As Finanças do Benfica

DB4700

Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 11:18
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 11:10
Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 11:05
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 10:57
Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 10:51
Spoiler
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 10:32Uma análise rápida ao R&C. É um texto longo, de quem leu na diagonal o R&C, mas é o melhor que posso fazer. Se não quiserem ler tudo, o resumo é: estamos bastante bem... enquanto andarmos a fazer grandes prestações na Champions League, se um dia não nos apurarmos para a Champions League, deixamos de estar bastante bem.

1. Voltámos a ter lucro (+4,2M), depois de dois anos com prejuízo nos -17.4M e -35M

2. No triénio, isso dá -48.2M. Mas não entrámos no fair-play financeiro por algum motivo. Não conheço o protocolo do fair-play financeiro ao certo. Sei que são um conjunto de regras e rácios bastante longo. No caso do FC Porto falou-se de uma avaliação a quatro anos. Pode não ser assim tão simples. No nosso caso daria um conjunto de quatro anos de -6.5M. Se for esse caso, estamos pressionados este ano a ter um lucro na casa dos 40M este ano.

3. As receitas operacionais bateram um novo record. Fizemos quase 196 milhões em direitos televisivos, Champions League, patrocinadores e bilhética. Todas as componentes cresceram significativamente.

3.1 As receitas televisivas só do Campeonato Português foram de 48M. Não é o mais alto dos últimos cinco anos porque houve jogos da época 19/20 que decorreram já no período financeiro de 20/21 e cuja receita foi contabilizada aí. O Benfica não divulga ao certo se este dinheiro vem todo da NOS. O contrato com a NOS do Benfica divulgado estipulava um valor médio de 40M por ano, sendo que começava em valores na casa dos 36 nos primeiros anos anos e iria subindo até ao final do contrato para valores nos 44M. Pelos vistos já estamos a receber 48M.  Não é explicado de onde estão a vir estes milhões extra, mas de algum lado estão a vir. Os nossos custos com a BTV também estão a subir, o que poderá explicar em parte.

3.2 Estamos a trabalhar melhor na publicidade e patrocínios. Ainda assim, há muito potencial aqui ainda por explorar. Fizemos quase 24M (parte do crescimente deverá ser pelos prémios de termos sido campeões). Estas coisas não são sempre exactas, porque o que uma SAD contabiliza de uma maneira, outra SAD pode contabilizar de outra maneira. Mas o FC Porto fez 26M na época passada (21/22).

3.3 Fizemos 3.6M a alugar o Estádio da Luz. Há 5 anos atrás fizemos 3 mil euros. Ter o maior estádio do país, numa altura que o país está entrar no roteiro dos maiores artistas musicais do planeta, pode e deve ser mais explorado ainda.

3.4 A nossa receita de bilhética é absurdamente boa e uma enorme vantagem perante os rivais. O Porto em 21/22 fez 8.7M o ano inteiro. O que é ridiculamente baixo, e talvez parte dos executive seats ou dos camarotes sejam contabilizados na rúbrica de patrocínios (não sei mas explicaria porque fazem mais do que nós). Nós em bilhética fizemos em 22/23 quase 34 milhões.

3.4.1 Numa altura que está na moda bater nos "pipoqueiros do Estádio da Luz", convém ter noção que os camarotes e os executive seats são responsáveis por 4.4% dos lugares do Estádio mas geram 37.7% das receitas totais.

4. Os nossos gastos operacionais voltaram a subir de 192.4 para 206.4. O responsável pela maior fatia da subida são os fornecimentos e serviços externos.

4.1 Os gastos com pessoal a meio do ano estavam a 60M, e terminaram nos 114.7M. A meio do ano o Benfica tinha dito que havia 6M que eram relativos a prémios de assinatura que não se iriam repetir no segundo semestre. E bateu certo. Continuamos a ter a massa salarial mais alta, de longe, da Primeira Liga.

4.2 Os FSE é que subiram de um total de 37.7M no primeiro semestre, para 82.1M no ano. Ou seja, o segundo semestre custou 44.4M em FSE. O Benfica justifica-se dizendo que a subida está sobretudo relacionada com o investimento no Estádio (ecrãs, LEDs, som). Comparando directamente 22/23 com 21/22, gastou-se mais quase 6M no gestão do Estádio, quase mais 3M em trabalhos especializados (não se sabe quais), mais 2.4M na licença da marça Benfica (um total já de 8.4) que acaba por estar ligado ao investimento feito nas modalidades, gastou-se mais 1M na BTV e mais 2.2M em estadias e deslocações. O resto está relativamente dentro dos valores do ano anterior.

5. Além dos gastos operacionais, o clube teve 39.4M em amortizações, que não são um custo real. São apenas um efeito do investimento que se fez nos últimos anos. Quando contratamos um jogador por, digamos 20M, e lhe damos um contrato de 5 anos, esse jogador custa-nos 20M mais salários, mas não tem esse custo no imediato. Em vez disso, por cada ano que passa terá um custo de 4M (20 a dividir 5 que é a duração do contrato) mais salários. Esses 4M por ano chama-se amortização. Como 95% dos jogadores que contratamos têm 5 anos de contrato, se "gastamos" (porque não são um custo real) 39M por ano em amortizações, significa que temos um plantel que nos custou cerca de 5x39M.

5.1 São as amortizações na verdade que puxam os nossos resultados para baixo. Ainda assim devido à limpeza que se fez no plantel na época passada, as amortizações baixaram. Isto porque se um jogador que nos custou 20M é vendido passado dois anos (ou seja já amortizou 8M [4+4]) então ao valor que ele for vendido, digamos 15M, são subtraído os 12M que ainda vale nas nossas contas. Gerando assim uma mais-valia de 3M. Mas deixa de amortizar a partir daí. Comos se vendeu Darwin, Yaremchuk, Everton, Vinicius, as amortizações baixaram bastante (-11M).

6. O resultado líquido do período além das amortizações, ainda levou um cut significativo de 16.6M gastos em juros. Nem todos estes juros são relativos aos empréstimos obrigacionistas. Na verdade, cerca de 7M são relativos a isso. Os restantes 9.6M são devidos à maneira como o Benfica contabiliza o resto das suas dívidas (a outros clubes, ao estado) e este ano o clube optou por mudar a sua taxa de actualização de dívidas de 4% para 5.75% daí os valores terem subido mais um bocado.

7. As vendas:
7.1 Enzo rendeu um total de 65.5M em mais-valias (custou cerca de 16M que quase não sofreram amortizações dado que foi vendido ao final de 6 meses). Aos 65.5 devem então ser somados 14.6M (valor do Enzo nas nossas contas após descontadas as amortizações). Ou seja, o Benfica terá recebido 81.1 milhões

7.2 Yaremchuk gerou um ganho de 1.2M (que como amortizou um ano completo, significa que recebemos menos do que pagámos, mas a amortização de um ano do contrato cumprido torna o negócio positivo.

7.3 João Ferreira gerou um ganho de 1.8M. O bónus de 5M do Darwin, após ter cumprido a primeira meta, gerou um ganho de 3.4M. Só recebemos dois terços do bónus, o que é bastante. Pelo que está escrito parece que o Almeria ainda levou algum dinheiro daqui. Os 30% do Jota geraram um ganho de 6.8M
O resultado líquido levou assim um corte muito significativo ao que se estimaria inicialmente

8. As contratações:
8.1 Kokçu poderá custar no máximo até 29.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.2 Enzo custou 16.2M.  Este valor inclui 50% dos bónus como cumpridos.
8.3 Aursnes poderá custar no máximo 14.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.4 Schjelderup poderá custar no máximo 11.5M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos e inclui também a dedução de 2.5M devido ao empréstimo de volta ao Nordsjealland, conforme Rui Costa
8.5 Tengstedt poderá custo no máximo 10M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.6 João Victor custou 9.4M por 80% do passe. Este valor não inclui qualquer valor de bónus. Só mais tarde, lá para março, poderemos confirmar, mas teoriacamente 1M da taxa de empréstimo do Lucas Veríssimo virá de uma redução aqui.

Até aqui foram só factos do que está no R&C, agora a minha opinião:
a. O Benfica continua e vai agudizando a estratégia de assumir que vai vender um jogador por ano

b. o resultado liquido não é formoso mas é principalmente consequência de: 1. o investimento feito nos últimos anos que com as vendas até baixou consideravelmente o impacto das amortizações mas continuam a ser 39M que não são um custo real que baixam o resultado liquido; e 2. porque operacionalmente o Benfica dá prejuízo (bilhetes+patrocinios+Champions+TV não pagam salários+fornecedores+serviços+etc)

c. o ponto nº2 é o mais alarme, quando pensamos que esta Champions League foi especialmente muito boa, não só pelos quartos, mas pelos pontos que fizemos na fase de grupo (que pagam bastante bem na forma de prémios por vitória e empate). e não é credível que tenhamos uma Champions League assim sempre (é o que devemos ambicionar, mas sabemos que não vai acontecer sempre), além que também não é credível que iremos estar sempre na Champions League (nos últimos 10 anos, estivemos 9 vezes).

d. Isto significa que se o Benfica não tivesse tido uma Champions League muito boa, se tivesse sido apenas boa, teríamos tido prejuízo. Aliás, se tivessemos chegado aos quartos de final na mesma, e mas tivessemos perdido dois jogos dos 4 que ganhámos, o Benfica teria tido prejuízo. O que num ano destes é mesmo impressionante.
e. Acho portanto que o Benfica deveria traçar um plano a longo prazo para caso não esteja na Champions League, e esse plano é muito simples: baixar 5 a 10 milhões por ano nos EOs, para caso falhemos a Champions League, possamos aumentar o EO em 50 milhões do valor normal e financiar as perdas que vamos ter por não estar na Champions League um ano. Foi de resto, desta maneira, que o Benfica financiou o investimento feito no plantel na época passada e que provocou uma subida na divida líquida em 50 milhões.

f. as pessoas não gostam do DSO, e têm mais do que motivos para não gostar. É no entanto importante separar as coisas boas das coisas más, e por muito que custe acreditar, havia coisas boas. O DSO, pelo que falava nas entrevistas e por aquilo que era executado, era um gestor muito cuidadoso (se calhar até demais, como vimos no ano de 2017), mas até 2020, o que dizia batia certo com as contas, e tínhamos uma responsabilidade financeira que nos permitia estar protegidos caso alguma coisa má acontecesse. Aliás, como se viu em 2020, onde sem Champions garantida (que acabou por não acontecer) se fez o maior investimento da história do clube porque: 1. havia eleições e LFV assim quis; e 2. durante anos, fomos um clube poupado (às vezes até demais). Neste momento não temos ninguém na SAD que pense assim, mas estamos a uma não-ida da Champions para nos perguntarmos porque é que ninguém pensou assim.

g. Eu percebo que a retórica do plano desportivo ser prioridade é o que os adeptos gostam de ouvir. Mas o plano desportivo tem que ser suportado pelo plano financeiro, e uma coisa não anda sem a outra. O Benfica nos próximos 20-30 anos, algum ano irá falhar o apuramento para a Champions, e neste momento não temos maneira de financiar isso sem deteriorar bastante a qualidade do plantel (que num ano em que falhamos a Champions vai estar subvalorizado) ou deteriorar a saúde financeira da SAD, que já levou a primeira pancada em 2022 para financiar o investimento no plantel.
[fechar]

Continuo a não perceber como gastamos tanto em FSE.

82.1M num ano. Não consigo conceber. Mesmo que o 2 semestre tenha sido justificado por o investimento no estádio, 37.7M no primeiro semestre, cheira-me muito mal. Parece que muito dinheiro aqui está a ser usado para dar de mamar a muita gente. No fundo dinheiro que está a ser roubado ao Benfica. Todos os anos temos de vender um Gonçalo Ramos e + 1 jogador de 20M, para estas despesas de 82.1M de FSE.

Inaceitável.

é uma boa pergunta para se fazer numa Assembleia Geral. seria top5 das minhas perguntas. há outras coisas mais relevantes a falar, nomeadamente a questão de não termos um plano caso a coisa corra mal.
Consegues identificar o máximo de gastos aqui?

Pelo que li do teu post temos:

- Investimento no estádio (+6M que o normal)
- Estadias em Deslocações (2.2M)
- Marca Benfica (8.4M) O que isto engloba? As modalidades estão englobadas aqui?
- Trabalhos especializados (3M) Desconhece-se o que seja. Talvez trabalho de advogados incluidos aqui?
 
Que coisa mais há que saibas?

O total destes gastos são 19.6M. Onde pára o resto?




isso foram as subidas em relação ao ano anterior. os valores totais são estes.



o Benfica dá uma breve explicação das subidas nas páginas 145 e 146 mas não dá para perceber onde gastaram exactamente tanto dinheiro.

estas deslocações incluem apenas as deslocações do Futebol. ou seja, viagens dos jogos futebol e outras viagens que haja, nomeadamente estágios, jactos privados para trazer reforços...
Custa-me a acreditar que precisamos gastar 20.489 em gastos operacional do estádio. Estou a contabilizar o ano de 2022 porque este ano houve investimento extra. Mesmo assim 20M parece-me demasiado. Acho que o dinheiro está a ser esbanjado, provavelmente em empesas que estão a lucrar muito, sabe-se lá se haverá algum beneficio de alguém ligado à direcção.

Trabalhos especializados e Outros Fornecimentos e serviços (13.955 + 9.295) é uma caixa negra. Mais uma vez sabe-se lá o que possa ser. Tem de ser muito mais detalhado. Isto também pode dar azo a que se ache que há dinheiro a ser esbanjado e muita empresa a lucrar com estas verbas. Empresas com ligação a pessoas da direcção?

Licença da marca Benfica, também me parece muito caro. Não consigo perceber o que inclui ai.

se eu tivesse acesso ao excel do clube dizia-te ao cêntimo quem é que recebeu o quê. não tendo, não sei. tanto pode haver trafulhice como pode ser normal. o Porto o ano passado gastou cerca de de 50M em FSE.

filc

Citação de: Shoky em 07 de Setembro de 2023, 11:20Algo que também tem de ser dito. Estes números são provocados por uma concorrência desleal. O Benfica tem de andar a fazer contratações de 25 milhões e pagar salários de 6 milhões brutos/ano, porque tem um clube com elenco para ficar em 4º lugar todos os anos, que artificialmente compete ao nível de 85/88 pontos todos os anos.



Pois, mas esta direção vive bem com isso. Não faz nem diz nada...

"Não pode ir contra a corrente", senão depois dão abraços a quem?

Ramiro Lopes

Citação de: Diavolo Rosso em 07 de Setembro de 2023, 09:46
Citação de: Vincent em 07 de Setembro de 2023, 09:38
Citação de: Diavolo Rosso em 07 de Setembro de 2023, 09:08O Benfica não pode andar a fazer investimentos avultados em incógnitas...

14M€ Schjelderup
14M€ Jurásek
10M€ Tengstedt
9M€ João Victor

E de repente temos 47M€ empatados em incógnitas e que 3 deles tenho dúvidas que possam chegar a um nível interessante para nós...

Depois estouramos 20+5M€ no Arthur Cabral, que eu acho que vai fazer muito golo mas a realidade é que não era uma figura de proa da Fiorentina, não valia todo aquele valor...

O Trubin custar 11M€ + 40% de mais valias a acabar contrato...

Estamos a pagar acima do preço praticamente em todos os negócios que andamos a fazer...

O Prestianni segundo consta vamos dar 8M€ + 20% do passe por um jogador em litígio com o Vélez, novamente overpaid...

É nisto que temos que ter mais atenção.

Mas que avançado ou defesa central que não seja uma incógnita custa 10M? Estes jogadores são contratados pelo potencial, alguns funcionam outros não.

O Darwin era uma grande incógnita, o Enzo também podia não ter funcionado...até o Kokcu ainda não é consensual por aqui.

O Trubin até pode vir a ser o maior barrete do clube, mas é inegavel que é dos redes com maior potencial que anda aí...como é que o contratavamos de outra maneira?

Já agora o Scheldrup foram 9M...se chegar aos 14 é bom sinal.
O Benfica não pode neste momento andar a estourar 10M€ em incógnitas/jogadores com potencial, pelo menos de forma recorrente...

Temos que melhorar a rede de scouting e criar algo semelhante ao Feyenoord, que saca talentos a preços interessantes...

Em Portugal estourar mais de 10M€ na minha opinião tem que ser em jogadores que são "certezas", os Kökçü, os Enzo.
Os Kokcus e Enzos já não custam 10 milhões. Custam o dobro ou o triplo.

Shoky

Citação de: Diavolo Rosso em 07 de Setembro de 2023, 09:08O Benfica não pode andar a fazer investimentos avultados em incógnitas...

14M€ Schjelderup
14M€ Jurásek
10M€ Tengstedt
9M€ João Victor

E de repente temos 47M€ empatados em incógnitas e que 3 deles tenho dúvidas que possam chegar a um nível interessante para nós...

Depois estouramos 20+5M€ no Arthur Cabral, que eu acho que vai fazer muito golo mas a realidade é que não era uma figura de proa da Fiorentina, não valia todo aquele valor...

O Trubin custar 11M€ + 40% de mais valias a acabar contrato...

Estamos a pagar acima do preço praticamente em todos os negócios que andamos a fazer...

O Prestianni segundo consta vamos dar 8M€ + 20% do passe por um jogador em litígio com o Vélez, novamente overpaid...

É nisto que temos que ter mais atenção.

O Enzo também foi overpaid e pagou esses negócios todos.

adeptoBancada

#85699
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 11:24
Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 11:18
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 11:10
Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 11:05
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 10:57
Citação de: adeptoBancada em 07 de Setembro de 2023, 10:51
Spoiler
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 10:32Uma análise rápida ao R&C. É um texto longo, de quem leu na diagonal o R&C, mas é o melhor que posso fazer. Se não quiserem ler tudo, o resumo é: estamos bastante bem... enquanto andarmos a fazer grandes prestações na Champions League, se um dia não nos apurarmos para a Champions League, deixamos de estar bastante bem.

1. Voltámos a ter lucro (+4,2M), depois de dois anos com prejuízo nos -17.4M e -35M

2. No triénio, isso dá -48.2M. Mas não entrámos no fair-play financeiro por algum motivo. Não conheço o protocolo do fair-play financeiro ao certo. Sei que são um conjunto de regras e rácios bastante longo. No caso do FC Porto falou-se de uma avaliação a quatro anos. Pode não ser assim tão simples. No nosso caso daria um conjunto de quatro anos de -6.5M. Se for esse caso, estamos pressionados este ano a ter um lucro na casa dos 40M este ano.

3. As receitas operacionais bateram um novo record. Fizemos quase 196 milhões em direitos televisivos, Champions League, patrocinadores e bilhética. Todas as componentes cresceram significativamente.

3.1 As receitas televisivas só do Campeonato Português foram de 48M. Não é o mais alto dos últimos cinco anos porque houve jogos da época 19/20 que decorreram já no período financeiro de 20/21 e cuja receita foi contabilizada aí. O Benfica não divulga ao certo se este dinheiro vem todo da NOS. O contrato com a NOS do Benfica divulgado estipulava um valor médio de 40M por ano, sendo que começava em valores na casa dos 36 nos primeiros anos anos e iria subindo até ao final do contrato para valores nos 44M. Pelos vistos já estamos a receber 48M.  Não é explicado de onde estão a vir estes milhões extra, mas de algum lado estão a vir. Os nossos custos com a BTV também estão a subir, o que poderá explicar em parte.

3.2 Estamos a trabalhar melhor na publicidade e patrocínios. Ainda assim, há muito potencial aqui ainda por explorar. Fizemos quase 24M (parte do crescimente deverá ser pelos prémios de termos sido campeões). Estas coisas não são sempre exactas, porque o que uma SAD contabiliza de uma maneira, outra SAD pode contabilizar de outra maneira. Mas o FC Porto fez 26M na época passada (21/22).

3.3 Fizemos 3.6M a alugar o Estádio da Luz. Há 5 anos atrás fizemos 3 mil euros. Ter o maior estádio do país, numa altura que o país está entrar no roteiro dos maiores artistas musicais do planeta, pode e deve ser mais explorado ainda.

3.4 A nossa receita de bilhética é absurdamente boa e uma enorme vantagem perante os rivais. O Porto em 21/22 fez 8.7M o ano inteiro. O que é ridiculamente baixo, e talvez parte dos executive seats ou dos camarotes sejam contabilizados na rúbrica de patrocínios (não sei mas explicaria porque fazem mais do que nós). Nós em bilhética fizemos em 22/23 quase 34 milhões.

3.4.1 Numa altura que está na moda bater nos "pipoqueiros do Estádio da Luz", convém ter noção que os camarotes e os executive seats são responsáveis por 4.4% dos lugares do Estádio mas geram 37.7% das receitas totais.

4. Os nossos gastos operacionais voltaram a subir de 192.4 para 206.4. O responsável pela maior fatia da subida são os fornecimentos e serviços externos.

4.1 Os gastos com pessoal a meio do ano estavam a 60M, e terminaram nos 114.7M. A meio do ano o Benfica tinha dito que havia 6M que eram relativos a prémios de assinatura que não se iriam repetir no segundo semestre. E bateu certo. Continuamos a ter a massa salarial mais alta, de longe, da Primeira Liga.

4.2 Os FSE é que subiram de um total de 37.7M no primeiro semestre, para 82.1M no ano. Ou seja, o segundo semestre custou 44.4M em FSE. O Benfica justifica-se dizendo que a subida está sobretudo relacionada com o investimento no Estádio (ecrãs, LEDs, som). Comparando directamente 22/23 com 21/22, gastou-se mais quase 6M no gestão do Estádio, quase mais 3M em trabalhos especializados (não se sabe quais), mais 2.4M na licença da marça Benfica (um total já de 8.4) que acaba por estar ligado ao investimento feito nas modalidades, gastou-se mais 1M na BTV e mais 2.2M em estadias e deslocações. O resto está relativamente dentro dos valores do ano anterior.

5. Além dos gastos operacionais, o clube teve 39.4M em amortizações, que não são um custo real. São apenas um efeito do investimento que se fez nos últimos anos. Quando contratamos um jogador por, digamos 20M, e lhe damos um contrato de 5 anos, esse jogador custa-nos 20M mais salários, mas não tem esse custo no imediato. Em vez disso, por cada ano que passa terá um custo de 4M (20 a dividir 5 que é a duração do contrato) mais salários. Esses 4M por ano chama-se amortização. Como 95% dos jogadores que contratamos têm 5 anos de contrato, se "gastamos" (porque não são um custo real) 39M por ano em amortizações, significa que temos um plantel que nos custou cerca de 5x39M.

5.1 São as amortizações na verdade que puxam os nossos resultados para baixo. Ainda assim devido à limpeza que se fez no plantel na época passada, as amortizações baixaram. Isto porque se um jogador que nos custou 20M é vendido passado dois anos (ou seja já amortizou 8M [4+4]) então ao valor que ele for vendido, digamos 15M, são subtraído os 12M que ainda vale nas nossas contas. Gerando assim uma mais-valia de 3M. Mas deixa de amortizar a partir daí. Comos se vendeu Darwin, Yaremchuk, Everton, Vinicius, as amortizações baixaram bastante (-11M).

6. O resultado líquido do período além das amortizações, ainda levou um cut significativo de 16.6M gastos em juros. Nem todos estes juros são relativos aos empréstimos obrigacionistas. Na verdade, cerca de 7M são relativos a isso. Os restantes 9.6M são devidos à maneira como o Benfica contabiliza o resto das suas dívidas (a outros clubes, ao estado) e este ano o clube optou por mudar a sua taxa de actualização de dívidas de 4% para 5.75% daí os valores terem subido mais um bocado.

7. As vendas:
7.1 Enzo rendeu um total de 65.5M em mais-valias (custou cerca de 16M que quase não sofreram amortizações dado que foi vendido ao final de 6 meses). Aos 65.5 devem então ser somados 14.6M (valor do Enzo nas nossas contas após descontadas as amortizações). Ou seja, o Benfica terá recebido 81.1 milhões

7.2 Yaremchuk gerou um ganho de 1.2M (que como amortizou um ano completo, significa que recebemos menos do que pagámos, mas a amortização de um ano do contrato cumprido torna o negócio positivo.

7.3 João Ferreira gerou um ganho de 1.8M. O bónus de 5M do Darwin, após ter cumprido a primeira meta, gerou um ganho de 3.4M. Só recebemos dois terços do bónus, o que é bastante. Pelo que está escrito parece que o Almeria ainda levou algum dinheiro daqui. Os 30% do Jota geraram um ganho de 6.8M
O resultado líquido levou assim um corte muito significativo ao que se estimaria inicialmente

8. As contratações:
8.1 Kokçu poderá custar no máximo até 29.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.2 Enzo custou 16.2M.  Este valor inclui 50% dos bónus como cumpridos.
8.3 Aursnes poderá custar no máximo 14.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.4 Schjelderup poderá custar no máximo 11.5M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos e inclui também a dedução de 2.5M devido ao empréstimo de volta ao Nordsjealland, conforme Rui Costa
8.5 Tengstedt poderá custo no máximo 10M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.6 João Victor custou 9.4M por 80% do passe. Este valor não inclui qualquer valor de bónus. Só mais tarde, lá para março, poderemos confirmar, mas teoriacamente 1M da taxa de empréstimo do Lucas Veríssimo virá de uma redução aqui.

Até aqui foram só factos do que está no R&C, agora a minha opinião:
a. O Benfica continua e vai agudizando a estratégia de assumir que vai vender um jogador por ano

b. o resultado liquido não é formoso mas é principalmente consequência de: 1. o investimento feito nos últimos anos que com as vendas até baixou consideravelmente o impacto das amortizações mas continuam a ser 39M que não são um custo real que baixam o resultado liquido; e 2. porque operacionalmente o Benfica dá prejuízo (bilhetes+patrocinios+Champions+TV não pagam salários+fornecedores+serviços+etc)

c. o ponto nº2 é o mais alarme, quando pensamos que esta Champions League foi especialmente muito boa, não só pelos quartos, mas pelos pontos que fizemos na fase de grupo (que pagam bastante bem na forma de prémios por vitória e empate). e não é credível que tenhamos uma Champions League assim sempre (é o que devemos ambicionar, mas sabemos que não vai acontecer sempre), além que também não é credível que iremos estar sempre na Champions League (nos últimos 10 anos, estivemos 9 vezes).

d. Isto significa que se o Benfica não tivesse tido uma Champions League muito boa, se tivesse sido apenas boa, teríamos tido prejuízo. Aliás, se tivessemos chegado aos quartos de final na mesma, e mas tivessemos perdido dois jogos dos 4 que ganhámos, o Benfica teria tido prejuízo. O que num ano destes é mesmo impressionante.
e. Acho portanto que o Benfica deveria traçar um plano a longo prazo para caso não esteja na Champions League, e esse plano é muito simples: baixar 5 a 10 milhões por ano nos EOs, para caso falhemos a Champions League, possamos aumentar o EO em 50 milhões do valor normal e financiar as perdas que vamos ter por não estar na Champions League um ano. Foi de resto, desta maneira, que o Benfica financiou o investimento feito no plantel na época passada e que provocou uma subida na divida líquida em 50 milhões.

f. as pessoas não gostam do DSO, e têm mais do que motivos para não gostar. É no entanto importante separar as coisas boas das coisas más, e por muito que custe acreditar, havia coisas boas. O DSO, pelo que falava nas entrevistas e por aquilo que era executado, era um gestor muito cuidadoso (se calhar até demais, como vimos no ano de 2017), mas até 2020, o que dizia batia certo com as contas, e tínhamos uma responsabilidade financeira que nos permitia estar protegidos caso alguma coisa má acontecesse. Aliás, como se viu em 2020, onde sem Champions garantida (que acabou por não acontecer) se fez o maior investimento da história do clube porque: 1. havia eleições e LFV assim quis; e 2. durante anos, fomos um clube poupado (às vezes até demais). Neste momento não temos ninguém na SAD que pense assim, mas estamos a uma não-ida da Champions para nos perguntarmos porque é que ninguém pensou assim.

g. Eu percebo que a retórica do plano desportivo ser prioridade é o que os adeptos gostam de ouvir. Mas o plano desportivo tem que ser suportado pelo plano financeiro, e uma coisa não anda sem a outra. O Benfica nos próximos 20-30 anos, algum ano irá falhar o apuramento para a Champions, e neste momento não temos maneira de financiar isso sem deteriorar bastante a qualidade do plantel (que num ano em que falhamos a Champions vai estar subvalorizado) ou deteriorar a saúde financeira da SAD, que já levou a primeira pancada em 2022 para financiar o investimento no plantel.
[fechar]

Continuo a não perceber como gastamos tanto em FSE.

82.1M num ano. Não consigo conceber. Mesmo que o 2 semestre tenha sido justificado por o investimento no estádio, 37.7M no primeiro semestre, cheira-me muito mal. Parece que muito dinheiro aqui está a ser usado para dar de mamar a muita gente. No fundo dinheiro que está a ser roubado ao Benfica. Todos os anos temos de vender um Gonçalo Ramos e + 1 jogador de 20M, para estas despesas de 82.1M de FSE.

Inaceitável.

é uma boa pergunta para se fazer numa Assembleia Geral. seria top5 das minhas perguntas. há outras coisas mais relevantes a falar, nomeadamente a questão de não termos um plano caso a coisa corra mal.
Consegues identificar o máximo de gastos aqui?

Pelo que li do teu post temos:

- Investimento no estádio (+6M que o normal)
- Estadias em Deslocações (2.2M)
- Marca Benfica (8.4M) O que isto engloba? As modalidades estão englobadas aqui?
- Trabalhos especializados (3M) Desconhece-se o que seja. Talvez trabalho de advogados incluidos aqui?
 
Que coisa mais há que saibas?

O total destes gastos são 19.6M. Onde pára o resto?




isso foram as subidas em relação ao ano anterior. os valores totais são estes.



o Benfica dá uma breve explicação das subidas nas páginas 145 e 146 mas não dá para perceber onde gastaram exactamente tanto dinheiro.

estas deslocações incluem apenas as deslocações do Futebol. ou seja, viagens dos jogos futebol e outras viagens que haja, nomeadamente estágios, jactos privados para trazer reforços...
Custa-me a acreditar que precisamos gastar 20.489 em gastos operacional do estádio. Estou a contabilizar o ano de 2022 porque este ano houve investimento extra. Mesmo assim 20M parece-me demasiado. Acho que o dinheiro está a ser esbanjado, provavelmente em empesas que estão a lucrar muito, sabe-se lá se haverá algum beneficio de alguém ligado à direcção.

Trabalhos especializados e Outros Fornecimentos e serviços (13.955 + 9.295) é uma caixa negra. Mais uma vez sabe-se lá o que possa ser. Tem de ser muito mais detalhado. Isto também pode dar azo a que se ache que há dinheiro a ser esbanjado e muita empresa a lucrar com estas verbas. Empresas com ligação a pessoas da direcção?

Licença da marca Benfica, também me parece muito caro. Não consigo perceber o que inclui ai.

se eu tivesse acesso ao excel do clube dizia-te ao cêntimo quem é que recebeu o quê. não tendo, não sei. tanto pode haver trafulhice como pode ser normal. o Porto o ano passado gastou cerca de de 50M em FSE.
Claro, apenas acho não há detalhe suficiente. E sinceramente, esses valores que apresentei, não me parece credíveis e realistas.

20.489 em gastos operacional do estádio.
Trabalhos especializados e Outros Fornecimentos e serviços (13.955 + 9.295)

Isto é muito dinheiro. Que empresas são responsáveis por estes serviços, quem são os donos destas empresas?

JPSilva

"Neste momento não temos ninguém na SAD que pense assim, mas estamos a uma não-ida da Champions para nos perguntarmos porque é que ninguém pensou assim."

Se enquanto se pensou assim as pessoas reclamaram, não faz sentido agora reclamar também

Flirt4ever

Confesso-me leigo nesta matéria.

De qualquer forma, fiquei perplexo ao ver que bastava uma coisa simples como uma venda de um Jota, que ninguém estava a contar, para termos dado prejuízo.... Num ano de vendas brutais e uma Liga dos Campeões que não se irá repetir tão cedo.....

Shoky

Citação de: kenya24 em 07 de Setembro de 2023, 09:50
Citação de: Adepto10 em 07 de Setembro de 2023, 09:43Preocupa-me o facto dos gastos com pessoal serem quase o dobro dos lagartos, e depois em campo a nossa equipa não valer o dobro.

114M€ em gastos com pessoal é excessivo face ao real valor do plantel. Estamos a falar de + de 50% dos gastos operacionais, e quase 60% dos rendimentos operacionais são canalizados para salários...


Outra preocupação que tenho, tem que ver com a nossa política de investimento.

Nós estamos a investir muito e mal.

9M€ João Victor (4/5 central)
9M€+5M€ Schjelderup
7M€+3M€ Tengstedt

Investimos à cabeça 25M€ em jogadores que até agora, com exceção ao golo do Tengsted que foi crucial, não aportaram qualquer valor à equipa. E ainda podemos ter que pagar mais 5,5M€ em variáveis ((5-2,5)+3)

Trubin, kokçu, jurasek e A Cabral, farei o meu julgamento daqui por uns meses. No entanto, quando se gasta 14M€ num lateral esquerdo e 20M€+5M€ num avançado, a minha expectativa era de que chegavam, jogavam e faziam a diferença.

Este exercício económico, e admitindo que os gastos com pessoal são exatamente os mesmos, de acordo com o RCosta, então havia margem para uma maior poupança.

Acho que disseste tudo
Com tanto dinheiro gasto devíamos ter uma super equipa

Para a nossa realidade, é exactamente o que temos.

Shoky

Citação de: BENFIKA em 07 de Setembro de 2023, 10:05O exemplo do Feyenoord agora virou moda, mas convém analisar as coisas com cabeça e enquadrar as realidades.

Eles compram jogadores por preços baixos porque não têm capacidade para andar a pagar 20/30M por cada jogador. Neste últimos dois anos investiram à volta de 35M em cada ano quando nos anos anteriores investiam à volta de 10M...nem eles ficaram imunes à inflação que o mercado do futebol sofreu.

Mas falando da estratégia de ir buscar jogadores jovens a campeonatos periféricos por valores mais aceitáveis, é muito bonito mas agora vejam quantos titulos ganharam nos últimos anos, que campanhas europeias fizeram...

Uma estratégia assim no Benfica ia resultar em muito menos competitividade, interna e principalmente na champions.
Nessa altura a conversa ia ser "não podemos andar a contratar 10 jogadores de 3/4/5M por ano, temos que investir em 2 ou 3 mais caros e que rendam logo".

O Feyenoord está para nós como nós estamos para o City, Real, Chelsea, etc. Nós vemos que pagamos 10/20M por um jogador que há um ou dois anos custou muito menos a um clube menor, tal como os colossos pagam 60/80/100M por jogadores que há um ou dois anos custaram 10/20M ao Benfica.


E que ganha o Feyenoord? 1 campeonato a cada 10 anos?

Joao_Aguia_00

Contas previsíveis.

Há um investimento forte para compensar os maus investimentos das épocas anteriores.

Não é sustentável a longo prazo como é obvio, mas tirando alguns casos de menor rendimento todos os jogadores estão a dar "lucros" em campo. 

Ter 2 jogadores de alto custo por posição irá eventualmente acabar. Planteis com 17/18 jogadores (que a maioria faça mais que uma posição) + 5/6 jogadores da equipa B deverá ser o futuro.

gazetadosdesportos

Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 11:21
Citação de: gazetadosdesportos em 07 de Setembro de 2023, 11:14
Spoiler
Citação de: DB4700 em 07 de Setembro de 2023, 10:32Uma análise rápida ao R&C. É um texto longo, de quem leu na diagonal o R&C, mas é o melhor que posso fazer. Se não quiserem ler tudo, o resumo é: estamos bastante bem... enquanto andarmos a fazer grandes prestações na Champions League, se um dia não nos apurarmos para a Champions League, deixamos de estar bastante bem.

1. Voltámos a ter lucro (+4,2M), depois de dois anos com prejuízo nos -17.4M e -35M

2. No triénio, isso dá -48.2M. Mas não entrámos no fair-play financeiro por algum motivo. Não conheço o protocolo do fair-play financeiro ao certo. Sei que são um conjunto de regras e rácios bastante longo. No caso do FC Porto falou-se de uma avaliação a quatro anos. Pode não ser assim tão simples. No nosso caso daria um conjunto de quatro anos de -6.5M. Se for esse caso, estamos pressionados este ano a ter um lucro na casa dos 40M este ano.

3. As receitas operacionais bateram um novo record. Fizemos quase 196 milhões em direitos televisivos, Champions League, patrocinadores e bilhética. Todas as componentes cresceram significativamente.

3.1 As receitas televisivas só do Campeonato Português foram de 48M. Não é o mais alto dos últimos cinco anos porque houve jogos da época 19/20 que decorreram já no período financeiro de 20/21 e cuja receita foi contabilizada aí. O Benfica não divulga ao certo se este dinheiro vem todo da NOS. O contrato com a NOS do Benfica divulgado estipulava um valor médio de 40M por ano, sendo que começava em valores na casa dos 36 nos primeiros anos anos e iria subindo até ao final do contrato para valores nos 44M. Pelos vistos já estamos a receber 48M.  Não é explicado de onde estão a vir estes milhões extra, mas de algum lado estão a vir. Os nossos custos com a BTV também estão a subir, o que poderá explicar em parte.

3.2 Estamos a trabalhar melhor na publicidade e patrocínios. Ainda assim, há muito potencial aqui ainda por explorar. Fizemos quase 24M (parte do crescimente deverá ser pelos prémios de termos sido campeões). Estas coisas não são sempre exactas, porque o que uma SAD contabiliza de uma maneira, outra SAD pode contabilizar de outra maneira. Mas o FC Porto fez 26M na época passada (21/22).

3.3 Fizemos 3.6M a alugar o Estádio da Luz. Há 5 anos atrás fizemos 3 mil euros. Ter o maior estádio do país, numa altura que o país está entrar no roteiro dos maiores artistas musicais do planeta, pode e deve ser mais explorado ainda.

3.4 A nossa receita de bilhética é absurdamente boa e uma enorme vantagem perante os rivais. O Porto em 21/22 fez 8.7M o ano inteiro. O que é ridiculamente baixo, e talvez parte dos executive seats ou dos camarotes sejam contabilizados na rúbrica de patrocínios (não sei mas explicaria porque fazem mais do que nós). Nós em bilhética fizemos em 22/23 quase 34 milhões.

3.4.1 Numa altura que está na moda bater nos "pipoqueiros do Estádio da Luz", convém ter noção que os camarotes e os executive seats são responsáveis por 4.4% dos lugares do Estádio mas geram 37.7% das receitas totais.

4. Os nossos gastos operacionais voltaram a subir de 192.4 para 206.4. O responsável pela maior fatia da subida são os fornecimentos e serviços externos.

4.1 Os gastos com pessoal a meio do ano estavam a 60M, e terminaram nos 114.7M. A meio do ano o Benfica tinha dito que havia 6M que eram relativos a prémios de assinatura que não se iriam repetir no segundo semestre. E bateu certo. Continuamos a ter a massa salarial mais alta, de longe, da Primeira Liga.

4.2 Os FSE é que subiram de um total de 37.7M no primeiro semestre, para 82.1M no ano. Ou seja, o segundo semestre custou 44.4M em FSE. O Benfica justifica-se dizendo que a subida está sobretudo relacionada com o investimento no Estádio (ecrãs, LEDs, som). Comparando directamente 22/23 com 21/22, gastou-se mais quase 6M no gestão do Estádio, quase mais 3M em trabalhos especializados (não se sabe quais), mais 2.4M na licença da marça Benfica (um total já de 8.4) que acaba por estar ligado ao investimento feito nas modalidades, gastou-se mais 1M na BTV e mais 2.2M em estadias e deslocações. O resto está relativamente dentro dos valores do ano anterior.

5. Além dos gastos operacionais, o clube teve 39.4M em amortizações, que não são um custo real. São apenas um efeito do investimento que se fez nos últimos anos. Quando contratamos um jogador por, digamos 20M, e lhe damos um contrato de 5 anos, esse jogador custa-nos 20M mais salários, mas não tem esse custo no imediato. Em vez disso, por cada ano que passa terá um custo de 4M (20 a dividir 5 que é a duração do contrato) mais salários. Esses 4M por ano chama-se amortização. Como 95% dos jogadores que contratamos têm 5 anos de contrato, se "gastamos" (porque não são um custo real) 39M por ano em amortizações, significa que temos um plantel que nos custou cerca de 5x39M.

5.1 São as amortizações na verdade que puxam os nossos resultados para baixo. Ainda assim devido à limpeza que se fez no plantel na época passada, as amortizações baixaram. Isto porque se um jogador que nos custou 20M é vendido passado dois anos (ou seja já amortizou 8M [4+4]) então ao valor que ele for vendido, digamos 15M, são subtraído os 12M que ainda vale nas nossas contas. Gerando assim uma mais-valia de 3M. Mas deixa de amortizar a partir daí. Comos se vendeu Darwin, Yaremchuk, Everton, Vinicius, as amortizações baixaram bastante (-11M).

6. O resultado líquido do período além das amortizações, ainda levou um cut significativo de 16.6M gastos em juros. Nem todos estes juros são relativos aos empréstimos obrigacionistas. Na verdade, cerca de 7M são relativos a isso. Os restantes 9.6M são devidos à maneira como o Benfica contabiliza o resto das suas dívidas (a outros clubes, ao estado) e este ano o clube optou por mudar a sua taxa de actualização de dívidas de 4% para 5.75% daí os valores terem subido mais um bocado.

7. As vendas:
7.1 Enzo rendeu um total de 65.5M em mais-valias (custou cerca de 16M que quase não sofreram amortizações dado que foi vendido ao final de 6 meses). Aos 65.5 devem então ser somados 14.6M (valor do Enzo nas nossas contas após descontadas as amortizações). Ou seja, o Benfica terá recebido 81.1 milhões

7.2 Yaremchuk gerou um ganho de 1.2M (que como amortizou um ano completo, significa que recebemos menos do que pagámos, mas a amortização de um ano do contrato cumprido torna o negócio positivo.

7.3 João Ferreira gerou um ganho de 1.8M. O bónus de 5M do Darwin, após ter cumprido a primeira meta, gerou um ganho de 3.4M. Só recebemos dois terços do bónus, o que é bastante. Pelo que está escrito parece que o Almeria ainda levou algum dinheiro daqui. Os 30% do Jota geraram um ganho de 6.8M
O resultado líquido levou assim um corte muito significativo ao que se estimaria inicialmente

8. As contratações:
8.1 Kokçu poderá custar no máximo até 29.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.2 Enzo custou 16.2M.  Este valor inclui 50% dos bónus como cumpridos.
8.3 Aursnes poderá custar no máximo 14.7M. Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.4 Schjelderup poderá custar no máximo 11.5M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos e inclui também a dedução de 2.5M devido ao empréstimo de volta ao Nordsjealland, conforme Rui Costa
8.5 Tengstedt poderá custo no máximo 10M.  Este valor já inclui 100% dos bónus como se fossem cumpridos.
8.6 João Victor custou 9.4M por 80% do passe. Este valor não inclui qualquer valor de bónus. Só mais tarde, lá para março, poderemos confirmar, mas teoriacamente 1M da taxa de empréstimo do Lucas Veríssimo virá de uma redução aqui.

Até aqui foram só factos do que está no R&C, agora a minha opinião:
a. O Benfica continua e vai agudizando a estratégia de assumir que vai vender um jogador por ano

b. o resultado liquido não é formoso mas é principalmente consequência de: 1. o investimento feito nos últimos anos que com as vendas até baixou consideravelmente o impacto das amortizações mas continuam a ser 39M que não são um custo real que baixam o resultado liquido; e 2. porque operacionalmente o Benfica dá prejuízo (bilhetes+patrocinios+Champions+TV não pagam salários+fornecedores+serviços+etc)

c. o ponto nº2 é o mais alarme, quando pensamos que esta Champions League foi especialmente muito boa, não só pelos quartos, mas pelos pontos que fizemos na fase de grupo (que pagam bastante bem na forma de prémios por vitória e empate). e não é credível que tenhamos uma Champions League assim sempre (é o que devemos ambicionar, mas sabemos que não vai acontecer sempre), além que também não é credível que iremos estar sempre na Champions League (nos últimos 10 anos, estivemos 9 vezes).

d. Isto significa que se o Benfica não tivesse tido uma Champions League muito boa, se tivesse sido apenas boa, teríamos tido prejuízo. Aliás, se tivessemos chegado aos quartos de final na mesma, e mas tivessemos perdido dois jogos dos 4 que ganhámos, o Benfica teria tido prejuízo. O que num ano destes é mesmo impressionante.
e. Acho portanto que o Benfica deveria traçar um plano a longo prazo para caso não esteja na Champions League, e esse plano é muito simples: baixar 5 a 10 milhões por ano nos EOs, para caso falhemos a Champions League, possamos aumentar o EO em 50 milhões do valor normal e financiar as perdas que vamos ter por não estar na Champions League um ano. Foi de resto, desta maneira, que o Benfica financiou o investimento feito no plantel na época passada e que provocou uma subida na divida líquida em 50 milhões.

f. as pessoas não gostam do DSO, e têm mais do que motivos para não gostar. É no entanto importante separar as coisas boas das coisas más, e por muito que custe acreditar, havia coisas boas. O DSO, pelo que falava nas entrevistas e por aquilo que era executado, era um gestor muito cuidadoso (se calhar até demais, como vimos no ano de 2017), mas até 2020, o que dizia batia certo com as contas, e tínhamos uma responsabilidade financeira que nos permitia estar protegidos caso alguma coisa má acontecesse. Aliás, como se viu em 2020, onde sem Champions garantida (que acabou por não acontecer) se fez o maior investimento da história do clube porque: 1. havia eleições e LFV assim quis; e 2. durante anos, fomos um clube poupado (às vezes até demais). Neste momento não temos ninguém na SAD que pense assim, mas estamos a uma não-ida da Champions para nos perguntarmos porque é que ninguém pensou assim.

g. Eu percebo que a retórica do plano desportivo ser prioridade é o que os adeptos gostam de ouvir. Mas o plano desportivo tem que ser suportado pelo plano financeiro, e uma coisa não anda sem a outra. O Benfica nos próximos 20-30 anos, algum ano irá falhar o apuramento para a Champions, e neste momento não temos maneira de financiar isso sem deteriorar bastante a qualidade do plantel (que num ano em que falhamos a Champions vai estar subvalorizado) ou deteriorar a saúde financeira da SAD, que já levou a primeira pancada em 2022 para financiar o investimento no plantel.
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Para alem dos 40 em média, há a publicidade estática nos 17 jogos na Luz para o Benfica e ainda uma percentagem da BTV, aqui devido ao acordo feito com a lagartagem por parte da NOS.

a publicidade estática não é assim tão signficativa, ou pelo menso foi o que foi dito em relação a esse tema. de qualquer maneira é impossível avaliar.

e nunca foi divulgado que o Benfica recebesse qualquer percentagem do negócio da BTV.

A publicidade estática não é significativa? Por isso é que a NOS e a MEO não cederam nos contratos com os lagartos e o Contumil. Aquando o contrato da NOS com os lagartos,foi noticiado que houve uma renegociação do Benfica com a NOS.

BENFIKA

Citação de: Shoky em 07 de Setembro de 2023, 11:29
Citação de: BENFIKA em 07 de Setembro de 2023, 10:05O exemplo do Feyenoord agora virou moda, mas convém analisar as coisas com cabeça e enquadrar as realidades.

Eles compram jogadores por preços baixos porque não têm capacidade para andar a pagar 20/30M por cada jogador. Neste últimos dois anos investiram à volta de 35M em cada ano quando nos anos anteriores investiam à volta de 10M...nem eles ficaram imunes à inflação que o mercado do futebol sofreu.

Mas falando da estratégia de ir buscar jogadores jovens a campeonatos periféricos por valores mais aceitáveis, é muito bonito mas agora vejam quantos titulos ganharam nos últimos anos, que campanhas europeias fizeram...

Uma estratégia assim no Benfica ia resultar em muito menos competitividade, interna e principalmente na champions.
Nessa altura a conversa ia ser "não podemos andar a contratar 10 jogadores de 3/4/5M por ano, temos que investir em 2 ou 3 mais caros e que rendam logo".

O Feyenoord está para nós como nós estamos para o City, Real, Chelsea, etc. Nós vemos que pagamos 10/20M por um jogador que há um ou dois anos custou muito menos a um clube menor, tal como os colossos pagam 60/80/100M por jogadores que há um ou dois anos custaram 10/20M ao Benfica.


E que ganha o Feyenoord? 1 campeonato a cada 10 anos?

Foi um dos meus pontos, as pessoas querem uma atuação no mercado à Feyenoord mas não entendem que isso baixa muito a competitividade, especialmente na champions.

bruno cardoso

ENTREVISTA BTV

Luís Mendes: "Simbiose perfeita entre resultados desportivos e económicos"
No exercício positivo de 2022/23 da SAD foi alcançado o maior valor de sempre de rendimentos operacionais sem venda de atletas: 195,8 milhões de euros.


A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD apresentou um resultado positivo de 4,2 milhões de euros no exercício de 2022/23, iniciado a 1 de julho de 2022 e concluído a 30 de junho do presente ano. Foi assim retomada a sequência positiva iniciada em 2013/14.
Divulgado o Relatório e Contas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Luís Mendes, vice-presidente do SL Benfica e administrador da SAD, destacou o resultado positivo, que inverteu a tendência negativa dos dois anos anteriores. A reposição e "robustez" dos capitais próprios, cifrados em 113 milhões de euros, e o valor recorde de 195,8 milhões de euros de rendimentos operacionais sem venda de atletas foram enaltecidos em entrevista à BTV.

A Benfica SAD regressa aos resultados positivos. Quais são os pilares para este resultado?

Fundamentalmente, quero destacar o equilíbrio entre a parte económica e a parte desportiva. Houve uma simbiose perfeita. Conseguimos resultados desportivos e económicos. Destaco o resultado positivo de 4,2 milhões de euros. Invertemos uma tendência de dois anos consecutivos de prejuízos, o que nos levou a repor um pouco o nível dos capitais próprios, o qual está em 113 milhões de euros, um valor muito próximo do capital social, o que é de enaltecer. Demonstra a robustez dos nossos capitais próprios. Quero destacar que, sem venda de atletas, atingimos o maior valor de sempre, cerca de 195 milhões de euros, um valor recorde. Batemos recordes em toda a parte de merchandising, comercial, de receitas e patrocínios, em todas as linhas de proveitos da Benfica SAD. Para isso, como é evidente, muito contribuiu o apoio da massa Benfiquista, de todos os adeptos do Benfica, a quem endereço os meus agradecimentos, porque contribuíram grandemente para estes resultados. Em suma, do ponto de vista económico, é um ano muito bom, e do ponto de vista desportivo, também. Culminou com a conquista do título e com o atingimento dos quartos de final da Champions, que foi muito importante.

Num olhar pelos números, salta à vista a venda de Enzo. Com este valor, seria de esperar um resultado líquido ainda mais positivo?

A venda de Enzo Fernández foi um excelente negócio. Era um negócio que inicialmente nem queríamos fazê-lo, porque queríamos privilegiar a parte desportiva, em detrimento da parte económica, mas não nos podemos abstrair da excelente venda. Um jogador que chega em julho por 75% dos direitos económicos, vale 18 milhões de euros, e passados seis meses é vendido por 121 milhões de euros, é sempre um excelente negócio. Por outro lado, temos de estabelecer sempre um paralelo entre uma venda de um jogador oriundo da formação e uma venda de um jogador adquirido anteriormente a outro clube. Posso dar o exemplo do Gonçalo Ramos. Neste momento está emprestado, mas temos uma cláusula que nos permite a venda do Gonçalo Ramos. Estamos a falar de um valor que pode chegar aos 80 milhões de euros, e, esses 80 milhões de euros, praticamente, vão ser todos considerados como proveito. Logo, apesar de o valor ser inferior ao do Enzo, vai contribuir muito mais para os resultados por ser um jogador da formação.



Pode esclarecer-nos em relação ao volume de vendas, face ao que foi investido em compras?

O Benfica tem, entre vendas e compras, um diferencial de 64 milhões de euros. Ainda assim, este diferencial permitiu-nos ter um plantel mais competitivo, apostar mais nas vitórias, ter condições desportivas muito melhores, porque, face a plantéis anteriores, equilibrámos os custos, de modo que esta diferença permite, em termos desportivos, ter mais condições para alcançar vitórias.

Como é que a SAD do Benfica irá diminuir a necessidade de venda de jogadores?

É sempre necessário vender jogadores para equilibrar os plantéis, para criar condições económicas para ser mais competitivo em termos internacionais. Não podemos abstrair-nos desse facto. Quero destacar que temos sempre a obrigatoriedade de apostar na qualidade dos plantéis, levando em linha de conta determinadas economias de custos, de modo que se possa libertar valores para tornar as equipas mais competitivas. Tenho um entendimento de que, se houver sucesso desportivo, isso induz ao sucesso económico e podemos fazer um círculo perfeito, porque, a um ciclo de sucesso desportivo, sucedem sempre, como verificámos neste ano, incrementos de proveitos, de vendas. Com incremento de vendas, há sempre aumento de resultados, e havendo aumento de resultados, naturalmente, há sempre capacidade de investimento. Com essa capacidade, entramos no ciclo perfeito.

Falou em custos associados à área não desportiva. Estamos a falar do fornecimento e serviços externos?

Se mexermos nos fornecimentos e serviços externos ligados a áreas não desportivas, mais uma vez conseguimos libertar meios financeiros para poder investir na área desportiva. Se analisarmos em termos evolutivos os fornecimentos e serviços externos que cresceram no Benfica, estes estão justificados pelo aumento da inflação e pelas obras que fizemos no Estádio, obras que se refletem na SAD por via dos fornecimentos e serviços externos. O crescimento na ordem dos 20 milhões de euros do ano passado para este ano justifica-se por este facto. Se verificarmos a evolução no período pré-Covid para o período atual, esta justifica-se pela inflação e pelas obras feitas no Estádio.


Que caminho pode o Benfica seguir para a diminuição de custos?

O Benfica tem de olhar para os custos relacionados com a área não desportiva, como já referi. Se fizermos um pequeno exercício, e um corte na ordem dos 15% nos fornecimentos e serviços externos, vamos alcançar resultados operacionais positivos antes da venda de atletas. É esse o objetivo. Alcançando os resultados operacionais positivos antes da venda de atletas, não ficamos tão dependentes da venda dos mesmos. Conseguimos reter mais talento dentro de casa, ter equipas mais competitivas, que é isso que se pretende. Por outro lado, com o alcance destes resultados operacionais positivos, temos uma geração de cash muito superior, e que é extremamente importante.

Que razões explicam o resultado financeiro negativo na ordem dos 12 milhões de euros?

Olhando de forma isolada, o resultado financeiro negativo não me preocupa, porque é transversal à indústria do futebol. Qualquer um dos nossos competidores apresenta sempre resultados negativos. Os custos financeiros aí reconhecidos são custos relacionados com os financiamentos dos empréstimos obrigacionistas, que têm taxas extremamente interessantes para nós. O Benfica paga as taxas mais baixas do mercado em matéria de empréstimos obrigacionistas. Tem também uma relação de parceria com a banca nacional e estrangeira perfeitamente estabilizada. Por via do rating atribuído ao Benfica, consegue obter crédito em Portugal e fora de Portugal, em condições perfeitamente normais. Recentemente, a Autoridade da Concorrência multou transversalmente os clubes portugueses, e o Benfica foi o único clube que se apresentou para prestar caução com uma garantia bancária. É sintomático do que é a solidez das contas do Benfica e, por outro lado, o reconhecimento da banca nacional, que permite apresentar-se nestas condições.

Relativamente aos direitos televisivos como irá o Benfica salvaguardar os seus interesses?

Quero deixar muito claro que o Benfica tem sempre o entendimento de que é parte da solução e nunca parte do problema. Por princípio, somos favoráveis à negociação centralizada dos direitos de transmissão. O que temos de perceber muito bem é o que a Liga está a fazer no sentido de capacitar os nossos concorrentes, os clubes da chamada classe baixa e da classe média, para que haja progressão social. O que verificamos ao longo dos jogos disputados fora de casa é que os estádios não apresentam condições condignas para receber os adeptos, na esmagadora maioria não têm boas acessibilidades. Muitas vezes os relvados não estão em condições, e tudo isto não contribui para entregar um produto verdadeiramente atrativo, suscetível de ser adquirido noutros mercados, além do português. Em simultâneo, preciso de compreender melhor a forma como se chega aos 325 milhões de euros, o limite entre 275 milhões de euros e os 325 milhões apresentado no estudo da Liga. Ainda que estejamos dentro do prazo, existe a matriz de distribuição, que terá de ser representativa da dimensão social do Benfica, de forma a que o Benfica não saia prejudicado da negociação centralizada. Ter redução de verbas nesta matéria implicará perda de competitividade em termos internacionais. Quando estamos habituados a chegar a fases da Champions como os quartos de final, estamos a disputar jogos com clubes com orçamentos muito superiores aos nossos. Não podemos admitir que os nossos orçamentos sejam reduzidos por via da redução de receitas dos direitos de transmissão.

Resultado do Exercicio 2022/23

https://www.slbenfica.pt/pt-pt/agora/noticias/2023/09/06/benfica-sad-relatorio-e-contas-exercicio-2022-23


DB4700

Citação de: Monster em 07 de Setembro de 2023, 09:13As contas apresentadas a primeira vista são 1 desastre.
Afinal aquela rábula que não precisava-mos de vender o Enzo era uma mentira!
Não fossem esses 120 ? Que na verdade era 90 e tinhamos prejuízos na ordem dos 80 M.
Nao sou especialista em finanças e quando me começam a falar em tecnicalidades é porque a coisa não está boa. O objectivo do Benfica não é ser campeão das finanças, mas se perdes os melhores jogadores ppr causa delas é bom que pelo menos os resultados financeiros sejam aceitáveis.
Estes resultados de 4 M de lucro são inaceitáveis face ao desempenho na Champions e a venda do Enzo, o senhor presidente ou o senhor CFO tem que vir explicar este desastre! Não há outro nome, vender 1 jogador que supostamente não precisavas vender por 120 M e só teres 4 M positivos é uma anedota.

tinhas na verdade um prejuízo na ordem dos 60 milhões (visto que ele gerou uma mais-valia de 65M).

e mais uma vez, uma coisa é o exercício, a venda do Enzo salvou o exercício, e poderia ter sido feita até 30 de Junho que salvava o exercício na mesma. não precisavas de vender em janeiro. podias ter vendido no mês de junho, as contas eram exactamente as mesma.

outra coisa é a liquidez. e a nível de liquidez estavas bem sem a venda do Enzo, porque tens muitas vendas feitas nos anos anteriores. terias que vender alguém no verão na mesma para preparar os buracos de liquidez que vais ter nas próximas temporadas.

quando se vende um jogador, não estás a pensar no impacto que vai ter no dia em que o vendes. estás a pensar no impacto que vai ter os recebimentos a 1-2-3 anos de distância. estás ao dia de hoje a salvaguardar a tua liquidez daqui a 1-2-3-4-5 anos. a tua liquidez hoje, já foi resolvida 1-2-3-4-5 anos antes.

gazetadosdesportos

Os 25 milhões pelo Kokcu ja foram contabilizados como pagos em 22-23.