Avançado, 1930-09-09 - 2000-12-11)
Portugal
Stats: 13 épocas, 26 jogos (2340 minutos), 29 golos
Títulos: Campeonato Nacional (5), Taça de Portugal (7), Taça dos Campeões Europeus (2)

9274 - Tópico: José Águas, o Capitão dos Campeões  (Lida 76906 vezes)

Jonex

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  • 09 de Novembro de 2008, 21:49

uma das minhas imagens favoritas, ate sempre... :'(

Imagem Mitica do NOSSO ETERNO CAPITÃO!

Corrosivo

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  • 10 de Novembro de 2008, 11:09

uma das minhas imagens favoritas, ate sempre... :'(

O sorriso do tamanho do Mundo. Um sorriso eterno para milhões de Benfiquistas

quinas1139

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Fonte - ABOLA: "100 figuras do futebol português"

José Águas
Natural do Lobito (Angola) — 9 de Setembro de 1930


O pai chamava-se Raul. Era daqueles homens que foram para o Sul de Angola em busca de horizontes mais largos para a vida e logo se apaixonaram pela terra quente sempre a cheirar a sonho. Trabalhava muito, não lhe faltando tempo para se dedicar ao boxe.
Para criar a prole, a mãe, que tão cedo enviuvara, teve de pedir sacrifícios aos filhos. Por isso, aos 15 anos, José Águas empregou-se como dactilógrafo na Robert Hudson, empresa de venda de automóveis Ford. Para a equipa de futebol da companhia entrou de imediato, que havia muito que o jeito se lhe notara. Pouco depois estava a jogar no Lusitano do Lobito.
Os seus ídolos eram, então, Rogério e Julinho. O Benfica uma parte de si, do seu coração. Por isso, quando os benfiquistas ganharam a Taça Latina mandou comprar um poster da equipa, que, garbosamente, afixou no seu gabinete de trabalho. Não imaginara, sequer, que pouco depois jogaria com eles. Mais: que lhes ganharia.
Após a conquista da Taça Latina o Benfica partiu em digressão por Angola. Ao Lobito foi jogar com uma selecção do distrito. Quando soube que fora um dos seleccionados para defrontar o Benfica José Águas ficou por minutos em silêncio — como se tivesse descoberto o caminho para um paraíso qualquer e isso lhe arrebatasse a voz. Imagine-se, então, o que sentiria naqueloutra tarde mágica em que a sua equipa bateu o Benfica por 3-1, com dois golos seus, e os dirigentes benfiquistas lhe pediram, entusiasmados, que passasse pelo hotel onde estavam hospedados, ao fim do dia. O F. C. Porto acenara-lhe com convite para testes na Constituição. Pagavam-lhe as passagens de Angola a Portugal. Poderia vir de férias. O canto da sereia não o empolgou. Ainda se fosse o Benfica... Por delicadeza respondera com uma desculpa esfarrapada, prometendo que talvez no ano seguinte. Mas quando Francisco Retorta lhe perguntou se gostaria de jogar no Benfica, José Águas vibrou como se tivesse ganho a lotaria. Assinou logo contrato e pelo Benfica jogou os restantes jogos na digressão angolana. Chegou à Portela a 18 de Setembro de 1950, estreando-se a 24, contra o Atlético. Não foi promissora a estreia. «Quando me deram as botas com pitons foi uma surpresa. Nunca tinha visto tal. Só com travessas. E bem mais surpreendente foi jogar na relva. «Senti-me tão pequenino e tão desorientado que tive vontade de chorar e de pedir que me tirassem dali, que me mandassem de volta ao Lobito.» Jogou mal. Mas oito dias volvidos, com quatro golos ao Braga, conquistou, definitivamente, o coração dos benfiquistas. O Benfica ganhou por 8-2 e nesse dia mostrou à saciedade e à sociedade o jogador que de facto era — não um daqueles arietes que tentavam furar a defesa adversária em jeito de cunha, valendo-se para o efeito dos seus recursos físicos, mas um avançado-centro habilidoso, com uma extraordinária souplesse de movimentos e um poder de salto que lhe permitia chegar (tantas vezes com sucesso) às bolas altas em pleno coração da área.
Nesse tempo Águas ainda não bebia vinho. Por isso os companheiros chamavam-lhe... Águas do Castelo. Gostava de ir para os jogos de chapéu de aba alta. Um dia, antes de uma partida com o Sporting, os colegas queimaram-no, no balneário. Eram as tradicionais partidas ao caloiro.

As garrafas de vinho verde...

Trabalhou com Otto Glória, trabalhou com Béla Guttmann. Talvez o austro-húngaro tenha despertado em si maiores fascínios. Apesar da sua fama de treinador sempre de chicote na mão. A propósito desse jeito quase pretoriano de comandar homens, uma história deliciosa, pouco antes daquele dia de sonho em que José Águas se tornaria o primeiro português a tocar, com os olhos humedecidos de emoção, na Taça dos Campeões. O Benfica, ainda sem Eusébio, ganhara ao Ujpest, que representava meia selecção magiar, por 6-2. Mas Guttmann apenas permitiu que os seus pupilos deixassem o estágio no outro dia às oito da manhã, dizendo que para se ser campeão da Europa eram precisos muitos sacrifícios. Como nenhum director se encontrava, então, no Lar dos Jogadores, José Águas, na sua condição de capitão de equipa, pediu ao mordomo que mandasse buscar uns borrachinhos para uma petiscada, que na terça-feira contaria tudo a Guttmann. Encomenda feita, vieram os pombinhos e... seis garrafas de vinho verde. «Depois de comer tivemos o cuidado de embrulhar os ossinhos, tudo muito bem arrumadinho. As garrafas vazias ficaram em cima do armário. E aí é que foi o diabo! Sempre a tomar conta da situação, às sete da manhã do dia seguinte virei-me para o Cavém, que usava um malão para transportar os equipamentos, e pedi-lhe que metesse as garrafas no saco e as levasse para casa. Mas ele, de tão ensonado, esqueceu-se. Na terça-feira, Guttmann perguntou-me o nome dos jogadores que haviam estado na festança e avisou logo que estavam multados em mil escudos. E ficou pior quando soube que o Cruz, de quem ele gostava muito, também fazia parte do rol. Ele, eu, o José Augusto, o Cavém e o Costa Pereira. Por mais que lhe jurasse que lhe contaria tudo, não perdoou um tostão à multa. Depois de muito suplicar, apenas aceitou que o castigo não ficasse afixado no placard, para que os miúdos não vissem. Mas nenhum de nós lhe levava a mal ser assim. Porque sabíamos todos que o que Guttmann queria era a glória do Benfica e o sucesso de todos nós.»

«Doping» era... brande

De Béla Guttmann se foi dizendo, pelo tempo fora, que, mais que o controlo policial até dos sentimentos dos jogadores, o seu sucesso se fazia, perversamente, através de doping dissimulado em chávenas de chá quente. Para José Águas isso são mentiras mil vezes repetidas até parecerem verdades falsas. «Ainda hoje seria capaz de pôr as mãos no fogo por Guttmann. As nossas vitórias são limpas, limpas como a água mais pura. O nosso doping era outro... Por exemplo, antes da final com o Barcelona, quando ganhámos a primeira Taça dos Campeões, tive um descuído, a sonhar, depois de 11 dias em estágio sem relações sexuais.. Desabafei com o médico do Benfica, Sousa Pinho, que me disse que falasse com ele antes do jogo. Assim fiz. Levou-me ao bar e mandou vir um café e um brande. Foi o meu doping...»

Não gostava de jogar à bola...


Depois das vitórias de Berna e Amesterdão, ambas como capitão de equipa, José Águas ainda esteve, em 1963, em Londres, na terceira final consecutiva do Benfica na Taça dos Campeões Europeus. Guttmann já lançara a maldição e Riera fora a primeira vítima disso. Contra o Milan, o chileno decidiu lançar José Torres em vez de Águas, que assim, com alguma surpresa, foi para o banco de suplentes. «Algum tempo depois Riera pediu-me desculpa por não me ter colocado a jogar. Disse-lhe que quando me afastou da equipa já tinha contrato para ir para a Áustria, onde ganharia umas centenas largas de contos e até ficaria satisfeito com os golos de Torres. Era verdade, era a voz do meu coração de benfiquista, mas Fernando Riera parece não ter ficado muito convencido...»
Da Áustria voltou mais rico. Ainda foi para o Atlético. Como treinador. E, com Matateu na sua equipa, conquistou o título de campeão nacional da II Divisão. Mas não quis seguir a carreira de treinador por muito mais tempo. Preferiu continuar vendedor de automóveis. Aliás, não foi muito de admirar, já que, no seu período áureo, confidenciara que vestia o equipamento de futebolista com «o mesmo espírito com que um operário veste o facto-macaco», porque era assim que ganhava dinheiro e porque «não gostava de jogar à bola».

quinas1139

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  • 25 de Janeiro de 2009, 01:03
Acabo de comprar este livro sobre o Jose Aguas -
 
José Águas - Capitão dos Campeões

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Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 208
Editor: Sete Caminhos
Suporte: Livro

Corrosivo

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  • 25 de Janeiro de 2009, 19:54
Grande post Quinas.

Este jogador é daqueles que fizeram do Benfica um clube mítico e Glorioso

quinas1139

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  • 26 de Janeiro de 2009, 02:30
Grande post Quinas.

Este jogador é daqueles que fizeram do Benfica um clube mítico e Glorioso

E verdade, foi um grande jogador e sem ele o Benfica nunca mais ganhou uma Taça dos Campeões Europeus.

Manel dos Anzois

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  • 10 de Março de 2009, 04:13

 
IMORTAL!

Lordlothar

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  • Tenho de Acreditar, SOU DO BENFICA. Força Benfica!!!!!!!!!!
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  • 10 de Março de 2009, 04:33

Ferreira29

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  • 10 de Março de 2009, 08:58
Pois, Imortal...

Começa a nova guerra :)

bda9

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  • 12 de Março de 2009, 11:35
Sem dúvidas, o eterno capitão.

Subsultans Papaver

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  • 23 de Março de 2009, 04:31
Eterna saudade, eterno capitão!

 :cry2:

ismo

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  • 03 de Maio de 2009, 11:54
2.º Melhor marcador do Benfica para o Campeonato:

Nome: José Pinto Carvalho Santos Águas
Data de nascimento: 9 de Setembro de 1930, em Luanda (Angola)
Data de falecimento: 10 de Dezembro de 2000
Campeonato Nacional: 5 títulos (54/55, 56/57, 59/60, 60/61, 62/63)
Taças de Portugal: 7 vitórias (50/51, 51/52, 52/53, 54/55, 56/57, 58/59 e 61/62)
Taça dos Campeões Europeus: 2 vitórias (60/61 e 61/62)
Selecção Nacional: 25 jogos / 11 golos
Competições Europeias: 21 jogos / 18 golos

Carreira na Liga:

1950/51: 19 jogos e 23 golos - 3.º Classificado
1951/52: 22 jogos e 28 golos - 2.º Classificado
1952/53: 25 jogos e 25 golos - 2.º Classificado
1953/54: 18 jogos e 23 golos - 3.º Classificado
1954/55: 26 jogos e 20 golos - 1.º Classificado
1955/56: 26 jogos e 28 golos - 2.º Classificado
1956/57: 25 jogos e 30 golos - 1.º Classificado
1957/58: 22 jogos e 22 golos - 3.º Classificado
1958/59: 24 jogos e 26 golos - 2.º Classificado
1959/60: 25 jogos e 18 golos - 1.º Classificado
1960/61: 23 jogos e 27 golos - 1.º Classificado
1961/62: 22 jogos e 18 golos - 3.º Classificado
1962/63: 04 jogos e 02 golos - 1.º Classificado

Total: 281 jogos / 290 golos

Um avançado extraordinário, senhor de elegância absolutamente fora do comum. Mais do que um dos melhores cabeceadores de sempre em Portugal, José Águas é um jogador de época, bicampeão europeu e ídolo absoluto do Benfica. Foi ele o primeiro Português a levantar a Taça dos Campeões. Apontou o golo número 1500 da Liga. Para a eternidade fica a imagem dele com a Taça dos Campeões na mão. Um símbolo encarnado e um dos melhores pontas-de-lança de sempre.

Fonte: Jornal Record de 3 de Novembro de 2008.

Este post devia ser juntado ao primeiro, para se ver logo os títulos conquistados e golos marcados, digo eu..

rambo

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  • Um amigo é uma só alma morando em dois corpos.
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  • 16 de Maio de 2009, 07:27
A grandeza e prestigio do Benfica muito deve a jogadores como este. Tive a felicidade de ver muitos jogos do Jose Aguas, o "cabecinha d'ouro" como o alcunhavam. Que saudades ...

carlutchi

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  • Idanha/Belas
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  • Com saudades do Benfica á Benfica.
  • 27 de Maio de 2009, 07:33
O filho tinha que sair a alguém, um imortal sem dúvida no nosso Glorioso.

Corrosivo

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  • 10 de Junho de 2009, 09:27
O filho tinha que sair a alguém

em caracter não me pareceu que o filho saisse ao pai