Apitos Dourado e Final

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Não esquecer que a justiça da Liga já os considerou culpados, o que é ironico: os tribunais desportivos condenam-nos e os civis não, é à grande...

pcnunes

Citação de: odistraido em 03 de Abril de 2009, 16:37
Citação de: pcnunes em 03 de Abril de 2009, 16:33
Citação de: nsalta em 03 de Abril de 2009, 16:16
Citação de: pcnunes em 03 de Abril de 2009, 16:11
Citação de: nsalta em 03 de Abril de 2009, 16:10
Citação de: pcnunes em 03 de Abril de 2009, 16:06
Citação de: superbenficasempre em 03 de Abril de 2009, 16:03
Citação de: peta em 03 de Abril de 2009, 15:31
Princípio "in dubio pro reo"

Aceita-se este princípio como princípio de ónus da prova material e não como ónus da prova formal.

Não é um mero princípio relativo à prova; é um princípio autónomo, é um princípio geral de direito. E isto tem consequências várias, desde logo, a nível de recursos (por ex.).

Quando se invoca este princípio, significa que a prova foi feita; só que não foi suficiente, o Tribunal, com os elementos de prova que consegui recolher, não ficou convencido de que o arguido tenha praticado o crime. E sendo assim, na dúvida favorece-se o arguido, é absolvido.

A aplicação do princípio in dubio pro reo: a sua relevância quanto à questão de facto e à ausência de limites:

-         É relevante desde logo quanto aos elementos em que se baseou e fundamentou a acusação;

-         É relevante quanto às causas de exclusão da ilicitude (ex. legítima defesa);

-         É relevante quanto às causas de exclusão de culpa (ex. estado de necessidade);

-         Ainda quanto às causas de exclusão de pena.


Parece-me ser um doutor em Leis, portanto pedindo já desculpa pela ignorância das leis a si e a toda a corporação, pergunto se há "in dúbio pró réu":

uma idosa furtou (é assim que se diz não é?) duma prateleira do LIDL um artigo no valor de 2,67 E, sendo condenada.

Não houve "dúbio pró réu" porquê? Ninguém a viu furtar, só viram o artigo na sua mala à saída.

Não é para si, mas tenham vergonha, um pouco ao menos.

Um dia, tudo mudará.

Só queria dizer que uma idosa
se ela foi apanhada com o ebjecto na sua mala, com o objectivo de sair ou mesmo saindo sem pagar, que mais provas precisas para demonstrar que essa idosa praticou um crime de furto, embora residual?

Alguém meteu-lhe na carteira para incriminar...  :whistle2:
;D

Estas a rir-te mas é uma possibilidade. Não há imagens de ela a furtar o objecto tal como não houve imagens do Peidolas dar dinheiro ao Augusto Duarte (deduzo que imagens ainda façam prova, às tantas nem isso é suficiente para um juiz em Portugal condenar alguém). Qual é a diferença entre os casos?
As diferenças são as seguintes: se há saída da casa do PC o Augusto Duarte fosse interceptado pela PJ, com um envelope com €2500,00 no bolso, e houvesse a acusação da Carolina Salgado...aí sim, a condenação era a decisão mais que óbvia...

estás bem enganado pq isso nao serve de prova pois seria considerada ilegal.
isso dizes tu...

ricardof

Citação de: pcnunes em 03 de Abril de 2009, 16:38
Citação de: ricardof em 03 de Abril de 2009, 16:20
pcnunes, não sei de todas as escutas que foram conduzidas durante o processo apito dourado nem quais as que se reportam a este julgamento em particular. Sei que houve ai umas escutas publicadas nos jornais que provam que o pinto da costa telefonou ao arbitro para este ir a sua casa (ao contrário da versão fantástica do a. duarte). Isso no mínimo prova que ambos mentiram sob juramento, o que num país que repudie a criminalidade por si só daria para ser julgado.

Mas isso para mim nem é o mais grave. Para mim o mais grave é mesmo haver provas de corrupção por prostituicção, viagens ao brasil e tudo o mais e a nossa justiça simplesmente se limitar a fechar os olhos. Não é por acaso que em Portugal alguém que ocupe um cargo de poder tem imunidade completa. E isso para mim está longe de ser "justiça"...
sinceramente, desconheço essas escutas a que te referes...

em relação ao que está a bold, pois, estás errado, pois o nosso CPP é bem explicito ao dizer que os arguidos só são obrigados a falar verdade quanto à sua identificação e antecedentes criminais...

Pois, isso eu sei bem. Daí referir-me a um país que respeite os tribunais e não os criminosos. Pensava ter sido explícito. Mas para que não fiquem dúvidas, esse país é mesmo Portugal.

ps: As escutas estão algures por este mesmo tópico....

pcnunes

Citação de: magic_maker em 03 de Abril de 2009, 16:41
Atenção que o homem não foi considerado inocente....

Apenas não foi acusado por não haver proves suficientes, o que é diferente.
desculpa lá, mas isso é treta...inocente ou absolvido por ausência de provas suficientes é similar, porque raros são os casos em que, mesmo sem qualquer culpa, consegues provar total inocência...

odistraido

Conclusões óbvias...- Augusto Duarte percebeu obviamente a quem se referia António Araújo ao chamar Pinto da Costa, através de códigos tais como "engenheiro máximo" ou "gerente de caixa"- António Araújo sabia perfeitamente qual o objectivo do encontro ao referir-se, também em código, à "obra", à "coisa"- Pinto da Costa sabia, obviamente, da visita, pois foi ele mesmo quem a encomendou e, aliás, para além de ter dito ao telefone: "Está bem. Está combinado.", foi também ele quem através de telefone deu as indicações de como ambos chegariam a sua casa.

Todas as escutas 16 Abril 2004[/]


Hora: 10.56
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, logo à..., precisava, logo à noite, de jantarmos,queria que o amigo jantasse aqui por estas zonas, porque eu tinha aqui, tinha aqui uma obra para ser vista...
Augusto Duarte (AD) - Hum... Hum..
AA - ... e eu precisava, porque... vem o...
AD - O engenheiro para ver isso?
AA - Exactamente, não é?
AD - Pois, mas é que eu logo à noite eu tenho o curso de árbitros, meu querido...!
AA - Logo?
AD - Logo, exactamente. Não tenho hipótese nenhuma...!
AA - E então e amanhã, e amanhã?
AD - Amanhã joga o meu "Braguinha" em casa com o Benfica..." Tem que se levar a mulher
ao futebol...!
AA - Pois é...
AD - Ó meu querido, tenho que levar a mulher ao futebol, senão...
AA - Ah, pois é, pois é, pois é...!
AD - ... senão ela despede-me!
AA - E então, mas é que o senhor engenheiro, o senhor engenheiro máximo...
AD - Hum, hum...
AA - ... faz questão de coisa, porque não sei quê, porque... e...
AD - Pois. Hum, hum...
AA - Hã?
AD - Como é que vamos fazer isso?
AA - Não tem nada a ver, não tem nada a ver com..., com o dois. É o número um, não é... ?
AD - Pois, exactamente.
AA - Que é o... que é o gerente de caixa, não é...?
AD - O gerente de caixa, exactamente. Não sei como é que nós vamos fazer isso então, meu querido... É que eu logo não tenho hipótese nenhuma porque tenho o curso de árbitros e agora estamos quase na fase de exame, de hoje a oito, não é?
AA - Exacto...
AD - Portanto, não posso, não posso, de maneira alguma... estar. Amanhã, prometi à mulher que a levava à bola, portanto... Como é que, estamos a ficar apertados...!
AA - Pois é! Pois é!
AD - Pois é!
...(conversa sem interesse para os
autos em investigação)...
AA - E o almoço?
AD - O almoço é capaz de dar, mas o almoço não, não assim muito para o clarão?
AA - Não, porque depois nós vamos ver uma casa...!
AD - Ah, está bem! Está bem! Podemos então combinar isso...! Para o almoço?
AA - Nós vamos ver a casa, vamos ver a casa, a ver se...
AD - Ai vamos, aproveitamos e vemos... Também é mais de dia, consegue-se ver melhor...!
AA - Pois, exactamente, vamos ver a casa...!
AD - Está bem. Está bem. Podemos combinar isso para o almoço...!
AA - E eu agora, agora eu, eu não posso almoçar com um amigo?
AD - Ah, então, pode e deve! Até, você tem, tem que almoçar comigo, que temos que ver aquele negócio, senão nunca mais resolvemos aquele problema!
AA - Exactamente!
AD - Olhe, eu estou a ficar é sem bateria.
AA - Pronto...
AD - Se entretanto for a baixo, liga-me para o outro, que eu estou no outro!
AA - Exactamente! Então fica marcado..., então eu amanhã, eu..., a gente vai-se encontrar a quê? Meio dia, meia hora, uma hora...?
AA - É isso, uma hora!
AD - Ok amiguinho! Aqui, aqui, nesta zona daqui. Eu falo, então. Está combinado!
AA - Está bem. Está combinado, então...!
(cumprimentos finais).

Hora: 14.37
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, o... o "intendente" tem, tem que..., portanto, tem a responsabilidade de..., lá da vida dele de curso...
Pinto da Costa (PC) - Serviço, sim...
AA - ... e..., portanto, ficou amanhã, ele vem, vem almoçar comigo e depois então a gente encontra-se.
PC - Está bem. Está combinado.
AA - Está certo para o senhor?
PC - Está sim senhor.
(cumprimentos finais).

Hora: 17.09
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Ó senhor presidente! Dava para logo, dava... A pessoa, estive a falar com a pessoa novamente... Ele ligou-me agora, e ele...
Pinto da Costa (PC) - Sim, sim...
AA - ... Já dava para logo à noite.
PC - A que horas?
AA - Portanto, eu dez horas para,para as dez e meia, eu estava lá, como, como ontem ficou combinado.
PC - O senhor liga-me antes
AA - Exactamente.
PC - Está combinado.
(cumprimentos finais).

Hora: 21.43
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte

Augusto Duarte (AD) - Estou?
António Araújo (AA) - Então amiguinho?
AD - Estou a chegar...
AA - Portanto, você já está a chegar aqui na cidade, não é?
AD - Exactamente.
AA - Pronto... e então, eu... eu daqui por um bocado já estou na, na cidade mesmo, está bem?
AD - Está bem, está.
AA - É o tempo de eu sair daqui e estar lá, não é?
AD - Está bem, está. Até já, então.
AA - Está amiguinho? Até já.
AD - Até já.

Hora: 22.18
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa

Pinto da Costa (PC) - Estou.
António Araújo (AA) - Estou presidente?
PC - Sim...
AA - Tudo bem?
PC - Como está?
AA - Olhe! Eu virei aqui, eu virei aqui, portanto, para a zona da Madalena, não é?
PC - Sim.
AA - E agora, eu viro depois aonde? Que eu vim só no dia do seu aniversário...
PC - O senhor virou onde diz "Madalena", não é?
AA - Exacto.

PC - E agora vem em frente, ...
AA - Certo.
PC - Vem, vem em frente e... sobe um bocadinho, não é?
AA - Sim...
PC - Sobe um bocadinho e o senhor vira à esquerda.
AA - Certo.
PC - Está a virar?
AA - Sim, sim...
PC - E depois vira à direita.
AA - Certo.
PC - E agora vem sempre por aí abaixo...
AA - Hum... Espere aí, então. Espere aí... Tem alguma, alguma tabuleta em especial, não?
PC - Não. Vem, vem sempre por..., em frente, por aí abaixo.
AA - ... Pela nossa direita, não é?
PC - Sim, o senhor vire pela direita, portanto, tem uma tabuleta que diz Porto, não sei quê, para esquerda...
AA - Hum, hum...
PC - ... e o senhor vira à direita, vem à..., continua em frente pela direita sempre a descer.
AA - Certo.
PC - Pronto, agora vai descendo...
AA - ...Espere aí. É que eu já tinha caminhado um bocado... Pronto, eu estou aqui, cheguei nesta rotunda.
PC - Qual rotunda?
AA - Eu... Tem a... que diz assim: Porto...
PC - Porto. Pronto. O senhor aí vem para baixo. Em vez de ir para o Porto, vem para baixo.
AA - Pronto, venho para baixo. Tem... E depois não tem uma rotunda, que até tem umas flores no meio?
PC - E o senhor vem sempre em frente para baixo...
AA - Venho sempre em frente. Continuo sempre em frente.
PC - Sempre em frente. Dá meia volta à rotunda e vem por aí abaixo.
AA - Certo. Vou à zona da Madalena, não é?
(ndr: as indicações continuam por largos minutos, apesar de Pinto da Costa ter dito em tribunal que desconhecia que iria ser alvo de uma visita)...
AA - Exactamente. À minha esquerda é o "Clube da Madalena".
PC - E o senhor vem, vem aí e vai chegar à frente.
AA - É sentido proibido, tenho que virar à direita.
PC - À direita. É uma rua larga, estão aí muitos gajos aí parados e encostados,...
AA - É, parece que é "para a viola"...
PC - É "para a viola" e o senhor vem em frente.
AA - Exactamente.
PC - E nessa rua larga, vira à esquerda.
AA - Aqui já estou eu.
PC - Vira à esquerda.
AA - Já estou eu na, na esquerda
PC - E no fundo, vira à esquerda.
AA - Outra vez na esquerda.
PC - Outra vez na esquerda. E depois vai em frente...
AA - Já vou.
PC - ... e no fundo dessa rua tem uma (imperceptível) que diz praia...
AA - Exactamente.
PC - ... e o senhor vira à esquerda.
AA - Viro à esquerda. Aqui vou eu.
PC - E cem metros à frente..., o senhor vira à direita e é nessa rua, na casa que está iluminada.
AA - Ok. Isso já, já, já estou! Já estou a ver!
PC - Já está...

pcnunes

Citação de: Shoky em 03 de Abril de 2009, 16:44
Como assim não há recurso?

Quer-se dizer...iliba-se em Gaia e está feito?
Isso faz algum sentido?
claro que é passível de recurso...

a13263

Citação de: jpg em 03 de Abril de 2009, 16:47
Não esquecer que a justiça da Liga já os considerou culpados, o que é ironico: os tribunais desportivos condenam-nos e os civis não, é à grande...

E, segundo o João Abreu (aquele da confusão no Conselho de Justiça da Federação), que esteve no outro dia na RTP N, o testemunho da Carolina foi residual e praticamente irrelevante para a condenação, já que os árbitros confirmaram tudo.  :whistle2:

JPG

Resumindo, não aceitando as escutas, era a palavra dele contra a de uma ex-prostituta supostamente a acusá-lo por puro despeito, logo a ele, ele um cidadão tão respeitável  :whistle2:

Tava-se mesmo a ver o que ia acontecer

defacer

Vergonha do caralho... Justiça de merda!!

JDF

Um país de faz-de-conta.

JPG

Citação de: jpg em 03 de Abril de 2009, 16:52
Resumindo, não aceitando as escutas, era a palavra dele contra a de uma ex-prostituta supostamente a acusá-lo por puro despeito, logo a ele, ele um cidadão tão respeitável  :whistle2:

Tava-se mesmo a ver o que ia acontecer

E sabem porque é que eu sei deste acordão? aqui na minha empresa estão umas tipas do porto que foram à net e fizeram uma grande festa quando souberam do acórdão

Só ao estalo CRL!!!! 

::bater:: ::bater::

superbenficasempre

Citação de: pcnunes em 03 de Abril de 2009, 16:46
Citação de: ricardof em 03 de Abril de 2009, 16:36
Citação de: peta em 03 de Abril de 2009, 16:32
é a nossa lei que o diz.

Acórdão n.º 407/97, em termos que também aqui se acolhem,
que tais dificuldades constituem, num processo crime, ónus do Estado de Direito Democrático, ónus esse
que não pode estar a cargo do Arguido, ainda que, no limite, isso signifique deixar impunes alguns
criminosos. Não é de todo admissível num Estado de Direito democrático, caracterizado pela publicização
do ius puniendi, fazer reverter contra o Arguido a escassez de meios de dificuldades na obtenção de prova
para o condenar».

por mim, fechava o pintinho numa cela sem luz e perdia a chave.

Isso é tudo muito bonito, e com umas frases em latim ainda melhor. A questão é fechar os olhos às tais provas, por estas serem "iconstitucionais". Acho algo irónico a verdade ser inconstituicional. Mas devo ser só eu...
quanto a inconstitucionalidades não vale a pena discutir aqui, pois alguns de vós só vão perceber algumas destas questões se algum dia o azar vos bater à porta e tiverem a justiça à perna...

só se houver aqui users ricos, porque os pobres nem sabem o que é isso...
se o povo tivesse direito a TODOS os deveres e obrigações da Constituição é que era bom.


PS- Preferia ler o teu nickname só com Nunes, mas quanto a isso não posso fazer nada.

Pedro84

Citação de: JDF em 03 de Abril de 2009, 16:54
Um país de faz-de-conta.

Infelizmente, é um país real...

pcnunes

Citação de: odistraido em 03 de Abril de 2009, 16:49
Conclusões óbvias...- Augusto Duarte percebeu obviamente a quem se referia António Araújo ao chamar Pinto da Costa, através de códigos tais como "engenheiro máximo" ou "gerente de caixa"- António Araújo sabia perfeitamente qual o objectivo do encontro ao referir-se, também em código, à "obra", à "coisa"- Pinto da Costa sabia, obviamente, da visita, pois foi ele mesmo quem a encomendou e, aliás, para além de ter dito ao telefone: "Está bem. Está combinado.", foi também ele quem através de telefone deu as indicações de como ambos chegariam a sua casa.

Todas as escutas 16 Abril 2004[/]


Hora: 10.56
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, logo à..., precisava, logo à noite, de jantarmos,queria que o amigo jantasse aqui por estas zonas, porque eu tinha aqui, tinha aqui uma obra para ser vista...
Augusto Duarte (AD) - Hum... Hum..
AA - ... e eu precisava, porque... vem o...
AD - O engenheiro para ver isso?
AA - Exactamente, não é?
AD - Pois, mas é que eu logo à noite eu tenho o curso de árbitros, meu querido...!
AA - Logo?
AD - Logo, exactamente. Não tenho hipótese nenhuma...!
AA - E então e amanhã, e amanhã?
AD - Amanhã joga o meu "Braguinha" em casa com o Benfica..." Tem que se levar a mulher
ao futebol...!
AA - Pois é...
AD - Ó meu querido, tenho que levar a mulher ao futebol, senão...
AA - Ah, pois é, pois é, pois é...!
AD - ... senão ela despede-me!
AA - E então, mas é que o senhor engenheiro, o senhor engenheiro máximo...
AD - Hum, hum...
AA - ... faz questão de coisa, porque não sei quê, porque... e...
AD - Pois. Hum, hum...
AA - Hã?
AD - Como é que vamos fazer isso?
AA - Não tem nada a ver, não tem nada a ver com..., com o dois. É o número um, não é... ?
AD - Pois, exactamente.
AA - Que é o... que é o gerente de caixa, não é...?
AD - O gerente de caixa, exactamente. Não sei como é que nós vamos fazer isso então, meu querido... É que eu logo não tenho hipótese nenhuma porque tenho o curso de árbitros e agora estamos quase na fase de exame, de hoje a oito, não é?
AA - Exacto...
AD - Portanto, não posso, não posso, de maneira alguma... estar. Amanhã, prometi à mulher que a levava à bola, portanto... Como é que, estamos a ficar apertados...!
AA - Pois é! Pois é!
AD - Pois é!
...(conversa sem interesse para os
autos em investigação)...
AA - E o almoço?
AD - O almoço é capaz de dar, mas o almoço não, não assim muito para o clarão?
AA - Não, porque depois nós vamos ver uma casa...!
AD - Ah, está bem! Está bem! Podemos então combinar isso...! Para o almoço?
AA - Nós vamos ver a casa, vamos ver a casa, a ver se...
AD - Ai vamos, aproveitamos e vemos... Também é mais de dia, consegue-se ver melhor...!
AA - Pois, exactamente, vamos ver a casa...!
AD - Está bem. Está bem. Podemos combinar isso para o almoço...!
AA - E eu agora, agora eu, eu não posso almoçar com um amigo?
AD - Ah, então, pode e deve! Até, você tem, tem que almoçar comigo, que temos que ver aquele negócio, senão nunca mais resolvemos aquele problema!
AA - Exactamente!
AD - Olhe, eu estou a ficar é sem bateria.
AA - Pronto...
AD - Se entretanto for a baixo, liga-me para o outro, que eu estou no outro!
AA - Exactamente! Então fica marcado..., então eu amanhã, eu..., a gente vai-se encontrar a quê? Meio dia, meia hora, uma hora...?
AA - É isso, uma hora!
AD - Ok amiguinho! Aqui, aqui, nesta zona daqui. Eu falo, então. Está combinado!
AA - Está bem. Está combinado, então...!
(cumprimentos finais).

Hora: 14.37
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Olhe, o... o "intendente" tem, tem que..., portanto, tem a responsabilidade de..., lá da vida dele de curso...
Pinto da Costa (PC) - Serviço, sim...
AA - ... e..., portanto, ficou amanhã, ele vem, vem almoçar comigo e depois então a gente encontra-se.
PC - Está bem. Está combinado.
AA - Está certo para o senhor?
PC - Está sim senhor.
(cumprimentos finais).

Hora: 17.09
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa
(cumprimentos iniciais)...
António Araújo (AA) - Ó senhor presidente! Dava para logo, dava... A pessoa, estive a falar com a pessoa novamente... Ele ligou-me agora, e ele...
Pinto da Costa (PC) - Sim, sim...
AA - ... Já dava para logo à noite.
PC - A que horas?
AA - Portanto, eu dez horas para,para as dez e meia, eu estava lá, como, como ontem ficou combinado.
PC - O senhor liga-me antes
AA - Exactamente.
PC - Está combinado.
(cumprimentos finais).

Hora: 21.43
Intervenientes: António Araújo e Augusto Duarte

Augusto Duarte (AD) - Estou?
António Araújo (AA) - Então amiguinho?
AD - Estou a chegar...
AA - Portanto, você já está a chegar aqui na cidade, não é?
AD - Exactamente.
AA - Pronto... e então, eu... eu daqui por um bocado já estou na, na cidade mesmo, está bem?
AD - Está bem, está.
AA - É o tempo de eu sair daqui e estar lá, não é?
AD - Está bem, está. Até já, então.
AA - Está amiguinho? Até já.
AD - Até já.

Hora: 22.18
Intervenientes: António Araújo e Pinto da Costa

Pinto da Costa (PC) - Estou.
António Araújo (AA) - Estou presidente?
PC - Sim...
AA - Tudo bem?
PC - Como está?
AA - Olhe! Eu virei aqui, eu virei aqui, portanto, para a zona da Madalena, não é?
PC - Sim.
AA - E agora, eu viro depois aonde? Que eu vim só no dia do seu aniversário...
PC - O senhor virou onde diz "Madalena", não é?
AA - Exacto.

PC - E agora vem em frente, ...
AA - Certo.
PC - Vem, vem em frente e... sobe um bocadinho, não é?
AA - Sim...
PC - Sobe um bocadinho e o senhor vira à esquerda.
AA - Certo.
PC - Está a virar?
AA - Sim, sim...
PC - E depois vira à direita.
AA - Certo.
PC - E agora vem sempre por aí abaixo...
AA - Hum... Espere aí, então. Espere aí... Tem alguma, alguma tabuleta em especial, não?
PC - Não. Vem, vem sempre por..., em frente, por aí abaixo.
AA - ... Pela nossa direita, não é?
PC - Sim, o senhor vire pela direita, portanto, tem uma tabuleta que diz Porto, não sei quê, para esquerda...
AA - Hum, hum...
PC - ... e o senhor vira à direita, vem à..., continua em frente pela direita sempre a descer.
AA - Certo.
PC - Pronto, agora vai descendo...
AA - ...Espere aí. É que eu já tinha caminhado um bocado... Pronto, eu estou aqui, cheguei nesta rotunda.
PC - Qual rotunda?
AA - Eu... Tem a... que diz assim: Porto...
PC - Porto. Pronto. O senhor aí vem para baixo. Em vez de ir para o Porto, vem para baixo.
AA - Pronto, venho para baixo. Tem... E depois não tem uma rotunda, que até tem umas flores no meio?
PC - E o senhor vem sempre em frente para baixo...
AA - Venho sempre em frente. Continuo sempre em frente.
PC - Sempre em frente. Dá meia volta à rotunda e vem por aí abaixo.
AA - Certo. Vou à zona da Madalena, não é?
(ndr: as indicações continuam por largos minutos, apesar de Pinto da Costa ter dito em tribunal que desconhecia que iria ser alvo de uma visita)...
AA - Exactamente. À minha esquerda é o "Clube da Madalena".
PC - E o senhor vem, vem aí e vai chegar à frente.
AA - É sentido proibido, tenho que virar à direita.
PC - À direita. É uma rua larga, estão aí muitos gajos aí parados e encostados,...
AA - É, parece que é "para a viola"...
PC - É "para a viola" e o senhor vem em frente.
AA - Exactamente.
PC - E nessa rua larga, vira à esquerda.
AA - Aqui já estou eu.
PC - Vira à esquerda.
AA - Já estou eu na, na esquerda
PC - E no fundo, vira à esquerda.
AA - Outra vez na esquerda.
PC - Outra vez na esquerda. E depois vai em frente...
AA - Já vou.
PC - ... e no fundo dessa rua tem uma (imperceptível) que diz praia...
AA - Exactamente.
PC - ... e o senhor vira à esquerda.
AA - Viro à esquerda. Aqui vou eu.
PC - E cem metros à frente..., o senhor vira à direita e é nessa rua, na casa que está iluminada.
AA - Ok. Isso já, já, já estou! Já estou a ver!
PC - Já está...

alguém consegue arranjar o Acórdão que decidiu este processo?


desconhecia por completo essa escuta. E era para par um "olhinho" nos factos dados como provados e não provados, e o porquê, já que no fundo, é isso que interessa...

Gonzalex

Espero que recorram até às ultimas instancias ou seja se não me engano o supremo tribunal. É uma vergonha se admitissem as escutas já la tava dentro a ver o sol aos quadrados este grande ......