-T2-...........+12,3................-30,0.................-59,1
2012/13-T3-...........+7,5..................-37,4.................-65,4
2012/12-T4-...........+5,0..................-43,0.................-77,0
2013/14-T1-...........-0,2...................-48,0.................-83,5
2013/14-T2-...........+5,7..................-51,3.................-85,5
2013/14-T3-...........+2,1..................-61,2.................-86,6


O Benfica é o único clube que consegue manter os seus resultados operacionais equilibrados ao longo deste período de 15 trimestres. Não se verificam grandes oscilações nos resultados acumulados. É o clube que tem a gestão mais competente, isto sem deixar de aumentar os proveitos ao longo do período. Significa também que para além de fazer orçamentos anuais, sabem-nos fazer, fazem-nos equilibrados e são seguidos com rigor e disciplina.
Em 45 meses, o Benfica teve 334,2M€ de RO e 332,1M€ milhões de custos operacionais (CO). Tem um ligeiro proveito acumulado 2,1M€ no fim dos 45 meses.

O descontrolo e a incompetência da gestão no Porto é notório, sempre numa curva descendente (a soma dos RO negativos sempre a aumentar, ano após ano) quando no fim do período apresentam um RO acumulado (sem vendas de atletas) um prejuízo de -61,2M€. Média de -1,4M€/mês. A Porto SAD no mesmo período teve 282,3M€ de RO e 343,5M€ de CO.

Se o Porto está descontrolado, a gestão do Sporting então foi caótica, um desastre, como se fosse possível acabar com uma soma acumulada dos RO negativos ao fim de 45 meses de -86,6M€, média de -1,92M€/mês sem que ninguém tivesse feito alguma coisa para travar a situação.
Nota-se que no último ano com a nova administração já há um controlo maior dos RO com a curva descendente, embora ainda negativa, a nivelar. O Sporting teve 218,8M€ de CO e apenas 132,2M€ (!!) de RO nestes 15 trimestres.

Olhando para esta tabela, baseado apenas no que os clubes mostram, percebe-se melhor o caminho que os 3 clubes têm trilhado nestes quase 4 anos, a incompetência da gestão nos nossos rivais FCP e SCP, cegos pela tentativa vã de acompanhar o Benfica. E não se mostra tudo pois não consolidam todas as empresas. Não admira que SCP e FCP não consolidem totalmente as contas, há muito para esconder.

Como já disse variadas vezes o Porto tem de fazer o mesmo que o Sporting, um forte downsizing!
Embora no caso do Sporting, e como eu já venho a dizer há anos, já devia ter fechado as portas!..."

Subscrevo inteiramente a opinião do José Albuquerque quanto ao facto de, para uma análise séria, as nossas contas terem que ser comparadas com as dos nossos rivais. Aliás, não é a nossa opinião. É o que dizem os livros. A ideia de que "com o mal dos outros posso eu bem", em Finanças, faz pouco sentido.

SLBaco

NOTICIA HOJE DO "E":

"Apesar de resultados líquidos positivos, as SAD mantêm situação de falência técnica com capitais próprios negativos de 7,5 e 118,6 milhões, respectivamente.
Resultados líquidos de 15,8 milhões e de 720 mil euros, respectivamente, foram apresentados pelas SAD de Benfica e Sporting à CMVM nos relatórios do terceiro trimestre de 2013/14 para nove meses de actividade, mas ambas mantêm falência técnica. "Em 31 de Março, a Benfica SAD regista capitais próprios negativos de 7,4 milhões", indica António Samagaio, docente do ISEG. No Sporting, "os capitais próprios negativos são de 118,6 milhões".

Nos sportinguistas, "houve acréscimo do passivo em 5,3 milhões e alteração da sua estrutura. A dívida financeira (sem VMOC) ascendeu a 182,8 milhões, aumento de 24,9 milhões (15,8%) face a 30 de Junho, enquanto o restante passivo diminuiu 19,7 milhões. Incluindo os contratos de associação económica para jogadores, o total da dívida (classificada no passivo) com características de financiamento é de 225,7 milhões", comenta.

"A divida financeira da SAD da Luz atingiu 296 milhões, sendo 64% classificada como de curto prazo e com acréscimo de 5,1% face a 30 de Junho. Excluindo a dívida do 'project finance' da Benfica Estádio, o endividamento da SAD situou-se nos 237,6 milhões de euros, aumento de 8,8% face a 30 de Junho. E o rácio de liquidez foi de 33%, ligeira melhoria face aos 30% de 30 de Junho."

Estes indicadores levam Samagaio a resumir: "A SAD financia-se por capital alheio e tem estratégia que passa por cobrir parte dos custos de investimento ao financiar-se no curto prazo, algo que não é o mais desejável para situação financeira equilibrada."

O professor universitário diz: "O crescimento assinalável do volume de negócios (17,9%) foi acompanhado por subida dos custos operacionais e financeiros em 17,4% face a 31 de Março de 2013, explicada em parte pelo aumento dos custos com o futebol profissional (15,6% nos gastos com pessoal e 14% nas amortizações de passes). O rácio gastos com pessoal e amortizações de passes de jogadores sobre o volume de negócios situou-se nos 87,9% (90,1% em 31 de Março de 2013)."

E alerta: "O aumento do endividamento relaciona-se com a necessidade de financiamento de 21,2 milhões nos primeiros nove meses. O indicador agregado de fluxos de caixa operacionais e investimento foi negativo em 2,9 milhões - reembolso de empréstimos e pagamento de juros liquidou-se com mais dívida. A persistência da situação ameaça a sustentabilidade financeira. E o revisor oficial de contas (ROC) diz que a continuidade das operações depende de manutenção e reforço do apoio de instituições de crédito."
Capitais próprios e reestruturar
No caso do Sporting, Samagaio elogia o trabalho de inversão dos prejuízos após um ano com Bruno de Carvalho. "O peso da dívida financeira de curto prazo é de 68%, mostrando que a manutenção do financiamento bancário é fundamental para a continuidade das operações. Mas o empréstimo obrigacionista Sporting SAD 2014 (20 milhões) está classificado no balanço como passivo não corrente. Ora, este financiamento tem prazo de reembolso a 22 de Novembro de 2014, pelo que deveria ser incluído no passivo corrente. Se assim fosse, o peso da dívida financeira de curto prazo passaria para 79%", diz.

"O ciclo operacional e de investimento continua a ser deficitário com valor global de fluxos de caixa negativos de 32,2 milhões. Os primeiros nove meses geraram necessidade de financiamento de 36,2 milhões, suprida com descoberto bancário. O negócio ainda não gerou meios para pagar os juros, recorrendo-se a mais dívida. O rácio de liquidez foi de 23% (ou 20% no caso de o empréstimo obrigacionista ser reclassificado para dívida de curto prazo). É urgente dotar a SAD de capitais próprios e reestruturar a dívida para o equilíbrio financeiro."

golfdreamer

Citação de: chama.ardente em 02 de Junho de 2014, 10:29
Citação de: 218219 em 02 de Junho de 2014, 10:06
Acerca dos RO dos 3 grandes deixo este texto do sitio Guachos Vermelhos para ser comentado...
"...Tentando colocar a gestão do Benfica em perspectiva e em contraste com os nossos mais directos competidores, aproveitando a sugestão do Vermelhovsky, apresento a seguinte tabela:


"A Qualidade da gestão dos 3 grandes nos últimos 15 trimestres:

Resultados operacionais (RO) trimestrais, sem vendas de atletas, em M€, acumulados ao longo de 3 anos + 3 Trimestres 2010/11-2013/14 (15 trimestres=45 meses).

De todos os rácios, os RO são os que mostram melhor a qualidade, a competência e a eficiência da gestão na capacidade de criar receitas e de controlar os custos operacionais.



Res.Oper.Acum......Benfica..............Porto...............Sporting

2010/11-T1-...........+5,1..................-3,2..................-1,8
2010/11-T2-...........+7,2..................-7,5...................-4,6
2010/11-T3-...........+3,2..................-8,4...................-7,3
2010/11-T4-...........-0,6...................-5,4..................-17,4
2011/12-T1-...........+4,6..................-9,6..................-21,2
2011/12-T2-...........+6,9..................-14...................-27,4
2011/12-T3-...........+8,7..................-18,2................-35,1
2011/12-T4-...........+7,9..................-24,6................-42,8
2012/13-T1-...........+5,8..................-32,2.................-49,7
2012/13-T2-...........+12,3................-30,0.................-59,1
2012/13-T3-...........+7,5..................-37,4.................-65,4
2012/12-T4-...........+5,0..................-43,0.................-77,0
2013/14-T1-...........-0,2...................-48,0.................-83,5
2013/14-T2-...........+5,7..................-51,3.................-85,5
2013/14-T3-...........+2,1..................-61,2.................-86,6


O Benfica é o único clube que consegue manter os seus resultados operacionais equilibrados ao longo deste período de 15 trimestres. Não se verificam grandes oscilações nos resultados acumulados. É o clube que tem a gestão mais competente, isto sem deixar de aumentar os proveitos ao longo do período. Significa também que para além de fazer orçamentos anuais, sabem-nos fazer, fazem-nos equilibrados e são seguidos com rigor e disciplina.
Em 45 meses, o Benfica teve 334,2M€ de RO e 332,1M€ milhões de custos operacionais (CO). Tem um ligeiro proveito acumulado 2,1M€ no fim dos 45 meses.

O descontrolo e a incompetência da gestão no Porto é notório, sempre numa curva descendente (a soma dos RO negativos sempre a aumentar, ano após ano) quando no fim do período apresentam um RO acumulado (sem vendas de atletas) um prejuízo de -61,2M€. Média de -1,4M€/mês. A Porto SAD no mesmo período teve 282,3M€ de RO e 343,5M€ de CO.

Se o Porto está descontrolado, a gestão do Sporting então foi caótica, um desastre, como se fosse possível acabar com uma soma acumulada dos RO negativos ao fim de 45 meses de -86,6M€, média de -1,92M€/mês sem que ninguém tivesse feito alguma coisa para travar a situação.
Nota-se que no último ano com a nova administração já há um controlo maior dos RO com a curva descendente, embora ainda negativa, a nivelar. O Sporting teve 218,8M€ de CO e apenas 132,2M€ (!!) de RO nestes 15 trimestres.

Olhando para esta tabela, baseado apenas no que os clubes mostram, percebe-se melhor o caminho que os 3 clubes têm trilhado nestes quase 4 anos, a incompetência da gestão nos nossos rivais FCP e SCP, cegos pela tentativa vã de acompanhar o Benfica. E não se mostra tudo pois não consolidam todas as empresas. Não admira que SCP e FCP não consolidem totalmente as contas, há muito para esconder.

Como já disse variadas vezes o Porto tem de fazer o mesmo que o Sporting, um forte downsizing!
Embora no caso do Sporting, e como eu já venho a dizer há anos, já devia ter fechado as portas!..."

Subscrevo inteiramente a opinião do José Albuquerque quanto ao facto de, para uma análise séria, as nossas contas terem que ser comparadas com as dos nossos rivais. Aliás, não é a nossa opinião. É o que dizem os livros. A ideia de que "com o mal dos outros posso eu bem", em Finanças, faz pouco sentido.


Não percebo de onde vêm todos esse números positivos:
                      2009/2010       2010/2011        2011/2012       2012/2013
RO-                 -6.132M           -0.629             +7.556             -4.318

2013/14-T1/2/3 o Resultado operacional é de -2.98M, não sei onde foi buscar esses valores, -0.2, 5.7 e 2.1.
Algo aí não bate certo...

PMBMaker

Citação de: golfdreamer em 02 de Junho de 2014, 10:47
Citação de: chama.ardente em 02 de Junho de 2014, 10:29
Citação de: 218219 em 02 de Junho de 2014, 10:06
Acerca dos RO dos 3 grandes deixo este texto do sitio Guachos Vermelhos para ser comentado...
"...Tentando colocar a gestão do Benfica em perspectiva e em contraste com os nossos mais directos competidores, aproveitando a sugestão do Vermelhovsky, apresento a seguinte tabela:


"A Qualidade da gestão dos 3 grandes nos últimos 15 trimestres:

Resultados operacionais (RO) trimestrais, sem vendas de atletas, em M€, acumulados ao longo de 3 anos + 3 Trimestres 2010/11-2013/14 (15 trimestres=45 meses).

De todos os rácios, os RO são os que mostram melhor a qualidade, a competência e a eficiência da gestão na capacidade de criar receitas e de controlar os custos operacionais.



Res.Oper.Acum......Benfica..............Porto...............Sporting

2010/11-T1-...........+5,1..................-3,2..................-1,8
2010/11-T2-...........+7,2..................-7,5...................-4,6
2010/11-T3-...........+3,2..................-8,4...................-7,3
2010/11-T4-...........-0,6...................-5,4..................-17,4
2011/12-T1-...........+4,6..................-9,6..................-21,2
2011/12-T2-...........+6,9..................-14...................-27,4
2011/12-T3-...........+8,7..................-18,2................-35,1
2011/12-T4-...........+7,9..................-24,6................-42,8
2012/13-T1-...........+5,8..................-32,2.................-49,7
2012/13-T2-...........+12,3................-30,0.................-59,1
2012/13-T3-...........+7,5..................-37,4.................-65,4
2012/12-T4-...........+5,0..................-43,0.................-77,0
2013/14-T1-...........-0,2...................-48,0.................-83,5
2013/14-T2-...........+5,7..................-51,3.................-85,5
2013/14-T3-...........+2,1..................-61,2.................-86,6


O Benfica é o único clube que consegue manter os seus resultados operacionais equilibrados ao longo deste período de 15 trimestres. Não se verificam grandes oscilações nos resultados acumulados. É o clube que tem a gestão mais competente, isto sem deixar de aumentar os proveitos ao longo do período. Significa também que para além de fazer orçamentos anuais, sabem-nos fazer, fazem-nos equilibrados e são seguidos com rigor e disciplina.
Em 45 meses, o Benfica teve 334,2M€ de RO e 332,1M€ milhões de custos operacionais (CO). Tem um ligeiro proveito acumulado 2,1M€ no fim dos 45 meses.

O descontrolo e a incompetência da gestão no Porto é notório, sempre numa curva descendente (a soma dos RO negativos sempre a aumentar, ano após ano) quando no fim do período apresentam um RO acumulado (sem vendas de atletas) um prejuízo de -61,2M€. Média de -1,4M€/mês. A Porto SAD no mesmo período teve 282,3M€ de RO e 343,5M€ de CO.

Se o Porto está descontrolado, a gestão do Sporting então foi caótica, um desastre, como se fosse possível acabar com uma soma acumulada dos RO negativos ao fim de 45 meses de -86,6M€, média de -1,92M€/mês sem que ninguém tivesse feito alguma coisa para travar a situação.
Nota-se que no último ano com a nova administração já há um controlo maior dos RO com a curva descendente, embora ainda negativa, a nivelar. O Sporting teve 218,8M€ de CO e apenas 132,2M€ (!!) de RO nestes 15 trimestres.

Olhando para esta tabela, baseado apenas no que os clubes mostram, percebe-se melhor o caminho que os 3 clubes têm trilhado nestes quase 4 anos, a incompetência da gestão nos nossos rivais FCP e SCP, cegos pela tentativa vã de acompanhar o Benfica. E não se mostra tudo pois não consolidam todas as empresas. Não admira que SCP e FCP não consolidem totalmente as contas, há muito para esconder.

Como já disse variadas vezes o Porto tem de fazer o mesmo que o Sporting, um forte downsizing!
Embora no caso do Sporting, e como eu já venho a dizer há anos, já devia ter fechado as portas!..."

Subscrevo inteiramente a opinião do José Albuquerque quanto ao facto de, para uma análise séria, as nossas contas terem que ser comparadas com as dos nossos rivais. Aliás, não é a nossa opinião. É o que dizem os livros. A ideia de que "com o mal dos outros posso eu bem", em Finanças, faz pouco sentido.


Não percebo de onde vêm todos esse números positivos:
                      2009/2010       2010/2011        2011/2012       2012/2013
RO-                 -6.132M           -0.629             +7.556             -4.318

2013/14-T1/2/3 o Resultado operacional é de -2.98M, não sei onde foi buscar esses valores, -0.2, 5.7 e 2.1.
Algo aí não bate certo...

Será deste detalhe: "sem vendas de atletas"?

218219

Citação de: chama.ardente em 02 de Junho de 2014, 10:29
Citação de: 218219 em 02 de Junho de 2014, 10:06
Acerca dos RO dos 3 grandes deixo este texto do sitio Guachos Vermelhos para ser comentado...
"...Tentando colocar a gestão do Benfica em perspectiva e em contraste com os nossos mais directos competidores, aproveitando a sugestão do Vermelhovsky, apresento a seguinte tabela:


"A Qualidade da gestão dos 3 grandes nos últimos 15 trimestres:

Resultados operacionais (RO) trimestrais, sem vendas de atletas, em M€, acumulados ao longo de 3 anos + 3 Trimestres 2010/11-2013/14 (15 trimestres=45 meses).

De todos os rácios, os RO são os que mostram melhor a qualidade, a competência e a eficiência da gestão na capacidade de criar receitas e de controlar os custos operacionais.



Res.Oper.Acum......Benfica..............Porto...............Sporting

2010/11-T1-...........+5,1..................-3,2..................-1,8
2010/11-T2-...........+7,2..................-7,5...................-4,6
2010/11-T3-...........+3,2..................-8,4...................-7,3
2010/11-T4-...........-0,6...................-5,4..................-17,4
2011/12-T1-...........+4,6..................-9,6..................-21,2
2011/12-T2-...........+6,9..................-14...................-27,4
2011/12-T3-...........+8,7..................-18,2................-35,1
2011/12-T4-...........+7,9..................-24,6................-42,8
2012/13-T1-...........+5,8..................-32,2.................-49,7
2012/13-T2-...........+12,3................-30,0.................-59,1
2012/13-T3-...........+7,5..................-37,4.................-65,4
2012/12-T4-...........+5,0..................-43,0.................-77,0
2013/14-T1-...........-0,2...................-48,0.................-83,5
2013/14-T2-...........+5,7..................-51,3.................-85,5
2013/14-T3-...........+2,1..................-61,2.................-86,6


O Benfica é o único clube que consegue manter os seus resultados operacionais equilibrados ao longo deste período de 15 trimestres. Não se verificam grandes oscilações nos resultados acumulados. É o clube que tem a gestão mais competente, isto sem deixar de aumentar os proveitos ao longo do período. Significa também que para além de fazer orçamentos anuais, sabem-nos fazer, fazem-nos equilibrados e são seguidos com rigor e disciplina.
Em 45 meses, o Benfica teve 334,2M€ de RO e 332,1M€ milhões de custos operacionais (CO). Tem um ligeiro proveito acumulado 2,1M€ no fim dos 45 meses.

O descontrolo e a incompetência da gestão no Porto é notório, sempre numa curva descendente (a soma dos RO negativos sempre a aumentar, ano após ano) quando no fim do período apresentam um RO acumulado (sem vendas de atletas) um prejuízo de -61,2M€. Média de -1,4M€/mês. A Porto SAD no mesmo período teve 282,3M€ de RO e 343,5M€ de CO.

Se o Porto está descontrolado, a gestão do Sporting então foi caótica, um desastre, como se fosse possível acabar com uma soma acumulada dos RO negativos ao fim de 45 meses de -86,6M€, média de -1,92M€/mês sem que ninguém tivesse feito alguma coisa para travar a situação.
Nota-se que no último ano com a nova administração já há um controlo maior dos RO com a curva descendente, embora ainda negativa, a nivelar. O Sporting teve 218,8M€ de CO e apenas 132,2M€ (!!) de RO nestes 15 trimestres.

Olhando para esta tabela, baseado apenas no que os clubes mostram, percebe-se melhor o caminho que os 3 clubes têm trilhado nestes quase 4 anos, a incompetência da gestão nos nossos rivais FCP e SCP, cegos pela tentativa vã de acompanhar o Benfica. E não se mostra tudo pois não consolidam todas as empresas. Não admira que SCP e FCP não consolidem totalmente as contas, há muito para esconder.

Como já disse variadas vezes o Porto tem de fazer o mesmo que o Sporting, um forte downsizing!
Embora no caso do Sporting, e como eu já venho a dizer há anos, já devia ter fechado as portas!..."

Subscrevo inteiramente a opinião do José Albuquerque quanto ao facto de, para uma análise séria, as nossas contas terem que ser comparadas com as dos nossos rivais. Aliás, não é a nossa opinião. É o que dizem os livros. A ideia de que "com o mal dos outros posso eu bem", em Finanças, faz pouco sentido.
Só para esclarecer que este post advém de um comentário ao post original do J. Albuquerque, mas não é da sua autoria, mas sim de um outro user.