José Torres

Separadores primários

País: 
PT Portugal
Nome completo: 
José Augusto Costa Sénica Torres
Posição: 
avançado
Número: 
9
Naturalidade: 
Torres Novas (Portugal)
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São muitos os que dizem que jamais se pode ser boa pessoa se de animais não se gostar. José Torres, o Bom Gigante, sempre gostou. Sempre, não. Um dia houve, já adolescente, acometido de raiva, em que matou todos os pombos voejantes da casa de família. Ao cair em si, chacina consumada, não susteve lágrimas de arrependimento. Deu-lhe o pai uma bola, para que o sorriso substituísse o desespero. Fez-se jogador de futebol e columbófilo. As duas paixões de uma vida.

Bem se pode falar de hereditariedade no gosto de José Torres pelo oficio do chuto. Francisco, o pai, havia jogado no Carcavelinhos; o tio, Carlos, no Benfica. No Desportivo de Torres Novas, o clube da terra, estrear-se-ia José Torres. Com uma fisionomia invulgar, começou a marcar golos ao ritmo de enxurrada. Como poderiam os adversários escondê-lo no jogo? Era de todos o maior, no alto do seu cerca de metro e noventa. Acima dele só céu…

As proezas de Torres começaram a ser badaladas. Logo se acoitou no Benfica, no início do ano de 1959. Três temporadas penosas passou, tão intenso era o brilho de José Águas e tão ingratos eram também os regulamentos da época. “Durante a minha carreira de jogador, tive momentos em que o azar me bateu à porta mais do que devia. Por exemplo, na final da Taça dos Campeões Europeus, contra o Real Madrid, quando o Benfica conquistou o segundo titulo europeu. Só não joguei e não me sagrei, de facto, campeão da Europa, porque os regulamentos ainda impediam, estupidamente, que se fizessem substituições. O Cavem lesionou-se, eu era o único avançado no banco, o Benfica continuou a jogar com dez só porque… substituir era proibido!”.



Atravessou o melhor bocado da saga europeia vermelha sem intervenção. Até que, em 62/63, já com Fernando Riera no posto de Bela Guttmann, em pleno se afirmou. Inclusive, foi o artilheiro-mor do Campeonato, com 26 golos (21 jogos), mais três que Eusébio. De resto, nesse ano, só o Sporting (71) e o FC Porto (61) marcaram mais que a nova dupla (49) da voluptuosidade benfiquista.

Faltou a Torres o ceptro europeu. Frente ao AC Milan, derrota por 2-1, apesar de Eusébio ter inaugurado a contagem, prenunciando uma superioridade que não veio a confirmar-se. O Bom Gigante, na tarefa ciclópica de fazer esquecer a boa pinta de José Águas das duas edições anteriores, não se saiu bem, em branco ficou. Distante, muito distante, do que havia rendido, no começo desse ano, no torneio Ramon Carranza, com a Fiorentina. A meia hora do fim, subsistia um empate a três bolas. Torres entrou e… quatro tentos fez, de rajada, naquela heróica vitória. Confirmava-se nova profecia de Guttmann, que meses antes havia dito: “Esse jovem gigante que não tem físico de futebolista chama-se Torres, é suplente de José Águas, mas um dia será avançado-centro do Benfica e a Europa ouvirá falar muito dele. Apesar de pouco jogar na equipa, se algum clube o quisesse contratar teria de dar dois mil contos ao Benfica, mas dentro de três anos nem pelo dobro…”.



José Torres continuou a caminhar em glória. E se epifenómeno foi, a responsabilidade é de Eusébio, que todos (quase) eclipsou. Durante uma dúzia de anos no clube, Torres fez 259 jogos oficiais e marcou 226 golos. Venceu nove Campeonatos e quatro Taças de Portugal. Um registo impressionante, valorado ainda com o titulo de melhor marcador do Nacional 62/63. Para já não referir as três presenças noutras tantas finais europeias. “Sinceramente, a minha maior tristeza foi não ter sido campeão da Europa”.

Na equipa nacional, José Torres está indissociavelmente ligado à campanha dos Magriços. Três golos marcou na Inglaterra, com destaque para o último, frente à União Soviética, que permitiu a Portugal subir ao pódio. Foi 31 vezes internacional, enquanto jogador do Benfica, logrando 14 golos.

Terminou a carreira no Estoril, na condição de treinador-jogador, após uma digna passagem pelo melhor Vitória de Setúbal de sempre, nos píncaros da Europa, circunstância que até o (re)conduziu à Selecção Nacional. Justamente na qual, já como responsável máximo, pouco depois de ter dado inicio à carreira de treinador, viria a garantir a qualificação para o México 86. Depois do monumental golo do benfiquista Carlos Manuel, em Estugarda, no tal jogo em que pediu que o deixassem sonhar.

Se mais sonhos teve, talvez nem às paredes confesse, como se ouve na popular canção. Uma coisa, porém, é certa, José Torres fez os adeptos sonharem mais alto. E, não poucas vezes, foi ele o arquitecto do sonho.

 

Épocas no Benfica: 12 (59/71)

Jogos: 259
Golos: 226

Títulos: 9CN, 4TP


Texto: Memorial Benfica, 100 Glórias
Copiado de Ednilson

 

Estatísticas do jogador

Equipa Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1958/1959) 0 0 0 0 0
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1959/1960) 3 270 0 0 2
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 2 180 0 0 2
Taça de Portugal 1 90 0 0 0
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1960/1961) 5 450 0 0 11
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 2 180 0 0 2
Taça de Portugal 3 270 0 0 9
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1961/1962) 8 720 0 0 15
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 2 180 0 0 2
Taça de Portugal 6 540 0 0 13
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1962/1963) 27 2430 0 0 35
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 21 1890 0 0 26
Taça de Portugal 2 180 0 0 9
Taça dos Campeões Europeus 4 360 0 0 0
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1963/1964) 22 1980 0 0 28
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 15 1350 0 0 22
Taça de Portugal 7 630 0 0 6
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1964/1965) 39 3510 0 0 35
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 23 2070 0 0 23
Taça de Portugal 7 630 0 0 3
Taça dos Campeões Europeus 9 810 0 0 9
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1965/1966) 30 2700 0 0 22
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 23 2070 0 0 18
Taça de Portugal 2 180 0 0 1
Taça dos Campeões Europeus 5 450 0 0 3
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1966/1967) 18 1620 0 0 14
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Taça das Cidades com Feira 2 180 0 0 1
Campeonato Nacional 13 1170 0 0 8
Taça de Portugal 3 270 0 0 5
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1967/1968) 29 2610 0 0 19
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 22 1980 0 0 17
Taça dos Campeões Europeus 7 630 0 0 2
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1968/1969) 32 2674 0 0 23
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 19 1689 0 0 16
Taça de Portugal 8 535 0 0 2
Taça dos Campeões Europeus 5 450 0 0 5
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1969/1970) 29 2230 0 0 19
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 20 1420 0 0 13
Taça de Portugal 6 540 0 0 6
Taça dos Campeões Europeus 3 270 0 0 0
SL Benfica (Futebol > Seniores > 1970/1971) 16 1063 0 0 7
Competição Jogos Minutos Amarelos Vermelhos Golos
Campeonato Nacional 10 614 0 0 2
Taça de Portugal 4 291 0 0 5
Taça das Taças 2 158 0 0 0
Total 258 22257 0 0 230

Primeiro jogo

25 Out 1959
Campeonato Nacional
Equipa inicial: Costa Pereira, Serra, Cruz, Mário João, Artur Santos, Coluna, Neto, Cavém, José Torres, José Augusto, José Águas
Treinador: Bélla Guttmann
Golos: Coluna, José Torres

Último jogo

27 Jun 1971
Taça de Portugal
Equipa inicial: José Henrique, Malta da Silva, Zeca, Matine, Adolfo, Humberto Coelho, Simões, Jaime Graça, Eusébio, Artur Jorge, Nené
Treinador: Jimmy Hagan
Golos: Eusébio