Defesa, 58 anos
Brasil
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21001 - Tópico: Carlos Mozer  (Lida 85521 vezes)

nucleopn

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  • 08 de Setembro de 2008, 00:24
Este texto vai mostrar a Grandeza do Benfica!! O quanto grande nós somos e de como todo o mundo se apercebe disso... BENFIIIIICA!!! amo-te

leiam até ao fim sff, até me arrepio todo ao ler isto



Saudações benfiquistas,
Mozer, em "Pela Mística Dentro"

"É preciso sair do país para enxergar o prestigio e o tamanhão do Benfica em todo o mundo. Estive três anos em frança, no Marselha, joguei num estádio fantástico, o Vélodrome, convivi com grande jogadores como Papin e Waddle, mas o Benfica estará sempre no meu pensamento.

Os meus companheiros de equipa não percebiam muito o meu entusiasmo pelo clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o tremendo historial do Benfica.

Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo desde o inicio, sempre que jogávamos em casa.

Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia: "Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível."

Terrível para os outros. Não sei se o se o Papin dizia isso para me intimidar, já que era novo no clube e não percebia muito daquela conversa.

Mas para mim, sempre pensava: "Este cara precisava de jogar no Maracanã ou no Estádio da Luz, cheios." Era o que eu pensava.


Até que, na taça dos campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu Benfica, o clube que os meus companheiros sabiam que eu adorava. Me lembro de Sauzée, o meu zagueiro do lado me ter perguntado: "Você vai estar em condições de jogar contra o Benfica?" Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois, jogos joguei a duzentos por cento.

Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz, virei para o Papin e lhe perguntei: " Papin, voçê quer mesmo ver o que é um estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado?" Engraçada a reacção do Papin: "Voçê, está querendo me meter medo, Mozer?" Não estava não e por isso lhe disse para esperar para ver. E já agora, tremer. Pois bem, chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos logo indo para os balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe podiam chamar de Bernardette se o Marselha perdesse a eliminatória.

Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim, dizendo que estava já "tremendo de medo". E ria-se bastante.


Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava colocando uma ligadura no tornozelo. Quandio cheguei perto do túnel de acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, compeletamente assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que voltaram atrás assustados e me perguntado: "O que era aquilo?".

Aquilo respondi eu, é o INFERNO DA LUZ. Aí todos me começaram a me dizer para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sózinho.

Espreitando, à saida da escadaria estavam alguns dos meus companheiros do marselha, ainda com um olhar de medo e só nessa altura começaram a entrar. No regresso às cabinas, perguntei a Papin: "Já sabes agora o que é um estádio cheio e um grande ambiente?" A resposta, nunca mais a esqueci: "Mozer, nunca vi uma coisa destas. Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é ENORME!"

Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória.

Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do Benfica."

José Carlos Mozer


aqui vai a minha historia pessoal com o Mozer


o jogo foi o SLB - FCP, eu fui apanha bolas nesse jogo... na entrada para o relvado (ainda no tunel), estavamos (apanha-bolas)encostados aos lados,c a equipa do FCP ja alinhada, para entrar em campo, chega o SLB... o Mozer dirige-se ao Fernando Couto e diz-lhe, enquanto lhe puxa uns cabelinhos "Meu irmao, voce no Braziu...nem na terceira". Couto empurra o gajo, vem o Joao Pnto e o Veloso tentar separar... logo granda confusao... ia morrendo de medo! Os homens eram grandes para caraças!!!


ja agora, o resultado final, dito pelo trienador do FCP, Bobby Robson

MOZER 2 COUTO 0

Lordlothar

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  • Tenho de Acreditar, SOU DO BENFICA. Força Benfica!!!!!!!!!!
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  • 08 de Setembro de 2008, 00:28
Este texto vai mostrar a Grandeza do Benfica!! O quanto grande nós somos e de como todo o mundo se apercebe disso... BENFIIIIICA!!! amo-te

leiam até ao fim sff, até me arrepio todo ao ler isto



Saudações benfiquistas,
Mozer, em "Pela Mística Dentro"

"É preciso sair do país para enxergar o prestigio e o tamanhão do Benfica em todo o mundo. Estive três anos em frança, no Marselha, joguei num estádio fantástico, o Vélodrome, convivi com grande jogadores como Papin e Waddle, mas o Benfica estará sempre no meu pensamento.

Os meus companheiros de equipa não percebiam muito o meu entusiasmo pelo clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o tremendo historial do Benfica.

Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo desde o inicio, sempre que jogávamos em casa.

Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia: "Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível."

Terrível para os outros. Não sei se o se o Papin dizia isso para me intimidar, já que era novo no clube e não percebia muito daquela conversa.

Mas para mim, sempre pensava: "Este cara precisava de jogar no Maracanã ou no Estádio da Luz, cheios." Era o que eu pensava.


Até que, na taça dos campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu Benfica, o clube que os meus companheiros sabiam que eu adorava. Me lembro de Sauzée, o meu zagueiro do lado me ter perguntado: "Você vai estar em condições de jogar contra o Benfica?" Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois, jogos joguei a duzentos por cento.

Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz, virei para o Papin e lhe perguntei: " Papin, voçê quer mesmo ver o que é um estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado?" Engraçada a reacção do Papin: "Voçê, está querendo me meter medo, Mozer?" Não estava não e por isso lhe disse para esperar para ver. E já agora, tremer. Pois bem, chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos logo indo para os balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe podiam chamar de Bernardette se o Marselha perdesse a eliminatória.

Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim, dizendo que estava já "tremendo de medo". E ria-se bastante.


Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava colocando uma ligadura no tornozelo. Quandio cheguei perto do túnel de acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, compeletamente assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que voltaram atrás assustados e me perguntado: "O que era aquilo?".

Aquilo respondi eu, é o INFERNO DA LUZ. Aí todos me começaram a me dizer para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sózinho.

Espreitando, à saida da escadaria estavam alguns dos meus companheiros do marselha, ainda com um olhar de medo e só nessa altura começaram a entrar. No regresso às cabinas, perguntei a Papin: "Já sabes agora o que é um estádio cheio e um grande ambiente?" A resposta, nunca mais a esqueci: "Mozer, nunca vi uma coisa destas. Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é ENORME!"

Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória.

Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do Benfica."

José Carlos Mozer


aqui vai a minha historia pessoal com o Mozer


o jogo foi o SLB - FCP, eu fui apanha bolas nesse jogo... na entrada para o relvado (ainda no tunel), estavamos (apanha-bolas)encostados aos lados,c a equipa do FCP ja alinhada, para entrar em campo, chega o SLB... o Mozer dirige-se ao Fernando Couto e diz-lhe, enquanto lhe puxa uns cabelinhos "Meu irmao, voce no Braziu...nem na terceira". Couto empurra o gajo, vem o Joao Pnto e o Veloso tentar separar... logo granda confusao... ia morrendo de medo! Os homens eram grandes para caraças!!!


ja agora, o resultado final, dito pelo trienador do FCP, Bobby Robson

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IPASLB

  • Eusébio
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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:06
Mozer, em "Pela Mística Dentro"

 

 

 

 

 

"É preciso sair do país para enxergar o prestigio e o tamanhão do Benfica em

todo o mundo. Estive três anos em frança, no Marselha, joguei num estádio

fantástico, o Vélodrome, convivi com grande jogadores como Papin e Waddle,

mas o Benfica estará sempre no meu pensamento.

 

Os meus companheiros de equipa não percebiam muito o meu entusiasmo pelo

clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o

tremendo historial do Benfica.

 

 

 

Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo

desde o inicio, sempre que jogávamos em casa.

 

Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia:

"Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível."

Terrível para os outros. Não sei se o se o Papin dizia isso para me

intimidar, já que era novo no clube e não percebia muito daquela conversa.

Mas para mim, sempre pensava: "Este cara precisava de jogar no Maracanã ou

no estádio da Luz, cheios." Era o que eu pensava.

 

 

 

Até que, na taça dos campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho

do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu

Benfica, o clube que os meus companheiros sabiam que eu adorava. Me lembro

de Sauzée, o meu zagueiro do lado me ter

perguntado: "Você vai estar em condições de jogar contra o Benfica?"

Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois, jogos joguei a

duzentos por cento.

 

Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz,

virei para o Papin e lhe perguntei: " Papin, voçê quer mesmo ver o que é um

estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado?" Engraçada a

reacção do Papin: "Voçê, está querendo me meter medo, Mozer?" Não estava não

e por isso lhe disse para esperar para ver. E já agora, tremer. Pois bem,

chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos logo indo para os

balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa

dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe

podiam chamar de Bernardette se o marselha perdesse a eliminatória.

 

 

 

Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim,

dizendo que estava  já "tremendo de medo". E ria-se bastante.

 

 

 

Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava

colocando uma ligadura no tornozelo. Quandio cheguei perto do túnel de

acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, compeletamente

assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi

que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma

homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que

os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que

voltaram atrás assustados e me

perguntado: "O que era aquilo?".

 

Aquilo respondi eu, é o INFERNO DA LUZ. Aí todos me começaram a me dizer

para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não

fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sózinho. Espreitando, à

saida da escadaria estavam alguns dos meus companheiros do marselha, ainda

com um olhar de medo e só nessa altura começaram a entrar. No regresso às

cabinas, perguntei a Papin: "Já sabes agora o que é um estádio cheio e um

grande ambiente?" A resposta, nunca mais a esqueci: "Mozer, nunca vi uma

coisa destas.

Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é ENORME!"

Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo

Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória.

 

Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do

Benfica."

 

 

 

 José Carlos Mozer
« Última modificação: 10 de Setembro de 2008, 20:16 por IPASLB »

nelrod20

  • Juvenil
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  • 10 de Setembro de 2008, 20:11
Medo.

Esta carta ate arrepia.

Grande Carlos Mozer és e sempre foste o meu idolo.

IPASLB

  • Eusébio
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  • Mensagens: 10829
  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:13
Medo.

Esta carta ate arrepia.

Grande Carlos Mozer és e sempre foste o meu idolo.
e tambem por este tipo de coisas que somos do sl benfica,quem disser que a nossa mistica e abstracta,nao sabe o que e ter amor a este clube ...

Machibombo

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  • Amo-te BENFICA
  • 10 de Setembro de 2008, 20:15
arrepiei-me todo! :bow2:

Glenn Stromberg

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  • Benfiquista 101%
  • 10 de Setembro de 2008, 20:15
Que ESPECTÁCULO !!! Sem palavras ...

E já agora, MOZER és grande e ainda espero pelo teu regresso ao nosso Glorioso, o mais brevemente possível.

SL BENFICA FOREVER !!!

IPASLB

  • Eusébio
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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:20
apesar de termos um estadio novo e moderno,nunca me esquecerei do antigo estadio da luz....se alguem queria conhecer a nossa mistica,era so ir la nas noites europeias...saudades que nao voltam mais...

IPASLB

  • Eusébio
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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:20
Orgulhosamente benfiquista



Quem detesta, com um ódio figadal, o clube da Luz, pode e deve deixar de ler estas linhas neste preciso momento. Sou benfiquista! E assumo-o com muito orgulho. Nas vitórias como nas derrotas.

Não tenho o hábito de assistir aos desafios pela televisão. Esse é, aliás, um costume de contornos algo incompreensíveis para mim – especialmente quando vejo amigos meus vibrarem, como se o seu futuro dependesse daquele resultado, com um desafio entre equipas da terceira divisão do Cazaquistão ou coisa semelhante. Mas quando é o Benfica que está em campo, a lutar por uma posição na tabela, tudo muda.

Especialmente se me arrastam até ao estádio e assisto a tudo em directo. A emoção de ver jogar o SLB, ao vivo e a cores, é de tal forma forte que, de um momento para o outro, aquilo a que chamam “a mística do futebol” passa a fazer todo o sentido. E então, transfiguro-me. Posso gritar durante os 90 minutos, entoar cânticos de incentivo acabados de memorizar, sem pausas para ganhar fôlego, chorar de emoção e abraçar perfeitos desconhecidos quando a bola entra na baliza do adversário.

O benfiquismo é algo que se sente profundamente. Perdoem-me os adeptos de outros clubes, mas a grandeza do Benfica é única, absoluta e incomparável. Ninguém se torna benfiquista só porque sim. E nem sequer é preciso ser-se português para se ser “lampião”.

O benfiquismo é um fenómeno que não conhece limites de qualquer género. É algo inato: ou se tem ou não se tem. E é esse fenómeno que justifica e legitima a afirmação de que o Benfica é o melhor clube do mundo.

Joana Petiz
Jornalista

IPASLB

  • Eusébio
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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:23
Nunca sei como será ser de outro clube que não o Benfica e também não quero. É uma ignorância boa, esta, a de não querer saber, a de recusar logo à partida o conhecimento de algo que não nos importa. Só me interessa o Benfica, confesso, e logo à partida é fácil perceber pela fria análise morfológica do nome, que o clube que amo, é uma instuição que pratica o bem, que pede, rogando, para que fique: Bem! Fica! E o bem, como se ouvindo, fica mesmo, e com ele, como se uma mágica terra se elevasse, ficam não todos os benfiquistas, mas sim, todos os benfiquenses.

Existe um “ismo” no Benfica de uma magnitude rara, que não se confunde nem se imiscui com outros ismos mesquinhos que outrora serviram doutrinas, reformas várias e pessoas poderosas. O Benfiquismo é um “ismo” dos bons, que se impõe, precisamente, não se impondo, que se percebe justamente ao não se perceber, e que mesmo não se vendo, se sente e sofre como se de um amor carnal de tratasse.

Quando se grita pelo Benfica é como se gritássemos em tenra idade pela nossa mãe mesmo sabendo que está ali tão perto, pela libertina vontade de gritar pelo que nos pertence, para que saiba que não somos de nenhum outro, para que fique claro que lhe dedicamos a rouquidão que se esmorece na nossa voz.

Sou do Benfica desde que me lembro e não tenho memória curta. É nela que cabem mil imagens que correm de calções agora mesmo. Lembro-me do Néné, ali vai ele, do número 7, calções brancos, por vezes com risco ao meio, chuteiras novas, o filho bem comportado que qualquer mãe gostaria de ter tido. Do Carlos Manuel, dos livres do Carlos Manuel, da garra do Carlos Manuel quando pegava a bola a meio campo e durante metros a levava com ele, como se fosse um gigante, altíssimo, como se a levasse para casa, imponente, quebrando a barreira do som com a velocidade que lhe imprimia. E o inferno era aquilo, o inicio da corrida, a multidão a levantar-se, ninguém quieto por um instante que fosse “oh senhor, sente-se lá para eu ver”, todos a falar com as mãos, a dizer “passa a bola” e “vamos vamos” “ é agora, é agora” “ força, força” ao qual se seguia, não raras vezes, um ciclópico “aaaaahhhhhh” num imenso coro de vozes, invariavelmente seguido de palmas e um sincrónico bater de pé, ou em outros casos menos felizes, apenas um bater de pé e nomes impronunciáveis.

Acho que já disse que sou do Benfica e nunca é demais dizê-lo, como daquelas vezes em que não nos cansamos de dizer “amo-te” a uma pessoa, mesmo que esta já o saiba há muito. Porque nos dá gosto dizer “Benfica” como se fosse um “Amo-te” repetido até à exaustão. Porque ser do Benfica é dizer “Amo-te” muitas vezes. Porque é o amor que nos une e nos cega e nos faz dizer que não, não é penalty quando todos sabemos que foi, ali, à nossa frente, “com o diabo” dizemos, mesmo não o querendo admitir, “não é, não é” sabendo que estamos a mentir. Porque o amor vê mãos onde não existem, este amor de que vos falo e escrevo agora, vê faltas que nunca foram cometidas, foras de jogo, cartões que ficaram por mostrar, culpas que nunca a nossa, mas também vê o resto, os equipamentos, os jogadores a beijar a camisola como se fosse um país, o ritual da águia que dá a volta ao estádio em busca de novos perdedores, desculpem, predadores, ainda o estádio, o velho e o novo, o luxo das cadeiras de agora e o glória das outras, o Eusébio, o Chalana, o Diamantino, o Veloso e a luz intensa que nos olha a todos. A luz, estranha luz esta, o hino do piçarra, a vaidade com que o canta, as bandeiras a agitarem vitoriosas, os golos, aquele e mais o outro que ainda hoje recordamos, as jogadas sinfónicas, os maestros de então, os golos, chegar muito cedo para ficar horas seguidas a olhar o relvado, os golos, as horas que passamos a entoar cânticos, a discutir os jornais, a falar sobre o Benfica, a telefonar para os amigos de outros clubes para lhes fazer inveja com os nossos resultados, a esperar sempre, os golos, os 5 minutos à Benfica, este inferno bom, o nosso, igual a nenhum outro, este Benfica, este estado de alma, este amor rouco que não nos cansamos de repetir mil vezes.

Fernando Alvim

IPASLB

  • Eusébio
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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:24
A bancada deles salta outra vez. Nem eles nem nós queremos acreditar. Quatro. Quatro - zero.
Por um momento calamo-nos todos e temos aqueles desabafos normais. Caramba, afinal é domingo à noite, podíamos estar sossegados em casa a ver um filme, e gastámos 10 euros para estar à chuva a ver o nosso emblema na lama.
Depois daqueles segundos de silêncio esmagador, dois ou três recompomo-nos e tentamos cantar. É quase impossível, é como levar tiros nas duas pernas e tentar andar, mas tem de ser. A raiva agoniza, mas tem mesmo de ser.
Pelo meu orgulho próprio, pelo Benfica... Sei que amanhã vou ser gozado, sei que me vou irritar com os títulos dos jornais, que vou receber mensagens de todos os meus amigos lagartos e tripeiros, que vou receber olhares de complacência de tudo e todos e até vou ver Benfiquistas (?) envergonhados.
Mas eu não quero estar envergonhado. Eu nunca me hei-de envergonhar do meu clube.
Há uma história (que para mim merece o título de lenda) de um rapaz que depois dos 7 em Vigo levou uma camisola a dizer "Nem que fossem 14..." para o jogo seguinte na Luz. Se ele um dia ler isto: estou contigo. em que fossem 14. Nem que fossem 1000. É nestas alturas que o cachecol tem que ir à rua, bem levantado, junto do nosso orgulho.
É nas alturas depois do 4-0, depois de vermos a bancada deles exultar (tal é o ódio que tudo e todos nos têm...), que temos de cantar mais e mostrar que somos orgulhosamente BENFICA.
Acho que é nestes dias que gosto mais disto e dos que ficam ao lado do emblema. Sem vergonhas, sem pesares, sem derrotismos inúteis.
Sou do Benfica e isso me envaidece, nem que leve 14."

Diário de um Ultra

IPASLB

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  • História e Futuro do SL&Benfica
  • 10 de Setembro de 2008, 20:25
É por não gostar de futebol que sou do Benfica. Tal como compreendo como é que há portugueses que conseguem ser de outros clubes.
O Sporting, o Porto podem jogar bem e o Belenenses e a Académica podem
calhar bem em sociedade, mas só o Benfica, como o próprio nome indica, é o próprio Bem. Que fica.

Só o Benfica pode jogar mal sem que daí lhe advenha algum mal.
Basta olhar para os jogadores para ver que sabem que são os maiores, que não precisam de esforçar-se muito, porque são intrínseca e moralmente a maior equipa do mundo inteiro.
Porquê?
Ninguém sabe. Mas sente-se. Quando perdem, não se indignam, não desesperam.

Eusébio só chorou quando jogou por Portugal.
Quem joga no Benfica tem o privilégio e o condão de estar sempre a sorrir.

Não conseguem resistir.

O Benfica, a bom ver, nem sequer é uma equipa de futebol. É um nome.
É, como dizem os brasileiros, uma "griffe". Têm uma cor. Antes de entrar em campo, já têm um mito em jogo, já estão a ganhar por 3-0, graças só à reputação.
Quando o Benfica perde, parece sempre que quis perder.
Essa é a força inigualável do Sport Lisboa e Benfica - faz sempre o que lhe apetece.

Qual é o segredo do Benfica? São os benfiquistas. São do Benfica como são filhos de quem são.
Ninguém "escolhe" o Benfica, como ninguém escolhe a Mãe ou o Pai.
Em geral, aliás, os benfiquistas odeiam o Benfica e lamentam-no no estádio e em casa, mas pertencem-lhe.
Quanto mais pertencemos a uma entidade superior, seja a Família, a Pátria, Deus - ou o Benfica - , mais direito temos de criticá-la e blasfesmá-la.
Não há alternativa.

Em contrapartida, os sportinguistas e portistas parecem genuinamente
convencidos de que apoiam as equipas deles porque são as mais dignas ou as melhores.
Desgraçados!
Se fossem coerentes, seriam todos adeptos do REAL MADRID, AC MILAN, etc, etc.

No Benfica, não se exige qualquer lealdade. Só se pede, em relação aos
adeptos de outros clubes, caridade e comiseração.
O Sporting, por exemplo, tem a mania e a pretensão de ser "rival" do
Benfica, um pouco como o PSN se julga crítico parlamentar do PSD.
Mas, se se tirasse o Benfica ao Sporting, o Sporting deixaria de existir.
O Benfica é um grande clube porque tem história e talento suficientes para não dar importância aos resultados.
Tem uma tradição de "nonchalance" e de pura indiferença que não tem igual
nos grandes clubes europeus.
O Benfica não joga - digna-se jogar.
Não joga para vencer - vence por jogar.

Odeio futebol.
Mas amo o Benfica.
As opiniões de quem gosta de futebol são suspeitas.
Claro que os sábios são do Benfica. Mas a força deste grande clube está nos milhões que são benfiquistas apesar do Benfica, apesar do futebol, e apesar deles próprios.
Em contrapartida, aposto que a totalidade de pessoas que são do Sporting ou do Porto, por infortúnio pessoal ou deficiência psicológica, são sócios.
A força do Benfica, meus amigos, está em quem não paga as quotas, que não vai a jogos, quem não sabe o nome dos avançados - isto é, no resto do mundo.
O Benfica, é o Benfica.
E o que tem de ser - e é - tem muita força.

Miguel Esteves Cardoso


V: Ainda sonha com a guerra?
ALA: Às vezes tenho um pesadelo tremendo. Sonho que me estão a chamar para voltar para África. Tento explicar que já fui, argumentam que tenho que ir. E o sonho acaba aqui. Nunca sonhei com tiros ou com morteiradas. No meio daquilo tudo havia muito humor. Havia um homem, o Bichezas, que cuidava do morteiro que estava ao pé da messe. Tínhamos mais medo dele do que do MPLA porque o Bichezas disparava com o morteiro na vertical. Aquilo subia... e toda a gente fugia. Apesar de tudo, penso que guardávamos uma parte sã que nos permitia continuar a funcionar. Os que não conseguiam são aqueles que, agora, aparecem nas consultas. Ao mesmo tempo, havia coisas extraordinárias. Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques.

V: Parava a guerra?
ALA: Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem nascidos. Eu até percebo que se dispare contra um sócio do Porto, mas agora contra um do Benfica?

V: Não vou pôr isso na entrevista...
ALA: Pode pôr. Pode pôr. Faz algum sentido dar um tiro num sócio do Benfica?

António Lobo Antunes

IPASLB

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  • 10 de Setembro de 2008, 20:26
quem quiser postar mais sobre o que e ser do sl benfica,nos agradecemos. O0 :slb2:

hugo1904

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  • 10 de Setembro de 2008, 20:28
Mozer, em "Pela Mística Dentro"

 

 

 

 

 

"É preciso sair do país para enxergar o prestigio e o tamanhão do Benfica em

todo o mundo. Estive três anos em frança, no Marselha, joguei num estádio

fantástico, o Vélodrome, convivi com grande jogadores como Papin e Waddle,

mas o Benfica estará sempre no meu pensamento.

 

Os meus companheiros de equipa não percebiam muito o meu entusiasmo pelo

clube, já que sabiam pouco do futebol português, embora reconhecendo o

tremendo historial do Benfica.

 

 

 

Durante os primeiros tempos tive de aturar os comentários de Papin, logo

desde o inicio, sempre que jogávamos em casa.

 

Uns dias antes de cada jogo, o Papin chegava para mim e me dizia:

"Mozer, vais ver o que é um estádio cheio e um ambiente terrível."

Terrível para os outros. Não sei se o se o Papin dizia isso para me

intimidar, já que era novo no clube e não percebia muito daquela conversa.

Mas para mim, sempre pensava: "Este cara precisava de jogar no Maracanã ou

no estádio da Luz, cheios." Era o que eu pensava.

 

 

 

Até que, na taça dos campeões, nas meias-finais, o Benfica calhou no caminho

do Marselha. Fiquei, ao início, desgostoso, porque ia defrontar o meu

Benfica, o clube que os meus companheiros sabiam que eu adorava. Me lembro

de Sauzée, o meu zagueiro do lado me ter

perguntado: "Você vai estar em condições de jogar contra o Benfica?"

Aí, senti que beliscavam o meu profissionalismo. Nos dois, jogos joguei a

duzentos por cento.

 

Depois do primeiro jogo, em Marselha, uns dias antes de jogarmos na Luz,

virei para o Papin e lhe perguntei: " Papin, voçê quer mesmo ver o que é um

estádio cheio, com 120 mil a gritar todos para o mesmo lado?" Engraçada a

reacção do Papin: "Voçê, está querendo me meter medo, Mozer?" Não estava não

e por isso lhe disse para esperar para ver. E já agora, tremer. Pois bem,

chegou o dia, chegámos no estádio da Luz e fomos logo indo para os

balneários. Muitos risos, muita convicção de que íamos jogar a final da Copa

dos Campeões. Lembro até que Tapie disse aos jornalistas franceses que lhe

podiam chamar de Bernardette se o marselha perdesse a eliminatória.

 

 

 

Antes de subirmos ao relvado, para o aquecimento, Papin ainda troçou de mim,

dizendo que estava  já "tremendo de medo". E ria-se bastante.

 

 

 

Os jogadores foram saindo do balneário e eu atrasei um pouco, porque estava

colocando uma ligadura no tornozelo. Quandio cheguei perto do túnel de

acesso ao estádio, começo a ver os meus companheiros, compeletamente

assustados e todos do lado de dentro, não querendo entrar. Só depois percebi

que, nessa altura o Eusébio foi chamado ao relvado para receber uma

homenagem e foi aí que o estádio quase vinha abaixo. Logo no momento em que

os meus companheiros do Marselha se preparavam para entrar. Claro que

voltaram atrás assustados e me

perguntado: "O que era aquilo?".

 

Aquilo respondi eu, é o INFERNO DA LUZ. Aí todos me começaram a me dizer

para ser eu o primeiro a avançar, subi as escadas, entrei no relvado, não

fui mal recebido e quando olhei para trás, estava sózinho. Espreitando, à

saida da escadaria estavam alguns dos meus companheiros do marselha, ainda

com um olhar de medo e só nessa altura começaram a entrar. No regresso às

cabinas, perguntei a Papin: "Já sabes agora o que é um estádio cheio e um

grande ambiente?" A resposta, nunca mais a esqueci: "Mozer, nunca vi uma

coisa destas.

Tudo isto é incrível. Sempre tiveste razão, o Benfica é ENORME!"

Naquela noite, o Marselha perdeu, fiquei triste mas senti orgulho pelo

Benfica. E já agora, naquele balneário, fui o único a ter uma vitória.

 

Foi uma vitória moral, sobre aqueles que não acreditavam na grandeza do

Benfica."

 

 

 

 José Carlos Mozer


ARREPIANTE!!!
Estou ansioso que a Mística chegue a minha casa pra ver o texto na intriga

Allen76Iverson3

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  • 11 de Setembro de 2008, 12:12
Com este não se facilitava!! O Jardel marcou muitos golos em Portugal? Marcou muitos golos ao Benfica?? Porque nunca jogou contra o Mozer...

E mais não digo...