Portugal

Martins havia sido o guarda-redes dos anos 40. Para o substituir, já no poente da carreira, perfilaram-se Pinto Machado e Contreiras. Revezaram a titularidade, durante duas temporadas (47/48 e 48/49). Quando no começo da década de 50, emergiu um terceiro guardião, de nome Rosa, talvez não se prognosticasse que o novel reforço Bastos pudesse ganhar a corrida. Mas assim foi. Durante jogos a fio, com Rosa, Furtado, Bráulio ou Sebastião relegados para o banco das opções.

Entrou no Benfica numa época dourada. Que o foi também pelo seu inestimável contributo. A Taça Latina passava a ser objecto de culto na sala de troféus do clube. Foi em 49/50. Com Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário. Nos tempos do WM, no seu apogeu. Houve finalíssima e tudo. Tudo? Tudo não, mais dois prolongamentos ainda. Ao minuto 134, Julinho sentenciou, fez o 2-1. Com letra pequena, escrevia-se Girondinos de Bordéus. Em caixa alta, Benfica. Era o primeiro grande titulo internacional. Bastos bravo havia sido.

Intocável no seu posto, assim percorreu os quatro anos seguintes. Com três Taças de Portugal para festa fazer. Académica (5-1), Sporting (5-4) e FC Porto (5-0), na passarela estiveram do aparatoso desfile de graça vermelha. Já o Campeonato, esse, foi-se escapando. Por algum motivo, ainda na actualidade, badalados são os méritos dos Cinco Violinos do Sporting. “O Zé era um guarda-redes muito calmo, nada o perturbava, nada lhe causava intimidação; sem grande elasticidade, era sóbrio, abominava dar espectáculo, fazer defesas para a fotografia; não me lembro de ter sofrido um golo após ressalto, ele adivinhava a trajectória da bola”, no raio x do jornalista Alfredo Farinha.

Nas épocas de 54/55 e 55/56, perdeu a titularidade para o novo recruta Costa Pereira. No biénio imediato, a sub-rogação, outra vez primeiro foi. As hostes benfiquistas dividiam-se. Para uns, Bastos; para outros, Costa Pereira. Ganharia a juventude à experiência. Assim aconteceu no termo da década de 50, vivia-se o limiar das subjugantes exposições internacionais do Benfica.

José Bastos ainda hoje integra a meia centena de jogadores mais utilizados na vida do clube. Aproximou-se dos 200 jogos oficiais, com saldo de três Campeonatos, cinco Taças de Portugal e uma Taça Latina. E aquele pequeno-grande detalhe, da humildade. Que mais valorizava o aprumo e a categoria com que subiu a escadaria principal de acesso ao salão nobre das glórias benfiquista.



Épocas no Benfica: 11 (49/59 e 60/61)

Jogos: 196


Títulos: 3CN, 5 TP,1 Taça Latina

Texto: Memorial Benfica, 100 Glórias
Copiado de Ednilson

Primeiro jogo

Domingo, Março 12, 1950 - 00:00

Campo Grande (Estância de Madeira) ,

SL Benfica: José Bastos, Joaquim Fernandes, Félix, Jacinto, Rosário, Rogério Pipi, Francisco Moreira, Francisco Ferreira, Diamantino, Teixeira, Arsénio
Treinador: Ted Smith
Golos: Rogério Pipi (75), Diamantino (85), Arsénio (34), Arsénio (38)

Último jogo

Domingo, Julho 19, 1959 - 00:00

Nacional do Jamor ,

SL Benfica: José Bastos, Serra, Artur Santos, Mário João, Cavém, Coluna, Francisco Palmeiro, Alfredo Abrantes, José Águas, Neto, Santana
Treinador: José Alberto Valdivieso
Golos: Cavém (1)

37748 - Tópico: José Bastos  (Lida 11304 vezes)

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Nome Completo: JOSÉ de BASTOS
Posição: Guarda-Redes
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 17-10-1929
Número da Camisola: 1
Pé Preferido: Direito



Épocas ao serviço do Benfica: 12
Total de Jogos pelo Benfica: 197
Total de Golos Sofridos pelo Benfica: 206
Títulos pelo Benfica:
1 Taça Latina (1949/1950)
3 Campeonatos Nacionais (1949/1950; 1954/1955; 1956/1957)
5 Taças de Portugal (1950/1951; 1951/1952; 1952/1953; 1956/1957; 1958/1959)


1949/1950
Jogos: 9
Golos Sofridos: 14 (10 na Liga)

1950/1951
Jogos: 24
Golos Sofridos: 34 (26 na Liga)

1951/1952
Jogos: 31
Golos Sofridos: 36 (26 na Liga)

1952/1953
Jogos: 33
Golos Sofridos: 34 (27 na Liga)

1953/1954
Jogos: 26
Golos Sofridos: 38 (31 na Liga)

1954/1955
Jogos: 3
Golos Sofridos: 1 (1 na Liga)

1955/1956
Jogos: 2
Golos Sofridos: 4 (0 na Liga)

1956/1957
Jogos: 31
Golos Sofridos: 27 (25 na Liga)

1957/1958
Jogos: 32
Golos Sofridos: 23 (15 na Liga)

1958/1959
Jogos: 5
Golos Sofridos: 2 (0 na Liga)

1959/1960
Jogos: 0
Golos Sofridos: 0

1960/1961
Jogos: 1
Golos Sofridos: 0
« Última modificação: 12 de Outubro de 2013, 15:50 por Shoky »

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Benfica 3-1 Sp.Covilhã | Taça de Portugal 1956/57


« Última modificação: 20 de Abril de 2013, 18:35 por Shoky »

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José Bastos. 17 de Outubro de 1929. Guarda-redes.
Épocas no Benfica: 11 (49/59 e 60/61). Jogos: 196. Titulos: 3 (Campeonato Nacional), 5 (Taça de Portugal) e 1 (Taça Latina).
Outros Clubes: Atlético e Beira Mar.




Equipa 1950/1951

Martins havia sido o guarda-redes dos anos 40. Para o substituir, já no poente da carreira, perfilaram-se Pinto Machado e Contreiras. Revezaram a titularidade, durante duas temporadas (47/48 e 48/49). Quando no começo da década de 50, emergiu um terceiro guardião, de nome Rosa, talvez não se prognosticasse que o novel reforço Bastos pudesse ganhar a corrida. Mas assim foi. Durante jogos a fio, com Rosa, Furtado, Bráulio ou Sebastião relegados para o banco das opções.

Entrou no Benfica numa época dourada. Que o foi também pelo seu inestimável contributo. A Taça Latina passava a ser objecto de culto na sala de troféus do clube. Foi em 49/50. Com Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário. Nos tempos do WM, no seu apogeu. Houve finalíssima e tudo. Tudo? Tudo não, mais dois prolongamentos ainda. Ao minuto 134, Julinho sentenciou, fez o 2-1. Com letra pequena, escrevia-se Girondinos de Bordéus. Em caixa alta, Benfica. Era o primeiro grande titulo internacional. Bastos bravo havia sido.

Intocável no seu posto, assim percorreu os quatro anos seguintes. Com três Taças de Portugal para festa fazer. Académica (5-1), Sporting (5-4) e FC Porto (5-0), na passarela estiveram do aparatoso desfile de graça vermelha. Já o Campeonato, esse, foi-se escapando. Por algum motivo, ainda na actualidade, badalados são os méritos dos Cinco Violinos do Sporting. “O Zé era um guarda-redes muito calmo, nada o perturbava, nada lhe causava intimidação; sem grande elasticidade, era sóbrio, abominava dar espectáculo, fazer defesas para a fotografia; não me lembro de ter sofrido um golo após ressalto, ele adivinhava a trajectória da bola”, no raio x do jornalista Alfredo Farinha.

Nas épocas de 54/55 e 55/56, perdeu a titularidade para o novo recruta Costa Pereira. No biénio imediato, a sub-rogação, outra vez primeiro foi. As hostes benfiquistas dividiam-se. Para uns, Bastos; para outros, Costa Pereira. Ganharia a juventude à experiência. Assim aconteceu no termo da década de 50, vivia-se o limiar das subjugantes exposições internacionais do Benfica.

José Bastos ainda hoje integra a meia centena de jogadores mais utilizados na vida do clube. Aproximou-se dos 200 jogos oficiais, com saldo de três Campeonatos, cinco Taças de Portugal e uma Taça Latina. E aquele pequeno-grande detalhe, da humildade. Que mais valorizava o aprumo e a categoria com que subiu a escadaria principal de acesso ao salão nobre das glórias benfiquista.


Tópico: Memorial Benfica, Glórias
Autor: Ednilson
Link: http://serbenfiquista.com/forum/index.php?topic=22362.30
« Última modificação: 20 de Abril de 2013, 18:35 por Shoky »

Shoky

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  • 17 de Outubro de 2009, 13:49
Imortal...claro!

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  • 17 de Outubro de 2009, 14:10
Imortal...claro!

 O0

Eu evito criar tópicos na secção dos Imortais.

Arranjas as estatisticas?

Shoky

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  • 17 de Outubro de 2009, 14:21
Vamos ver...a seu tempo!
Claro que se arranja...como para todos!
Mas guarda redes é mais dificil...e é preciso tempo! O0

andre_04_SLB

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  • 18 de Outubro de 2009, 21:41
Nome Completo: José Bastos
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Épocas completas no Benfica: 11
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Eagle Fly Free

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  • 18 de Outubro de 2009, 21:56
O Bastos faz parte de uma geração fantástica do futebol português, sobretudo naquela primeira metade da década de 1950. E a Taça Latina prometia muito...
 
Infelizmente, o futebol português tardou em desenvolver-se... como sempre... :(
 
Só a década de 1960 beneficiou da revolução operada em meados dos anos 1950: estádios, treinos, psicologia...
 
É um mito considerar-se que Portugal só teve duas ou três boas gerações de jogadores...

XHITA

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  • 19 de Outubro de 2009, 11:03
Obrigado André.  O0

Dixi

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  • 30 de Abril de 2010, 00:29




pcssousa

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  • 02 de Fevereiro de 2011, 10:14
Era ainda um guarda-redes em fase de amadurecimento quando teve pela frente, logo na sua primeira temporada como jogador do Benfica e por lesão do titular Rogério Contreiras, o desafio de defender a baliza encarnada na Taça Latina de 1950.

Jogou os três jogos - um com a Lazio e dois com o Bordéus -, lançando desse modo uma fortíssima candidatura ao lugar para os anos 50. José Bastos viveu então o dilema da concorrência de Costa Pereira, que surgiu em cena a meio da viagem.

A rotação entre ambos foi constante - em 1955/56 não jogou, em 1956/57 foi titular absoluto e 1957/58 fez 20 dos 26 jogos do campeonato.

Guarda-redes de enorme potencial, acabou por ceder face à maior insistência na aposta no rival interno. De qualquer modo, abandonou o Benfica ao fim de uma ligação de dez anos, com 145 jogos na máxima competição do futebol português.

Não resistiu à chegada de Bela Guttmann, que, até para dar mais tranquilidade a Costa Pereira, o considerou dispensável. Foi então emprestado ao Atlético.

Os regressos à Luz

Quando Bastos regressou à Luz pelo Atlético, Guttmann disse ao dirigente Gastão Silva que queria aquele guarda-redes - o velho treinador não o reconheceu depois de o ter dispensado.

Bastos foi ainda adversário na estreia de Eusébio, a 23 de Março de 1960, no jogo de reservas ganho pelo Benfica por 4-2, com três golos do "Pantera Negra".

http://www.record.xl.pt/Futebol/Nacional/1a_liga/Benfica/interior.aspx?content_id=184223

Bastos, imortal do Benfica!

Shoky

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  • 17 de Fevereiro de 2011, 02:08


Nome Completo: JOSÉ de BASTOS
Posição: Guarda-Redes
Nacionalidade: Português (Internacional A)
Data de Nascimento: 17-10-1929
Número da Camisola: 1
Pé Preferido: Direito



Épocas completas no Benfica: 10
Total de Jogos pelo Benfica: 196
Total de Golos Sofridos pelo Benfica: 206
Títulos pelo Benfica:
1 Taça Latina (1949/1950)
3 Campeonatos Nacionais (1949/1950; 1954/1955; 1956/1957)
5 Taças de Portugal (1950/1951; 1951/1952; 1952/1953; 1956/1957; 1958/1959)


1949/1950
Jogos: 9
Golos Sofridos: 14 (10 na Liga)

1950/1951
Jogos: 24
Golos Sofridos: 34 (26 na Liga)

1951/1952
Jogos: 31
Golos Sofridos: 36 (26 na Liga)

1952/1953
Jogos: 33
Golos Sofridos: 34 (27 na Liga)

1953/1954
Jogos: 26
Golos Sofridos: 38 (31 na Liga)

1954/1955
Jogos: 3
Golos Sofridos: 1 (1 na Liga)

1955/1956
Jogos: 2
Golos Sofridos: 4 (0 na Liga)

1956/1957
Jogos: 31
Golos Sofridos: 27 (25 na Liga)

1957/1958
Jogos: 32
Golos Sofridos: 23 (15 na Liga)

1958/1959
Jogos: 5
Golos Sofridos: 2 (0 na Liga)


Actualizado este Monstro do Benfica.
Que trabalheira me deu...

pcssousa

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  • 17 de Fevereiro de 2011, 10:32
Um falecido ex-GR que representou o nosso Benfica: Pinto Machado, disse-me que para ele o Bastos foi o melhor GR que jamais viu no Benfica... retorqui-lhe: "então e Costa Pereira? Zé Gato? Bento? Preud'homme?" repondeu: "Nah, foi o bom do Zé, não imaginas a coragem que era preciso para fazer o que ele fazia num pelado"...

Shoky

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  • 17 de Fevereiro de 2011, 16:44
E sem luvas...

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