As Finanças do Benfica

nfgl

Citação de: SuburbanRebel em 01 de Março de 2023, 16:40
Citação de: brsr em 01 de Março de 2023, 13:16


Foto comparativa das contas do semestre




O Porto tem apenas menos 9 milhões de receitas operacionais que o Benfica? Pensei que a diferença fosse maior...

O Sporting está a léguas, dificilmente conseguirá acompanhar...

Deve ter a ver com a exploração das antas, que está dentro da sad.

GTtdi_SLB

Citação de: Shoky em 01 de Março de 2023, 12:14
Citação de: Savicevic em 01 de Março de 2023, 12:03Atenção que, passando aos quartos-de-final da Champions, além da venda do Enzo faltarão contabilizar 2 receitas de bilheteira e quase 20M€ em prémios da UEFA. Acredito que com o pagamento de prémios de performance desportiva (título nacional + quartos da Champions) a folha salarial se mantenha mais ou menos igual (os 6.2M do prémio de assinatura não irão dobrar para o segundo semestre, mas os prémios irão certamente cobrir isso), daí que só se deverá perceber melhor a diminuição do valor das remunerações fixas no 1º semestre de 23/24.

Por fim, há uma nota de preocupação que tem que ver com o desequilíbrio exagerado na tesouraria que se criou com os desmandos do Vieira para ganhar eleições e que ainda não foi corrigido.

Temos um passivo corrente de 220M€ para um ativo corrente de 120M€ (ambos os rivais têm uma situação de desequilíbrio mas para pior). Há uns anos tínhamos isto muito mais bem controlado e é outra coisa que temos que inverter a curto prazo, porque a tesouraria também pressiona a venda de jogadores.

Umas eventuais meias-finais da LC seriam um bolo inacreditável.
extra 10.6M€ + market pool + bilhética (uns 15M€ no total, diria)

baar99

O mais estranho no meio destas contas é termos agora um banco alemão a financiar o Benfica como o Porto também tem um e não aparenta ser o mesmo.

Não seria mais benéfico para o Benfica trabalhar em exclusivo para esse banco alemão, se o mesmo der melhor condições que os bancos nacionais ?

DB4700

Citação de: baar99 em 01 de Março de 2023, 17:07O mais estranho no meio destas contas é termos agora um banco alemão a financiar o Benfica como o Porto também tem um e não aparenta ser o mesmo.

Não seria mais benéfico para o Benfica trabalhar em exclusivo para esse banco alemão, se o mesmo der melhor condições que os bancos nacionais ?

bom ponto. a estas taxas de financiamento, parece-me que vai acontecer mais vezes. mas estas linhas de crédito são sempre circunstanciais. há anos que nem temos. há anos que temos. não é nada muito significativo. são sempre linhas de crédito de 6-12 meses. é só para questões de liquidez temporária.

xtream

o nosso passivo já está quase nos 400M, com as vendas q fizemos devíamos ter reduzido muito mas o génio das finanças deve ter feito um bom trabalho.... não fosse o milagre do Enzo estávamos no caminho do abismo, vamos ver se desta vez não cometem o mm erro

Kyoto

creio q o Benfica deve ter como objectivo gastar cerca de 80-90M de salarios por epoca.

n li o relatorio, mas o aumento dos salarios face ao exercicio anterior nao tera muito a ver com rescisoes? este semestre houve uma limpeza enorme nos profissionais do clube

nightcrowler

em relação às contas semestrais apresentadas, estou particularmente siderado, para ser simpático, com a rúbrica de custos com pessoal. não consigo entender.

se alguém me conseguir explicar, ficaria muito agradecido, porque acho pouco menos que inconcebível o valor de 60 milhões de euros em custos com pessoal num único semestre. ou seja, ainda conseguimos aumentar face ao ano anterior! estou a ser injusto porque houve um aumento de 1,5 milhões de euros nos prémios, e sem isso, ficaria marginalmente abaixo, mas está muito deslocado do que foi referido e do que se pensava.

quer dizer, e sem pensar muito, saíram esta época face ao ano anterior salários bastante elevadas, como sejam Weigl (mais bem pago plantel), Meite (vindo de Itália não deveria receber sandes de leitão), Vertonghen (top5 dos salários mais elevados), Darwin, Yaremchuk, Taarabt, Pizzi (6 meses), Cebolinha. tudo jogadores caros.

como é possível, ou melhor, como é sequer imaginável que a redução seja nula?
no relatório e contas colocam uma nota relativa a "6 milhões de euros relativos a prémios de assinatura". que é isso? que significa? nos anos anteriores essa rúbrica não existia? no ano anterior não se fizeram contratações?

acho inaceitável isto. sinto-me enganado. ando aqui a gabar a toda a gente que o Benfica finalmente anda a trabalhar para reduzir massa salarial, a reduzir jogadores, a tornar-se mais sustentável financeiramente, para isto.

em relação às contas, não dá para ver muito. a melhoria das receitas resulta de um aumento nos prémios liga campeões, que infelizmente deverão ser dificilmente repetidos. ou seja, não será normal que em 6 jogos da liga dos campeões consigamos ganhar 4 e empatar 2. novamente, infelizmente. portanto, ou baixamos mesmo a massa salarial, ou teremos no curto prazo de voltar a pedinchar a venda de jogadores. e isto deve estar escrito nos corredores, nos computadores quando a malta chega ao Benfica. TEMOS QUE REDUZIR MASSA SALARIAL. só assim teremos capacidade de pagar melhor aos melhores.

fazendo contas de merceeiro, se no primeiro semestre tivemos prejuízo de 13 milhões com receitas na ordem dos 55 da liga dos campeões, tendo em consideração que no segundo semestre (sendo conservador) devem ficar-se pelos 25, operacionalmente caminhamos para um prejuízo na ordem dos 50 milhões. tudo isto será "limpo" com a venda do Enzo, que vai garantir resultados positivos e também uma folga na tesouraria que me parece exaurida face ao histórico.

em relação aos capitais próprios de quase 100 milhões, sendo um valor bastante "jeitoso", não podemos esquecer que nos últimos anos foram comidos cerca de 60 milhões. no pós venda do Félix tinhamos capitais próprios de 160 e agora não chegam aos 100. sendo certo que a pandemia explica uma grande parte, não podemos esquecer que a aposta disparatada no JJ e numa política de comprar muitos, por muito dinheiro e com salários altos, num par de anos pode arruinar o trabalho bem feito durante muitos anos. que sirva de lição para todos.

globalmente, podemos estar tranquilos no curto prazo, temos bastante dinheiro em caixa, vamos ter bastantes proveitos da liga dos campeões (bastante mais que o normal no segundo semestre), e como se não bastasse, temos muito valor no plantel (Gonçalo Ramos e Antonio Silva garantem, muito por baixo, uns 80 milhões de mais valias, havendo ainda Tino). contudo, é fundamental que a prometida redução dos custos com pessoal se efetiva, se note mesmo no próximo R&C.

 por ultimo, assinalar a diferença quase grotesca face ao Porto, que está alegremente falido. é incrível como naquela situação, conseguem gastar 20 milhões no David Carmo... enfim. o que acho mais preocupante naquelas contas é que, depois do Diogo Costa, quem tem o Porto para vender? o Porto sobreviveu nos últimos anos à custa das mais valias da formação, como Dalot, Fábio Silva, Fábio Vieira e Vitinha (que basicamente os safaram do fair play financeiro). depois da saída do Diogo Costa, não vejo ninguém desse nível.

o Sporting está finalmente a tornar-se sustentável. reduzir massa salarial, apostaram em miudos, conseguiram vender bem (Nuno Mendes Porro e Matheus Nunes custaram, os 3 juntos, uns 15 milhões e foram vendidos por uns 120 ou 130 milhões). contudo também me parece que estão a ficar sem muito para vender, pelo menos no imediato.

agora? é prego a fundo. ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar. é uma oportunidade para marcar a diferença face aos adversários, que estão bastante condicionados (Porto porque simplesmente não tem dinheiro nem formação; Sporting se fica fora liga campeões terá problemas em fazer orçamento próxima época), ao invés que nós estamos na crista da onda. que não façam o mesmo que no ano do penta ou no pós venda do Felix, e que nunca mais se repita uma aposta tipo JJ.

abraço a todos!

Mattamouros

Citação de: DB4700 em 01 de Março de 2023, 11:52Uns pontos sobre o R&C Semestral

- o EBITDA é mais uma vez positivo (o ano passado não foi). Ou seja, aquilo que o Benfica faz a vender bilhetes, transmissões televisivas, patrocinios, dá para pagar os salários e os restantes custos do clube.

- É positivo não porque os salários diminuiram. Na verdade até subiram 1 milhão por semestre e estamos a caminho de gastar 120 milhões em salários esta época. É positivo porque estamos a fazer mais dinheiro com a televisão e prémios UEFA, mais 1 milhão em patrocinios e mais 5 milhões a vender bilhetes (isto comparado com o igual período 1 de Julho a 31 de Dezembro do ano passado).

- Fizemos mais 10 milhões em transmissões televisivas do que no ano passado que também passámos da Fase de Grupos. Isto deve-se, não só mas também, porque o ano passado fizemos 2V 2E e 2D, e este ano fizemos 4V e 2E. Logo aí vamos buscar mais 6-7 milhões. O resto creio que se deve a termos subido no ranking e isso também nos dar mais uns milhões no market pool do prémio da UEFA por estarmos na Fase de Grupos.

- A parte má é que a massa salarial não baixou. Se formos ver a nota 16 do R&C, as remunerações fixas baixaram um milhão, as variáveis subiram um milhão e meio e as indemnizações subiram um milhão. Estamos a caminho para ter 120 milhões em massa salarial. O FCPorto e o Sporting também apresentaram os seus R&C semestrais. O FCP está a gastar 51 milhões (ou seja a caminho para gastar 102 milhões na época) e o Sporting está a gastar 38 milhões, ou seja, a caminho para gastar 76 milhões na época, 44 milhões a menos do que nós.

- São 44 milhões a menos, e também são 15 pontos de distância e a andar na Champions League em vez da Liga Europa. Mas há o outro lado da moeda também. O Benfica sem a super Champions League que fez teria EBITDA negativo outra vez. E EBITDA negativo significa vender jogadores no final da época ao preço que o mercado oferecer porque precisamos de vender para pagar a diferença do que produzimos e o que gastamos.

- do EBITDA positivo de 9 milhões soma-se ainda mais quase 6 milhões com as transações de atletas, e isso dá-nos um EBITDA global do semestre de 15 milhões. Depois vêm as amortizações e os juros que pagamos, e isso torna o semestre negativo nos tais 13 milhões falados.

- as amortizações são o seguinte: quando contratamos um jogador, o valor dele é capitalizado e depois é subtraido contabilisticamente anualmente pelo número de anos de contrato que lhe damos. Ou seja, imaginemos que contratamos o Manel por 20 milhões com um contrato de 5 anos. Os 20 milhões do Manel entram no nosso activo mas não aparecem nos cálculos do apuramento do lucro nesse ano. Em vez disso, o Manel anualmente vai depreciar 4 milhões e a cada ano vão cair 4 milhões no apuramento do lucro. Ou seja, após um ano de Benfica, o valor do Manel no Activo vai estar 16 milhões (20 - 4) e nas amortizações vão estar 4 milhões. Ao final de dois anos, o Manel está 12 milhões no activo e caem mais 4 milhões no apuramento do lucro. Estes 4 milhões são as amortizações. O Benfica nos últimos 5 anos gastou mais de 200 milhões em reforços, naturalmente, estão a cair 40 milhões em amortizações por ano. Isto não é um custo real para o Benfica. É um custo que o clube teve e que em vez de ser contabilizado todo no momento da contratação, é contabilizado anualmente até que o jogador saia. Imaginemos que o Manel é um jovem de 20 anos muito promissor, como é hábito, não dura mais de um ano no Benfica, logo vai ser vendido no final do primeiro ano, onde contabilisticamente valia 16 milhões. O Benfica vende-o por 50 milhões. O Manel vai gerar uma mais-valia de 34 milhões (50-16). E o Manel vai sair do Activo do Benfica e vai deixar de "custar" 4 milhões anualmente em amortizações. Mas o Weigl ainda amortiza, o Gabriel amortiza, o Meite amortiza, o Otamendi amortiza, o Lucas amortiza, o Vlachodimos amortiza, os reforços desta época amortizam, e isso tudo "custou" quase 23 milhões neste semestre. O Rafa, o Grimaldo e os miúdos da formação amortizam, mas muito pouco porque como já vão no segundo contrato ou como não se teve que pagar a ninguém para virem para o clube, apenas amortizam os prémios que receberam na renovação.

- O Yaremchuk já não amortiza. Foi vendido e gerou um ganho de 1.21 milhões (foi vendido por 16+3 milhões (dos quais 1 milhão já foi concretizado), mas tinha custado no total 18 milhões e depois tivemos que pagar mais 3 milhões pelos 25% que o Gent tinha direito. Dos 21 milhões que nos custou, amortizou 4.25 milhões. Gerando a tal mais valia de 1.2 milhões

- o João Ferreira foi vendido por 2.5 milhões e gerou uma mais valia de 1.85 milhões e o Benfica tem 10% de uma mais-valia de uma venda. O Darwin gerou mais 5 milhões e o Everton mais 1 milhão pelos prémios. Desses 6 milhões, recebemos apenas 4.367 milhões que foram para terceiros, intermediários e solidariedade.

- O Carlos Vinícius, Nuno Santos e Úmaro Embaló foram vendidos e geraram um total de 6.7 milhões, mais 0.7 milhões em objectivos. 5M dizem respeito ao Vinicius. Temos ainda direito a 50% da venda do Vinicius, e 50% da mais valia Nuno Santos e do Úmaro.

- o ano passado, creio que foi neste R&C Semestral, que ficámos a saber que alguns jogadores tinham renovado automaticamente por mais um ano (Everton, Weigl, Darwin). Este ano não há qualquer menção a renovações automáticas. Não tenho a certeza se foi neste R&C ou no do final do ano.

- o Benfica não divulgou quanto gastou com o Enzo e o valor que já vi por aí não é totalmente correcto. Os 16 milhões são a soma de quanto o Enzo custou e 50% do montante variável que teria que pagar. Logo a pergunta se tínhamos que pagar os outros 4 milhões de variáveis que ficaram por cumprir, continua por responder. O presidente do River diz que sim

- a rúbrica de fornecimentos e serviços externos continua a subir. a gestão operacional com o Estádio voltou a subir 2 milhões e estamos a gastar mais 1.6 milhões em deslocações e estadias do que o ano passado.

- o Activo Corrente é de 123 milhões. O passivo corrente é de 220 milhões. São 97 milhões de diferença que o Benfica terá que arranjar. Desses 97, há 20 milhões que não são um custo real, são o adiantamento da NOS. Os outros 77 milhões são 50 milhões do empréstimo obrigacionista que vence este ano, e 34.5 milhões de empréstimos bancários novos que temos com o Montepio (1.5M), Novo Banco (17M) e OLB Bank (16M). A novidade aqui é o OLB Bank, um banco alemão que nos está a financiar a uma taxa mais baixa que os próprios empréstimos obrigacionistas. Estes 77 milhões terão que vir de algum lado. Ou vamos emitir um novo EO, ou vamos antecipar o Enzo e fazer outra venda no verão (Ramos provavelmente).


No global foi um belo semestre para o Benfica do ponto de vista financeiro. Há uma ameaça que é o aumento dos valores de empréstimos. Creio que este verão podemos reduzir uma bela fatia disso se vendermos mais um jogador. E há a outra ameaça que é a capacidade de ser autosustentável. O Benfica com uma super Champions foi autosustentável este semestre e mesmo assim acho que não vai dar para ser autosustentável durate o ano, porque no segundo semestre, os custos quase sempre multiplicam por dois, e as receitas não, porque o grosso do prémio da Champions é na fase de grupos e só se chegarmos às meias é que nos aproximamos do prémio da fase de grupos. Isto não é autosustentável para o clube e obriga o clube sempre a ter que vender um jogador no final da época. Este ano já vendemos o Enzo. Mas mesmo depois de vendermos o Enzo e de uma Super Champions, provavelmente vamos ter um lucro de 15-30 milhões (40 milhões foram para amortizações). A massa salarial continua explosiva. É imperativo diminui-la de forma muito significativa. Eu estava a espera que isso tivesse acontecido neste semestre, mas não aconteceu.

Excelente post, a trocar isto por miudos para os leigos aqui do tasco onde eu me incluo possamos perceber o que realmente dizem os números.

Muito obrigado pela partilha O0

Já agora deixo-te uma pergunta: Na tua opinião, achas que é possivel num prazo de x anos, com uma boa gestão (seguir o exemplo do que foi feito até agora, despachar excedentários, contratar cirurgicamente e não aos contentores, etc), atingir o patamar da autossustentabilidade?

Eu sei que somos um clube vendedor e estamos numa liga periférica, pelo que chegará a altura que os jogadores irão querer sempre dar o salto para uma mais competitiva, é normal, mas falo ao nível da nossa gestão financeira mesmo, estarmos desafogados ao ponto de não sermos obrigado a fazer uma grande venda todos os anos para manter as contas nos eixos.

Achas que é fazível, ou uma utopia? Obrigado desde já mais uma vez

nqsbenfica

Se diminuímos tantos jogadores de plantel, da formação e emprestados, os ordenados é que são mesmo muito elevados do atual plantel principal.
Por isso duvido que Grimaldo e Otamendi renovem....

GTtdi_SLB

Citação de: Mattamouros em 01 de Março de 2023, 22:36
Citação de: DB4700 em 01 de Março de 2023, 11:52Uns pontos sobre o R&C Semestral

- o EBITDA é mais uma vez positivo (o ano passado não foi). Ou seja, aquilo que o Benfica faz a vender bilhetes, transmissões televisivas, patrocinios, dá para pagar os salários e os restantes custos do clube.

- É positivo não porque os salários diminuiram. Na verdade até subiram 1 milhão por semestre e estamos a caminho de gastar 120 milhões em salários esta época. É positivo porque estamos a fazer mais dinheiro com a televisão e prémios UEFA, mais 1 milhão em patrocinios e mais 5 milhões a vender bilhetes (isto comparado com o igual período 1 de Julho a 31 de Dezembro do ano passado).

- Fizemos mais 10 milhões em transmissões televisivas do que no ano passado que também passámos da Fase de Grupos. Isto deve-se, não só mas também, porque o ano passado fizemos 2V 2E e 2D, e este ano fizemos 4V e 2E. Logo aí vamos buscar mais 6-7 milhões. O resto creio que se deve a termos subido no ranking e isso também nos dar mais uns milhões no market pool do prémio da UEFA por estarmos na Fase de Grupos.

- A parte má é que a massa salarial não baixou. Se formos ver a nota 16 do R&C, as remunerações fixas baixaram um milhão, as variáveis subiram um milhão e meio e as indemnizações subiram um milhão. Estamos a caminho para ter 120 milhões em massa salarial. O FCPorto e o Sporting também apresentaram os seus R&C semestrais. O FCP está a gastar 51 milhões (ou seja a caminho para gastar 102 milhões na época) e o Sporting está a gastar 38 milhões, ou seja, a caminho para gastar 76 milhões na época, 44 milhões a menos do que nós.

- São 44 milhões a menos, e também são 15 pontos de distância e a andar na Champions League em vez da Liga Europa. Mas há o outro lado da moeda também. O Benfica sem a super Champions League que fez teria EBITDA negativo outra vez. E EBITDA negativo significa vender jogadores no final da época ao preço que o mercado oferecer porque precisamos de vender para pagar a diferença do que produzimos e o que gastamos.

- do EBITDA positivo de 9 milhões soma-se ainda mais quase 6 milhões com as transações de atletas, e isso dá-nos um EBITDA global do semestre de 15 milhões. Depois vêm as amortizações e os juros que pagamos, e isso torna o semestre negativo nos tais 13 milhões falados.

- as amortizações são o seguinte: quando contratamos um jogador, o valor dele é capitalizado e depois é subtraido contabilisticamente anualmente pelo número de anos de contrato que lhe damos. Ou seja, imaginemos que contratamos o Manel por 20 milhões com um contrato de 5 anos. Os 20 milhões do Manel entram no nosso activo mas não aparecem nos cálculos do apuramento do lucro nesse ano. Em vez disso, o Manel anualmente vai depreciar 4 milhões e a cada ano vão cair 4 milhões no apuramento do lucro. Ou seja, após um ano de Benfica, o valor do Manel no Activo vai estar 16 milhões (20 - 4) e nas amortizações vão estar 4 milhões. Ao final de dois anos, o Manel está 12 milhões no activo e caem mais 4 milhões no apuramento do lucro. Estes 4 milhões são as amortizações. O Benfica nos últimos 5 anos gastou mais de 200 milhões em reforços, naturalmente, estão a cair 40 milhões em amortizações por ano. Isto não é um custo real para o Benfica. É um custo que o clube teve e que em vez de ser contabilizado todo no momento da contratação, é contabilizado anualmente até que o jogador saia. Imaginemos que o Manel é um jovem de 20 anos muito promissor, como é hábito, não dura mais de um ano no Benfica, logo vai ser vendido no final do primeiro ano, onde contabilisticamente valia 16 milhões. O Benfica vende-o por 50 milhões. O Manel vai gerar uma mais-valia de 34 milhões (50-16). E o Manel vai sair do Activo do Benfica e vai deixar de "custar" 4 milhões anualmente em amortizações. Mas o Weigl ainda amortiza, o Gabriel amortiza, o Meite amortiza, o Otamendi amortiza, o Lucas amortiza, o Vlachodimos amortiza, os reforços desta época amortizam, e isso tudo "custou" quase 23 milhões neste semestre. O Rafa, o Grimaldo e os miúdos da formação amortizam, mas muito pouco porque como já vão no segundo contrato ou como não se teve que pagar a ninguém para virem para o clube, apenas amortizam os prémios que receberam na renovação.

- O Yaremchuk já não amortiza. Foi vendido e gerou um ganho de 1.21 milhões (foi vendido por 16+3 milhões (dos quais 1 milhão já foi concretizado), mas tinha custado no total 18 milhões e depois tivemos que pagar mais 3 milhões pelos 25% que o Gent tinha direito. Dos 21 milhões que nos custou, amortizou 4.25 milhões. Gerando a tal mais valia de 1.2 milhões

- o João Ferreira foi vendido por 2.5 milhões e gerou uma mais valia de 1.85 milhões e o Benfica tem 10% de uma mais-valia de uma venda. O Darwin gerou mais 5 milhões e o Everton mais 1 milhão pelos prémios. Desses 6 milhões, recebemos apenas 4.367 milhões que foram para terceiros, intermediários e solidariedade.

- O Carlos Vinícius, Nuno Santos e Úmaro Embaló foram vendidos e geraram um total de 6.7 milhões, mais 0.7 milhões em objectivos. 5M dizem respeito ao Vinicius. Temos ainda direito a 50% da venda do Vinicius, e 50% da mais valia Nuno Santos e do Úmaro.

- o ano passado, creio que foi neste R&C Semestral, que ficámos a saber que alguns jogadores tinham renovado automaticamente por mais um ano (Everton, Weigl, Darwin). Este ano não há qualquer menção a renovações automáticas. Não tenho a certeza se foi neste R&C ou no do final do ano.

- o Benfica não divulgou quanto gastou com o Enzo e o valor que já vi por aí não é totalmente correcto. Os 16 milhões são a soma de quanto o Enzo custou e 50% do montante variável que teria que pagar. Logo a pergunta se tínhamos que pagar os outros 4 milhões de variáveis que ficaram por cumprir, continua por responder. O presidente do River diz que sim

- a rúbrica de fornecimentos e serviços externos continua a subir. a gestão operacional com o Estádio voltou a subir 2 milhões e estamos a gastar mais 1.6 milhões em deslocações e estadias do que o ano passado.

- o Activo Corrente é de 123 milhões. O passivo corrente é de 220 milhões. São 97 milhões de diferença que o Benfica terá que arranjar. Desses 97, há 20 milhões que não são um custo real, são o adiantamento da NOS. Os outros 77 milhões são 50 milhões do empréstimo obrigacionista que vence este ano, e 34.5 milhões de empréstimos bancários novos que temos com o Montepio (1.5M), Novo Banco (17M) e OLB Bank (16M). A novidade aqui é o OLB Bank, um banco alemão que nos está a financiar a uma taxa mais baixa que os próprios empréstimos obrigacionistas. Estes 77 milhões terão que vir de algum lado. Ou vamos emitir um novo EO, ou vamos antecipar o Enzo e fazer outra venda no verão (Ramos provavelmente).


No global foi um belo semestre para o Benfica do ponto de vista financeiro. Há uma ameaça que é o aumento dos valores de empréstimos. Creio que este verão podemos reduzir uma bela fatia disso se vendermos mais um jogador. E há a outra ameaça que é a capacidade de ser autosustentável. O Benfica com uma super Champions foi autosustentável este semestre e mesmo assim acho que não vai dar para ser autosustentável durate o ano, porque no segundo semestre, os custos quase sempre multiplicam por dois, e as receitas não, porque o grosso do prémio da Champions é na fase de grupos e só se chegarmos às meias é que nos aproximamos do prémio da fase de grupos. Isto não é autosustentável para o clube e obriga o clube sempre a ter que vender um jogador no final da época. Este ano já vendemos o Enzo. Mas mesmo depois de vendermos o Enzo e de uma Super Champions, provavelmente vamos ter um lucro de 15-30 milhões (40 milhões foram para amortizações). A massa salarial continua explosiva. É imperativo diminui-la de forma muito significativa. Eu estava a espera que isso tivesse acontecido neste semestre, mas não aconteceu.

Excelente post, a trocar isto por miudos para os leigos aqui do tasco onde eu me incluo possamos perceber o que realmente dizem os números.

Muito obrigado pela partilha O0

Já agora deixo-te uma pergunta: Na tua opinião, achas que é possivel num prazo de x anos, com uma boa gestão (seguir o exemplo do que foi feito até agora, despachar excedentários, contratar cirurgicamente e não aos contentores, etc), atingir o patamar da autossustentabilidade?

Eu sei que somos um clube vendedor e estamos numa liga periférica, pelo que chegará a altura que os jogadores irão querer sempre dar o salto para uma mais competitiva, é normal, mas falo ao nível da nossa gestão financeira mesmo, estarmos desafogados ao ponto de não sermos obrigado a fazer uma grande venda todos os anos para manter as contas nos eixos.

Achas que é fazível, ou uma utopia? Obrigado desde já mais uma vez
o SLB seria auto sustentável se o seu target fosse liga europa (e custos associados), para almejar a LC e ser competitivo, vê-se obrigado a disparar um universo de custos (ao nivel do que por lá é praticado) que nos transporta para o vermelho. Ora a unica forma de bancar o prejuizo é através de receitas extraordinarias (aqui incluo o acesso e pontuação na LC) que são sempre imponderáveis. Não somos nem conseguiremos auto suficientes ao nivel de LC, isso já foi chão que deu uvas nos tempos da maria cachucha. A globalização fez-nos ainda mais pequenos do que aquilo que somos e essa lateralidade afastou-nos dos centros de poder onde está o dinheiro. Somos carne para canhão e resta-nos estar à espreita para anos maus (extraordinários) para dar uma de golfinho.

GTtdi_SLB

a unica forma (lírica) de ser auto suficiente era de que saíssem consistentemente fornadas da formação de altíssimo valor que retro alimentassem periodicamente os encargos da estrutura, e isso não acontece em lado nenhum do mundo. E como a natureza do homem é a gula total, nunca haverá tempo para projectos madurarem convenientemente, querem sempre ganhar amanhã e isso não existe a não ser que injectem dinheiro em atletas feitos para resultados imediatos, o que nos faria abandonar a equação da sustentabilidade. Formação, aguentar fases menos boas sem contestação e dar tempo aos projectos para adquirir maturidade.

nightcrowler

em relação à questão colocada da sustentabilidade, acho impossível o Benfica conseguir sobreviver sem vendas.

vejamos este ano, em que estamos a ter uma performance espetacular, com prémios da liga dos campeões como nunca. mesmo assim, estamos no primeiro semestre com 13 milhões negativos, e o segundo semestre as receitas são sempre menores porque há menos prémios liga campeões. ou seja, para ser sustentável, teríamos que diminuir custos em uns 40 milhões de euros, o que já me parece inviável de conciliar com uma equipa vencedora.

a sustentabilidade faz-se, essencialmente, através de poucos jogadores contratados mas bons, mesmo que impliquem salários altos, tentar não ficar com "monos" encostados, e ter plantéis pequenos que permitam dar espaço aos miudos. é essencial manter o investimento que se fez no Seixal e na formação, porque é através da formação que se consegue recuperar capitais próprios.

carrazeda

Citação de: nightcrowler em 01 de Março de 2023, 22:54em relação à questão colocada da sustentabilidade, acho impossível o Benfica conseguir sobreviver sem vendas.

vejamos este ano, em que estamos a ter uma performance espetacular, com prémios da liga dos campeões como nunca. mesmo assim, estamos no primeiro semestre com 13 milhões negativos, e o segundo semestre as receitas são sempre menores porque há menos prémios liga campeões. ou seja, para ser sustentável, teríamos que diminuir custos em uns 40 milhões de euros, o que já me parece inviável de conciliar com uma equipa vencedora.

a sustentabilidade faz-se, essencialmente, através de poucos jogadores contratados mas bons, mesmo que impliquem salários altos, tentar não ficar com "monos" encostados, e ter plantéis pequenos que permitam dar espaço aos miudos. é essencial manter o investimento que se fez no Seixal e na formação, porque é através da formação que se consegue recuperar capitais próprios.

Sem um qualquer hipotético aumento de receitas com TV ou merchandising, o melhor (senão único) caminho para uma qualquer auto-sustentabilidade é de ter a equipa A montada de uma maneira altamente eficiente. Temos bases para isso, nomeadamente com o Seixal e o bom nome que o clube tem hoje em dia a lançar jovens jogadores, mas o mais fundamental imho é ter uma equipa técnica muito competente e em simbiose total com a direcção. Uma enorme parte dos bons resultados deste ano advêm dessa competência (enorme aproveitamento do JM e Tino por exemplo, dois que para muitos outros pouco contariam) e simbiose (vinda do Aursnes e Bah, manutenção do Ramos) - como bem sabemos ainda estamos a pagar a factura da falta de competência de épocas passadas. Vamos vender sempre, mas com bons talentos no plantel podemos ter sempre 2/3 alternativas com mercado, e com isso ganhar margem negocial para vender sempre caro - e vendendo caro temos sempre mais margem para vender pouco e não vender em todas as janelas.

duarteslb

#83833
Citação de: nightcrowler em 01 de Março de 2023, 22:15em relação às contas semestrais apresentadas, estou particularmente siderado, para ser simpático, com a rúbrica de custos com pessoal. não consigo entender.

se alguém me conseguir explicar, ficaria muito agradecido, porque acho pouco menos que inconcebível o valor de 60 milhões de euros em custos com pessoal num único semestre. ou seja, ainda conseguimos aumentar face ao ano anterior! estou a ser injusto porque houve um aumento de 1,5 milhões de euros nos prémios, e sem isso, ficaria marginalmente abaixo, mas está muito deslocado do que foi referido e do que se pensava.

quer dizer, e sem pensar muito, saíram esta época face ao ano anterior salários bastante elevadas, como sejam Weigl (mais bem pago plantel), Meite (vindo de Itália não deveria receber sandes de leitão), Vertonghen (top5 dos salários mais elevados), Darwin, Yaremchuk, Taarabt, Pizzi (6 meses), Cebolinha. tudo jogadores caros.

como é possível, ou melhor, como é sequer imaginável que a redução seja nula?
no relatório e contas colocam uma nota relativa a "6 milhões de euros relativos a prémios de assinatura". que é isso? que significa? nos anos anteriores essa rúbrica não existia? no ano anterior não se fizeram contratações?

acho inaceitável isto. sinto-me enganado. ando aqui a gabar a toda a gente que o Benfica finalmente anda a trabalhar para reduzir massa salarial, a reduzir jogadores, a tornar-se mais sustentável financeiramente, para isto.

em relação às contas, não dá para ver muito. a melhoria das receitas resulta de um aumento nos prémios liga campeões, que infelizmente deverão ser dificilmente repetidos. ou seja, não será normal que em 6 jogos da liga dos campeões consigamos ganhar 4 e empatar 2. novamente, infelizmente. portanto, ou baixamos mesmo a massa salarial, ou teremos no curto prazo de voltar a pedinchar a venda de jogadores. e isto deve estar escrito nos corredores, nos computadores quando a malta chega ao Benfica. TEMOS QUE REDUZIR MASSA SALARIAL. só assim teremos capacidade de pagar melhor aos melhores.

fazendo contas de merceeiro, se no primeiro semestre tivemos prejuízo de 13 milhões com receitas na ordem dos 55 da liga dos campeões, tendo em consideração que no segundo semestre (sendo conservador) devem ficar-se pelos 25, operacionalmente caminhamos para um prejuízo na ordem dos 50 milhões. tudo isto será "limpo" com a venda do Enzo, que vai garantir resultados positivos e também uma folga na tesouraria que me parece exaurida face ao histórico.

em relação aos capitais próprios de quase 100 milhões, sendo um valor bastante "jeitoso", não podemos esquecer que nos últimos anos foram comidos cerca de 60 milhões. no pós venda do Félix tinhamos capitais próprios de 160 e agora não chegam aos 100. sendo certo que a pandemia explica uma grande parte, não podemos esquecer que a aposta disparatada no JJ e numa política de comprar muitos, por muito dinheiro e com salários altos, num par de anos pode arruinar o trabalho bem feito durante muitos anos. que sirva de lição para todos.

globalmente, podemos estar tranquilos no curto prazo, temos bastante dinheiro em caixa, vamos ter bastantes proveitos da liga dos campeões (bastante mais que o normal no segundo semestre), e como se não bastasse, temos muito valor no plantel (Gonçalo Ramos e Antonio Silva garantem, muito por baixo, uns 80 milhões de mais valias, havendo ainda Tino). contudo, é fundamental que a prometida redução dos custos com pessoal se efetiva, se note mesmo no próximo R&C.

 por ultimo, assinalar a diferença quase grotesca face ao Porto, que está alegremente falido. é incrível como naquela situação, conseguem gastar 20 milhões no David Carmo... enfim. o que acho mais preocupante naquelas contas é que, depois do Diogo Costa, quem tem o Porto para vender? o Porto sobreviveu nos últimos anos à custa das mais valias da formação, como Dalot, Fábio Silva, Fábio Vieira e Vitinha (que basicamente os safaram do fair play financeiro). depois da saída do Diogo Costa, não vejo ninguém desse nível.

o Sporting está finalmente a tornar-se sustentável. reduzir massa salarial, apostaram em miudos, conseguiram vender bem (Nuno Mendes Porro e Matheus Nunes custaram, os 3 juntos, uns 15 milhões e foram vendidos por uns 120 ou 130 milhões). contudo também me parece que estão a ficar sem muito para vender, pelo menos no imediato.

agora? é prego a fundo. ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar. é uma oportunidade para marcar a diferença face aos adversários, que estão bastante condicionados (Porto porque simplesmente não tem dinheiro nem formação; Sporting se fica fora liga campeões terá problemas em fazer orçamento próxima época), ao invés que nós estamos na crista da onda. que não façam o mesmo que no ano do penta ou no pós venda do Felix, e que nunca mais se repita uma aposta tipo JJ.

abraço a todos!
Citação de: nightcrowler em 01 de Março de 2023, 22:15em relação às contas semestrais apresentadas, estou particularmente siderado, para ser simpático, com a rúbrica de custos com pessoal. não consigo entender.

se alguém me conseguir explicar, ficaria muito agradecido, porque acho pouco menos que inconcebível o valor de 60 milhões de euros em custos com pessoal num único semestre. ou seja, ainda conseguimos aumentar face ao ano anterior! estou a ser injusto porque houve um aumento de 1,5 milhões de euros nos prémios, e sem isso, ficaria marginalmente abaixo, mas está muito deslocado do que foi referido e do que se pensava.

quer dizer, e sem pensar muito, saíram esta época face ao ano anterior salários bastante elevadas, como sejam Weigl (mais bem pago plantel), Meite (vindo de Itália não deveria receber sandes de leitão), Vertonghen (top5 dos salários mais elevados), Darwin, Yaremchuk, Taarabt, Pizzi (6 meses), Cebolinha. tudo jogadores caros.

como é possível, ou melhor, como é sequer imaginável que a redução seja nula?
no relatório e contas colocam uma nota relativa a "6 milhões de euros relativos a prémios de assinatura". que é isso? que significa? nos anos anteriores essa rúbrica não existia? no ano anterior não se fizeram contratações?

acho inaceitável isto. sinto-me enganado. ando aqui a gabar a toda a gente que o Benfica finalmente anda a trabalhar para reduzir massa salarial, a reduzir jogadores, a tornar-se mais sustentável financeiramente, para isto.

em relação às contas, não dá para ver muito. a melhoria das receitas resulta de um aumento nos prémios liga campeões, que infelizmente deverão ser dificilmente repetidos. ou seja, não será normal que em 6 jogos da liga dos campeões consigamos ganhar 4 e empatar 2. novamente, infelizmente. portanto, ou baixamos mesmo a massa salarial, ou teremos no curto prazo de voltar a pedinchar a venda de jogadores. e isto deve estar escrito nos corredores, nos computadores quando a malta chega ao Benfica. TEMOS QUE REDUZIR MASSA SALARIAL. só assim teremos capacidade de pagar melhor aos melhores.

fazendo contas de merceeiro, se no primeiro semestre tivemos prejuízo de 13 milhões com receitas na ordem dos 55 da liga dos campeões, tendo em consideração que no segundo semestre (sendo conservador) devem ficar-se pelos 25, operacionalmente caminhamos para um prejuízo na ordem dos 50 milhões. tudo isto será "limpo" com a venda do Enzo, que vai garantir resultados positivos e também uma folga na tesouraria que me parece exaurida face ao histórico.

em relação aos capitais próprios de quase 100 milhões, sendo um valor bastante "jeitoso", não podemos esquecer que nos últimos anos foram comidos cerca de 60 milhões. no pós venda do Félix tinhamos capitais próprios de 160 e agora não chegam aos 100. sendo certo que a pandemia explica uma grande parte, não podemos esquecer que a aposta disparatada no JJ e numa política de comprar muitos, por muito dinheiro e com salários altos, num par de anos pode arruinar o trabalho bem feito durante muitos anos. que sirva de lição para todos.

globalmente, podemos estar tranquilos no curto prazo, temos bastante dinheiro em caixa, vamos ter bastantes proveitos da liga dos campeões (bastante mais que o normal no segundo semestre), e como se não bastasse, temos muito valor no plantel (Gonçalo Ramos e Antonio Silva garantem, muito por baixo, uns 80 milhões de mais valias, havendo ainda Tino). contudo, é fundamental que a prometida redução dos custos com pessoal se efetiva, se note mesmo no próximo R&C.

 por ultimo, assinalar a diferença quase grotesca face ao Porto, que está alegremente falido. é incrível como naquela situação, conseguem gastar 20 milhões no David Carmo... enfim. o que acho mais preocupante naquelas contas é que, depois do Diogo Costa, quem tem o Porto para vender? o Porto sobreviveu nos últimos anos à custa das mais valias da formação, como Dalot, Fábio Silva, Fábio Vieira e Vitinha (que basicamente os safaram do fair play financeiro). depois da saída do Diogo Costa, não vejo ninguém desse nível.

o Sporting está finalmente a tornar-se sustentável. reduzir massa salarial, apostaram em miudos, conseguiram vender bem (Nuno Mendes Porro e Matheus Nunes custaram, os 3 juntos, uns 15 milhões e foram vendidos por uns 120 ou 130 milhões). contudo também me parece que estão a ficar sem muito para vender, pelo menos no imediato.

agora? é prego a fundo. ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar ganhar. é uma oportunidade para marcar a diferença face aos adversários, que estão bastante condicionados (Porto porque simplesmente não tem dinheiro nem formação; Sporting se fica fora liga campeões terá problemas em fazer orçamento próxima época), ao invés que nós estamos na crista da onda. que não façam o mesmo que no ano do penta ou no pós venda do Felix, e que nunca mais se repita uma aposta tipo JJ.

abraço a todos!
Relativamente ao tema dos custos com pessoal apontas a unica explicação é que para esse monos sairem lhes estejamos a pagar a maior parte do vencimento...

tiagomachado18

Citação de: carrazeda em 02 de Março de 2023, 00:20
Citação de: nightcrowler em 01 de Março de 2023, 22:54em relação à questão colocada da sustentabilidade, acho impossível o Benfica conseguir sobreviver sem vendas.

vejamos este ano, em que estamos a ter uma performance espetacular, com prémios da liga dos campeões como nunca. mesmo assim, estamos no primeiro semestre com 13 milhões negativos, e o segundo semestre as receitas são sempre menores porque há menos prémios liga campeões. ou seja, para ser sustentável, teríamos que diminuir custos em uns 40 milhões de euros, o que já me parece inviável de conciliar com uma equipa vencedora.

a sustentabilidade faz-se, essencialmente, através de poucos jogadores contratados mas bons, mesmo que impliquem salários altos, tentar não ficar com "monos" encostados, e ter plantéis pequenos que permitam dar espaço aos miudos. é essencial manter o investimento que se fez no Seixal e na formação, porque é através da formação que se consegue recuperar capitais próprios.

Sem um qualquer hipotético aumento de receitas com TV ou merchandising, o melhor (senão único) caminho para uma qualquer auto-sustentabilidade é de ter a equipa A montada de uma maneira altamente eficiente. Temos bases para isso, nomeadamente com o Seixal e o bom nome que o clube tem hoje em dia a lançar jovens jogadores, mas o mais fundamental imho é ter uma equipa técnica muito competente e em simbiose total com a direcção. Uma enorme parte dos bons resultados deste ano advêm dessa competência (enorme aproveitamento do JM e Tino por exemplo, dois que para muitos outros pouco contariam) e simbiose (vinda do Aursnes e Bah, manutenção do Ramos) - como bem sabemos ainda estamos a pagar a factura da falta de competência de épocas passadas. Vamos vender sempre, mas com bons talentos no plantel podemos ter sempre 2/3 alternativas com mercado, e com isso ganhar margem negocial para vender sempre caro - e vendendo caro temos sempre mais margem para vender pouco e não vender em todas as janelas.
Em relação as receitas com tv a probabilidade é diminuírem em 2028 por causa da centralização. (se não for antes como já ouvi dizer que queriam antecipar a data)

A liga portuguesa vai ficar mais competitiva? teoricamente sim, na pratica os clubes pequenos vão ter mais dinheiro para desperdiçar porque não sabem gerir, e corrupção. Quem se vai lixar é o Benfica que vai perder competitividade principalmente na europa.