As Finanças do Benfica

Diogo Brito

O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?



Diogo Brito

Como é obvio ninguem se vai arriscar a desviar dinheiro do Benfica, directamente. Eram facilmente apanhados. 

Isto acontece tudo legalmente dentro do Benfica. Como? Esquemas com empresários (Jorge Mendes, por exemplo) e com clubes de proprietários duvidosos (Mónaco, Valência, Atleti...)

A história dos 10% do Mendes só veio dar mais força às minhas suspeitas de sempre. Tens um acordo de trafulhas com o empresário que recebe 10% das transferências de todos os seus jogadores. Fazes um acordo com ele para tornar o teu clube um entreposto de jogadores e recebes sempre, por baixo da mesa, uma parte desses 10% correspondentes ao empresário. Agora contem os negócios entre o Benfica e alguns senhores empresários e clubes duvidosos.

Em vez de contratarmos unica e exclusivamente pela qualidade do jogador e necessidades da equipa, contratamos pelo empresário que tem. Pela razão que acima referi. Tudo legal, dentro do Benfica. Mas por alguma razão o Jorge Mendes está a ser investigado pelo fisco espanhol em casos de paraísos fiscais...

lonstrup

Citação de: Maldini em 28 de Janeiro de 2018, 23:03
Citação de: lonstrup em 28 de Janeiro de 2018, 20:47
E outra coisa:

Parem de falar de modelos do Sportem. O Benfica tem um modelo muito bem montado. É só uma questão de ter pessoas competentes à frente dos departamentos e nos departamentos, e os resultados são produzidos. Seja na vertente desportiva, seja na vertente da sustentabilidade e estabilidade da gestão.

O Benfica tem todas as condições para se tornar cada vez maior.
Já as têm há 4/5 anos.
Agora, as decisões de quem manda determinam bastante se essas condições são aproveitadas ou não.

Modelo Sporting ...

Veremos como será gerida a aposta na formação ...

Se acompanhar jovens com jonas (exemplo)
Se acompanhar jovens com rosseis
Se acompanhar jovens com Paulos Bentos, se acompanhar jovens com Rui Vitória.
Se tiveres um scouting que vai buscar Celsinhos, ou se tens um scouting que vai buscar Krovinovic. Se tens uma equipa B que tenha ganhar campeonatos, se tens uma equipa B que tenta preparar jogadores para a principal. E por último, se tens ou não tens uma pessoa com o conhecimento do Rui Costa a supervisionar.

O Benfica tem condições para ir buscar jogadores à formação; recrutar jovem talento internacional via scouting; recrutar oportunidades de negócio no primeiro mercado. Pode de maneira sustentável investir 20ME ano em reforços, e pagar salários de 70ME ano.

As condições estão todas lá. O que fará a diferença entre sucesso e insucesso, é a competência das pessoas e suas decisões.

lonstrup

Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:13
Como é obvio ninguem se vai arriscar a desviar dinheiro do Benfica, directamente. Eram facilmente apanhados. 

Isto acontece tudo legalmente dentro do Benfica. Como? Esquemas com empresários (Jorge Mendes, por exemplo) e com clubes de proprietários duvidosos (Mónaco, Valência, Atleti...)

A história dos 10% do Mendes só veio dar mais força às minhas suspeitas de sempre. Tens um acordo de trafulhas com o empresário que recebe 10% das transferências de todos os seus jogadores. Fazes um acordo com ele para tornar o teu clube um entreposto de jogadores e recebes sempre, por baixo da mesa, uma parte desses 10% correspondentes ao empresário. Agora contem os negócios entre o Benfica e alguns senhores empresários e clubes duvidosos.

Em vez de contratarmos unica e exclusivamente pela qualidade do jogador e necessidades da equipa, contratamos pelo empresário que tem. Pela razão que acima referi. Tudo legal, dentro do Benfica. Mas por alguma razão o Jorge Mendes está a ser investigado pelo fisco espanhol em casos de paraísos fiscais...
A nega de contratar o Danilo, quando o Jornal A Bola já fazia o trabalho de encomenda de ir preparando os benfiquistas para os 15 Milhões; o roer da corda no negócio André Moreira; o despachar o Augusto sem apelo nem glória para a Turquia;

Tudo jogadores jogadores patrocinados pelo Mendes, podem ser bons indicadores.

A resistência em vender miudagem para a Lazio também pode ser um bom indicador.

Agora, o grande medo, o grande desconhecido, é o que poderá acontecer caso o Wolverhampton suba de divisão.

CitriC

#62644
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Pedro Nunes 28

Citação de: lonstrup em 29 de Janeiro de 2018, 09:07
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:13
Como é obvio ninguem se vai arriscar a desviar dinheiro do Benfica, directamente. Eram facilmente apanhados. 

Isto acontece tudo legalmente dentro do Benfica. Como? Esquemas com empresários (Jorge Mendes, por exemplo) e com clubes de proprietários duvidosos (Mónaco, Valência, Atleti...)

A história dos 10% do Mendes só veio dar mais força às minhas suspeitas de sempre. Tens um acordo de trafulhas com o empresário que recebe 10% das transferências de todos os seus jogadores. Fazes um acordo com ele para tornar o teu clube um entreposto de jogadores e recebes sempre, por baixo da mesa, uma parte desses 10% correspondentes ao empresário. Agora contem os negócios entre o Benfica e alguns senhores empresários e clubes duvidosos.

Em vez de contratarmos unica e exclusivamente pela qualidade do jogador e necessidades da equipa, contratamos pelo empresário que tem. Pela razão que acima referi. Tudo legal, dentro do Benfica. Mas por alguma razão o Jorge Mendes está a ser investigado pelo fisco espanhol em casos de paraísos fiscais...
A nega de contratar o Danilo, quando o Jornal A Bola já fazia o trabalho de encomenda de ir preparando os benfiquistas para os 15 Milhões; o roer da corda no negócio André Moreira; o despachar o Augusto sem apelo nem glória para a Turquia;

Tudo jogadores jogadores patrocinados pelo Mendes, podem ser bons indicadores.

A resistência em vender miudagem para a Lazio também pode ser um bom indicador.

Agora, o grande medo, o grande desconhecido, é o que poderá acontecer caso o Wolverhampton suba de divisão.
É a nossa oportunidade de entrar na Premier...como já foi assumido por quem manda no clube. Depois só falta mudar a cor do equipamento para vermelho e branco e o símbolo de lobo para águia !|

anselmoslb

Citação de: ruibenfica80 em 29 de Janeiro de 2018, 00:35
Citação de: lonstrup em 28 de Janeiro de 2018, 20:43
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 20:41
Citação de: ruibenfica80 em 28 de Janeiro de 2018, 18:30
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 12:48
Nas minhas aulas de gestão, disseram que o passivo tinha de ser igual ao ativo.

Porque é que isso não se verifica, por exemplo, nos clubes de futebol?  :confused:

A equação fundamental é :
Ativo = Capitais Proprios + Passivo

Se te ensinaram alguma diferente foste muito bem enganado.
Ora vai lá rever os apontamentos 😉

Sim, esqueci-me de referir os Capitais próprios.

No caso do Benfica e clubes portugueses fala-se tanto do passivo que quase que dão a entender que o passivo é superior ao ativo.

A minha questão passava também pelos passes dos jogadores, que são vistos como ativos intangiveis, o valor do passe varia dependendo da performance do jogador, mas quem é que diz realmente qual é o valor do passe do jogador?
Os jogadores são tabelados a preço de custo. Normalmente a amortização é dividida pelos anos de contrato.

Ora bem.
O que significa que devemos andar com partes do Jimenez e do Rafa nas amortizações anuais. E isso a juntar aos 500 mil gajos que são comprados e andam emprestados.....dá umas amortizações do exercício valentes.

Para o outro user que anda a ter aulas:
Os jornalistas falam em passivo porque acham que passivo é dividas e não fazem puta ideia do que falam.
No entanto, se algum clube tiver capitais próprios negativos......aparecem sempre umas VMOCs da vida ou umas jogatanas de consolidação. E basicamente escondem que muitos clubes em Portugal servem para lavar dinheiro e traficar influências.
Se fores um investidor e quiseres investir para ter retorno continuado, não te metas com clubes de futebol. Pensa em empresas com produtos ou serviços sustentáveis.

Qual é a dúvida que passivo é dívida? É dinheiro que vai ter que sair para cumprir obrigações.

Pode é haver diferentes fontes de dívida.

ruibenfica80

Citação de: anselmoslb em 29 de Janeiro de 2018, 12:40
Citação de: ruibenfica80 em 29 de Janeiro de 2018, 00:35
Citação de: lonstrup em 28 de Janeiro de 2018, 20:43
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 20:41
Citação de: ruibenfica80 em 28 de Janeiro de 2018, 18:30
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 12:48
Nas minhas aulas de gestão, disseram que o passivo tinha de ser igual ao ativo.

Porque é que isso não se verifica, por exemplo, nos clubes de futebol?  :confused:

A equação fundamental é :
Ativo = Capitais Proprios + Passivo

Se te ensinaram alguma diferente foste muito bem enganado.
Ora vai lá rever os apontamentos 😉

Sim, esqueci-me de referir os Capitais próprios.

No caso do Benfica e clubes portugueses fala-se tanto do passivo que quase que dão a entender que o passivo é superior ao ativo.

A minha questão passava também pelos passes dos jogadores, que são vistos como ativos intangiveis, o valor do passe varia dependendo da performance do jogador, mas quem é que diz realmente qual é o valor do passe do jogador?
Os jogadores são tabelados a preço de custo. Normalmente a amortização é dividida pelos anos de contrato.

Ora bem.
O que significa que devemos andar com partes do Jimenez e do Rafa nas amortizações anuais. E isso a juntar aos 500 mil gajos que são comprados e andam emprestados.....dá umas amortizações do exercício valentes.

Para o outro user que anda a ter aulas:
Os jornalistas falam em passivo porque acham que passivo é dividas e não fazem puta ideia do que falam.
No entanto, se algum clube tiver capitais próprios negativos......aparecem sempre umas VMOCs da vida ou umas jogatanas de consolidação. E basicamente escondem que muitos clubes em Portugal servem para lavar dinheiro e traficar influências.
Se fores um investidor e quiseres investir para ter retorno continuado, não te metas com clubes de futebol. Pensa em empresas com produtos ou serviços sustentáveis.

Qual é a dúvida que passivo é dívida? É dinheiro que vai ter que sair para cumprir obrigações.

Pode é haver diferentes fontes de dívida.

Podes ter provisões por exemplo....
Ou acréscimos e diferimentos....
Assim de repente 

Além disso, é muito redutor chamar divida ao passivo. É algo que baralha totalmente as pessoas fora da área.

Por exemplo, imagina que tens uma linha de crédito de curto prazo para fazer face a despesas correntes. Isto porque tens de pagar mais rápido do que recebes. Essa linha de crédito vai existir sempre durante a atividade da empresa. Chamar isso de divida é baralhar totalmente as pessoas.

Diogo Brito

Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 11:38
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Percebo o que dizes. E deves perceber melhor que eu, que não estudei intensamente o RC e odiava contabilidade na faculdade.
Mas o teu primeiro parágrafo até se relaciona com o que disse: o futebol é das indústrias maios voláteis que existe. Ou achas que o Nápoles vai continuar a oferecer 30M pelo Grimaldo (será?) se ele tiver outra lesão, por exemplo. Bem podes continuar a avalia-lo em 30M, mas ninguem vai dar isso por ele. Certo ou errado? (lesões).

0 pontos na champions em 6 jogos. Vamos manter o valor dos activos? Talvez? Alguem lhes vai dar o mesmo valor depois daquela vergonha desportiva? Ninguem... do que vale?

Depois, achas sinceramente que os indicios de imparidades não são "mexidos" à vontade do freguês? o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência... então os dois últimos são o prato de cada dia. Muitas das coisas são bastante subjectivas, e sendo avaliadas pela Benfica SAD, ainda o serão mais.

Ou seja, não conta só o que aparece no papel. Quantas já não foram as empresas neste Mundo que num dia espalhavam saúde e no outro estavam na bancarrota? É uma linha bastante ténue.

Já agora, penso que sejas mais informado que eu neste tipo de questões, explica-me se poderes, o sentido lógico de reduzir a divida à banca, aumentando por outro lado os empréstimos obrigacionistas. Para se estar a fazer bandeira desta diminuição de dívida bancária, é porque deve existir algo positivo por trás dela. Ou é suposto os sócios não perceberem que se está a substituir isso por um loop de empréstimos obrigacionistas?

Obrigado

ruibenfica80

Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 14:58
Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 11:38
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Percebo o que dizes. E deves perceber melhor que eu, que não estudei intensamente o RC e odiava contabilidade na faculdade.
Mas o teu primeiro parágrafo até se relaciona com o que disse: o futebol é das indústrias maios voláteis que existe. Ou achas que o Nápoles vai continuar a oferecer 30M pelo Grimaldo (será?) se ele tiver outra lesão, por exemplo. Bem podes continuar a avalia-lo em 30M, mas ninguem vai dar isso por ele. Certo ou errado? (lesões).

0 pontos na champions em 6 jogos. Vamos manter o valor dos activos? Talvez? Alguem lhes vai dar o mesmo valor depois daquela vergonha desportiva? Ninguem... do que vale?

Depois, achas sinceramente que os indicios de imparidades não são "mexidos" à vontade do freguês? o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência... então os dois últimos são o prato de cada dia. Muitas das coisas são bastante subjectivas, e sendo avaliadas pela Benfica SAD, ainda o serão mais.

Ou seja, não conta só o que aparece no papel. Quantas já não foram as empresas neste Mundo que num dia espalhavam saúde e no outro estavam na bancarrota? É uma linha bastante ténue.

Já agora, penso que sejas mais informado que eu neste tipo de questões, explica-me se poderes, o sentido lógico de reduzir a divida à banca, aumentando por outro lado os empréstimos obrigacionistas. Para se estar a fazer bandeira desta diminuição de dívida bancária, é porque deve existir algo positivo por trás dela. Ou é suposto os sócios não perceberem que se está a substituir isso por um loop de empréstimos obrigacionistas?

Obrigado

Desculpem entrar aqui.
Pode ser um bocado tonto e populista dizer que esta opção de financiamento é melhor ou pior.
São opções diferentes. Tem vantagens e desvantagens diferentes.
No momento atual a opção dos EO até pode ser a melhor. Amanhã pode não ser. Tudo isso muda.

Em teoria, vais sempre procurar as fontes de financiamento que tem menos custo associado.

Quando fazias EOs a 7% se calhar o Banco era melhor. Se fazes EOs a 4% se calhar é preferivel a empréstimos com taxas de 5%.
Só estou a dar números de exemplo.

Também não vamos acreditar que as pessoas dentro do Benfica não sabem escolher. A este nível e muito superficial parece que tem feito escolhas pelo menos positivas. Se calhar fazem é muita propaganda exagerada. Mas isso também tem a ver com a falta de conhecimento do público alvo. Se os portugueses tivessem mais interesse financeiro eles não falavam como falam.

Não sei se ajudou alguma coisa.....

Diogo Brito

Citação de: ruibenfica80 em 29 de Janeiro de 2018, 13:14
Citação de: anselmoslb em 29 de Janeiro de 2018, 12:40
Citação de: ruibenfica80 em 29 de Janeiro de 2018, 00:35
Citação de: lonstrup em 28 de Janeiro de 2018, 20:43
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 20:41
Citação de: ruibenfica80 em 28 de Janeiro de 2018, 18:30
Citação de: SharteN em 28 de Janeiro de 2018, 12:48
Nas minhas aulas de gestão, disseram que o passivo tinha de ser igual ao ativo.

Porque é que isso não se verifica, por exemplo, nos clubes de futebol?  :confused:

A equação fundamental é :
Ativo = Capitais Proprios + Passivo

Se te ensinaram alguma diferente foste muito bem enganado.
Ora vai lá rever os apontamentos 😉

Sim, esqueci-me de referir os Capitais próprios.

No caso do Benfica e clubes portugueses fala-se tanto do passivo que quase que dão a entender que o passivo é superior ao ativo.

A minha questão passava também pelos passes dos jogadores, que são vistos como ativos intangiveis, o valor do passe varia dependendo da performance do jogador, mas quem é que diz realmente qual é o valor do passe do jogador?
Os jogadores são tabelados a preço de custo. Normalmente a amortização é dividida pelos anos de contrato.

Ora bem.
O que significa que devemos andar com partes do Jimenez e do Rafa nas amortizações anuais. E isso a juntar aos 500 mil gajos que são comprados e andam emprestados.....dá umas amortizações do exercício valentes.

Para o outro user que anda a ter aulas:
Os jornalistas falam em passivo porque acham que passivo é dividas e não fazem puta ideia do que falam.
No entanto, se algum clube tiver capitais próprios negativos......aparecem sempre umas VMOCs da vida ou umas jogatanas de consolidação. E basicamente escondem que muitos clubes em Portugal servem para lavar dinheiro e traficar influências.
Se fores um investidor e quiseres investir para ter retorno continuado, não te metas com clubes de futebol. Pensa em empresas com produtos ou serviços sustentáveis.

Qual é a dúvida que passivo é dívida? É dinheiro que vai ter que sair para cumprir obrigações.

Pode é haver diferentes fontes de dívida.

Podes ter provisões por exemplo....
Ou acréscimos e diferimentos....
Assim de repente 

Além disso, é muito redutor chamar divida ao passivo. É algo que baralha totalmente as pessoas fora da área.

Por exemplo, imagina que tens uma linha de crédito de curto prazo para fazer face a despesas correntes. Isto porque tens de pagar mais rápido do que recebes. Essa linha de crédito vai existir sempre durante a atividade da empresa. Chamar isso de divida é baralhar totalmente as pessoas.
mas a linha de crédito não deixa de ser um passivo, uma obrigação...  que depois vai ser coberta, eventualmente, pelo que entra em caixa... mas isso é o dia-a-dia de uma empresa. Entra dinheiro e sai dinheiro...

quando fazes uma provisão estás a tirar do teu capital proprio para fazeres face a uma perda nos activos. Não é propriamente uma dívida no sentido lato da palavra... mas eventualmente vais ter que repôr esses valores para equilibrares novamente os teus capitais próprios de alguma maneira, não?

Um diferimento é adiar uma obrigação, pelo menos em DR, de forma a não a ter que pagar naquele periodo e ajudar na consolidação do nosso RLP. Não quer dizer que não continue a ser uma obrigação no futuro, certo?

O objectivo é reduzir os encargos do Benfica ou empurrar para a frente constantemente?

As minhas aulas de CF foram há quase 10 anos e nunca foi a área que mais me entusiasmou, portanto corrigam-me se estiver errado.


Diogo Brito

Citação de: ruibenfica80 em 29 de Janeiro de 2018, 15:11
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 14:58
Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 11:38
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Percebo o que dizes. E deves perceber melhor que eu, que não estudei intensamente o RC e odiava contabilidade na faculdade.
Mas o teu primeiro parágrafo até se relaciona com o que disse: o futebol é das indústrias maios voláteis que existe. Ou achas que o Nápoles vai continuar a oferecer 30M pelo Grimaldo (será?) se ele tiver outra lesão, por exemplo. Bem podes continuar a avalia-lo em 30M, mas ninguem vai dar isso por ele. Certo ou errado? (lesões).

0 pontos na champions em 6 jogos. Vamos manter o valor dos activos? Talvez? Alguem lhes vai dar o mesmo valor depois daquela vergonha desportiva? Ninguem... do que vale?

Depois, achas sinceramente que os indicios de imparidades não são "mexidos" à vontade do freguês? o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência... então os dois últimos são o prato de cada dia. Muitas das coisas são bastante subjectivas, e sendo avaliadas pela Benfica SAD, ainda o serão mais.

Ou seja, não conta só o que aparece no papel. Quantas já não foram as empresas neste Mundo que num dia espalhavam saúde e no outro estavam na bancarrota? É uma linha bastante ténue.

Já agora, penso que sejas mais informado que eu neste tipo de questões, explica-me se poderes, o sentido lógico de reduzir a divida à banca, aumentando por outro lado os empréstimos obrigacionistas. Para se estar a fazer bandeira desta diminuição de dívida bancária, é porque deve existir algo positivo por trás dela. Ou é suposto os sócios não perceberem que se está a substituir isso por um loop de empréstimos obrigacionistas?

Obrigado

Desculpem entrar aqui.
Pode ser um bocado tonto e populista dizer que esta opção de financiamento é melhor ou pior.
São opções diferentes. Tem vantagens e desvantagens diferentes.
No momento atual a opção dos EO até pode ser a melhor. Amanhã pode não ser. Tudo isso muda.

Em teoria, vais sempre procurar as fontes de financiamento que tem menos custo associado.

Quando fazias EOs a 7% se calhar o Banco era melhor. Se fazes EOs a 4% se calhar é preferivel a empréstimos com taxas de 5%.
Só estou a dar números de exemplo.

Também não vamos acreditar que as pessoas dentro do Benfica não sabem escolher. A este nível e muito superficial parece que tem feito escolhas pelo menos positivas. Se calhar fazem é muita propaganda exagerada. Mas isso também tem a ver com a falta de conhecimento do público alvo. Se os portugueses tivessem mais interesse financeiro eles não falavam como falam.

Não sei se ajudou alguma coisa.....
Sim, exatamente por eu saber a volatibilidade dos custos de empréstimos bancários e EO é que perguntei qual era a lógica de se estar a fazer bandeira disso, como está o DSO nas entrevistas que dá...

Ou seja, o que me parece que vai acontecer é simples. Quando o financiamento por parte da banca baixar, o DSO vai mudar de ideias e voltar para os bancos. Qual vai ser a bandeira nessa altura?

Para quê tanta hipocrisia? É o que tu dizes. Falta de conhecimento, nem que seja minimo.

CPA

Atendendo à performance desportiva miserável da corrente época, com destaque para a vergonhosa campanha na Liga dos Campeões e com a associada queda brutal de receita de prémios da UEFA, e antevendo um eventual cenário de não presença na LC em 2018/19, não tenho dúvida nenhuma que Jimenez e Rafa estarão de saída. Estes 2 representam um impacto negativo nos resultados de quase 9 milhões de Euros, sem salários.

É óbvio que o Luís Filipe Vieira vai ter de se contradizer novamente com a história da maior venda de sempre em Portugal, mas isso é pão nosso de cada dia.

CitriC

Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 14:58
Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 11:38
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Percebo o que dizes. E deves perceber melhor que eu, que não estudei intensamente o RC e odiava contabilidade na faculdade.
Mas o teu primeiro parágrafo até se relaciona com o que disse: o futebol é das indústrias maios voláteis que existe. Ou achas que o Nápoles vai continuar a oferecer 30M pelo Grimaldo (será?) se ele tiver outra lesão, por exemplo. Bem podes continuar a avalia-lo em 30M, mas ninguem vai dar isso por ele. Certo ou errado? (lesões).

0 pontos na champions em 6 jogos. Vamos manter o valor dos activos? Talvez? Alguem lhes vai dar o mesmo valor depois daquela vergonha desportiva? Ninguem... do que vale?

Depois, achas sinceramente que os indicios de imparidades não são "mexidos" à vontade do freguês? o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência... então os dois últimos são o prato de cada dia. Muitas das coisas são bastante subjectivas, e sendo avaliadas pela Benfica SAD, ainda o serão mais.

Ou seja, não conta só o que aparece no papel. Quantas já não foram as empresas neste Mundo que num dia espalhavam saúde e no outro estavam na bancarrota? É uma linha bastante ténue.

Já agora, penso que sejas mais informado que eu neste tipo de questões, explica-me se poderes, o sentido lógico de reduzir a divida à banca, aumentando por outro lado os empréstimos obrigacionistas. Para se estar a fazer bandeira desta diminuição de dívida bancária, é porque deve existir algo positivo por trás dela. Ou é suposto os sócios não perceberem que se está a substituir isso por um loop de empréstimos obrigacionistas?

Obrigado

Por isso mesmo é que, como eu disse, os jogadores que forem adquiridos pelo Benfica devem ser avaliados pelo valor de aquisição e a cada época deduzir as respetivas amortizações acumuladas e também perdas de imparidade. Não se pode avaliar o Grimaldo ao sabor do vento. Ontem 2M, hoje 20M, amanhã 30M, depois de amanhã 10M.

O valor de activo está relacionado com a prestação europeia ? Isso não faz sentido nenhum. Mais uma vez falando exclusivamente de jogadores, activo intangível, o activo é inicialmente avaliado pelo preço de custo.

Não, o Benfica não mexe nas imparidades à "vontade do freguês".

O Benfica esclarece muito claramente foi calcula as imparidades dos seus activos:

Citação
São efetuados testes de imparidade sempre que seja identificado um evento ou alteração nas circunstâncias que indiciem que o montante pelo qual se encontra registado o ativo é superior à sua quantia recuperável. Quando o valor recuperável de um ativo é inferior ao valor pelo qual se encontra registado é reconhecida uma perda por imparidade na demonstração dos resultados. Quando não é possível determinar a quantia recuperável de um ativo individual, é estimada a quantia recuperável da unidade geradora de caixa a que esse ativo pertence.
O valor recuperável é o mais alto entre o preço de venda líquido e o valor de uso. O preço de venda líquido é o montante que se obteria com a alienação do ativo, numa transação entre entidades independentes e conhecedoras, deduzido dos gastos diretamente atribuíveis à alienação. O valor de uso de um ativo é o valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados que decorrem do seu uso continuado até ao final da sua vida útil, que são descontados usando uma taxa de desconto que reflita as expectativas do mercado quanto ao valor temporal do dinheiro e quanto aos riscos específicos do ativo ou da unidade geradora de caixa relativamente aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros não tenham sido ajustadas. A quantia recuperável é estimada para cada ativo ou unidade geradora de caixa individualmente.

Quando existem indícios que perdas por imparidade registadas em períodos anteriores tenham revertido ou diminuído é efetuada uma reavaliação das situações que originaram o registo da imparidade. A reversão de uma imparidade é registada na demonstração dos resultados e é efetuada até ao limite da quantia que estaria reconhecida, líquida de depreciações ou amortizações, caso a perda por imparidade não tivesse sido registada em períodos anteriores.


Quanto à última questão, a meu ver, há duas grandes vantagens logo à partir.

1- Maior independência da banca, pois nos EOs há muitos pequenos investidores a emprestarem/investirem dinheiro na nossa SAD. O Benfica pode ir ao mercado com mais facilidade que antigamente.

2- Juros mais baixos. Se reparares a média dos juros no dia 30.06.17 era superior a qualquer um dos 3 EOs que a SAD tem subscrito.

Diogo Brito

Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 15:58
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 14:58
Citação de: CitriC em 29 de Janeiro de 2018, 11:38
Citação de: Diogo Brito em 29 de Janeiro de 2018, 02:01
O futebol tem um contexto especifico em termos financeiros. Existe uma volatibilidade muito grande nos activos. Ou seja, o valor dos activos mais valiosos podem ter variações bruscas (derivado de lesões, más performances individuais e coletivas...). O Renato Sanches depois do Euro2016 era vendido, à vontade, por mais de 50M. Hoje, se calhar não davam metade por ele. Daqui a 2 anos talvez valha 100M.

Dada esta imprevisibilidade existente nos negócios e especialmente no futebol, penso que seja fulcral tentar baixar o activo, acima de tudo. E não entrar na eterna conversa leiga do "activo que cobre o passivo". Ainda mais no futebol do que na globalidade dos negócios, ser competitivo significa ter bons resultados financeiros. Mas se deixas de ser competitivo e és um clube com um dos maiores passivos da Europa (num mercado pequeno como o nosso...) as perspectivas não são boas.

Outra coisa: faz-se gala em dizer que estamos a diminuir a dependência dos bancos. Verdade. Mas é através de empréstimos obrigacionistas. Ou seja, deixamos de dever num sitio para ficar a dever noutro. Quando é para liquidar faz-se outra emissão e andamos em loop... Qual acaba por ser a vantagem?

Não faz sentido o que dizes sobre o Activo, até porque estás a esquecer-te que a Benfica SAD avalia anualmente os indícios de imparidade através de uma análise da situação específica dos atletas, considerando indicadores qualitativos e quantitativos, tais como o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência, duração remanescente do contrato, cedências temporárias do atleta a outros clubes, idade, salário, utilização e lesões.


Ou seja os ativos intangíveis encontram-se valorizados ao seu valor de aquisição, acrescido de despesas diretamente atribuíveis à sua aquisição e deduzido das respetivas amortizações acumuladas e perdas de imparidade acumuladas, quando tal se verifique.


O Renato é um dos casos especiais, porque é um jogador da formação. Se for um jogador da formação quer seja um novato com 0 jogos nas pernas, ou alguém influente com experiência e títulos no activo o seu valor será sempre reduzido. Portanto nem haverá volatilidade.

Percebo o que dizes. E deves perceber melhor que eu, que não estudei intensamente o RC e odiava contabilidade na faculdade.
Mas o teu primeiro parágrafo até se relaciona com o que disse: o futebol é das indústrias maios voláteis que existe. Ou achas que o Nápoles vai continuar a oferecer 30M pelo Grimaldo (será?) se ele tiver outra lesão, por exemplo. Bem podes continuar a avalia-lo em 30M, mas ninguem vai dar isso por ele. Certo ou errado? (lesões).

0 pontos na champions em 6 jogos. Vamos manter o valor dos activos? Talvez? Alguem lhes vai dar o mesmo valor depois daquela vergonha desportiva? Ninguem... do que vale?

Depois, achas sinceramente que os indicios de imparidades não são "mexidos" à vontade do freguês? o desempenho desportivo, perspetivas de evolução, eventuais contactos com vista a uma possível transferência... então os dois últimos são o prato de cada dia. Muitas das coisas são bastante subjectivas, e sendo avaliadas pela Benfica SAD, ainda o serão mais.

Ou seja, não conta só o que aparece no papel. Quantas já não foram as empresas neste Mundo que num dia espalhavam saúde e no outro estavam na bancarrota? É uma linha bastante ténue.

Já agora, penso que sejas mais informado que eu neste tipo de questões, explica-me se poderes, o sentido lógico de reduzir a divida à banca, aumentando por outro lado os empréstimos obrigacionistas. Para se estar a fazer bandeira desta diminuição de dívida bancária, é porque deve existir algo positivo por trás dela. Ou é suposto os sócios não perceberem que se está a substituir isso por um loop de empréstimos obrigacionistas?

Obrigado

Por isso mesmo é que, como eu disse, os jogadores que forem adquiridos pelo Benfica devem ser avaliados pelo valor de aquisição e a cada época deduzir as respetivas amortizações acumuladas e também perdas de imparidade. Não se pode avaliar o Grimaldo ao sabor do vento. Ontem 2M, hoje 20M, amanhã 30M, depois de amanhã 10M.

O valor de activo está relacionado com a prestação europeia ? Isso não faz sentido nenhum. Mais uma vez falando exclusivamente de jogadores, activo intangível, o activo é inicialmente avaliado pelo preço de custo.

Não, o Benfica não mexe nas imparidades à "vontade do freguês".

O Benfica esclarece muito claramente foi calcula as imparidades dos seus activos:

Citação
São efetuados testes de imparidade sempre que seja identificado um evento ou alteração nas circunstâncias que indiciem que o montante pelo qual se encontra registado o ativo é superior à sua quantia recuperável. Quando o valor recuperável de um ativo é inferior ao valor pelo qual se encontra registado é reconhecida uma perda por imparidade na demonstração dos resultados. Quando não é possível determinar a quantia recuperável de um ativo individual, é estimada a quantia recuperável da unidade geradora de caixa a que esse ativo pertence.
O valor recuperável é o mais alto entre o preço de venda líquido e o valor de uso. O preço de venda líquido é o montante que se obteria com a alienação do ativo, numa transação entre entidades independentes e conhecedoras, deduzido dos gastos diretamente atribuíveis à alienação. O valor de uso de um ativo é o valor presente dos fluxos de caixa futuros estimados que decorrem do seu uso continuado até ao final da sua vida útil, que são descontados usando uma taxa de desconto que reflita as expectativas do mercado quanto ao valor temporal do dinheiro e quanto aos riscos específicos do ativo ou da unidade geradora de caixa relativamente aos quais as estimativas de fluxos de caixa futuros não tenham sido ajustadas. A quantia recuperável é estimada para cada ativo ou unidade geradora de caixa individualmente.

Quando existem indícios que perdas por imparidade registadas em períodos anteriores tenham revertido ou diminuído é efetuada uma reavaliação das situações que originaram o registo da imparidade. A reversão de uma imparidade é registada na demonstração dos resultados e é efetuada até ao limite da quantia que estaria reconhecida, líquida de depreciações ou amortizações, caso a perda por imparidade não tivesse sido registada em períodos anteriores.


Quanto à última questão, a meu ver, há duas grandes vantagens logo à partir.

1- Maior independência da banca, pois nos EOs há muitos pequenos investidores a emprestarem/investirem dinheiro na nossa SAD. O Benfica pode ir ao mercado com mais facilidade que antigamente.

2- Juros mais baixos. Se reparares a média dos juros no dia 30.06.17 era superior a qualquer um dos 3 EOs que a SAD tem subscrito.
Ok. Obviamente o activo tem que ser inicialmente valorizado pelo preço de custo. Só assim faz sentido em termos contabilisticos, e éticos vá...

O que eu digo é que existe uma maior volatibilidade nos activos devido a essas mesmas perdas de imparidade que falas, que são bastante mais imprevisíveis do que na maior parte de outros tipos de negócios e bastante mais significativas. Falo de lesões, más prestações coletivas e individuais. Tudo isto faz cair o valor do activo aos olhos do mercado e deve ser assumido pelo clube para haver clareza da real situação em que a instituição se encontra.

Obviamente, boas prestações europeias valorizam o activo. Caso contrário não tinhas feito as vendas dos últimos 5 anos (2 finais de LE, quartos da champions) pelos valores que foram efetuadas. Tal como este ano não venderias o Krovinovic (sem a lesão) por valores absurdos que ele parece ter potencial para valer. Porque não o mostraste aos olhos da Europa nem tiveste boas prestações coletivas na Europa. Em termos empresariais, uma boa prestação na Champions vai conotar os teus activos, que podem tornar-se mercadoria, como muito bons. Pelo menos alguns, certamente. Isso vai naturalmente valorizá-los. Contabilisticamente o Benfica não valoriza os seus activos consoante as boas prestações individuais/coletivas e o interesse demonstrado nos mesmos?

Falas de jogadores como activos intangíveis, certamente porque o que é valorizado neles é o "know-how", neste caso, saber jogar à bola. E é assim que são valorizados. No entanto, não te esqueças que isto é futebol, não é uma patente de um superprograma de computador que funciona sempre da mesma forma. Os jogadores são humanos, falham e não funcionam sempre de acordo com o esperado. A sua valorização vai ser, portanto, mais volátil.

Pareces bem mais informado que eu portanto não vou estar a refutar as tuas opiniões. O meu problema é a linha de pensamento da direção do Benfica, não me parecem minimamente interessados em resolver a situação financeira do Benfica e em elevar a marca Benfica desportivamente aos olhos do Mundo.

Em síntese: eu acho que um clube de um mercado pequeno como o português deveria ter uma aposta mais clara no abate do passivo, porque sendo nós um mercado periférico estamos mais sensíveis a alterações do meio... e pode correr mal. Basta uns anos de insucesso desportivo para um clube com muitas obrigações passar um mau bocado. E o que eu vi, e me deixa irritado, é estarmos a passar um periodo de grandes vendas, grande reforço da marca Benfica, estádios cheios, patrocinios, um periodo aparentemente hegemonico e que poderia servir para melhorar bastante a situação financeira sem perder muita qualidade, e o que vejo é o passivo reduzir em 20M em 4 ou 5 anos, acompanhados de investimentos patéticos de gastar dezenas de milhões de euros em jogadores que não eram essenciais para o plantel, o aumento dos gastos com a direção e redução dos gastos com o plantel, e por aí a diante...