As Finanças do Benfica

peter_slb

Eu não faço análises estruturais de dados com 6 meses de intervalo (mesmo com 1/2 anos não é bom fazer, porque esta área é volátil demais), se comparares essas taxas com relatórios mais atrasados, até chega comparar Dezembro de 2011 com Dezembro de 2010, algo que permite uma análise à diferença que as taxas causam nos exercícios 2010/2011 e 2011/2012, o que nessa análise não acontece já que se estão a comparar taxas do mesmo exercício, para veres que as taxas aumentaram consideravelmente entre os exercícios.

Mesmo esses dados, assumindo que a descida de 1%, no último ano, das euribor, ocorreu de forma constante, tens uma redução média no ano de 0,5% (na realidade não é tanto porque as euribor aplicadas calculam-se com base em médias dos meses passados), o que dá uma redução dos custos financeiros de 1 milhão de euros nos 200 milhões de passivo financeiro que o Benfica tem e temos um financiamento novo de 20 milhões, que custa 2 milhões de euros anuais.

Quando sair o relatório do final deste exercício podes fazer um exercício simples para veres que a taxa de juro média voltou a subir se comparada com exercícios anteriores e assim não ser eu a dizê-lo. Calculas a media do valor dos empréstimos dos 2 exercícios - (valor dos empréstimos iniciais + valor dos empréstimos finais) / 2, chega para ter um valor aproximado, mas se preferires podes também utilizar o relatório dos 1ºs semestres para o valor ser mais aproximado - e depois divides os custos financeiros de cada ano por esses valores médios e poderás ver por ti que a taxa de juro média voltou a subir.

PS: desculpa lá a demora na resposta, mas ando para aqui com problemas na wireless.

JoaoPedroLopes

#22156
Tudo bem no problema com a resposta tardia.

Se bem te lembras a nossa saudável querela surge quando eu digo que íamos pagar menos uma vez que os juros iam começar a descer.

Era inquestionável, a meu ver, uma vez que as Euribor estavam a baixar excepto para possíveis novos empréstimos.

Quero relembrar que dos empréstimos actuais, reportemo-nos ao que nos é apresentado a 31 de dezembro de 2012 e retirando os já vencidos, temos:

                                      Inicial           Actual           Taxa Juro            Maturidade
Benfica SAD
Empréstimos bancários
CGD (CONTRUÇÃO CFC) 14.650.000    11.306.713    EUR12M+1,25%    Ag. 2021 

(• A Benfica SAD efectuou um contrato de financiamento para a construção do seu centro de estágios, o Caixa Futebol Campus, cujo valor nominal em dívida a 30 de Junho de 2011 ascende a € 12.284.604 (a 31 de Dezembro de 2011 equivale a €11.306.713), tendo sido prestadas diversas garantias, nomeadamente o contrato de naming e patrocínio realizado pela Sociedade com a Caixa Geral de Depósitos a 21 de Setembro de 2006.)

Está pago pelas garantias, figuratively speeking.

Benfica Estádio
Empréstimos bancários Relativos à construção do estádio.
BES/Millennium bcp - bonificado       31.611.317   5.927.122 EUR6M+2% Jun. 2013
BES/Millennium bcp - não bonificado 13.152.743   5.752.163 EUR6M+1,75% Fev 15 BES/Millennium bcp - nova tranche   63.000.000 60.795.000 EUR6M+2%  Fev 2024

(.A Benfica Estádio, empresa actualmente detida a 100% pela Benfica SAD e que integra o seu perímetro de consolidação, realizou um contrato de financiamento da construção do estádio (project finance), cujo valor nominal em dívida a 30 de Junho de 2011 corresponde a € 75.214.993 (a 31 de Dezembro equivale a € 72.474.285), relativamente ao qual foram prestadas diversas garantias).

Está pago pelas garantias, figuratively speeking.

Outros empréstimos

Papel Comercial 2009-2014        40.000.000 32.600.000 EUR1M+2,5%  Janeiro 12

. A Benfica SAD contratou com o Grupo Banco Espírito Santo um Programa de Papel Comercial, cujo valor nominal a 30 de Junho de 2011 corresponde a  €  36.600.000 (a 31 de Dezembro de 2011 equivale a € 32.600.000), o qual se encontra garantido com as receitas provenientes do contrato de patrocínio assinado com a Sociedade Central de Cervejas, SA.

Está pago pelo contrato da Sagres, figuratively speeking.

Banco Efisa                                   2.913.750     2.163.000 EUR1M+4% Jul 2014 ~

BES Factoring (vendas jogadores) 27.500.000   20.000.000 EUR12M+5,5% Jan15

( • A Benfica SAD celebrou com o BES um contrato de factoring no qual o banco pode adquirir créditos até ao limite máximo de € 27.500.000. Os créditos cedidos no âmbito deste contrato referem-se aos valores que se encontram por receber das transferências dos atletas Di María e David Luiz para o Real Madrid e Chelsea, respectivamente, no montante máximo previsto no contrato. Os créditos correspondem a 3 prestações de € 7.500.000 referentes ao atleta Di María, com datas de vencimento a 30 de Julho de 2011, 2012 e 2013, e a € 5.000.000 relativos ao atleta David Luiz que se vence a 31 de Janeiro de 2015)

Está pago pelos créditos, figuratively speeking.

Investec    (venda Coentrão)  20.000.000 20.000.000   10,35%          Julho 2013

(• A Benfica SAD celebrou com o Investec Bank PLC um acordo para descontar o crédito de € 20.000.000 sobre o Real Madrid no âmbito da contrato de transferência do atleta Fábio Coentrão para esse clube.)

Está pago pelos créditos, figuratively speeking.

Empréstimos por obrigações não convertíveis
Benfica SAD 2012        50.000.000     50.000.000   EUR2M+5,85%        Dez. 2012
Benfica SAD 2013        40.000.000     40.000.000    6% (Taxa Fixa)      Abril 2013 

Daí eu compreender que por vezes saia um "está pago".

Não estamos mal mas também não penso que estejamos tão mal como por vezes pintam.

Abraço

P.S.: Dívida de curto prazo
                    Garantida (a)                              65.746 
                    Não garantida/Não securitizada    49.948 
                                                           Total 115.694 
       Dívida de médio e longo prazo
                    Garantida (a)                              98.795   
                    Não garantida/Não securitizada     39.341   
                                                            Total 138.136 
(a)  Activos dados como garantias: penhores de acções e penhores e hipotecas de activos. Inclui responsabilidades da Emitente como
locatário, relativas à parcela de capital das rendas vincendas em contratos de locação financeira.                                       

                                                                             31.12.2011
                                              Valor nominal Actual       Custo amortizado

Empréstimos bancários                          97.368.998             96.578.052
Empréstimos obrigacionistas                  90.000.000            89.289.109
Papel comercial                                      32.600.000             32.600.000
Factoring e desconto de créditos            40.000.000             35.141.775
                                                            259.968.998         253.608.936

farmacia franco

Citação de: Kratos em 04 de Setembro de 2012, 05:03
farmacia franco, tenho reparado que essas pastilhas que andas a mastigar são das boas...

Ou então és muito anjinho para acreditar que o dinheiro não vai ser estoirado em sul americanos e argentinos que ninguém conhece de nenhum lado.

O passivo, esse, é para continuar grande e à grande.

Quero me fazer acreditar que nao Kratos, na actual situação financeira não se pode desperdiçar dinheiro, sem contar que pelo que se sabe a Banca fechou a torneira :).

SLB É O REI DO MUNDO

Citação de: TJSF em 05 de Setembro de 2012, 22:48
João grande trabalho


x2.



Meu caro, podes sempre clicar em "Pré-Visualizar" antes de enviar para veres como vai ficar e depois, caso seja necessário, alteras.

lonstrup

Mesmo estando garantidas, é colossal o tamanho dos empréstimos e quanto estes sugam das nossas receitas todos os anos.

Andamos a trabalhar e facturar para pagar empréstimos.

Não admira portanto que seja quase utopico ter expectativas de resultados positivos de um exercício, quando para além de custos correntes ainda temos de levar com não sei quantos milhões de prestações de empréstimos.

O problema é que não parece haver procupação em estancar esta situação. Temos agora divida de curto prazo no valor de 115 milhões que vai vencer. Como diz o João, 65 milhões estão garantidos, portanto todos deduzimos que no prazo de um ano, as garantias que foram destinadas a esta divida, podem ser libertadas para outras despesas/investimentos do Benfica. Ou iremos socorrer de nova divida? E nesse caso porquê?

É que este tipo de gestão à Cofidis, empréstimos que pagam empréstimos, nãos nos liberta verdadeiramente.

O Benfica precisa destes empréstimos para o seu funcionamento regular? Isto é, o Benfica precisa de dinheiro emprestado para compor o seu orçamento?

lonstrup

já agora, dá para perceber quanto das nossas receitas vão para pagamento de empréstimos em cada ano?

mr.c

#22161
Citação de: JoaoPedroLopes em 06 de Setembro de 2012, 01:29

Empréstimos por obrigações não convertíveis
Benfica SAD 2012        50.000.000     50.000.000   EUR2M+5,85%        Dez. 2012
Benfica SAD 2013        40.000.000     40.000.000    6% (Taxa Fixa)      Abril 2013 


Sou um leigo nesta matéria ...

Estes são os unicos valores "preocupantes" nas nossas contas?
"só" temos 90M não "garantidos/pagos"?

50M até dezembro?e 40 até abril?  Edit: as contratações desta epoca estão onde?nestes emprestimos?

entre emprestimos novos (gestão cofidis) e abater da divida com as vendas do Javi e do Witsel ...
Poderiamos eventualmente deixar de lado 15M dos 60M para reforços e abatar nestas dividas uns 45M

era de valor ...

agora também partilho da duvida do lonstrup

Citação de: lonstrup em 06 de Setembro de 2012, 08:27
no prazo de um ano, as garantias que foram destinadas a esta divida, podem ser libertadas para outras despesas/investimentos do Benfica. Ou iremos socorrer de nova divida? E nesse caso porquê?

lonstrup

o grande dilema é, estas obrigações não convertiveis foram produtos financeiros que o Benfica vendeu ao Publico. Logo, para a sua aquisição não esteve pendente nenhum tipo de garantia, como nos outros empréstimos. Pelo menos penso eu que funcione assim.

E portanto, se no empréstimo normal havia um valor periodico que pagávamos relativamente a esse empréstimo, e que depois de concluido o pagamento podia ser libertado para outras situações, nesta ferramenta das obrigações acabamos com uma mão cheia de nada. Pagamos o Emprestimo Obrigacionista, mas como não havia pagamentos periodicos, quer dizer que não há nenhum tipo de receita que é libertada para outros fins após o pagamento das obrigações.

Deviamos sinceramente libertar-nos deste tipo de ferramenta. Mas uma vez que a direcção já nos trouxe para aqui, será dificil sair.

Roy Kent

É a tal recuperação financeira do Vieira.

Na realidade continuamos na mesma merda onde estávamos em 2001.

DD

Citação de: G-Man em 06 de Setembro de 2012, 09:24
É a tal recuperação financeira do Vieira.

Na realidade continuamos na mesma merda onde estávamos em 2001.
Pois, dai a necessidade de ter de vender o Javi Garcia, por um valor inferior a clausula no ultimo dia de mercado!!!
So nao se recusa, se estiver mm necessitado de dinheiro!!!

mr.c

Citação de: lonstrup em 06 de Setembro de 2012, 09:19
o grande dilema é, estas obrigações não convertiveis foram produtos financeiros que o Benfica vendeu ao Publico. Logo, para a sua aquisição não esteve pendente nenhum tipo de garantia, como nos outros empréstimos. Pelo menos penso eu que funcione assim.

E portanto, se no empréstimo normal havia um valor periodico que pagávamos relativamente a esse empréstimo, e que depois de concluido o pagamento podia ser libertado para outras situações, nesta ferramenta das obrigações acabamos com uma mão cheia de nada. Pagamos o Emprestimo Obrigacionista, mas como não havia pagamentos periodicos, quer dizer que não há nenhum tipo de receita que é libertada para outros fins após o pagamento das obrigações.

Deviamos sinceramente libertar-nos deste tipo de ferramenta. Mas uma vez que a direcção já nos trouxe para aqui, será dificil sair.

Depende de como vamos tratar esta questao nos proximos meses...
-vamos usar os valores das transferencias para abater nesse valor e pedimos emprestimo para o resto
-vamos usar parte do valor das transferencias para abater e pedir emprestimo para o resto
-nao usamos o valor das transferencias e pedimos emprestimo para pagar as obrigações (gestão 100%  cofidis)


lonstrup

Citação de: mr.c em 06 de Setembro de 2012, 10:02
Citação de: lonstrup em 06 de Setembro de 2012, 09:19
o grande dilema é, estas obrigações não convertiveis foram produtos financeiros que o Benfica vendeu ao Publico. Logo, para a sua aquisição não esteve pendente nenhum tipo de garantia, como nos outros empréstimos. Pelo menos penso eu que funcione assim.

E portanto, se no empréstimo normal havia um valor periodico que pagávamos relativamente a esse empréstimo, e que depois de concluido o pagamento podia ser libertado para outras situações, nesta ferramenta das obrigações acabamos com uma mão cheia de nada. Pagamos o Emprestimo Obrigacionista, mas como não havia pagamentos periodicos, quer dizer que não há nenhum tipo de receita que é libertada para outros fins após o pagamento das obrigações.

Deviamos sinceramente libertar-nos deste tipo de ferramenta. Mas uma vez que a direcção já nos trouxe para aqui, será dificil sair.

Depende de como vamos tratar esta questao nos proximos meses...
-vamos usar os valores das transferencias para abater nesse valor e pedimos emprestimo para o resto
-vamos usar parte do valor das transferencias para abater e pedir emprestimo para o resto
-nao usamos o valor das transferencias e pedimos emprestimo para pagar as obrigações (gestão 100%  cofidis)


Exacto. Até porque este empréstimos obrigacionistas só terão de ser pagos daí a 3 anos. É demasiado fácil.

MALU15

Citação de: lonstrup em 06 de Setembro de 2012, 10:04
Citação de: mr.c em 06 de Setembro de 2012, 10:02
Citação de: lonstrup em 06 de Setembro de 2012, 09:19
o grande dilema é, estas obrigações não convertiveis foram produtos financeiros que o Benfica vendeu ao Publico. Logo, para a sua aquisição não esteve pendente nenhum tipo de garantia, como nos outros empréstimos. Pelo menos penso eu que funcione assim.

E portanto, se no empréstimo normal havia um valor periodico que pagávamos relativamente a esse empréstimo, e que depois de concluido o pagamento podia ser libertado para outras situações, nesta ferramenta das obrigações acabamos com uma mão cheia de nada. Pagamos o Emprestimo Obrigacionista, mas como não havia pagamentos periodicos, quer dizer que não há nenhum tipo de receita que é libertada para outros fins após o pagamento das obrigações.

Deviamos sinceramente libertar-nos deste tipo de ferramenta. Mas uma vez que a direcção já nos trouxe para aqui, será dificil sair.

Depende de como vamos tratar esta questao nos proximos meses...
-vamos usar os valores das transferencias para abater nesse valor e pedimos emprestimo para o resto
-vamos usar parte do valor das transferencias para abater e pedir emprestimo para o resto
-nao usamos o valor das transferencias e pedimos emprestimo para pagar as obrigações (gestão 100%  cofidis)


Exacto. Até porque este empréstimos obrigacionistas só terão de ser pagos daí a 3 anos. É demasiado fácil.
Estes empréstimos foram contraídos ainda a uma boa taxa ( em termos médios inferior a 6%) e as taxas são sempre inferiores aos outros empréstimos/produtos oferecidos pela banca comercial, os quais vencem sempre taxas superiores por força da aplicação de spreads elevados. Em minha opinião se o mercado estiver receptivo, o Benfica irá continuar a utilizá-los, até porque não exige garantias adicionais. Duvido é que as taxas se mantenham nestes níveis, como aliás aconteceu recentemente com outas empresas e até com o Porto e Sporting, os quais pagaram taxas na ordem dos 7,5%, salvo erro.

AntonioFugueiraSLB

João, obrigado pela análise.

Arhamiis

Trabalhar para pagar empréstimos é o que todos nós fazemos, seja da casa ou do carro outro bem qualquer, qual é o problema disso?