Rui Manuel César Costa. Lisboa. 29 de Março de 1971. Médio.
Épocas no Benfica: 5 (91/94 e 06/08). Jogos: 176. Golos: 29. Títulos: 1 (Campeonato Nacional) e 1 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Fafe, Fiorentina e Milan. Internacionalizações: 86.
Equipa 1992/1993Ele é príncipe encantado, que benfiquistas desencanta por um regresso sempre adiado. Ele é Rui Costa, o número 10 dos tempos já não tão românticos da bola. Tempos mais geométricos. Com a etiqueta rigor.
Cedo se revelou fantasista. De início, com seis anos apenas, nos torneios de futebol de salão, era treinador o pai, presença tutelar que não prescinde. Depois, a partir dos nove anos, nas escolinhas do Benfica, para todo um percurso até ao escalão júnior. Quis a vida que o seu primeiro treinador fosse Eusébio, logo “a mais excepcional das pessoas, a minha maior referência, o maior motivo de orgulho”, na sua divida eterna de gratidão.
Já sénior, Rui Costa viajou para o Minho, fixou-se em Fafe. “Não foi uma equipa que me desse currículo nem um grande prestígio, mas, por se tratar de um clube humilde, foi-me possível trabalhar bem, com pessoas que me ajudaram e me ensinaram muito. Consegui sair de lá para o Campeonato do Mundo de Juniores, no qual tive a sorte de as coisas me terem saído bem, e regressei ao Benfica”.
Fez-lhe mesmo bem o tirocínio no distrito de Braga. Por lá começou a dar-se ao respeito. Sempre presente e dinâmico, talentoso e versátil, atlético e útil, era jogador para outras galáxias. Definitivamente.
No Portugal 91, naquela noite mágica de 26 de Junho, na sua Luz, um portento de pontapé colocou a turma lusitana na final da competição, vencendo a resistência teimosa de uma Austrália sempre rija nos movimentos defensivos. Depois foi a maior enchente que os arquivos registam na catedral benfiquista, na final, com o Brasil, vista ao vivo por 240 mil olhos. De esperança, de emoção, de alegria. Venceu Portugal. Rui Costa marcou o penálti conclusivo. Conquistou o titulo, a juventude, o país. E ao Benfica voltou.
Fez a pré-temporada com Sven-Goran Eriksson, um dos treinadores que maior cartel deixaram no clube. O sueco enamorou-se do bálsamo daquele futebol irreverente, quase virginal, mas profundo. Gradativamente, começou a entrar na equipa, até garantir a titularidade. Foram três anos excepcionais. Ganhou um Campeonato e uma Taça de Portugal. Percorreu uma avenida que sucesso poderia chamar-se. À Selecção A chegou, também, com naturalidade. Na retina ficou aquela memorável final do Jamor (5-2, ao Boavista), com Toni ao leme das operações, ao lado de Vítor Paneira, Paulo Sousa, Paulo Futre, João Pinto e Rui Águas, numa manifestação de gala. Como também o magistral desempenho no empate a quatro bolas, frente ao Bayer Leverkusen, no tal jogo impróprio para cardíacos, assim reza o cliché.
Pelas portas que o Benfica abriu, saiu também Rui Costa, em 94/95, com destino à Fiorentina, a troco de um milhão e 200 mil contos, a maior transferência mundial dessa temporada. Foi um balão de oxigénio para o Benfica, com as finanças depauperadas, mas uma baixa dificilmente suprível nos anos subsequentes. Ele que até queria ingressar no Barcelona, rendido ao cantos de sereia do grande Joan Cruyiff, na monumental cidade italiana se estabeleceu. Florença viria a estremecer, amiudadas vezes, com a sua elegância em campo, o seu saber, a sua arte. Até que chegou ao Milan e campeão europeu se fez. Um feito igual, haviam-lhe contado quando criança, àquele de Coluna, de José Augusto, de Eusébio, de Simões. Pena não ter sido com a camisola do Glorioso, o clube que ama, do qual é sócio, tal qual o filho, que também inscreveu, “com apenas um dia de idade”, no vasto rol de massa associativa do Benfica.
No Verão quente de 93, ainda na presidência de Jorge de Brito, o clube viveu uma das crises mais humilhante. Com os cofres vazios e ordenados em atraso, jogadores houve que rescindiram os contratos, rumando até para a mais directa concorrência. Não foi o caso de Rui Costa, sem embargo de ter sido assediado como talvez nenhum outro. Manteve-se irredutível na defesa do et pluribus unum. A sua divisa.
Mais tarde, a 13 de Agosto de 1996, pela Fiorentina jogou frente ao Benfica. Profissionalismo oblige, um golo fez. Assim como quem ficou apoderado pelo complexo de Édipo, não comemorou. Antes, chorou. E, sobre esse episódio enternecedor, também poderia escrever Eusébio de Andrade: “É juventude. Juventude ou claridade. É um azul puríssimo, propagado. Isento de peso e crueldade.”
Na época de 2006/2007 regressou finalmente ao Benfica, cumprindo o desejo de toda uma carreira, o desejo de a terminar no clube do seu coração. Mais duas épocas jogou, envergando a camisola encarnada com enorme classe e dedicação, propiciando momentos à muito ansiados pelos adeptos benfiquistas. Os momentos de Rui Costa! De novo na Luz, Rui Costa é símbolo-vitória.
THE END
Pois é… acabou…
Agradeço a todos quantos me incentivaram a realizar este tópico, não vale a pena referir nomes, agradeço a todos os que diariamente visitaram o tópico, ver o número de visualizações a subir foi também um enorme incentivo. Agradeço à minha patroa, que diariamente me ajudou a escrever os textos.
Como sabem, quem não sabe tem de ficar a saber, os textos que aqui inseri são do livro, Memorial Benfica – 100 Glórias, escrito pelo grande benfiquista João Malheiro, é certamente um livro excelente para que todos os benfiquistas tenham em casa!!!
Como todo este trabalho, de escrita, mas também de pesquisa, arquivei 306 imagens de jogadores e 149 imagens de equipas do Benfica!!!
Quanto ao tópico e como optei por não comentar, aproveito para o fazer agora, e faço-o apenas a algumas coisas que me marcaram. Ângelo, não sabia das suas performances enquanto treinador nas camadas jovens, fantástico trabalho, o responsável pelo lançamento dos maiores craques benfiquistas. Espírito Santo, aquela história do hotel da Madeira, em que por ser negro o queriam colocar num anexo e a equipa em sinal de amizade, respeito e solidariedade a ele se juntou no tal anexo, é isto o Benfica. O José Águas que não gostava de jogar futebol e que por isso mesmo jogar, era como vestir o fato de macaco para ir trabalhar como qualquer outro profissional, dando tudo o tinha para dar em prol da sua profissão e neste caso do seu clube. Enfim foi bom escrever estes textos, pois permitiram-me ficar com mais algumas coisas na cabeça.
Informo que ficaram de fora todos os jogadores ainda no activo, Luisão, Mantorras, Miguel, Nuno Gomes, Petit e Simão.
Gostei tanto de escrever neste tópico, que meus amigos….não vou parar….pois é, vou agora escrever sobre todos os treinadores, os treinadores de trás dos 31 títulos nacionais do Sport Lisboa e Benfica, são 17 caras. Espero sinceramente que adiram da mesma forma que aos jogadores, levará mais tempo, pois o trabalho de pesquisa é bastante maior, não sei até que ponto conseguirei fazê-lo diariamente.
Começo por Lipo Herczka. Amanhã.