22362 - Tópico: (actualizado) Memorial Benfica, Glórias  (Lida 166032 vezes)

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  • 28 de Janeiro de 2008, 13:37

ednilson

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  • 28 de Janeiro de 2008, 20:17
Artur Jorge Braga Melo Teixeira. Porto. 13 de Fevereiro de 1946. Avançado.
Épocas no Benfica: 6 (69/75). Jogos: 130. Golos: 103. Títulos: 4 (Campeonato Nacional) e 2 (Taça de Portugal).
Outros Clubes: FC Porto, Académica, Belenenses e Ronchester Lancers. Internacionalizações: 16. Treinador do Benfica em 1994/95 e 1995/96.




Equipa 1972/1973 – Artur Jorge, entre Eusébio e Jordão

“Vértice de Água” escreveu. Vértice da controvérsia foi. Não como jogador, exímio da finalização, mas como técnico, daqueles que chegam com aura sebastiânica e se despedem sem glória. Incontornável é e será Artur Jorge. Filho adoptivo da família benfiquista.

Nasceu em Fevereiros de 1946, na Clínica da Lapa, no Porto. Poucos meses antes de ter sido testado com êxito um dispositivo que iria mudar as nossas vidas, o transístor, anos mais tarde responsável também pela projecção de um dos mais fies discípulos da doutrina do golo. Cedo nele se revelou insaciável o apetite pelo jogo. Que o pai, empregado comercial, até viria a estimular. Comprou-lhe mesmo uma bola de borracha, obrigando-o a exercitar o pé esquerdo, pois dextro apenas não poderia ser.

Vanguardista, Artur Jorge fundou o Centro Académico Futebol Clube, resolvendo o bicudo problema dos equipamentos com o socorro da Mocidade Portuguesa. Para trás ficavam as disciplinas de vólei e do basquetebol. Depois do Torneio Popular Juvenil do Porto, melhor jogador foi, perfilhou as insígnias do Académico, popular agremiação da Carvalhosa. Num ápice, às Antas chegou, pela mão de José Maria Pedroto. Foi campeão nacional júnior e, na Holanda, ajudou ao terceiro lugar da selecção no Torneio Internacional da UEFA.

À equipa de honra do FC Porto chegou, já com Otto Glória. Havia nele proficiência, não fosse o anátema das lesões e outro galo cantaria. Estudava à noite, com explicadores pagos pela conta-corrente azul e branca, ele que não relaxava no propósito de se licenciar. Com o ingresso de Manuel António nas Antas, Artur Jorge transferiu-se para a Lusa Atenas, fazia-se jogador da Académica, que “mais do que um clube é uma causa”, haveria de escrever José Afonso.

Com livros de Descartes, Nietzsche, Kant e Sartre, debaixo do braço, outros vultos começou a estudar, aqueles que ao domingo atenuavam a perversidade do regime, dando alegria ao provo. Foi no que se tornou também. Marcou golos, muitos golos. Mais do que ele, por essa altura, só no Benfica Eusébio e Torres. Deixou a Académica em segundo lugar no Campeonato, palmo a palmo disputado, em 66/67, com o gigante da Luz. No auge da crise académica de 69, sopravam os ventos do Maio francês, Artur Jorge foi impedido de participar na final da Taça, com o argumento pateta de que  primeiro estava o serviço militar. Nesse jogo, que só politicamente preparou, por ironia o poder era…..vermelho. Ganhou o Benfica (2-1), com camadas de estudantes nas bancadas do Jamor, destemidamente exibindo cartazes contra a guerra colonial e pelas liberdades cívicas e democráticas.

Artur Jorge assinou de vermelho no inicio da temporada seguinte, após ter estabelecido um acordo informal com o Sporting. Perdeu dinheiro, mas jogar ao lado de Eusébio estimulava-lhe a alma. No primeiro ano, sentiu dificuldades para se afirmar no ninho da águia. Já históricas foram as duas temporadas seguintes (70/71 e 71/72), as da equipa-maravilha, conquistando outras tantas Bolas de Prata, troféus atribuídos por “A Bola”, ao melhor artilheiro do campeonato. Tinha um jogo inteligente, de recorte elevado, talvez percursor do “pontapé de moinho”, feliz classificativo para aquele seu gesto mais característico. Não raras vezes, escapava ao senso comum e aparecia numa nesga a farejar o golo. Era glamoroso.



No final de 72, integrou a Selecção Nacional, que embaixada benfiquista mas parecia, na Minicopa, por terras brasileiras disputada. Conquistada a titularidade, protagonizou grande campanha, ao serviço de um colectivo que só morreu, mas de pé, no desafio final, perante o país organizador. “O Eusébio vai recuperar; ele não é um homem com os outros, por isso…..”. Por  isso jogou, frente ao Brasil, ao lado do Pantera Negra, inferiorizado devido a uma lesão. Por isso também, se calhar não ganhou Artur Jorge importante troféu.

Atravessou o 25 de Abril no Benfica. Degenerava um tanto, futebolisticamente, porque as lesões o apoquentavam. Só a um dos joelhos foi operado cinco vezes. Um calvário que o subalternizou até à despedida da Luz. Ainda jogou no Belenenses, com o revolucionário estatuto de trabalhador-futebolista. Durante o dia, sentava-se na secretária da Direcção-Geral dos Desportos; à noite, exercitava-se no Restelo. Eram os tempos das lutas sindicais. Presidente do órgão representativo dos jogadores seria. Ouros golos marcou, em defesa da classe, da sua honradez e dignidade.

Já campeão europeu pelo FC Porto, de resto o único treinador português a garantir esse desiderato – até ser imitado por José Mourinho, quase 20 anos depois -, voltou ao Benfica, substituindo o campeão Toni, no dealbar de 94/95. A herança pesou-lhe como chumbo, erros terá cometido, ingratidões várias vitimaram-no. Não foi, longe disso, como técnico o que havia sido como atleta. Daí que o dr. Artur Jorge, grande senhor da bola, entre na história centenária pelo lado mais genial do seu poema: o golo.

« Última modificação: 31 de Janeiro de 2008, 10:34 por ednilson »

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  • 29 de Janeiro de 2008, 15:03
olha o rei artur...bons tempos... :-X

Freire

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  • Benfica aos Benfiquistas.
  • 29 de Janeiro de 2008, 19:41
Volta Benfica, pleaseeeeeeeeeeeeeee.

ednilson

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  • 29 de Janeiro de 2008, 20:10
António Monteiro Barros. Porto. 2 de Outubro de 1949. Defesa
Épocas no Benfica: 5 (70/71 e 73/77). Jogos: 106. Golos: 3. Titulos: 4 (Campeonato Nacional).
Outros Clubes: Leixões. Internacionalizações: 8.

   

Equipa 1974/1975 – Barros, entre Bento e Humberto Coelho

Duas semanas depois de Mão Tsé-Tung ter proclamado a República Popular da China, pelo ano de 1949, nascia António Barros, no coração da cidade do Porto. Nem de propósito. Mais tarde profissional de futebol, caracterizou-se por um toque revolucionário, anti-sistema, com gérmens na excentricidade. A ele sempre se associou o estigma de que poderia ter ido mais além. Sincopou o rendimento. Às vezes com soberba. Por temperamento. Áspero e agreste.

Barros adveio na localidade piscatória de Matosinhos, no Leixões. Em maré alta. De craques. Era Raul, era Jacinto, era Fonseca, era Praia. Era sustento do Benfica. Para não mudar o rumo, o mesmo embarque, as mesmas milhas. Até ao porto seguro da Luz.

Estava apostado em fazer água na boca. Afinal, já havia contribuído para fainas bem sucedidas. Em 70/71, todavia, os centrais Humberto Coelho e Zeca estiveram autoritários. Chances não deram ao jovem recruta de 21 anos. Saiu por empréstimo. Num curto hiato. Dois anos depois regressou. Era mais jogador. Mais maturado.

O ano foi verde. Hagan queria o tetracampeonato. A ilusão durou três curtas jornadas. Seguiu-se Fernando Cabrita, com o britânico fora de jogo, após litigio sério com a Direcção do clube. A um mês do final do Campeonato, o Sporting liderava com grande folga. Em Alvalade, no dia 31 de Março de 1974, Marcelo Caetano era apupado, na agonia do regime. Aplausos só para o Benfica, numa fulgurante vitória, por 5-3. Aplausos para Barros, titular no eixo recuado. Não chegou para Nacional vencer, mas ficou a evidência da superioridade benfiquista.

Na temporada imediata, terceiro jogador mais utilizado seria. Quase sempre a lateral-esquerdo, em abono da sua polivalência. O Campeonato voltou a sorrir. Sem sorrir ficaram os adeptos, no final da época, com a transferência do carismático Humberto para França. Barros aceitou o desafio de Mário Wilson. Passou a operar na jurisdição de Humberto. A contento. O titulo revalidado foi.

Novo ano, novo triunfo. Novo Barros. Novo? Antes diferente. Para pior. Menos competitivo, menos rigoroso, menos eficiente. Mais distante. Com as portas aberta para a saída. Tanto mais que havia Eurico, Bastos Lopes, o regressado Humberto. Jogou cinco anos, compaginou quatro Campeonatos, internacional se fez. Ao lado de muitos outros defesas, bola nos pés, sustenta Toni, “era coisa azeda comparada a pastéis de Belém”. Fica o açúcar nas representações de Barros à Benfica.

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  • 30 de Janeiro de 2008, 12:29
ai o meu conterraneo Barros..que é feito de ti pah?... :ashamed:

ednilson

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  • 30 de Janeiro de 2008, 21:46
José Bastos. 17 de Outubro de 1929. Guarda-redes.
Épocas no Benfica: 11 (49/59 e 60/61). Jogos: 196. Titulos: 3 (Campeonato Nacional), 5 (Taça de Portugal) e 1 (Taça Latina).
Outros Clubes: Atlético e Beira Mar.




Equipa 1950/1951

Martins havia sido o guarda-redes dos anos 40. Para o substituir, já no poente da carreira, perfilaram-se Pinto Machado e Contreiras. Revezaram a titularidade, durante duas temporadas (47/48 e 48/49). Quando no começo da década de 50, emergiu um terceiro guardião, de nome Rosa, talvez não se prognosticasse que o novel reforço Bastos pudesse ganhar a corrida. Mas assim foi. Durante jogos a fio, com Rosa, Furtado, Bráulio ou Sebastião relegados para o banco das opções.

Entrou no Benfica numa época dourada. Que o foi também pelo seu inestimável contributo. A Taça Latina passava a ser objecto de culto na sala de troféus do clube. Foi em 49/50. Com Jacinto e Fernandes; Moreira, Félix e José da Costa; Corona, Arsénio, Julinho, Rogério e Rosário. Nos tempos do WM, no seu apogeu. Houve finalíssima e tudo. Tudo? Tudo não, mais dois prolongamentos ainda. Ao minuto 134, Julinho sentenciou, fez o 2-1. Com letra pequena, escrevia-se Girondinos de Bordéus. Em caixa alta, Benfica. Era o primeiro grande titulo internacional. Bastos bravo havia sido.

Intocável no seu posto, assim percorreu os quatro anos seguintes. Com três Taças de Portugal para festa fazer. Académica (5-1), Sporting (5-4) e FC Porto (5-0), na passarela estiveram do aparatoso desfile de graça vermelha. Já o Campeonato, esse, foi-se escapando. Por algum motivo, ainda na actualidade, badalados são os méritos dos Cinco Violinos do Sporting. “O Zé era um guarda-redes muito calmo, nada o perturbava, nada lhe causava intimidação; sem grande elasticidade, era sóbrio, abominava dar espectáculo, fazer defesas para a fotografia; não me lembro de ter sofrido um golo após ressalto, ele adivinhava a trajectória da bola”, no raio x do jornalista Alfredo Farinha.

Nas épocas de 54/55 e 55/56, perdeu a titularidade para o novo recruta Costa Pereira. No biénio imediato, a sub-rogação, outra vez primeiro foi. As hostes benfiquistas dividiam-se. Para uns, Bastos; para outros, Costa Pereira. Ganharia a juventude à experiência. Assim aconteceu no termo da década de 50, vivia-se o limiar das subjugantes exposições internacionais do Benfica.

José Bastos ainda hoje integra a meia centena de jogadores mais utilizados na vida do clube. Aproximou-se dos 200 jogos oficiais, com saldo de três Campeonatos, cinco Taças de Portugal e uma Taça Latina. E aquele pequeno-grande detalhe, da humildade. Que mais valorizava o aprumo e a categoria com que subiu a escadaria principal de acesso ao salão nobre das glórias benfiquista.

ednilson

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  • 31 de Janeiro de 2008, 21:53
Manuel Galrinho Bento. Golegã. 25 de Junho de 1948. Guarda-redes.
Épocas no Benfica: 18 (72/90). Jogos: 466. Títulos: 8 (Campeonato Nacional) 6 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros Clubes: Riachense e Barreirense. Internacionalizações: 63.




Equipa 1980/1981

De pedreiro a rei. Assim foi a vida do popular Manuel Galrinho Bento. Começou por aprendiz de uma arte que o poderia remir à pobreza. Desenvolveu outra arte que boleia lhe deu para o galarim dos famosos. Da primeira não consta que sublinhasse a diferença. Da segunda, a de guarda-redes, nela imperou, com o estatuto de intocável, durante mais de uma década.

Os espírito de sacrifício estava-lhe na massa do sangue. Quando aos 15 anos começou nas lides, ao serviço do Riachense, após longas e violentas jornas, mais de cinco quilómetros por dia de bicicleta faria, até Riachos, onde participava nos treinos, que de breu pareciam, tão tímida era a luz artificial. Passou para o Goleganense, um ano depois, formada que estava a equipa júnior da terra onde nascera.

As acrobacias na defesa das redes não causaram indiferença. O Torres Novas e o União de Tomar candidataram-se aos seus préstimos. Só que o nome Bento havia já ultrapassado as fronteiras regionais. De Lisboa, do Sporting, lançaram-lhe o repto. Durante três meses, treinou-se intensamente. Um responsável leonino mandou-o ir à Golegã, proceder à desvinculação. Possesso ficou. Essa não era maneira de tratar o clubezinho lá da terra. Mala feita, viagem de camioneta, voltava o Manel para casa, com a firme convicção de que no Sporting jamais jogaria, nem por salário superior ao do britânico Gordon Banks.

Sem que se saiba muito bem como, a noticia chegou à margem sul do Tejo. Por 15 contos apenas, corria o ano de 66, compromisso assinou pelo Barreirense, baluarte de um inesgotável viveiro de grandes promessas futebolísticas.

Em terra de guarda-redes, guarda-redes é rei. Na esteira de Azevedo e de Carlos Gomes, logo Bento se destacou. E seria memorável, para vingança consumar, a exibição que fez em Alvalade. Estávamos em 68, quando o Barreirense derrotou um Sporting, cheio de ganância do titulo conquistar. Estrondearam palmas na Luz, ganhava o Benfica esse Campeonato. Um ano volvido, mercê do quarto posto, o Barreirense habilitou-se à Taça UEFA, proclamando inegociável aquele guarda-redes de físico atípico para a função, já muito exposto às investidas benfiquistas. Na festa de homenagem a Mário Coluna, Bento teve o privilégio de substituir a Aranha Negra, o eterno Lev Yashin, num misto mundial. Desvaneceu a Luz e as juras de amor foram um ror delas. Em Agosto de 71, finalmente, preparava-se para discutir a defesa das balizas com José Henrique. No Benfica, pois então.



Ao longo de 18 temporadas, Manuel Galrinho Bento carimbou de qualidade a sua passagem. Com agilidade felina, contumácia, praguejou adversários e sossegou companheiros. Chegou aos 16 títulos, distribuídos por oito Campeonatos, seis Taças e duas Supertaças. Num determinado período, manteve as redes invioladas durante 1290 minutos consecutivos. E marcou golos de penálti. Como aquele que garantiu a eliminação do Torpedo de Moscovo, na gélida capital russa. Um outro falhou, certo dia, ante o Sporting, na Luz, mas logo a seguir redimiu-se, retendo o remate de Jordão, disparado da marca dos 11 metros.

Na Selecção Nacional, também Bento não deixou de emprestar toda a sua galhardia. Ainda hoje está no top dos mais utilizados de sempre. “Homem de borracha”, chamaram-lhe os jornalistas britânicos, após um empate a zero, com a Escócia, em Glasgow. E no Europeu de 84, se Chalana justifica todas as mordomias, não dá para esquecer a competência de Bento, negando, amiudadas vezes, o iminente golo da turma gaulesa.



Já com idade para ser avô, Manuel Bento despediu-se. Mas para sempre ficará património do Sport Lisboa e Benfica.

46Rossi

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  • o Monstro e o Rei, Obrigado!!
  • 31 de Janeiro de 2008, 21:54
Grande Bento :bow2: :bow2: :bow2:

 :cry2: :cry2: :cry2:

Bola7

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  • 01 de Fevereiro de 2008, 09:04
curioso...nesta foto em cima estão 4 centrais... :huh:

ednilson

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  • 01 de Fevereiro de 2008, 19:55
Fernando Augusto Caiado. Leça da Palmeira. 2 de Março de 1925. Médio.
Épocas no Benfica: 7 (52/59). Jogos: 140. Golos: 22. Títulos: 2 (Campeonato Nacional) e 4 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Boavista. Internacionalizações: 16. Treinador do Benfica em 1962/63 (vitória numa Taça de Portugal).




Equipa 1952/1953

A têmpera do Norte também subsidiou, ao longo dos anos, o Benfica centenário. Mais especificamente até, aquele denodo característico das gentes tripeiras, em qualquer zona de intervenção, mas sempre muito saliente no futebol. A menos que tenha havido apenas coincidência, o Benfica substituiu o nortenho Francisco Ferreira, em final de carreira, por Fernando Caiado, um produto das escolas do Boavista.

Foi em Leça da Palmeira, a poucos quilómetros do Porto, que nasceu, em Março de 1925. Tal como os dois irmãos mais velhos, Fernando Caiado haveria de jogar com a camisola axadrezada, a partir da pubescência. Aos 20 anos, já na equipa sénior, destacou-se como avançado-centro, embora não deixasse de se familiarizar com outras posições. Já tido como polivalente, ouvia pela primeira vez A Portuguesa, em 1946, no Estádio Nacional, em jogo bem sucedido (3-1), com a Irlanda.

Quando rubricou um compromisso com o Benfica, rejeitada que foi a oferta do FC Porto, era um jogador experiente. Tinha efectuado 151 jogos no Boavista, marcado 64 golos e, cumulativamente, apresentava um registo de seis internacionalizações. Quis o destino que se estreasse, com 27 anos, na festa de consagração de Francisco Ferreira, para logo saborear o triunfo (1-0) sobre o FC Porto e, mais decisivo ainda, garantir um lugar na equipa orientada pelo argentino Alberto Zozaya. Passou a ombrear com jogadores da casta de Jacinto, Félix, Arsénio, Águas e Rogério.

Como in medio vertus, no meio-campo virtudes exibiu Fernando Caiado, quer no decadente WM, que já no embrionário 4-4-2, introduzido por Otto Glória. Em sete temporadas, garantiu dois títulos nacionais e quatro Taças de Portugal. Irredutível na conduta, chegou a capitão da equipa, apesar de nela coexistirem atletas com mais anos de clube. Inclusive, recebeu a Medalha de Exemplar Comportamento, galardão revelador da sua personalidade, só atribuível, na altura, a jogadores com mais de duas centenas de jogos consecutivos sem qualquer punição.

“Quero uma cerimónia de despedido recíproca entre mim e o público que sempre me acarinhou e não uma festa de homenagem”, suplicou nas vésperas do adeus definitivo. Foi a 17 de Junho de 1957, tinha então 34 anos. Por sua decisão, cinquenta por cento da receita da partida com o Boavista seria atribuída à campanha de obras do Terceiro Anel. Um gesto que tocou a alma benfiquista.

VitorPaneira7

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  • 01 de Fevereiro de 2008, 23:07
curioso...nesta foto em cima estão 4 centrais... :huh:
Humberto Coelho
à esquerda de Bento  suponho que é Bastos Lopes
à direita de bento Alhinho

Não estou a ver quem será o outro. Será o larangeira o lagartão que o meu pai falava que veio apra o glorioso com tantas operaçoes ao joelho como oeusebio em resposta ao roubo do Eurico e que depois fez bons jogos pelo Benfica sendo reachamado à selecção quando supostamente estava acabado e claro foi campeão em 80-81 com jogadores vindos do Beira Mar (Veloso), Barreirense(Carlos Manuel, o meu conta uma história cuirosa diz que o expresso do Barreiro fez um jogão contra o Benfica quando estava com a vermelha do Barreiro partindo o meio campo sozinho do Benfica sendo depois contratado  e cuja força vinha de  trabalhar nos caminhos de ferros a martelar com martelos de........15 kg  :estrelas: :knuppel2:).

Já agora em relação ao Barros não foi ele que baixou as calças perantes os adeptos, uma outra história que eu ouvi devido a assobios.

ednilson

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  • 02 de Fevereiro de 2008, 17:32
Eduardo José Corona. Barreiro. 1 de Setembro de 1925. Avançado.
Épocas no Benfica: 7 (46/53). Jogos: 129. Golos: 60. Títulos: 1 (Taça Latina), 1 (Campeonato Nacional) e 4 (Taça de Portugal).
Outros clubes: Barreirense.




Equipa 1948/1949 – Corona foi o melhor marcador com 23 golos

O que é uma Corona? Uma descarga luminosa. O que era o Corona? Uma descarga luminosa. Uma? Duas, três, muitas descargas luminosas. De vermelho-vivo. No seu posto, no seu flanco. Com a sua arte, a sua magia. Para fazer assistências, fazer golos. Dar alegrias, dar títulos.

Era mais um produto do vivificante Barreiro. Chegou ao Benfica na época 46/47, a quarta consecutiva e último da húngaro Janos Biri. Só fez cinco jogos e dois golos, que não era fácil garantir sucesso no reino da águia. No reino dos também avançados Julinho, Arsénio, Espírito Santo, Baptista, Mário Rui e Rogério. No ano seguinte, com o regresso de Lipo Herezka ao comando, passou a ser mais utilizado. Uma derrota, em casa, frente ao Elvas, inviabilizou a toma do Nacional. Venceu o Sporting, com os mesmos pontos, mas à melhor de um golo. Por isso, rotulada a prova foi de campeonato do pirolito.

Progressivamente, Corona ia garantindo a titularidade. Só que explodia de ganância por um titulo, que teimava em escapar. A música era ditada pelos Violinos do Sporting. Assim foi também em 48/49, época em que o Benfica infligiu 13-1 ao Académico de Viseu, com dois golos da sua lavra, registo apenas superado 40 anos depois, num Benfica-Riachence, para a Taça de Portugal, com Toni no banco e o nigeriano Ricky a marcar seis tentos. Valeu, então, a Taça, ganha à custa do Atlético (2-1), com Corona na abertura do activo.



Sob a direcção de Ted Smith, finalmente, a consagração na magistral temporada de 49/50. Vitória no Campeonato, vitória na Taça Latina. Um golo apontou ao Bordéus, antes da finalíssima, que não prescindiu da sua presença. Mais três Taças de Portugal haveria de ganhar, frente à Académica, ao Sporting (com um golo) e ao FC Porto. Nesta última, participou no inicio do trajecto, mas não no embate decisivo. É que a descarga, essa, já não era tão luminosa.

Fez 129 partidas oficiais, tendo apontado 60 golos. Uma marca simpática, no mínimo, para um extremo. Era à direita que Corona elegia terreno propicio às suas habilidades. Escorreitas, sempre. Tratava a bola com intimidade, com subtileza, com gabarito. Era um ablutor do ataque. Na imensidão dos seus truques. Corona jamais deslustrou ao lado de Félix, de Francisco Ferreira, de Espírito Santo, de Arsénio, de Julinho, de Águas, de Rogério. Corona acrescentou. Com nível superior. Pela elementar razão de que significava continuidade ou, melhor ainda, fundada a expectativa na mudança das agulhas de um jogo. Motivo de sobra para ser incluído no género dos criativos. Daqueles que não são proscritos pela verdade centenária.

ednilson

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  • 03 de Fevereiro de 2008, 19:24
Carlos Manuel Correia Santos. Moita. 15 de Janeiro de 1958. Médio.
Épocas no Benfica: 9 (79/88). Jogos: 320. Golos: 58. Títulos: 4 (Campeonato Nacional), 5 (Taça de Portugal) e 2 (Supertaça).
Outros clubes: CUF, Barreirense, Sion, Sporting, Boavista e Estoril. Internacionalizações: 42.




Plantel 1985/1986

Enquanto labutava nas oficinas da CP, no seu Barreiro natal, o estridente apito dos comboios zurzia-lhe os ouvidos. Com outro timbre sonhava já Carlos Manuel, o apito de árbitro, naquelas construções mentais em que se imaginava, equipado a rigor, num recinto de futebol, alvoraçando as massas.

Depois da CUF, no início do trajecto, fixou-se no Barreirense, quentes eram ainda os ecos de Abril. Sempre a trabalhar, recorda, “nove horas por dia batendo com uma marreta de dez quilos nas rodas das locomotivas”. Sporting e FC Porto ficaram para trás, mais atractiva era a proposta do Benfica. Viagem curta, até ao cacilheiro servia, com Frederico selou compromisso de águia. Era Mário Wilson o treinador, passava a época de 79/80. Aziaga, que um terceiro lugar era algo que os benfiquistas não cogitavam. Intermitente começou o moço do Barreiro, até à 11ª primeira jornada, a 25 de Novembro, data em que a equipa, desastrosamente, claudicou, em casa, frente ao Boavista (1-2).

“Esse foi o jogo da minha vida”. Na mais refinada ironia. Substituído à passagem da meia hora, por Cavungi, a ira dos adeptos traduziu-se num ruído próximo do golo, só que de sinal oposto. “Se calhar, a intenção do grande Mário Wilson até era a melhor, mas estava a jogar tão bem…”. Não mais perdeu a titularidade. Voz do povo, voz de Deus.

Começou a escrever quilómetros de grande futebol. Era a “Locomotiva do Barreiro”, alcunha popularizada no exigente e sábio Terceiro Anel. Pouco mais tarde, com Lajos Baroti, haveria de passar por desinteligências. A asa direita restringia-o, sentia que ao centro é que era, ai sim, atingiria o zénite. E com João Alves, Shéu, Chalana, também José Luís e Stromberg, compôs um dos “miolos”, nesse e nos anos seguintes, mais técnicos, mais eficientes, mas produtivos, seguramente de toda a história do clube do povo.



Carlos Manuel era um daqueles exemplares da mística benfiquista, na versão anos 80. Tal como Eusébio, cerca de duas décadas antes, também ele, trabalhador insano, permanecia no pós-treino a rematar à baliza, na mais pura auto-satisfação. Fez-lhe bem. Aprumou faculdades. “É giro que, já a maioria dos colegas estava no duche, fazia eu apostas com o Eusébio, era o King treinador adjunto. Na maior parte das vezes perdia, mas os conselhos, esses, acho que os assimilava bem”.

Carlos Manuel não era, não poderia ser, um goleador. Era um estratego. Fulgurante. À direita, produzia mudanças de velocidade e cirúrgicos cruzamentos, que pasmo causavam aos antagonistas. No centro, após concessão táctica de Eriksson, os seus enfeites, com maior amplitude, tornaram-se manifestações de respeito. Não deixou, porém, este repentista de proclamar o golo, umas boas dezenas de vezes.

Decisivo foi em partidas que encatarroaram milhares de gargantas nos campos ou em frente aos televisores. Como aquela final da Taça, correspondente ao ano de 83, nas Antas, após birra azul e branca, com um golo magnifico, que deixou o país em transe. À batota dos gabinetes correspondeu Carlos Manuel, subscrevendo um dos momentos mais deprimentes da vida do rival nortenho.

De quinas ao peito, lenda virou o golo de Estugarda, garantia do passaporte de Portugal, rumo ao México 86. Antes do jogo, José Torres, o seleccionador, pediu que o deixassem sonhar, enquanto Carlos Manuel dava a garantia que os jogadores iriam “comer a relva se tal fosse necessário”. Generoso pressentimento. Assim foi e o jogador do Benfica, num dos mais patrióticos pontapés de sempre, colou a bola nas redes alemãs, virgens estavam em matéria de insucessos caseiros, há mais de 30 anos.



Nove temporadas ininterruptas jogou no Benfica, que até nem era o amor de infância. Frontal, com o coração uns centímetros acima do que é normal, mais ao pé da boca, Carlos Manuel praticou o culto da liberdade. Jamais aceitou, tal como no campo, as grilhetas do silêncio. Foi um rebelde, no sentido poético do termo. Por isso perdeu delicadezas nos corredores do(s) poder(es). No Benfica ou na Selecção Nacional. Noutras paragens ou noutras funções por que veio a enveredar. Igual a si próprio. Na história ficou.

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  • Perdido no limbo do serbenf
  • 04 de Fevereiro de 2008, 09:27
curioso...nesta foto em cima estão 4 centrais... :huh:
Humberto Coelho
à esquerda de Bento  suponho que é Bastos Lopes
à direita de bento Alhinho

Não estou a ver quem será o outro. Será o larangeira o lagartão que o meu pai falava que veio apra o glorioso com tantas operaçoes ao joelho como oeusebio em resposta ao roubo do Eurico e que depois fez bons jogos pelo Benfica sendo reachamado à selecção quando supostamente estava acabado e claro foi campeão em 80-81 com jogadores vindos do Beira Mar (Veloso), Barreirense(Carlos Manuel, o meu conta uma história cuirosa diz que o expresso do Barreiro fez um jogão contra o Benfica quando estava com a vermelha do Barreiro partindo o meio campo sozinho do Benfica sendo depois contratado  e cuja força vinha de  trabalhar nos caminhos de ferros a martelar com martelos de........15 kg  :estrelas: :knuppel2:).

Já agora em relação ao Barros não foi ele que baixou as calças perantes os adeptos, uma outra história que eu ouvi devido a assobios.
tu sabes... :) abração ao tu pai... ;)