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The_Riggs

#84241
Verticalidade, pressão alta e futebol ofensivo: O desmontar da tática de Roger Schmidt
Record explica-lhe os comportamentos das equipas do técnico alemão cobiçado pelas águias


Produto da geração de treinadores germânicos que nasceu no seguimento da denominada 'Revolução Alemã' - medida tomada depois das campanhas negativas da seleção do país nas fases finais do Mundial'1998, Euro'2000 e Euro'2004 - Roger Schmidt apresenta um estilo de jogo direcionado para o ataque, com a verticalidade e uma capacidade de pressionar semelhante à apresentada pelos seus homólogos criados na mesma fornada, Ralph Hasenhütt, Julian Naggelsmann (orienta atualmente o Bayern Munique) e Ralf Rangnick (comanda esta temporada o Manchester United). Tal reforma no futebol germânico permitiu que o país aumentasse desde logo o número de treinadores com licença de UEFA B e A, numa clara aposta na formação de treinadores com conhecimentos na área e ensinamentos das Academias.

Ora, Roger Schmidt cresceu nesse contexto, evoluindo a nível tático e técnico desde os clubes pertencentes aos escalões amadores do futebol germânico até aos patamares do futebol do Velho Continente. Apreciador do 4x4x2 ou 4x2x2x2 - sistema que utilizou inclusive ao serviço do PSV no playoff de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões perante o Benfica na fase inicial desta temporada - o técnico alemão de 55 anos tem recorrido nesta reta final da época ao 4x2x3x1 no emblema holandês, por vezes alternado com um tradicional 4x3x3. No entanto, a disposição tática reflete apenas a forma como as suas equipas ficam dispostas em campo, com as ideias chave do treinador, assentes na ideologia do 'Gegenpress', a serem o principal motor da equipa.


Tendo isso em conta, Record analisou a forma de jogar dos comandados de Roger Schmidt, avaliando vários aspetos do modelo de jogo do PSV, clube que tem tido uma recuperação admirável esta temporada no campeonato holandês, ao ponto de já distar apenas dois pontos na classificação face ao líder e campeão em título, Ajax. Ora, e tal como o emblema de Amesterdão, que foi recentemente eliminado pelo Benfica nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, o PSV apresenta uma grande propensão ofensiva, descuidando por vezes as ações defensivas.


Alta rotação no último terço

Em termos de ideias ofensivas, Roger Schmidt apresenta-se como um técnico que privilegia jogadores móveis no ataque, que consigam reter a bola e fazer vários movimentos de rutura. Esta temporada, o PSV afigura-se como uma equipa que privilegia a posse de bola (55% de média de posse), complementada por passes curtos entre os jogadores rápidos na frente, como Sangaré, Gakpo, Érick Gutiérrez, Gotze e Zahavi. De resto, Schmidt apresenta-se sempre um jogador alvo no ataque, neste caso Zahavi, que não deixa de realizar movimentos de rutura, possibilitando a entrada dos médios e alas nos corredores. A verdade é que Schmidt aposta muito no jogo pelos corredores, potenciando jogadores rápidos - lembre-se, por exemplo, as exibições de Madueke no playoff da Liga dos Campeões.

No que diz respeito ao meio-campo, as ideias são claras. Além da troca constante de posição entre os jogadores, destaca-se igualmente a verticalidade e intensidade com que as equipas de Schmidt atacam, beneficiando de trocas de passes constantes e poucos toques na bola de cada jogador. O drible e a velocidade são ferramentas utilizadas para anular a marcação contrária, mas a principal alternativa são os toques rápidos que abrem espaço para as desmarcações em rutura.

Pressão alta em espaços curtos

A nível defensivo, as equipas de Roger Schmidt apresentam diretrizes idênticas ao que é utilizado pelos treinadores que defendem o 'Gegenpress'. Avaliada como a sexta melhor defesa a nível dos rankings de pressão no campeonato holandês, a defesa do PSV tenta sempre criar superiodidade em zonas de pressão, com os jogadores próximos da bola a saírem na pressão ao portador dos esférico.

PSV 3
PSV 3

A marcação preconizada por Schmidt é realizada com a defesa em bloco alto, desdobrando-se num 4x2x3x1, com a proximidade entre jogadores e setores a tentar encurtar os espaços disponíveis para os jogadores da equipa adversária poderem encontrar soluções. Neste capítulo, as equipas de Schmidt acabam por sentir maiores dificuldades quando os adversários conseguem soltar-se da primeira fase, encontrando espaços, principalmente nas alas, onde os elementos do PSV acabam por ser de vocação mais ofensiva.

Nesse sentido, alguns dos médios saltam logo à pressão em conjunto com o avançado mais subido, algo que fica igualmente registado no momento de sair a jogar do adversário, principalmente nos pontapés de baliza.

Subida constante dos laterais

Outro aspeto a destacar na tática adotada por Roger Schmidt acaba por ser a preponderância dada aos laterais. Na amostra do PSV, é possível ver-se que o lateral esquerdo, Philipp Max, é utilizado na maioria das vezes como uma arma ofensiva de relevo na estratégia de Schmidt, beneficiando dos espaços livres que se encontram no terreno de jogo. Aproveitando os movimentos de rutura para dentro por parte dos médios, o técnico aproveita para lançar os laterais em zonas adiantadas, quer em situações de 2x1 como em lances de 1x1, criando desequilíbrios no último terço.

Tal cenário possibilita igualmente que os jogadores mais recuados, principalmente o avançado (homem referência que descai no terreno) possa atacar o espaço disponível na grande área, tentando corresponder da melhor forma às investidas ou cruzamentos dos laterais.


PSV 6
PSV 6


No cômputo geral, as ideias e forma de encarar o jogo de Roger Schmidt não foge à regra do que é preconizado pela geração atual dos treinadores germânicos, recorrendo na maioria das ocasiões ao estilo de jogo do 'Gegenpress'. Ataques verticais, com incidência de jogadores no último terço, várias soluções para finalizar, e uma pressão alta constante com a defesa em bloco alto são notas a registar no estilo de jogo de Schmidt. Ainda assim, o ponto fraco acaba por ser igualmente a eficiência defensiva, com o PSV, à imagem do que sucedia antes com o B. Leverkusen de Schmidt a apresentar-se com debilidades no setor mais recuado.

_JonasThern_

Traga o Sangare, Gakpo e Madueke. Esses três chegam  :rir:

The_Riggs

Roger Schmidt: O engenheiro mecânico da Benteler que não queria ser treinador de futebol

A Benteler, com sede em Paderborn, na Alemanha, é uma das maiores empresas de componentes para automóveis do país. Alberga mais de 30 mil funcionários tendo, por isso, uma importância vital na criação de emprego e na dinamização da economia na região da Renânia do Norte-Vestfália.

No virar do século, Roger Schmidt tinha nesta empresa o seu ganha-pão, trabalhando como engenheiro mecânico, ao mesmo tempo que jogava futebol como médio ofensivo nos escalões amadores, ao serviço do SC Verl. Tinha 23 anos.

"Eu nunca quis ser treinador de futebol. Isto para mim era um hobby", diz o possível futuro treinador do Benfica ao 'The Guardian'. De facto, o ofício como engenheiro mecânico não durou muito tempo. Tinha uma vida pacata e era bem pago, mas o "hobby" do futebol tornou-se uma brincadeira séria.

Em 2004, a vida de Schmidt ia de vento em popa. Na Benteler, acabou promovido para o departamento de controlo de qualidade. Fora do trabalho, e agora ao serviço do Delbrücker SC, conseguiu a subida à 5ª Divisão do futebol germânico, enquanto jogador-treinador.

Seria só em 2007, já com 40 anos, que Schmidt deixaria tomar-se pela paixão do futebol, deixando para trás um emprego estável como engenheiro mecânico. Aceitou o cargo de treinador a tempo inteiro no Preussen Munster, da 5ª Divisão, conseguindo juntar ao ainda curto currículo mais uma subida de escalão. Aqui, conseguiu duas taças regionais, o que permitiu ao clube duas lucrativas qualificações para a primeira ronda da Taça da Alemanha.

Em 2010, não conseguiu nova promoção, acabando por deixar o Preussen Munster, não para voltar à engenharia, mas para estudar e tirar a licença UEFA de treinador. No ano seguinte, regressaria a Paderborn, conseguindo levar o modesto clube com um estádio de 15 mil lugares ao 5º lugar na 2ª Divisão. O Paderborn viria a ser promovido em 2014 à Bundesliga, mas nessa altura já Schmidt tinha rumado a outras paragens.


Red Bull deu-lhe asas

O 5º lugar no Paderborn bastou para convencer o compatriota Ralf Rangnick, atual treinador do Manchester United e na altura o grande "cérebro" do grupo Red Bull: Salzbugo e Leipzig. Com Rangnick, familiarizou-se com a arte do 'gegenpresseing', a arte que prima pela pressão asfixiante sobre o adversário com bola.

"Trocámos muitas ideias e trabalhámos muito bem nesse dois anos", recorda Schmidt sobre os dois anos passados no RB Salzburgo, conquistando o título de campeão e a Taça em 2014, com um futebol aliciante que deixou adeptos austríacos rendidos, depois de alguma reticência inicial devido à aposta num treinador desconhecido.

O técnico alemão contou na temporada 2013/14 com a preciosa ajuda do já retirado Jonathan Soriano (48 golos!), Kevin Kampl (23 golos) e Sadio Mané (23 golos). Uma verdadeira máquina de ataque como ficou demonstrada pelo registo na liga: 110 golos em 36 jogos, uma média superior a três golos.

As seis vitórias na fase de grupos da Liga dos Campeões nessa temporada passaram algo despercebidas, mas o 'amasso' perante o Ajax nos 16-avos-de-final (6-1 no agregado) deixou o mundo do futebol rendido à qualidade do RB Salzburgo e à máquina de pressão. "Qual o sentido de deixar o nosso adversário em paz?", disse o treinador em entrevista.

O bom trabalho realizado ao serviço do emblema austríaco valeu o convite do Bayer Leverkusen. Um regresso a casa do treinador alemão e logo pela porta de um dos maiores clubes do país.

O sucesso foi imediato. Schmidt levou a sua filosofia para os farmacêuticos, alcançado um 4º lugar na primeira temporada e um 3ª na segunda. Para além disso, conseguiu levar nos dois anos a equipa à fase a eliminar da Liga dos Campeões, defrontando na época 2014/15 o Benfica de Jorge Jesus na fase de grupos: triunfo por 3-1 na Alemanha e nulo na Luz.

Conseguiu ainda desenvolver jovens talentos como Son Heung-min, Kai Havertz e Julian Brandt.

O divórcio consumou-se em março de 2017 devido aos maus resultado. Seguiu-se uma aventura na China ao serviço do Beijing Guoan, antes de voltar à Europa para representar o PSV. Está a dois pontos do líder Ajax e já conseguiu o apuramento para a final da Taça da Holanda, em que vai medir forças frente ao... Ajax.

Em feveireiro, o PSV anunciu que Roger Schmidt não quis renovar pelo clube. Aos 55 anos, o futuro poderá passar pelo Estádio da Luz.

The_Riggs

Citação de: HoMiCiDaL em 29 de Março de 2022, 18:33
desculpem mas o Schmidt conseguiu nao ganhar o campeonato de 2013 da Austria com o Salzburgo que tinha Mane e Soriano na frente.

esta época é eliminado da Europa League na fase de grupos

os resultados do PSV esta época contra equipas acima da média é fraco tirando o jogo da supertaça contra o Ajax.

mas agora é crime dizer que nao me entusiasma nada?

Podes achar o que quiseres, mas ainda bem que é preciso ir a 2013. Arranjo muitas dessas do Alex Ferguson também. Nenhum treinador do mundo tem uma carreira sem falhanços.

20Nico Gaitan20

"Em Fevereiro anuncia que não quer renovar com o PSV"

Hmmm 1 mês depois do JJ ter sido despedido.

Curioso.

zizou

Em relação ao Roger não conhecendo muito o seu trabalho, acho que é um treinador com grande qualidade na fase ofensiva do jogo mas que me deixa algo reticente na fase defensiva da equipa.

20Nico Gaitan20

Não se esqueçam de lhe dar uma defesa nova e com pernas.

E um GR.  Ou ele com este estilo de jogo não sei se aguenta muito tempo cá.


Francisco Rocha

Citação de: MxPxFx em 29 de Março de 2022, 20:19
Citação de: Francisco Rocha em 29 de Março de 2022, 13:33
Citação de: Dogs Corleone em 29 de Março de 2022, 13:31
É certo que Lourenço Coelho é quem está a tratar da pasta. Contudo, para acompanhar Roger Schmidt arriscaria trazer Luís Campos. Nem que isso significasse a saída de Luisão e Rui Pedro Braz.

Para mim saíam os 2 que só estão lá a mamar.

A parte que me surpreende mais é achares que só 2 estão a mamar ali

Onde é que eu disse que só estes 2 é que andam ali a mamar? Falei desses 2 porque falaram deles. Ali é só mamões, seja em que lugar da hierarquia.

tulio_slb

Citação de: ABenficaC em 29 de Março de 2022, 17:00
Citação de: jokajoka123 em 29 de Março de 2022, 16:51
Citação de: ABenficaC em 29 de Março de 2022, 16:44
Citação de: tulio_slb em 29 de Março de 2022, 15:43
Citação de: J_PN em 29 de Março de 2022, 15:31
Citação de: Billy the Kid em 29 de Março de 2022, 15:25
No PSV, joga sempre - mas sempre mesmo - em 4-2-3-1 (tal e qual o Bayern).
O homem que joga atrás do pintando lança é um playmaker (Gotze) e não propriamente um segundo avançado.
Gonçalo Ramos muito provavelmente passaria a contar como 9.
Os dois médios defensivos funcionam como a dupla do Bayern (Kimmich e Goretzka) um mais fixo e outro box-to-box (e não um duplo pivot à moda Lage).
Os seus laterais são, ambos, muito ofensivos.

Podia era trazer o Sangaré na sua mala...

Tem que haver revolução no perfil de jogador a contratar. Mas isto não é de agora.

O Benfica insiste e persiste em jogadores para jogar com bola, descurando completamente a parte física. Fisicamente somos uma equipa muito tenrinha, pouca capacidade de choque, pouca resistência. Impossível aguentarem 90 minutos no ritmo que o Schmidt gosta.

Acredito e com a saída do Darwin num 4-2-3-1 mais vincado a poder derivar no 4-2-2-2.

Acho que podemos ver a contratação de um ponta de lança ou então um 10 contudo o Everton pode começar a ter espaço nas costa do avançado, João Mário idem. Ficar com Gonçalo, Roman e Henrique para ponta de lança, os 3 trabalham bem na primeira pressão.

Nos extremos iriam haver varias mudanças, Rafa conta mas Everton não tem o perfil do extremo do Schmidt, Gouveia acho que ia ganhar muitas oportunidades e Úmaro poderia contar.

No meio campo acho que ficará Weigl e Florentino numa posição mais fixa, Bernardo, Adel e até Meité (acho que o perfil físico pode agradar), há ainda Nuno Santos, contudo era de esperar uma contratação.

Nas laterais as mudanças devem ser totais, talvez o Sandro Cruz ganhe algum espaço como alternativa na esquerda mas acredito que pouco mais.

Por isso estamos a falar em cerca de 5/6 reforços no mínimo para adaptar a equipa
A 10 do actual plantel qual seria a escolha dele? JM? Pizzi?
Taarabt?
Penso que o colocaram aí atrás a 8

Acho que ele vai querer um médio do duplo pivot que leve bola para a frente. Ele aprecia médios fortes fisicamente e aí o Meite pode ganhar espaço contudo tem também o Adel e o Paulo Bernardo para desempenhar essa função.

Para jogar nas costas dos pontas de lança talvez Everton, é um jogador com qualidade técnica e de remate, João Mário é um jogador que temporiza e decide bem no passe.

Há ainda o Nuno Santos que acho que irá ter um papel a desempenhar nesta função

linus

Citação de: zizou em 29 de Março de 2022, 22:29
Em relação ao Roger não conhecendo muito o seu trabalho, acho que é um treinador com grande qualidade na fase ofensiva do jogo mas que me deixa algo reticente na fase defensiva da equipa.

podem vir dois

o Roger para a fase ofensiva e outro para a fase defensiva

Mr. Pizzi

E um presidente , não ?

SonicYouth

Citação de: ricardoshearer em 29 de Março de 2022, 19:52
Ir buscar um gajo que levou baile do Jorge?

:rir: :rir: :rir: :rir:
Por essa lógica, cansava-me os dedos a escrever aqui todos aqueles que deram baile ao JJ ...
E não foram poucas as punhetas que de bateram quando ele veio (ou para vir)...

Baron_Davis

Citação de: Kasta em 29 de Março de 2022, 22:10
Tenho poucas dúvidas que Roger Schmidt será o treinador e que o mesmo está escolhido desde o final do mês de Janeiro após a entrevista que lhe fizeram.

Olá Jorge das bifanas

+1benfiquista

A confirmar-se, boa surpresa. Bem melhor que o Abel...