As Finanças do Benfica

MALU15

Citação de: Glorificus em 03 de Março de 2016, 13:18
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.

Então quer dizer que os custos associados à venda não são descontados nestas contas? Agora percebo um pouco mais os negocio Mangala e outros do Porto. Obrigado.
Tecnicamente não, vão directamente a custos. Mas quem conhecer o detalhe destes custos pode depois apresentar cada mais valia corrigida com esse valor e apurar-se então o lucro (ou perda) nessa operação.

No caso por exemplo do Imbula, eles agora disseram que ainda não entrou nas contas a venda por 24M, e assim fica criada a ilusão de que no 3º trimestre o prejuízo transforma-se em lucro, quando na realidade não é isso que vai acontecer, pois se considerarmos que ele custou 20M, mais eventualmente as comissões da compra (não conheço valores) e como ele só tem 6 meses de amortizações, o valor líquido contabilístico em 31DEZ15, será muito perto dos 20M, se depois considerar-mos as comissões na venda, na realidade o lucro pode tender para zero ou até dar prejuízo, e isto sem contar com os juros suportados pela PSAD, pois isto foi um negócio à moda da Doyen, com financiamento assegurado por eles, mas que não resultou.

MALU15

Citação de: lobotomizado em 03 de Março de 2016, 13:39
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas
na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.
Portanto, mais valias é diferente de diferença entre valor recebido e valor pago (+comissões), certo? O jogador tem um valor contabílistico (imagino que funcione como uma parte do activo ou qq coisa do género) que vai diminuindo com o tempo. Quando o jogador é vendido, para além da mais valia, há perda desse valor no activo?
Aquilo que tu chamas de perda do valor no activo, é o valor acumulado das amortizações que foram levadas a custos nos vários anos em que o jogador esteve ao serviço do clube, mesmo que tenha estado emprestado, e que entram na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas na D. Resultados, e que representa anualmente cerca de 30M/ano.

Atenção que a mais (menos) valia não depende nada dos valores pagos ou recebidos, mas sim dos valores contratados na compra e na venda, e que no momento da venda podem até não estar ainda regularizados, podendo ser matéria de contencioso, como está a acontecer com algumas vendas nossas para o Brasil.


Maldini

Citação de: ff77 em 03 de Março de 2016, 11:11
Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:57
Citação de: ff77 em 03 de Março de 2016, 10:47
Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:45
Citação de: ff77 em 03 de Março de 2016, 10:41
Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:30
Citação de: Maldini em 03 de Março de 2016, 10:12
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 14:03
Citação de: Maldini em 02 de Março de 2016, 13:57
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 13:55
Citação de: Maldini em 02 de Março de 2016, 13:48
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 12:36
Citação de: MALU15 em 02 de Março de 2016, 12:32
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 11:39
Citação de: MALU15 em 02 de Março de 2016, 10:38
Citação de: cardosox em 02 de Março de 2016, 10:03
leitura interessante




http://serbenfiquista.com/blog_post/com-papas-e-bolos-se-enganam-os-tolos-0
A rubrica de outros posicionada nos "custos financeiros & Investimentos+Outros" que no caso do Sporting inclui os 14M da provisão para a Doyen desvirtua um pouco a comparação dos resultados financeiros. Este valor estaria mais correcto em resultados extraordinários ou em correcção aos Resultados de atletas, pois foi aqui que foi empolada a mais valia indevida apurada na venda do Rojo no ano anterior.
Sem dúvida.
O que também sai da análise sem esse efeito é o custo de financiamento extremamente baixo das osgas (cerca de 1,5%). Algo que não sei se será por via da reestruturação financeira que os bancos aprovaram ou se ainda tem o parte do NPV do perdão da divida que foi contabilizado no semestre anterior e que os levou a terem resultados financeiros positivos.

Tudo é por via da benesse a se chamou "reestruturação financeira" que assenta em 2 pilares:

i)Conversão dos empréstimos que existiam em VMOC`s, deixando de ser passivo financeiro remunerado por terem passado para as contas de capital e situação líquida;

ii)Possibilidade de contraírem novos empréstimos em condições muito favoráveis, a taxas muito baixas da ordem dos 3/4%.

Se em teoria não podemos falar em perdões de dívida, pois ela mudou de nome e foi diferida para 2025, podemos falar em perdão de juros pois na prática estando os mesmos condicionados à distribuição de lucros por parte da SAD, a probabilidade de eles ocorrerem será quase nula. O que vai acontecer em 2025, quando da opção de conversão/reembolso das VMOC`s é outra questão.
Certo, mas não deixa de ser uma reestruturação financeira.
E não é caso único em Portugal. Pelo facto de ser no futebol torna o efeito bem mais mediático, mas têm sido feita outras reestruturações financeiras e com montantes bem superiores.
Em todo o caso, é uma alavanca que tiveram e que nenhum rival teve algo semelhante.


É uma restruturação financeira consubstanciada num perdão de juros, ao que se diz, monumental e tudo isto numa base sólida de compadrio (Ricciardi e o Sr. BESA).

Eu já escrevi, não sei se aqui, mas eu sou totalmente contra a exposição da Banca ao mundo do futebol ... e mais ainda na banca intervencionada com dinheiro públicos.

No caso do SCP (ou outro qualquer), a Banca deveria ter exigido o reembolso do capital e/ou em alternativa um pedido de insolvência e a respetiva venda de ativos para pagar o capital em dívida.

Os clubes devem ser obrigados a viver apenas e só das receitas que a sua atividade gera.

Tudo muito bonito, mas não passa de uma teoria que, posta em prática, teria piores resultados para os bancos financiadores.
1º - o clube viver só das receitas da sua atividade, é um pressuposto que já não estava a ser cumprido. Todas as receitas estavam congeladas, e iam diretamente ao bancos.
2º - Aprovavas a liquidação do clube. Muito bem? Então e quanto ias buscar da massa falida? Quanto valia o plantel no cenário de liquidação? Quanto vale o estádio (não podes lá construir nada e mesmo que possas é mandar abaixo, logo é valor do terreno - custo demolição), quanto vale uma marca sem possibilidade de gerar receitas?

O grande problema foi o tamanho do endividamento que se deixou chegar os clubes e neste caso concreto os lagartos. Após este mal estar feito, a única coisa a fazer é minimização de perdas.


Qual foi o valor que o Spor7ing empurrou agora para a frente?

Será que, por exemplo, vender William, Patrício e Slimani não chegaria para reembolsar esse empréstimo em vez de empurrarem para a frente com todas as regalias?



127,5M.

Isso que estás a referir é uma situação diferente.
Em entendo a decisão da reestruturação, o que não entendo e aí acho que houve favorecimento e questiono é o business plan que foi aprovado pelos bancos.
Eu teria claramente forçado o clube a vender um ou outro ativo com mercado, não o deixaria contratar um treinador completamente fora de mercado em termos de custos.
Mais, com o falhanço da champions, forçaria a nova venda ou impediria o mesmo de fazer aquisições.
Aqui é que critico o processo, não na reestruturação em si e nas VMOCs.

Ou seja tal como referi ... a Banca não poderia ter deixado andar com a dívida para a frente pois eles, para além do claro benefício de juros, não a vão pagar nunca, perde a banca perdemos todos...

Com insolvência ou com venda de ativos, a banca deveria ter obrigado a vender.
Isso depende de a quem for vendido o Novo Banco, se for a algum banco estrangeiro, penso que não será assim tão fácil para o clube lagarto!
O Novo Banco não é o principal financiador dos lagartos.
tinha ideia que era a meias com BCP! :confused:
Desde a reestruturação que passaram a ser os dois nessa proporção mas as VMOCs não tem essa composição.
Aliás, neste última tranche de 80 milhões de VMOCs foi 26M Novo Banco e 54M BCP.
ainda assim são 26M que teriam que pagar!
Certo. Mas a isso juntas mais 47,5M de VMOCs que já lá estavam e o acordo entre os bancos já estava definido.
Tanto o Novo Banco como o BCP deviam era ter forçado a uma orçamento mais agressivo e não o fizeram.
Aliás, se este ano não forem campeões ou pelo menos garantirem o acesso direto à CL os bancos vão ter um problema muito grande.


O bancos?

Neste caso do BES ... já estão a ter grandes problemas ... mas não é o banco somos nós ...

lost_paradise

Citação de: lobotomizado em 03 de Março de 2016, 13:39
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.
Portanto, mais valias é diferente de diferença entre valor recebido e valor pago (+comissões), certo? O jogador tem um valor contabílistico (imagino que funcione como uma parte do activo ou qq coisa do género) que vai diminuindo com o tempo. Quando o jogador é vendido, para além da mais valia, há perda desse valor no activo?
Jogador Manel. Custa 10 milhões e assina por 5 anos. O clube a que comprámos fica com 50% de direitos económicos de uma futura transferência.

Activo contabilístico = valor de aquisição a dividir pelo número de anos do contrato.

primeiro ano = vale 10 M
segundo ano = vale 8 M
terceiro ano = vale 6 M
quarto ano = vale 4 M
quinto ano = vale 2 M
A partir do sexto ano = vale zero

É vendido um ano depois por 20 milhões. Gera uma comissão de 2M assumida pelo clube vendedor.

Mais valia = valor de venda - valor contabilístico no momento da venda - comissões - percentagens de passes ou vendas caso existam a distribuir pelas respectivas partes.

Mas valia da venda = 20 M - 8M - 2M = 10M / 2 = 5 milhões.

.:VMPT:.

Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 14:00
Citação de: Glorificus em 03 de Março de 2016, 13:18
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.

Então quer dizer que os custos associados à venda não são descontados nestas contas? Agora percebo um pouco mais os negocio Mangala e outros do Porto. Obrigado.
Tecnicamente não, vão directamente a custos. Mas quem conhecer o detalhe destes custos pode depois apresentar cada mais valia corrigida com esse valor e apurar-se então o lucro (ou perda) nessa operação.

No caso por exemplo do Imbula, eles agora disseram que ainda não entrou nas contas a venda por 24M, e assim fica criada a ilusão de que no 3º trimestre o prejuízo transforma-se em lucro, quando na realidade não é isso que vai acontecer, pois se considerarmos que ele custou 20M, mais eventualmente as comissões da compra (não conheço valores) e como ele só tem 6 meses de amortizações, o valor líquido contabilístico em 31DEZ15, será muito perto dos 20M, se depois considerar-mos as comissões na venda, na realidade o lucro pode tender para zero ou até dar prejuízo, e isto sem contar com os juros suportados pela PSAD, pois isto foi um negócio à moda da Doyen, com financiamento assegurado por eles, mas que não resultou.

Consegues saber quanto é  que lucramos afetivamente com o oblak? E que a amortização do passe  dele, ou seja o valor contabilistico dele deveria ser 0 euros.... Deduzo entao que foram mais de 6 milhões para outras paragens.... ou estarei errado?

CitriC

Citação de: lost_paradise em 03 de Março de 2016, 16:24
Citação de: lobotomizado em 03 de Março de 2016, 13:39
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.
Portanto, mais valias é diferente de diferença entre valor recebido e valor pago (+comissões), certo? O jogador tem um valor contabílistico (imagino que funcione como uma parte do activo ou qq coisa do género) que vai diminuindo com o tempo. Quando o jogador é vendido, para além da mais valia, há perda desse valor no activo?
Jogador Manel. Custa 10 milhões e assina por 5 anos. O clube a que comprámos fica com 50% de direitos económicos de uma futura transferência.

Activo contabilístico = valor de aquisição a dividir pelo número de anos do contrato.

primeiro ano = vale 10 M
segundo ano = vale 8 M
terceiro ano = vale 6 M
quarto ano = vale 4 M
quinto ano = vale 2 M
A partir do sexto ano = vale zero

É vendido um ano depois por 20 milhões. Gera uma comissão de 2M assumida pelo clube vendedor.

Mais valia = valor de venda - valor contabilístico no momento da venda - comissões - percentagens de passes ou vendas caso existam a distribuir pelas respectivas partes.

Mas valia da venda = 20 M - 8M - 2M = 10M / 2 = 5 milhões.

Post que escrevi hoje:

Citação de: CitriC em 03 de Março de 2016, 09:08
JA agora aproveito para entao detalhar de um modo simples como se calcula a mais valia:

Mais-valia = valor da venda - custos associados à venda - valor por amortizar do passe

Exemplo:

O Benfica contrata um jogador por 10M e adquire apenas 80% do seu passe. A comissão é de 1milhão e o prémio de assinatura do jogador é meio milhão.

O contrato dura 4 anos no entanto após 2 anos ele é vendido pelo dobro ou seja 20M e desta vez voltamos a pagar 1M de comissão.

Então as contas seriam:
Valor da venda: 80% de 20M = 16M
Custos associados à venda: 1M
Valor por amortizar: ????

E como é que é calculado este valor por amortizar ?
Bem basta fazer as contas.

Visto que o contrato assinado foi de 4 anos então quer dizer que cada ano amortizamos 25% dos 10M do valor investido + 1M da comissao + 0,5M do prémio de assinatura, ou seja, 25% de um total de 11,5M.

2.875Milhoes por cada ano.

Portanto no final de dois anos foram amortizados 5.75M e estão por amortizar outros 5.75M.

Finalmente:

Mais-valia = 16M - 1M - 5.75M

Total: Mais valia de 9.25M duma venda bruta de 20M.

lost_paradise

Citação de: .:VMPT:. em 03 de Março de 2016, 16:31
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 14:00
Citação de: Glorificus em 03 de Março de 2016, 13:18
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.

Então quer dizer que os custos associados à venda não são descontados nestas contas? Agora percebo um pouco mais os negocio Mangala e outros do Porto. Obrigado.
Tecnicamente não, vão directamente a custos. Mas quem conhecer o detalhe destes custos pode depois apresentar cada mais valia corrigida com esse valor e apurar-se então o lucro (ou perda) nessa operação.

No caso por exemplo do Imbula, eles agora disseram que ainda não entrou nas contas a venda por 24M, e assim fica criada a ilusão de que no 3º trimestre o prejuízo transforma-se em lucro, quando na realidade não é isso que vai acontecer, pois se considerarmos que ele custou 20M, mais eventualmente as comissões da compra (não conheço valores) e como ele só tem 6 meses de amortizações, o valor líquido contabilístico em 31DEZ15, será muito perto dos 20M, se depois considerar-mos as comissões na venda, na realidade o lucro pode tender para zero ou até dar prejuízo, e isto sem contar com os juros suportados pela PSAD, pois isto foi um negócio à moda da Doyen, com financiamento assegurado por eles, mas que não resultou.

Consegues saber quanto é  que lucramos afetivamente com o oblak? E que a amortização do passe  dele, ou seja o valor contabilistico dele deveria ser 0 euros.... Deduzo entao que foram mais de 6 milhões para outras paragens.... ou estarei errado?
Suspeito que na renovação de contrato feita em 2013, na altura em que ele estava fora e ameaçou sair caso o Benfica o emprestasse novamente, ficou com uma percentagem significativa do passe ou de uma futura venda.

Ele ou o seu empresário. Para nós dá igual. Por isso a mais valia foi menos de 10 M numa venda de 16M. Não teve nada a ver com o valor contabilístico mas com o que terá sido negociado na renovação de contrato em 2013.

lost_paradise

Citação de: CitriC em 03 de Março de 2016, 16:37
Citação de: lost_paradise em 03 de Março de 2016, 16:24
Citação de: lobotomizado em 03 de Março de 2016, 13:39
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.
Portanto, mais valias é diferente de diferença entre valor recebido e valor pago (+comissões), certo? O jogador tem um valor contabílistico (imagino que funcione como uma parte do activo ou qq coisa do género) que vai diminuindo com o tempo. Quando o jogador é vendido, para além da mais valia, há perda desse valor no activo?
Jogador Manel. Custa 10 milhões e assina por 5 anos. O clube a que comprámos fica com 50% de direitos económicos de uma futura transferência.

Activo contabilístico = valor de aquisição a dividir pelo número de anos do contrato.

primeiro ano = vale 10 M
segundo ano = vale 8 M
terceiro ano = vale 6 M
quarto ano = vale 4 M
quinto ano = vale 2 M
A partir do sexto ano = vale zero

É vendido um ano depois por 20 milhões. Gera uma comissão de 2M assumida pelo clube vendedor.

Mais valia = valor de venda - valor contabilístico no momento da venda - comissões - percentagens de passes ou vendas caso existam a distribuir pelas respectivas partes.

Mas valia da venda = 20 M - 8M - 2M = 10M / 2 = 5 milhões.

Post que escrevi hoje:

Citação de: CitriC em 03 de Março de 2016, 09:08
JA agora aproveito para entao detalhar de um modo simples como se calcula a mais valia:

Mais-valia = valor da venda - custos associados à venda - valor por amortizar do passe

Exemplo:

O Benfica contrata um jogador por 10M e adquire apenas 80% do seu passe. A comissão é de 1milhão e o prémio de assinatura do jogador é meio milhão.

O contrato dura 4 anos no entanto após 2 anos ele é vendido pelo dobro ou seja 20M e desta vez voltamos a pagar 1M de comissão.

Então as contas seriam:
Valor da venda: 80% de 20M = 16M
Custos associados à venda: 1M
Valor por amortizar: ????

E como é que é calculado este valor por amortizar ?
Bem basta fazer as contas.

Visto que o contrato assinado foi de 4 anos então quer dizer que cada ano amortizamos 25% dos 10M do valor investido + 1M da comissao + 0,5M do prémio de assinatura, ou seja, 25% de um total de 11,5M.

2.875Milhoes por cada ano.

Portanto no final de dois anos foram amortizados 5.75M e estão por amortizar outros 5.75M.

Finalmente:

Mais-valia = 16M - 1M - 5.75M

Total: Mais valia de 9.25M duma venda bruta de 20M.
off topic.

Vê lá que jogador aparece no fim da lista da pág. 106 do relatório 13-14 a 30 de junho de 2014:

http://www.slbenfica.pt/Portals/0/Documentos/RCBenficaSAD1314.pdf


xirabaneco

Não consigo encontrar o link para o relatório de gestão dos lagartos, alguém me ajuda?
O comunicado que encontrei no site deles é simplesmente ridiculo

MALU15

Citação de: xirabaneco em 03 de Março de 2016, 17:48
Não consigo encontrar o link para o relatório de gestão dos lagartos, alguém me ajuda?
O comunicado que encontrei no site deles é simplesmente ridiculo
Vai ao tópico das "finanças dos nossos Adversários" na secção de "futebol e outros desportos", está lá um post meu de 1.03.16  das 23h33 que tem os links de todos os relatórios.

Sylphs

Citação de: xirabaneco em 03 de Março de 2016, 17:48
Não consigo encontrar o link para o relatório de gestão dos lagartos, alguém me ajuda?
O comunicado que encontrei no site deles é simplesmente ridiculo

http://web3.cmvm.pt/sdi/emitentes/docs/fsd137338.pdf

magoslb

Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:57
Citação de: ff77 em 03 de Março de 2016, 10:47
Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:45
Citação de: ff77 em 03 de Março de 2016, 10:41
Citação de: Flavius Julius em 03 de Março de 2016, 10:30
Citação de: Maldini em 03 de Março de 2016, 10:12
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 14:03
Citação de: Maldini em 02 de Março de 2016, 13:57
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 13:55
Citação de: Maldini em 02 de Março de 2016, 13:48
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 12:36
Citação de: MALU15 em 02 de Março de 2016, 12:32
Citação de: ff77 em 02 de Março de 2016, 11:39
Citação de: MALU15 em 02 de Março de 2016, 10:38
Citação de: cardosox em 02 de Março de 2016, 10:03
leitura interessante




http://serbenfiquista.com/blog_post/com-papas-e-bolos-se-enganam-os-tolos-0
A rubrica de outros posicionada nos "custos financeiros & Investimentos+Outros" que no caso do Sporting inclui os 14M da provisão para a Doyen desvirtua um pouco a comparação dos resultados financeiros. Este valor estaria mais correcto em resultados extraordinários ou em correcção aos Resultados de atletas, pois foi aqui que foi empolada a mais valia indevida apurada na venda do Rojo no ano anterior.
Sem dúvida.
O que também sai da análise sem esse efeito é o custo de financiamento extremamente baixo das osgas (cerca de 1,5%). Algo que não sei se será por via da reestruturação financeira que os bancos aprovaram ou se ainda tem o parte do NPV do perdão da divida que foi contabilizado no semestre anterior e que os levou a terem resultados financeiros positivos.

Tudo é por via da benesse a se chamou "reestruturação financeira" que assenta em 2 pilares:

i)Conversão dos empréstimos que existiam em VMOC`s, deixando de ser passivo financeiro remunerado por terem passado para as contas de capital e situação líquida;

ii)Possibilidade de contraírem novos empréstimos em condições muito favoráveis, a taxas muito baixas da ordem dos 3/4%.

Se em teoria não podemos falar em perdões de dívida, pois ela mudou de nome e foi diferida para 2025, podemos falar em perdão de juros pois na prática estando os mesmos condicionados à distribuição de lucros por parte da SAD, a probabilidade de eles ocorrerem será quase nula. O que vai acontecer em 2025, quando da opção de conversão/reembolso das VMOC`s é outra questão.
Certo, mas não deixa de ser uma reestruturação financeira.
E não é caso único em Portugal. Pelo facto de ser no futebol torna o efeito bem mais mediático, mas têm sido feita outras reestruturações financeiras e com montantes bem superiores.
Em todo o caso, é uma alavanca que tiveram e que nenhum rival teve algo semelhante.


É uma restruturação financeira consubstanciada num perdão de juros, ao que se diz, monumental e tudo isto numa base sólida de compadrio (Ricciardi e o Sr. BESA).

Eu já escrevi, não sei se aqui, mas eu sou totalmente contra a exposição da Banca ao mundo do futebol ... e mais ainda na banca intervencionada com dinheiro públicos.

No caso do SCP (ou outro qualquer), a Banca deveria ter exigido o reembolso do capital e/ou em alternativa um pedido de insolvência e a respetiva venda de ativos para pagar o capital em dívida.

Os clubes devem ser obrigados a viver apenas e só das receitas que a sua atividade gera.

Tudo muito bonito, mas não passa de uma teoria que, posta em prática, teria piores resultados para os bancos financiadores.
1º - o clube viver só das receitas da sua atividade, é um pressuposto que já não estava a ser cumprido. Todas as receitas estavam congeladas, e iam diretamente ao bancos.
2º - Aprovavas a liquidação do clube. Muito bem? Então e quanto ias buscar da massa falida? Quanto valia o plantel no cenário de liquidação? Quanto vale o estádio (não podes lá construir nada e mesmo que possas é mandar abaixo, logo é valor do terreno - custo demolição), quanto vale uma marca sem possibilidade de gerar receitas?

O grande problema foi o tamanho do endividamento que se deixou chegar os clubes e neste caso concreto os lagartos. Após este mal estar feito, a única coisa a fazer é minimização de perdas.


Qual foi o valor que o Spor7ing empurrou agora para a frente?

Será que, por exemplo, vender William, Patrício e Slimani não chegaria para reembolsar esse empréstimo em vez de empurrarem para a frente com todas as regalias?



127,5M.

Isso que estás a referir é uma situação diferente.
Em entendo a decisão da reestruturação, o que não entendo e aí acho que houve favorecimento e questiono é o business plan que foi aprovado pelos bancos.
Eu teria claramente forçado o clube a vender um ou outro ativo com mercado, não o deixaria contratar um treinador completamente fora de mercado em termos de custos.
Mais, com o falhanço da champions, forçaria a nova venda ou impediria o mesmo de fazer aquisições.
Aqui é que critico o processo, não na reestruturação em si e nas VMOCs.

Ou seja tal como referi ... a Banca não poderia ter deixado andar com a dívida para a frente pois eles, para além do claro benefício de juros, não a vão pagar nunca, perde a banca perdemos todos...

Com insolvência ou com venda de ativos, a banca deveria ter obrigado a vender.
Isso depende de a quem for vendido o Novo Banco, se for a algum banco estrangeiro, penso que não será assim tão fácil para o clube lagarto!
O Novo Banco não é o principal financiador dos lagartos.
tinha ideia que era a meias com BCP! :confused:
Desde a reestruturação que passaram a ser os dois nessa proporção mas as VMOCs não tem essa composição.
Aliás, neste última tranche de 80 milhões de VMOCs foi 26M Novo Banco e 54M BCP.
ainda assim são 26M que teriam que pagar!

Um banco intervencionado, a um clube de futebol, toma lá 26M, e no pasa nada. Mas depois vão livrar-se de 500 colaboradores. Nojo!

klik

#50562
Sem vmocs o Passivo bancario do Sporting seria semelhante ao do Benfica... o Benfica paga 20M€ ano em juros eles andariam muito proximo disso!!

Na situação actual... acabam por pagar uns 6 ou 7M€!! e só aqui temos um perdão de quase 15M€ ano!!!

é muito dinheiro... é uma venda em mais valias, e das boas!!!

Um clube que está nestas condições... e ainda lhe deixam que chegue próximo dos outros em termos de massa salarial.. isto sim, é desigualdade de tratamento. Basicamente deixam de pagar juros para pagar ordenados!!

Tb o Porto e Benfica gostariam de ter estas ajudas....

JohnT

Citação de: klik em 03 de Março de 2016, 20:35
Sem vmocs o Passivo bancario do Sporting seria semelhante ao do Benfica... o Benfica paga 20M€ ano em juros eles andariam muito proximo disso!!

Na situação actual... acabam por pagar uns 6 ou 7M€!! e só aqui temos um perdão de quase 15M€ ano!!!

é muito dinheiro... é uma venda em mais valias, e das boas!!!

Um clube que está nestas condições... e ainda lhe deixam que chegue próximo dos outros em termos de massa salarial.. isto sim, é desigualdade de tratamento. Basicamente deixam de pagar juros para pagar ordenados!!

Tb o Porto e Benfica gostariam de ter estas ajudas....

Nesse sentido sem as vmocs o Sporting tinha problemas em cumprir com o financial fair-play da UEFA?

Tijuana

Citação de: lost_paradise em 03 de Março de 2016, 16:24
Citação de: lobotomizado em 03 de Março de 2016, 13:39
Citação de: MALU15 em 03 de Março de 2016, 10:32
A SAGA DAS MAIS VALIAS:

Esta história das mais valias está difícil de entender, apesar de já ter sido explicada por aqui muitas vezes, umas vezes bem, outras menos bem.

Contabilisticamente falando, os jogadores de futebol estão integrados no grupo de activos intangíveis, e tal como os activos tangíveis, são capitalizados, o que na prática significa que os custos de aquisição dos mesmos (valor base, prémios de assinatura, comissões, ...) não vão a custos num só ano mas sim ao longo dos vários anos de contrato do jogador, distribuindo assim os seus efeitos de forma linear pelo período em que exerce a sua actividade no clube, sendo assim o seu custo total amortizado por duodécimos, seguindo o método da linha reta, durante o período de vigência dos seus contratos de trabalho desportivo.

A adopção  destas políticas contabilísticas está descrita com rigor no R&C anual de 214/15 no ponto 2.5 Activos intangíveis do anexo (Pag. 75).

Seguindo estas políticas e critérios de amortização, os jogadores que integram o plantel de futebol são apresentados no Balanço da SAD, pelo seu valor líquido contabilístico à data da produção do balanço e na Demonstração de resultados pelo custo das amortizações desse período, na rubrica de Amortizações e perdas de imparidade de direitos de atletas.

No caso de um jogador chegar ao fim do contrato, por exemplo o caso do MAXI, o seu valor líquido contabilístico é sempre nulo, o que não acontece com outras situações de saídas sem ser por venda, e nestes casos será necessário registar perdas de imparidade de direitos de atletas, pelo valor líquido que esse activo ainda tiver no balanço.

Quando estamos a falar de vendas, há assim lugar ao apuramento da mais (ou menos) valias na venda, que não é nem mais nem menos do que a diferença positiva ou negativa entre o valor líquido contabilístico desse atleta no balanço no momento da venda e o valor bruto da venda, não incluindo aqui as despesas na venda, pois essas mesmo que existam são lançadas directamente em custos na rubrica de Gastos com transações de direitos de atletas, pois ao contrário das despesas ocorridas na aquisição ou na  renovação, não são capitalizadas, por ocorrerem já no fim da vida do bem.

Para além das mais (menos ) valias contabilísticas ainda podemos falar das mais (menos) valias fiscais, que são diferentes das contabilísticas por serem ajustadas com factores de correcção monetária, podendo ser ou não tributadas conforme exista ou não reinvestimento das mesmas na aquisição de novos atletas, de acordo com a legislação vigente.
Portanto, mais valias é diferente de diferença entre valor recebido e valor pago (+comissões), certo? O jogador tem um valor contabílistico (imagino que funcione como uma parte do activo ou qq coisa do género) que vai diminuindo com o tempo. Quando o jogador é vendido, para além da mais valia, há perda desse valor no activo?
Jogador Manel. Custa 10 milhões e assina por 5 anos. O clube a que comprámos fica com 50% de direitos económicos de uma futura transferência.

Activo contabilístico = valor de aquisição a dividir pelo número de anos do contrato.

primeiro ano = vale 10 M
segundo ano = vale 8 M
terceiro ano = vale 6 M
quarto ano = vale 4 M
quinto ano = vale 2 M
A partir do sexto ano = vale zero

É vendido um ano depois por 20 milhões. Gera uma comissão de 2M assumida pelo clube vendedor.

Mais valia = valor de venda - valor contabilístico no momento da venda - comissões - percentagens de passes ou vendas caso existam a distribuir pelas respectivas partes.

Mas valia da venda = 20 M - 8M - 2M = 10M / 2 = 5 milhões.

muito jornalista deveria tatuar isto na parede.