As Finanças do Benfica

kingvata

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
muitos parabéns, bom resumo!

Mas o que mais me itriga é para além de existir uma rúbrica elevada de custos operacionais do estádio, tanto esta como outra rúbrica não contemnplarem de forma relevante custos necessários para a manutenção do estádio

Isto é como apresentar o exercício anual de um condominio sem se apresentar investimento ou precaver uma reserva

O estádio está a depreciar-se de ano para ano e o Benfica apenas paga "despesas" correntes

Este modelo e este reelatório é insustentável. O estádio assim vai continuar por ser recuperado!


aquaris

#90151
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 21:26....

mantendo tudo igual, só alterando as receitas da Champions League para os 25 milhões que o Braga fez, zerando as mais-valias deste ano, e descontando já os 7 milhões em salários variáveis que devemos pagar a menos, são cerca de 98.5 milhões em mais-valias para ter resultado 0. isto é já assumindo que tudo o resto se mantém igual. o que sinceramente não sei.

o Benfica fez cerca de 70 milhões em mais-valias no verão, já sem contar com o Sidny e o Mourinho que entraram neste R&C.

ou seja, garantidamente que alguém será vendido no final de maio/junho.... ou em janeiro...

Será que a diferença no valor dos direitos televisivos cobre o valor em falta?
Como metade do ano passado tinha sido adiantado, e com o aumento deste ano não dá para o valor em falta?

DanAugusto

#90152
O Benfica se for as 1/2finais da LE como o Braga, faz no minimo mais 6M€ de bilheteira do que o ano passado e mais 3M€ do que o Braga. Estaremos a falar então de 34M€ vs 53M€, diferencial de 19M€ = aos 19M€ de lucro deste ano. Portanto teremos que ter as mesmas  mais valias de vendas que este ano (a volta dos 45M€) para termos um RC positivo. Sendo que já devemos ter a volta de 15M€ de mais valias, precisamos de 1 grande venda ou de 2 boas vendas para fazer os restantes 30M€. Algo perfeitamente possivel se fizermos uma razoável/boa época. Mas pelas regras de fair-play da UEFA até podemos ter um RC negativo, pois estamos com folga devido aos 2 RC positivos seguidos. 

GengisKhan

O Catarino levou 112k de prémio por 80% dos objetivos cumpridos.

FSE sobem, juros baixam pela conjuntura, receita sobe pela prestação da equipa, sendo que entrou em Setembro fez bola no mercado.

Adorava saber os critérios

Black Panther

Benfica é a SAD mais valiosa em Portugal avaliada em quase 600 milhões

A Benfica SAD é a mais valiosa em Portugal com uma avaliação de quase 600 milhões de euros e destronou a Sporting SAD para o último lugar do pódio, de acordo com a avaliação da Brands Capital Sports.

https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/benfica-e-a-sad-mais-valiosa-em-portugal-avaliada-em-quase-600-milhoes/


PS: Quando foi com a largartada não se calaram , agora que somos nós, a cs deste País praticamente nem toca no assunto

Che1904

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
Trabalho muito bem feito aqui pelo nosso camarada!!
 

vhmr98

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
Há alguma novidade da dívida que o Clube tem à SAD?

DB4700

Citação de: vhmr98 em 11 de Setembro de 2026, 17:30
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
Há alguma novidade da dívida que o Clube tem à SAD?

O Benfica diz que está a ser pago conforme planeado. E o próprio Clube, pelo orçamento que foi apresenntado e aprovado, tem margem para pagar o que tem que pagar.

A nível de movimentos, percebe-se que houve uma redução de 1.9 milhões da dívida

nightcrowler

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.

obrigado pelo resumo, excelente trabalho.
do meu ponto de vista, gostaria apenas de assinalar 2 pontos que para mim são deveras preocupantes, e que poderão ter impacto no médio prazo:

 i) no ponto 5.4 quando se refere que se assiste a um aumento do valor em clientes, atingindo hoje um valor que supera os 180 milhões de euros, é importante ter bem consciencia do que isto é. neste bolo que é bastante grande, há valores por receber de clubes turcos e brasileiros, alguns dos quais estão manifestamente com problemas financeiros (santos e botafogo à cabeça, vasco da gama provavelmente) e que não me parece improvável que pelo menos se atrasem, aliás, não me admiraria que houvesse até incumprimentos. a concretizar-se esta situação, terá um grande impacto na tesouraria do Benfica, e poderá criar problemas adicionais bastante graves. basta pensar que vendas de Rollheiser ou Arthur Cabral são bastante significativas, e aquando da vinda do Rafa dizia-se que era melhor receber o jogador que ficar à espera de dinheiro da Turquia que poderia atrasar. não foi à toa que o Vieira falou disso nas eleições. se o pior cenário se concretizar, teremos um buraco na tesouraria e teremos que assumir uma perda nos resultados que não será fácil de absorver.

 ii) o segundo tema é o mesmo de sempre para mim. estou farto de falar nisto. acho impensável o Benfica ter uma massa salarial desta magnitude para o leque de jogadores que apresente. deveria haver uma moção na assembleia geral só para tentar acabar de vez com esta pouca vergonha. antes de mais, um clube como o Benfica, com a sua estrutura de receitas, ter uma massa salarial acima de 120 milhões (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) raia a loucura, mas pior que isso, é termos uma massa salarial tão substancial para o plantel que apresentamos. é FUNDAMENTAL termos cada vez menos jogadores sob contrato, é fundamental ter mais miudos no plantel, para podermos usar esse dinheiro nas renovações de quem realmente interessa, os scheldrups, os joãos neves, os prestiannis, em vez de andarmos a pagar milhões a 40 jogadores dos quais 10 não contam para nada. pensar o salário de um Bruma, de um Lukebakio, é assustador. e isto estende-se ao descontrolo nas contratações, quando leio que um gk de 22 anos, vindo da Ucrânia em guerra, tem um salário de topo (!!!!!!!!!!!!!!!!), não consigo entender, por vários motivos. e para ficar claro, fiquei muito satisfeito com a sua contratação, achei na altura que era a contratação certa, a um preço bastante razoável, agora, dar-lhe um salário de topo era impensável para um miudo de 22 anos, até porque ao dar-lhe aquele salário na prática impossibilitava a possibilidade de renovar caso corresse bem. se virmos estas situações, mais uma série de jogadores que estão encostados e aqueles que não têm espaço para jogar, temos milhões de euros de responsabilidade mensal assegurada que tarde ou cedo terão que ser compensados pelas vendas dos scheldrups dos prestiannis e dos joãos neves... não faz sentido. é uma voragem que arrasta-nos para o fundo.

já agora, tudo se prepara para prejuízo este ano, e não estou muito preocupado. nos últimos 4 anos tivemos lucro em 3, e acima de tudo, se a equipa render bem, há muito jogador que vai ser bastante valorizado (scheldrup prestianni à cabeça) e a venda de um deles por uma exorbitância vai permitir eclipsar o prejuízo operacional.


gazetadosdesportos

Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.

E já incluiste os 30 milhões a mais a receber da NOS em relação à epoca passada onde apenas 20 entraram nas receitas?

yerlow

#90160
Bom, além das FSE's e outros promaiores ali pelo meio, algo salta logo à vista:
Para cobrir os 35M€ de despesa de "manutenção" que temos com o Estádio da Luz, e estarmos nos 15M€ de lucro tivémos que subir bastante os red-pass, os valores nominais dos bilhetes, valores dos camarotes, etc. nas ultimas 2/3 temporadas.
Ou seja, isto é algo que não concordo porque foram maioritariamente aos nossos bolsos (camarotes por mim é igual) para continuarmos com este valor absurdo de manutenção das nossas instalações, e nem tinta vermelha há pra pintarmos os arcos cor de laranja.

Fazemos cerca de 30 jogos em casa por temporada, e antes desta subida de preços estávamos completamente no break-even relativamente ao estádio da Luz, abrir o Estádio ou jogarmos no Seixal era totalmente igual em termos de receitas para nós (aliás, estávamos ligeiramente no prejuizo).

Não consigo perceber como se chega a esse valor na manutenção do Estádio.

Bom.. se calhar o nome de Miguel Moreira (ex-vice presidente) ser CEO da empresa que trata dessa manutenção pe ter algo a ver com isso... cheira mal que até dói...

Jone

Citação de: yerlow em 11 de Setembro de 2026, 18:24Não consigo perceber como se chega a esse valor na manutenção do Estádio.


hehehehe....
...

facil!
basta que o dinheiro para pagar a manutenção não seja teu.
é mais ou menos o mesmo que tu, como investidor, quereres construir uma piscina para tirares rendimento financeiro da mesma. Ou então, o vereador para o desporto de uma camara municipal querer construir a mesma piscina.
qual achas que vai sair mais barata?

vhmr98

Citação de: DB4700 em 11 de Setembro de 2026, 17:55
Citação de: vhmr98 em 11 de Setembro de 2026, 17:30
Citação de: DB4700 em 10 de Setembro de 2026, 16:36Umas notas prévias:
a. O R&C diz respeito a tudo o que aconteceu na actividade da SAD, exclusivo ao Futebol, entre 1/Julho/2025 e 30/Junho/2026

b. O R&C não é do Clube, logo não contabiliza nada directo das Eleições, mas está, obviamente, extremamente influenciado pelas Eleições, visto que o Benfica fez um grande investimento no plantel antes das Eleições.



1. O Benfica teve 19.123 milhões de lucro. No ano anterior, ano de Mundial de Clubes, tinha tido 34.444 milhões de lucro. Diga-se que estes 19.123 milhões de lucro incluem os 15 milhões da venda do José Mourinho e a venda do Sidny, que terá gerado uma mais-valia a rondar os 4-4.5 milhões (por o valor ser diminuto o Benfica não esclareceu). Sem essas duas transferências, o resultado teria rondado o 0, possivelmente ligeiramente negativo. Diria que o plano inicial era ter tido 10-20 milhões de lucro, pois acredito que eles esperassem mais receita vinda da Champions League.



2. A receita operacional desceu relativamente a 2024/25. Em 24/25 tinha sido 230.6 milhões, e desta vez foram 214.4 milhões. O Benfica divide a receita operacional em três componentes: Direitos Televisão (que inclui prémios UEFA), Actividades Comerciais e Receitas de Jogo. Há grandes variações em cada rubrica.

2.1 Nos Direitos Televisivos, a receita recebemos menos 35.4 milhões do que no ano anterior. Recebemos menos 19 milhões da Champions League. Também não houve Mundial de Clubes, e como tal recebemos menos 21.9 milhões daí. Isto foi ligeiramente compensado pela subida anual do contrato da NOS (ainda está em vigor o contrato de 2016). Para quem não se lembra, o contrato de 400 milhões não era 40 milhões todos os anos. Começava nos 32 milhões no primeiro ano e ia subindo um pouco todos os anos. 2025/26 foi o último ano, logo, foi o ano que recebemos mais desse contrato

2.2 Tanto as Actividades Comerciais, como as Receitas de jogos subiram. As Actividades Comerciais (patrocinadores e alugueres) subiram 15.6 milhões, mas 15 milhões devem-se à venda do Mourinho ao Real Madrid. Logo, na verdade, as Actividades Comerciais subiram 0.6 milhões e continuam nos 41 milhões de 2024/25. A bilhética subiu 3.5 milhões.

2.3 A subida de 3.5 milhões da bilhética é geral. Corporate, Redpasses, bilhetes da Liga e bilhetes da Champions League todos trouxeram mais receita. Por percentagem, os que subiram mais foram os bilhetes da Champions League (+36%), e é fácil de perceber porquê. Fizemos 7 jogos em casa (2 na Qualificação, 4 na Fase de Liga e 1 no Playoff), e no ano anterior tínhamos feito 6 jogos.
2.4 Os corporate (executive seats + camarotes) representam ~5% da capacidade do Estádio mas trazem 38.8% das receitas



3. Os custos operacionais, 229.4 milhões, voltaram a bater as receitas operacionais (214.4 milhões, incluindo a transferência do Mourinho). Não há nada de novo aqui. Isto é uma opção da própria gestão do Benfica que todos os anos assume que vai vender jogadores para compensar este desequilíbrio na operação.

3.1.1 A somar aos custos operacionais, existem os custos financeiros (com dívida), onde o Benfica entre juros que recebe e juros que paga, tem mais 10.5 milhões de despesa a somar aos 15 milhões (229.4-214.4) que teve de prejuízo operacional. São 25.5 milhões que temos que compensar em algum lado.

3.1.2 O valor gasto em juros baixou. Em 2024/25 foram 13.1 milhões gastos. Agora foram 10 milhões. É uma redução bastante significativa. Isto explica-se pelo facto da dívida bancária/obrigacionista ter diminuído cerca de 9.5 milhões, e por outro lado, as taxas de juro que venceram eram mais altas do que as do novo empréstimo. Os empréstimos obrigacionistas que estão a vencer agora, são os do tempo da pandemia onde os juros subiram 1.5-2.5%.

3.2 Os fornecimentos e serviços externos (FSE) subiram 1.9 milhões. Olhando para a rúbrica em si, vê-se que houve mais uma subida significativa na gestão operacional do Estádio. Ao todo subiu 3.4 milhões. O resto das rubricas tiveram subidas marginais. Algumas desceram. O que atenuou a subida dos FSEs como um todo foram os "outros FSE". Em 2024/25 gastámos 8.9 milhões e desta vez foi "só" 5.8 milhões. O R&C não dá justificações tanto para a subida da gestão operacional do Estádio, como para a descida de "outros FSE".

3.3 O Benfica voltou a colocar a rubrica "royalties marca Benfica" de fora dos FSE, como um custo operacional geral. No fundo esta rubrica "royalties marca do Benfica" é dinheiro da SAD que é passado para o clube. E quando fazemos as contas ao clube como um todo, percebemos que este dinheiro paga o funcionamento do clube e dá alguma ajuda às modalidades.

3.4 O Sporting em 2024/25 gastou 48 milhões em FSE. O Benfica gastou 79 milhões em 25/26. A tentação é fazer uma comparação directa. Mas isso também não é correcto. Basta ver que a SportingTV não está dentro dos FSE do Sporting SAD mas a BTV está. Ou seja, os custos com a SportingTV estarão noutro lado. Parece-me que os custos associados a Alvalade também não estão no R&C da Sporting SAD, e os da Luz estão. Só isto já justifica a diferença. Comparar os FSE de dois clubes é como misturar alhos e bugalhos.

3.5 Acho no entanto que o Benfica deveria querer esclarecer estes gastos com a Gestão Operacional do Estádio, porque parece-me pouco razoável gastar quase 35 milhões na operação de um activo que nos traz 50.7 milhões (bilhetes+alugueres)
3.6 Os gastos com pessoal baixaram 1.4 milhões, o que é bastante pouco face ao expectável, visto que em 2024/25 tinham subido bastante, em grande parte devido aos 10 milhões de indemnização ao Roger Schmidt. Ou seja, se retirarmos a indemnização ao Roger Schmidt da equação, os gastos com pessoal subiram 8.6 milhões relativamente ao ano passado. O rendimento fixo dos jogadores aumentou 2.7 milhões. As indemnizações baixaram "apenas" 7 milhões em vez dos esperados 10 (talvez esteja relacionado com a equipa do Bruno Lage). O resto foram pequenas subidas em outras pequenas rubricas como seguros e etc.




4.1 Esta diferença entre receitas e custos operacionais, mais custos financeiros, os tais 25.5 milhões que falei em 3.1.1, foi compensada com 110.4 milhões em mais-valias na venda de jogadores ou receitas de direitos de formação

4.2 A esses 110.4 milhões em mais-valias, ainda temos que tirar 7.227 milhões em comissões, o que significa que em ano de eleições, as comissões nas vendas andaram significativamente abaixo dos 10%. Além desses 7 milhões, houve outros custos associados a transacções. A nossa receita líquida das transacções de direitos de atletas foi de 99.4 milhões

4.3 Fruto do investimento antes das Eleições, o valor do plantel subiu bastante, e como tal, as amortizações dos passes dos jogadores subiram significativamente também. Passámos de uma amortização anual de 42.2 milhões para 51.9.

4.4 Aqueles 25.5 milhões de 3.1.1, mais os 99.4 milhões resultantes das transferências, menos os 51.9 milhões em amortizações, menos 2.7 milhões em impostos sobre o lucro, fizeram o nosso resultado anual.



Isto é a informação sobre o último ano. É uma fotografia do momento. Agora, vamos à visão global da Benfica SAD.



5.1 O Activo subiu de 591 milhões para 649 mlhões. São 58 milhões de subida. O que é imenso. A justificação é simples: o Benfica gastou 130 milhões em reforços. Mesmo vendendo alguns jogadores, o valor contabilístico do plantel subiu quase 33 milhões.

5.2 O que é isto do valor contabilístico do plantel? É o valor que o Benfica pagou por todos os jogadores (Tomás Araújo vale 0 aqui) menos o valor das depreciações do contrato de cada jogador. Ou seja, tomemos o caso do Lukébakio. Custou-nos 20 milhões e demos-lhe um contrato de 5 anos. O contrato dele deprecia 4 milhões. Ou seja, neste R&C, no valor contabilístico do plantel estão lá 16 milhões do Lukébakio (20-4), e estão, por exemplo 10.8 do Pavlidis (18-3.6-3.6).

5.3 Como houve as saídas do Kokçu, Akturkoglu, Jurasek, e um quinto dos 130 milhões já depreciaram (26 milhões), é normal que apesar de 130 milhões investidos, o plantel só tenha subido 33 milhões.

5.4 A outra componente do Activo que subiu bastante foram as dívidas de outros clubes e outros clientes a nós. Entre curto prazo e longo prazo, o total que nos devem é de 184.1 milhões (178 milhões dizem respeito a outros clubes). Uma subida de 19.7.



6.1 O Passivo também subiu. Passou de 474.9 milhões para 513.9. Ou seja subiu 39 milhões.

6.2.1 Apesar do Passivo ter subido, os empréstimos baixaram. Entre curto prazo e longo prazo, o total agora é de 193.6 milhões, e antes era 203.3 milhões.

6.2.2 Nota para o facto de já estar a contar o novo empréstimo obrigacionista de 63.5 milhões que fizemos este ano (valor bastante alto). O Benfica substituiu um empréstimo de 49.7 milhões por este de 63.6 e mesmo assim baixou a dívida porque tinha 49.6 milhões em empréstimos bancários que baixaram agora para 25 milhões. Daí que apesar da dívida obrigacionista ter aumentado, o valor dos empréstimos globalmente até baixou.

6.3 O que subiu, e não foi pouco, foram as nossas dívidas a outros fornecedores e outros clubes. Entre curto prazo e longo prazo, o total que devemos é de 229.3 milhões. Uma subida de 27.2 milhões em relação ao ano passado.




7.1 Este desencontro entre o que nos devem e o que devemos é especialmente preocupante porque não só são 45.2 milhões de diferença, como são 50.7 milhões de diferença no espaço de um ano (ou seja, para lá de um ano, o desencontro até nos é favorável). Isto tudo acontece no pior ano possível, o ano que não estamos na Champions League. O Benfica já precisava de encontrar os 40 milhões que perdeu por não estar na Champions League. Agora terá que arranjar maneira de pagar este desencontro de 50.7 milhões.

7.2 Este desencontro existia a 30/Junho. Entretanto aconteceu o mercado de verão praticamente todo. É possível que o Benfica tenha negociado com o Wolfburg e o Bayern, para pagar o Kaminski e o Palhinha a 3-4 anos (por exemplo), enquanto pede ao Newcastle e ao Bournemouth para pagar o Dedic e o António Silva a 1-2 anos. Só isto, já adia o desencontro para o futuro.



8.1 O FC Porto já pagou a indemnização de 799 328,90€ ao Benfica. O crime compensa pelos vistos.




Em resumo, não foi um ano inesquecível do ponto de vista financeiro, também não foi um ano péssimo. Foi ok. Existe aquela tensão de 50 milhões por resolver nas diferenças do que temos a pagar e a receber de clubes. O grande problema do Benfica não foi o dinheiro que gastou em reforços antes da Eleições. Foram os jogadores onde gastou esse dinheiro.

Essa continua a ser a minha grande crítica ao Rui Costa e à sua Direcção. Houve claramente uma mudança de projecto na passagem de Vieira para Costa, e um reforço muito significativo no investimento desportivo. Mas de pouco vale esse investimento desportivo quando é desperdiçado em jogadores que uma vez chegados cá não progridem, e alguns até regridem.

O Futebol mudou desde que Rui Costa se tornou Presidente do Benfica. Nomeadamente mudou porque clubes do meio e do fim da tabela da Premier League hoje facturam mais que o Benfica sem ter que vender jogadores. E, para piorar, esses clubes tornaram-se nos trampolins para o "Man City" e para o "Real Madrid". Um "Enzo" hoje em dia sabe que o caminho para o "Man City" passa mais provavelmente pelo Bournemouth do que pelo Benfica.

Esta temporada que começou é bastante mais passível de ser um ano que deixa marcas, porque além dos tais 50 milhões, existe aquele desequilibrio, propositado, dos 25.5 milhões do 3.1.1, e este ano esse desequilibrio será maior porque não há Champions League. Este era o ano que eu pessoalmente esperava que o Benfica mudasse de projecto para algo que não tivesse tanto risco financeiro. Os dirigentes do Benfica optaram por manter quase tudo como estava. Digo quase tudo, porque pelo menos a nível de vendas e contratações, abrimos uma folga na casa dos 40 milhões que já compensam a ausência na Champions League. Há ainda um valor variável que é pago ao plantel todos os anos que será mais baixo (~7 milhões à partida) por estarmos fora da Champions League.

Fiquem à vontade de fazer questões ou se quiserem debater alguma coisa.
Há alguma novidade da dívida que o Clube tem à SAD?

O Benfica diz que está a ser pago conforme planeado. E o próprio Clube, pelo orçamento que foi apresenntado e aprovado, tem margem para pagar o que tem que pagar.

A nível de movimentos, percebe-se que houve uma redução de 1.9 milhões da dívida
Obrigado pelo esclarecimento meu caro.

Puches

E já sabemos quais vão ser as vendas que equilibrarão as contas.
para o ano participam 3 equipas na LC, certo?
Pergunta: é fundamental uma boa participação na LE para garantir o campeonato mundial de clubes?
Outra: a história do nome do estádio já foi resolvida?

Limentaen

Citação de: Puches em 11 de Setembro de 2026, 20:09E já sabemos quais vão ser as vendas que equilibrarão as contas.
para o ano participam 3 equipas na LC, certo?
Pergunta: é fundamental uma boa participação na LE para garantir o campeonato mundial de clubes?
Outra: a história do nome do estádio já foi resolvida?

Para o mundial de clubes só conta os pontos da CL