Salvio já foi operado

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'Toto' Salvio foi operado com sucesso a uma fractura do cúbito do antebraço esquerdo, de acordo com informações oficias do Benfica.

O médio argentino lesionou-se no final do primeiro tempo, num choque com um atleta do Olhanense e já não regressou ao relvado para a segunda parte.

A cirurgia realizou-se esta segunda-feira no Hospital da Luz e ficou a cargo do médico ortopedista António Martins. Sem tempo de recuperação ainda anunciado, é certo que o jogador vai falhar o resto da época benfiquista.

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Dentro da festa

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O dia da festa encarnada começa cedo. Começa antes de domingo. Na sexta-feira à noite. Num jantar. Logo ali consigo ouvir o marido a falar com a esposa ao telemóvel. «Diz aos nossos filhos que o almoço de domingo de Páscoa passa para sábado. Tem de ser amanhã. No domingo vou cedo para o estádio e não tenho tempo para almoços nem para Páscoas.» Desliga a chamada e comenta com o amigo ali ao lado. «Fui ver os jogos todos esta época e não falho este só por causa da Páscoa. Nem sequer vou chegar atrasado. Quero ir para Lisboa logo de manhã.»

A ansiedade daquele homem é igual à de tantos outros que encontro no domingo. Chego às imediações do estádio por volta das 14h e já dá para sentir a febre vermelha. Paira no ar a hipótese de festa e de uma longa noite que ficou guardada desde o minuto 92 da época passada. Falo com um grupo de quatro amigos que veio de Famalicão. «Daqui vamos para o Marquês e será até as tantas.» «Não se trabalha amanhã?», pergunto. «Trabalha-se, claro. Mas fazemos directa, se for preciso.» «E se não houver festa?» A pergunta cai mal: «Aquilo que aconteceu na época passada, não volta a acontecer», diz um deles. Os outros apressam-se aos gritos: «Vem-te embora, vamos buscar mais cerveja.» Volto a encontrá-los por volta das 16h, duas horas antes do jogo. Um deles já está a dormir no chão. «Sentiu-se mal e vomitou. Está a descansar. Daqui a pouco fica fino», explicam-me.

O drama do WC

Já falta pouco para o jogo começar. Muito pouco. As equipas estão em campo. A bola no centro do terreno. Os jogadores do Benfica olham uns para os outros antes do pontapé de saída. E mais de 63 mil espectadores fitam o relvado. Sente-se um silêncio ensurdecedor antes do apito inicial de Carlos Xistra. E eis que… «Pai, preciso de ir à casa de banho.» Ali, bem no alto, no piso superior da bancada Sagres, muito longe das escadas. Uma necessidade é uma necessidade, mas o pai não gosta do pedido do filho, que deverá ter 5 ou 6 anos. «E só agora é que dizes? Santa paciência. Vá, vamos lá.» Os dois descem em passo de corrida enquanto saltam por cima das muitas pessoas que estão sentadas nas escadas. E voltam a subir, passado pouco tempo, ainda mais apressados. Sentam-se. O pai respira fundo e lança a ordem ao filho: «Agora acabou-se. Vê o jogo e fica sossegadinho.»

Mas a criança não pára de se mexer. Assim como toda a gente. Ninguém fica quieto. A impaciência e o sofrimento da nação encarnada sobem a cada lance falhado pela equipa de Jorge Jesus. Rodrigo, Salvio e Maxi Pereira andam perto do golo, mas a bola não entra. Chega o intervalo. Com os receios de um passado recente. As lembranças do Estoril e o pânico de uma festa adiada. Pior ainda: alguns, pela rádio e pela internet nos telemóveis, sabem que Salvio ficou fora de combate. Más notícias. Ao mesmo tempo, o intervalo volta a trazer o drama do WC. Para o pai, para o filho e para mais alguns milhares. As filas são longas, os 15 minutos de paragem parecem segundos e ai de alguém que demore demasiado tempo. «Ó chefe, isso é para urinar, não é para fazer festinhas», diz um adepto a outro que ficou perto do urinol mais de um minuto.

Lima anti-stress

Vem a segunda parte. Mais nervos. Mas por pouco tempo. Aos 57 minutos, Lima emenda um remate de Gaitán à boca da baliza. Ainda antes do brasileiro empurrar para golo, a Luz fica ao rubro. Loucura e alívio. Algumas lágrimas, aqui e ali. Uma explosão que aumentou ainda mais com o segundo golo dos encarnados três minutos depois. Lima, mais uma vez. Agora com um “frango” de Belec, guarda-redes do Olhanense. Ninguém se importa. «Somos campeões», ouve-se aqui e ali. «Já está!» «Ó Bruno de Carvalho, agora vai lá fazer mais um comunicado.»

Ainda faltam 30 minutos para o jogo terminar, mas já ninguém se vai sentar. Pelo contrário. O cântico ecoa pelas bancadas: «Tudo a saltar, tudo a saltar, tudo a saltar!» É assim até ao fim. Xistra dá dois minutos de desconto. Passam num ápice. E a Luz explode novamente. O Benfica é o novo campeão nacional. «O campeão voltou», como se canta por ali. No meio dos gritos, dos saltos, das selfies, dos telefonemas, das tentativas desesperadas para publicar as novas fotos no Facebook, entre todo aquele festejo made in redes sociais, está um senhor de idade, sentado, com as mãos na cabeça. Aproximo-me dele: «Sente-se bem?» «Estou bem, obrigado. É a emoção, só isso.» Diz-me que tem 78 anos. «A idade com que o Coluna nos deixou. Foi um ano terrível com a morte dele e do Eusébio, depois daquele final triste na época passada. Merecemos isto. Merecemos esta festa. O Benfica é o maior amor da minha vida.»

O palco é montado. Os jogadores são chamados um a um. Luisão levanta a taça. Aqui e ali começam a ouvir-se os planos para o que se segue. Todos com o mesmo destino. «Vamos já para o Marquês porque depois o metro é uma confusão.» Outros, mais confiantes, preferem a tranquilidade antes da festa: «É melhor comermos qualquer coisa no Colombo, com calma, e depois vamos para o Marquês.» À saída do estádio há indumentárias e veículos para todos os gostos. «Houve gente que preparou isto muito bem», diz um vendedor ambulante de cachecóis, entre os gritos da ordem: «Olha o cachecol, Benfica campeão, 5 euros.»

O metro a saltar

A viagem de metro a partir da estação do Colégio Militar da Luz é uma alucinação vermelha. Parecem as carruagens da China em hora de ponta. Há sempre lugar para mais um ou para mais dez. A cada paragem. Menos quando é impossível. E, nessa altura, têm de se lançar os falsos alarmes e as mentiras. «Não entrem, não empurrem. Não dá mais. Estão aqui crianças à frente.» Não há crianças por ali, claro. Apenas calor, muito calor, e pessoas apertadas como se fossem sardinhas em lata. Mas ninguém se importa. E os cânticos continuam. Volta o «tudo a saltar, tudo a saltar», embora ali não seja o lugar mais indicado. «Estejam quietos senão esta merda ainda descarrila», grita um adepto ciente dos perigos.

Chegamos à estação do Parque. Faltam apenas duas para o Marquês de Pombal. O metro está parado e ouve-se um vidro a partir. Ninguém sabe se foi na carruagem ou fora. Mas todos percebem que a viagem acabou ali. O resto do percurso tem de ser a pé. E faz-se bem. Basta seguir a mancha vermelha.

Rave vermelha

O Marquês, com o seu leão ao lado, tem uma camisola do Benfica vestida. Alpinistas urbanos tentam chegar ao cimo da estátua e animam a multidão enquanto a equipa do Benfica não chega. E está por ali um palco e um DJ. Parece uma rave party. Uma rave vermelha a céu aberto. Os turistas passam pelo local e já não se vão embora. Compram cachecóis e cerveja de lata. Juntam-se à festa. Dançam, saltam. Cantam o «Glorioso SLB» com sotaques variados.

Esta parte de Lisboa parece um festival de verão. Uma espécie de Optimus Alive ou Rock in Rio. «Mas de borla», como lembra um amigo que encontro por ali. E com outra diferença: aqui, a banda principal não são os Rolling Stones, mas os jogadores do Benfica. E Jorge Jesus é uma espécie de Mick Jagger em versão holigan. A rockstar do povo.

Os adeptos esperam, dançam, bebem. E cantam. Pelo Benfica. Pela vitória. O autocarro panorâmico chega por volta da meia-noite. E as tochas vermelhas invadem a praça do Marquês. Voltam as lágrimas de emoção dos mais velhos. Vêm os discursos dos protagonistas, os aplausos e um fogo-de-artifício vermelho. A equipa começa a fazer o percurso de volta. Mas ninguém arreada pé do Marquês. A festa promete continuar até às tantas. Pelo menos, para alguns. E são muitos. Outros acabam vencidos pelas dores nas pernas, pelas obrigações profissionais do dia seguinte ou, simplesmente, pelo sono das crianças que estão com eles.

Caminho para o carro juntamente com aqueles que me acompanham. Já passa da uma da manhã e esta crónica da festa tem de ser escrita. Chave na ignição, rádio ligado. Começa uma música dos Strokes. Chama-se The end has no end (o fim não tem fim). Parece-me o título indicado para resumir o estado de espírito de todos os benfiquistas que ainda estão a comemorar. E lembro-me de uma frase que ouvi de um deles pouco antes de me vir embora: «Esta festa não acaba aqui. Vamos voltar para celebrar tudo o que ainda vamos ganhar esta época. Em Portugal e na Europa.»

João Moutinho: «Benfica foi um justo campeão»

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Ex-jogador de Sporting e FC Porto, João Moutinho deu os parabéns ao Benfica pela conquista do campeonato nacional. Em entrevista à Rádio Renascença, o jogador do Monaco sublinhou a regularidade das águias como factor essencial para o sucesso da equipa de Jorge Jesus.

 

"Campeões justos são os que tiveram uma época mais regular e por isso temos de dizer que o Benfica foi um campeão justo", afirmou o internacional português.

 

E prosseguiu: "Ninguém está acostumado a ver o FC Porto ficar em 3.º lugar, mas são coisas que acontecem. O FC Porto sempre deu a volta por cima e com certeza que vai voltar a dar. No próximo ano estará mais forte e atingirá os seus objetivos".

 

Supreendente foi também a época do Sporting. Para João Moutinho, o "feito" deve-se "aos excelentes jogadores e ao treinador". "Conseguir apurar-se para a Champions é um feito".

Paraibano se empolga com o título do Benfica: 'nunca vi festa igual no Brasil'

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globo

O estudante paraibano Daniel Peixoto, de 22 anos, que está na Europa fazendo uma série de cursos pelo continente, participou neste domingo da festa do Benfica, campeão português depois de três temporadas como vice e vendo o arquirrival Porto sendo campeão. Torcedor do Botafogo da Paraíba, o campeão brasileiro da Série D do ano passado, ele admite que nunca presenciou em toda a sua “vida futebolística” uma festa tão impressionante como a protagonizada pela “torcida encarnada”.

festa do benfica, portugal, jornal (Foto: Daniel Peixoto / Arquivo Pessoal)Daniel Peixoto à esquerda com amigos: pose com o jornal histórico que marca o 33º título nacional
(Foto: Daniel Peixoto / Arquivo Pessoal)

Daniel, inclusive, diz que desde as primeiras horas de festa se emocionou, chorou e se arrepiou algumas vezes só pela comemoração que presenciava nas proximidades da estátua do Marquês de Pombal, em Lisboa, e que dentro dele já vive um “pedaço de amor pelo Benfica”.

- Quando chegamos na festa, a primeira impressão foi de que era algo parecido com o que vemos em eventos similares no Brasil. Mas rapidamente percebi que estava enganado. Todos estavam ali para extravasar. Passei mais de quatro horas na festa e não presenciei uma única confusão. A torcida mal se aguentava de tanta felicidade. E a cerveja era “servida” em baldes – relembra aos risos.

Veja galeria de fotos da festa do título do Benfica

Ele destaca, contudo, que para um brasileiro como ele acompanhar o grito de “o campeão voltou” não era nada fácil, porque o ritmo era bem diferente do cantado no Brasil e ele constantemente errava no compasso.

Sempre que tentava cair na gandaia, errava o ritmo. Mas foi inesquecível"Daniel Peixoto, estudante paraibano

- Sempre que tentava cair na gandaia, errava o ritmo. Mas foi inesquecível. Nunca havia presenciado nada como aquilo – brinca.

Na verdade, ele explica que decidiu ir à festa com amigos de última hora, de forma improvisada, e que nem mesmo estava no estádio na hora do jogo contra o Olhanense, vencido por 2 a 0 e que deu o título ao Benfica. Mas que ao saber do título resolveu ir até onde a multidão estava.

- Ao saber que o time lisboeta ganhou o título com dois gols do brasileiro Lima, vimos pela TV uma grande camisa do Benfica sendo colocada na estátua do Marquês de Pombal. Não tivemos dúvida. Partimos para a praça onde a torcida comemorava. Após três vice-campeonatos, vendo seu rival ser campeão, a festa não podia ser menor – comentou, completando que o ponto alto da festa foi o ônibus que levou os jogadores do time para a “grande festa”.

O novo torcedor do Benfica, inclusive, admite que não ir ao estádio foi um erro. Mas que ele já corrigiu este problema.

- Não perdi tempo. E já comprei meu ingresso para quinta-feira, quando enfrentaremos a Juventus pelas semifinais da Liga Europa. Desta vez estarei no estádio. E espero muito em breve voltar para ver os fanáticos escalando a estátua - finalizou.

festa do benfica, portugal (Foto: Daniel Peixoto / Arquivo Pessoal)Festa do Benfica na estátua do Marquês de Pombal (Foto: Daniel Peixoto / Arquivo Pessoal)

 

 

Carlos Xistra dá bola do título a instituição de solidariedade

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HCBeira

 

O arbitro Carlos Xistra, colaborador do Centro Hospitalar Cova da Beira teve hoje um gesto reconhecidamente nobre: a última bola utilizada no jogo entre Benfica e Olhanense, que valeu o título de campeão nacional de futebol aos "encarnados", foi entregue pelo árbitro da partida à associação de solidariedade Mundo da Carolina ( http://goo.gl/j4YkQW ) para ser leiloada.

Após o apito final do encontro de ontem, Carlos Xistra, colaborador do Centro Hospitalar Cova da Beira guardou a bola, para ser leiloada online.

A bola foi entregue no Complexo Desportivo da Covilhã, onde Carlos Xistra costuma treinar, ao presidente da associação O Mundo da Carolina, Nuno Pombo, que criou o projeto solidário em memória da filha falecida o ano passado, vítima de leucemia.

As receitas obtidas com o leilão revertem para a edição de um livro solidário com histórias e desenhos feitos por Carolina Pombo e as verbas angariadas com as vendas do livro, com data de lançamento prevista para 01 de junho, serão entregues a outras associações de solidariedade que ajudam crianças.

O leilão on-line vai ter início ainda esta semana, em moldes a indicar, e a entrega da bola, a quem fizer a maior licitação, será feita em junho num torneio de futebol solidário a realizar na Covilhã, em parceria com a Associação de Futebol de Castelo Branco.

 

Hospital Cova da Beira

OFICIAL: https://www.facebook.com/media/set/?set=a.719921304756740.1073741935.311907355558139&type=1

 

 

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Benfica TV e ‘Benfica – Olhanense’ alcançam resultados históricos

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A Benfica TV foi, num primeiro momento, a estação oficial da festa do título do SL Benfica. O clube da Luz sagrou-se pela 33ª vez Campeão Nacional de Futebol e a estação transmitiu o jogo.

O ‘Benfica – Olhanense’, que terminou uma vitória por 2-0 para as Águias, registou 2.4/7.1%. Perto de 250 mil pessoas viram, em direto, a consagração do Benfica em campo.

A emissão que se seguiu – e que ainda foi exclusiva da Benfica TV – também reteve uma enorme audiência para os padrões do canal.

O Benfica sobre carris

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Ir ao futebol de comboio tornou-se moda para milhares benfiquistas, desde que o clube e a CP se entenderam para montar uma oferta de “comboios especiais” que trazem os adeptos de vários pontos do país directamente para a estação de Benfica. O PÚBLICO acompanhou neste domingo, entre Braga e Benfica, um destes comboios fretados, cujos passageiros descobriram na própria viagem uma antecipação e um prolongamento da própria festa do estádio.

“É mais confortável, é mais barato e não é tão cansativo. Isto de comboio é muito melhor. Olhe eu autocarro nunca mais. E na quarta-feira venho outra vez”. Helder Matos, 34 anos, embarcou em Vila Nova Gaia e bebe umas cervejas com dois amigos que vieram também de Gaia e outro de Espinho. Os três alinham no mesmo discurso: “isto é muito melhor porque a malta pode andar e conviver, sempre vai ao bar e à casa de banho. E chegada aquela hora de partir, é certinho. Se fosse de autocarro anda tínhamos que estar à espera dos que faltam”.

São 11h45 e o comboio do Benfica, que saiu de Braga às 9h04, acaba de arrancar da estação de Pombal, onde deixou passageiros em terra porque já vai lotado. Nada de grave. Atrás desta composição, formada por uma locomotiva e seis carruagens, segue um comboio de desdobramento que vai recolhendo quem já não cabe neste.

Atravessa-se a composição de ponta a ponta e, se é certo que há grupos ruidosos que vão antecipando a festa de logo à noite, há carruagens onde a única coisa que as distingue das de um vulgar Intercidades são os passageiros vestidos de vermelho. Grupos de amigos, casais de todas as idades, famílias inteiras, vão sentadas a conversar calmamente, a dormitar, a ler jornais, a brincar com tablets, telemóveis ou portáteis.

O revisor do comboio vai controlando os bilhetes com a ajuda de um colega, também revisor, mas que hoje viaja como passageiro, “com bilhete pago à Casa do Benfica”, como faz questão de explicar. Rui Moreira, que já várias vezes fez esta viagem com a farda vestida, em serviço, diz que nunca houve problemas e que as viagens de comboio estão a recuperar o velho hábito de as famílias virem à bola como o faziam antigamente. Uma opinião corroborada por vários passageiros com quem o PÚBLICO falou e que sublinham que “isto não é um comboio das claques”.

José Rocha, 38 anos, vem de Campanhã. Viaja sozinho, mas leva crianças ao colo, brinca, bebe umas cervejas e anima um pequeno grupo de amigos, habitués desta viagem. “Isto é mais confortável e é melhor do que as camionetas. Já é a quinta vez que venho. Isto é como uma família!”.

A viagem do Porto a Benfica ida e volta, com direito a transfer em autocarro para o Estádio da Luz, custa-lhe 15 euros. Um Intercidades normal entre Campanhã e Santa Apolónia custa 35,90 euros. Os bilhetes são exclusivamente vendidos pelas Casas do Benfica e têm preços distintos para o público geral, para os sócios da Casa do Benfica ou os do próprio clube e – os mais baratos – para os sócios de ambos.

Miguel Nunes, 40 anos, vem de Ermesinde e pagou 17,50 euros. É a primeira vez que vem à bola de comboio e deixou-se seduzir pelo preço. “O preço é o factor aliciante e tem a vantagem de ter o autocarro para o estádio da Luz”, diz. Mas tem uma queixa: “É um bocado cedo de mais porque chegamos à uma e tal e o jogo é só às seis. É como as excursões [de autocarro] em que eu deixei de ir porque demoravam o dia inteiro”.

Mas também há quem se queixe da hora de regresso porque às 22h00 a festa vai estar no auge e vão ter que apanhar o comboio. “Devia ser lá para as 2h00 ou 3h00 da manhã”, diz Rui Lopes, de Vila Nova de Gaia.

Jorge Jacinto, director das Casas do Benfica e o principal interlocutor destes comboios especiais junto da CP, diz que este horário está bem “porque assim ainda chegam a tempo de festejar nas rotundas das suas terras”. Além de que amanhã é dia de trabalho e há quem queira chegar cedo a casa.

O bar deste Intercidades vai animado. Abrem-se farnéis, comem-se rissóis, croquetes, frango assado, abrem-se geleiras com cerveja e vinho. Rosa Vieira, a funcionária do bar, diz que neste tipo de comboios não parece mal que os clientes se refastelem com a sua própria comida nas mesas da carruagem-bar. De resto, não faltam pedidos de sandes e cervejas, sendo que o bar chega sempre esgotado ao destino. “Aqui só não sobra a água”, grita um adepto mais excitado.

Rosa Vieira mostra um vídeo no seu telemóvel onde se vê um grupo a cantar e a saltar numa viagem anterior. “Isto é sempre assim, mas há um grupo muito animado que costuma entrar na Curia e hoje veio no comboio que vem atrás deste”.

No Entroncamento a paragem é breve. Agora o comboio especial número 21520 já vai lançado pela lezíria e avista-se ao longe os contrafortes de Santarém em cuja estação passa, mas não pára.

Gonçalo Amorim, 25 anos, veio no seu carro de Viana do Castelo para Nine, onde apanhou o comboio às 9h15. “É uma excelente forma de viajar porque sente-se mais este espírito de camaradagem. O Benfica é muito isto, o convívio entre os adeptos e o comboio tem as condições ideais para isso”.

De certa forma, a composição cumpre um percurso unificador: parte de Braga, mas vai recolhendo gente de cachecóis e camisolas vermelhas que vêm de Viana, Guimarães, Ermesinde, Porto, Aveiro, Coimbra. Da Beira Baixa partiu também um comboio especial da Covilhã para Lisboa, vendido pela CP às Casas do Benfica. E do Algarve, o Intercidades de Faro veio reforçado com quatro carruagens da mesma maré vermelha, sendo que estes descem em Sete Rios onde têm transbordo em autocarro para o estádio da Luz. Ao todo, e só em comboios fretados, viajaram hoje mais de 1500 adeptos.

Jorge Jacinto diz que esta é uma aposta ganha, que é para continuar. Desde o ano passado já foram realizados 28 comboios, a maioria deles neste primeiros meses do ano e, ultimamente, a uma média de um comboio em cada quatro dias. Tudo somado já terão sido mais de 15 mil passageiros a deslocarem-se sobre carris para assistir aos jogos. E o dirigente só lamenta que algumas zonas do país não estejam bem servidas pela ferrovia porque até daí fariam marchas especiais. É o caso do Douro e da Beira Alta (a estação mais próxima de Viseu é Mangualde). E lamenta que a Refer não termine as obras de renovação entre Covilhã e Guarda porque desta última poderiam organizar comboios directos para Lisboa. No Algarve acabam por ser só as Casas do Benfica de Faro e Loulé que têm o comboio à porta. E no eixo do Oeste (Leiria, Marinha Grande, Caldas da Rainha, Torres Vedras) a própria CP desaconselhou-o a usar o comboio porque demora muito.

Na composição que vem de Braga até o revisor e a funcionária do bar são do Benfica. E lá à frente, aos comandos da locomotiva, Coutinho dos Santos também é benfiquista e não é um maquinista qualquer - para este serviço a CP destacou um inspector dos maquinistas.

A composição dá solavancos ao passar em grande velocidade pelas estações de Azambuja, Carregado, Vila Franca de Xira, Alverca. O relógio marca as 13h00 e multiplicam-se os farnéis abertos. É hora de almoço e aproxima-se a chegada e a excitação do estádio. Na estação do Oriente uma breve paragem técnica para troca de tripulação. Agora o especial de Braga atravessa Lisboa e entra, sempre em bom andamento, na linha de Sintra para se deter, suavemente, na estação de Benfica. O que os 468 adeptos benfiquistas que nele viajam não sabem é que, neste último troço, o maquinista Barradas que os trouxe até aqui é... do Sporting.