Auto da polícia levanta algumas dúvidas na Luz

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O auto que a Polícia de Segurança Pública (PSP) enviou ontem para o Tribunal de Guimarães pode vir a revelar-se determinante para o desfecho de todo este processo. A grande questão é se foi utilizada a expressão “tentativa de agressão” e, neste ponto, estão a correr algumas versões divergentes. Ora, Jorge Jesus, que foi notificado com a presença de advogados do Benfica, terá sido informado que não enfrentava esta acusação, mas a verdade é que, mais tarde, fontes da PSP fizeram chegar mensagem contrária. Ou seja, há a possibilidade de o auto policial falar em tentativa de agressão por parte do técnico encarnado. De qualquer forma, esta foi uma informação que não chegou à Luz, pelo que o Benfica não a quer comentar. Jesus foi notificado e informado da acusação que enfrenta e para os responsáveis encarnados esta é a versão oficial. A verdade é que se este cenário se concretizar, a defesa do treinador será, naturalmente, mais complicada. Os advogados do Benfica esperam agora receber a acusação para delinear a estratégia a seguir. Tanto no campo civil como na área desportiva.

Relatório da polícia não fala em agressões

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Record

O relatório da PSP a propósito dos incidentes de Guimarães envolvendo Jorge Jesus não fala em agressões.  O que consta é uma referência a empurrões e impropérios como Record adiantou.

No final do jogo entre o V. Guimarães e o Benfica (0-1), da quinta jornada da Liga, Jorge Jesus intrometeu-se numa ação da polícia que tentava retirar adeptos do clube das águias do relvado do Estádio D. Afonso Henriques.

Na zona de entrevista rápidas, o treinador Jorge Jesus justificou a sua decisão com a necessidade de defender os adeptos do Benfica.

"Os adeptos começaram a entrar, a segurança tentou bloquear um deles e tentei que o deixassem tranquilo, porque só foi buscar uma camisola. Decidi agir em defesa dos adeptos do Benfica. Serei sempre o primeiro a defendê-los", disse, em declarações à SportTV.

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Jorge Jesus - "Se exagerei, peço desculpa", "Não agredi ninguém"

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RR

 

Jorge Jesus garante que não agrediu qualquer elemento das forças de autoridade, durante o incidente que protagonizou no final do Vitória de Guimarães-Benfica, do passado domingo, mas admite que poderá ter exagerado na reacção que acabou por ter perante a detenção de um adepto encarnado.

Em entrevista à Benfica TV, o técnico dos encarnados confirma ter sido notificado pela Polícia de Segurança Pública (PSP) sobre a sua constituição como arguido no processo que o envolve.

"Estou completamente tranquilo. Agora é esperar, é o habitual e vou aguardar serenamente, porque sinto que não cometi nada de especial, não agredi ninguém e não me passou outra coisa pela cabeça. Foi uma tentativa de poder ajudar o adepto do Benfica para ele ter a camisola do Benfica, que seria o grande troféu dele", assegurou Jesus.

Certo é que, na última declaração ao canal de televisão do clube da Luz, Jesus faz um "mea culpa" em relação a todo o processo.

"Como cidadão, nunca tive problemas com a autoridade e respeito imenso as competências da autoridade, mas achei que deveria, naquele momento, pedir para libertar o adepto do Benfica. A minha ideia foi ajudar a que as coisas entrassem na normalidade. Se exagerei nessa tentativa de ajudar que o miúdo fosse para a bancada, só posso pedir desculpa às autoridades", completou o técnico.

O que está em causa para Jesus
A PSP considera que Jorge Jesus não só tentou impedir a sua acção para evitar o crime de invasão de campo, como o fez desobedecendo e agredindo os agentes que estavam em campo. Este tipo de comportamento levou a que, de forma inevitável, o treinador fosse constituído arguido, ficando sujeito a Termo de Identidade de Residência.

Ora, a moldura que rodeia o caso pode levar Jorge Jesus a ser acuado de um até três crimes inscritos no Código Penal e com sério risco de prisão efectiva. A saber: crime de ofensas corporais qualificadas, com tentativa a ser também punível, sendo que se este tipo de infracção for cometido contra um agente ou força de segurança, a pena pode ir até aos quatro anos de prisão; crime de coacção agravado também com tentativa punível, e com pena de prisão até cinco anos; e crime de resistência e coação contra funcionário, com pena até cinco anos de prisão.

Por outro lado, o comportamento do treinador do Benfica também se enquadra como uma infracção ao Regulamento Disciplinar da Liga de Clubes, podendo Jesus ser suspenso igualmente no âmbito desportivo.

 

Manuel Sérgio - Jesus fez aquilo por generosidade

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RR
Manuel Sérgio considera que o caso gerado pelo envolvimento de Jorge Jesus em cenas de violência no final da partida do Vitória de Guimarães-Benfica  "não tem valor nenhum" e "é para morrer".  "Quando nos agarramos em demasia a um caso como este, é porque não temos coisas importantes a tratar. É preciso analisar o contexto do futebol. Tinha sido um jogo difícil. Ele estava stressado", sustenta o amigo pessoal do treinador do Benfica e actual Provedor da Ética do Desporto.

"No momento que o nosso país atravessa, não vamos amplificar uma coisa que não tem valor nenhum. Há coisas muito mais importantes. Aquilo não tem importância nenhuma. Eu, que conheço Jesus, sei bem daquilo que ele é capaz. Fez aquilo por generosidade", acrescenta o professor catedrático, que chegou a trabalhar com Jesus no Benfica. 

Manuel Sérgio, conselheiro e mentor do técnico das águias, faz ainda questão de lembrar recentes "palavras do Papa Francisco" para dizer: "Quem sou eu para julgar o meu semelhante?".

"O que se passou não tem qualquer relevância penal. O Jorge Jesus é um homem generoso. Foi por generosidade que ele tomou aquela atitude de defesa da atitude dos rapazes que queriam levar as camisolas dos seus ídolos", conclui.

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Advogado garante Jesus em Paris

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Luís Miguel Henriques, advogado de Jorge Jesus, garante que a medida de coação de termo de identidade e residência, imposta na sequência dos incidentes em Guimarães, não impedirá o treinador de viajar com a equipa para Paris, na próxima semana, a fim de jogar a fase de grupos da Liga dos Campeões. «O termo de identidade e residência não retrai qualquer liberdade de movimentos. Poderá tranquilamente ir a Paris. Só se quisesse estar fora do país por mais de cinco dias é que teria de o comunicar às autoridades. As coisas já foram esclarecidas com a polícia», disse o advogado em declarações à Renascença. «Está a falar-se de coisas que não aconteceram, como agressão ou tentativa de agressão. A motivação do Jorge Jesus é a de serenar os ânimos, a atitude do treinador do Benfica foi apaziguadora. Qualquer moldura penal baseada nestas circunstâncias que não sucederam, é irreal e especulativa», prosseguiu, acrescentando que se tratou de «um momento infeliz de várias pessoas, inclusive do Jorge Jesus» e que «a situação tomou proporções exageradas».

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Resposta do JN ao comunicado do Benfica

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1. O Sport Lisboa e Benfica emitiu um comunicado em que refere o Jornal de Notícias como um dos órgãos de Comunicação Social que, citamos, "continuam a dar apoio ao sistema". Os factos provam que o magno problema do SLB - pouquíssimos títulos conquistados nos últimos anos para tamanha legião de adeptos - resultam do sistema sim, mas do seu próprio: de gestão desportiva. Quanto ao JN, limita-se a relatar factos e a dar-lhes o relevo e enquadramento que a sua Direção editorial decide. 2. Não foi o JN quem patrocinou a cena em que o treinador do SLB se envolveu à pancada com a Polícia no final do jogo de domingo último. Nem esta, nem anteriores como, por exemplo, a que protagonizou com o seu próprio atleta Cardozo, também em pleno relvado, após a final da Taça de Portugal da época passada. 3. Não foi o JN quem patrocinou a cena em que o capitão da equipa insultou os adeptos do seu clube no final do jogo da Luz com o Gil Vicente. 4. Não foi o JN quem patrocinou as cenas pós-jogo, como, por exemplo, a rega e o apagão com que o Benfica brindou, na Luz, uma das festas de um dos campeonatos ganhos pelo F. C. Porto. 5. Não foi o JN quem patrocinou as cenas de falta de "fair play" dos jogadores do Benfica no final da Taça de Portugal, ganha pelo Vitória de Guimarães. P. S.: "Dragão travado com penálti fora da área e golo fora de jogo. Nervoso, Jorge Jesus envolve-se em rixa com a Polícia no final do jogo". Para quem não se recorda - e para memória futura - aqui ficam os títulos do JN de segunda-feira que mexeram com os nervos da estrutura pensante do Benfica, que debalde tentou atirar argumentos contra factos.

Sem sofrer golos com Fejsa no onze

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A águia voltou a alguns velhos hábitos: ganhar jogos em série e terminá-los a zero no que diz respeito a golos sofridos. Sensações distantes no tempo, que o tempo agora recupera. Há mais de seis meses, por exemplo, que o Benfica não terminava dois jogos consecutivos sem Artur Moraes encaixar qualquer golo. A última vez que tal se verificou foi na série Bordéus-Gil Vicente, a 7 e 10 de março, respetivamente, em jogo para a Liga Europa e Campeonato, por esta ordem. Posteriormente seguiram-se 16 partidas em 2012/13, e apenas três terminaram sem golos sofridos (V. Guimarães, Olhanense e Sporting), mas de forma alternada. Já na presente temporada foi preciso esperar até à série Anderlecht-V. Guimarães para ver os encarnados apresentarem uma sequência deste género. 180 minutos seguidos com a baliza inviolada (com a repetição do mesmo onze, pela primeira vez na presente temporada) serviram também para dar corpo a outro registo relevante: o triunfo em Guimarães foi o terceiro consecutivo em todas as provas (Paços de Ferreira-Anderlecht-V. Guimarães), sequência que a equipa comandada por Jorge Jesus não conseguia desde a série Rio-Ave-Newcastle-Olhanense, de 30 de março a 7 de abril. Por coincidência (ou não...) a melhor fase da época dos encarnados dá-se com a entrada de Fejsa na equipa, assinando com Matic uma nova fórmula a meio-campo, com os dois sérvios a formarem um bloco capaz de filtrar muitas bolas. Siqueira também pode reclamar protagonismo: desde que entrou na equipa (Paços de Ferreira), os encarnados venceram sempre.
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