Comunicação Social

miglle

Alguém pode meter aqui no forum o texto de hj da BOLA da Leonor Pinhão ??

"..Madaíl não sabe onde se meteu ao ocntratar Freitas do Amaral.."

BigSLB

Citação de: Redady em 17 de Julho de 2008, 10:30



Contra a corrente
Vai estar anos em cartaz
Por

leonor pinhão
Opresidente da Federação Portuguesa de Futebol contratou o professor Diogo Freitas do Amaral para conduzir o «processo de investigação» ao que «ocorreu» na reunião do Conselho de Justiça da FPF na tarde e noite de 4 de Julho de 2008.

O presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes, o major do exército Valentim Loureiro, insurgiu-se. Mas só se insurgiu um bocadinho e de modo cordato, ainda que insinuando dúvidas sobre a honorabilidade da missão do professor catedrático visto que será remunerado (o dito professor) em notas marcadas do Banco de Portugal, com alvará do Banco Central Europeu, e não em artefactos de ouro de Gondomar, o que, à partida, como todos sabemos, seria logo outra coisa, garantidamente.

A escolha do professor Diogo Freitas do Amaral é acertada do ponto de vista dos interesses pessoais do doutor Gilberto Madaíl. Permite-lhe safar-se com grande cobertura intelectual do imbróglio, seja qual for a conclusão do parecer jurídico do reputado catedrático que, cheio de bom juízo, já fez saber que (o dito parecer) versará tão-somente o aspecto «da regularidade ou da irregularidade formal do que se passou».

Do ponto de vista dos interesses do futebol português, o «processo de investigação» conduzido pelo professor Freitas do Amaral não terá a relevância que se supõe vir a ter. O que muito espantará o professor, é mais do que certo.

Independentemente das conclusões do parecer jurídico do antigo presidente da Assembleia Geral da ONU, o futebol português, nomeadamente o seu campeonato maior na época de 2008/2009, não apresentará qualquer espécie de surpresas em termos competitivos.

O Boavista, salvo da despromoção, vai terminar em terceiro lugar. Vai uma aposta? Ou talvez mesmo em segundo lugar, isto se o Sporting, acordado de um longo sono, persistir em levar propostas terroristas à Assembleia Geral da Liga de Clubes, como o fez recentemente tendo acabado (o Sporting) muitíssimo surpreendido com o súbito cancelamento dos trabalhos.

O insubmisso Vitória de Guimarães, por ter abraçado a causa moura, vai descer de Divisão. Vai chegar ao Natal apenas com 3 pontos arrecadados. Somará derrotas atrás de derrotas até jogar com o Benfica. Aí ganha. E o Benfica vai queixar-se muito da arbitragem e com razão. E Manuel Cajuda, também ele com toda a razão, dirá: «Caramba, já não era sem tempo!»

Quanto ao Paços de Ferreira, com a bola baixa, jogará na Liga de Honra em 2007/2008. Em 2009/2010 já estará nos Distritais e que sirva de exemplo. A Capital do Móvel nem para Capital da Colher de Pau servirá.

Portanto, quanto a futebol estamos conversados. As expectativas em torno do trabalho do professor Diogo Freitas do Amaral são nulas em termos práticos.

Mas, por outro lado, Gilberto Madaíl, ao convocar Freitas do Amaral para dirimir a bagunça da futebolada, não sabe no que se meteu nem sabe, muito menos, os riscos que o «sistema» corre neste preciso momento.

É que Freitas do Amaral é também um romancista com obra publicada e um dramaturgo com peças levadas à cena em grandes palcos e para grandes públicos.

Como autor teatral e romancista, Freitas do Amaral tem vindo a revelar um persistente interesse por figuras e situações históricas verídicas. Sendo um académico, amigo do saber e da verdade, Freitas do Amaral não escreve uma linha sem antes se debruçar com atenção, espírito crítico, distância e com uma objectividade que lhe é congénita, sobre os temas que pretende desenvolver em ficção.

Freitas do Amaral investiga primeiro, como é próprio de um autor sólido, e trabalha depois sobre a recolha dos elementos historicamente provados e comprovados.

Ora quando Gilberto Madaíl anunciou a contratação do professor para «liderar o processo de investigação» aos acontecimentos que marcaram a reunião do Conselho de Justiça da FPF, logo as mais conceituadas editoras e as mais famosas casas de espectáculos esfregaram as mãos de contentes.

— Isto vai dar romance! — disseram os editores, felizes com a perspectiva de um best-seller.

— Isto vai dar peça! — disseram os directores dos teatros, felizes com a perspectiva de um sucesso de anos e anos em cartaz.

Do ponto de vista literário, Freitas do Amaral sabe bem o que é o sucesso. Como autor tem vindo a revelar um interesse cirúrgico por personagens dominadas pela ânsia da conquista e pela prática e pelo abuso do Poder.

Foi assim com a sua biografia de D. Afonso Henriques (Bertrand, 1999) que, mais do que uma obra de investigação sobre o primeiro rei de Portugal, é um trabalho de «reflexão e divulgação» sobre o carácter afrodisíaco do Poder «de mandar e de ser obedecido».

Foi também assim com o Magnífico Reitor (Gradiva, 2001), uma peça em dois actos levada a cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, com lotações esgotadas, e que versa «o exercício do Poder, as suas tentações, a incoerência ou incoerência dos homens e a luta contra a prepotência», no dizer dos serviços de divulgação da editora da obra.

Foi ainda mais assim com Viriato (Gradiva, 2003), uma peça em três actos, outro sucesso de público, que «narra a ascensão de um líder ao Poder, os segredos do seu êxito e a teia de ambições que o acabaram por vitimar», conforma consta da publicidade da peça.

Em comparação com estes temas (difíceis, polémicos e tão genuinamente lusitanos) que já brotaram da veia criativa de Diogo Freitas do Amaral, o que custará ao nosso professor, depois de concluída a sua investigação às «ocorrências» da reunião do Conselho de Justiça, sentar-se um fim-de-semana em frente ao computador e transformar o caudal de informação a que teve acesso numa peça de teatro em dois actos ou mesmo num espectáculo musical a encenar por Filipe La Féria no Teatro Politeama, em Lisboa, ao que se seguiria a inevitável digressão pela província?

Não pensou nisto Gilberto Madaíl. Ai não pensou, não.

Pense nisto, professor.

Força, professor! É no teatro que a vida vinga em luz, em palavras, em cetins e em verdade.

Esta semana parece que contratámos o Bynia. Aqui está uma boa notícia.

Esta semana o Sporting descobriu que o facto de o presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes estar acusado de três dúzias de crimes de corrupção «afecta a credibilidade do futebol português». Uma descoberta é sempre uma descoberta. E tem o seu valor.


BigSLB

Citação de: ela é benfiquista em 10 de Julho de 2008, 11:32

Contra a corrente
Futebol português caiu da cadeira
Quique Flores foi contratado pelo Benfica e, naturalmente, fez com que o Benfica contratasse uma equipa técnica da sua escolha pessoal e da sua confiança profissional. É assim que acontece com todos os treinadores e em todos os clubes que levam a sério o futebol, o trabalho do futebol e o objectivo final da competição.

No Benfica nem sempre as coisas se têm passado assim.

Em 1992, quando Tomislav Ivic foi contratado houve um escândalo de lesa-mística porque o croata não entendia a razão pela qual Toni era o seu «adjunto» pré-definido, quando o mesmo Toni, «a solo», já tinha levado a equipa a uma final da Liga dos Campeões e tinha sido campeão.

Ivic, que sabe mais de futebol a dormir que o professor Marcelo Rebelo de Sousa acordado, achava que era a altura de Toni se assumir como treinador principal noutro clube e que a presença de Toni a seu lado seria tudo menos um factor de estabilidade. Ivic queria Shéu como adjunto e com essa exigência, de cariz exclusivamente profissional, ia arranjando um lindo sarilho a Shéu.

Depois de uma batalha inglória que nada tinha de pessoal contra Toni - era apenas uma questão profissional óbvia -, Ivic atirou a toalha ao chão e aceitou Toni como seu adjunto em nome do «benfiquismo». Por finais de Outubro Tomislav Ivic estava despedido e Toni assumiu o comando da equipa.

Em 1994, quando Artur Jorge foi contratado por Manuel Damásio houve um novo escândalo de lesa-mística porque o treinador que vinha de uma série de temporadas brilhantes no Paris Saint Germain queria Octávio Machado, com quem já tinha trabalhado no FC Porto, como seu adjunto.

Mas como Octávio Machado, em termos de glóbulos, não tinha nada de «benfiquismo» a correr-lhe nas veias, não pôde ser. Artur Jorge acabou por ser substituído por Mário Wilson no comando da equipa, sendo que Wilson era (e é) um benfiquista dos sete costados e o celebrado autor da velha frase: «Quem treinar o Benfica arrisca-se a ser campeão», ainda que lhe faltasse explicar o mais importante... «desde que os responsáveis do clube não sejam totalmente idiotas».

Já no século XXI, quando o Benfica se lembrou que, afinal, talvez não fosse má ideia ir buscar José Mourinho à União de Leiria, Mourinho optou por ir para o FC Porto onde lhe davam carta branca para escolher a sua equipa técnica em vez de regressar à Luz onde lhe era imposto, como condição, o nome de Jesualdo Ferreira para seu adjunto. Naturalmente em nome do actualmente provado e reprovado «benfiquismo» do professor.

Em 2008 - ou seja, hoje - passou-se exactamente a mesma coisa. Ainda não se sabia o nome do treinador que haveria de ser contratado, ainda Eriksson pensava se seria melhor Lisboa ou Guadalajara, ainda as primeiras páginas dos jornais desportivos se engalanavam com um desfiar de nomes de possíveis treinadores para o Benfica e já era anunciada, com pompa mil por cento «benfiquista», a constituição da «equipa técnica» de adjuntos, toda ela formada na Universidade Cosme Damião.

Fernando Chalana estava garantido, Diamantino Miranda estava prestes a desvincular-se do Olhanense e Carlos Mozer, campeão em Angola, iria mandar os seus negrinhos às malvas porque o sonho de regressar ao Benfica na posição de adjunto de sabe-se lá quem era mais forte do que todas as realidades.

E, como isto é futebol, ganhou uma vez mais o Brasil..

Mozer, carioca de gema, produto do Flamengo, essa escola da vida, titular do «escrete» anos a fio, não arriscou a sua vida profissional «a solo» por um projecto de contornos indefinidos em nome do «benfiquismo» amplamente demagógico.

Fez bem em Mozer em deixar-se estar onde está. Em Luanda, mais precisamente.

Se tivesse ido para o Benfica estaria ao lado de Fernando Chalana e de Diamantino Miranda, ambos trajando à civil, encostados à linha, assistindo de mãos nos bolsos - como se vê nas fotografias - ao primeiro treino ministrado pelo espanhol Quique Flores.

Quique Flores vem de outro mundo profissional.

Foi convidado para ser treinador do Benfica o que o deve ter, obviamente, entusiasmado. É um grande nome, o Benfica. Um dos maiores. Quique é relativamente jovem e faltam-lhe títulos na folha. Quer ganhar. Pelos vistos tem uma mentalidade pragmática. Não deve ser muito sensível a teoria de que é preciso recorrer às velhas glórias para «incutir mística na cabina». Deve ser mais sensível à teoria «com bons jogadores, e quantos mais bons jogadores melhor, a coisa vai lá».

Quanto à mística, trata-se de ganhar ao domingo.

Embora em Portugal possa ser às sextas, aos sábados, aos domingos e até às segundas-feiras, desde que seja esse o calendário conveniente para a Olivedesportos, essa entidade de contornos definidos que manda no futebol português, que lhe é credor, e que manda no Benfica porque o Benfica não se consegue libertar política e financeiramente da Olivedesportos.

E enquanto assim for, o Benfica não vai a lado nenhum (é uma opinião pessoal).

A todas estas questões nativas é, só pode ser, alheio Quique Flores. Seria bom que ninguém lhe explicasse o enredo das duas últimas duas décadas para que não o desmoralizassem logo à partida. É que a luta é desigual e tramada.

Sendo inocente, mais valor tem. E ao fazer-se acompanhar por uma equipa técnica escolhida por si deu sinal de personalidade forte. Sejam pois bem-vindos os senhores Franc Escribá, Pako Ayesteran e Emílio Alvarez, que de quem nunca, nós benfiquistas, ouvimos falar. Mas não é isso que importa.

Muitos dirão que Quique Flores começou mal hostilizando as velhas glórias do clube. Com todo o respeito por Chalana e Diamantino, direi que Quique Flores começou bem. Fez valer o seu ponto de vista profissional onde muitos consagrados falharam em nome do compromisso e do evitar de chatices. Vamos lá ver o que acontece.

Aimprensa dá conta do interesse da FPF na contratação de Carlos Queirós para suceder a Scolari. O regresso de Queirós ao futebol português e à selecção tem o apoio dos patrocinadores da Federação. Isso é importante porque o futebol é um negócio. O «Correio da Manhã» adiantava que a própria Olivedesportos vê com bons olhos a contratação de Carlos Queirós. Então, está feito.

De um modo geral, a pior coisa que se pode fazer a um aprendiz de ditador é fazê-lo viver em democracia. Vamos a votos? Vamos!

Tal como aquele senil ditador ibérico que caiu da cadeira, ficou a bater mal dos pirolitos e, rodeado de uma corte servil, medrosa e patética, continuou convencido de que mandava no seu pequeno mundo, também o futebol português - finalmente! - caiu da cadeira, embora não lhe faltem as suas figurinhas tristes de ministros que nem conseguem sair debaixo da cama. E nem lhe faltem os serventuários/beneficiários muitíssimo indignados não vá, um dia destes, ser divulgada a lista de favores.

Agora é apenas uma questão de coragem.

Agora? Na verdade sempre foi essa a questão: coragem.

Ah, valentões!
Por

leonor pinhão

O futebol português está como aquele ditador ibérico que caiu da cadeira e ficou a bater mal dos... pirolitos

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BigSLB

Citação de: DUBLIN em 03 de Julho de 2008, 03:19
Apanha-bolas, quantos são?
Por

leonor pinhão
Há uma arte de ser português. Olhe, e toca a todos. Sendo português - afinal que outra coisa poderia ele ser? -, o futebol português também tem uma arte muito sua, engraçada ou desgraçadamente congénita conforme as ocorrências e os interesses em despique.

Não me refiro à arte portuguesa do jogo da bola propriamente dito. Dentro das quatro linhas, como se costuma dizer.

Não me refiro à «arte» daquele futebol-jogado de passe curto e expedito que, em dias de inspiração colectiva, enreda os adversários numa teia desconcertante e é engraçado de ver.

Nem àquele fio de jogo, tipo filigrana - em homenagem à arte de Gondomar, capital estética do futebol nacional -, vagamente inconsequente que o argentino Luís César Menotti definiu como «o futebol que mais parece».

Que mais «parece»? Com quê? Porquê?

Porque, como explicou o treinador que foi campeão do mundo em 1978, o futebol português quando está presente nas grandes competições internacionais «parece sempre capaz de fazer o melhor» e acaba fatalmente sem graça e sem glória.

Mas não se trata, ainda que viesse a propósito, de fazer um balanço da presença da selecção nacional no Euro-2008. Para quê?

Trata-se, mais prosaicamente, de reconhecer e dar como provado o facto de, na sua arte, o futebol português ser também muito português na prática de uma especialidade nacional por demais reconhecida e acarinhada como fundamento intrínseco do nosso ser.

A essa especialidade chama-se desresponsabilização e mais não é do que o horror ao trabalhoso exercício da responsabilidade muito bem embrulhado num manto de alheamento pseudo-poético com uma grande queda para a brincadeira.

E essa distinção «honoris causa» na arte da desresponsabilização moldou-nos tal como somos: adoradores do acessório, inimigos do essencial. Com o futebol português - como não podia deixar de ser - passa-se exactamente a mesma coisa.

Tomemos como exemplo o mais recente dos exemplos.

No momento preciso em que as altas instâncias do futebol europeu e mundial olham com desconfiança e enjoo para os «batoteiros» lusitanos, para uma plêiade de dirigentes no activo acusados de corrupção e para o ziguezaguear da justiça desportiva indígena, reuniram-se os patrões do futebol português em Assembleia Geral da Liga de Clubes.

Para limpar o nome do futebol português?

Para limpar, vá lá, o próprio futebol português?

Não seria esse o propósito essencial de uma magna reunião em momento tão conturbado?

Sim, seria.

Mas não foi.

Conduzida pela voz experiente de Valentim Loureiro, o presidente democraticamente eleito da Assembleia Geral da Liga de Clubes, a plateia debateu durante horas a fio questões menores. Ah, mas de cariz absolutamente notável ainda que acessório.

O tema que demorou mais tempo a ser debatido e que preencheu quase toda a tarde de árduo trabalho pode, no entanto, vir a revolucionar o futebol português e reconduzi-lo para um caminho de bom senso, credibilidade e renovação.

A questão em análise é ponderosa, exigente das qualificações profissionais dos participantes e, sobretudo, exigente de uma coragem sem par.

É que se trata da questão dos apanha-bolas.

E quando falamos de apanha-bolas estamos a falar de um vazio de legislação que pode fazer desmoronar todo o edifício do futebol português e colocar os nossos dirigentes em posições turvas e suspeitosas perante a opinião pública nacional e internacional.

«Quando falamos de apanha-bolas estamos a falar de um vazio de legislação...» «Estamos»? Não. Estávamos!

Felizmente o assunto já foi resolvido e não foram demais as horas gastas na Assembleia Geral da Liga de Clubes em prol da preciosa redacção da Lei dos apanha-bolas.

De acordo com os relatos veiculados pela comunicação social, a Comissão Executiva da Liga propôs que se tornasse obrigatória a presença de 10 apanha-bolas por jogo. Honra seja feita à Comissão Executiva da Liga na sua tentativa de legislar a preceito e de aumentar o número de espectadores nos estádios, ainda que sejam crianças de calções encostadas às quatro linhas.

Alguns clubes, no entanto, entenderam como excessivo o número de 10 apanha-bolas. O que se compreende porque, mesmo sendo crianças, sempre são 10 borlas, ou seja, 10 bilhetes não vendidos. E os clubes vivem de quê? De apanha-borlas é que não, com certeza!

A discussão tornou-se, então, renhida. Os clubes dividiram-se. Parecia não ser possível chegar a um consenso. Uns sugeriam 8 apanha-bolas por jogo, outros insistiam em 6 apanha-bolas por jogos e outros faziam finca-pé em 4 apanha-bolas por jogo.

Fez-se uma merecidíssima pausa para o café.

Ainda que estimulada pela cafeína, a reunião prosseguiu, naturalmente vibrante, mas sem desacatos.

E depois de altercações técnicas e jurídicas observadas dentro do maior respeito, depois de cedências de parte a parte porque a causa era urgente e patriótica, foi por fim redigida e passada para Acta a Lei dos apanha-bolas.

Que é esta, de acordo com as transcrições elaboradas pela imprensa escrita:

«Os clubes deliberaram que, em cada jogo, estejam presentes um máximo de 8 e um mínimo de quatro apanha-bolas.»

Como em todas as Leis fundamentais para o bom nome de qualquer Estado ou Instituição, a Lei dos apanha-bolas tem uma adenda de importância superlativa:

É esta:

«Abre-se a possibilidade de os números de apanha-bolas serem reduzidos ou aumentados.»

Ou seja, a questão dos apanha-bolas, que nos estava a envergonhar perante a Europa por vazio de legislação, ficou muito melhor do que estava com esta Lei.

Sobretudo, com a adenda.

Pois se pode ser reduzido e/ou aumentado o número de apanha-bolas por cada jogo, abre-se a liberdade de, por exemplo, de termos 158 apanha-bolas num só jogo como prova da vitalidade do futebol português.

E poderá haver desafios em que os apanha-bolas sejam reduzidos a 1. Ou a meio. Ou a 1 e meio. Sobretudo quando a equipa da casa estiver a ganhar pela diferença mínima e for do seu interesse demorar ao máximo a reposição da bola em jogo, como prova da vitalidade do futebol português.

Acreditem. Sopram ventos de mudança!

Mais uma achega à questão dos adoradores do acessório e inimigos do essencial. Mas agora dentro das quatro linhas.

A Selecção Nacional foi eleita pelos senhor Andy Roxburgh, de nacionalidade escocesa e com o cargo de director técnico da UEFA, como a melhor entre todas as que participaram no Euro-2008. E especificou o escocês: «A melhor nos treinos.»

Andy Roxburgh ficou encantado com a qualidade da sessão de apronto a que assistiu em Neuchâtel. Num treino de conjunto, jogaram Portugal A contra Portugal B. «As duas equipas apresentaram um grande futebol e uma qualidade técnica superior», disse o escocês que não é nenhum patego.

Concluindo: brilhámos intensamente no acessório. No essencial, enfim...










Redady




Contra a corrente
Vai estar anos em cartaz
Por

leonor pinhão
Opresidente da Federação Portuguesa de Futebol contratou o professor Diogo Freitas do Amaral para conduzir o «processo de investigação» ao que «ocorreu» na reunião do Conselho de Justiça da FPF na tarde e noite de 4 de Julho de 2008.

O presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes, o major do exército Valentim Loureiro, insurgiu-se. Mas só se insurgiu um bocadinho e de modo cordato, ainda que insinuando dúvidas sobre a honorabilidade da missão do professor catedrático visto que será remunerado (o dito professor) em notas marcadas do Banco de Portugal, com alvará do Banco Central Europeu, e não em artefactos de ouro de Gondomar, o que, à partida, como todos sabemos, seria logo outra coisa, garantidamente.

A escolha do professor Diogo Freitas do Amaral é acertada do ponto de vista dos interesses pessoais do doutor Gilberto Madaíl. Permite-lhe safar-se com grande cobertura intelectual do imbróglio, seja qual for a conclusão do parecer jurídico do reputado catedrático que, cheio de bom juízo, já fez saber que (o dito parecer) versará tão-somente o aspecto «da regularidade ou da irregularidade formal do que se passou».

Do ponto de vista dos interesses do futebol português, o «processo de investigação» conduzido pelo professor Freitas do Amaral não terá a relevância que se supõe vir a ter. O que muito espantará o professor, é mais do que certo.

Independentemente das conclusões do parecer jurídico do antigo presidente da Assembleia Geral da ONU, o futebol português, nomeadamente o seu campeonato maior na época de 2008/2009, não apresentará qualquer espécie de surpresas em termos competitivos.

O Boavista, salvo da despromoção, vai terminar em terceiro lugar. Vai uma aposta? Ou talvez mesmo em segundo lugar, isto se o Sporting, acordado de um longo sono, persistir em levar propostas terroristas à Assembleia Geral da Liga de Clubes, como o fez recentemente tendo acabado (o Sporting) muitíssimo surpreendido com o súbito cancelamento dos trabalhos.

O insubmisso Vitória de Guimarães, por ter abraçado a causa moura, vai descer de Divisão. Vai chegar ao Natal apenas com 3 pontos arrecadados. Somará derrotas atrás de derrotas até jogar com o Benfica. Aí ganha. E o Benfica vai queixar-se muito da arbitragem e com razão. E Manuel Cajuda, também ele com toda a razão, dirá: «Caramba, já não era sem tempo!»

Quanto ao Paços de Ferreira, com a bola baixa, jogará na Liga de Honra em 2007/2008. Em 2009/2010 já estará nos Distritais e que sirva de exemplo. A Capital do Móvel nem para Capital da Colher de Pau servirá.

Portanto, quanto a futebol estamos conversados. As expectativas em torno do trabalho do professor Diogo Freitas do Amaral são nulas em termos práticos.

Mas, por outro lado, Gilberto Madaíl, ao convocar Freitas do Amaral para dirimir a bagunça da futebolada, não sabe no que se meteu nem sabe, muito menos, os riscos que o «sistema» corre neste preciso momento.

É que Freitas do Amaral é também um romancista com obra publicada e um dramaturgo com peças levadas à cena em grandes palcos e para grandes públicos.

Como autor teatral e romancista, Freitas do Amaral tem vindo a revelar um persistente interesse por figuras e situações históricas verídicas. Sendo um académico, amigo do saber e da verdade, Freitas do Amaral não escreve uma linha sem antes se debruçar com atenção, espírito crítico, distância e com uma objectividade que lhe é congénita, sobre os temas que pretende desenvolver em ficção.

Freitas do Amaral investiga primeiro, como é próprio de um autor sólido, e trabalha depois sobre a recolha dos elementos historicamente provados e comprovados.

Ora quando Gilberto Madaíl anunciou a contratação do professor para «liderar o processo de investigação» aos acontecimentos que marcaram a reunião do Conselho de Justiça da FPF, logo as mais conceituadas editoras e as mais famosas casas de espectáculos esfregaram as mãos de contentes.

— Isto vai dar romance! — disseram os editores, felizes com a perspectiva de um best-seller.

— Isto vai dar peça! — disseram os directores dos teatros, felizes com a perspectiva de um sucesso de anos e anos em cartaz.

Do ponto de vista literário, Freitas do Amaral sabe bem o que é o sucesso. Como autor tem vindo a revelar um interesse cirúrgico por personagens dominadas pela ânsia da conquista e pela prática e pelo abuso do Poder.

Foi assim com a sua biografia de D. Afonso Henriques (Bertrand, 1999) que, mais do que uma obra de investigação sobre o primeiro rei de Portugal, é um trabalho de «reflexão e divulgação» sobre o carácter afrodisíaco do Poder «de mandar e de ser obedecido».

Foi também assim com o Magnífico Reitor (Gradiva, 2001), uma peça em dois actos levada a cena no Teatro da Trindade, em Lisboa, com lotações esgotadas, e que versa «o exercício do Poder, as suas tentações, a incoerência ou incoerência dos homens e a luta contra a prepotência», no dizer dos serviços de divulgação da editora da obra.

Foi ainda mais assim com Viriato (Gradiva, 2003), uma peça em três actos, outro sucesso de público, que «narra a ascensão de um líder ao Poder, os segredos do seu êxito e a teia de ambições que o acabaram por vitimar», conforma consta da publicidade da peça.

Em comparação com estes temas (difíceis, polémicos e tão genuinamente lusitanos) que já brotaram da veia criativa de Diogo Freitas do Amaral, o que custará ao nosso professor, depois de concluída a sua investigação às «ocorrências» da reunião do Conselho de Justiça, sentar-se um fim-de-semana em frente ao computador e transformar o caudal de informação a que teve acesso numa peça de teatro em dois actos ou mesmo num espectáculo musical a encenar por Filipe La Féria no Teatro Politeama, em Lisboa, ao que se seguiria a inevitável digressão pela província?

Não pensou nisto Gilberto Madaíl. Ai não pensou, não.

Pense nisto, professor.

Força, professor! É no teatro que a vida vinga em luz, em palavras, em cetins e em verdade.

Esta semana parece que contratámos o Bynia. Aqui está uma boa notícia.

Esta semana o Sporting descobriu que o facto de o presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes estar acusado de três dúzias de crimes de corrupção «afecta a credibilidade do futebol português». Uma descoberta é sempre uma descoberta. E tem o seu valor.

BigSLB

Citação de: Redady em 26 de Junho de 2008, 11:05

Contra a corrente
Eram simplesmente nossos
Por

leonor pinhão
Há 18 anos disputava-se em Itália o Mundial de futebol. A Selecção portuguesa não estava lá. Tinha falhado a qualificação como, aliás, era costume.

Para os portugueses, em geral, o torneio poderia não ter muito interesse.

Para os benfiquistas, em particular, o Mundial de 1990 era superiormente interessante.

Porquê? Por causa dos «nossos» jogadores em acção no grande palco transalpino.

Houve um jogo, ainda na fase de grupos, que nos fez reunir em frente aos televisores, um jogo que sabíamos não poder perder de modo algum.Combinaram-se jantares, concentrações de amigos e familiares, todos da mesma cor.

Porquê? Porque nos dizia respeito. E muito respeito.

Jogado em Turim, o Brasil- -Suécia foi para nós, benfiquistas, o encontro mais emotivo do Mundial de 90.

No relvado do Estádio dos Alpes, transmitido em directo para todo o mundo, o que nos interessava no jogo não era o resultado. Era-nos absolutamente indiferente o vencedor. Fosse ele qual fosse, o importante é que estava em campo mais de meia equipa do Benfica.

Os nossos Mozer, Ricardo Gomes e Valdo eram titulares indiscutíveis do escrete. E, suprema honra, o capitão da selecção brasileira, era o nosso Ricardo Gomes, «o garotinho do braço duro», como lhe chamava a imprensa carioca.

(... porque Ricardo Gomes jogava sempre com o braço esquerdo esticado, raramente o dobrava, vá lá saber-se porquê... uma vez, numa noite gélida na Maia, num jogo com o Boavista, o árbitro José Pratas assinalou uma grande penalidade contra o Benfica porque a bola bateu no «braço duro» de Ricardo. A grande penalidade foi convertida em golo e o Benfica perdeu o jogo. Mas mesmo assim fomos campeões.)

Do lado da Suécia, também tínhamos três nossos. Stefan Schwarz, Jonas Thern e Mats Magnusson.

Feitas as contas: três do Brasil mais três da Suécia... são seis. Uma equipa de futebol é constituída por onze jogadores. Ora, nesse caso, seis (como era o caso) significam mais de meia equipa.

Era esta a realidade no Verão de 1990, ou seja, há 18 anos.

Ah, não pensem, caros leitores, que esta longa introdução vem a propósito do corrente Europeu, do não muito feliz percurso selecção nacional ou do aquilatar (para quê?) das prestações individuais dos jogadores do Benfica em terras helvéticas, os nossos muito estimados Petit e Nuno Gomes.

Nada disso.

A coisa é mais grave.

Indo directamente ao assunto:

Há 18 anos, meia equipa do Benfica (não contando com os portugueses que ficaram em casa) jogava ao mais alto nível, todos eles titulares, na competição das competições: o Mundial de futebol.

E nós, benfiquistas, seguíamos atentos os passos dos «nossos» jogadores de gabarito internacional. Honestamente (penso que falo por todos), estávamo-nos marimbando para quem ganhasse. Brasil ou Suécia, não importava. O que importava era que Mozer, Ricardo Gomes, Valdo, Schwarz, Jonas Thern e Magnusson NÃO SE LESIONASSEM. Por causa da pré- -época.

E não lhes chamávamos «activos». Eram simplesmente nossos.

Presentemente (quer dizer hoje), as coisas não são bem assim.

Ainda que um Europeu não seja um Mundial, a verdade é que não temos lá ninguém. Nem vamos ter.

Deixámo-nos desses luxos a que tão mal nos habituaram.

Ao contrário do Verão de 1990, o Verão de 2008 não será marcado pelos grandes palcos nem pelos grandes emblemas.

Na verdade, não nos iludamos: estamos reduzidos ao Clube Recreativo de Huelva.

Conseguiremos garantir os serviços de Carlos Martins?

E será que conseguiremos desviar Sinama-Pongole do poderoso Atlético de Madrid?

O Real Club Recreativo de Huelva, com sede social na Avenida del Decano del Fútbol Español, em Huelva (naturalmente!), com 10.687 sócios (chamam-lhes «abonados») é o nosso actual El Dorado.

(Isto custa muito para quem nasceu e cresceu noutros tempos.)

Lendo os jornais, parece que Carlos Martins está garantido. Bravo! Ainda que o Sporting detenha 40 por cento do passe do «maestro», a coisa está ganha. Pagaremos, somos gente séria, finalmente!

E pagando ao Sporting pagaremos, por via indirecta, ao FC Porto as despesas que o Sporting iria forçosamente assumir perante a contratação de Hélder Postiga.

Se se tratasse de culinária, diríamos que era uma pescadinha com rabo na boca.

Tratando-se de futebol, diremos que o Recreativo de Huelva, um colosso de Espanha, é um osso duro de roer.

Longe vai o tempo em que os nossos jogadores eram vedetas mundiais.

Agora sofremos com Carlos Martins e Pongolle. Virão? Não virão? Oh, que Verão...

Temos de assumir: não temos pedalada para «El Recre» - é como os andaluzes chamam ao Recreativo de Huelva.

Caros leitores benfiquistas, conhecem Huelva? Conhecem o Estádio Colombino, onde «El Recre» joga?

São eles, os do «El Recre», a «besta negra» do nosso defeso de 2008.

Basta ler os jornais.

TAL como se previa desde que, pela primeira vez, o vimos meter o pé à bola, Rodriguez, o Cebola, assinou pelo FC Porto. É muito jovem, é forte, é talentoso. E não era do Recreativo de Huelva.

Felizmente que estamos em ano de Europeu. Se estivéssemos em ano de Mundial, lá teríamos de ver Rodriguez, que já não é dos nossos, em acção num grande palco, num grande evento.

Comprazem-se alguns benfiquistas com a prova de que Pinto da Costa é dado a mentiras. O presidente do FC Porto foi à televisão garantir que Rodriguez jamais seria jogador do FC Porto.

Enfim, comprazem-se com pouco.

Comprazem-se outros, chamando «traidor» ao Cebola e outros nomes piores ao empresário do Cebola.

Comprazem-se com nada.[/b]

BigSLB

Citação de: DUBLIN em 29 de Junho de 2008, 03:29
CRONICA DO RAP


Canal Benfica, 1-Sport TV, 0

Há coincidências engraçadas. O leitor que siga, se puder, esta extraordinária sequência de acontecimentos:

1A direcção do Benfica convocou uma assembleia geral para pedir aos sócios que aprovassem a criação do Canal Benfica.

2O Canal Benfica pretenderá, naturalmente, transmitir os jogos do Benfica.

2 e meioComo é do conhecimento comum, os jogos do Benfica são a única coisa que realmente interessa ver na televisão.

3O principal prejudicado com a criação do Canal Benfica será a Sport TV, que perde a única coisa que realmente interessa ver na televisão (ver ponto 2 e meio).

4No dia da assembleia geral, três jornais (Diário de Notícias, O Jogo e Jornal de Notícias) publicaram, em manchete, uma notícia segundo a qual o Benfica iria perder 6 pontos por ordem da FIFA, e arriscaria descer de divisão porque a direcção (a mesma que queria criar o Canal Benfica) teria tido a incompetência de não recorrer de um castigo — e todos sabemos, desde há uns meses, que não recorrer de castigos é sinal de incompetência.

5Por uma daquelas coincidências incríveis, todos os jornais (Diário de Notícias, O Jogo e Jornal de Notícias) que publicaram a notícia pertencem ao mesmo grupo empresarial que detém a Sport TV (ver, com redobrado interesse, o ponto 3).

6A notícia, por uma daquelas coincidências incríveis, era falsa.

7 Dos três jornais que deram a notícia (Diário de Notícias, O Jogo e Jornal de Notícias), só um contactou (Diário de Notícias) o Benfica para fazer aquilo a que se chama, em jornalismo, trabalho decente.

8Tendo o Benfica desmentido, com documentos, a notícia, o jornal em causa (Diário de Notícias) ficou com uma não-notícia em mãos, o que não impediu o jornal de fazer manchete.

9Por uma daquelas coincidências incríveis, os jornais que não contactaram o Benfica são do Porto.

10No Jornal de Notícias, os jornalistas (digamos assim) Nuno Amaral e Vítor Santos escreveram: «O Benfica vai perder seis dos 52 pontos conquistados na edição de 2007/08 da Liga portuguesa. O castigo aplicado pela FIFA ao clube da Luz (...) é irreversível.» Não é «poderá perder» ou «está em risco de perder». O que se diz é que a decisão está tomada e é irreversível. Talvez seja bom voltarmos a ver o ponto 6.

Pessoalmente, não ligo muito a televisão. Desprezo qualquer meio de comunicação que permita que uma pessoa como eu faça carreira lá. E por isso não estava particularmente entusiasmado com o Canal Benfica. Confesso que só percebi a importância do Canal Benfica quando vi o trabalho a que o grupo que detém a Sport TV se deu para impedir que ele fosse criado. Onde é que eu preencho os papéis para ser assinante?

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Confesso que só percebi a importância do Canal Benfica quando vi o trabalho a que o grupo que detém a Sport TV se deu para impedir que ele fosse criado. Onde é que eu preencho os papéis para ser assinante?

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miglle


BigSLB

Citação de: DUBLIN em 06 de Julho de 2008, 03:32
Chamem a polícia (de trânsito)
Por

ricardo araújo pereira



A única alternativa que resta a quem gosta de futebol, em Portugal, é ir estudar direito. E, mesmo assim, não há garantias de virmos a perceber o que se passa, uma vez que nem todos os juristas atingem certas subtilezas da lei desportiva. Não admira. Há clubes que são condenados, não recorrem da pena, admitindo a culpa e aceitando a sentença, mas a decisão, inexplicavelmente, não transita. Depois, certos dirigentes recorrem, perdem o recurso, e continua a haver quem defenda que a decisão não transitou. Parece claro, então, que se transita menos no futebol português do que no IC 19 às 8.30 da manhã de segunda-feira. Não é difícil concluir que o nosso futebol não precisa de jogadores, nem de dirigentes, nem de juízes, nem do secretário de Estado do Desporto. O futebol português precisa é de um polícia sinaleiro. A ver se isto começa a transitar como deve ser.

Eu, que só esta semana comprei o livro de introdução ao estudo do direito, ainda não percebi o que é preciso para que uma decisão transite em julgado. Pensava, calculem, que bastava que um organismo apto para decidir decidisse, e que o réu aceitasse a decisão não recorrendo. Além disso, estava convencido de que, quando um recurso é indeferido, a decisão transitava finalmente em julgado. Mas não. Por mais voltas que o processo leve, não há maneira de transitar, o desgraçado. Comparado com o futebol português, o bloqueio dos camionistas foi uma brincadeira de crianças.

Neste momento, porém, o Porto já nem é tanto culpado de tentativa de corrupção (ainda que tenha admitido a culpa e aceitado a punição, tendo mesmo, em determinado momento, subtraído os seis pontos correspondentes ao castigo na tabela classificativa publicada no seu sítio oficial) como de falta de educação. É preciso ser muito malcriado para continuar a querer entrar na Liga dos Campeões da UEFA quando o presidente da UEFA já disse que não os queria lá. Parecem aqueles vendedores ambulantes que metem o pé na porta de quem não deseja comprar-lhes as enciclopédias. Infelizmente, as palavras do presidente da UEFA não são passíveis de recurso (embora o Porto não tenha por hábito recorrer de sentenças desonrosas), e por uma vez acabaram por transitar, e a grande velocidade, pelas páginas dos jornais dessa Europa. Haja alguma coisa que transite em todo este processo.

É claro que, ao contrário do que se diz, eu não sou totalmente faccioso. Reconheço que os adeptos do Porto têm razão quando dizem que Platini não tem moral para falar, na medida em que Porto e Juventus deviam ter penas iguais. Concordo em absoluto. O Porto, tal como aconteceu com a Juventus, também devia descer de divisão. Não pensem que deixo o meu clubismo toldar-me o sentido de justiça.


Há clubes que são condenados, não recorrem da pena, admitindo a culpa e aceitando a sentença, mas a decisão, inexplicavelmente, não transitou

Afonso

Esta semana o Sporting descobriu que o facto de o presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes estar acusado de três dúzias de crimes de corrupção «afecta a credibilidade do futebol português». Uma descoberta é sempre uma descoberta. E tem o seu valor.

BigSLB

Citação de: DUBLIN em 13 de Julho de 2008, 03:20
A chama imensa
A cabana do pai Cristiano
Por

ricardo araújo pereira
UMA característica engraçada das palavras é o facto de possuírem um significado mais ou menos exacto. Por exemplo, ninguém dirá: "O Cristiano Ronaldo é um alguidar", porque não há nada que permita identificar o Cristiano Ronaldo com um alguidar. No entanto, é possível dizer: "O Cristiano Ronaldo é um escravo", porque aparentemente, e a fazer fé no presidente da FIFA, existem motivos para considerar que a situação que Ronaldo vive no Manchester é semelhante a escravatura. Vejamos: há menos de um ano e meio, Cristiano Ronaldo assinou, de livre vontade, um contrato com o Manchester United. O clube ficou obrigado a pagar-lhe, nos cinco anos seguintes, cerca de 600 mil euros por mês. De facto, esta história é tão parecida com a do livro "A Cabana do Pai Tomás" que eu até fico com pele de galinha.

A verdade é que os sinais da vida de escravatura de Cristiano Ronaldo estavam à vista de todos. Sepp Blatter limitou-se a verbalizar o que todos devíamos ter percebido. Repare o leitor: o jogador passou parte das suas curtas férias (a generalidade dos escravos tinha férias bastante mais extensas) num iate. Enquanto a mãe e a namorada apanhavam banhos de sol no convés, o miúdo estava, evidentemente, no porão, a remar. Cristiano deu uma volta pelo Mediterrâneo? Deu. Mas saiu-lhe do pêlo. É assim que o rapaz ganha aquele cabedal. Fica tão robusto que, quando tira a camisola, mal se notam as marcas das chicotadas que lhe dão em Old Trafford.

Miguel Sousa Tavares escreveu esta semana que está farto de rir com o sucedido no Conselho de Justiça da Federação. Disse ele que aquilo que mais o diverte é o facto de aqueles que desprezavam o CJ lhe darem agora toda a credibilidade. Vejam como o sentido de humor das pessoas varia. Para mim, o mais engraçado é o facto de aqueles que davam toda a credibilidade ao CJ agora o desprezarem. São feitios. Eu vi com muito prazer a entrevista de Pinto da Costa à SIC (para mim, é sempre tranquilizador ver Pinto da Costa na televisão, na medida em que fico com a certeza de que, pelo menos naqueles minutos, ele não está em casa a receber árbitros) e ainda me lembro dos elogios ao CJ, que tinha rectificado de forma irrepreensível a acção do dr. João Leal, e que certamente iria considerar as opiniões de dez ou vinte juristas cujo currículo indicava que tinham estudado direito mesmo muito afincadamente. Como o CJ decidiu de outra maneira, passou de grupo de sábios a coio de bandidos. Não me digam que não tem graça.

No entanto, não me custa reconhecer que é possível que eu ache piada à situação por simples ignorância. Talvez seja justo confessar que eu não percebo nada de direito. É, aliás, um dos muitos assuntos dos quais eu não percebo nada. E por isso é óbvio que me faltam conhecimentos para compreender as decisões do departamento jurídico da SAD do Porto. Por um lado, não recorrem de decisões que os prejudicam e desonram; por outro, dizem que as escutas não provam nada, e por isso não os prejudicam nem desonram, mas ainda assim desejam a todo o custo anulá-las. Escuso de dizer que também acho graça a isto.

Outro grande cultor da língua portuguesa é Almiro Ferreira. Se o leitor não conhece o nome deste émulo de Camilo, terei todo o gosto em corrigir essa injustiça. Almiro Ferreira é o autor da notícia mais interessante do Jornal de Notícias da passada sexta-feira, merecidamente chamada para a primeira página com o título "Benfica e Guimarães em conluio na UEFA contra o FC Porto". Cá estamos de novo confrontados com o significado das palavras, em mais um encontro feliz do futebol com a semântica. Não precisamos da ajuda do velho Morais para saber que um conluio é uma maquinação, uma trama, uma conjura, uma conspiração. Um acordo para praticar um mau feito. Uma combinação para fraudar um terceiro. Em que consiste este conluio? Almiro Ferreira informa: "Advogados diferentes, separados por milhares de quilómetros (...) conseguiram esse feito de telepatia que foi transmitir ao TAS, em documentos diferentes, textos, redigidos em inglês, iguaizinhos do princípio ao fim." O texto em causa é a tradução das deliberações do CJ. Ao que Almiro Ferreira apurou, Benfica e Guimarães conluiaram-se contra o Porto. Como? Apresentando uma tradução errónea das deliberações do CJ? Incluindo na tradução duas ou três deliberações dos julgamentos de Nuremberga, atribuindo a responsabilidade dos factos a Pinto da Costa? Acrescentando à tradução supostas considerações de Pinto da Costa sobre as progenitoras dos juízes do TAS? Não, muito pior do que isso: apresentaram a mesma tradução. Facto que, evidentemente, prejudica o Porto. Como, não sei. Mas prejudica. Provavelmente porque, de acordo com o rigoroso relato jornalístico de Almiro Ferreira, isento de opiniões ou ironias, e estritamente factual, o fizeram por telepatia.

É, portanto, mais um verbete para o cada vez mais volumoso e interessante Dicionário do Futebol Português: receber árbitros em casa nas vésperas dos jogos é convívio; apresentar nas instâncias próprias a mesma tradução do mesmo documento é conluio.




Os sinais da vida de escravatura de Cristiano Ronaldo estavam à vista de todos. Sepp Blatter limitou-se a verbalizar o que todos devíamos ter percebido. Repare leitor: o jogador passou parte das suas curtas férias num iate. Enquanto a mãe e a namorada apanhavam banhos de sol no convés, o miúdo estava, evidentemente, no porão, a remar


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BigSLB

Agradecia que um dos moderadores acrescenta-se o nome do RAP ao titulo do topico, e assim iamos colocando as cronicas destes 2 benfiquistas que, em especial o Dublin e o Redady costumam disponibilizar.

Assim evita-se que o pessoal anda à pesca no tópico da Imprensa Diária.

Nunzio

Citação de: miglle em 17 de Julho de 2008, 15:03
Alguém pode meter aqui no forum o texto de hj da BOLA da Leonor Pinhão ??

"..Madaíl não sabe onde se meteu ao ocntratar Freitas do Amaral.."
Já existe um tópico que se intitula "Deliciem-se com Leonor Pinhão" http://www.serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=11628.0

Barão


A ironia do RAP, a admissão constante de que não percebe nada de nada quando lança as farpas inteligentes, são espectaculares!

sete

Citação de: ziablo0 em 16 de Julho de 2008, 22:05
Citação de: a13263 em 16 de Julho de 2008, 21:40
Alguém viu ontem uma notícia na SIC Notícias sobre irregularidades com os passaportes de jogadores argentinos?

Primeiro jogador mencionado: Bergessio, EX-jogador do Benfica.

Depois lá falaram de um tal de Lucho e um Grimi, esses sim, ACTUAIS jogadores de dois clubes portugueses que não me apetece agora mencionar.

E ainda foram buscar o nome do Aimar, que ontem, claro, ainda nem estava contratado.

Isto será normal? Ou sou eu que estou com a mania da perseguição? :knuppel2: :tickedoff:

é normal, habitua-te...

Ontem também vi uma engraçada! Se não estou em erro era na bola:

notícias do Benfica: Porto na liga dos campeões!

desenvolvimento:

:blah: :blah: :blah: foi com agrado que alguém deu a notícia aos jogodores do porto  :blah: :blah: :blah: porto :blah: :blah: :blah:porto :blah: :blah: :blah: UEFA :blah: :blah: :blah: porto :blah: :blah: :blah:

e Benfica nada...

vai de encontro á tua teoria... :estrelas:

os mafiosos dos porcos são sempre a mandar bocas porque já começam a ter medo ,não merecem andar por ai ,enforcados a todos os porcos,até o seu treinador é porco