Neste domingo, 26 de abril, a equipa masculina de futsal do Benfica acrescentou a Taça de Portugal 2025/26 à já conquistada Taça da Liga. Num Pavilhão Multiusos de Gondomar incessantemente ecoado por cânticos dos Benfiquistas, os encarnados derrotaram o Sporting, por 5-6, na final da prova-rainha.
Para chegarem a esta final, as águias tiveram de passar pelo CS São João (12-1), Torreense (3-4), Leões Porto Salvo (3-6) e Nun'Álvares (0-5). Por sua vez, os leões deixaram para trás o Eléctrico (8-2), Amigos de Cerva (11-1), FC Famalicão (11-1) e SC Ferreira do Zêzere (2-6).
Sublinhando, na antevisão, que "a força emocional é muito importante", Cassiano Klein pretendia que os seus jogadores se preparassem "ao máximo para chegar ao jogo plenamente focados nesse aspeto".
Deste modo, sem poder contar com o castigado Arthur nem com o lesionado Diego Nunes, o técnico escolheu Léo Gugiel, André Coelho, Higor, Kutchy e Carlos Monteiro para comporem o cinco inicial encarnado.
Com os respetivos setores das bancadas a ficarem gradualmente mais coloridos de vermelho e de verde no decorrer do intenso período de aquecimento, o ambiente começava a aquecer, tal como sempre acontece quando os rivais da capital se encontram.
Assim, quando o espetáculo audiovisual pré-jogo promovido pela FPF terminou e as equipas reentraram em quadra, a atmosfera estava já escaldante, com as bancadas repletas de fervorosos adeptos.
Após a tradicional reprodução do hino nacional, os cumprimentos entre os atletas, o sorteio da escolha entre o campo ou a bola e vénia das águias aos Benfiquistas, dava-se o pontapé de saída.
Motivada pelos ensurdecedores cânticos dos Benfiquistas, a formação vermelha e branca entrou melhor na final, e, depois de Léo Gugiel deixar um primeiro aviso com um remate de longe para bloqueio de Bernardo Paçó (1'), conseguiu assumir a dianteira.
Logo no 3.º minuto, após uma dividida entre Kutchy e Merlim no ataque, a bola sobrou para Higor. Bernardo Paçó saiu à queima para tentar o desarme, mas o brasileiro foi mais rápido e tocou para Carlos Monteiro, que finalizou para a baliza deserta (0-1), dirigindo-se aos adeptos nos festejos, os quais, de pé, também celebravam efusivamente.
Sem abrandar, o Glorioso voltou à carga, com Lúcio Rocha a disparar de longe para estirada exigente de Bernardo Paçó (3'), e Pany Varela, num duelo com Merlim em cima da linha da baliza, a não conseguir o desvio para dentro (4').
A primeira ameaça sportinguista surgiu aos 5' quando Pauleta, em posição privilegiada, quase conseguiu emendar um cruzamento tenso de Wesley.
Já numa fase mais dividida, André Coelho testou a atenção de Bernardo Paçó na cobrança direta de um livre (5'), e, na frente contrária, Felipe Valério (7') e Wesley (7') remataram desenquadrado, a partir de zonas exteriores.
Já aos 8', mais rápido a chegar às sobras de um canto adversário, Kutchy controlou a bola, avançou velozmente pelo terreno e, ainda distante da área, com um tiro colocado ao canto inferior esquerdo, aumentou a vantagem das águias (0-2). Também o camisola 14 fez questão de se juntar aos Benfiquistas nas celebrações, os quais, levantados dos seus lugares, ripostaram com gritos de "força, Benfica".
No entanto, o Sporting reagiu no minuto seguinte (9'). Na recarga de um tiro de Merlim, defendido para o lado por Léo Gugiel, Rocha, à direita do ataque, ajeitou a bola e atirou a contar de pé esquerdo (1-2).
Sem desanimarem, à semelhança dos seus adeptos, os comandados de Cassiano Klein também deixaram uma resposta imediata, com Léo Gugiel a estremecer a barra com uma tentativa de longe (9').
O dérbi estava frenético, e, segundos depois, Léo Gugiel voltou a rematar de longe, Bernardo Paçó defendeu para a frente, e, na transição, Diogo Santos atirou ligeiramente transviado (10').
Volvidos dois minutos (12'), Felipe Valério encheu o pé de longe, mas Léo Gugiel levou a melhor.
Apanhando o oponente desprevenido à passagem dos 13', a partir de uma reposição lateral, Afonso Jesus centrou a bola para a área e, num raro gesto técnico no futsal, Jacaré baixou-se e cabeceou de forma certeira, por entre as pernas do guarda-redes (1-3). Unidas nos festejos, as águias levaram os adeptos a bradar "Benfica".
Na sequência de uma fase mais afastada das balizas, os leões voltaram a criar perigo, em dose dupla, aos 16', quando Felipe Valério rodou sobre o seu marcador e acertou na barra, e quando, na cobrança de um livre, Merlim endossou para Bruno Pinto, que fuzilou a trave.
De seguida, foi Tomás Paçó, num canto à esquerda, a disparar para defesa de Léo Gugiel com os pés e a atirar por cima na recarga.
O Sporting atacava com mais perigo e reduziu o desnível no penúltimo minuto da 1.ª parte. Bola longa de Bernardo Paçó para Zicky, que resistiu à pressão e finalizou por entre as pernas de Léo Gugiel (2-3). O pivô parece receber a bola com o braço, mas após rever o lance, a equipa de arbitragem validou o tento.
Até ao intervalo, houve ainda tempo para Léo Gugiel colocar Bernardo Paçó à prova (19') e travar tentativas de Felipe Valério (19') e Bernardo Paçó (20'). Por sua vez, Bruno Pinto, a meias com Silvestre, fez a bola passar um pouco ao lado da baliza benfiquista.
Ao intervalo, o Glorioso liderava por 2-3.
Regressados dos balneários, os comandados de Cassiano Klein voltaram a marcar com apenas 20 segundos jogados. Léo Gugiel encheu o pé a partir do meio-campo, e, na área, Lúcio Rocha desviou para o fundo das redes (2-4). O camisola 7 não resistiu a aproximar-se dos incansáveis Benfiquistas, saltando para o topo do painel publicitário nos festejos.
Pouco depois (21'), com os pés, Léo Gugiel defendeu a tentativa de reação do Sporting, através de um remate de Tomás Paçó num canto à direita.
Mortífero, foi o Benfica que dilatou o desnível, no 23.º minuto. À direita, Léo Gugiel adiantou para Carlos Monteiro (recebeu o prémio de melhor jogador da partida), que se soltou do seu marcador, fletiu para dentro e bisou com um remate de pé esquerdo, rasteiro e colocado (2-5). Beijando o emblema, o ala levou os adeptos a subirem ainda mais os decibéis.
Porém, o emblema de Alvalade ripostou de imediato. Numa reposição lateral à esquerda, Merlim endossou para Diogo Santos, que, à entrada da área, fez o 3-5.
Segundos depois (23'), Lúcio Rocha rematou de longe, ligeiramente ao lado. Na resposta (24'), num livre trabalhado, Merlim atirou rasteiro para intervenção de Léo Gugiel.
As águias confirmaram a sua brilhante exibição ofensiva à passagem dos 26', quando alcançaram a meia dúzia de golos. Demonstrando novamente a sua apurada visão de jogo, Afonso Jesus, na cobrança de um canto à esquerda, descobriu Pany Varela na área, o qual, após ver a sua primeira tentativa ser defendida, fuzilou as redes na recarga (3-6). "SLB", bradavam os Benfiquistas, à medida que o internacional português corria à sua frente nos festejos.
Todavia, o Sporting tornou a reduzir rapidamente. Ainda aos 26', na cobrança de um livre em posição privilegiada, Merlim rematou rasteiro, em força, e apontou o 4-6.
No minuto seguinte (27'), na recarga de um tiro de Léo Gugiel defendido por Bernardo Paçó, Lúcio Rocha viu o seu remate ser desviado e sair muito próximo do poste. Na outra baliza, perante um disparo forte de Zicky, Léo Gugiel (eleito o melhor guarda-redes da final) fez uma enorme defesa com os pés (28').
Já aos 32', a equipa de arbitragem assinalou a 6.ª e a 7.ª faltas benfiquistas e consequentes livres diretos sem barreira, mas, em ambos os momentos, face a remates de Tomás Paçó e Bruno Pinto, André Correia brilhou na baliza encarnada com um par de excelentes intervenções. Festejou-se como se de golos se tratassem, e o guarda-redes puxou pelos adeptos.
A solidariedade e qualidade defensiva dos comandados de Cassiano Klein vieram ao de cima a partir de então, uma vez que, na 7.ª falta, Higor foi expulso por acumulação de amarelos, e o Benfica jogou em desvantagem numérica durante 2 minutos. Nestes, valeu a organização encarnada, bem como mais três grandes defesas de André Correia, face a Bruno Pinto (33'), Diogo Santos (34') e Merlim (34').
Com os leões a apostarem no guarda-redes avançado nos últimos 4 minutos, o Glorioso teve de saber sofrer até ao fim. Ainda assim, com balões vermelhos e brancos a voarem nas bancadas e os Benfiquistas a cantarem mais alto do que nunca, a formação vermelha e branca consentiu pouco espaço ao adversário.
As exceções vieram apenas no último minuto, quando André Correia defendeu um tiro de Bruno Pinto, e, noutro momento, após Lúcio Rocha enviar uma bola ao poste da baliza deserta, Merlim cruzar rasteiro para Bruno Pinto encostar de forma certeira (5-6), a 12 segundos do soar da buzina.
Deste modo, houve mesmo emoção até ao derradeiro instante, mas, perante o último suspiro adversário, André Correia fez mais uma defesa, e Afonso Jesus um bloqueio.
Irrompendo freneticamente pelo campo, os jogadores festejaram com a bancada benfiquista, totalmente de pé e de braços ao alto, mas também cumprimentaram os oponentes.
Posteriormente, o fair-play foi também visível nas três guardas de honra feitas às equipas. Já de medalhas ao peito e com as camisolas alusivas ao título, os jogadores fizeram a festa no palco, e o capitão Afonso Jesus ergueu a Taça de Portugal!
A celebração prolongou-se ainda durante largos minutos, com os atletas a conviverem com os seus adeptos, a quem distribuíram fotografias e lembranças, e com os quais saltaram, cantaram e conviveram abertamente.
Apesar dos dois títulos já vencidos neste ano desportivo, a ambição do Glorioso não fica por aqui. No próximo compromisso, o Benfica volta a competir na Liga Placard, deslocando-se ao reduto do Torreense às 16h00 de sábado, 2 de maio, num desafio da 22.ª jornada da 1.ª fase do Campeonato Nacional, competição que almeja ganhar pelo 2.º ano seguido.
DECLARAÇÕES
Cassiano Klein (treinador do Benfica): "É um sentimento fantástico. Primeiro, pelos adeptos, que nos apoiam. Conseguir premiá-los com o título é muito importante. O trabalho mais duro é feito longe dos holofotes, no dia a dia. É uma equipa que acredita muito nisso. Vencer não é um prémio, mas faz-nos perceber que o esforço e a dedicação valem realmente a pena. Acho que a nossa equipa está a crescer nesse sentido: trabalhar muito todos os dias. E temos de continuar a fazê-lo, porque não é uma vitória, um troféu que define a tua vida. Ficamos felizes por vencer e creio que os nossos adeptos estão muito felizes também. Mas eles têm agora uma expectativa muito grande em nós. Portanto, o que nos resta é voltar ao trabalho, trabalhar com seriedade, para acabarmos a época da melhor forma possível. [Apoio dos adeptos] Esse dérbi é fantástico por isso. Sentir a atmosfera dos nossos adeptos… nos momentos difíceis, eles empurram-nos. Esta equipa, este clube, é único. Fazer parte disto é fantástico. O nosso objetivo, primeiro, é recuperar durante dois, três dias, e depois voltar a trabalhar muito. Não gosto de fazer projeções a longo prazo, porque tudo depende do nosso dia a dia. Acredito que as oito equipas que estão na Liga Placard querem vencer. Mas vão ter de o merecer. Portanto, temos de ser muito realistas e procurar melhorar o que temos de melhorar, e aproveitar as coisas boas que estamos a fazer. Estamos muito felizes. Felizes pelos nossos adeptos, que merecem muito esta festa, que nos apoiaram em momentos difíceis. A nossa equipa trabalha muito, dedica-se muito. Enfrentámos uma equipa que sabemos que tem muito mérito também. É uma equipa de topo e foi um jogo fantástico. Quem esteve aqui no pavilhão, quem está em casa, presenciou um jogo formidável. Ganhar é fantástico, é bom, mas para a semana há mais uma prova e vamos continuar a aprender e a competir. Ainda bem que conseguimos a segunda taça consecutiva. Isso premeia muito os jogadores, o staff e as famílias, porque dão um suporte muito grande."
Afonso Jesus (fixo e capitão do Benfica): "Sinto-me muito feliz e muito orgulhoso. O trabalho desta equipa tem vindo a ser recompensado. Neste tipo de jogos qualquer uma das equipas pode vencer. Começámos a competir de uma maneira que não competíamos e é normal que as coisas nos comecem a correr bem, comecemos a alcançar estes títulos e fica, acima de tudo, uma demonstração de benfiquismo gigantesco, não só da nossa parte, mas também das bancadas. É um fim de semana inacreditável para o Benfica no que diz respeito às modalidades, são 3 taças, e quero dar os parabéns, não só às outras equipas, mas também a este grupo de trabalho que tem feito um trabalho extraordinário. Uma das chaves, na minha opinião, e aquilo que temos falado, é a força mental da equipa, é saber que nos agarramos uns aos outros, independentemente daquilo que está a acontecer dentro do jogo. Temos um processo, um trabalho, e é ir até ao final, sempre com o mesmo objetivo. A mensagem é quase sempre a mesma, ou seja, só paramos quando conseguirmos o nosso objetivo."
Carlos Monteiro (MVP da final eight): "Quero muito agradecer a todos os adeptos – foram incansáveis hoje. Incrível o apoio que nos deram, do início ao fim. Este prémio é, sem dúvida, para eles. [Bis no dérbi da final] Os golos aconteceram de forma natural. Trabalhámos muito diariamente para estar preparados para estes momentos e, graças a Deus, correu bem. Falta-nos ganhar o Campeonato – vamos trabalhar duro para isso. Prometemos muita entrega e muita dedicação, como tem sido ao longo deste ano. Esta conquista sabe muito bem. Ganhar uma final, seja com quem for ou onde for, é muito gratificante, é uma alegria enorme. Hoje foi à base da intensidade e do esforço. No Benfica é-nos exigido lutar e dar tudo por todos os títulos, e é assim que vamos fazer – sempre até ao fim –, dignificando ao máximo o símbolo que carregamos ao peito."
Lúcio Rocha (ala do Benfica): "Esta medalha é muito especial porque, mais uma vez, a força de uma equipa é isto que demonstrámos hoje, a união! Mais uma vez demonstrámos que quando estamos unidos e quando queremos todos dar o máximo por nós, pelo clube, pelas nossas famílias, é muito difícil nos ganharem. A união foi o segredo para esta vitória. Esta união, esta vontade de querer dar tudo por nós e pelo companheiro, foi a chave para esta vitória. Dedicar esta vitória ao Tetra e a toda a sua família, que nós sabemos o tanto que gostam de nós e o tanto que ele nos apoiava e nunca nos deixava faltar nada. Só queria que ele estivesse aqui agora para celebrar isto connosco."
Silvestre (ala do Benfica): "É sempre bom ganhar, ainda para mais pelo Benfica! Temos de agradecer a todas as pessoas que vieram aqui, foram o nosso 6.º jogador. Tivemos momentos muitos duros no jogo, mas isto é a força do Benfica e, quando assim é, não há como explicar. Foi um percurso duro até chegar a esta final, mas é sinal que o nosso Campeonato está a evoluir cada vez mais, cada vez os jogos são mais competitivos, e, quando assim é, eleva as provas e a nós também. Isto é o Benfica! Quero também dar os parabéns à equipa feminina de futsal pela taça conquistada, foram umas lutadoras."
Peléh (ala do Benfica): "Sinto-me muito feliz e honrado! Têm sido tempos muito difíceis para mim, mas eu sabia que no final ia acabar com alegria, porque a vida é um processo e tudo passa! Agradeço a Deus por este título, agora é comemorar e dar os parabéns a todos os envolvidos e obrigado a todos os Benfiquistas que nos apoiam do começo ao fim. Agora, é festejar e aproveitar. Gostava de dedicar esta vitória a muitas pessoas, mas, acima de tudo, a nós, jogadores, equipa técnica, aos benfiquistas, a essa torcida linda, e a duas pessoas muito especiais na minha vida, que já não tenho comigo, que são os meus pais. Sei que eles estão lá em cima orgulhosos de mim."
André Correia (guarda-redes do Benfica): "Estou felicíssimo! É muito bom ganhar pelo Benfica, este grupo merece, por aquilo que trabalha, os adeptos merecem pela forma como nos apoiam de norte a sul do País, fora do País, os benfiquistas são incríveis! E quando assim é, todos juntos, pelo Benfica, é sempre mais fácil! Quanto à minha exibição individual, é dar a cara, é dar o corpo, é dar tudo pela equipa, pelos adeptos e pelo clube. Nós, jogadores, precisamos muito dos nossos adeptos, seja em casa, seja fora, precisamos do carinho deles, e isso é muito gratificante. É por eles que nós damos tudo e ainda mais um bocadinho! É uma vitória de todos!"
FICHA DE JOGO
Cinco inicial do Benfica: Léo Gugiel, André Coelho, Higor, Edmilson Sá e Carlos Monteiro
Suplentes: André Correia (J), Silvestre Ferreira (J), Afonso Jesus (J), Raúl Moreira (J), Lúcio Rocha (J), Eduardo Tchuda (J), Pany Varela (J), Diogo Almeida (NJ) e Jacaré (J)
Marcadores do Benfica: Carlos Monteiro (2' e 22'), Edmilson Sá (7'), Jacaré (12'), Lúcio Rocha (21') e Pany Varela (25')
Informação do Jogo: https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2026/04/26/futsal-sporting-benfica-final-taca-de-portugal
Coming soon
- Diavolo Rosso a Domingo, 26 Abril 2026

